Mosteiro de São Bento de Murça

IPA.00026267
Portugal, Vila Real, Murça, Murça
 
Arquitectura religiosa, maneirista e novecentista. Mosteiro beneditino feminino de que conserva apenas corpo rectangular, parcialmente pertencente à antiga igreja. Fachadas rebocadas e pintadas, a principal de três panos definidos por pilastras toscanas e rasgados regularmente por vãos rectilíneos, moldurados, abrindo-se no primeiro piso portas ou janelas de peitoril e no segundo janelas de varandim com guarda de ferro; no pano central conserva portal de verga recta, ladeada por pilastras que suportam entablamento.
Número IPA Antigo: PT011707050045
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Mosteiro feminino  Ordem de São Bento - Beneditinas

Descrição

Edifício de planta rectangular, de volume simples e cobertura homogénea em telhados de quatro águas. Fachadas de dois pisos, rebocadas e pintadas de branco, com pilastras toscanas nos cunhais, percorrida por embasamento de cantaria e terminadas em friso e cornija, sobrepujada por beirado simples. Fachada principal com três panos definidos por pilastras, rasgada regularmente por vãos rectilíneos com molduras simples. No pano central, o mais largo, abre-se descentrado amplo portal de verga recta, enquadrado por duas pilastras toscanas suportando entablamento, encimado por cornija e nicho; este possui arco de volta perfeita, almofadado, sobreposto por raios, volutas laterais e, ao centro, cartela recortada com a data de 1732 inscrita, assente em pilastras de fuste igualmente almofadado, interiormente com abóbada concheada e albergando imagem de pedra de São Bento, inferiormente inscrita com S P N BENEDICTI; enquadram o nicho duas volutas. No mesmo pano e no lateral esquerdo, rasgam-se no primeiro piso duas e três portas, respectivamente, integrando bandeiras, e no lateral direito três janelas de peitoril, com falsos brincos rectos e tendo também bandeiras; no segundo piso de todos os panos rasgam-se janelas de varandim, com bandeira muito estreita, e guarda de ferro; no pano esquerdo, entre as janelas, surge registo de azulejos, com as armas de Murça e filactera com a inscrição VILA DE MURÇA. Fachada lateral esquerda rasgada, no primeiro piso, por janela de peitoril central, com moldura de falsos brincos rectos, e, no segundo, por duas janelas iguais ladeando uma de varandim, com chave saliente e guarda de ferro; fachada lateral direita rasgada apenas, no segundo piso, por duas janelas de varandim, iguais. Fachada posterior rasgada no piso térreo por três janelas rectangulares com falsos brincos rectos e no segundo por janelas de varandim de esquema semelhante. INTERIOR completamente remodelado.

Acessos

Praça 5 de Outubro. WGS84: 41º24'28.39''N., 7º27'12.46''O.

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, isolado, adaptada ao declive do terreno, em pleno centro histórico. A fachada principal possui largo passeio frontal, em lajes de cantaria e em calçada à portuguesa e junto à fachada posterior, desenvolve-se praça, pavimentada a paralelos, com parqueamento automóvel e vedada por muro rebocado e pintado de branco, percorrido por embasamento e friso de granito, encimado por gradeamento de ferro e interrompido regularmente por acrotérios sustentando colunas; sensivelmente a meio abre-se amplo portão de ferro, com cartela datada de 1932. Ergue-se nas imediações da Igreja Paroquial (v. PT011707050004), de uma das principais praças da vila, com placas ajardinadas, e onde se implanta o Pelourinho (v. PT011707050001) e o edifício da Câmara Municipal (v. PT011707050044).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: mosteiro feminino

Utilização Actual

Política e administrativa: departamento municipal

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 16, último quartel - o 9º Senhor de Murça, Brunhais, Água Revés e de Torre de Dona Chama, Simão Guedes (bisneto), fundou na vila de Murça um albergue para acolhimento de viajantes e peregrinos e para assistência de pobres e enfermos; o edifício foi construído junto a uma capela que os Senhores de Murça mandaram edificar para o serviço religioso e seu jazigo; poucos anos depois, o mesmo Simão Guedes, apoiado por moradores da localidade, requereu à Santa Sé licença para transformar o edifício em mosteiro para religiosas da Ordem de São Bento; obtida a autorização por bula papal, Simão Guedes solicitou à Ordem Beneditina o envio de religiosas, reforçando com novos foros e casas de hospedaria o dote feito anteriormente ao albergue e forneceu a pedra necessária para a construção dos dormitórios e da igreja; 1587 - terminadas as ampliações exigidas, chegam as primeiras religiosas procedentes do mosteiro de São Salvador de Vairão, as irmãs Joana de Sousa e Violante de Sousa, da família dos marqueses de Vila Real; concluído o edifício, era constituído por uma ala principal, com orientação N. - S., um claustro e a igreja, que integrou a antiga capela como capela-mor, possuindo silhares, abóbada em granito, com um mausoléu no pavimento; a cerca rodeava o mosteiro de nordeste a S., confrontando com o canelho da Fonte da Rainha, campos de cultivo, caminho para a igreja de Santiago, fonte de Santana, terreiro, solar, a capela de Nossa senhora da Assunção e a praça municipal; 1732 - data da cartela do nicho do portal principal, assinalando obras na antiga igreja; 1755, meados - a madre abadessa queixando-se da "tam extrema pobreza, que já a comunidade não dá às religiosas reção", requer a D. José a provisão de lhe ser concedido um juiz privativo que fosse letrado e, especificamente, o ouvidor de Vila Real; 1758 - referido nas Memórias Paroquiais da vila, tendo como padroeiros os donatários da vila; 1766, 5 Junho - alvará de D. José autorizando a nomeação do bacharel Luís de Sousa Machado para proceder ao Inventário de todos os bens, fazendas e foros; 1796 - o mosteiro possuía 25 religiosas e 8 recolhidas seculares, 15 moças, sendo 6 da comunidade e 9 particulares, e tinha 800$000 rs de dotes das professas e recolhidas e 692$600 rs de rendas; 1833 - proibição de admissão de novos noviços nas Ordens religiosas; 1834 - extinção das Ordens Religiosas; a madre Henriqueta do Amor Divino, da família Ferreira Pinto, requer autorização ao arcebispo de Braga para poder sair da área de clausura, tendo-lhe sido autorizado, desde que fossa acompanhada por um clérigo ou senhora de respeito; 1857, 27 Outubro - Inventário das alfaias e objectos de culto, livros impressos e painéis; 1858, 28 Maio - cadernos com descrição dos bens do Mosteiro; os bens livres eram constituídos por: 1) a igreja, denominada de Espírito Santo e composta de quatro altares, dois coros e duas sacristias, avaliada em 600$000; 2) o edifício do mosteiro, composto por duas portarias e claustro, cinco dormitórios, denominados de Real, com 5 celas, de Novo, com 17 celas, o do Meio, com 9 celas, o quarto denominado de São Bento com 11 celas, um salão, varanda em volta do claustro e uma outra a E. que voltava para o pátio, e o 5º dormitório designado de Lisboa, com 14 celas e mirante, 4 sótãos, sendo o 1º para o refeitório, o 2º para dispensa e o 4º para a adega; quatro lojas destinadas à criação de suínos, com porta de carro, sendo tudo avaliado em 5:600$000 rs e concedido à Câmara; 3) quatro casas, três delas com pavimento térreo e avaliadas individualmente em 40$000 (uma que servia de cozinha e forno, a casa da lenha e uma outra com forno), e quarta designada de choupana, avaliada em 20$000, todas elas concedidas à Câmara e demolidas; 4) cerca do mosteiro, murada composta por terras de semeadura, árvores de fruta, ramada em volta, vinha, horta, fonte de bica, tanque e dois poços, avaliada em 2:000$000 rs; 5) capela de Santa Ana, situada ao fundo da cerca do mosteiro e avaliada em 30$000; 6) uma morada de casas, telhadas e sobradadas, com quintal, situadas no terreiro, limite da vila de Murça, com frente para o edifício do mosteiro e denominadas de Casas da Hospedarias, avaliadas em 40$000 e posteriormente concedidas à Câmara e demolidas; todo o conjunto foi avaliado em 8.370$000; 1864, 17 Novembro - decreto suprimindo o mosteiro; 1870 - construção da estrada real atravessando a cerca do mosteiro; 1879, 28 Abril - entrega das alfaias, vasos sagrados, objectos de culto e móveis do mosteiro ao pároco de Murça, Inácio de Sousa *1; 1882 - sendo presidente João José Vaz, a Câmara Municipal, delibera derrubar a ala E. e construir aí uma praça para o mercado, o que acabou por não se concretizar; 1882, 6 Novembro - arrematação da Capela Santa Ana, existente no fundo da cerca (avaliada em 30$000 rs), por 24$000 rs; de uma casa em pavimento térreo que servia de cozinha e forno (40$000), a casa de lenha, térrea (40$000), uma casa térrea e forno (40$000), e uma casa designada de choupana (20$000); 1883, 11 Junho - carta de lei concedendo o edifício do mosteiro à Câmara Municipal; ao que parece, nessa concessão foram implicitamente compreendidos três casebres, correspondendo à antiga cozinha e fornos; 5 Setembro - carta da Repartição da Fazenda de Vila Real declarando que a entrada para a cerca e casas dos fornos não podia ser feita pelo terreno da chamada Hospedaria, concedida para alargamento da praça pública, visto que tal terreno confrontava com o mosteiro, tendo de premeio o lugar da Igreja Matriz; se abrissem no muro do mosteiro, junto à capela-mor, uma porta, podia-se fazer entrada para os prédios, mas isso acarretava boa despesa, porque tinha de se fazer um muro de pedra que separasse a cerca da casa dos fornos; estas despesas só se evitariam se a entrada continuasse a fazer-se pelo local em que estava; 11 Outubro - a Câmara pediu para o rei mandar dar posse do mosteiro com casebres contíguos; 1884, 17 Janeiro - arrematação no Ministério da Fazenda da cerca situada à esquerda da estrada Vila Real - Bragança, composta de terras de cultivo e hortas com árvores de fruto e água de rega e duas casas de fornos, térreas e em ruínas, pegadas à dita cerca, avaliada em 1.120$00; a cerca situada à direita da mesma estrada, composta de terra de cultivo com oliveiras, videiras e algumas árvores de fruto foi avaliada em 500$000; 3 Março - decreto concedendo à Junta da Paróquia 3.200 m2 de terreno da cerca do mosteiro que ficava no lado direito da Estrada Real para Bragança, para ali fundar o cemitério público; 11 Maio - a Junta da Paróquia pediu ao Rei a posse e a demarcação dos 3.200 m2 do terreno; 5 Junho - estando presente o Bacharel Bazílio Constantino d'Almeida Sampaio, presidente da Câmara, o Administrador do concelho Domingos José Alves Fortes e o escrivão da Câmara, fez-se o auto de posse do edifício e suas dependências, em virtude do decreto de 21 Maio último, do terreno denominado de hospedaria, bem como dos casebres que se achavam dentro do mesmo edifício e serviam de casas de forno e cozinha das religiosas; 1885, 1 Julho - lei concedendo à Câmara parte do mosteiro; 22 Julho - carta da Repartição da Fazenda de Murça informando que a Junta da Paróquia tinha achado um outro terreno com melhores condições higiénicas para a construção do cemitério, mas que o do antigo mosteiro estava a ser cultivado pela mesma Junta; 1885, 21 Outubro - arrematação da parte N. e S. da cerca pelo comerciante da vila Francisco Bessa Ribeiro, em Lisboa, e inscrição no Registo Predial de Murça, sob o nº 2 279 com o valor de 1.201$000 rs, para a parte N., e sob o nº 2 278 com valor de 800$500 rs para a parte S., com pagamento em prestações; arrendamento da cerca do mosteiro por 2:100$000 rs; 1886 - a igreja estava em ruína; 25 Janeiro - carta do presidente da Câmara Municipal pedindo a urgente demolição do mosteiro, pertencente à Fazenda Nacional e de que a Câmara era encarregada de velar, devido à ruína da igreja, a qual punha em risco a segurança dos indivíduos que iam ao mercado de Murça e os transeuntes que ali passavam, e para não serem removidos os objectos de valor; 28 Janeiro - carta do escrivão Luís Pinto Alves Povão, da Repartição da Fazenda do Concelho de Murça, dizendo estar convencido de que o mosteiro estaria prestes a desabar, devido ao desaprumo das paredes laterais voltadas a E. e O., e que se ia agravar ainda mais por faltar o apoio do madeiramento que numa delas encabeçava e que fora retirado durante as obras que a Câmara procedia na parte do mosteiro que lhe fora concedido, mas também devido ao péssimo estado de conservação em que estava o cume do telhado e respectivo forro; 11 Março - carta da 2ª Repartição de Direcção-Geral dos Próprios Nacionais para se mandar proceder à demolição da igreja, visto achar-se em ruínas; a Repartição devia oficiar ao Delegado do Tesouro remover os objectos de valor real existentes na igreja, procedendo ao seu inventário; 22 Março - carta do pároco e arcipreste do distrito e mais vogais da Agregação do Coração de Jesus, constituídos em devota associação religiosa, solicitando ao Governo a Igreja de São Bento, referindo que a Associação tinha pessoal constante e meios necessários para concertar, melhorar e conservar aquele templo (obra prima de mármores e em talha) para nela se continuar o culto, e não se proceder à sua demolição conforme a Câmara queria; 26 Março - carta de Luís Pinto Alves Tovar, escrivão da Repartição da Fazenda do Concelho de Murça, declarando que, para satisfazer o ordenado no ofício nº. 238 de 22 do mesmo mês, havia ido à Igreja para fazer remover todos os objectos de valor real e artístico e nada encontrou, tendo sido informado que os objectos de prata, paramentos e utensílios de culto haviam sido entregues ao pároco da freguesia e muitos já não existiam; 1887, 21 Abril - Câmara solicitou aos deputados da Nação nova prorrogação da concessão para restaurar a parte que faltava do mosteiro; 1888, 16 Março - morte da última freira, a madre Henriqueta do Amor Divino, que foi enterrada na capela-mor, ainda que essa já não tivesse cobertura; 27 Outubro - carta do Presidente da Câmara ao Governador Civil de Vila Real informando que caíra mais de metade do telhado do corpo da igreja, felizmente sem perdas de vidas, mas levando na derrocada dois altares laterais; uma outra parte do telhado estava em risco eminente de desabamento o que arrasaria também um outro altar da igreja, se não fossem tomadas providências urgentes; 7 Novembro - carta do Secretário-Geral do Governo Civil de Vila Real, dizendo que a Associação do Coração de Jesus da vila não tinha estatutos legalmente aprovados porque, apesar de anteriormente ter feito representação ao Ministro da Fazenda, pedindo a igreja do mosteiro, acabou por não constituir-se; desistindo-se da fundação da Associação e acabando por não ter sido concedida a igreja, os moradores da vila pediam a sua reparação para a conservação do culto; 1892, 19 Abril - carta de lei cedendo à Câmara Municipal de Murça o mosteiro de São Bento para nele se instalarem as repartições públicas, apesar das concessões anteriores; 1899, 13 Novembro - Francisco de Bessa Ribeiro faz petição ao rei para colocar em hasta pública o edifício do mosteiro, por se achar em ruínas e por muitos anos não ter sido reparado pela Câmara a quem o mesmo fora cedido para instalação das repartições públicas; 1903, 12 Março - contíguo aos Paços do Concelho do lado N. a Câmara tinha uma faixa de terreno com 610 m2 e que era metade de um terreno existente entre os Paços de Concelho e do quarteirão denominado Real que fazia parte do extinto mosteiro, confrontando esta metade do N. com a outra metade do terreno daquele quarteirão, do S. com os Paços do Concelho, do E. com a casa de Francisco de Bessa Ribeiro e do O. com a igreja; tendo sido demolido o mesmo quarteirão Real para a pedra e madeira serem aproveitados nas obras do edifício escolar, que o Estado estava a construir na vila, a Presidência da Câmara solicita à Câmara dos Deputados a concessão do terreno ocupado pelo Real e o terreno adjacente destes pertencente ao Estado; visto a Câmara ter necessidade de uma praça fechada para a cobrança dos seus impostos e indirectos, porque estava encravado dentro de terreno municipal pede a concessão deste terreno pertencente ao Estado para ser aproveitado numa praça fechada; a Câmara manda construir, adossado aos armazéns da casa Bessa, um coberto-alpendre para servir de mercado; procederam-se ainda a obras envolvendo a reedificação do quarteirão designado do Mirante; 30 Maio - termo de verificação da existência dos bens pertencentes ao mosteiro, estando presentes o Administrador do Concelho José Caetano Fontes e Mello, o pároco da freguesia José Maria Pinto Jou e o encarregado da feitura do Inventário José Pereira de Magalhães; 20 Julho - encerramento do Inventário dos bens pertencentes ao mosteiro; 1906, 5 Abril - documento refere que entre os Paços do Concelho, a praça Lopo Vaz e a praça fechada para a cobrança dos impostos indirectos municipais existiam dois edifícios juntos, pertencentes ao Estado, um deles denominado Mirante do mosteiro, de que só restavam as paredes e o pavimento térreo, e o outro correspondendo à igreja, sem nenhum dos três altares que teve, com quase todas os elementos de talha do retábulo-mor e do trono caído por terra, sem telhado, com a abóbada da capela-mor arruinada; assim, o Presidente da Câmara pedia a cedência de materiais; 17 Abril - carta dos Ministros da Fazenda, Direcção-Geral de Estatística e dos Professores Nacionais Câmara, autorizando a Câmara a usar materiais nas obras de utilidade pública; 1908 - sendo presidente Augusto Alves de Medeiros, a Câmara manda derrubar parte das ruínas para reutilização do espaço e da própria pedra do edifício; o povo protesta e passa a alcunhar o presidente de "excomungado"; poucos dias depois, a igreja, ala oriental e o claustro caíram, deixando muitos elementos ali amontoados; 1930, década - sendo presidente o professor José Baptista Lobo, a Câmara construiu para servir de mercado a chamada Praça Nova, com projecto do engenheiro Baptista de Sousa Lobo, aproveitando o portão colunas e restante material ainda ali existente; 1932 - data inscrita no portão de ferro do pátio junto à fachada posterior; 1933 - inauguração da praça nova; 1981 - atribuição de designação de Praça da Mariquinhas da Mestra; 1983 - durante obras de saneamento, encontrou-se o carneiro dos Senhores de Murça; 1985 - os serviços da Câmara estavam instalados no edifício do convento; 1992 - do antigo mosteiro, restava a ala principal que servia de paços do concelho, secretaria judicial, cartório notarial, registo civil, registo predial e de repartição de finanças.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada de branco; embasamento, frisos e cornijas, pilastras, acrotérios, colunas molduras dos vãos em cantaria de granito; caixilharia e portas de madeira; vidros simples; guardas de ferro; algerozes metálicos; cobertura de telha.

Bibliografia

FERNADES, João Luís Teixeira, Murça. História, Gentes, Tradições, Murça, 1985; COSTA, António Luís Pinto da, O Concelho de Murça (Retalhos para a sua história), Murça, 1992.

Documentação Gráfica

IAN/TT: Arquivo Histórico do Ministério das Finanças, Convento de São Bento de Murça, Cx. 2055

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IAN/TT: Arquivo Histórico do Ministério das Finanças, Convento de São Bento de Murça, Cx. 2055

Intervenção Realizada

Proprietário: séc. 20, meados - transformação de algumas portas do piso térreo da fachada principal em janelas de peitoril; 1968 - obras de conservação da cobertura, com colocação de telha mecânica do tipo nacional dupla, não patinada.

Observações

*1 - Do Inventário de alfaias, vasos sagrados e outros objectos pertencentes ao culto, entregues ao pároco da freguesia de Murça, Inácio de Sousa, constavam: uma custódia de prata, cravada de pedras (avaliada em 51$400); uma cruz de prata (180$00); um turíbulo de prata (31$000); uma naveta e colher de prata (20$000); um vaso sagrado de prata dourada (16$000); uma galheta e prato de prata (17$500); um cálix, patena e colherinha, de prata dourada (63$000); um frontal de púlpito, de veludo vermelho guarnecido de franja dourada (7$200); dois frontais dos altares laterais (2$000); painéis com a invocação de São Bento, do Menino Jesus, de Santa Ana, de Nossa Senhora da Conceição, do Senhor Crucificado; um oratório de pau, dourado, com as imagens de Nossa Senhora e de São José; as imagens de São Bento, Santa Escolástica, Nossa Senhora das Dores com vestido e manto de seda, do Senhor Crucificado que existia no altar de Nossa Senhora das Dores, a imagem de São Lourenço, a de São Sebastião, de Nossa Senhora das Necessidades, de São Caetano, de São José e a de São Macário; um sino pequeno (57$6000), um outro (67$200) e um outro pertencente ao relógio (67$200); um relógio de torre (3$000). O recheio da igreja foi, na sua maioria, transferido para a Igreja Paroquial, nomeadamente o retábulo lateral do lado do Evangelho, a imagem do Crucificado, o sacrário e várias imagens, ou vendido ao desbarato. *2 - Segundo documento do delegado do Tesouro do distrito de Vila Real, datado de 18 de Maio de 1900, após a primeira concessão do mosteiro de São Bento à Câmara Municipal, esta reformou uma parte do edifício, instalando ali os paços do concelho, repartição de Fazenda e Conservatória da comarca; na outra parte fez reparos para estabelecer o quartel militar, conforme a concessão lhe facultava, e onde desde logo e por diferentes vezes, foram alojadas tropas. Porém, a Câmara não pode restaurar o resto do edifício dentro do prazo marcado na primeira concessão, e prorrogação desta, havendo por isso, necessidade de renová-las. A Câmara Municipal pensou ali instalar a administração do concelho, e duas escolas primárias, mas não procedeu às obras necessárias em virtude das precárias circunstâncias do município. A Câmara julgava-se na posse de todo o edifício, a ponto de, quando surgiu a notícia que uma epidemia de peste bubónica assolava a cidade do Porto, resolveu logo tornar a parte do edifício, não aproveitada ainda pelas repartições públicas, em hospital dos empestados, prevenindo-se para a hipótese do flagelo atingir a vila de Murça, para o que efectuou diferentes obras. Uma grande parte do edifício, já estava restaurada e aproveitada para instalação das repartições públicas. Considerava ainda que, sendo o resto do edifício de absoluta necessidade para o município, por ali estar instalada e na parte já restaurada, com todas as repartições, e as escolas primárias, o edifício pouco ou nenhum valor poderia ter para estranhos.

Autor e Data

Paula Noé 2007

Actualização

 
 
 
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