Chafariz da Rua Formosa / Chafariz da Rua do Século

IPA.00025983
Portugal, Lisboa, Lisboa, Misericórdia
 
Arquitectura infraestrutural, barroca. Chafariz urbano, implantado numa ampla praça, fronteiro a um dos palácio dos futuros Marqueses de Pombal, incluído no plano setecentista de abastecimento de água a Lisboa, de espaldar flanqueado por pilastras rusticadas e pilastras toscanas, com aletas volutadas, contendo painel e tabela, sustentada por lacrimais, rematando em frontão triangular sem retorno. Possui três bicas em forma de carranca, que vertem para tanque trapezoidal de perfil galbado e bordos lisos. Chafariz implantado num amplo largo, criado propositadamente para o enquadrar, composto por muro em cantaria, parcialmente em perfil curvo, a que se adossam bancos de cantaria e onde se rasgam as portas de acesso à caixa de água. O chafariz apresenta o espaldar totalmente ornado por painel almofadado e tabela, esta ornada por palmetas e rosetão. No remate, distinguem-se os fragmentos de frontão, que enquadram o remate em frontão sem retorno, encimados por pináculos, envolvidos por acantos clássicos, dispostos em taça, onde sobressaem outros elementos florais. Destacam-se as carrancas, em bronze, com longas barbas e envolvidas por enrolamentos, as únicas que restam executadas neste material. O tanque, de forma trapezoidal, mas com os lados curvos, é tripartido interiormente por elementos de cantaria, individualizando três tanques, para onde vertem as três bicas.
Número IPA Antigo: PT031106281294
 
Registo visualizado 3221 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Estrutura  Hidráulica de elevação, extração e distribuição  Chafariz / Fonte  Chafariz / Fonte  Tipo espaldar

Descrição

Chafariz em cantaria de calcário lioz, de planta rectangular, assente numa plataforma de cinco degraus, dispostos em polígono, composto por espaldar rectilíneo, flanqueado por paraestática composta por pilastras, uma de silharia fendida e outra toscana, flanqueado por aletas volutadas; as pilastras sustentam amplo friso, que rematam em frontão triangular sem retorno e duplos fragmentos de frontão, rematados por pináculos galbados, que emergem de acantos e rosetas. O espaldar possui painel almofadado, com moldura recortada, encimado por tabela, também recortada, assente em falsas mísulas compostas por lacrimais, interrompida inferiormente por palmeta e curva na zona superior, onde se inscreve rosetão. Na base do apainelado, surgem três bicas em bronze, na forma de mascarões, que vertem para tanque trapezoidal, com os lados curvos e galbados, bastante profundo, de bordos simples, reforçados com chapa de ferro e tripartido interiormente por elementos de cantaria, apresentando, em cada um, réguas de ferro, para suporte do vasilhame.

Acessos

Rua do Século, sensivelmente a meio da mesma

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 5 DR, 1.ª série-B, n.º 42 de 19 fevereiro 2002 *1 / IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 45/93, DR 280 de 30 novembro 1993 / ZEP, Portaria n.º 398/2010, DR, 2.º série, n.º 112 de 11 junho 2010 *2 / Incluído na classificação do Bairro Alto (v. IPA.00005019)

Enquadramento

Urbano, adossado a muro que sustenta o terreno e alguns edifícios residenciais, e conforma o largo em que se implanta, com perfil curvo a partir do chafariz, tornando-se depois rectilíneo, sendo os sectores divididos por pilastras toscanas; o muro é em cantaria de calcário lioz aparente, em aparelho isódomo, capeado e encimado por grade metálica. Implanta-se em zona plana, parcialmente pavimentada a lajeado de calcário, a que se sucede calçada à portuguesa, formando uma estrela de oito pontas. À zona curva do muro, adossam-se bancos de cantaria e é rasgado por duas portas de verga recta, com molduras simples de cantaria, encimados por bandeira com moldura recortada, do mesmo material. No largo, surgem várias árvores de grande porte, dois pequenos ciprestes e bancos de jardim, em madeira Em frente, surge o Palácio Pombal, com o qual tem uma ligação subterrânea.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Hidráulica: chafariz

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: Municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ENGENHEIRO: Carlos Mardel (1760)

Cronologia

1760 - construção dos canos para o chafariz, que recebia água de uma derivação da galeria do Loreto, na denominada Pia do Penalva, situado entre o Príncipe Real e a Rua D. Pedro V; plano do chafariz pelo engenheiro Carlos Mardel; aquisição de alguns edifícios para demolição e construção da praça, onde se integrava o chafariz: compra de casas aos administradores da Capela de São Bartolomeu da Nação Alemã (1:400$000), a José Borges Leal Corte Real por umas casas (850$000), um chão e um quintal a António José de Antas Magalhães e Puga (120$000), casas a Caetano André Pinto (2:400$000), umas casas nobres a Josão de Sousa Mexia (3:000$000), um quintal e uma cocheira às religiosas do Convento de Nossa Senhora da Conceição dos Cardais (400$000); umas casas a Bernardo de Melo e Castro (2:280$000); umas casas a D. Bruno de Sousa Henriques (230$000), umas casas a Francisco Inácio de Almeida Jordão (303$000); foi pago a Manuel Diogo Parreiras, director da Fábrica do Ferro em Paço de Arcos por canos para o chafariz 6:000$000 e mais canos curvos fundidos 5:395$880; 9 Setembro - concessão dos sobejos ao, ainda, Conde de Oeiras; os sobejos estão vinculados no Morgado a que pertenciam as casas no lugar junto ao chafariz, as quais o Conde cedeu gratuitamente para a sua construção; 1762 - construção do chafariz, conforme desenho de Carlos Mardel; 1767 - ainda continuavam obras de urbanização na zona envolvente; 1985, 15 março - Despacho de homologação da classificação do edifício pelo Ministro da Cultura; 2005, 29 setembro - proposta de fixação de Zona Especial de Proteção pela DRCLVTejo; 2009 - Despacho de homologação da Zona Especial de Proteção pela Ministra da Cultura; 2011, 20 maio - Declaração de retificação ao teor do diploma de fixação de Zona Especial de Proteção, n.º 874/2011, DR, 2.ª Série, n.º 98.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante.

Materiais

Estrutura em cantaria de calcário lioz; bicas em bronze; chapas e réguas em ferro.

Bibliografia

ANDRADE, José Sérgio Velloso d', Memoria sobre Chafarizes, Bicas, Fontes e Poços Públicos de Lisboa, Belém, e muitos logares do termo, Lisboa, Imprensa Silviana, 1851; CAETANO, Joaquim de Oliveira, SILVA, Jorge Cruz, Chafarizes de Lisboa, Sacavém, Distri-Editora, 1991; FLORES, Alexandre M. e CANHÃO, Carlos, Chafarizes de Lisboa, Lisboa, Edições INAPA, 1999.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

*1 - Por decreto do Ministério da Cultura (dec. nº 5/2002 de 19 de Fevereiro) foi alterado o Decreto de 16 de Junho de 1910, publicado em 23 de Junho de 1910 que designava o imóvel como "Aqueduto das Águas Livres, compreendendo a Mãe de Água", passando a ter a seguinte redacção: "Aqueduto das Águas Livres, seus aferentes e correlacionados, nas freguesias de Caneças, Almargem do Bispo, Casal de Cambra, Belas, Agualva-Cacém, Queluz, no concelho de Sintra, São Brás, Mina, Brandoa, Falagueira, Reboleira, Venda Nova, Damaia, Buraca, Carnaxide, Benfica, São Domingos de Benfica, Campolide, São Sebastião da Pedreira, Santo Condestável, Prazeres, Santa Isabel, Lapa, Santos-o-Velho, São Mamede, Mercês, Santa Catarina, Encarnação e Pena, municípios de Odivelas, Sintra, Amadora, Oeiras e Lisboa, distrito de Lisboa". *2 - tem uma classificação conjunta com o Palácio Pombal / Palácio dos Carvalhos (v. PT031106280172). A classificação como MN deveria revogar a classificação anterior, como IIP, o que ainda não se verificou.

Autor e Data

Paula Figueiredo 2007

Actualização

 
 
 
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