Casa das Barcas / Mercado Municipal de Elvas

IPA.00026777
Portugal, Portalegre, Elvas, Assunção, Ajuda, Salvador e Santo Ildefonso
 
Armazém militar construído no início do séc. 18 para albergar o trem de barcas que compunham as pontes e pontões para atravessar os rios da fronteira, e adaptado a teatro no séc. 19. Caracteriza-se pelo aspeto funcional e sobriedade das linhas, possuindo planta retangular, composta por três naves, de eixo longitudinal, separadas por arcos de volta perfeita sobre possantes pilares e cobertas por abóbadas de berço, à prova, exteriormente com coberturas em tesoura. A fachada principal apresenta três panos em empena, separados por falsas pilastras, revelando a divisão espacial interior, as centrais integrando gárgulas em meia cana, e rasgadas por amplos portais ladeando janela central, recentemente adaptada a portal, encimada por brasão com as armas de Portugal, de feitura posterior, dada a sua decoração concheada. As fachadas laterais terminam em cornija e platibanda plena, e possuem janelas de feitura recente, que alteraram o esquema de iluminação interior. Apesar de ter sido utilizada como prisão, como teatro, período durante o qual se interligava à vizinha Casa dos Fornos, e atualmente como mercado, mantém a sua estrutura primitiva, que é semelhante a outros armazéns militares da cidade, nomeadamente à Casa dos Fornos e ao palheiro do Quartel do Assento (v. IPA.00035919).
Número IPA Antigo: PT041207030139
 
Registo visualizado 130 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Armazenamento e logística  Armazém    

Descrição

Planta retangular, de três naves e eixo interior longitudinal, com coberturas em telhados de dente de serra, de duas águas, correspondendo à divisão espacial interior. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com faixa em amarelo, falsas pilastras de massa nos cunhais, igualmente pintadas de amarelo, e remates em friso e cornija, na mesma cor. A fachada principal surge virada a sudoeste e organiza-se em três panos, definidos por falsas pilastras de massa, igualmente pintadas, sobre bases de cantaria, tendo no cunhal direito seis fiadas de cantaria. Cada um dos panos termina em empena e é rasgado por amplos portais, de arco abatido, com moldura de cantaria, contendo portas envidraçadas e gradeadas, sendo a central mais estreita. Sobre esta existe inscrição relevada e um brasão com as armas reais, em cantaria, envolvido por concheados e motivos vegetalistas. As duas pilastras centrais integram gárgulas de meia cana para escoamento das águas da cobertura, existindo nos panos laterais, uma outra, junto à pilastra. Na terceira pilastra existe argola de ferro. As fachadas laterais terminam em platibanda plena, de perfil curvo, sobre o friso e a cornija, e são rasgadas por quatro vãos, altos e estreitos, de arco abatido, moldurados a cantaria e com grades de ferro, sendo dois da lateral direita mais baixos. INTERIOR com as naves separadas por arcos de volta perfeita, assentes em 16 pilares quadrangulares, de alvenaria, revestidos a cantaria, e cobertas por abóbadas de berço. As paredes são rebocadas e pintadas de branco, com alto silhar de azulejos brancos e pavimento de cantaria, integrando caleiras com grelhas metálicas para escoamento das águas. Cada uma das naves possui bancas individualizadas, confrontantes, revestidas a azulejos brancos e com tampos e respetivo bordo em mármore. A nave central tem o primeiro tramo vedado por estrutura metálica envidraçada, formando ampla quadrícula, para albergar as instalações mecânicas, com acesso por portas de verga reta, a virada a nordeste integrada em estrutura em empena, rebocada e pintada de branco. O topo das naves é ocupado pelas instalações sanitárias e outras, nas naves laterais ocultas por estruturas de topo recortado, pintadas de branco, atrás das quais existem estruturas metálicas envidraçadas, formando quadrícula. Na nave central, foi criado um mezzanino, acedido por escada metálica, igualmente vedado por estrutura envidraçada, com a zona central pintada de branco.

Acessos

Assunção, Largo de São Martinho; Avenida Catorze de Janeiro, Rua dos Quartéis; Rua Baluarte do Príncipe. WGS84 (graus decimais) lat.: 38,881408; long.: -7,165772

Protecção

Incluído no Núcleo urbano da cidade de Elvas / Cidade Fronteiriça e de Guarnição de Elvas (v. IPA.00001839) e na Zona de Proteção da Fortaleza de Elvas (v. IPA.00035956)

Enquadramento

Urbano, adossado, no interior da praça, a noroeste da mesma, junto à estrada militar da cortina entre o baluarte do Trem e o do Príncipe. Implanta-se adaptado ao declive do terreno, com a frontaria virada ao Largo de São Martinho, onde existe parque de estacionamento, as fachadas laterais circundadas por ruas e a posterior adossada à Casa dos Fornos (v. IPA.00035918) e ao Quartel de São Martinho (v. IPA.00035791). Nas imediações, ergue-se o Quartel do Trem (v. IPA.00026791), a Igreja de São Martinho (v. IPA.00026775), o Edifício do Conselho de Guerra (v. IPA.00026790) e o Convento de São Paulo (v. IPA.00014243).

Descrição Complementar

Na fachada principal, sobre o portal central, existe inscrição relevada com "MERCADO MUNICIPAL / "CASA DAS BARCAS"" e, junto ao cunhal do pano direito, uma lápide, em mármore, com a inscrição: "MERCADO DIÁRIO MUNICIPAL / INAUGURADO PELO SENHOR PRESIDENTE / DA CÂMARA MUNICIPAL DE ELVAS / JOSÉ ANTÓNIO RONDÃO ALMEIDA / EM 29 DE SETEMBRO DE 2000". A instalação elétrica é composta por caminhos de cabos suspensos da cobertura, onde se fixam apliques.

Utilização Inicial

Armazenamento e logística: armazém

Utilização Actual

Comercial: mercado

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1703 - início da construção do armazém denominado Casa das Barcas, para guardar o trem das barcas que compunham a ponte para atravessar a fronteira luso-espanhola no rio Guadiana e o Caia, no âmbito dos preparativos da Guerra da Sucessão de Espanha *1; 1705 - conclusão das obras de construção do armazém para as barcas; 1718 - data da desativação da Companhia das Barcas, integrada no Regimento de Artilharia, que tinha a responsabilidade do serviço das barcas; 1719, 07 outubro - estando os quartéis velhos de Elvas arruinados e a Coroa só aceitar tomar posse deles, depois de a Câmara os consertar e renovar de camas, o Município, por não ter verbas para essas obras, decide prescindir dos 500$000 que a Coroa lhe devia pela expropriação de 15 dos quartéis demolidos para alargamento dos armazéns de guerra, posterior Casa das Barcas (Almada, 1888, tomo 1, p. 17); 1757 - reorganização do Regimento de Artilharia do Alentejo, durante o reinado do rei D. José, com dois batalhões de oito companhias, havendo no primeiro batalhão uma companhia de barcas ou pontões; 1758, 30 maio - segundo as Memórias Paroquiais da freguesia da Sé, do outro lado da igreja de São Martinho "se principiou no anno de 1703 e finalizou no de 1705 huã grande Casa de 3 naves Com 3 portas e 24 pilares d'alvenaria, a qual serve para Recolhimento das barcas quando o exercito se Recolhe da Campanha"; 1802 - planta da praça de Elvas com seus fortes adjacentes, delineada por Francisco D'Alincourt, representa a casa das barcas, mas a casa dos fornos ainda não está construída, visto haver um vazio e recorte entre as massas da primeira e a do Quartel de São Martinho, ala norte; 1819 - planta da Praça de Elvas, levantada pelo capitão de engenheiros António José da Cunha Salgado, para fazer parte do plano diretor, já representa o edifício da casa dos Fornos, adossada à das Barcas e ao Quartel de São Martinho, ala norte; séc. 19 - extinção das Companhias das Barcas, passando o armazém a ser utilizado para diversos fins; 1823 - desde esta data serve de teatro *2; 1828 - 1834 - durante a Guerra Civil entre os liberais e Miguelistas, a Casa das Barcas é utilizada como prisão, ali chegando a albergar mais de 300 presos partidários de D. Pedro; 1896, 25 março - planta de José Diogo Lopes da Costa Theriaga, tenente de engenharia, representa a casa das barcas com marcação do teatro, delimitando a plateia, espaço da orquestra e palco, interligada à casa dos fornos por vão central, atrás do palco, existindo no topo direito da casa das barcas uma estrutura oblíqua a proteger o vão de comunicação; na fachada principal abria-se em cada um dos panos laterais um portal e no central uma janela, na fachada lateral esquerda três janelas e um portal, enquanto a lateral direita era cega; 1900, 17 setembro - requerimento de José Nunes Silva Sobrinho, residente na cidade de Elvas, a solicitar, como representante de um grupo de proprietários da mesma cidade, a cedência do edifício denominado Casa das Barcas, para nele se construir um teatro; 28 setembro - segundo a Inspeção do Serviço de Engenharia na 4.ª Divisão Militar, 2. Secção, a casa das barcas pode ser arrendada por 300$000 anuais; 07 outubro - em nota complementar n.º 201, a Inspeção do Serviço de Engenharia informa considerar prejudicial aos interesses do Estado e especialmente ao Ministério da Guerra a cedência da Casa das Barcas para nela ser construído um teatro, justificando que no mesmo edifício está a denominada Casa dos Fornos, parte da qual serve de arrecadação ao teatro instalado na Casa das Barcas e outra parte de caserna militar; nesta data, que todo o edifício é do Ministério da Guerra a caserna militar pode, sendo necessária, utilizar o teatro, mas ao ceder-se a Casa das Barcas, a caserna ficaria constrangida à parte que ocupa, com a agravante de ficar ligada a um estabelecimento com alto risco de incêndio; a Casa das Barcas é composta por 3 naves com abóbadas à prova de bomba, não sendo portanto possível melhorar notavelmente as condições higiénicas e arquitetónicas do atual edifício com a facilidade que o signatário da petição julga ou mostra julgar, por serem grandes as despesas de demolição e alteração completa das condições do edifício; 10 outubro - nota n.º 110 do Ministério da Guerra autoriza o arrendamento da Casa das Barcas a José Nunes da Silva Sobrinho, pela renda anual de 300$000, ficando o arrendatário obrigado a restituir o mesmo, sem direito a indemnização alguma, quando o Governo, por motivo de defesa, assim o entender; 11 outubro - informa-se que o general governador da praça de Elvas na nota n.º 1303, de 8 setembro, comunicara que o "rendimento instalado" na Casa das Barcas tem sido aplicado na conservação do cenário e mobília do mesmo, "melhoramentos e machinismo, em harmonia com a auctorização dada na nota n.º 4410 do Comando da Divisão para o governo da Praça e datada de 26 de Setembro de 1889, e gratificação ao fiel"; o governador comunica ainda que o rendimento bruto do teatro, nos últimos 5 anos, tem sido de 109$000, em 1896, de 229$000, em 1897, de 299$000 em 1898, de 332$000 em 1899, e de 280$000 em 1900; ou seja, em média, nos 5 anos, o rendimento bruto anual fora de 249$000; 12 outubro - nota n.º 2602 da Secretaria de Estado dos Negócios da Guerra informa que, segundo determinado pelo Ministério da Guerra e em aditamento à nota da mesma Secretaria, de 11 do corrente, no arrendamento do edifício da Casa das Barcas deverão ser inseridas duas outras condições, para além do que já fora indicado *3; novembro - informação de que a casa das barcas, no estado em que se encontra, pode ser arrendada por 300$000 anuais; 1911, 22 março - exposição da Câmara ao Ministro da Guerra solicita 1) a cedência do prédio, denominado Casa das Barcas, para construir um teatro moderno, aproveitando as paredes-mestras e os materiais que se pudessem utilizar; 2) a cedência de parte do andar térreo do edifício denominado do extinto Trem, para transferência da cadeia civil (que se achava pessimamente acomodada nos baixos da administração do concelho); e 3) autorização para estabelecer uma nova comunicação da praça com o exterior; 19 julho - analisando o assunto, a Inspeção das Fortificações e Obras Militares refere que "não há ainda muitos anos a praça dispunha de uma forte guarnição, mas nos últimos anos foram demolidos os quartéis do castelo e os quartéis velhos da Rua dos Quarteis", pelo que julga que não se dever reduzir mais os antigos aquartelamentos; relativamente à Casa das Barcas refere que, ainda que se tenha escolhido a posição de Tancos para a instalação de parque de pontes de equipagem, considera ser de conservar os edifícios construídos para esse fim; deste modo, relativamente à concessão da Casa Barcas à Câmara para demolição das suas abóbadas e reconstrução de um novo teatro, dá parecer que tal só poderia ser feito com prejuízo dos serviços de mobilização quer de pessoal, quer de material, pois a casa constitui um armazém abobadado com 35m comprimento por 21 de largura, que podia prestar muito bom serviço ao Ministério da Guerra; 1912, 11 janeiro - escritura de cedência feita pelo Ministério da Guerra à Câmara Municipal da Casa das Barcas, onde se achava instalado o Teatro Elvense, a fim de a Câmara ali poder fazer as obras necessárias para servir como teatro, completamente sob a administração municipal, de harmonia com o expedido na nota n.º 89, mandada pela Secretaria da Guerra, 2.ª Direção Geral, 2.ª Repartição, com data de 18 novembro 1911 *4; por volta desta data decorrem as primeiras sessões de cinema na Cassa das Barcas; 1916, 11 outubro - escritura de ampliação da concessão feita pelo Ministério da Guerra à Câmara Municipal de Elvas, por escritura de 11 janeiro 1912, englobando à anterior concessão gratuita da Casa das Barcas, a parte da Casa dos Fornos, que fica ao poente, utilizada para arrecadação do cenário do teatro elvense; a cedência da parte da Casa dos Fornos tinha como condição ser entregue ao governo da praça de Elvas ou à Manutenção Militar quando o Ministério da Guerra assim o determinasse por motivo de serviço, ficando a Câmara obrigada a proceder à vedação entre a Casa dos Fornos e a das Barcas, por meio de um tabique de tijolo; 1917 - data do projeto do teatro a construir na Casa das Barcas, da autoria do arquiteto José Coelho, o qual implicava a demolição quase completa do edifício e à transformação do que restasse, não permitindo voltar a ter a anterior aplicação; 1922 - até esta data, a Câmara ainda não fizera nenhumas obras no edifício, mesmo as de simples conservação, limitando-se a receber os rendimentos do teatro; segundo parecer da Inspeção Geral das Fortificações e Obras Militares, não se deveria demolir os imóveis cedidos para a construção do teatro, o que considera ser mais custoso do que construir um teatro noutro local; assim, não são autorizadas as obras em harmonia com o projeto enviado, devendo-se avisar a Câmara para efetuar as obras de reparação indispensáveis, mas sem alterar profundamente a construção existente, e entender-se com a Câmara para que, em troca da sua desistência das concedias Casa das Barcas e dos Fornos, lhe seja dado algum terreno onde pudesse construir um teatro; é colocada a hipótese de construir o teatro nas ruínas da Igreja de São Paulo (v. IPA.00014243); 1927 - o Ministério da Guerra mostra urgência em ocupar e adaptar a Casa das Barcas para o Grupo de Baterias de Artilharia a Cavalo; 18 janeiro - em secção, a Câmara resolve anuir à proposta do Ministério da Guerra para restituir o antigo PM 15 - Casa das Barcas, ao Ministério, em troca do velho armazém da Ramada; 19 janeiro - a Comissão Camarária solicita que a compensação da restituição da Casa das Barcas seja ampliada com a autorização de uma nova abertura, através da fortificação, ligando com a Praça Fontes Pereira de Melo, e compreendendo a cedência dos PM n.º 50 - Armazém junto da Ramada, n.º 72 - Paiol do baluarte São João de Deus e n.º 76 - Tanque das Medeiras, que são todos de insignificante valor; e por motivos de abastecimento de águas à mesma cidade, a cedência de alguns terrenos (a determinar) junto da Parada do Castelo, para a construção de um grande depósito, indispensável à sua conveniente distribuição por toda a cidade; nesta data a Casa das Barcas e a dos Fornos (a parte cedida com o n.º de Prédio Militar n.º 103) são intercomunicantes; 1928, 06 janeiro - na sequência da solicitação da Câmara, determina-se que a entrega dos prédios militares onde se acha instalado o teatro não se deve efetuar até 31 de maio do mesmo ano, altura em que já deve estar concluído o teatro em construção; na ocasião dessa entrega seria feita também a entrega dos prédios militares que estão na posse do Ministério da Guerra e que, por troca com a Casa das Barcas e a dos Fornos (parte), são cedidos à Câmara; 24 setembro - escritura relativa à troca entre a Câmara Municipal de Elvas, sendo então presidente da Administração António Joaquim de Melo, e o Ministério da Guerra dos Prédios Militares n.º 15 - Casa das Barcas, n.º 14 - Casa dos Fornos e n.º 54 - Armazém da Ramada, e da cedência gratuita Do Ministério à Câmara dos Prédios Militares n.º 50 - Armazém junto da Ramada, n.º 72 - Paiol da bateria e n.º 76 - Tanque das Medeiras; no documento da troca dos edifícios, uma das condições é que a Câmara faça a entrega ao Ministério da Guerra de todos os artigos e acessórios do teatro então ali existentes e que lhe foram entregues pelo Ministério da Guerra aquando da concessão, ou foram posteriormente adquiridos para substituição dos que recebeu e se inutilizaram pelo uso; 23 outubro - deliberação unânime da Comissão Administrativa da Câmara, que resolve optar por comprar os PM 15 - Casa das Barcas e PM 103 - Casa dos Fornos (parte), pedindo ao Ministério da Guerra que tome em consideração, na fixação do preço, a oferta que a Câmara faz, do fornecimento de água canalizada para os quartéis militares da guarnição da praça, oferta que considera de alto valor e crê pesar para se fazer a maior redução possível no preço; 1929, 10 janeiro - a Casa das Barcas e a dos Fornos não são nesta data necessárias ao serviço do Ministério da Guerra, mas visto constituírem bons edifícios, em muito regular estado de conservação e oferecerem condições especiais para alojamento de grande quantidade de material e número considerável de pessoal, podendo de uma maneira rápida, fácil e relativamente económica adaptar-se a armazéns, depósitos, parques, ou quaisquer outras instalações, e, atendendo a encontrarem-se numa cidade de fronteira, podendo o Ministério da Guerra vir a necessitar deles, conclui-se ser mais conveniente não os alienar; informa-se que a Casa dos Fornos é o PM 14 e não o 103, número este que foi dado apenas à parte da Casa dos Fornos que ficou livre quando se fez a cedência à Câmara de Elvas de uma parte do mesmo juntamente com o PM 15 - Casa das Barcas; na avaliação dos prédios apenas se toma em consideração a superfície do terreno ocupado por eles e o volume de alvenaria em elevação, incluindo o volume das abóbadas das coberturas; caso se determinasse arrendar, dever-se-ia fazê-lo pela renda de 1.500$00, ou seja, 18.000$00 anuais; 13 janeiro - pede-se ao Presidente da Comissão Administrativa da Câmara a entrega das chaves do PM 14 e 15; 11 julho - apesar de a Câmara pretender comprar a Casa das Barcas e a do Fornos, responde à Direção-Geral das Fortificações e Obras do Exército não poder pagar a quantia de 225 contos que o Ministério da Guerra pedia por eles, em 9 prestações anuais de 25 contos; 24 setembro - escritura pública faz voltar à posse plena do Ministério da Guerra os PM 14 e 15; 26 novembro - auto de cedência a título provisório e precário, pelo prazo de 2 anos, à Junta Central da Companhia de Trigo do Ministério da Agricultura do PM 15, para instalação e guarda de material agrícola; encontra-se então em regular estado de conservação; 1931, 29 novembro - data do término da cedência do imóvel à Junta Central da Companhia de Trigo do Ministério da Agricultura; 1940, 30 dezembro - auto de entrega do edifício ao Batalhão de Caçadores 8, para servir de parque de viaturas; está então em mau estado de conservação, necessitando de reparações no pavimento, teto, portais e janelas e recolocação de grande número dos vidros partidos, tendo também uma das abóbadas fendida; 31 dezembro - data do Tombo do edifício, de que se ignora a proveniência, com a área coberta de 1.105m2, valor patrimonial inicial 220.000$00 e com placa; 1945, 31 agosto - é ocupado pelo Batalhão de Caçadores 8, como parque de viaturas; 1978, 24 novembro - data do Tombo do edifício, então ocupado como arrecadação de materiais e viaturas da Comissão Liquidatário do CICAELVAS por CL/CICAE e como parque auto do ex-Batalhão de Caçadores 8, com a área coberta em r/c 1.125m2; 1979, 31 maio - ofício da Câmara Municipal de Elvas a solicitar o antigo Hospital Militar para instalar os gabinetes técnicos, delegação escolar e outros serviços públicos e a Casa das Barcas para instalação dos Bombeiros Voluntários de Elvas, que abandonaria a parte do Hospital Militar anteriormente cedida; 1982 - Comando Geral da GNR solicita o PM 15 para, depois de proceder a obras de adaptação, a partir do projeto tipo de quartel de Comando de Secção, resolver o seu problema de instalações; 1995, 28 julho - publicação do Decreto-Lei n.º 190/95, DR, 1.ª série-A, n.º 173, a autorizar a alienação, em regime de hasta pública, ou em regime de cessão a título definitivo e oneroso, a pessoas coletivas de direito público ou a instituições particulares de interesse público, dos imóveis PM 15/Elvas - Casa das Barcas, com área aproximada de 1.050m2, omisso na respetiva Matriz Predial e PM 86/Elvas - Quartel do Trem, com área de c. 4300m2; 1999, 14 janeiro - artigo de jornal refere que a Câmara assinara entretanto um contrato programa com o Ministério do Equipamento, Planeamento e da Administração do Território para a compra e recuperação da Casa das Barcas e Rua dos Quartéis, orçados em 150 mil contos, tendo as obras de adaptação da Casa das Barcas a mercado já começado, prevendo-se estarem concluídas no final de 2000; 16 julho - publicação do Despacho conjunto do MDN/MF n.º 574/99, DR n.º 164, 2.ª série, a autorizar a cessão definitiva e onerosa à Câmara Municipal de Elvas do PM 15, por 40.000 contos; 30 novembro - auto de cessão a título definitivo e oneroso à Câmara Municipal do edifico, por 40.000 contos, tendo a área aproximada de 1.050m2 e o valor patrimonial de 15.300.000$00; 2000, 29 setembro - inauguração do mercado diário municipal pelo presidente da Câmara Municipal de Elvas, José António Rondão Almeida; 2008, 27 agosto - desafetação do domínio público militar da Casa das Barcas.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria, rebocada e pintada; molduras dos vãos, bases das pilastras exteriores, gárgulas, cunhal e outros elementos em cantaria; brasão de mármore; falsas pilastras e cornijas em massa; portas, grades e caixilharia em ferro; vidros simples; pavimento em cantaria; silhares em azulejos; lápide e mesas das bancas em mármore; cobertura de telha.

Bibliografia

AA.VV - Fortificações de Elvas. Proposta para a sua inscrição na lista do Património Mundial. Elvas (Portugal): texto policopiado, 2008; ALMADA, Victorino d' - Elementos para um Dicionário de Geographia e História Portugueza Concelho d'Elvas. Elvas: Typ. Elvense, de Samuel F. Baptista, 1888, vol. 1; BUCHO, Domingos - Cidade-Quartel Fronteiriça de Elvas e suas Fortificações. Lisboa: Edições Colibri; Câmara Municipal de Elvas, 2013; Elvas Duas Décadas de Poder Local. Elvas: Câmara Municipal de Elvas, 2013; JESUÍNO, Rui - Elvas - Histórias do Património. s.l.: Rui Jesuíno; Booksfactory, 2016; MORGADO, Amílcar F. - Elvas: Praça de Guerra, Arquitectura Militar. Elvas: Câmara Municipal de Elvas; Grupo de Apoio e Dinamização Cultural de Elvas (G.A.D.I.C.E.), 1993.

Documentação Gráfica

Direção de Infraestruturas do Exército: Tombo dos Prédios Militares: PM n.º 15/Elvas - Casa das Barcas (Processo n.º 2 e n.º 4), PM n.º 14/Elvas - Casa dos Fornos (Processo n.º 1 e n.º 3); Câmara Municipal de Elvas

Documentação Fotográfica

DGPC: SIPA

Documentação Administrativa

Arquivo Histórico Militar, 3.ª Divisão, 9.ª Secção, cx. 73, n.º 11 (Relatório sobre a defesa da Praça de Elvas feito pelo seu atual governador, o General de Brigada Francisco Xavier Lopes", 1875); Direção de Infraestruturas do Exército: Tombo dos Prédios Militares: PM n.º 15/Elvas - Casa das Barcas e PM n.º 14/Elvas - Casa dos Fornos; Conservatória do Registo Predial de Elvas: Freguesia da Assunção, n.º. 01383/970408, artigo 2511, Livro G-1; DGALB/TT: Memórias Paroquiais, vol. 13, n.º (E) 14, p. 71 a 106 (Sé)

Intervenção Realizada

CMElvas: 1999 - inicio das obras de recuperação e adaptação do edifício a mercado diário municipal, obra co-financiada pelo PIDDAC; durante as obras, procede-se à adaptação da janela do pano central da frontaria em porta e à abertura das janelas nas fachadas laterais.

Observações

*1 - Segundo Amílcar F. Morgado, a primitiva Casa das Barcas, teria sido construída no séc. 17, no sítio da Esquina (MORGADO, p. 60). *2 - Segundo o "Relatório sobre a defesa da Praça de Elvas feito pelo seu atual governador, o General de Brigada Francisco Xavier Lopes", de 1875, a Casa das Barcas servia de teatro, "(...) destino que ainda hoje tem e conserva por ordem do ministério da guerra, quando negou ao governador José Maria Baldy a licença que havia solicitado para demolir o theatro e fazer do armazém uma prisão, fundando a recusa na attendivel circunstancia de ter n'elle assistido a uma representação S. M. a S.nra D. Maria 2ª, de saudosa memoria, com seus Augusto [sic] filhos, na occasião em que se dignou visitar esta praça". *3 - As condições adicionais a inserir no contrato de arrendamento são a de que o edifício voltar à posse do Ministério da Guerra se deixar, durante o prazo de 2 anos, de ter aplicação para o que foi pedido, sem que tal reversão dê direito ao arrendamento ou, ao grupo de proprietários de que ele se diz representante, a qualquer indemnização, nem tão pouco à retenção do prédio, ainda que nele tenham sido feitas quaisquer obras necessárias, úteis ou luxuosas. Em segundo lugar, nenhuma obra ou trabalhos poderiam ser empreendidas no prédio sem que o Ministério da Guerra tivesse aprovado os projetos e orçamentos dos mesmos, que com a devida antecedência deviam ser apresentados pelo arrendatário ou grupo de proprietários que o mesmo diz ser representante. *4 - As condições de cedência do edifício à Câmara Municipal de Elvas eram: 1) o Ministério da Guerra autoriza o Município a fazer no edifício as obras necessárias e solicitadas, para continuar a servir como teatro, mas em melhores condições, desde que isso não resulte em direito a indemnização alguma quando, em tempo de guerra se torne necessário, em destruir algumas daquelas obras, ou impedir ali alojar pessoal ou material do serviço militar; 2) a administração e conservação do teatro ficaria completamente a cargo da referida municipalidade; 3) o plano das mencionadas obras deveria ser submetido à aprovação do Ministério da Guerra antes de ser levado a efeito; 4) a concessão tornar-se-ia válida imediatamente à assinatura da escritura, nos termos da portaria do Ministério da Guerra de 17 de outubro de 1870. O prédio é descrito como "uma casa grande abobadada, com três naves e entrada pelo largo de S. Martinho", confrontando pelo norte com a cortina entre o baluarte do Trem e o do Príncipe, pelo sul com a antiga Rua dos Quartéis, à data do Governador Rodrigues da Costa, pelo nascente com o prédio militar n.º 14, denominado Casa dos Fornos, e pelo poente com o Largo de São Martinho.

Autor e Data

Paula Noé 2017

Actualização

 
 
 
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