Torre de Bera

IPA.00002660
Portugal, Coimbra, Coimbra, Almalaguês
 
Torre românica que se nsere na "linha defensiva" do sul do Mondego, constituindo uma das várias torres erguidas na transição do séc. 11 para o 12 para vigia e defesa dos povoados que então surgiam numa zona militarmente instável dados os constantes ataques muçulmanos. Torre de Bera defendia assim os campos férteis do vale Dueça. Para A. Nogueira Gonçalves constituía "uma torre de refúgio dos senhores habitantes locais, construída por iniciativa particular e para abrigo de um agregado económico ..." (1980, p. 157). Estilisticamente enquadra-se no chamado "românico condal". É uma das poucas torres românicas da "linha defensiva" do S. do Mondego ainda existente. Caracteriza-se pela rudeza das linhas e diminuição da espessura dos muros por andar, criando desnível para apoio do pavimento.
Número IPA Antigo: PT020603010060
 
Registo visualizado 141 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Atalaia    

Descrição

Planta rectangular simples. Dos alçados conservam-se apenas os muros S. e E., de 3 pisos, marcados interiormente pela diminuição da sua espessura, os quais se apresentam desmantelados nos topos. O aparelho do primeiro piso é formado de tufo calcário arrancado do esporão rochoso e os outros por arenitos. O alçado S. é rasgado por fresta ao nível do piso intermédio e as paredes interiores são parcialmente revestidas por argamassa. O alçado E, está parcialmente desmoronado no INTERIOR, desde o nível inferior até ao intermédio, tranparecendo para o exterior através de uma grande fenda provocada por derrocada.

Acessos

Desvio da EN. 110; Torre de Bera, Rua da Torrita

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, isolado, implantação harmónica. Envolta por vegetação rasteira e arbórea, desfruta explêndido panorama para o vale que domina. Ergue-se num esporão rochoso, um pouco abaixo do outeiro em que assenta a povoação de nítido carácter medieval. Na área interior e envolvente amontoam-se as pedras dos muros ruídos.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: atalaia

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 11 / 12 (conjectural)

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido

Cronologia

1064 - Conquista definitiva de Coimbra por Fernando Magno; séc. 11, finais / 12, final do 1º terço - época provável da sua construção; séc. 14 - era Senhor de Torre de Bera Gaspar de Voalas; posteriormente parece ter pertencido a Francisco Pires da Cunha, casado com Mécia Faria; 1949 - permaneciam erguidas as quatro paredes, mas já sem o ângulo NO., com muitas fendas e a porta meio desmantelada; 1995, 02 agosto - proposta de classificação do edifício como Valor Concelhio; 1996, maio - o processo de instrução encontra-se em apreciação no Conselho Consultivo do IPPAR; 2003, 24 fevereiro - Despacho de encerramento do processo de classificação.

Dados Técnicos

Estrutura de paredes autoportantes, com aparelho "incertum" e "mixtum vittatum".

Materiais

Tufo calcário (1º piso) e arenitos (pisos superiores).

Bibliografia

BORGES, Nelson Correia, Coimbra e Região - Novos Guias de Portugal, Lisboa, 1987; COELHO, Maria Helena da Cruz, O Baixo Mondego nos Finais da Idade Média (Estudo de História Rural), Coimbra, 1983; CORREIA, Vergílio, Inventário Artístico de Portugal, vol. 4, Lisboa, 1952; GONÇALVES, A. Nogueira, A Torre de Bera, Estudos de História da Arte Medieval (reedição), Coimbra, 1980, p. 157 - 160.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DREMC

Intervenção Realizada

Observações

*1 - Não conhecemos documentos referentes a Torre de Bera, mas deve ter passado à posse de particulares por doação régia, como acontecia normalmente com as terras conquistadas aos mouros. Se assim foi, é possível ter sido inserida no território de povoações maiores suas vizinhas, como Almalaguês, cabeça da freguesia a que hoje pertence, ou Ceira. De facto, Almalaguês, juntamente com Cernache e Sobreiro, foi doada no séc. XV pelo regente D. Pedro a Guilherme Arnao; e Ceira, logo em Set. de 1180, por D. Afonso Henriques ao seu chanceler Julião. Independentemente disto, a torre deve ter sido erguida por um particular. Torre de Bera conserva ainda não só o seu tipicismo medieval a nível urbano, como a nível dos costumes e tradições, estando algumas destas últimas a ser estudadas pela Drª Margarida Ribeiro. Em 1938 ficou em 2º lugar no concurso "A Aldeia mais portuguesa de Portugal". Segundo informações da mesma estudiosa, existe na povoação tradição oral de que a torre teria sido coberta por uma "panela", possível alusão a uma cobertura esférica. Visitando-a em 1949, A. Nogueira Gonçalves diz que a porta da torre assentava directamente no terreno e era rectangular e singela.

Autor e Data

Paula Noé 1993 / Margarida Silva 2005

Actualização

 
 
 
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