Lumiar / Núcleo antigo do Lumiar
| IPA.00002622 |
| Portugal, Lisboa, Lisboa, Lumiar |
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| Sector urbano. Área urbana correspondente a povoação de raiz medieval, desenvolvida em torno de propriedade régia rural, que evoluiu a partir do séc. 16 para uma formação urbana linear, não chegando a consolidar traçado em retícula, apesar do cruzamento ortogonal dos eixos estruturantes. Um dos eixos principais articula dois largos, o espaço religioso do adro da igreja e o espaço civil do largo fronteiro ao palácio. Apresentando quarteirões irregulares, nos quais se inserem lotes quadrangulares, com casas uni e plurifamiliares, estreitas ou largas, na maior parte dos casos com logradouro nas traseiras, o espaço construído é profundamente marcado pela implantação de quintas de recreio e respectivas edificações. Área representativa de um pequeno núcleo rural dos arrabaldes de Lisboa, quase uma aldeia na periferia de Lisboa, que teve vocação agrícola e de lazer e que se definiu pela conjugação de dois factores: o facto de ser uma porta de Lisboa, um local de contacto e troca entre a zona saloia e a cidade, e a existência, desde tempos muito remotos, de quintas e respectivos complexos edificados para residência de proprietários, empregados e apoio à produção (armazéns, cavalariças, tanques, etc.). Núcleo seccionado pela abertura de uma via rápida. |
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| Número IPA Antigo: PT031106180333 |
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| Registo visualizado 4277 vezes desde 27 Julho de 2011 |
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Conjunto urbano Setor urbano Unidade morfológica
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Descrição
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| O primitivo núcleo medieval, caracterizado por uma estrutura irregular, nascido à sombra protectora dos muros senhoriais, cresceu e desenvolveu-se com o decorrer do tempo, tanto pela proximidade com a estrada que ligava Lisboa a Coimbra, como pela fundação da Igreja de São Baptista (v. PT031106180408) e criação da respectiva feira. Durante os séculos 16 a 18, a povoação, caracterizada já por uma formação urbana regular, foi tomando a forma que hoje conhecemos: uma estrutura linear gerada pelo cruzamento ortogonal da Rua do Lumiar com a Rua do Alqueidão / Estrada do Lumiar, não chegando a consolidar um traçado reticulado. Este núcleo, cujos limites são definidos pela articulação entre a Rua do Lumiar / Calçada de Carriche e a Azinhga do Porto (assim denominada por aí existir um "porto" ou portagem que ficava fora do Paço do Lumiar), estruturou-se à volta de uma importante saída da cidade para N., no eixo definido pela Alameda das Linhas de Torres, Rua do Lumiar e Calçada de Carriche, concentrando-se o aglomerado na área de articulação da Rua do Lumiar com a Rua do Alqueidão / Estrada do Lumiar. O cruzamento destes dois eixos não foi suficientemente forte para assegurar a formação de uma verdadeira malha urbana, apesar da presença de vias, de reduzido perfil (2 - 5 m ), definidas pela orientação N.-S. da Rua do Lumiar e a E.-O. do feixe de ruas, travessas e calçadas (Travessa do Prior actual Rua Pena Monteiro, Travessa do Coutinho, Travessa do Morais, Travessa do Canavial, Travessa do Picadeiro e Calçada do Picadeiro), que ligavam a Rua do Lumiar ao Largo da Duquesa, actual Largo Júlio de Castilho, fronteiro ao Palácio do Monteiro-Mor (v. PT031106180107). Este largo e o Largo de São João Baptista assinalam os dois espaços urbanos não lineares mais significativos, ambos abertos para a Rua do Alqueidão. Enquanto o Largo da igreja assume as características do tradicional adro trapezoidal, derivado do alargamento das vias que dão acesso à igreja, o antigo Largo da Duquesa define-se como uma pequena praça rectangular quase um espaço de representação que enquadra o Palácio Angeja-Palmela. A Rua do Lumiar, provavelmente constituída nos séculos 16 a 18, com prolongamentos para a Rua Alexandre Ferreira, é uma das mais antigas artérias desta zona e parte constituinte do pequeno núcleo habitacional de típica formação linear, ligado ao processo de construção do paço do Lumiar. Em meados do século 20, o núcleo da Rua do Lumiar foi envolvido pela recente expansão urbana, tendo sido rasgado pela Avenida Padre Cruz / Via Rápida de Loures, interrompendo as travessas que uniam as duas partes da antiga povoação. O espaço edificado é composto por casas uni e plurifamiliares, dos séculos 19 e 20, embora incorporando estruturas preexistentes, inseridas em lotes quadrangulares ou em lotes grandes mas com frente estreita, apresentando dois ou três pisos e águas furtadas. Muito característica desta área é a presença de antigas quintas, palácios e palacetes, dos séculos 18 e 19, ou até mesmo do 16, entre os quais se destaca claramente o complexo da Quinta do Monteiro-Mor (v. PT031106180381), que ocupa uma área de 11 hectares, onde se incluem caminhos, lagos, prados, pomar,horta, horto botânico, jardim, mata, estufas, viveiros, aviários e um centro de jardinagem. |
Acessos
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| Av. Padre Cruz |
Protecção
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| Incluído na classificação do Paço do Lumiar (v. IPA.00021768) *1 |
Enquadramento
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| Urbano. A área inserida na freguesia do Lumiar, com 6.282Km2 e uma população de cerca de 36000 habitantes, localiza-se na zona limítrofe N. de Lisboa, entre os núcleos antigos do Paço do Lumiar e da Ameixoeira. Implantada em planície e delimitada a N. e a O. por encostas de declive acentuado, é atravessada pela Avenida Padre Cruz, que estabelece a ligação de Lisboa aos Concelhos de Odivelas e Loures. Inserida no antigo povoado, que confina com o sistema de vertentes abruptas definidoras de linhas defensivas naturais, esta área faz parte da série de núcleos periféricos da cariz rural do perímetro urbano lisboeta, apresentando uma estrutura relacionada com as saídas radiais de Lisboa ( actual Calçada de Carriche ) e com a proximidade do Paço do Lumiar. Os factores climatéricos e geográficos contribuíram a nível local para a constituição e sobrevivência deste núcleo ao longo dos séculos: um microclima ameno, recursos hídricos disponíveis, orientações favoráveis, solos férteis e declives reduzidos a S., permitiram o desenvolvimento agrícola e a instalação do núcleo habitacional e de uma comunidade eclesiástica. A circundar este conjunto, na proximidade imediata, encontram-se vários edifícios e equipamentos significativos, como por exemplo, no Lumiar, a Casa de Nossa Senhora do Carmo (v. PT031106180292), o Palacete / Vila Sousa (v. PT031106180693) e o Palacete Norton de Matos (v. PT031106180694), na Ameixoeira, a Igreja de Nossa Senhora da Encarnação (v. PT031106050167) e no Paço do Lumiar, a Capela de S. Sebastião (v. PT031106180073), a Quinta de S. Cristovão (v. PT031106180394), a Casa da Quinta dos Azulejos (v. PT031106180396), o Colégio Manuel Bernardes / Quinta dos Embrechados (v. PT031106180071), a Quinta das Hortências (v. PT031106180392), a Quinta de Nossa Senhora da Paz (v. PT031106180393) e a Quinta do Conde do Paço (v. PT031106180395) |
Descrição Complementar
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Utilização Inicial
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| Não aplicável |
Utilização Actual
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| Não aplicável |
Propriedade
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| Pública: estatal e municipal / Privada: Igreja católica, pessoas singulares e colectivas |
Afectação
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| Não aplicável |
Época Construção
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| Séc. 13 / 14 / 16 / 18 |
Arquitecto / Construtor / Autor
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| Desconhecido |
Cronologia
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| Época Paleolítica - ocupação humana documentada pela descoberta de jazidas com instrumentos pertencentes ao Abbevilense e Acheulense; séc. 8 / 12 - apesar de não serem conhecidos vestígios arqueológicos da época muçulmana, existem indícios toponímicos como Travessa do Alqueidão ou Calçada de Carriche; 1147 - após a reconquista de Lisboa, os territórios do termo do Lumiar *2 foram sendo doados pelo rei à nobreza e às ordens militares e religiosas, em recompensa pelos serviços prestados; 1218 - D. Afonso II fez doação de vinhas no Lumiar a João Pires, cevadeiro-mor, a D. Rolim e a D. Geraldo; 1220 - as Inquirições de D. Afonso II referem vinhas no Lumiar pertencentes aos Hospitalários e ao convento de S. Vicente de Fora e uma granja e dois casais pertencentes aos Templários; 1248 - núcleo referenciado nas Inquirições do reinado de D. Afonso III como "Liminar"; séc. 13, 3º quartel - o rei escolheu este sítio para sua residência de campo e adquiriu grande quantidade de terras e casas na cidade, tornando-se o seu maior proprietário; 1266 ou 1276 - criação da paróquia do Lumiar, que tinha inicialmente a invocação de S. João Baptista e S. Mateus e abrangia os lugares de Telheiras, Ameixoeira e Charneca. A primitiva igreja de S. João Baptista, fundada pelo Bispo D. Mateus, foi edificada em terreno da propriedade de D. Afonso III; 1270 / 1272 - a chamada Quinta do Lumiar foi dada por D. Afonso III aos freires de Évora; 1283 - criação de uma feira de gado no Largo da Igreja de S. João Baptista do Lumiar que passou a coincidir com a data da celebração religiosa dedicada a Santa Brígida *3; séc. 13, 2ª metade - D. Dinis ordenou a trasladação das relíquias de Santa Brígida para a Igreja de S. João Baptista; séc. 13 - numa relação com a indicação das propriedades existentes em Lisboa, vilas de Sintra, Torres Vedras e respectivos termos, o Lumiar apareceu referenciado em zona de vinhas e oliveiras com três herdades e uma granja; 1307 - apresentação do pároco por D. Dinis, que nesta época era o proprietário da quinta adquirida pelo seu pai; 1320 - o Mestre D. frei Vasco Afonso fez doação da Quinta do Lumiar a Estevão da Guarda; 1331 - D. Teresa Martins, viúva de D. Afonso Sanches, fez doação da igreja e do paço ao novo Mosteiro de S. Dinis de Odivelas (v. 1116030003); séc. 14 - construção da Ermida do Espírito Santo, que tinha anexa um hospital e albergaria, mais tarde a cargo da Irmandade do Espírito Santo; 1450 - o Mosteiro de Santos arrendou por oito anos o recebimento de todos os foros e rendas do Lumiar ao judeu Josepe Soster, não havendo notícia de renovação do contrato; 1495 - o Lumiar foi considerado cabeça de Julgado, em conjunto com outras localidades situadas no termo de Lisboa, e tinha como funcionários privativos dois juízes e um alcaide; séc. 16, início - construção de habitações. Os freires de Avis habitavam a meio caminho entre o Lumiar e o Paço do Lumiar, junto da estrada que ia do paço à igreja, sendo ainda possível observar-se um marco junto ao Museu do Teatro e um vestígio de porta; 1527 - o censo geral da população do reino referia o Lumiar situado no termo de Lisboa, cujo orago era S. João Baptista; 1544 - fundação da Ordem do Espírito Santo do Lumiar e realização do respectivo códice; séc. 16, meados - reedificação da Igreja de S. João Baptista, que durante algum tempo teve a invocação de Santa Brígida; séc. 16 - definição dos dois principais núcleos populacionais e incremento da construção de edifícios laicos e religiosos; 1620 - primeiro cômputo populacional da freguesia do Lumiar que assinalava 380 fogos e 1 500 vizinhos. Frei Nicolau de Oliveira referiu o Lumiar como pertencendo a uma das 30 freguesias situadas no termo de Lisboa; 1630 - uma visitação à Igreja de S. João Baptista recomendava que o adro fosse murado de modo a que as carros e cavalgaduras não revolvessem a terra, que se encontrava cheia de ossadas; séc. 17 - continuação das obras da Igreja de S. João Baptista; séc. 17 / 18 - a alta sociedade frequentava assiduamente os espaços campestres do Lumiar, ocupando os seus tempos livres em bailes de salão, teatro, partidas de campo, reuniões e saraus; 1706 - a vedação recomendada na visitação ainda não havia sido construída; séc. 18, início - o Lumiar era definido como um povoado de nobres quintas, olivais e vinhas, sendo os principais frutos da terra, o vinho, o trigo, a cevada e o azeite; 1712 - o Padre Carvalho da Costa enumerou as freguesias e lugares que constituíam o termo de Lisboa, incluindo a freguesia de S. João Baptista do Lumiar com 400 vizinhos; 1736 - D. Luís Caetano de Lima apresentou a relação das paróquias de Lisboa e do seu termo, na qual a paróquia de S. João Baptista do Lumiar, situada no termo de Lisboa Ocidental, apresentava 312 fogos e 1 194 almas; 1742 - o Julgado do Lumiar não havia sofrido alterações desde a lei de 1654; 1755 - João Baptista de Castro referiu o número de fogos de Lisboa antes do terramoto de 1755, tendo a freguesia do Lumiar (S. João Baptista e S. Mateus) 400 fogos; 1758 - as Memórias Paroquiais mencionaram a existência de 450 fogos e 2226 habitantes, repartidos pelo Lumiar, Tilheyras, Passo, Urmeyra, Torre do Lumiar e pelas várias quintas. A Igreja de S. João Baptista estava situada "nam (...) dentro do lugar do Lumiar mas sim no fim delle (...)" (MATOS, PORTUGAL). Havia romagens e círios a Santa Brígida e ao Senhor Roubado, então nos limites da freguesia, outro centro de religiosidade popular. O Lumiar era uma das paróquias do termo de Lisboa com mais sacerdotes, no total 23. Existiam três irmandades, duas confrarias e dez ermidas, entre as quais, Espírito Santo, S. Jerónimo e Senhor Roubado; séc. 18, meados - o priorado de apresentação da abadessa de Odivelas rendia seiscentos mil réis; 1761 - uma visitação à paróquia referia o mau hábito dos fregueses no Lumiar pagarem os dízimos em dinheiro e não em espécies (vinho e azeite) e ameaçava com a excomunhão; 1763 - os Livros da Décima relataram as actividades profissionais ou "maneios" no Lumiar: transportes 17, administração 2, comércio 31, criadagem 137, profissões liberais 10, trabalhadores agrícolas 44 e outros 58; séc. 18, 3º quartel - construção do Palácio do Monteiro-Mor (v. 1106180107), com levantamento de um novo palácio na área da antiga Quinta do Lumiar, outrora dos freires de Avis, no qual se incluía um jardim botânico; 1820 - a freguesia do Lumiar englobava 346 fogos distribuídos por 1240 habitantes; 1833 - D. Miguel estabeleceu o seu quartel-general no Lumiar; 1836 - as freguesias pertencentes ao termo de Lisboa foram reduzidas para 22, mantendo-se o Lumiar; 1840 - a freguesia do Lumiar tinha 319 fogos e 1069 habitantes; 1852 - uma remodelação completa no concelho de Lisboa, da qual resultou a extinção do termo, levou à criação de dois novos concelhos, um a O. com a designação de Belém, e outro a E. com o nome de Olivais, ficando integrada neste último a freguesia do Lumiar; 1863 - Vilhena Barbosa referiu-se ao Lumiar: "O lugar propriamente dito é feio, pois que mais parece uma rua de cidade com algumas travessas tortuosas, pouco limpas e irregulares, do que uma aldeia. Porém a salubridade do ar, a bondade das águas, e as quintas aprazíveis que o rodeiam, fazem com que os moradores da capital o apeteçam e procurem na estação calmosa"; 1864 - a freguesia do Lumiar, que pertencia ao concelho dos Olivais, tinha 381 fogos e 1358 habitantes; 1878 - a freguesia tinha 378 fogos e 1577 habitantes; 1885 - a freguesia foi reincorporada no território de Lisboa, na altura em que foi estabelecida uma estrada de circunvalação que incluiu o Lumiar nos limites da cidade. Com uma nova reforma administrativa, as freguesias de S. João Baptista e de S. Mateus foram incorporadas na cidade de Lisboa. O decreto de 17 de Setembro referia o Lumiar como paróquia civil pertencente ao 2º Bairro e composto por 4 paróquias eclesiásticas; 1886 - por decreto de 23 de Dezembro o Lumiar foi englobado no 3º Bairro com 5 paróquias eclesiásticas; 1887 - primeiro registo conhecido no cemitério do Lumiar; 1890 - na freguesia do Lumiar existiam 573 fogos e 2149 habitantes; 1900 - a freguesia tinha 548 fogos e 2368 habitantes; séc. 19 - a Calçada de Carriche era palco das famosas esperas de touros. Eram realizadas romagens que começavam no domingo a seguir à Páscoa e que se prolongavam até meados do Outono. Nesta época o passeio às hortas estava normalmente ligado a efemérides religiosas, como é o caso da feira de gado, no Largo da Igreja de S. João Baptista, uma das três feiras anuais que ocorriam no Lumiar em Fevereiro, Junho e Agosto. A freguesia era frequentada pela burguesia lisboeta, que aí passava férias, e pelo operariado e hortelãos saloios aos fins de semana; 1903 - Júlio Castilho, morador no Lumiar, via a velha aldeia transformar-se: "o nosso Lumiar, hoje cheio de palacetes, e cortado de electricos, carruagens, e auto-moveis, que o tornam um bairro da Capital, era povoação muito campestre, meio solitaria, e, por assim dizer, a leguas de Lisboa (...)"; 1911 - a freguesia do Lumiar (S. João Baptista) tinha 606 fogos e 2840 habitantes; 1920 - a freguesia tinha 3143 habitantes; 1930 - a freguesia tinha 4885 habitantes; 1934 / 1935 - inauguração solene da Igreja de S. João Baptista, após o incêndio que devastou o edifício; 1940 - o Lumiar pertencia ao 3º Bairro, tinha como freguesia eclesiástica S. João Baptista do Lumiar e contava 10634 habitantes. Fazia parte do Plano "De Gröer", no qual, entre as linhas de força marcadas por uma série de radiais entroncadas nos grandes arruamentos citadinos, se encontrava a linha da Avenida António Augusto de Aguiar, S. Sebastião, Palhavã, Paço do Lumiar e Carnide; 1950 - a freguesia tinha 10336 habitantes; 1955 / 1970 - construção da Avenida Padre Cruz que dividiu o núcleo antigo do Lumiar; séc. 20, anos 60 - a antiga unidade morfológica e ambiental do núcleo do Lumiar foi posta em causa devido ao rápido crescimento das áreas suburbanas. A freguesia do Lumiar tinha 9140 habitantes; 1966 - no Plano Director de Lisboa, o Lumiar estava inserido na faixa de protecção de Lisboa; 1970 - a freguesia tinha 19 155 habitantes; 1977 - criação do Museu do Traje no Palácio do Monteiro-Mor e abertura ao público do famoso jardim botânico; 1981 - a freguesia contava 29 645 habitantes; 1985 - instalação do Museu do Teatro na torre do relógio pertencente ao Palácio do Monteiro-Mor; 1990 / 1992 - elaboração de um Plano Estratégico, em ligação com o Plano Director, que apontava para a criação de um "arco" de transição para os concelhos limítrofes, com novas áreas de parque, equipamentos e a recuperação de quintas e antigas aldeias. Paralelamente decorreu o "Plano Valis - Valorização de Lisboa", coordenado por Jorge Gaspar, que desenvolveu um estudo sistemático e propostas gerais de acções-piloto na zona das Portas do Lumiar - Museu do Traje; 1991 - a freguesia tinha 33 523 habitantes; 1993 - o número de residentes da freguesia era de 29 335, a densidade populacional de 4,670 e o número médio de elementos por agregado familiar de 3,26; 1994 - alguns edifícios desta área foram protegidos pelo Plano Director Municipal; 1996 - realização dos Planos de Pormenor de Salvaguarda das Áreas do Lumiar e Paço do Lumiar. Despacho do Ministro da Cultura determinando a classificação do conjunto. O Gabinete da Divisão dos Núcleos Dispersos, Direcção Municipal de Reabilitação Urbana, chamou a atenção para os problemas mais urgentes quanto à reabilitação do espaço público e que se prendiam, em grande parte, com a circulação viária de atravessamento e tráfego de pesados junto à Igreja de S. João Baptista. Realização de um projecto relativo à recuperação da encosta que liga a Rua Castiça à Rua do Lumiar; 1999 - o Gabinete da Divisão dos Núcleos Dispersos, procedeu ao planeamento e gestão urbanística do bairro histórico através de um plano para resolver a situação do trânsito no núcleo histórico ainda em fase de aprovação; 2001 - a freguesia tinha uma população residente de 35 585 indivíduos, uma densidade de 5,664, sendo o número médio de elementos por agregado familiar de 2.674; 2003 - encerramento do Gabinete da Divisão dos Núcleos Dispersos da Direcção Municipal de Reabilitação Urbana, que funcionava na Quinta de Nossa Senhora da Paz.
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Dados Técnicos
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| Estrutura autoportante e mista; paredes em tabique e em cantaria, alvenaria de pedra e mista, e em betão armado; reboco de cal e areia e de cimento; janelas de guilhotina ede duas folhas; pavimentos urbanos com calçada à portuguesa e com seixos rolados |
Materiais
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| Calcário, mármore, tijolo, betão, madeira, telha de canudo, telha de aba e canudo, telha marselha, ferro forjado, ferro fundido, cobre, alumínio e zinco |
Bibliografia
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| AA.VV. - Guia Urbanístico e Arquitetónico de Lisboa. Lisboa: Associação dos Arquitectos Portugueses, 1987; OLIVEIRA, Frei Nicolau de, Livro das Grandezas de Lisboa, Lisboa, 1620; COSTA, António Carvalho da, Corografia Portugueza e descripçam topografica do famoso reyno de Portugal, Lisboa, 1712; "O Paço do Lumiar", Museu Histórico e Recreativo, Lisboa, 1861; VILHENA BARBOSA, Inácio de, "Fragmentos de Um Roteiro de Lisboa (Inédito)", Anuário do Arquivo Pitoresco, vol. VI, Lisboa, 1863; RIBEIRO, João Pedro, Lisboa e Arredores - Inquirições do reinado de D. Affonso 3.º, Lisboa, 1902; PEREIRA, Gabriel, De Benfica à Quinta do Correio-Mor, Lisboa, 1905; QUEIRÓS, José, Da Minha Terra: Figuras Gradas e Impressões de Arte, Lisboa, 1909; VITERBO, F. M. 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Documentação Gráfica
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| IHRU: DGEMN/DSID; CML: DSUO |
Documentação Fotográfica
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| IHRU: DGEMN/DSID; CML: Arquivo Fotográfico |
Documentação Administrativa
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| IHRU: DGEMN/DSID; ANTT; CML |
Intervenção Realizada
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| Edifício Pombalino na Rua do Lumiar, nº 127 - CML: 1995, após - restauro total do edifício. Edifício Oitocentista na Rua do Lumiar, nº 150-111 - CML: 2002 - entaipamento dos vãos no piso superior e demolição do corpo adossado a SO. Edifício Art Déco na Rua Alexandre Ferreira, nº 35-37 - António de Sousa Lobato: 1922 - acrescentamento de um piso; 1923 - construção de um abarracado; proprietário da época; 1970, antes de - obras de beneficiação geral; Maria Celeste Gomes Pedroso M. Ferreira: 1998, após - restauro total do edifício. Palacete Pombalino na Rua do Lumiar e torneja na Rua Pena Monteiro, n.º 1 - CML: séc. 20, finais - restauro total do edifício e allterações a nível do telhado. Palacete Pombalino na Rua do Lumiar, nº 120-128 - Jotirol: séc 20, finais - restauro total do edifício e alterações exteriores. Edifício com Cantarias Quinhentistas na Travessa do Morais, n.º 11-13 -Cml: séc. 20, finais - restauro total do edifício no âmbito do Programa RECRIA - CML e IGAPHE; Maria Helena Reis Dias: 2000 - restauro do interior do estabelacimento comercial. Edifício Oitocentista na Rua do Lumiar, n.º 67 e torneja a Rua do Alqueidão, n.º 2-4 - CML: séc. 20, finais - restauro total do edifício. Nora da Quinta das Pias -CML: séc. 20, anos 70 - entaipamento do poço e tanque. Edifício Seiscentista onde viveu e faleceu Júlio de Castilho, com lápide. António Feliciano de Castilho: séc. 19 - obras de remodelação; GAL: 1919 - colocação de uma lápide na fachada principal; CML: 1994, após - entaipamento dos vãos. Edifício Setecentista na Travessa do Coutinho, n.º 1-3 - CML: 1886 - colocação do Pavimento no pátio.Chafariz do Boneco / Fonte de S. João Baptista - CML: 1909 - transferência do Chafariz do adro da Igreja de S. João Baptista para o Largo Júlio de Castilho; DGS: 1940 - obras de beneficiação na mina e canalização. Igreja de S. João Baptista: sécs.16, meados / Séc.17 - reedificação. Palácio do Monteiro-Mor: CML: 1970 / 1974 - na sequência de grande incêndio no Palácio, efectuam-se obras de restauro coordenadas pelo Arq.to Joaquim Cabeçada Padrão; IPM: 1980 - sistema automático de detecção e alarmes contra incêndios e instalação eléctrica; 1981 / 1984 - obras de recuperação do parque; 1982 / 1985 - realização de obras na Casa do Monteiro-Mor com vista à instalação do Museu Nacional do Teatro. Quinta do Espie / Palácio Palmela - Luís Coutinho Borges de Medeiros: 1917 - início das obras de alteração; família Holstein Beck: 1933 / 1970 - diversas obras de beneficiação na propriedade |
Observações
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| *1 - o núcleo da Rua do Lumiar, que se encontra inserido no classificado Conjunto do Paço do Lumiar ( IIP, Dec.n.º 67 / 97, DR 301 de 31 de Dezembro 1997 ), foi definido no anterior Plano Director como Zona a Preservar e constitui no actual Plano Director Municipal de Lisboa uma Unidade Operativa de planeamento (UOP 05), definida como Área Histórica Periférica, que deu origem em 1996 a um Plano de Pormenor de Salvaguarda realizado pelos Gabinetes Técnicos Carnide-Luz / Paço do Lumiar e Rua do Lumiar / Ameixoeira (Câmara Municipal de Lisboa); *2 - documentação dos séculos 12 - 14 revela os vários nomes derivados do topónimo latino original, "liminare", que significa entrada: lamenere, lemear, lomear, lumear e lumiar. Ao nome Lumiar (situado num antigo local conhecido por Vale de Flores) estão atribuídas três explicações: situava-se junto de uma estrada que permitia o acesso ao N. do país e, como tal, era um ponto de entrada; em Telheiras existira uma torre com 28 a 30 metros, situada por trás do antigo Convento de Nossa Senhora das Portas do Céu ( v. PT031106180278 ), no qual ardia um amontoado de palha e uma substância ardente, com o objectivo de iluminar (alumiar) o vale para as embarcações e circulação; e, ainda, uma lenda relacionada com o rei D.Dinis, onde o vocábulo "alumiar" surge também como sinónimo de iluminar; *3 - Santa Brígida foi martirizada pelos bárbaros em 1 se Fevereiro de 518. Segundo a lenda, por volta de 1300, D.Dinis mandou três cavaleiros levarem a relíquia de Santa Brígida ao Mosteiro de Odivelas. Ao pararem para descansar no Lumiar, a cabeça de Santa desapareceu e foi encontrada milagrosamente no alto de um pinheiro, junto à Igreja de S. João Baptista. Ao ver o sucedido, o prior de então quis que a relíquia ficasse naquela igreja. Mas os cavaleiros quiseram cumprir a ordem do rei e seguiram caminho. A cena voltou a repetir-se e, a partir daquele momento, a relíquia foi finalmente depositada no Lumiar. |
Autor e Data
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| Sara Andrade 2003 |
Actualização
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