Vale do Mira
| IPA.00026674 |
| Portugal, Beja, Odemira, Longueira/Almograve |
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| Paisagem predominantemente natural | |
| Número IPA Antigo: PT040211060059 |
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| Registo visualizado 1057 vezes desde 27 Julho de 2011 |
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Paisagem Unidade de Paisagem
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Descrição
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| CARACTERIZAÇÃO DOS FACTORES ABIÓTICOS. ELEMENTOS GEOMORFOLÓGICOS.
Relevo: Nesta zona costeira rochosa, a foz do Mira surge como elemento contrastante com a paisagem envolvente. Tal como o nome indica, a morfologia da unidade corresponde a um vale, onde as altitudes médias são relativamente baixas (inferiores a 200m). No seu troço final, o rio Mira assume uma configuração quase plana.
Declives: declives reduzidos, oscilando entre 4 a 8% (maioritariamente).
Exposição de vertentes: devido à pouca inclinação das vertentes, a exposição solar não assume particular relevância.
Geologia: O vale do Mira localiza-se na Zona Sul-Portuguesa, caracterizada pelo afloramento de uma espessa série xisto-grauváquica.
Litologia: Nesta área, encontram-se rochas metamórficas não carbonatadas (xistentas), principalmente na margem direita do rio, mas no litoral dominam as rochas detríticas (areias, arenitos e cascalheiras datadas do Plio-Plistocénico).
Solos: Solos vermelhos carbonatados. A NNO de Odemira encontram-se sobretudo Litossolos êutricos. Na envolvente de Vila Nova de Milfontes e a SE deste núcleo, predominam os Podzóis órticos.
CLIMATOLOGIA: O clima da bacia do vale do Mira tem uma marcada influência atlântica, devido à localização geográfica e à proximidade de relevos costeiros, como a serra do Cercal. Assim, as temperaturas não atingem valores médios tão extremos, quanto outras áreas do Alentejo (temperatura média anual de 17,5ºC). Ainda que sejam bastantes elevadas no Verão, a nortada atenua o seu efeito. Em relação à precipitação, ocorrem baixos valores (a precipitação média anual predominante é inferior a 800mm), que se distribuem por cerca de 100 dias por ano.
HIDROGRAFIA: esta área encontra-se integrada na pequena bacia hidrográfica do rio Mira, cuja rede é dominada por este e pelos afluentes: Torgal, Luzianes, Perna Seca (margem direita), Macheira, Guilherme e Telhares (margem esquerda). O rio Mira caracteriza-se por um regime irregular, de forte carácter sazonal, em que o pico do caudal coincide com o Inverno (estação em que ocorre mais precipitação), e na estação mais seca (Verão) chega a atingir níveis críticos, devido às elevadas temperaturas e intensa evaporação. Contudo, a jusante de Odemira (mais próximo da foz), o vale de cariz topográfico mais plano, facilita o escoamento das linhas de água adjacentes, e sofre variações de caudal influenciadas pelas marés. Neste troço final, o vale aberto propicia a deposição de sedimentos, que contribuem para o assoreamento do rio.
FRENTES RIBEIRINHAS E COSTEIRAS: Forte meandrização do rio cria frentes ribeirinhas sinuosas, onde alterna a ocupação de matos, povoados e agricultura.
CARACTERIZAÇÃO DOS FACTORES BIÓTICOS.
FLORA: Vegetação reflecte a influência do clima atlântico através da presença do amieiro (Alnus glutinosa), sobreiro (Quercus suber), azinheira (Quercus rotundifoliae) e carvalho-cerquinho (Quercus faginea) nas encostas viradas a Norte. Na zona do estuário, encontra-se uma vegetação dominada por juncais e caniçais. Na vegetação ribeirinha encontram-se o freixo (Fraxinus angustifolia), a borrazeira-branca (Salix salvifolia ssp australis), a borrazeira-preta (S. atrocinerea) e o choupo negro (Populus nigra). A ribeira do Torgal, um dos afluentes do Mira, é um local interessante do ponto de vista da vegetação mediterrânica, com grande diversidade de espécies.
FAUNA: Grande interesse biológico nas zonas de sapal, junto à foz, zona favorável para diversas espécies que vivem nos sedimentos, como berbigão, amêijoas, lingueirão e caranguejo. O rio Mira tem grande interesse em termos de ictiofauna, como é o caso do barbo-do-sul (Barbus sclateri), a carpa (Cyprinus carpio), o escalo-do-Sul (Leuciscus pyrenaicus) ou a boga-portuguesa (Chondrostoma lusitanicum), espécie em perigo.
CARACTERIZAÇÃO DOS FACTORES ANTRÓPICOS.
USO E OCUPAÇÃO DO SOLO: Encostas de vale tradicionalmente cobertas de matos, sobreiros e olivais hoje ocupados com eucalipto. Junto à foz, intensifica-se o uso agrícola, na zona de aluviões férteis, junto a Odemira. Nessa área o regadio assume bastante relevância.
TIPO DE POVOAMENTO: Povoamento concentrado e escasso. As duas principais povoações (Vila Nova de Milfontes e Odemira) localizam-se nas áreas mais propícias à relação com o rio (beneficiando do troço navegável). Vila Nova de Milfontes, localizada na foz, agrega a proximidade do rio e do mar, ideal para a actividade piscatória e para a navegação fluvial para escoamento de produtos, com a de campos férteis. Odemira, localizada junto a um vale fértil, com ocupação agrícola, constituiu-se, durante séculos, como centro polarizador da economia regional.
DADOS DEMOGRÁFICOS: área de regressão demográfica, com baixa densidade populacional.
PATRIMÓNIO CULTURAL: Igreja de São Salvador em Odemira (PT040211080007), passagens de pedra (pontes), Forte de São Clemente (PT040211110002) e a Igreja Matriz em Vila Nova de Milfontes (PT040211110038). Da arquitectura vernacular destacam-se as azenhas e os moinhos de maré.
PATRIMÓNIO INTANGÍVEL: Segundo a tradição oral local, o rio Mira faz três coisas: rega, mói e traz peixe. O troço do rio anterior a Odemira, sinuoso entre encostas de xisto, é designado localmente por “rio parado”.
ORGANIZAÇÃO SOCIAL E MODOS DE VIDA: Tradicionalmente, a agricultura e a pesca constituíram as principais actividades no vale, sendo que o sector industrial teve sempre pouca expressão. A navegabilidade do rio assegurou, durante séculos, a comunicação com o interior do Baixo Alentejo, funcionando como canal de escoamento da produção dessa área. O assoreamento do rio e a decrescente importância deste meio de comunicação vieram retirar dinamismo ao porto de Vila Nova de Milfontes. A construção da barragem de Santa Clara-a-Velha (a montante desta área), em 1968, impulsionou o desenvolvimento do regadio na região e actualmente esta é ainda das principais actividades. Contudo, a crescente mecanização, verificada nas últimas décadas, traduziu-se na diminuição de mão-de-obra afecta ao sector, com natural implicação na organização social, visto que parte da população teve de procurar fontes de rendimento noutras partes do país e noutros sectores de actividade. Nos últimos anos, a crescente procura das praias da costa vicentina contribuiu para a emergência de actividades associadas ao turismo balnear (como o arrendamento de casas no Verão), que permitem o complemento dos rendimentos de alguma população residente. Este fenómeno é mais perceptível em Vila Nova de Milfontes, onde a construção de empreendimentos turísticos e a restauração são mais acentuadas.
SISTEMA DE VISTAS: Pontos dominantes: Miradouro em frente a Odemira, na EN 120; pirâmide geodésica de São Luís, em Odemira; ponte sobre o rio Mira, em Vila Nova de Milfontes.
PERCEPÇÃO DA PAISAGEM: A presença do rio e do mar, com as suas diversas variedades cromáticas é muito forte. É uma paisagem tranquila, de vale. |
Acessos
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| Rodoviário: EN 263, ER 393, ER 390 |
Protecção
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| Inclui o PN - Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (Decreto Regulamentar nº 33/95, de 11 de Dezembro) / RN2000 - Rede Natura 2000: inclui o SIC - Sítio de Interesse Comunitário da Costa Sudoeste (Resolução do Conselho de Ministros n.º 142/97 de 28 de Agosto); inclui a ZPE - Zona de Proteção Especial da Costa Sudoeste (Decreto Lei n.º 384-B/99 de 23 de Setembro de 1999) |
Enquadramento
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| Situada no SO de Portugal Continental confina a E com as Serras de Grândola e do Cercal e as Colinas de Odemira, a N e a S com o Litoral Alentejano e Vicentino e a O com o Oceano Atlântico |
Descrição Complementar
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| Apesar da nascente do rio Mira se localizar na serra do Caldeirão, a esta unidade pertence apenas o troço final, a partir da zona de Odemira, onde o vale ganha maior dimensão, pois até aí o rio corre num vale estreito, em extensas áreas de eucaliptal. Destaca-se ainda que este é o segundo estuário mais importante da costa alentejana. |
Utilização Inicial
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| Não aplicável |
Utilização Actual
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| Não aplicável |
Propriedade
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| Não aplicável |
Afectação
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| Não aplicável |
Época Construção
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| Não aplicável |
Arquitecto / Construtor / Autor
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| Não aplicável |
Cronologia
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| A construção da barragem a montante, permitiu o desenvolvimento de um sistema de regadio, que modificou a paisagem desta unidade.
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Dados Técnicos
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| Não aplicável |
Materiais
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| Xisto |
Bibliografia
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| Ribeiro, Orlando, Portugal. O Mediterrâneo e o Atlântico, Lisboa: Livraria Sá da Costa, 1986. Brito, Raquel Soeiro (coord)., Portugal. Perfil Geográfico, Editorial Estampa, Lisboa, 1994. Lautensach, H., Ribeiro, O., Daveau, S. Geografia de Portugal, Lisboa, João Sá da. Costa, 4 Vol., 1997. AAVV, Contributos para a Identificação e Caracterização da paisagem em Portugal Continental, vol. 5, Lisboa, 2004, DGOTDU. ICN, Plano Sectorial da Rede Natura 2000, ICN, 2006. INAG (www.inag.pt), Setembro de 2006. |
Documentação Gráfica
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| DGEMN-DSID; IA; DGOTDU; IGP; IgeoE; EP |
Documentação Fotográfica
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| DGEMN-DSID |
Documentação Administrativa
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| DGEMN-DSID |
Intervenção Realizada
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| Plano de Ordenamento da Orla Costeira Sado-Sines (Resolução de Conselho de Ministros nº 136/99 de 29 de Outubro); Plano de Ordenamento da Orla Costeira Sines-Burgau (Resolução de Conselho de Ministros nº 152/98 de 30 de Dezembro); Plano Regional de Ordenamento do Território do Litoral Alentejano – PROTALI (DR 26/93 de 27 de Agosto). Plano Director Municipal de Odemira (Resolução do Conselho de Ministros n.º 114/2000 de 25 de Agosto). |
Observações
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| *1 - Abrange as freguesias de Vila Nova de Milfontes, S. Salvador, S. Maria e Longeira/ Almograve |
Autor e Data
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| Carla Gomes/ Filipa Ramalhete/ Luís Marques 2006 |
Actualização
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