Farol do Cabo de Santa Maria

IPA.00025748
Portugal, Faro, Faro, União das freguesias de Faro (Sé e São Pedro)
 
Arquitectura de comunicações, oitocentista. Farol
Número IPA Antigo: PT050805050151
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Comunicações  Farol    

Descrição

O complexo de instalações adstritas ao farol ocupa uma parcela de terreno de planta rectangular, vedada, cujo lado maior é de direcção aproximada N.-S.. Este rectângulo mede 150 m de comprimento por 100 m de largura e a torre do farol propriamente dita encontra-se implantada sobre o eixo longitudinal do mesmo e dista exactamente 50 m do seu lado S.. O perímetro primitivo do complexo é hoje parcialmente reconhecível: mantém-se intocado nos lados O. e N. mas incompleto nos lados E. e S., resultado do avanço da linha de costa para N. que implicou o desaparecimento do ângulo SE. da parcela. Este troço encontra-se hoje já em área balnear e é mesmo parcialmente ocupado por um apoio de praia / restaurante.

Acessos

Ilha da Culatra acessível por barco a partir de Olhão ("Terminal T")

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Marítimo. Implantado a c. 2.500 m a E.-NE. do Cabo de Santa Maria e deste separado pela Barra Nova (canal cuja abertura definitiva, no primeiro quartel do séc. 20, para serviço dos portos de Faro e Olhão, implicou a divisão da Ilha do Cabo de Santa Maria em duas partes - Culatra e Barreta). A torre e instalações anexas do Farol, que dominam o horizonte e dão hoje nome a esta parte da Ilha da Culatra (chamada Ilha do Farol), encontram-se rodeadas pelo aglomerado de casas de matriz espontânea que, a partir da construção deste equipamento, cresceu ligado às actividades piscatórias, foi depois reforçado com a valência de controle e assistência à navegação decorrente da abertura do canal e, em data recente, conheceu ulterior expansão pela proliferação da valência habitacional temporária (de veraneio). Assim, a envolvente imediata do farol caracteriza-se pela urbanização informal com construções de pequeno porte, a qual, assentando sobre o terreno sem movimentos significativos, substituiu contudo gradualmente a vegetação primitiva autóctone das ilhas-barreira da Ria de Faro (Formosa).

Descrição Complementar

A torre do farol atinge 46m de altura (50m de altitude) e o aparelho óptico é de terceira ordem, 500mm de distância focal, produzindo uma luz Fl (4) W 17s (4 relâmpagos agrupados, de cor branca, com um período de 17 segundos) com alcance de 25 milhas (http://www.marinha.pt/extra/revista/ra_mai2004/pag_35.html)

Utilização Inicial

Comunicações: farol

Utilização Actual

Comunicações: farol

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Ministério da Defesa Nacional

Época Construção

Séc. 19

Arquitecto / Construtor / Autor

DIRECÇÃO DA OBRA: Gaudêncio Fontana (1851)

Cronologia

1851 - data de construção do farol, sob a direcção de Gaudêncio Fontana. O farol do Cabo de Santa Maria é, então, o primeiro a ser dotado de um aparelho lenticular de Fresnel de segunda ordem, com candeeiro de depósito superior, construido em Londres: "A luz deste farol é fixa e branca (...). O seu alcance medio é de 15 milhas, posto que possa avistar-se a uma distância superior a 20 milhas, logo que seja melhorada. A lanterna que abriga este aparelho, por ser feita em Lisboa pelo antigo sistema das que existem nos faróis de candeeiros de Argand com reflectores, tem as chapas de ferro nos ângulos muito largas e as vidraças de pequenas dimensões, o que faz diminuir muito a emissão dos raios luminosos, principalmente quando os navios estão na direcção dos referidos angulos, ocasião esta em que o alcance e a intensidade da luz são muito diminutos. Esta lanterna tem 6 metros de altura e seis faces de 1,74m de largura. (...) o edificio em que assenta a lanterna é uma torre formada de quatro corpos circulares: o primeiro, contando da base, é um cilindro de 7,63m de raio e 3,95m de altura, com um telhado em roda da parte inferior do segundo, servindo de alojamento para os faroleiros e depósito para azeite, que existe em uma casa de passagem e não tem tanques de pedra, os quais se acham substituídos por cinco talhas de folha que levam cada uma 18 almudes ou 1525,5 l. O segundo corpo é tambem um cilindro de 4,18m de raio e 5,28m de altura, com uma varanda de ferro na parte superior. O terceiro é outro cilindro de 3,52m de raio e 4,22m de altura, e serve de base a uma pirâmide cónica troncada com 14,65m de altura, que acaba por uma cimalha com varanda de ferro, dentro da qual se eleva uma cortina de cantaria que serve de soco à lanterna. A altura de todo este edifício, desde a base do primeiro corpo até ao vértice da lanterna, é de 35,55m (http://www.marinha.pt/extra/revista/ra_mai2004/pag_35.html). Esta descrição não inclui os edifícios anexos, pelo que se presume que o grande corpo destinado a habitação de faroleiros, imediatamente a N. da torre, tenha sido edificado em data posterior; 1922- a torre é acrescentada, ficando com 46 m de altura, e o aparelho óptico substituído por um de terceira ordem, com candeeiro a petróleo (http://www.marinha.pt/extra/revista/ra_mai2004/pag_35.html); 1923 - o farol entra de novo em funcionamento; 1929 - em resposta a oscilações anormais sentidas ao nível da lanterna, e devidas provavelmente à ampliação da torre no início da década, esta é consolidada em toda a sua extensão pela construção de um esqueleto exterior em betão armado, formado por uma malha cónica de pilares e vigas (http://www.marinha.pt/extra/revista/ra_mai2004/pag_35.html); 1949 - electrificação do farol por grupos electrogéneos e alteração da fonte luminosa para incandescência eléctrica, acompanhada da instalação de um radiofarol e de painéis adicionais que transformam o farol em aeromarítimo (http://www.marinha.pt/extra/revista/ra_mai2004/pag_35.html); 1959 - é construída mais uma casa de habitação; 1959, 29 Setembro - data do orçamento para as obras que, por solicitação da Direcção de Faróis da Marinha Portuguesa, a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais toma a seu cargo. São previstas reparações urgentes das coberturas e diversas obras de reparação e beneficiação das habitações do pessoal, incluindo a substituição de toda a telha existente por chapa de fibrocimento "Super", em processo que decorre entre a Direcção dos Serviços de Conservação e a Direcção dos Edifícios do Sul (Évora). O concurso da empreitada data de 13 Novembro 1959, e é ganho por João Carlos Rocha pela importância de 128.439$20. A obra é recepcionada provisoriamente a 5 Dezembro 1960 (PT DGEMN.DSARH-005-4433/01); 1995-1997 - grande intervenção de consolidação da torre, que implica a desmontagem temporária da lanterna, e de automatização do farol (http://www.marinha.pt/extra/revista/ra_mai2004/pag_35.html); 2001 - desactivação do radiofarol (http://www.marinha.pt/extra/revista/ra_mai2004/pag_35.html)

Dados Técnicos

Materiais

Bibliografia

www.marinha.pt/revista, 30 Novembro 2007

Documentação Gráfica

IHRU: DREMS/DE

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DESA

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSARH-005-4433/01 a 04

Intervenção Realizada

1929 - obras de consolidação da torre do farol, devido a problemas de estabilidade; 1996 - obra de consolidação da torre, na sequência da inclinação da lanterna relativamente ao plano horizontal;

Observações

Autor e Data

Sofia Diniz e Ricardo Agarez 2007

Actualização

 
 
 
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