Palácio dos Condes de Figueira

IPA.00002625
Portugal, Lisboa, Lisboa, São Vicente
 
Arquitectura residencial, seiscentista. Palácio urbano. Adossado às Muralhas Fernandinas, detém no interior, um troço daquelas. Azulejos pertencentes à passagem sobre o Arco de Santo André (interior), aplicados no corredor junto ao oratório *2.
Número IPA Antigo: PT031106160315
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre  Casa nobre  

Descrição

Volumetria paralelepipédica, compacta e pesada, fortes cunhais em pedra até cota de piso nobre. Planta quadrangular irregular, sequência da ampliação no séc. 18 do núcleo inicial para N.. Coberturas de quatro águas *8, articuladas ortogonalmente entre si, a diferentes alturas. Espaços organizados em redor de pátio, cujo poço cisterna do período muçulmano, está ligado à antiga rede moura. Primitiva fachada principal (Lg. Rodrigues de Freitas) a S. acompanha pendente do terreno. Portal nobre da época da fundação, em cantaria e tipologia semelhantes às das fortalezas seiscentistas. Pedra de armas da família Mendonça assente em arquitrave não corresponde à peça inicial (ARAÚJO, p. 56). Do núcleo coevo (Plantas 3/4) quatro janelas a S. (r/c), uma de sacada junto a cunhal O., e duas portas. Andar nobre demarcado por cornija em pedra, com oito janelas / sacada. Duas janelas centrais unidas por varanda avançada. Serralharias seiscentistas. Piso reduzido com duas janelas / peitoril, sobre aquele. Dois corpos com dois pisos a E., desnivelados por pendente para S.. Correspondem aos séc. 17 / 18. Quatro janelas / sacada do andar nobre com serralharias, no corpo de cota inferior; piso reduzido sobre ele. Portal seiscentista emoldurado em pedra com tímpano aberto, acesso principal ao Imóvel, no corpo de cota superior. Sobre aquele, quatro janelas / peitoril rematadas por cornijas. Passo de Procissão, à esquerda *1. Fachada O. com cinco portas de lojas, e três para inquilinato (r/c). Oito janelas e frestas - dois pisos criados pelo desnível do terreno, discordam dos restantes. Sobre aqueles, piso com sete janelas / peitoril, e andar com oito janelas de sacada. Fachada N. contígua a pequeno quintal: vãos de porta e janela (r/c), duas janelas / sacada sobre eles, janela / sacada no piso nobre.

Acessos

Largo Rodrigues de Freitas; Calçada da Graça

Protecção

Categoria: MIP - Monumento de Interesse Público, Portaria n.º 740-BO/2012, DR, 2.ª série, n.º 248 de 24 dezembro 2012 / ZEP, Portaria n.º 828/2015, DR, 2.ª série, n.º 216 de 4 novembro / Incluído na Zona de Proteção do Castelo de São Jorge e restos das cercas de Lisboa (v. IPA.00003128)

Enquadramento

Urbano, destacado, adossado. Implantado entre as Calçada de Santo André, e da Graça. Terreno com forte pendente para O. frente a largo arborizado gerado por antiga Porta da Muralha Fernandina e próprio Palácio. Importante marco urbano.

Descrição Complementar

Portal principal abre para trio: pavimento empedrado, tecto estucado liso (Planta 5). Escadaria / dois lances em mármore rosa conduzem ao nobre: salas de cores distintas, tectos em madeira sem pinturas. Lambris de azulejos azuis e brancos setecentistas: "hall" (não figurativos), corredor, algumas salas. Sala de refeições a O: painéis de azulejos nas paredes / cenas familiares.Portas em madeira exótica, provenientes do antigo comércio da família com o Ultramar

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Residencial: casa / Comercial: loja

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 15 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

1490 - D. João II deu licença a D. João de Mendonça para construir casa junto à Muralha Cerca e Postigo de Santo André; 1578 - instituído o Morgado da Avé-Maria a Santo André, por D. Helena de Mendonça e seu marido; séc. 17, início - o solar único foi ampliado com andar nobre; 1676 - beneficiações e acréscimos. Quando do Terramoto 1755 arrendado a José Francisco Machado de Castro, filho de Félix José Machado de Mendonça; 1822 - D. Maria Amélia Machado de Mendonça filha do Senhor do Morgado de Santo André, casou com o 1º Conde de Figueira; 1873 - incêndio parcial do Palácio conduziu a obras de restauro; 1913 - demolido o Arco de Santo André, memória das 37 Portas da Cerca Fernandina; 1918 - morte do 2º Conde de Figueira. Bens partilhados pelos herdeiros. Palácio atribuído ao 3º Conde de Figueira. Imóveis anexos, na Cç. da Graça, parte deste conjunto couberam, a D. Maria casada com Pedro da Gama Berquó (nº11), e D. Maria Amália casada com D. José de Carvalho Daun e Lorena (nº13). Por morte do 3º Conde de Figueira (1933) o usufruto da casa e bens atribuídos a D. Francisca de Mendonça; o direito de sua posse, aos filhos de D. Bento de Carvalho Daun e Lorena; 1995, Maio - proposta de classificação; 1996, 04 Julho - Despacho do Vice-Presidente do IPPAR, determinando a abertura do processo de classificação; 2003, 03 junho - Despacho de homologação da classificação como Imóvel de Interesse Público, do Ministro da Cultura; 2006, 22 agosto - proposta de definição de Zona Especial de Proteção Conjunta do Castelo de São Jorge e restos das cercas de Lisboa, Baixa Pombalina e imóveis classificados na sua área envolvente; 2011, 10 outubro - parecer do Conselho Nacional de Cultura a propor o arquivamento da proposta; 18 outubro - Despacho do diretor do IGESPAR a concordar com o arquivamento; 2015, 18 maio - publicação do projeto de decisão relativo à fixação da Zona Especial de proteção do edifício, em Anúncio n.º 102/2015, DR, 2.ª série, n.º 95.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante, alvenaria rebocada e pintada, cantaria nos cunhais e vãos, serralharias, coberturas em telhados de quatro águas.

Materiais

Pedra, mármore, tijolo, ferro fundido, madeira, vidro, telha "Marselha", azulejos.

Bibliografia

Processo de Obra nº20 122, 2 vols, CML, 1892 / 1969; ARAÚJO, Norberto, Peregrinações em Lisboa, vols. I, III, VIII, Lisboa, s. d.; Idem, Inventário de Lisboa, vol. VI, Lisboa, 1944/1955; DIONÍSIO, Sant'Ana, Guia de Portugal, vol. 1, Lisboa, s. d.; ALMEIDA, Fernando, Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, volI, Lisboa, 1973 AA VV, Guia Urbanístico e Arquitectónico de Lisboa, Lisboa, 1987.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID; CML

Intervenção Realizada

1892 - construção de escada, abertura de porta em muro de suporte da Calçada Santo André; transformação de janela em porta, loja Calçada Santo André nº2; 1919 - demolição de sotão e alteração do madeiramento (Calçada da Graça); 1938 - reparações na cobertura, interiores / exteriores, limpeza e pintura de vãos; 1939 - pinturas, caiação em paredes e tectos (interiores); 1940 - remodelação / interior de loja (Calçada de Santo André nº22A); 1941 - alteração das folhas de vão (loja anterior); limpezas, consertos e caiações em sacadas / paredes exteriores; substituição pedras de chaminé, colocação de azulejos (1º Esq. Cç. de Stº André nº 12); reparações de cobertura (nº1 Cç. da Graça); 1944 - substituição de porta exterior (Cç. de Santo André nº14) betume de taco na cantaria de porta de entrada (Cç. da Graça nº 1D); interiores reparação de quarto, picagem de paredes, substituição de tecto em madeira por estuque, reboco e estuque de paredes, soalho, novos caixilhos de madeira, pinturas; arranjo de instalação sanitária mosaico cerâmico / pavimento, lambril de azulejo (1.50 m), pintura de madeiras; 1945 - construção de oficina de lapidagem de vidros, no logradouro; 1946 - reparações no muro do logradouro, e exterior / interior com pinturas, abertura de montra (Cç. Santo André nº 10); substituição de pavimento de madeira por tijolo vazado, para terraço (Cç. da Graça nº1D); 1947 - recuperação de instalações sanitárias, pinturas interiores / exteriores (Cç. de Santo André nº10); 1948 limpeza, caiações e pinturas interiores (Cç. da Graça nº1); 1951 - reparações, pinturas exteriores / interiores; 1953 - alterações (Cç. da Graça nº1D): 2º andar demolição de tabiques nos quartos, reconstrução de paredes; estrutura de apoio, alinhamento de paredes do corredor; 2 instalações sanitárias, substituição de archetes / ressalva dos vãos, por lintéis de betão armado; substituição de pavimentos apodrecidos, e de madeiramento da cobertura / telha, mantendo feição do telhado / beirado; consolidação das fachadas (Cç. Santo André), com cinta de betão armado ao nível da cobertura, a O.; reparação das instalações de água e electricidade, montagem de aquecimento central; rebocos, estuques; 1955 - adaptação de espaço a garagem (Cç. da Graça nº1), ampliação de vão exterior, junto de acesso principal; 1958 - pintura exterior / 4 portões (Cç da Graça); 1960 - pinturas exteriores / interiores (Cç. de Stº. André nº 2/ 2A); 1964 - limpeza e beneficiação no exterior; alteração na loja nº10, Cç. de Sº André: substituição de folhas do vão; limpeza / beneficiação geral; 1960 - alteração do tecto das lojas da Cç. de Sº André nº6/8, r/c: substituição de dois arcos em ruína, por vigas de ferro; revestimento de paredes interiores (com salitre) com pano de tijolo delgado e furado; substituição de tectos de madeira apodrecida por esteira cerâmica; 1969 - devido ao sismo de Fev. 69, reparação de várias fendas interiores, e cobertura.

Observações

*1- a Procissão dos Passos da Graça com percurso da Mouraria a São Roque teve início na Quaresma de 1587. *2 - retirados quando da sua demolição em 1913; policromáticos com motivos originais que inserem figuras de animais, cenas de tourada infantil, festas de santos populares, imitação de Autos de Fé(?), para diversão de crianças.

Autor e Data

Teresa Furtado 1994

Actualização

 
 
 
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