Castelo de Castelo Novo

IPA.00002525
Portugal, Castelo Branco, Fundão, Castelo Novo
 
Castelo construído no séc. 13 pela Ordem do Templo, em local privilegiado e dominante reformado no séc. 15, após ter sofrido extensa destruição e um período de abandono, articulando-se com outros castelos da Beira interior, nomeadamente Penamacor, Monsanto e Idanha-a-Nova. De facto, após a doação de vários bens em Castelo Novo e da própria vila, em 1252, conforme se depreende do foral manuelino, a Ordem deve ter construído o castelo, que teria uma planta ovalada, adaptada ao terreno de grandes afloramentos rochosos, com uma só porta, disposta a nascente, em arco de volta perfeita, junto à qual se localizaria o pequeno pátio, com vários compartimentos, e a torre de menagem, quadrangular e características românicas, no limite poente do recinto, a zona mais elevada do cabeço. O afloramento rochoso foi cortado abruptamente para implantação da torre, que teria acesso sobrelevado e o piso térreo cego. Mais tarde, talvez durante o reinado de D. Dinis, foi rasgada, junto à torre de menagem, a porta virada a poente, já em arco apontado, e construído o cubelo e o pano de muralha saliente, que o flanqueiam, mas esta porta seria pouco funcional, devido ao exíguo espaço de circulação que permitia. Sobre a porta viria ainda a ser construído um balcão com mata-cães. Segundo Silvana Silvério e Luís Barros, no séc. 14, possivelmente depois dos conflitos com o reino vizinho, o castelo sofreu destruição das suas estruturas e um período de abandono, a que se seguiu, no final do séc. 14 / meados do séc. 15, a sua reconstrução, em ritmo acelerado, e algumas beneficiações, tendentes a maiores condições residenciais. Datariam desse período a abertura de janelas conversadeiras na torre e a cobertura em abóbada do último piso, construção de corpo adossado a norte, formando o paço do comendador, a edificação de uma segunda torre, a nascente, que no séc. 16 seria transformada em torre sineira, de novos compartimentos flanqueando a porta desse lado, a construção de uma espécie de corredor até à torre de menagem, com enchimento do muro entre essa e a muralha e de uma barbacã. Outras obras foram feitas, pois está documentada a presença de um pedreiro castelhano a fazer um "pedaço de muro no castelo" em 1499. Além disso, pelo Tombo de 1505, sabe-se que o castelo tinha uma barbacã, hoje apenas percetível no traçado urbano envolvente, com portal, muralha de boa altura, com um portal, tendo sobre ele "uma torre da altura do muro", uma cerca pequena que atravessava a liça, com portal e boas portas, de que não há vestígios, e uma outra cerca, com um pedaço derrubado e com um portal sem portas, junto à torre de menagem. Todas estas estruturas eram ameadas e já nesta data possuíam troços derrubados, o que revela a perda de importância estratégica, facto que se acentuaria ao longo dos séculos, sobretudo no séc. 19, levando à destruição das estruturas. Só recentemente, se procederam a obras de valorização do castelo, com construção de corpo para receção de visitantes, e passeios pedonais, em estrutura metálica, para facilitar a circulação no interior do recinto, a observação dos achados arqueológicos e o acesso às torres, tendo-se construído no interior da torre de menagem uma sala de multimédia, com os mesmos materiais.
Número IPA Antigo: PT020504130035
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Castelo    

Descrição

Planta ovalada irregular, adaptada à morfologia do terreno de grandes afloramentos rochosos, sobretudo no troço sul, onde o afloramento é bastante pronunciado e tem declive acentuado. É composta por muralha, inexistente a norte e a poente, duas torres, a de menagem, disposta a poente, e a do relógio, a sudeste, e um cubelo a sudoeste, e ainda por uma estrutura metálica de receção e distribuição de visitantes, a norte. As estruturas do castelo apresentam paramentos aprumados em cantaria, já sem remate, mas existindo escadas de acesso ao antigo adarve adossadas a nascente. Possui duas portas, uma a leste, em arco de volta perfeita sobre impostas, tendo na face interna verga reta; a outra abre-se a sudoeste, num estreito pano de muralha, flanqueado por um cubelo, à direita, e uma zona saliente, à esquerda, ambos terminados em parapeito de ameias piramidais sobre seteiras; a porta tem arco apontado, tendo na face interna arco abatido, e é encimada por balcão, assente em mísulas, a central escalonada, com mata-cães. O cubelo apresenta, sensivelmente a meio da face exterior, duas mísulas e é coberto por terraço acedido por duas escadas salta cão. As torres, de planta quadrada, desenvolvem-se para o interior do recinto. A torre de menagem implanta-se no ponto mais elevado do cabeço granítico, parcialmente arruinada, conservando o antigo aparelho no cunhal sul, onde tem superiormente gárgulas de canhão. A sua face interna permite perceber que tinha três pisos, o inferior fechado, com acesso sobrelevado, e os superiores sobradados, rasgados por janelas conversadeiras; ao nível do último piso conserva mísula de sustentação da abóbada da cobertura da torre, sobre a qual tinha terraço. A torre sineira tem dois registos, separados por cornija, termina em cornija, contendo gárgulas de canhão nos ângulos, sobrepostos por pináculos piramidais sobre acrotérios, e tem cobertura em falsa abóbada de betão, coroada por pináculo e cata-vento em ferro. Tem acesso por dois portais, rasgados em níveis diferentes, ambos de verga reta sobre os pés direitos, um a partir do exterior, na face virada a nascente, e o outro, em cota mais elevada, na face poente, a partir do recinto. Nesta face abrem-se ainda duas frestas retangulares centrais, com grade em ferro. O segundo registo é rasgado, em cada uma das faces, por ventana em arco de volta perfeita, as da viradas a sul e nascente albergando sino; a nascente surge ainda inferiormente, relógio circular. No interior desenvolve-se escada de cantaria, em caracol. Atualmente o acesso ao interior do recinto e a visita ao imóvel faz-se a partir do Largo do Adro, através de um corpo de construção moderna, de planta em L, com caráter robusto, de paredes metálicas e envidraçadas e cobertura metálica de uma água. A partir deste corpo, desenvolve-se estrutura metálica com percurso pedonal, suspensa a partir do solo, permitindo aos visitantes fácil circulação no interior do recinto fortificado e a observação dos achados arqueológicos. A partir de determinado ponto, o percurso pedestre bifurca-se em dois passeios, um até à face poente da torre do relógio, e o outro até à proximidade da torre de menagem. No interior desta foi construída uma "caixa de aço" com uma sala de multimédia e de onde se pode desfrutar da paisagem. Todas estas estruturas são feitas em metal leve, com revestimento exterior predominantemente em aço corten.

Acessos

Castelo Novo, Rua do Castelo; Rua da Torre de Menagem; Largo do Adro; Rua de Santo António. WGS84 (graus decimais) lat.: 40,077890, long.: -7,496399

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, isolado, no interior do aglomerado urbano, a meia encosta da vertente nascente da Serra da Gardunha. Ergue-se no ponto mais elevado da povoação, sobre um cabeço de afloramentos graníticos, a uma cota que varia entre os 640 e 650 metros de altitude, adaptado à morfologia do terreno. Em torno do castelo desenvolveu-se a povoação, substituindo a de Castelo Velho, no topo da Serra da Gardunha, conservando ainda habitações de características medievais, separadas por ruas estreitas e concêntricas. A norte do castelo ergue-se a Igreja Paroquial de Castelo Novo (v. IPA.00000582), a nascente da torre do relógio, a antiga Casa da Câmara (v. IPA.00000835) e o Pelourinho (v. IPA.00000842) e, a sul, a Capela de Santo António (v. IPA.00000578). Do castelo observam-se os castelos fronteiriços de Monsanto, a nascente (v. IPA.00003930), Penamacor, a poente (v. IPA.00000844) e o de Idanha-a-Nova (v. IPA.00035643). O núcleo urbano é flanqueado por duas ribeiras, a de maior caudal denominada de Alpreade.

Descrição Complementar

No interior da torre sineira, junto a um dos sinos, existe a inscrição pintada "RECONSTRUIDOS / EM 29-3-1958".

Utilização Inicial

Militar: castelo

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 13 (conjectural) / 16

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETOS: Luís Miguel Correia (2003), Nelson Mota (2003), Susana Constantino (2003), Vanda Maldonado (2003). EMPREITEIROS: António Domingues Esteves (1942), José Neves (1977). ENGENHEIRO: Eugénio dos Santos de Carvalho (séc. 18). PEDREIRO: Luís de Cáceres (1499). VEDOR: Joane Mendes Cerveira (1499).

Cronologia

Séc. 13 - doação à Ordem do Templo de várias propriedades na zona de Castelo Novo; 1202, maio - Pedro Guterres, sua mulher Ausenda Soares, juntamente com os seus filhos Guterre Peres, Raimundo Peres e Ermesinda Peres, doam foral a Alpreada *1, denominação antiga de Castelo Novo, para a restaurar e povoar; no mesmo ano Pedro Guterres doa a terça parte do Castelo Novo e de tudo quanto tem aquém e além serra, no termo de Covilhã; 1205, janeiro - testamento de D. Pedro Guterres, alcaide da Covilhã, pelo qual faz doação à Ordem do Templo da terça parte de todos os seus e terça parte de Castelo Novo, para a dita Ordem a haver por sua morte; 1223, 08 janeiro - o foral de Lardosa, concedido por Petrus Petri e mulher Ermesenda Petri, filha de Petrus Guterri, refere a existência de Castelo Novo; 1226, 03 março - D. Joana doa ao mestre e Ordem do Templo a vila de "Lardosa sita inter Castellu novum et Castellum Blancum", com várias fazendas em Curricão, Castelo Novo e Silvares; 1252 - doação da vila de Castelo Novo à Ordem do Templo, conforme se depreende do foral de D. Manuel; séc. 13 - época provável da construção do castelo; 1264, junho - doação de D. Joana, Martinho Peres e seus herdeiros, a título hereditário e a troco de serem inteiramente defendidos pela milícia, da Lardosa com todos os seus termos novos e velhos, e isto a juntar "herança que tinham no Corricao, mais as casas, vinhas e herdades cultas e incultas que os mesmos possuem na vila de Castelo Novo e seu termo e uma outra herdade em Silvares e seu termo"; 1266 - Diogo Lopes e sua mulher D. Urraca Afonso doam à Ordem do Templo Alpedrinha e tudo o mais que tinham nesta vila e seu termo, mais o que tinham na Mata da Rainha e na Torre dos Namorados; 1279 - 1325 - durante o reinado de D. Dinis procede-se a algumas obras no castelo, nomeadamente à abertura da porta virada a poente e das estruturas associadas; 1307, 12 agosto - o papa Clemente V, pela bula "Regnans in ecclesis triumphans", dirigida a D. Dinis, solicita ao rei que acompanhe os prelados de Portugal ao Concílio de Viena, para se determinar o que se havia de fazer da Ordem do Templo e dos seus bens, por causa dos erros e excessos que os seus cavaleiros e comendadores haviam cometido; pouco depois, pelas letras "Deus ultiorum dominus", dirigidas ao arcebispo de Braga e bispo do Porto, nomeia-os como administradores dos bens templários em Portugal; D. Dinis empreende uma série de medidas, internas e externas, para evitar que os bens dos Templários em Portugal integrassem o património da Ordem do Hospital; assim, ordena que seja tirada inquirição sobre o património da Ordem e, pela via judicial, incorpora-o na Coroa, alegando que as doações haviam sido da responsabilidade régia e que obrigavam à prestação de serviços ao rei e ao reino; 1312, 22 março - extinção da Ordem do Tempo, pela bula "Vox clamantis"; 02 maio - bula "Ad Provirem" concede aos soberanos a posse interina dos bens da Ordem do Templo, até o conselho decidir o que fazer com eles; 1319, 14 março - bula "Ad ea ex quibus" de João XXII institui a Ordem de Cavalaria de Jesus Cristo, ou a Ordem de Cristo, para quem passam todos os bens e pertenças da Ordem do Templo: "outorgamos e doamos e ajuntamos e encorporamos e anexamos para todo o sempre, à dita Ordem de Jesus Cristo (...), Castelo Branco, Longroiva, Tomar, Almourol e todos os outros castelos, fortalezas e todos os outros bens, móveis e de raiz"; 1321, 11 junho - divisão em 38 comendas da Ordem de Cristo dos antigos bens pertencentes aos Templários; 1326, 16 agosto - o mestre da Ordem de Cristo, D. João Lourenço, estabelece, com o acordo régio, que a comenda de Castelo Novo tivesse um comendador cavaleiro e "huu caualeiro freyre, guisado de cavalo e armas", com direito a ficar com as rendas locais, do "temporal e do spiritual", acrescidas de cento e cinquenta libras da comenda da Torre do Arrizado; 1367 - 1383 - segundo Silvana Silvério e Luís Barros, talvez durante o reinado de D. Fernando, quando D. Henrique II atravessa a fronteira beirã (dezembro de 1372), o castelo sofre forte impacto com extensa destruição de infraestruturas e parte das muralhas, seguido de abandono por tempo indeterminado; séc. 14, último quartel - época até à qual o castelo deve ter permanecido desocupado e parcialmente destruído *2; 1385 - 1433 - durante o reinado de D. João I, a fortificação de Castelo Novo volta a ter importância estratégica, já que se implantava numa das possíveis vias de entrada no Reino; 1392, 26 fevereiro - carta de D. João I mandando conservar a Ordem de Cristo na jurisdição de diversas vilas, entre as quais Castelo Novo; surge a comenda de Castelo Novo com as suas anexas da Lardosa e da Torre do Arrizado; séc. 14, finais - séc. 15, meados - época provável para a introdução de algumas alterações na fortificação, nomeadamente para dar maior comodidade residencial na torre de menagem, com abertura de amplas janelas conversadeiras nos pisos sobradados, cobertura em abóbada do último piso e na anexação de zona residencial na face norte; provável feitura dos matacães sobre a porta poente; feitura das escadas de acesso ao adarve da muralha nascente; corte na muralha nascente, de modo a permitir a construção da torre, com enchimento da metade superior da muralha com pedra não aparelhada; construção de novos compartimentos flanqueando a porta nascente, sobre os anteriores, com reutilizando uma estela discoide partida na edificação de um dos seus muros; reconstrução da muralha sul sobre solos e materiais medievais, que serviram para entulhar a cavidade natural existente no afloramento rochoso; séc. 15, finais / séc. 16, início - comendador manda recuperar e cobrir os dois pardieiros do interior do castelo, que haviam sido estrebaria e palheiro; 1500 - na carta de perdão de D. Manuel a Luís de Cáceres, castelhano, pedreiro, morador no lugar de Alpedrinha, refere-se que o mesmo "nos enviou dizer que avera aora hum anno que fazendo ell (...) hum pedaço de muro no castelo da villa de castellnouo, sendo elle mestre da dita obra, Johanne Mendez Cerveira, nosso escudeiro, veador della, (...) o viera prender", na cadeia da vila; após esta carta de perdão, é possível que o pedreiro Luís de Cáceres tenha continuado as obras no castelo; 1505, 20 setembro - visitação e elaboração do Tombo dos bens da comenda de Castelo Novo e Alpedrinha, da Ordem de Cristo, elaborado por frei Francisco, onde se faz a descrição do castelo, que é cabeça da Comenda e então se encontra com alguma degradação *3; o comendador, que por inerência é o alcaide-mor, é então frei Álvaro Pereira, fidalgo da casa do Rei; 1510, 01 junho - D. Manuel concede foral novo a Castelo Novo, o qual confirma que Alpreada corresponde à antiga denominação de Castelo Novo, já que refere "visto o foral dado por Pero Soeiro e Ousenda Soares a Alpreada, que afora he Castelo Novo (...)"; 1537 - a torre nascente do castelo já se encontra provida de sinos, tendo, por isso, sido reformada e servida de escadas de caracol no seu interior; séc. 16, meados - a partir desta época, Alpedrinha torna-se cada vez mais importante, em detrimento de Castelo Novo, que entra numa fase de estagnação e declínio; 1640 - existe um alcaide (pequeno), que é apresentado na forma das Ordenações pelo alcaide-mor, sem ordenado, mas com 40$000 de emolumentos, pagando de pensão ao comendador ou alcaide-mor, que o apresentava, 20$000; esse alcaide-mor é então o 2º conde de Castelo Novo, D. Francisco de Mascarenhas, falecido em abril desse ano; a defesa da vila e seu termo é assegurada por um sargento-mor, avaliado em 8$000, um capitão da vila e dois de Alpedrinha, cada um com 6$000, os alferes com 3$000 cada e sargentos com 1$500 cada, 4 capitães do termo, cada um com 4$000, alferes com 2$000 e sargentos com 1$000; 1740, março - o juiz de fora procede à actualização dos bens da comenda, com os demais oficiais do tombo, referindo que o castelo encontra-se quase em ruína: "(Está) posto em um alto (...) tudo circulado com um muro de cantaria e em muitas boas partes demolido, e tem dentro de si uns pardieiros que parece foram casas boas, de que somente para a parte do Poente tem uma parede em pé com duas janelas, uma fresta, e uma torre de menagem é toda de cantaria, que está com alguma danificação, e outra torre onde se acham hoje os sinos e relógio, a qual ainda está bem preparada; cujo castelo tem uma só porta para o Poente e as barbacãs deste muro se acham hoje todas demolidas"; possivelmente, nesta data a porta nascente já está entaipada; 1755, 01 novembro - o castelo não sofre ruína com o terramoto, tendo apenas sofrido a queda de algumas pedras das paredes já arruinadas; 1758 - segundo frei Martinho Gomes Aires nas Memórias Paroquiais, a freguesia tem 170 vizinhos, 471 pessoas maiores e 78 menores; a vila não é murada nem praça de armas, mas tem um castelo com uma torre, "tudo antiquado e por várias partes demolido"; junto às paredes do dito castelo acha-se formada uma torre de cantaria, mais moderna, que serve de campanário à igreja da dita vila; até a esta data ainda não haviam sido reparadas os danos causados com o terramoto; séc. 18, 2.ª metade - obras na fortificação pelo engenheiro Eugénio dos Santos de Carvalho; 1835 - extinção do concelho de Castelo Novo e sua integração no de Alpedrinha; 1836 - com a extinção do concelho de Alpedrinha, Castelo Novo passa para o do Fundão; 1837 - extinção das comendas e integração dos seus bens nos Próprios Nacionais; séc. 19, meados - destruição da muralha na frente norte e poente para construção de casas junto ao castelo, certamente com aproveitamento de cantaria do mesmo; 1874, cerca - segundo Pinho Leal, o castelo está em ruína; 1875, 17 agosto - compra de metade de uma das casas construídas junto ao castelo; 1895, 12 novembro - compra de outra metade da casa a João António Antão e sua mulher Maria Henriqueta; 1990, meados da década - elaboração de proposta de reabilitação do castelo, pelo arquiteto Luís Miguel Correia, então a colaborar na DGEMN, a qual não chega a ser implementada; 2003 - elaboração de novo projeto de revitalização do castelo pela DGEMN, em cooperação com a Câmara Municipal do Fundão, pela equipa formada por Luís Miguel Correia, Nelson Mota, Vanda Maldonado e Susana Constantino; 2005 - exposição do espólio encontrado durante as escavações arqueológicas na zona do castelo, nas dependências da antiga Casa da Câmara.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em cantaria e alvenaria de granito; portas em madeira; estruturas modernas em ferro, aço corten e vidro.

Bibliografia

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Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN:DSID, DGEMN:DREMN; CMF

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID; CMF

Documentação Administrativa

DGPC: DGEMN:DSID (PT DGEMN:DSID-001/005-0449/1, PT DGEMN:DSID-001/005-0449/2), DGEMN:DSARH (PT DGEMN:DSARH -010/106-0011, PT DGEMN:DSARH-010/106-0012, PT DGEMN:DSARH -010/106-0013, PT DGEMN:DSARH-010/106-0021); CMF; DGLAB/TT: Memórias Paroquiais, vol. 10, n.º 219, fl. 1429 a 1440, Chancelaria de D. Manuel (Liv. 46, fl. 44, publIcado por VITERBO)

Intervenção Realizada

DGEMN: 1938 / 1939 - obras de restauro e recuperação dos panos de muralha; reconstrução de muralhas em cantaria apicoada e silharia, igual à existente, nomeadamente nas quatro paredes da torre de menagem, até ao máximo de 5m de altura, e a muralha que fechava o castelo desde a porta virada a poente até à torre do relógio; 1942 - retomam-se as obras de conservação, pelo empreiteiro António Domingues Esteves; 1977 - trabalhos de consolidação e estabilização dos vestígios existentes da torre de menagem, muralhas, adarves e parapeitos, pelo empreiteiro José Neves, compreendendo: refechametno de juntas, preenchimento de vazios interiores da torre com argamassas liquefeitas, após a sua limpeza prévia, reparação geral do adarve com preenchimento de covas com argamassa ciclópica, desobstrução da poterna pela remoção de alvenarias, escavação de terras e entulhos para libertar a poterna, recalcamento de muralhas pela utilização de betão e pedras; 1992 - propõe-se proceder ao refechamento de juntas dos paramentos verticais das torres e muralhas, em como a fixação de ameias com argamassa, consolidar a ruína da torre norte, considerando o refechamento das juntas, aprumo e nivelamento pontual de alguns silhares, ou zona mais desprotegida e impermeabilização de paramento superior da ruína, limpeza geral dos paramentos verticais das torres e muralhas, reposição de lajedo no pavimento da torre e acessos; CMFundão: 1980, década - realização de duas intervenções particularmente destrutivas dos níveis arqueológicos remanescentes; uma consistindo na desobstrução da porta nascente do castelo, através da remoção dos solos, o que colocou à vista a escada de acesso ao adarve, seguida da instalação de um murete destinado a sustentar o deslizamento de terras; a segundo consistiu na construção de um reservatório de água sobre a plataforma rochosa contígua à torre de menagem, na área designada topo do castelo, com instalação de tubagens de distribuição para abastecer a aldeia, uma fonte e uma boca de incêndio; simultaneamente procede-se à instalação de uma rampa a partir do largo da Igreja para facilitar a entrada no castelo a visitantes e viaturas, bem como dois patamares artificiais ajardinados, delimitados por pequenos muros, no espaço intermédio entre o depósito de água e a zona quadriculada; 1995 - levantamento topográfico e arquitetónico do castelo, pela empresa A3 - Arquitectos - Gabinete de Projecto, Ldª; 2002 / 2003 / 2004 - prospeções arqueológicas na zona envolvente do Castelo, pela equipa Arqueonova, no âmbito do Programa Aldeias Históricas de Portugal; estas permitem por a descoberto vestígios da sua ocupação medieval, entre a sua construção e o seu abandono, moedas portuguesas dos reinados de D. Sancho I até ao de D. João III, peças metálicas em ferro e em cobre, e peças de cerâmica; CMFundão / DGEMN: 2005 - beneficiação da torre de menagem, com a reparação das alvenarias de pedra e tratamento das cantarias, execução de estruturas e revestimentos metálicos no interior, isolamento térmico, instalações elétricas e de telecomunicações.

Observações

*1 - Alexandre Herculano e outros autores consideram que Alpreada correspondesse a Alpedrinha o que se considera um lapso, já que o foral novo de D. Manuel esclarece que essa é a denominação antiga de Castelo Novo e até a ribeira que corre junto à vila se chama Alpreada. *2 - Segundo Silvana Silvério e Luís Barros, isso permitiria compreender os níveis de destruição com materiais medievais plenos, o achado, frente à porta este do castelo da única moeda de cunhagem castelhana (reinado de Henrique II (1369-1379), a quase ausência de virotes de besta nas camadas arqueológicas posteriores, embora subsistam bastantes exemplares em ferro (2005, p. 19). *3 - Segundo o Tombo de 1505, o castelo de Castelo Novo, que é cabeça da dita comenda, " estaa posto em huu cabeço ao pee de huua serra fragosa e alta que se chama ha serra de guardinha. e tem logo aa entrada huua barbacãa que tem huu pedaço derribado e tem huu portal de pedra sem portas e logo adiante tem huu muro de bõoa altura boom e forte. ho mais delle de cantaria e tem outro portal de pedra laurado e sobre elle huua torre d altura do dito muro com suas portas bõoas. E aalem desta entrada tem outra çerca pequena que atrauessa da barreira de dentro pera ho muro. com seu portal e bõoas portas. E mais dentro vay outra çerca que tem outro pedaço derribado e tem huu portal sem portas e estaa junto da porta de huua casa torre de menagem forteleza do dito castello. e aalem desta çerca. estaa ha dita casa torre que he grande e forte e de razoada altura. has paredes pella mayor parte são de canto talhado. e ho mais d aluenaria bem madeirada e telhada de telha uãa. e per cima tem huu andar per que se corre ao longo do telhado a que sobem per huua escaada de pedra E tem ha dicta casa huu repartimento de huua meya parede de pedra e barro que ora serue d apousentamento do alcaide pequeno. esta casa se serue per huu portal de pedraria forte e tem suas portas fortes e bõoas: esta casa. muro e cercas são todas ameadas d arredor. honde dentro na dita çerca ao pee da dita casa grande estam dous pardieiros que foram estrebaria e palheiro do cemendador dos quase ho mayor mandarom cobrir e correger. ho comendador da dicta comenda que he alcaide moor do dicto castello. faz dele menagem ao mestre".

Autor e Data

Paula Noé 2016

Actualização

 
 
 
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