Palácio dos Figueiredo / Palácio do Capitão-Mor / Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova

IPA.00002633
Portugal, Coimbra, Condeixa-a-Nova, União das freguesias de Condeixa-a-Velha e Condeixa-a-Nova
 
Palacete seiscentista, alterado ao longo do tempo, e ultimamente, adaptado para os paços do concelho. É de planta rectangular, irregular, abrindo para um pátio rectangular. Fachada principal, com distribuição simétrica dos vãos num ritmo maneirista, realçando-se o portal com o brasão profusamente decorado com elementos vegetalistas, flanqueado inferiormente por duas frestas, e superiormente por duas janelas. A fachada posterior difere da principal na volumetria dos corpos e no formato dos vãos. Compõe-se em três corpos de volumes assimétricos, prolongando-se o corpo central para a esquerda sobre o corpo a S., indiciando um acrescento posterior, possui dois vãos em arco, sendo o da esquerda em volta perfeita e o da direita, rebaixado. No pátio, acede-se ao andar nobre por duas escadarias que dão para a galeria. O seu revestimento azulejar desapareceu.
Número IPA Antigo: PT020604040005
 
Registo visualizado 163 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre  Casa nobre  Tipo planta retangular com pátio central

Descrição

Planta, rectangular irregular, composta por 4 corpos, distribuídos em torno de um pátio rectangular, articulando-se entre si através dos 2 corpos centrais. Coberturas diferenciadas em telhados de 4 águas, com 2 chaminés paralelepipédicas, no lado E.. Fachadas rebocadas e pintadas de branco e com embasamento saliente em cantaria, circunscritas por cunhais apilastrados de cantaria, finalizados por pináculos piramidais sobre plintos galbados, vãos rectilíneos com modinatura em cantaria. Fachada principal, rematada em cornija com beiral simples, pontuada por falsas gárgulas de canhão*1, divide-se em três panos definidos por pilastras toscanas, possui dois registos divididos por friso em cornija. Os panos laterais, correspondem aos corpos laterais e têm igual número de vãos, sendo 24 na totalidade, distribuídos simetricamente, 6 em cada registo, possuindo no registo inferior, janelas jacentes em capialço, e no registo superior, janelas altas com as vergas sobrepostas por cornija arquitravada, dando para sacadas em cantaria com guardas de ferro, apoiadas em mísulas volutadas. No pano central, correspondente à galeria, sobressai o portal com pilastras toscanas, sobrepostas à moldura da porta, que simula capiteis jónicos nos ângulos superiores internos, verga arquitravada encimada por brasão com moldura de decoração vegetalista, e aletas volutadas, flanqueado por pináculos em forma de botão sobre plintos bipartidos, inferiormente formados por volutas decoradas com folhas de acanto, e superiormente, decorados com volutas estilizadas, sendo o remate em frontão curvo interrompido, com ramalhete de folhas de acanto. O portal é flanqueado em cada registo, por dois vãos idênticos aos dos panos laterais. As fachadas laterais são idênticas entre si, rematadas em cornija e beiral simples, têm dois registos definidos por friso em cornija, possuindo no inferior, duas janelas de avental, e no superior duas janelas voltadas para sacadas, idênticas às da fachada principal, intercaladas por um pequeno óculo circular. Fachada posterior, apresenta três corpos de diferente largura de dois registos, sendo o corpo central, saliente, e sobreposto a parte do corpo lateral a S., provocando assimetria na composição da fachada, rematado em cornija com beiral simples; possui dois panos, sendo o da esquerda, o que se sobrepõe ao corpo a S., rasgado no registo inferior por portal em arco de volta perfeita, e no registo superior, rasgado por duas janelas com caixilhos em guilhotina, de madeira; o pano da direita é maior, sendo inferiormente aberto por portal em arco rebaixado, e ladeado por quatro frestas jacentes e em capialço, superiormente rasgam-se 5 janelas idênticas às do pano anterior; o corpo a S., correspondente ao mais estreito desta fachada, é rasgado por 4 janelas em eixo sendo as inferiores mais altas, e as superiores de avental com caixilhos em guilhotina; corpo a N., rasgado por 6 janelas em eixo, sendo as inferiores idênticas às do anterior corpo, e as superiores sem avental, ambos os corpos têm remate em beiral simples. Acede-se ao edifício, pelos portais das fachadas principal e posterior, que ligam ao pátio de pavimentado em calçada portuguesa, formando losangos, circundado pelos corpos do edifício com remates em friso e cornija, e com 4 falsas gárgulas de canhão a sair dos ângulos de ligação. Ao andar nobre do edifício (2º piso), acede-se por duas escadarias ligadas entre si pela galeria aberta para o pátio, perfilada por sete colunas toscanas sobre plintos paralelepipédicos, suportando a arquitrave onde assenta a cobertura, e interligando-se por guardas em gradeamento de ferro, com prolongamento para a escadarias, contém ainda, janelas abertas para o largo exterior; no piso inferior abrem-se, 3 arcos rebaixados para o pátio, e para o exterior além das 2 frestas jacentes abre-se a porta principal, sendo a cobertura em abóbada de berço dividida em 3 tramos por arcos torais. O corpo confrontante à galeria, também liga os dois corpos laterais, e sensivelmente a meio, tem uma porta rectilínea de ligação ao exterior através de uma antecâmara com cobertura em abóbada de berço, a porta é encimada por janela de avental, rematada em frontão curvo interrompido, coroado por esfera. INTERIOR dos corpos, não observado.

Acessos

Largo Artur Barreto, Condeixa-a-Nova

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 735/74, DG, 1ª série, n.º 297 de 21 dezembro 1974

Enquadramento

Urbano, isolado, implantado em terreno desnivelado, junto à Igreja Matriz (v. PT020604040014). Envolvido por amplos espaços ajardinados e calcetados, sendo no lado da fachada principal o Lg. Artur Barreto, onde se situa o Monumento aos Combatentes da I Guerra Mundial (v. PT020604040035), e no lado da fachada posterior, o vasto Lg. do Município (antigo quintal do palácio), onde num passado recente se fazia a feira bissemanal da vila, actualmente reabilitado, e onde se ergue o novo Edifício do Tribunal (PT020604040036), e possuindo no subsolo um estacionamento automóvel.

Descrição Complementar

Brasão com escudo de inspiração francesa, partido: o primeiro com o parecem ser duas cabras passantes, postas em banda, o segundo, com um animal de grande porte sobre ramagem, sobre o escudo elmo aberto. O brasão inscreve-se dentro de uma moldura profusamente decorada, com enrolamentos vegetalistas e aletas decoradas com folhas de acanto e margaridas.

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Política e administrativa: câmara municipal

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido

Cronologia

Séc. 17, meados - Foi adquirido por Martim Gomes de Figueiredo, superintendente das coudelarias da comarca de Coimbra; ainda durante este séc., o palácio foi restaurado por João Rodrigues Figueiredo, terceiro neto de Martim Gomes de Figueiredo, fidalgo da casa de Bragança, capitão-mor da vila de Alvorge e senhor da casa dos Figueiredos, após as obras o palácio passou a chamar-se, Paço dos Figueredos de Condeixa e Paço do Capitão-mor; séc. 18 - parte do palácio passa para João Cabral da Silva, fidalgo da casa real, casado com D. Francisca de Vasconcelos e Sousa, sendo mais tarde herdado esta parte do palácio pelos filhos, João Cabral da Silva de Vasconcelos (capelão-fidalgo da casa real e cónego magistral da Sé de Braga) e D. Teresa Vitória Cabral da silva Vasconcelos. Quando faleceram, a parte do palácio que lhes pertencia passou por testamento para a sua prima D. Maria Manuela Mascarenhas de Vasconcelos e Sousa de Nápoles e Menezes, a outra parte com os terrenos anexos, passou para D. Maria do Carmo Fortunata; séc. 1811 - saqueado e incendiado pelo exército francês quando ia em retirada; séc. 19, primeira metade - o palácio pertenceu a José Joaquim de Figueiredo da Guerra de Carvalho e Melo; 1857, 16 de Julho - uma parte do edifício, foi comprada aos herdeiros de José Joaquim F. G. Carvalho e Melo por Albino Justiniano de Carvalho, vindo também a comprar a outra parte, a um herdeiro da Família Cabral da Silva. Tendo depois reconstruído o palácio. Quando morreu, o palácio passou para o seu irmão, Abílio Roque de Sá Barreto, herdado depois por seu filho, Artur da Conceição Barreto; séc. 1920, década de - Artur da Conceição Barreto doa o palácio e património envolvente, ao Hospital da vila e à Fundação Dona Ana Laboreiro d`Eça. Desde esta data até 1986 funcionaram no edifício e património envolvente, diversos serviços, o Tribunal da Comarca de Condeixa, casas de comércio, cais de mós alveiras, oficina de marceneiro, armazens, escritórios, consultório médico, clube de Condeixa, bibiloteca pública, local de culto enquanto a igreja matriz esteve em obras, sede da Junta de Freguesia de Condeixa-a-Nova (PESSOA, 2004); 1986 - início de recuperação do edifício, após a Câmara se tornar sua possuidora, através da sua doação ao hospital da vila pela Fundação; 1990, 30 Junho - Mário Soares, à data Presidente da Pepública, inaugura a adaptação do palácio dos Figueiredos a Paços do Concelho de Condeixa-a-Nova.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Alvenaria de pedra rebocada (paredes), Cantaria (molduras dos vãos, escadas, cunhais, pilastras, gárgulas, etc.), telha cerâmica ( telhado).

Bibliografia

CONCEIÇÃO, Augusto dos Santos, Condeixa-a-Nova 2ª ed, Coimbra 1983; CORREIA, Virgilio, GONÇALVES, A. Nogueira, Inventário Artístico de Portugal, Distrito de Coimbra, vol. IV, Lisboa 1953; PESSOA, Miguel, RODRIGO, Lino, Palácio Figueiredo da Guerra em Condeixa, in Revista Munda, nº 47, Maio 2004; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/73874 [consultado em 11 agosto 2016].

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGMN/DSID, SIPA

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DREMC

Intervenção Realizada

1986 - Iniciam-se as obras para adaptação do palácio aos paços do concelho; 1990 - terminam as obras de adaptação para os paços do concelho.

Observações

*1 - falsas porque não têm de saída de água.

Autor e Data

João Cravo, Horácio Bonifácio 1992 / Margarida Silva 2005

Actualização

 
 
 
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