Estação Ferroviária de Alcântara Terra

IPA.00026911
Portugal, Lisboa, Lisboa, Estrela
 
Estação ferroviária inicial da Linha de Cintura de Lisboa, construída no séc. 19, constituindo o término da Linha do Oeste, antes da criação da Estação do Rossio, e da Linha de Azambuja, tendo ainda ligação à Estação de Campolide, através do túnel de Alcântara, e ao Ramal de Alcântara-Mar, conservando o edifício de passageiros, as antigas instalações sanitárias, com implantação lateral, paralela às linhas férreas, a cobertura das plataformas de passageiros e as linhas férreas, vários cais cobertos e cais descobertos, antigas casas de habitação para pessoal braçal, o antigo armazém de colas e encerados, existindo ainda outros elementos caraterísticos da paisagem ferroviária. O edifício de passageiros, mantendo as suas características gerais, mas alterado interiormente, apresenta linhas depuradas, destacando-se pela sua dimensão, com cerca de 95 m de comprimento, tendo planta retangular, formada por longo corpo central, de dois pisos, sobrepujado ao centro por relógio circular da casa parisiense Paul Garnier, emoldurado a cantaria, e dois corpos laterais, de apenas um piso, rematados em platibanda plena, rasgados por vãos, em arco de volta perfeita, de chave saliente e, no segundo piso, por janelas retilíneas, com molduras recortadas. Na fachada posterior, as duas plataformas são protegidas por cobertura metálica, de duas águas, assente em pilares em ferro, formando ampla nave, tendo no extremo esquerdo uma outra cobertura metálica, mais baixa, constituindo interessante exemplar da "arquitetura do ferro". Na década de 30 / 40 do séc. 20, as fachadas foram valorizadas com silhar de azulejos, azuis e brancos, de decoração geométrica, aplicada a aerógrafo e stencil sob o vidrado, formando um desenho constituído por quadrados de tamanhos diferentes dispostos radialmente, pintados em dégradé. O grafismo deste motivo abstrato é atribuído à influência da Bauhaus, escola percursora da Op Art (optical art), movimento artístico da segunda metade do séc. 20, e os azulejos foram produzidos na Fábrica de Cerâmica de Sacavém. Na fachada posterior subsiste relógio de plataforma, de dupla face, do tipo Paul Garnier. As instalações sanitárias públicas possuem igualmente grande dimensão, com planta retangular, e fachadas terminadas em aba corrida de madeira, com cunhais de cantaria, silhar de azulejos igual ao do edifício de passageiros, rasgadas por vãos de arco abatido e, superiormente, janelas jacentes, protegidas por reixas. Possui vários cais cobertos, alguns ainda com a cobertura a rematar em longas abas corridas, sobre travejamento de madeira, tendo parte deles sido transformados em zona de despacho de mercadorias. As linhas férreas efetuam uma ligeira curvatura, dando acesso a um túnel, que passa sob a colina do Casal Ventoso e, delimitando o recinto, existem vedações em cimento armado, com desenho da Divisão de Via e Obras da CP.
Número IPA Antigo: PT031106021388
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Transportes  Apeadeiro / Estação  Estação ferroviária  

Descrição

Conjunto composto por edifício de passageiros (EP), o das antigas instalações sanitárias (WC), cobertura das plataformas de embarque e das linhas férreas, com estrutura em ferro, vários cais cobertos (CC) (armazéns), localizados a norte do edifício de passageiros, antigas casas de habitação para pessoal braçal e o antigo armazém de colas e encerados, existindo na restante área outros elementos caraterísticos da paisagem ferroviária, como linhas férreas e plataformas de passageiros, postes de catenária e as vedações em cimento armado. EDIFÍCIO de PASSAGEIROS de planta retangular simples, com cobertura em telhado de quatro águas no corpo central e de três águas nos laterais. As fachadas, evoluindo em um e dois pisos, na zona central, são rebocadas e pintadas de branco, percorridas por soco de cantaria e silhar de azulejos monocromos, azuis e brancos, criando um enxaquetado, com cunhais apilastrados e remates em friso, cornija e platibanda plena, capeada e com acrotérios de cantaria. A fachada principal surge virada a poente, tendo, no piso inferior, 21 portas, em arco de volta perfeita com fecho saliente e molduras de cantaria, protegidas por portas de duas folhas de metal pintado de cinzento, envidraçadas e encimadas por bandeira. As onze centrais, de acesso à zona pública, possuem cobertura em pala, assente em duas consolas metálicas. No piso superior, abrem-se onze janelas retilíneas, com moldura recortada, mais larga na zona superior, e falsa pedra de fecho, protegidas por caixilharias metálicas, pintadas de cinzento; ao centro, o remate em cornija alteia-se e encurva-se, dando lugar a elemento de cantaria, com almofadados geométricos, onde se inscreve um relógio circular. As fachadas laterais do segundo piso possuem duas janelas retilíneas, semelhantes às anteriores. A fachada posterior, com os paramentos semelhantes à principal, possui 19 portas, em arco de volta perfeita, com fechos salientes e molduras de cantaria, protegidas por portas metálicas pintadas de cinza, com almofadados, vidraças e bandeira; abrem para uma plataforma, que dá acesso, no extremo esquerdo, a uma segunda plataforma de embarque, e à zona do armazém de víveres, todas com acesso por rampas. No lado direito, as plataformas formam uma ampla nave com cobertura metálica a duas águas, assente em pilares de ferro, com as bases decoradas e fustes longilíneos, com capitel papiriforme, pintados de cinzento; nos extremos possui elemento de travamento, vazado por arcos, de volta perfeita. O extremo esquerdo possui uma pequena cobertura, mais baixa e em metal pintado de cinzento. CAIS COBERTOS (armazéns): todos de planta retangular simples, mas de diferentes comprimentos, com massa disposta na horizontal e coberturas em telhados de duas águas, prolongando-se em abas corridas, protegendo os paramentos murários e com estrutura em asnas de madeira e revestimento de fibrocimento; cinco dos cais cobertos correspondem às antigas cocheiras retangulares. Os cais assentam sobre plataformas de cantaria de calcário, em aparelho isódomo, com acesso por escadas e rampas. Um dos cais cobertos tem fachada virada às plataformas, encontrando-se parcialmente aberta, e as outras fachadas rasgadas por portas de verga reta. No INTERIOR possui cobertura em vigamento de madeira, assente em pilares de ferro, cravados em bases de betão, com o pavimento em betonilha. As antigas INSTALAÇÕES SANITÁRIAS têm planta retangular simples e cobertura a duas águas, terminadas em abas corridas, sobre estrutura de madeira. Tem as fachadas rebocadas e pintadas de branco, definidas por cunhais de cantaria, percorridas por soco do mesmo material e silhar de azulejos monocromo, azul sobre fundo branco, formando um padrão de falso enxaquetado. São rasgadas uniformemente por portas em arco abatido, com molduras de cantaria, salientes na zona superior. Sobre o friso de remate, abrem-se janelas jacentes, de arejamento, protegidas por reixas de madeira, abrindo-se ainda na fachada virada à linha pequeno vão de perfil curvo. ARRANJOS EXTERIORES: plataformas de passageiros em betonilha afagada. Mobiliário de estação: relógio de plataforma, de dupla face; bancos, candeeiros de iluminação pública e duas antenas de telecomunicações. RESTANTES ÁREAS: postes de catenária, vários tipos de vedação para delimitação do domínio público ferroviário, um dos quais em cimento armado. Sinalética específica para passageiros.

Acessos

Prazeres, Avenida de Ceuta; Linha de Cintura de Lisboa - Ponto quilométrico 0,000 (PK). WGS84 (graus decimais) lat.: 38,707425; long.: -9,173427

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, isolado, na zona oriental da cidade, situado no vale de Alcântara, na confluência de duas colinas, uma que sobe até ao Monsanto e Ponte 25 de Abril (v. IPA.00009862) e outra que sobe pela Rua Maria Pia, na zona do Casal Ventoso, tendo sobranceiro o Cemitério dos Prazeres (v. IPA.00023320). Surge na confluência de duas vias públicas, com o largo frontal e arruamentos alcatroados, tendo uma das vias férreas a prolongar-se com ligação à Estação Ferroviária de Alcântara-Mar, por meio de um viaduto, e à Linha de Cascais, para transporte de mercadorias à linha de Cascais.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Transportes: estação ferroviária

Utilização Actual

Transportes: estação ferroviária

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Infraestruturas de Portugal (conforme do artigo 6º, nº 2 e 5, e artigo 11º, n.º 1, ambos do DL 91/2015, e com a regras definidas pelo regime jurídico do Domínio Público Ferroviário que constam do DL 276/2003)

Época Construção

Séc. 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETOS: Alberto Lourenço (2000), António Horta (2000), Hermínio Barros (1928). PROJETISTA: Divisão de Via e Obras da CP (séc. 20). FÁBRICA DE CERÂMICA: Fábrica de Loiça de Sacavém (séc. 20).

Cronologia

1886 - Início dos trabalhos de construção da linha férrea entre Alcântara e Sintra pela Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses e Edmond Bartissol, em sociedade com Jean Alexis Duparchy, para a construção de um caminho-de-ferro do Cais dos Soldados a Cascais e de um ramal das proximidades da Praça de D. Pedro ao Vale de Alcântara; a implantação da estação de Alcântara-Terra implicou uma terraplanagem considerável de toda a área, ao desvio do curso do rio de Alcântara, numa primeira fase e, progressivamente, à sua cobertura total e cobertura do troço que desaguava no Tejo; 1887, 02 abril - abertura à exploração pública do troço da Linha do Oeste, entre Alcântara-Terra e o Cacém, e o Ramal de Sintra, entre o Cacém e Sintra, e inauguração da estação de Alcântara-Terra; 15 dezembro - contrato entre a CRCFP e a empresa Hersent para a execução da cobertura do caneiro de Alcântara, canal que servia a indústria local e que estava muito poluído, sendo assim eliminado; 1891, 10 agosto - inauguração do ramal entre Alcântara-Terra a Alcântara-Mar, ligando a Linha do Oeste à Linha de Cascais; 1902 - instalação de um sistema de sinalização por discos elétricos; 1903, 16 fevereiro - segundo notícia na Gazeta dos Caminhos de Ferro, já entrara em funcionamento uma nova báscula, para registar o peso dos vagões em andamento; 1910 - no levantamento topográfico de António Silva Pinto, de, (Gabinete de Estudos Olisiponenses; levantamento topográfico por António Silva Pinto Lisboa, 1/1000; plantas 7C, 7D, 7E e 7F), observa-se que a estação tem uma cocheira para locomotivas e carruagens, rotunda de máquinas e oficina de pequenas reparações de material circulante, com placa giratória e um reservatório de água; 1928, 22 fevereiro - projeto de alteração a fazer na sala de espera do edifício de passageiros; 09 março - projeto de retrete para passageiros na estação, pelo arquiteto Hermínio Barros; 1929, 20 abril - projeto de várias modificações a executar para serviço de passageiros vindos da Linha do Oeste, pelo serviço de Estudos de Via e Obras dos Caminhos de Ferro Portugueses; 1931, 27 janeiro - planta das modificações a fazer no piso térreo do edifício de passageiros; 1933 - obras de alteração na estação; 08 junho - planta da adaptação da rotunda de máquinas a oficina de pequenas reparações do material circulante; 22 julho - planta das novas instalações para a oficina de encerados; 1941, agosto - planta do conjunto e localização da nova oficina de cordas e encerados; 1984 - plantas das modificações no edifício de passageiros; 1991 - construção de uma passagem superior pedonal entre as estações de Alcântara-Terra e Alcântara-Mar; 2008 - desmontagem da passagem superior pedonal entre as estações de Alcântara-Terra e Alcântara-Mar; 2016, novembro - instalação da sede da IP Património no edifício de passageiros.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estruturas em alvenaria de tijolo e betão, rebocada e pintada; soco, estrutura do relógio em cantaria de calcário; silhar de azulejo industrial; janelas e portas metálicas e com vidro simples ou de madeira; reixas de madeira; pilares e mísulas em ferro; cobertura em telha ou chapa metálica.

Bibliografia

ABRAGÃO, Frederico de Quadros - Apontamentos para a História dos Caminhos de Ferro. 1956; CALADO, Rafael Salinas, ALMEIDA, Pedro Vieira de - Aspectos Azulejares na Arquitectura Ferroviária Portuguesa. [Lisboa]: Caminhos de Ferro Portugueses, EP, 2001; CANIGGIA, Gianfranco, MAFFI, Gian Luigi - Tipologia de la edificacion. Madrid: Celeste Ediciones, 1995; FINO, Gaspar Correia - Legislação e disposições regulamentares sobre caminhos de ferro. Lisboa: Imprensa Nacional, 1903; 1908; FRAILE, Eduardo Gonzalez - Las primeras estaciones de ferrocarril: su tipologia; HUMBERT, Georges-Charles - Traité Complet des Chemins de Fer. Paris: Baudry, 1891; LOPEZ GARCIA, Mercedes Lopez, MZA - Historia de sus estaciones. Coleccion de ciências, humanis y enginieria, n.º 2). Madrid: Ediciones Turner, S.A., 1986; Pelas Freguesias de Lisboa. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa, 1996, vol. IV; PEVSNER, Nicolaus - Historia de las tipologias arquitectónicas.

Documentação Gráfica

Arquivo Técnico da IP-Infraestruturas de Portugal (solicitação através do site www.infraestruturasdeportugal.pt)

Documentação Fotográfica

DGPC: SIPA; Arquivo Técnico da IP-Infraestruturas de Portugal (solicitação através do site www.infraestruturasdeportugal.pt)

Documentação Administrativa

Arquivo Técnico da IP-Infraestruturas de Portugal (solicitação através do site www.infraestruturasdeportugal.pt); Arquivo Histórico da CP-Comboios de Portugal

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 1984 - modificação das instalações sanitárias do pessoal no edifício de passageiros; 1994, julho - obras na estação para introdução do sistema de sinalização automático; séc. 20, final - arranjo do edifício de passageiros, com tratamento de rebocos e pinturas; tratamento das coberturas e das caixilharias e portas; 2000, julho - estudo prévio das obras de remodelação do edifício de passageiros pelos arquitetos Alberto Lourenço e António Horta, para instalação do PTNS; séc. 21 - arranjo do armazém, para adaptação à funcionalidade de despacho de mercadorias; Câmara Municipal de Lisboa: 2017 - melhoramento dos pavimentos da área envolvente da estação; a intervenção concentra-se no lado norte do Largo de Alcântara, limitada a norte pela Rua Prior do Crato, junto ao início da Rua Gilberto Rola, a sul pela Estação de Alcântara-Terra e Rua João de Oliveira Miguéns, a nascente pelas fachadas da Rua Prior do Crato entre a Rua João de Oliveira Miguéns e início da Rua Gilberto Rola, e a poente ao longo da Rua Maria Pia, até ao início da Travessa da Triste Feia; Proprietário: 2018 - conservação da estrutura original, em ferro, da cobertura das plataformas de passageiros e substituição do respetivo revestimento da cobertura das plataformas, a todo o comprimento do edifício de passageiros; remodelação do piso térreo do edifício de passageiros; conservação e restauro dos azulejos dos silhares exteriores do edifício de passageiros.

Observações

Autor e Data

Paula Figueiredo 2008

Actualização

Paula Azevedo e Ana Sousa 2019 (no âmbito do Protocolo de colaboração DGPC / Infraestruturas de Portugal)
 
 
 
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