Convento de Santo António / Igreja de Serém

IPA.00025090
Portugal, Aveiro, Águeda, Macinhata do Vouga
 
Arquitectura religiosa, maneirista e barroca. Convento franciscano capucho, construído nos séculso 17 e 18, com planta rectangular irregular, composto por igreja de planta longitudinal e convento desenvolvido no lado esquerdo. A igreja é de estrutura chã, com a nave antecedida por galilé, e capela-mor mais estreita, com coberturas diferenciadas em falsas abóbadas de berço, assentes em frisos e cornijas, iluminada por janelas rectilíneas rasgadas nas fachadas laterais e pelos vãos da fachada principal. Esta remata em frontão triangular, marcada pelo vão da galilé, em silharia almofadada, o janelão do coro-alto e óculo circular, todos com molduras de cantaria; na galilé, as portas de verga recta do portal axial, encimado por nicho, portaria e Capela do Senhor dos Passos. Interior com amplo coro-alto, assente em mísulas, mantendo parte do cadeiral com braços volutados e assento fixo, com espaldar pintado, No lado do Evangelho, o púlpito quadrangular assente em bacia de cantaria e guarda torneada, de feitura seiscentista, com acesso por porta de verga recta, surgindo, ainda, confessionários embutidos no muro; no lado oposto, capela profunda com cobertura em abóbada. Arco triunfal de volta perfeita, encimado por Calvário; encontra-se ladeado por retábulos colaterais de talha policroma de feitura recente. Capela-mor com retábulo de talha policroma, do estilo tardo-barroco, de três eixos e profusamente ornado por elementos vegetalistas, "putti" e concheados. O convento desenvolve-se em torno de claustro quadrangular. No lado do Evangelho, o acesso à Via Sacra e sacristia. A cerca é de grandes dimensões, murado a alvenaria, com acesso por porta carral, marcada por duas capelas-fonte. O edifício actual muito deteriorado e despojado dos seus principais elementos decorativos, transportados para igrejas paroquiais situadas nas proximidades, é constituído pela igreja e uma das alas do edifício conventual, completamente arruinado. Possui um campanário sobre a empena lateral esquerda, único edifício da Província da Conceição com este tipo de solução. Manteve as suas linhas simples, influenciadas pela Província capucha de Santo António, onde se destaca, sobre o portal axial, azulejos decorativos compostos por drapeados, anjos e albarradas que enquadravam o nicho com a imagem de Santo António. No interior, distinguem-se o retábulo lateral, composto por elementos reaproveitados de um antigo retábulo ou, talvez a hipótese mais verosímil, do oratório do espaldar do arcaz da sacristia, em excelente talha joanina. O púlpito assenta em mísula circular estriada, nua solução pouco comum. O retábulo-mor é do estilo tardo-barroco, com excelente talha policroma, utilizando um tipo de linguagem tardo-barroca, em que elementos barrocos, rococós e neoclássicos se interligam. As primitivas grades-confessionários em balaústres estão arrecadas na sacristia, bastante deterioradas. Era o único Convento da Província da Conceição a ostentar azulejo figurativo no interior da igreja e mantinha, até ao séc. 20, a tribuna do padroeiro, na capela-mor. No convento, quase todo arruinado, ainda é possível encontrar vestígios da estrutura do antigo dormitório e refeitório.
Número IPA Antigo: PT020101120131
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Convento masculino  Ordem de São Francisco - Franciscanos Capuchos (Real Província da Conceição)

Descrição

Edifício de planta rectangular composta por igreja e pelas dependências conventuais desenvolvidas no lado esquerdo, de que resta uma ala quadrangular, bem como pela antiga cerca, com o perímetro murado. O edifício é construído em grês vermelho e xisto, com os elementos estruturais em calcário. IGREJA de planta longitudinal composta por nave e capela-mor mais estreita, de volumes articulados e coberturas diferenciadas em telhados de duas águas. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por faixa pintada de cinza, circunscritas por cunhais em cantaria almofadada, criando um falso rústico, firmados por pináculos piramidais com bola, rematadas em friso de betão e beirada simples, a principal com cornija. Fachada principal, virada a N., com remate em frontão triangular, rematado por cruz latina no vértice e interrompido inferiormente por um óculo circular, que encima o janelão do coro, com moldura simples, e o arco de perfil abatido e com moldura em silharia almofadada, de acesso à galilé. Esta surge rebocada e pintada de branco, percorrido por lambril pintado de rosa e branco, criando a ilusão de cantaria, com cobertura em abóbada de berço abatido e pavimento em cimento. No interior, portal axial de verga recta e moldura simples pintada de rosa, encimado por nicho *1 em arco de volta perfeita com fundo pintado de azul e envolvido por azulejo figurativo e decorativo, azul sobre fundo branco, formando drapeados a abrir em boca de cena, sustentados por anjos, sendo o conjunto encimado por albarradas. No lado direito, porta da antiga Capela do Senhor dos Passos *2, em arco abatido com moldura recortada, protegido por portadas de madeira pintadas de castanho, e encimado por óculo circular e moldura saliente, fronteira à da antiga portaria de verga recta e moldura simples. Fachada lateral esquerda, virada a E., marcada por dois vãos rectilíneos parcialmente entaipados, formando dois vãos jacentes. Sobre o lado direito, campanário de duas ventanas, encimadas por uma terceira de menores dimensões, todas em arcos de volta perfeita com fecho saliente e sustentadas por impostas; a estrutura é rematada por friso e cornija contracurva. Fachada lateral direita virada a O., marcada por três panos correspondentes à nave, capela-mor, ambas rasgadas por duas amplas janelas rectilíneas em capialço, protegidas por rede pintada de verde, e por um anexo, com porta de verga recta e moldura simples de cantaria. Fachada posterior em empena cega, sendo visível a do arco triunfal com cruz latina no vértice. INTERIOR com a nave de paredes rebocadas e pintadas de branco, percorridas por lambril de cantaria, com pavimento em ladrilho cerâmico vermelho e cobertura em falsa abóbada de berço rebocada e pintada, sustentada por friso e cornija, com vestígios de marmoreados fingidos, e com tirantes metálicos. Coro-alto em arco abatido, assente em mísulas de cantaria, com guarda de madeira vazada, pintada de castanho, tendo no lado do Evangelho uma portada, correspondente ao antigo acesso à desaparecida tribuna do órgão. Do coro, evoluem umas escadas de madeira de acesso à sineira. Neste, surgem treze cadeiras pertencentes ao primitivo cadeiral, em madeira de castanho com assentos fixos e braços volutados, evidenciando vestígios de policromia *3. O portal axial encontra-se protegido por guarda-vento de madeira entalhada e policroma, com marmoreados fingidos pintados de verde e rosa; no tecto do subcoro, uma inscrição latina. No lado do Evangelho, dois vãos rectilíneos, correspondentes aos antigos confessionários e o púlpito, de planta quadrangular, assente em mísula hemisférica estriada, com vestígios de policromia, e guarda torneada de pau-preto, com acesso por porta de verga recta e moldura simples, também policromada. No lado da Epístola, capela lateral dedicada a Nossa Senhora de Fátima, com acesso em arco de volta perfeita assente em pilastras toscanas pintadas com marmoreados fingidos, com o interior revestido a cantaria e madeira pintada, formando apainelados almofadados com motivos fitomórficos, tendo a cobertura ornada por florão dourado. Arco triunfal de volta perfeita, assente em pilastras toscanas, ladeado pelos vãos dos retábulos colaterais encimados por seguintes, tudo com vestígios de policromia fitomórfica, encimado por um Calvário e ladeado pelos retábulos de madeira pintada, dedicados a Santo António (Evangelho) e São Francisco (Epístola). A capela-mor, tem as paredes revestidas a azulejo de padrão monocromo, cobertura e pavimento semelhante aos da nave; sobre supedâneo de calcário polido, com perfil poligonal, surge um retábulo de talha policroma, com marmoreados fingidos, rosa e azuis, de planta côncava, com três eixos definidos por quatro colunas de fuste liso, com o terço inferior marcado por motivos fitomórficos, assentes em altos plintos galbados, que flanqueiam as portas de acesso à tribuna central, de perfil contracurvo e onde se inscreve trono expositivo de cinco degraus, com baldaquino no topo e custódia, o qual possuía trinta tocheiros. Nos eixos laterais, possui mísulas bolbosas com imaginária contemporânea, encimadas por motivo concheado, criando um falso baldaquino. A estrutura remata em fragmentos de frontão e espaldar curvo, rasgado por óculo, ornado por festões. No lado do Evangelho, porta de verga recta e moldura simples, de acesso à sacristia, anexo e escada de acesso ao coro-alto. CONVENTO de planta rectangular, evoluindo em dois pisos, sem coberturas e bastante arruinado, evoluindo em dois pisos, marcado, no primeiro por portas de verga recta entaipadas e, no segundo, por janelas de peitoril, com molduras simples e caixilharias de guilhotina. A CERCA *4 foi transformada em Pousada, onde se mantêm duas capelas-fontes, dedicadas a Santo António e Nossa Senhora da Conceição. A capela-fonte de Santo António, que se mantém no interior da Quinta de Serém, tem fachada principal em empena truncada por sineira de volta perfeita, rematada por cruz latina, estando flanqueada por cunhais salientes, rematados por pináculos piramidais; no interior surge uma fonte, com tanque em forma rochosa, encimado por um nicho em abóbada de concha, sustentado por pilastras toscanas, assente em cornija e rematado por friso flanqueado por consolas, que sustenta cornija e pequeno elemento volutado. A dedicada a Nossa Senhora da Conceição, com a fachada principal rematada em empena com cornija, rasgada por portal em arco de volta perfeita, assente em pilastras toscanas, tudo em aparelho rusticado (Fig. 783), tendo, no interior, as paredes com vestígios de pintura e, na parede testeira, um nicho em abóbada de concha, assente em consola gomada, flanqueado por duas pilastras sustentadas por mísulas, rematando em friso e cornija

Acessos

Lugar de Serém de Baixo

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Peri-urbano, isolado, situado a meia encosta, associado à Quinta de Serém (v. IPA.00000780). Possui o antigo acesso, por ampla escadaria sinuosa, vinda desde as margens do Rio Vouga, até ao alto de Serém, onde se situa uma plataforma em terra batida, constituindo o terreiro do convento. No sopé da encosta erguem-se as construções do antigo tribunal e prisão (v. IPA.00025017) e no início da escadaria, surge um terreno arborizado, junto de uma nascente com aqueduto subterrâneo, que levava água ao convento. Fronteiro à fachada principal, no topo da escadaria que dava acesso ao terreiro, em terra batida e povoado por árvores frondosas, ergue-se um cruzeiro sobre plataforma quadrangular de três degraus escalonados, sobre o qual se ergue um plinto paralelepipédico e uma cruz simples, do tipo latino. No lado direito do conjunto monástico, uma fonte de feitura recente, com espaldar de perfil côncavo e dividido em três panos escalonados, capeado a cantaria e totalmente revestido a azulejo figurativo, azul sobre fundo branco, com a representação de Santo António a pregar aos peixes, encimado pelas armas, em azulejo, dos Condes de Serém. No espaldar, uma bica de cantaria, que verte para taça circular, em cantaria, sobre plinto tronco-cilíndrico, do mesmo material. É ladeada por dois bancos de cantaria, parcialmente embutidos no espaldar.

Descrição Complementar

No lado direito do portal axial, uma lápide com a inscrição: "OFERECEU A ELECTRIFICAÇÃO ALBANO MARINHO COSTA 1963". No tecto do sub-coro, a inscrição pintada a preto: "PAVETE AD SANCTUARIUM MEUM LEVITC CAP XXVI V 2 AN 1813". A capela lateral do lado da Epístola possui, na parede de fundo, uma estrutura em talha pintada e dourada, compondo um nicho florido, encimado por concheados e querubim. No pavimento da nave, junto ao presbitério, uma sepultura com a inscrição: "SEPULTURA DE IZABEL JOÃO E HERDEIROS 1664".

Utilização Inicial

Religiosa: convento masculino

Utilização Actual

Religiosa: igreja

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Aveiro)

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: Frei Francisco de Santa Águeda (1635); Mateus do Couto (1635). ESCULTOR: Jorge dos Reis (séc. 17).

Cronologia

1634, 23 Junho - escritura entre a Província Capucha de Santo António e o procurador de Diogo Soares (secretário de estado na Corte de Madrid e membro do Conselho Real, sendo Senhor de Serém e Préstimo, terras que adquirira por 5 mil cruzados), para a fundação de um Convento na vila de Serém; comprometia-se a deixar os bens necessários para a vivência da comunidade, em troca de sepultura e de uma tribuna na capela-mor para assistência à missa; 16 Setembro - Filipe III concede licença para a fundação do Convento; sucedeu-se a escolha do local, insistindo o procurador do padroeiro, Estêvão de Fóios, nos sítios de Sevins ou Casainho, mas os frades insistiam na zona de Serém; perante a insistência do procurador, instalaram-se numas casas dos Crespo, em Serém, acabando o procurador por ceder; 1635, 16 Abril - lançamento da primeira pedra no Monte de Serém, benzida pelo Provincial, Frei Manuel de Santa Catarina, sendo nomeado guardião Frei Agostinho de São Jerónimo; construção do convento, conforme projecto de Mateus do Couto, sendo as especificidades capuchas delineadas por Frei Francisco de Santa Águeda; 18 Abril - escritura de doação do terreno; 1638, 4 Outubro - primeira missa no templo, ainda com as obras a decorrer; 1639 -terminam as obras da igreja; 1640 - com a restauração da independência, os bens de Diogo Soares foram confiscados, não estando as obras concluídas; 1642, 25 Outubro - D. João IV cede os bens de Diogo Soares para se acabarem as obras do Convento, pagas pela Provedoria da Comarca da Vila de Esgueira; 1647, 18 Julho - D. João IV doa 26 cântaros de azeite; 1649 - Diogo Soares faz testamento, em que pede para ser sepultado no local, com a sua esposa, D. Maria de Eça, e o cunhado, D. Pedro Barbosa de Eça, que fora bispo de Leiria; 29 Julho - morte de Diogo Soares, não sendo as suas disposições testamentárias aceites; o seu herdeiro, D, Miguel Soares de Vasconcelos, filho do seu terceiro casamento com D. Antónia de Melo, pede a restituição dos bens do pai; séc, 17, meados - construção do cruzeiro do terreiro por ordem do guardião Frei António do Rosário; colocação de azulejos de figura avulsa no templo; feitura do retábulo-mor e execução de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição por Frei Jorge dos Reis, 1653 - feitura dos taburnos da nave, por ordem do guardião Frei Gaspar do Salvador; 1655 - Frei João de Santo António ordena a plantação de 300 árvores, compostas por carvalhos e sobreiros, doados pelo prior de Talhadas, Francisco Leonardo de Miranda; 1657, 4 Outubro - D. Afonso VI doa as rendas do Casainho por 5 anos para as obras do claustro e varanda; as obras foram seguidas pelo provedor da Comarca de Esgueira, Belchior de Salazar Carvalho; 1665 - colocação de grades nas oficinas do convento, por ordem do guardião Frei João de Santo António; o mesmo guardião ordena a feitura de várias pinturas e esculturas para colocação no templo, bem como a pintura dos caixotões da sacristia que narravam cenas da vida de Santo António; 1679 - os bens de Diogo Soares são restituídos ao seu herdeiro; 1681, 30 Agosto - perante o incumprimento das doações ao Convento, os bens foram sequestrados pelo provedor da Comarca de Esgueira; 1694, 16 Janeiro - decisão de dividir a Província de Santo António em duas; séc. 18 - execução da sineira sobre a fachada lateral esquerda; feitura dos desaparecidos azulejos figurativos da galilé, provavelmente de fabrico coimbrão; feitura dos azulejos que rodeiam o nicho, provavelmente por oficina lisboeta; 1705 - os bens de Diogo Soares passam à sua neta, Isabel Bernarda Maria de Vasconcelos Soares, passando a ser padroeiro o seu esposo, D. João de Melo Abreu; 24 Abril - nascimento da Real Província da Conceição, por Breve de Clemente XI *5; 1734 - perante o incumprimento das obrigações para com os frades, os bens foram confiscados definitivamente pela Coroa; séc. 18, meados - provável doação do padroado do Convento aos Condes de Serém, cujos descendentes pagaram o estipulado (50$000) até 1834, através do Hospital de Albergaria-a-Velha; 1763 - funcionava no local um Colégio de Filosofia, para 14 estudantes; 27 Setembro - em acta capitular é ordenado que se fizessem 10 braças de muro anualmente, até a cerca se encontrar fechada; séc. 18, final - construção do campanário, sobre a empena lateral; séc. 19 - pintura do armário do coro-alto; 1813 - provável feitura do guarda-vento; 1834 - extinção das Ordens Religiosas, ficando o edifício abandonado; inventário dos bens do Convento *6; a imagem do Senhor dos Passos possuía um manto de seda e um resplendor de metal; venda do edifício em hasta pública a José Henriques Ferreira; é referenciada a existência de uma maquineta sobre a guarda do coro-alto, sendo o Cristo de marfim; na capela lateral existia a imagem de Nossa Senhora das Dores, com túnica e manto de seda e espada de prata e diadema do mesmo material, ladeada por São José e São Joaquim; possuía um sacrário, actualmente na Igreja de Valongo do Vouga; 1893, 2 Setembro - falecimento do proprietário no local; venda da propriedade pelos herdeiros a Augusto Gomes Brandão, de Espinho, que construiu uma casa neomanuelina, com vários materiais do convento, nomeadamente colunas; encomenda de azulejos historiados a Jorge Colaço; 1936 - aluguer do imóvel aos Claretianos, para fundação de um Seminário, pela quantia de 1:300$00, sendo obrigados a reparar o edifício; 1939 - construção de um novo Seminário Claretiano em Alpendurada, ficando o edifício quase vazio e diminuindo a renda para 500$00; 1943 - encerramento do edifício de Serém, que se arruinou; séc. 20, meados - doação da igreja à Paróquia de Macinhata do Vouga *7; remoção das grades-confessionários da igreja e arrecadação das mesmas na antiga sacristia; 1953 - segundo Joaquim José Ferreira Baptista, existiam vestígios da tribuna que D. Diogo Soares mandara colocar na capela-mor (BAPTISTA, 1953, p. 189), desaparecida com a regularização da cabeceira e com a colocação do azulejo novecentista.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutrua em calcário e grês vermelho, grês com quartzitos e xisto, parcialmente rebocada e pintada; modinaturas, colunas, pilastras, cornijas, pias de água benta, pavimentos em cantaria de calcário; bacia do púlpito em calcário de Ançã; pavimento em ladrilho cerâmico; retábulos, coberturas, guardas em madeira; cobertura em telha.

Bibliografia

LEAL, Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho, Portugal Antigo e Moderno, Diccionário, vol. 9, Lisboa, 1880; PINHO, António de, O Convento e a Vila de Serém, in Arquivo do Distrito de Aveiro, n.º 9, Aveiro, s.n., 1935, pp. 199-207; VALE, Alexandre de Lucena e, O Convento de Serém, in Arquivo do Distrito de Aveiro, vol. VII, Aveiro, s.n., 1941, pp. 58-65; NEVES, Francisco Ferreira, Testamento de Diogo Soares, Secretário de Estado em Espanha no ano de 1640 e fundador do Mosteiro de Serém, in Arquivo do Distrito de Aveiro, vol. VI, Aveiro, s.n., 1952, pp. 3-24; BAPTISTA, Joaquim José Ferreira, Subsídios para a história de Macinhata do Vouga - Serém, in Arquivo do Distrito de Aveiro, vol. 75 e 77, Aveiro, s.n., 1953-54, pp. 185-204 e pp. 32-58; GONÇALVES, Nogueira, Inventário Artístico de Portugal. Distrito de Aveiro, VI, Lisboa, 1959; AGUIAR, Joaquim António de (Padre), O Convento de Santo António de Serém (1634-1834), in Communio, n.º 137, Lisboa, Província Claretiana de Portugal, Julho - Agosto 1982, pp. 21-24; AMBRÓSIO, António (Padre), História da Antiga Vila (Cidade) de Serém, in Communio, n.º 137, Lisboa, Província Claretiana de Portugal, Julho - Agosto 1982, pp. 18-20; OLIVEIRA, José Augusto Correia de (Padre), Claretianos em Serém, in Communio, n.º 137, Lisboa, Província Claretiana de Portugal, Julho - Agosto 1987, pp. 25-33; ARAÚJO, António de Sousa (Frei), Antoninhos da Conceição - dicionário de capuchos franciscanos, Braga, Editorial Franciscana, 1996; MELO, Alcides, Serém. A histórica vila e concelho, in Soberania do Povo, n.º 21, 25 Dezembro 1998; FIGUEIREDO, Ana Paula Valente, Os Conventos Franciscanos da Real Província da Conceição - análise histórica, tipológica, artística e iconográfica, [tese de doutoramento], 3 vols., Lisboa, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2008.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

DGLAB/TT: AHMF, Conventos extintos, Convento de Santo António de Serém, cx. 2251

Intervenção Realizada

JFMV: séc. 20, final - restauro das capelas da cerca, com colocação de coberturas, tratamento de rebocos e pinturas.

Observações

*1 - no nicho do portal surgia a imagem de Santo António. *2 - é possível que a primitiva imagem do Senhor dos Passos possa corresponder à que se encontra na Igreja Paroquial de Trofa (v. PT020101180001), embora alguns autores apontem para a sua deslocação para a Igreja de Macinhata do Vouga (v. PT020101120050, BAPTISTA, 1953, p. 190). *3 - o espaldar do cadeiral era pintado. *4 - a cerca era composta por hortas, uma pequena vinha, pomar com macieiras, pereiras e outras árvores de fruto e espinho, havendo uma mata com carvalhos, sobreiros, pinheiros, castanheiros e arbustos silvestres. É possível que a mata tenha nascido pela acção de frei João de Santo António, que plantou, em 1655, mais de 300 árvores, onde constavam carvalhos e sobreiros doados pelo prior da Igreja Paroquial de Talhadas, Francisco Leonardo de Miranda. *5 - fazem parte da Província os seguintes Conventos: Santa Maria de Mosteiró (v. PT011608030013), Santa Maria da Ínsua (v. PT011602120133), São Francisco de Viana (v. PT011609310047), Santo António de Ponte de Lima (v. PT011607350252), Santo António de Viana (v. PT011609310048), Santo António de Caminha (v. PT011602070044) São Bento de Arcos de Valdevez (v. PT011601340059), São Bento e Nossa Senhora da Glória de Monção (v. PT011604170011), Nossa Senhora da Conceição de Melgaço (v. PT011603180044), Santo António do Porto (v. PT011312120035), São Francisco de Lamego (v. PT011805010074), São Francisco de Orgens (v. PT021823190031), São Francisco de Moncorvo (v. PT010409160053), São Francisco de Vila Real (v. PT011714240091), Santo António de Serém, Santo António de Viseu (v. PT021823240358), Santo António de Viana, Santo António de Vila Cova de Alva (v. PT020601180012), Santo António de Pinhel (v. PT020910170012), São José de São Pedro do Sul (v. PT021816140005), Convento do Senhor da Fraga (v. PT021817040031), Colégio de Santo António de Coimbra (v. PT020603020036 e PT020603020163) e o desaparecido Hospício de Lisboa. *6 - a igreja era iluminada por três lâmpadas de metal e vários tocheiros de pau-preto, enquanto no coro-alto existia um candeeiro de latão e um candeeiro das Trevas; os oragos dos retábulos colaterais eram Santo António (Evangelho) e Nossa Senhora da Conceição (Epístola), o primeiro com um resplendor e cruz de prata, tendo o Menino um resplendor do mesmo material, ladeados pelas imagens de São Luís Bispo e São Benedito; no lado oposto, uma Nossa Senhora da Conceição, com coroa de prata, ladeada por Santa Clara e Santa Rosa de Viterbo. No retábulo-mor existiam as imagens de São Domingos e São Francisco, ambas com resplendores de prata; ao altar deste pertencia um vaso de prata dourada, no interior do sacrário do altar-mor, que possuía uma chave de prata, tendo, e ainda, uma custódia de prata lavrada e dourada, encimada por um Santo Cristo, um cálice e uma patena, e quatro cálices lavrados, com as respectivas patenas e colheres; no espaço da capela-mor surgia uma credencia; a sacristia tinha um arcaz com um oratório central, onde surgia um Cristo de marfim, flanqueado pelas imagens de Nossa Senhora e São João, desconhecendo-se a constituição do restante espaldar, se teria elementos pictóricos ou painéis com relicários; neste espaço estavam arrecadado dois turíbulos e duas navetas de metal amarelo, um jarro e bacia de estanho para as missas solenes, uma bacia de metal amarelo e uma píxide de estanho, já sem tampa, duas canecas de estanho, dois vasos de estanho, três pares de galhetas de estanho e um cálice de prata lavrada e dourada; a estas alfaias dever-se-iam acrescentar as oferecidas pelo desembargador José Patrício Dinis, de Águeda, que deu, em prata, um jarro e uma bacia, três salvas, uma delas lavrada, quatro castiçais, dois grandes e lavrados e dois pequenos, dois bules, uma cafeteira, um açucareiro e uma tigela, além de uma escrivaninha, uma caixa de ouro e várias fivelas e esporas de prata, o seu hábito da Ordem de Cristo, um cálice, patena e colher; acrescia à dádiva, vários utensílios de casquinha, como uma urna grande para a água, quatro salvas e um par de fivelas, um Crucificado de marfim com a cruz em pau-preto, com resplendor de prata, um diadema para a Nossa Senhora da Piedade, com pedras preciosas, uma coroa de Nossa Senhora, dois resplendores, um de São José e outro de São Joaquim, bem como um bordão de prata dourada. Para a quadra do Convento de Serém abriam três espaços de culto, um dedicado a Nossa Senhora da Conceição, com a imagem respectiva, que subsiste, actualmente, na Igreja Paroquial de Macinhata do Vouga; surgia, ainda, uma capela de menores dimensões, dedicada a Nossa Senhora das Dores, com a imagem do orago e um Santo Cristo, existindo, ainda, outra capela com a imagem de Nossa Senhora das Dores e uma Senhora da Saúde, com o Menino. No refeitório, um candeeiro de quatro lumes e uma "Última Ceia", surgindo, na cozinha, um candeeiro de metal e uma balança com pesos de pedra. A enfermaria tinha um retábulo de talha, integrando, no nicho, a imagem do Crucificado, flanqueados pelas de São João Evangelista e Santa Maria Madalena (talvez erro do inventário e se tratasse de uma Virgem, constituindo um Calvário), tendo, na base um sacrário, onde se arrecadavam um gomil, dois castiçais, galhetas e um prato, tudo em estanho; a estrutura era ladeada por dois quadros, de temática desconhecida; existiam, destinados aos frades enfermos, quatro cubículosa, dois assentos forrados a coro, dois armário de madeira de pinho, pintados, uma cómoda do mesmo material, com três gavetas, quatro mesas pequenas junto às camas, uma cadeira de braços e uma tumba pintada de preto. A hospedaria era mobilada por um armário de quatro portas, uma mesa pequena e um escabelo. No segundo piso do claustro, existiam um armário pintado, para recolher os ramos da igreja, uma arca comprida para arrecadar os hábitos, um banco e, junto às janelas regrais, seis bancos de encosto. a cerca era composta por hortas, uma pequena vinha, pomar com macieiras, pereiras e outras árvores de fruto e espinho, havendo uma mata com carvalhos, sobreiros, pinheiros, castanheiros e arbustos silvestres. É possível que a mata tenha nascido pela acção de frei João de Santo António, que plantou, em 1655, mais de 300 árvores, onde constavam carvalhos e sobreiros doados pelo prior da Igreja Paroquial de Talhadas, Francisco Leonardo de Miranda. *7 - por esta data, vários elementos patrimoniais do imóvel foram distribuídos por outros, com o envio de alfaias para as igreja paroquiais de Espinhel, Trabiscal e doadas às Confrarias de Nossa Senhora do Rosário e São José da Sé de Aveiro, indo algumas para o Paço Episcopal, Macinhata do Vouga, Valongo do Vouga e Trofa; no campanário de Serém existiam três sinos, um deles pertencente ao relógio, mandado colocar por frei Paulo das Chagas, desviados para as Igrejas Paroquiais de Alquerubim, de Albergaria e de Vale Maior (MELO, 1998). O sacrário e o órgão foram enviados para Valongo do Vouga. Também os retábulos colaterais primitivos se encontram na Igreja de Macinhata do Vouga, estando o mor na Igreja de Trofa. Proveniente de local desconhecido, mas talvez da capela-mor considerando a temática, subsiste, na Igreja Paroquial de Valongo do Vouga, uma pintura a representar a Adoração dos Magos, executada no século XVII, mas seguindo elementos anacrónicos típicos do século XVI, utilizados nas várias escolas do país, reproduzindo uma gravura de Jerome Nadal (1507-1580), publicada no Evangelicae Historiae Imagines, a número sete na edição de 1593 e a IX na de 1595.

Autor e Data

Cecília Matias 2006 / Paula Figueiredo 2009

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