Palácio Vale-Flor / Pestana Carlton Palace Hotel

IPA.00002624
Portugal, Lisboa, Lisboa, Alcântara
 
Arquitectura residencial, ecléctica. Palácio urbano. Tectos pintados ao gosto oriental, com elementos "Nambam", assinados por Eugénio Cotrim. Importante conjunto de estuques.
Número IPA Antigo: PT031106020310
 
Registo visualizado 3234 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial unifamiliar  Casa  Palacete  

Descrição

Planta centralizada composta. O edifício organiza-se dentro de um rectângulo quase quadrado em torno de um pátio. Volumes articulados: do núcleo central paralelepipédico projectam-se excrescências, como do lado S.: o corpo da capela a E. e o da entrada monumental a O., os quais apresentam cobertura em domo com clarabóia, e do lado N.: 2 corpos poligonais envidraçados. O núcleo central apresenta coberturas diferenciadas em telhados a 2 (em todas as alas em torno do pátio) e a 4 águas (no corpo elevado da fachada S.). Os alçados apresentam-se organizados em 4 andares, sendo o último amansardado. Na fachada principal, a S., reconhecem-se 3 corpos, apresentando os laterais 5 janelas e o central 3, que, ao nível do piso nobre, abrem para uma varanda comum com guarda de cantaria. No piso térreo destaca-se a porta principal sobrepujada pela pedra de armas do marquês de Vale Flor. No interior do palácio destacam-se alguns compartimentos, pela riqueza da componente decorativa aplicada à arquitectura que ostentam. Merecem menção designadamente: o átrio da denominada entrada de honra (integralmente revestido de mármores polícromos), de planta circular, a partir do qual se desenvolve a escadaria de 2 lanços simétricos reunidos em tribuna ao nível do andar nobre; 3 compartimentos situados na ala S. do andar nobre, ostentando o 1º baixos-relevo de estuque, o 2º decoração de inspiração oriental e o 3º decoração ao gosto neo-rococó, com espelhos e talha dourada, tecto e sobreportas pintadas obedecendo à temática comum da música da autoria de Carlos Reis (1863 - 1940). Na ala N. merecem referência 2 salões cujos tectos ostentam pintura de Constantino Fernandes (1878 - 1920). A capela, de planta circular, é circundada por pilastras de mármore com capitéis jónicos, reconhecendo-se, em posição fronteira ao altar-mor, a tribuna, com acesso ao nível do andar nobre do palacete.

Acessos

Rua Jau, n.º 45 - 49; Calçada de Santo Amaro, n.º 176 - 176 A; Rua Soares de Passos; Rua João de Barros n.º 50 - 62; Travessa dos Moinhos

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 67/97, DR, 1.ª série-B, n.º 301 de 31 dezembro 1997 *1

Enquadramento

Urbano, destacado, isolado por jardim delimitado por muros de cantaria e guardas de ferro forjado constituindo um lote pentagonal irregular.

Descrição Complementar

Para além de algumas pequenas construções que se podem observar no jardim, (que pode genericamente classificar-se romântico, à excepção de uma zona restrita de buxo) deve referir-se o edifício das antigas cocheiras, localizado em frente do palacete, do outro lado da rua, cuja planta apresenta a forma de uma ferradura, e em cuja parte central, que se eleva em forma de torreão, é visível outro emblema heráldico do marquês de Vale-Flor. A pedra de armas tem a leitura heráldica seguinte: escudo partido, 1: de ouro, cornucópia azul contendo flores (rosas); 2: de vermelho entre 2 castelos de ouro, uma banda do mesmo metal com a legenda honor et labor; coroa de marquês; como timbre uma rosa do escudo e como suportes 2 leopardos de ouro.

Utilização Inicial

Residencial: palacete

Utilização Actual

Comercial e turística: hotel

Propriedade

Privada: pessoa colectiva

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: José Cristiano de Paula Ferreira da Costa (1908-1945); Miguel Ventura Terra (1908); Nicola Bigaglia (1904-1907). CONSTRUTOR: Manuel Fernandes Calatroca. DECORADORES: Carlos Reis (1910-1915); Constantino Fernandes (1910-1915). PINTOR: Eugénio Cotrim (1910-1915).

Cronologia

1904 / 1907 - edificação do palacete por José Constantino Dias, marquês de Vale-Flor (1855 - 1932), demolindo-se para o efeito uma casa pré-existente nos terrenos que o titular adquirira a um capitalista de apelido Rica (e já haviam sido pertença do morgado Saldanha e do conde da Folgosa) - segundo projecto do italiano Nicol Bigaglia (m. 1908); 1908 - alterações substanciais ao projecto inicial do palacete por parte do arquitecto José Cristiano de Paula Ferreira da Costa, às quais se juntam ainda detalhes da autoria de Ventura Terra (1866 - 1919), construção das cocheiras, com projecto de Ferreira da Costa; 1908 / 1909 - construção de 2 grandes pavilhões (em ferro e vidro) no jardim da propriedade; 1910 - construção do muro que evolve toda a propriedade; c. 1910 / 1915 - decoração interior do palácio, a cargo designadamente de Constantino Fernandes, Carlos Reis e Eugénio Cotrim; 1938 - a Sociedade Agrícola Vale-Flor Lda. é proprietária do edifício e terrenos envolventes; década de 40 - D. Maria do Carmo Constantino Ferreira Pinto, marquesa viúva de Vale-Flor, cede o palacete para sede do Instituto Marquês de Vale-Flor (destinado a apoiar e premiar estudos acerca das então colónias ultramarinas portuguesas), instalando-se no edifício um pequeno museu ultramarino; 1945 - construção de uma nova estufa no jardim, segundo projecto do arquitecto Ferreira da Costa; década de 90 - aquisição da propriedade pelo grupo Pestana, proprietário do edifício das antigas cocheiras, Sociedade Agrícola Valle-Flor; 1992 - constituição da sociedade Carlton Palace SA, que pretende construir uma unidade hoteleira (de 240 quartos) nos jardins, segundo projecto do arquitecto Manuel Taínha; 1994 - emissão de parecer desfavorável ao projecto pela Comissão de Coordenação da Região de Lisboa e Vale do Tejo (o qual surge após parecer favorável do Instituto Português do Património Cultural); 1995 - reformulação do projecto inicial pelo Grupo Pestana / Carlton Palace SA.; 1996, Abril - Despacho que determina a classificação do imóvel; 1997-1998 - projecto de arranjos exteriores, por exigência do IPPAR, que teve por base um levantamento do estado sanitário das árvores e arbustos do jardim, pelo Laboratório de Patologia Vegetal de Veríssimo de Almeida, do Instituto Superior de Agronomia; 1998, Outubro - elaboração da Carta de Risco do imóvel pela DGEMN.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes, estrutura mista

Materiais

Alvenaria mista e de tijolo, reboco pintado, cantaria de calcário, mármore, estuques pintados, madeira dourada e pintada, ferro forjado

Bibliografia

ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, Livro 9, Lisboa, s.d.; COSTA, Mário, O Sítio de Santo Amaro, in Olisipo, Ano XX, Nº 78, Abr. 1957; ZÚQUETE, A.E. Martins, Nobreza de Portugal, Vol. III, Lisboa - Rio de Janeiro, s.d.; FERREIRA, Fátima, DIAS, Francisco S., CARVALHO, José S., PEREIRA, Nuno Teotónio, PONTE, Teresa N. da, Guia Urbanístico e Arquitectónico de Lisboa, Lisboa, 1987; ATAÍDE, M. Maia, (dir. de), Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, Lisboa-Tomo III, Lisboa, 1988; RIBEIRO, Fernanda, Valle Flor Espera Pareceres, in Público, Lisboa, 07.04.95; RIBEIRO, Fernanda, Hotel no Palácio Valle Flor. Críticos Querem Ver Projecto, in Público, Lisboa, 17.04.95; BARROS, Joana Leitão de, Palácio Valle Flor, Hotel com ambiente Palaciano, in Clássicos e Modernos, Julho, 2001; http://arqpapel.fa.utl.pt/jumpbox/node/74?proj=Cocheiras+e+garagem+Marqu%C3%AAs+de+Vale+Flor, 19 Setembro 2011.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DSEP, DGEMN/DREL/DIE, DGEMN/DREL/DRC

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco; CML: Arquivo de Obras, Pº nº 15.197

Intervenção Realizada

1938 - obras de manutenção; 1941 - reparação de algerozes; 1942 - obras de reparação; 1944 - vedação de 2 vãos do vestíbulo do piso 2 (junto à escada) e abertura de um vão no quarto SO. do piso 3; 1946 - obras de manutenção; 1946 / 1947 - instalação de elevador ligando o piso 1 (serviço) ao piso 2 (salão); 1947 - construção de estufa em substituição de outra que ameaçava ruina, instalação de rede de esgoto de águas pluviais para todo o jardim; 1949 - reparação de coberturas; 1950 - reparação e beneficiação do portão; 1952 - obras gerais de manutenção; 1964 - obras gerais de manutenção; 1965 / 1968 - ampliação da antiga zona residencial dos serviçais para habitação do presidente do Instituto Marquês de Vale-Flor; 2000 - Renovação total do edifício para transformação em hotel (Grupo Pestana) e construção de uma nova área destinada a quartos e suites, a nascente e a poente do jardim, projectada pelo arquitecto Manuel Taínha. Recuperação do jardim pelo arquitecto Júlio Moreira. Recuperação de frescos, vitrais e esculturas a cargo da professora Zita Magalhães. Construção de garagem para 120 carros.

Observações

*1- DOF: "Palácio Vale-Flor incluindo o palácio, Casa da França, Lavandaria, Cocheira e Garagem, e todo o jardim murado e as construções decorativas que o integram".

Autor e Data

Teresa Vale e Carlos Gomes 1995

Actualização

Paula Correia 2001
 
 
 
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