Igreja da Santa Casa da Misericórdia da Covilhã

IPA.00002507
Portugal, Castelo Branco, Covilhã, União das freguesias de Covilhã e Canhoso
 
Igreja de misericórdia de planimetria maneirista, mas é de construção tardo-barroca, datada de 1745 / 1755, da responsabilidade do pedreiro Fernando José e do carpinteiro Agostinho de Almeida, estando bem documentada, nomeadamente a feitura da fachada principal, do portal, uma das Virtudes e brasão. A igreja foi reconstruída na década de 40 do séc. 20, mas seguindo o gosto barroco e a tipologia arquitectónica comum das igrejas de misericórdia. É composta por nave única e capela-mor, mais baixa e estreita, interiormente com tectos de madeira, de perfil curvo, e iluminação lateral e axial, tendo adossada à fachada lateral esquerda torre sineira e corpo rectangular. Fachadas terminadas em friso e cornija, a nave com pilastras toscanas coroadas por fogaréus, a principal terminada em frontão triangular e rasgada por eixo de vãos de modinatura barroca; este é composto por portal, de moldura recortada, suportando frontão interrompido, encimado por imaginária alegórica, janela de varandim, com fragmentos de frontão invertido, brasão real e nicho curvo contendo imagem de Nossa Senhora da Misericórdia, já no tímpano. Ao que parece, a frontaria não foi alterada na reconstrução, tem os vãos dispostos num eixo central, com alguma profusão decorativa tardo-barroca, de influência Nasoniana, e com iconografia usual nas Misericórdias: a representação das Virtudes Teologais, da Virgem da Misericórdia e brasão. Fachadas laterais rasgadas por porta travessa barroca, semelhantes, de verga recta e moldura recortada, encimado por frontão interrompido. No entanto, o da lateral direita deve ter tido alguma reforma no remate na década de 1940, quando se reconstruiu quase toda a fachada e se abriram os vãos; o da fachada oposta, onde existia varanda alpendrada, foi, na mesma altura, enriquecido com a colocação de pilastras laterais, janela de sacada e relevo com representação da Visitação, num esquema revivalista maneirista. A torre sineira deve ter sido construída no séc. 17, pois no ano económico de 1758 / 1759 recebeu obras por ameaçar ruína; no princípio do séc. 20 só tinha corpo de um registo, com pequena sineira lateral, tendo recebido o remate e o registo das sineiras na década de 1940, depois de elaborado mais de um projecto. nelado central alusivo ao orago, possuem os elementos fitomórficos típicos de seiscentos. Do antigo arcaz da sacristia, executado em Lisboa por avultada quantia, nada existe. No interior, possui silhar de azulejos revivalistas maneiristas, de padrão 4x4, coro-alto de madeira sobre colunas toscanas, no lado do Evangelho tribuna dos mesários em cantaria, sobre mísulas e balaustrada de madeira, acedida pela sala do despacho, e, no lado da Epístola, púlpito neobarroco, com bacia de cantaria sobre mísula e balaustrada de madeira; arco triunfal de volta perfeita sobre pilastras almofadadas ladeado por dois retábulos colaterais em talha a branco, de planta recta e corpo côncavo, neobarrocos. A inexistência de fotografias interiores antes da reforma do séc. 20 e o facto de muito do património integrado ser revivalista, dificulta a avaliação de alguns elementos. É o caso dos retábulos, em talha a branco, em revivalismo neobarroco de características nacionais, mas integrando alguns elementos antigos, sobretudo o retábulo-mor, que conserva no pavimento da tribuna painel pintado a folha de ouro. O antigo retábulo foi executado na década de 1690, pelos entalhadores André Dias e Valério Aires, de Tortosendo, e o pintor Manuel Pereira de Brito dourou-o e pintou o tecto da capela-mor. O amplo nicho sob a tribuna do retábulo-mor para albergar as imagens do Calvário, constitui uma solução iconográfica pouco comum nas Misericóridas, mas ele está datado desde o séc. 17. Os retábulos colaterais e o púlpito foram executados, em meados de 1700, pelo entalhador António José do Largo, mas os modernos foram encomendados ao entalhador Manuel de Sousa Abrantes. A capela-mor apresenta as paredes com silhar de cantaria, almofadado e apainelados de talha a branco neobarrocos, no do lado do Evangelho integrando telas pintadas e no oposto os vãos. Também estes painéis e as telas laterais da capela-mor são difíceis de datar, já que, segundo Vítor Serrão, os mesmos foram pintados por Manuel Pereira de Brito, em 1718, mas a documentação da Misericórdia revela a compra de linho para os mesmos painéis e pintura do tecto da capela-mor em 1734 / 1735 e avultados pagamentos ao pintor José Botelho para os pintar. A tribuna dos mesários data da reforma do séc. 20, no entanto a igreja sempre teve tribuna, a do séc. 18 executada pelo entalhador João Alves e com cadeiral dourado. Os tectos da igreja foram executados aquando da reconstrução, mas procuram reproduzir o gosto setecentista; os da nave apesar de terem estrutura revivalista tardo-barroca, com apainelado central alusivo ao orago, possuem os elementos fitomórficos típicos de seiscentos. Do antigo arcaz da sacristia, executado em Lisboa por avultada quantia, nada existe. O Compromisso da Misericórdia da Covilhã datado de 1680 atribui a fundação da Confraria a 27 Junho de 1577, no entanto a sua existência está documentalmente comprovada já na primeira metade do séc. 16, desde 1512, desconhecendo-se contudo a data exacta da sua instituição. É possível ter substituído a Confraria medieval de Nossa Senhora da Alâmpada, com hospital e capela própria, existente em 1213, e de cujos rendimentos passou a usufruir após a sua extinção.
Número IPA Antigo: PT020503200013
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja de Confraria / Irmandade  Misericórdia

Descrição

Planta composta por nave única e capela-mor rectangular, mais baixa e estreita, tendo adossado à fachada lateral esquerda torre sineira quadrada e corpo rectangular da sacristia e sala do despacho. Volumes escalonados na igreja e articulados com o corpo adossado, tendo coberturas diferenciadas, em telhados de duas águas na igreja e de quatro no anexo. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por embasamento, os cunhais da nave com pilastras toscanas, coroadas por fogaréus de corpo decorado com volutas e elementos fitomórficos, sobre plintos, e os restantes de cantaria, e terminadas em friso e cornija moldurada. Fachada principal virada a NO., terminada em frontão triangular, coroado pela imagem pétrea da Fé, sobre plinto paralelepipédico. É rasgado por portal em arco sensivelmente deprimido, com moldura exteriormente recortada e almofadada, sobreposta por discos, envolvida por orelhas, elementos volutados e brincos, enquadrado por duplas pilastras, de capitel volutado, suportando frontão interrompido encimado pelas imagens da Esperança (esquerda) e da Caridade (direita); sobre o portal abre-se janela de varandim, rectilínea, com dupla moldura, envolvida por aletas e volutas, sobreposto por friso fitomórfico, cornija recta e fragmentos de frontão invertido, no meio do qual tem brasão real, envolvido por moldura rectilínea; a janela tem guarda em ferro. No tímpano, sobre o brasão, abre-se nicho em arco de volta perfeita sobre duplas pilastras, decoradas com festões e laçarias, com cartela no fecho, interiormente com raios e albergando a imagem de Nossa Senhora da Misericórdia, sobre mísula fitomórfica. Torre sineira de dois registos, o primeiro cego e ao nível da cornija inferior do frontão; o segundo, terminado em duplo friso e cornija, tem pilastras de capitéis coríntios nos cunhais, coroados por fogaréus, é rasgado, em cada uma das faces, por vão em arco de volta perfeita, de moldura côncava, chave relevada, e albergando sino; remate em dois registos de cantaria, separados por frisos e cornijas, o inferior prismático, com os ângulos curvos e possuindo almofadas com relógio circular, e o superior em coruchéu bolboso, de faces almofadadas, tendo frontalmente olho de boi circular, terminada em cornija e pináculo com cata-vento de ferro. Na fachada lateral esquerda existe porta de verga recta sobrelevada de acesso à torre, precedida por escada de cantaria, com corrimão volutado no arranque e formando balcão de cantaria sobre três mísulas no patamar; inferiormente, sob este, abre-se porta de verga recta e óculo quadrilobado. Porta travessa de verga recta e moldura recortada, decorada por vários frisos formando elementos geométricos e com brincos laterais, encimado por frontão de volutas interrompido por elemento de cantaria com concha e pinha. Enquadram o portal duas pilastras colossais almofadadas, de capitel de inspiração coríntia coroados por cornijas sobrepostas por urnas; sobre o portal e entre as pilastras desenvolve-se janela de sacada mainelada, de ângulos cortados, moldura recortada delimitada por friso convexo, encimada por espaldar, definido por elementos volutados e integrando painel em mármore, com relevo representando a Visitação; o espaldar é rematado por frontão triangular sobre métopas com pingentes; a sacada da janela, sobre duas consolas, tem guarda de ferro. Ladeia o portal duas pequenas almofadas sobrepostas, a inferior com florão e a data 1601 inscrita e a superior com albarrada. Corpo anexo de dois pisos, com a fachada virada a NO. rasgada, no piso térreo, por porta de verga recta e janela rectangular, disposta na vertical e, no segundo piso, por duas outras janelas iguais, todas com molduras em garganta direita e as janelas com caixilharia de guilhotina. Fachada lateral direita com nave rasgada por porta travessa semelhante à oposta e por três janelas rectilíneas, com moldura em garganta direita; na capela-mor abrem-se duas janelas rectangulares jacentes. Fachada posterior cega, com capela-mor terminada em empena e corpo anexo em empena recta. INTERIOR com paredes rebocadas e pintadas de branco, a nave percorrida por embasamento de cantaria e silhar de azulejos de padrão policromo P-474, de esquema 4 x 4, com pavimento em soalho de madeira e tecto de madeira, de perfil curvo, pintado com painéis e frisos de acantos enrolados; ao centro possui ampla cartela oval com a representação de Nossa Senhora da Misericórdia e inferiormente com a filactera inscrita por CONFRARIA DA MISERICÓRDIA DA COVILHÃ; o tecto assenta sobre friso e cornija de cantaria e possui tirantes de ferro. Coro-alto de madeira assente em duas colunas toscanas, com guarda em balaústres torneados, acedido por porta de verga recta, aberta no lado do Evangelho, a partir da torre sineira. Na parede fundeira, no alinhamento da cornija do tecto e adaptada ao perfil da cobertura, surge pintura mural com a representação da "Deposição de Cristo no túmulo" em que este surge rodeado pelas figuras de José de Arimateia, Nicodemos, São João um outro homem e várias Santas mulheres, enquadrado por friso de acantos. No sub-coro, do lado do Evangelho abre-se baptistério, com vão rectilíneo, moldurado, ladeado por pia de água benta gomeada. Neste mesmo lado, desenvolve-se superiormente ampla tribuna em cantaria, com sacada corrida assente em mísulas equidistantes, inferiormente rematados com pingentes e florões, possuindo guarda em balaustrada de madeira; a parede apresenta-se vazada por quatro arcos de volta perfeita, moldurados, assentes em pilares de capitéis prismáticos, tendo no seu enfiamento frisos verticais que se prolongam e se sobrepõem à cornija do tecto; no intervalo dos vãos laterais existem bancos de pedra para os mesários e os centrais acedem à janela de sacada da fachada lateral esquerda. A tribuna tem acesso pela sala do despacho, por porta de verga recta moldurada. A porta travessa é protegida por guarda-vento de madeira envidraçada. No lado da Epístola dispõe-se o púlpito, com bacia rectangular de cantaria, formando garganta direita, decorada com folhas de acantos relevadas, assente em mísula volutada e decorada, e tendo guarda em balaustrada de madeira, acedido por escada também de madeira com balaustrada sobre friso de acantos relevados. O púlpito é enquadrado por falsa porta, de verga recta com a moldura exteriormente recortada e com brincos, encimada por frontão de volutas tendo no tímpano a representação do Espírito Santo, entre uma glória. Arco triunfal de volta perfeita sobre pilastras toscanas, ambos almofadados e de intradorso formando almofadas rectangulares. Sobre o arco existe pintura mural, representando dois anjos segurando escudo da Misericórdia da Covilhã, envolvido por largo paquife de acantos, coroa fechada e querubim, e dois anjos segurando símbolos da Paixão, delimitada por cornija canopial invertida e acantos enrolados, igualmente pintados. Retábulos colaterais de talha em branco, de planta recta e corpo côncavo, de um eixo, o do lado do Evangelho dedicado ao Santíssimo Sacramento e o da Epístola ao Espírito Santo. Capela-mor com alto silhar de cantaria formando almofadas rectangulares, dispostas na vertical, encimado por apainelados em talha a branco, delimitados por pilastras, com acantos e conchas, e por frisos, também de acantos, concheados e aves; no lado do Evangelho, integram duas telas octogonais pintadas, uma delas figurando a Visitação, enquadrados por quatro florões, e, no lado da Epístola, duas molduras octogonais cortadas no terço superior encimadas pelas janelas jacentes, também molduradas; sobre o entablamento, com frisos de acantos e cornija, assenta a cobertura, em madeira e de perfil curvo, pintada com oito caixotões contendo florões. No lado do Evangelho abre-se porta de verga recta de acesso à sacristia e, do lado oposto, uma outra, actualmente sem função. Sobre supedâneo de cantaria, acedido por dois degraus centrais, dispõe-se o retábulo-mor em talha a branco, de planta recta e corpo côncavo, de um eixo, definido por quatro colunas torsas, decoradas por pâmpanos e aves, sobre mísulas e de capitéis coríntios, alternadas com quatro pilastras, ornadas de acantos e aves sobre plintos paralelepipédicos, prolongados em igual número de arquivoltas, formando o ático, adaptado ao perfil da cobertura e unidas no sentido do raio; ao centro, abre-se tribuna em arco de volta perfeita, com a boca ornada de folhas de vide, interiormente com apainelados de acantos relevados, cobertura em falsa abóbada de berço, formando caixotões com florões e albergando trono expositivo de três degraus rectangulares, frontalmente decorados com acantos, concheados e cartelas relevados, encimado por imaginária. Sotobanco em cantaria, com almofadas iguais às das ilhargas da capela, possuindo sob o trono amplo nicho rectilíneo com porta envidraçada, para albergar imaginária e com acesso à tribuna. Altar paralelepipédico com frontal decorado por cartela recortada inscrita com IHS, de onde partem acantos enrolados. Sobre este dispõe-se o sacrário tipo templete, terminado em cornija frontalmente com frontão contracurvado com concha central e tendo cálice e símbolos eucarísticos na porta. Sacristia com pavimento cerâmico, arcaz recente disposto no lado esquerdo e escada de acesso à sala do despacho, a qual tem pavimento em soalho de madeira e tecto plano de estuque.

Acessos

Praça do Município, Rua do Visconde da Coriscada

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 67/97, DR n.º 301 de 31 dezembro 1997

Enquadramento

Urbano, isolado, no exterior da antiga urbe protegida pelas muralhas, mas no enfiamento da porta da vila (v. PT020503170010), inserido numa plataforma artificial, a 655 m de altitude e adaptada ao declive do terreno, circundada por uma das vias de acesso ao centro histórico e sob o qual foi construído, a partir de 2000, um parque automóvel subterrâneo, com um dos acessos junto à fachada posterior. A praça é pavimentada a paralelos de granito, formando faixas, possuindo actualmente corpo recente com café e esplanada, escadas e caixa de elevador, envidraçada, de acesso ao parque. A fachada lateral esquerda é vedada por muro, criando adro, pavimentado com lajes, e possuindo a escada da torre e porta travessa e a da sacristia precedida por degraus; junto à fachada posterior da sacristia existe pequeno jardim com buxos, vedado por muro. Em frente da igreja, do outro lado da praça, erguem-se os edifícios da Câmara Municipal (v. PT020503200033), o Teatro Cine (v. PT020503170072) e o edifício dos Correios (v. PT020503200079). Paralela à fachada lateral direita, ergue-se edifício de escritórios dissonante, de 6 pisos.

Descrição Complementar

Retábulos colaterais de estrutura semelhante, de planta recta e corpo côncavo, de um eixo, definido por duas colunas torsas, decoradas com pâmpanos e aves, de capitéis coríntios, e por duas pilastras com acantos, que se prolongam em igual número de arquivoltas com a mesma modinatura, formando o ático, a exterior unida no sentido do raio; ao centro possui nicho, em arco de volta perfeita, ornando de acantos, rasgado na alvenaria, pintado de vermelho, e albergando imaginária. Altar paralelepipédico com frontal igualmente em talha a branco, com frontal decorado acantos enrolados e tendo na cartela central o monograma IHS. O tecto da nave possui no medalhão central a representação de Nossa Senhora da Misericórdia sobre uma glória, de mãos postas, cabeça envolta em resplendor raiado e auréola, manto azul seguro por dois anjos, protegendo, à sua direita a figura do papa, um cardeal, um bispo e vários outros membros do clérigo e, à sua esquerda o rei, a rainha, outra figura masculina coroada e outros membros da corte, existindo junto a cada um destes grupos várias crianças. Este medalhão é enquadrado por quatro cartelas com a representação da insígnia de D. Leonor, a rede de arrasto (vulgarmente designado por camaroeiro) e quatro painéis de acantos centrados pelas armas nacionais e esfera armilar.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja de confraria / irmandade

Utilização Actual

Religiosa: igreja de confraria / irmandade

Propriedade

Privada: Misericórdia

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Bernardino Coelho (1938). CARPINTEIRO: Gomes Leitão (1720 / 1721), João Fernandes (1720 / 1721), Filipe Francisco (1720 / 1725), Francisco Martins (1724 / 1725), Gregório Martins (1724 / 1725), Agostinho de Almeida (1753 / 1760), Manuel Moreira (1754 / 1755), Manuel Nunes Garrido (1940, década). ELECTRICISTA: João dos Santos Luís (1946). ENGENHEIRO: Carvalho Mourão (1938). ENTALHADORES: André Dias (1690), Valério Aires (1690), Francisco Coelho (1710 / 1711), João Alves (1720 / 1721), António José Largo (1759 / 1760), Marcos de Matos (1661 / 1662), Casa França & Filhos (1940, década), Manuel de Sousa Abrantes (1940, década), Rafael Pereira Valente (1943). ESCULTOR: André Domingos (1695 / 1696), Francisco de Gouveia (1724 / 1725), João de Aguiar Baptista (1724 / 1725). FERREIRO: Manuel dos Anjos (1724 / 1725), Martinho (1758 / 1759), Manuel Lopes Casado (1758 / 1760). LADRILHADOR: João Rodrigo Rondão (1720 / 1721). MESTRE: Simão Machado (1661 / 1662), Manuel Pinho (1685 / 1686). PEDREIRO: João Domingos (1660 / 1661), Domingos Alves (1724 / 1725), Luís (1724 / 1725), Manuel Correia da Costa (1724 / 1725), Manuel Nunes (1724 / 1725), Manuel Rodrigues (1729 / 1730), Fernando José (1747 / 1760), Manuel António (1859), Manuel Abrantes (1943). PINTORES: Manuel Pereira de Brito (1698 - 1718), Manuel Pereira (1707 / 1708), Custódio Delgado Saraiva (1724 / 1725), Francisco Alvares (1729 / 1731), José Botelho (1734 / 1735), Bernardo Alves (1759 / 1760), J. Soares (1942), António Lopes (1940, década); António Moleiro (1946). PINTOR-DOURADOR: Marcos de Matos (1660 / 1661). SERRALHEIRO: Francisco da Costa Pardal Júnior (1943), José Ramos dos Santos (1946). SINEIRO: Henrique da Silva Jerónimo (1947). TORNEIRO: Manuel Moreira (1724 / 1725).

Cronologia

1512, 16 Julho - confirmação do privilégio dos mamposteiros que pediam para a Misericórdia da Covilhã no termo da vila e dentro de 6 léguas fora do termo, comprovando a existência da Irmandade; 1539, 12 Março - alvará concedendo 6 arrobas de açucar de esmola anual; 1577, 27 Julho - segundo o Compromisso datado de 1680, esta seria a data da instituição da Santa Casa da Misericórdia da Covilhã, que adoptara o Compromisso da de Lisboa *1; 1601 - data inscrita em lápide da fachada lateral esquerda; séc. 17, 2ª metade - construção da igreja e dependências; 1651 / 1652 - pagamento de 147$000 pelo custo da tribuna; 1660 / 1661 - obras nas casas do estudo (11$780) pelo pedreiro João Domingos, a quem se deu 1 cruzado; 1661 / 1662 - pagamento de 7$000 a Marcos de Matos (6$000 pela encarnação da imagem do Senhor do Calvário e 1$000 de cingir a cruz da mesma e por outros consertos); Simão Machado conserta a tumba ($220) e despende-se $960 com a colocação de parafusos na imagem do Senhor do Andor e cortinas do altar e do altar-mor, 6$000 em madeiras, ripas, telhas e outros para a casa do estudo e de 11,5 dias dos carpinteiros ali trabalharem; 1665 / 1666 - pagamento de 2$500 aos pedreiros que fizeram as colunas do altar principal e a casa; 1673 / 1674 - pintor pinta as grades do altar, reforma o andor e prepara a pintura dos anjos (1$600); 1677 / 1678 - obra do esquife (8$800 em pau santo, 19$300 do feitio e ferragem, 22$870 do colchão, cetim, ouro e almofadinha do Cristo) e pintor finge e doura as credências (2$290); 1678 / 1679 - despesa com 9 bancos para a igreja (2$700), "bandeirinha" da Misericórdia (3$620) e grades da capela-mor (16$000); 1683 / 1684 - despesa de 21$900 com os carpinteiros na obra da igreja, 21$000 em madeira e seu carreto, pregos e barro e 1$800 em chapas que se puseram nas "linhas"; 1685 / 1686 - despesa com Manuel Pinho de reformar o sepulcro (12$000) e com a pintura do tecto da capela (4$400); 1690, década - feitura do retábulo-mor pelos entalhadores André Dias e Valério Aires, de Tortosendo; 1693 / 1694 - despesa de 20$680 por grades, ferragem e chumbo, 24$050 com o pedreiro que fez o entablamento da igreja e 9$080 com os carpinteiros que consertaram o tecto da igreja e sub-coro e materiais; 1694 / 1695 - despesa de 2$100 da jornada que o imaginário fez a Castelo Branco para ver um retábulo; 1695 / 1696 - despesa de 1$730 com cal, 8$750 com o escultor André Domingos (?) e $400 com o escultor do feitio do arcaz; 1697 / 1698 - último pagamento ao escultor (12$775) e conserto do retábulo do Senhor do Calvário ($480); 1698 - pintura e douramento do retábulo do Senhor do Calvário na igreja da Misericórdia pelo pintor Manuel Pereira de Brito, da vila; 1699 - a Mesa encomenda ao mesmo a pintura do tecto da capela-mor e o douramento do retábulo-mor e da tribuna (350$000) *2; 1701 / 1702 - pagamento de 1$500 aos mestre e 18$440 aos oficiais que fazem o arco da capela-mor; compra de 8 carros de pedra ($550); feitura de cadeiras para o cartório da casa do despacho; referência ao mestre da gramática das casas em que se ensina; 1702 / 1703 - pagamento de 1$560 aos mestres e 8$440 aos oficiais que fazem o arco da capela-mor, 31$900 de dourar o retábulo de São Miguel, estofar o Anjo e iluminar o retábulo e1$000 para o frontal do altar; 1707 / 1708 - pintor Manuel Pereira oleia a Cruz, escadas e varas (2$640); 1710 - pintura do painel da tribuna do retábulo-mor pelo pintor Manuel Pereira de Brito (20$245); 1710 / 1711 - despesa de 1$910 com 7 pedreiros de consertarem os algerozes da capela-mor, com barro e areia; conserto da sacristia, do altar-mor, grade do mesmo, frontais e pagamento aos carpinteiros (2$750); pagamento de 10$120 ao entalhador Francisco Coelho de fazer 2 credências para a capela-mor e 1 banqueta para o altar, de $420 com as grades do frontal do altar, de 5$000 aos douradores que douraram o arco, de 19$202 ao pintor que fez um quadro para a tribuna, de 12$320 a Manuel Pereira do douramento da banqueta, 4$050 da reforma de 10 tochas, 4$800 de dourar os caixilhos colaterais que deu de esmola o provedor; conserto da bandeira ($600); despesa de $360 por um telhador que telhou a casa do despacho e $600 da compra de 7 caibros para o conserto do altar-mor e para o gradeado da tribuna e espaldar do arcaz; 1717 / 1718 - pintura do frontal e molduras (5$920), pagamento de 20$100 aos pedreiros da obra da casa do despacho e varandas; 1718 - pintura dos painéis laterais da capela-mor pelo pintor Manuel Pereira de Brito; 1720 / 1721 - pagamento ao entalhador João Alves do feitio dos assentos da tribuna (24$000), pelos pés da tribuna ($960) e com pregos ($070); pagamento de 3$400 a João Rodrigo Rondão de lajear a igreja e hospital, 46$562 ao carpinteiro Filipe Francisco, sendo 3$100 da madeira e feitio da escada da tribuna e da fresta e entablamento desta e 20$150 à conta da obra da enfermaria, 44$640 de jornais dos pedreiros e 64$060 de jornais de carpinteiros nas obras da casa, e 12$160 com os serventes; despesa de 52$500 em madeira, 15$480 em pregos, 9$600 em cal preta e $600 em cal banca, 1$800 de 12 caibros que se compraram a Filipe Francisco, 1$920 de 1 trave que comprou Manuel Pereira, 31$920 de carretos de pedra, madeira, barro, saibro, 1$200 de 8 carros de barro que trouxe António Peixoto; pagamento de 480$030 a João Fernandes das obras da casa do hospitaleiro, hospedaria, entrada do pátio, enfermaria, tribuna, casa dos despejos, cortina para o altar do Senhor e porta do cartório; despesa de 1$560 do pano de linho para os 2 frontais dos altares colaterais, 16$800 à conta de fazer os frontais e dourar os assentos, 4$000 com os armários e porta na casa nova da hospedaria, 1$190 de pregos para os frontais e a Gomes Leitão dos armários da casa do hospitaleiro e 4$520 de pano, fita azul e feitio das cortinas do oratório e casa do despacho; 1724 / 1725 - despesa de 37$920 com os pedreiros e carpinteiros, 4$000 com o escultor João de Aguiar Baptista, $400 com o torneiro Manuel Moreira na semana Santa, $480 ao pedreiro Luís por conta dos dias que ali trabalhou, 2$970 a Filipe Francisco, 4$440 ao pedreiro Manuel Correia da Costa para se acabar de pagar do total de 23$000, $200 com o pedreiro Manuel Nunes, $480 com o ferreiro Manuel dos Anjos; 4$200 em cal preta e branca, $720 com carreto da madeira que veio de Alcongosta e $200 com carreto de pedra; obra na sacristia: pagamento de 9$600 a Filipe Francisco do soalho e 3$600 do feitio da sacristia, 2$400 ao escultor João de Aguiar, 6$380 aos pedreiros e de vários trabalhos, $800 aos telhadores, 7$200 ao carpinteiro Gregório Martins, 1$000 ao carpinteiro Francisco Martins, 7$000 ao irmão deste e 1$200 ao moço de Gregório; despesa de 2$400 com os "quadrados" da sacristia e $960 com o feitio da janela; pagamento de 91$920 do custo dos caixões em Lisboa, 9$600 a Gregório Martins por conta da obra dos caixões, 19$600 de madeira de pereira, nogueira e castanho, 22$000 em madeira e pregos, 61$300 com a ferragem dos mesmos e 62$880 com o seu transporte até à Covilhã; obra da capela do Senhor dos Passos: despesa de 50$760 da obra, 2$400 com os pedreiros, 12$760 ao escultor Francisco de Gouveia, 3$600 ao escultor João de Aguiar, 1$900 com as tintas que vieram da Guarda, 1$440 ao pintor Custódio Delgado Saraiva de pintar a cruz do Senhor dos Passos e encerar a capela, $600 com o pedreiro Domingos Alves de caiar a capela e igreja, 2$200 de madeira, barro e areia; 1727 / 1728 - feitura do resplendor do Senhor da Casa do Despacho (4$450); 1729, 18 Fevereiro - D. João de Mendonça, bispo da Guarda, oferece à Misericórdia uma relíquia que o papa Clemente XI lhe dera aquando da sua visita a Roma *3, tendo sido colocado no retábulo colateral do Evangelho, dedicado a São Miguel, e a partir de então chamado do Santíssimo Sacramento; 1729 / 1730 - despesa de 18$500 do Calvário do altar do átrio (?), 59$700 do entalhador do Calvário e capela do Santo Cristo e madeira para a obra, 67$200 do pintor Alves dourar essa capela e o Calvário, 4$800 da talha para os pedestais da tribuna, 67$200 do pavilhão do sacrário, enfermaria e sudário, 8$480 da porta da escada para a tribuna, 6$000 dos diademas de Nossa Senhora e de São João e 64$960 de cortinas da tribuna e enfermarias; pagamento de 38$010 de encarnar algo; ali trabalhava o pedreiro Manuel Rodrigues; 1730 / 1731 - pagamento de 6$000 ao pintor Francisco Alvares que lhe ficaram devendo no ano de 1729 por se reformar o sudário; 1734 - extinção da Irmandade do Espírito Santo; 1734 / 1735 - pagamento de 79$267 ao pintor José Botelho à conta da obra da capela-mor, $480 a 2 carpinteiros que trabalharam na casa, 1$860 de madeira para os andaimes, 2$880 de 16 varas de pano de linho para os quadros da capela-mor, $900 de 6 varas de pano de linha para o quadro do tecto da capela, 1$600 com o carpinteiro que fez as grades dos quadros; 1747 / 1748 - pagamento de 500$000 ao pedreiro Fernando José da obra da igreja; 1748 / 1749 - 2º pagamento ao pedreiro Fernando José da obra da igreja (400$000); 1752 / 1753 - despesa de 367$295 nas obras da igreja, o que inclui o 218$770 pagos ao mestre Fernando José e a compra de 251 carros de pedra, fina ou grossa, de Peraboa *4; 1753 / 1754 - despesa de 102$540 nas obras da igreja, dos quais 28$800 foram pagos ao pedreiro Fernando José e outros 28$800 ao carpinteiro Agostinho de Almeida, pela compra de madeira e pelo forro da igreja; 1754 / 1755 - dispêndio de 566$055 nas obras, incluindo 98$800 pagos ao pedreiro Fernando José e 78$350 ao carpinteiro Agostinho de Almeida, para pagamento dos seus oficiais e pela obra do forro da igreja; caiação e colocação de telha na igreja; pagamento das pedras para as "armas" (1$440) e para a figura da Caridade (1$900) da fachada principal; pagamento de 18$020 ao carpinteiro Manuel Moreira de jornais, de $960 para limpar as grades da tribuna, de 2$220 de varais para a mesma e de $800 para consertar o quadro da Visitação; a madeira veio essencialmente da Beira; 1755 / 1756 - gasto de 88$355 nas obras da igreja; inclui o pagamento de 9$000 ao carpinteiro Agostinho de Almeida da obra que se ficara a dever no ano anterior e 25$000 ao carpinteiro que fez o coro; referência à empena da sacristia, compra de escápulas para o quadro da Visitação e madeira trazida por Sebastião Duarte; 1756 / 1757 - obras da igreja (10$460) e reboco da sacristia; 1758, 2 Julho - colocação do Santíssimo Sacramento na igreja pela 1ª vez; 1758 / 1759 - obras da igreja (149$900); trabalha-se na feitura do óculo e grade do púlpito, janelas, suas ferragens, algumas feitas pelo ferreiro Martinho e outras, como a grade da janela do coro, pelo ferreiro Manuel Lopes Casado; vinda de chumbo, estanho e resina de Coimbra e de madeira de Manteigas para as portas da igreja; pagamento da 2ª prestação dos dois retábulos colaterais (72$000), ao carpinteiro Agostinho de Almeida pela cobertura da torre, por conta do pedreiro Fernando José, devido à mesma ameaçar ruína; 1759 / 1760 - obras da igreja (232$590); feitura das portas da igreja (14$000), 2 guarda-ventos (2$400), caixilhos e forro da sacristia e arcaz (4$990), por Agostinho de Almeida; as ferragens das portas foram feitas pelo ferreiro Manuel Lopes Casado (32$200); ajuste dos retábulos colaterais com o mestre António José Largo, de Castelo Branco (200$000); acréscimos nos mesmos retábulos (4$000); visto que o mestre já havia recebido anteriormente 144$000, recebeu neste ano os restantes 60$000; as pedras dos retábulos foram feitas pelo pedreiro Fernando José; ajuste da obra do púlpito com o mestre António José Largo (21$200), recebendo na altura 9$600; pintura da porta axial e janela do coro pelo pintor Bernardo Alves (7$600); 1760 / 1761 - despesa de 5$340 nas obras da igreja, incluindo 3$200 dos frontais de madeira dos retábulos colaterais; séc. 19, 1ª década - aquando das invasões francesas, o povo levou a imagem do Senhor dos Passos para o lugar chamado dos Caldeirões, na aldeia das Cortes, trazendo-a depois na retirada; 1818 - Mesa solicita a D. João VI protecção especial para sustento do hospital da vila; 1862, Setembro - Cândido Albino da Silva Pereira e Cunha, provedor e futuro conde Pereira da Cunha, encontra a imagem de da Misericórdia abandonada sob um vão do edifício do hospital, e mandou-a consertar no Porto; 1864, 5 Fevereiro - reposição dessa imagem no retábulo-mor; inauguração de 21 lápides comemorativas alusivas aos benfeitores da Casa, mandadas colocar nas paredes da igreja pelo provedor; 1874 - segundo Pinho Leal, a igreja da Misericórdia era um bom templo e o hospital estava muito bem montado e administrado; 1877, 31 Março - contrato de seguro do hospital e igreja com a companhia de seguros Fidelidade, no valor de 15 contos, contra o risco de fogo, de raio e de explosão de gás; 1887 - o hospital passou a ser administrado pelas irmãs da Caridade; 1891 / 1892 - a Misericórdia tinha 56.210$140 de capital mutuado; 1897 - a Misericórdia tinha 3:539$000 de receita e 9:400$000 de capital nominal e 40:000$000 de capital mutuado; 1898 - breve descrição da igreja e respectivas dependências *5; séc. 19, última década - negociada a demolição da igreja com o Município, por 200.000$000, o que não se chegou a concretizar devido a vários protestos e ao facto da Câmara não possuir a verba; 1911, 23 Agosto - redução do seguro para 6 contos, valor da igreja com a sacristia e antiga sala do despacho, por o resto do edifício ter sido vendido ao Club União; data de uma planta elementar da Misericórdia; 1938, cerca - memória descritiva do projecto de restauro da igreja assinado pelo arquitecto Bernardino Coelho e pelo engenheiro Carvalho Mourão, orçamentado em 410.000$00 *6; 1939; 10 Novembro - encerramento da igreja para início das obras *7; 1942 - pintura de tela da Visitação, existente na sala do despacho, por J. Soares; 1943, Julho - estava quase pronto o pavimento, o coro e o púlpito de pedra; as paredes interiores e exteriores ainda não estavam rebocadas; a Misericórdia oferece ao Monsenhor Pereira Seco a igreja para substituição da Paroquial de Santa Maria (v. PT020503170037), enquanto essa não estivesse aberta ao público; tal obrigou a ultimarem-se os preparativos para a celebração das missas dominicais e dias santos; regresso das imagens da Virgem e de São João ao nicho envidraçado do sotobanco do retábulo-mor, guardadas por 5 anos na Capela de Santa Cruz; pintura das coberturas e paredes testeiras e fundeiras da nave pelo professor de desenho do ensino secundário António Lopes (65.000$00, pagos em 5 prestações), e, diz-se ainda, pelo sapateiro Paulino; aquisição das imagens de São João Evangelista e Nossa Senhora das Dores, a Rafael Pereira Valente, de Vila Nova de Gaia (7.000$00); execução dos retábulos colaterais pelo entalhador Manuel de Sousa Abrantes (4.860$00); execução das grades para a varanda, por Francisco da Costa Pardal Júnior, e do pavimento do adro, por Manuel Abrantes (230$00); aquisição do pálio, em Braga, a Eduardo da Conceição Amorim; venda das grades e pórtico da antiga igreja ao representante de tecelagem "Fonte Santa" (5.000$00); 1946 - iluminação do retábulo-mor por João dos Santos Luís (5.450$00), parcialmente custeada pelo mesmo; este colocou ainda os lustres da nave (5.000$00), oferecendo a mão-de-obra; pintura do guarda-vento e do púlpito, tecto do coro e portas interiores, por António Moleiro (4.500$00); execução dos bancos da igreja, por Manuel Nunes Garrido (650$00); feitura do portão de ferro para a entrada da torre, pelo serralheiro José Ramos dos Santos (650$00); 1947 - compra dos sinos a Henrique da Silva Jerónimo, de Ermesinde (29.000$00); 23 Março - reabertura da igreja ao culto, após a conclusão das obras; 1956, Dezembro - conversações entre o Presidente da Comissão Administrativa José da Fonseca Morais Alçada e o Presidente da Câmara para a demolição da igreja *8; 1980, Dezembro - despacho determinando a classificação da igreja como Imóvel de Interesse Público; posteriormente procedeu-se à demolição do corpo rectangular estreito adossado à fachada lateral direita da capela-mor.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada; pilastras, frisos e cornijas, molduras dos vãos em cantaria de granito; vidros simples; guardas e grades de ferro; portas e caixilharia de madeira; pias de água benta, colunas, arcos e bacias do púlpito e tribuna em cantaria de granito; pavimento da nave e sala do despacho em madeira, supedâneo em cantaria de granito e cerâmico na sacristia; tectos de madeira, os da igreja pintados e em estuque na sala do despacho; retábulos em talha a branco; coro-alto em madeira envernizada; balaustrada da tribuna e púlpito em madeira; cobertura de telha.

Bibliografia

BARBOSA, Inácio de Vilhena, As cidades e Vilas da Monarchia Portugueza, Lisboa, 1860; COSTA, P. António Carvalho da, Corografia Portugueza..., 2.ª ed., tomo II, Braga, 1868 [1.ª ed. de 1712]; LEAL, Pinho, Portugal Antigo e Moderno, vol. 2, Lisboa, 1874; GOODOLPHIM, Costa, As Misericórdias, Lisboa, 1897; QUINTELLA, Arthur de Moura, Subsídios para a Monographia da Covilhan, Covilhã, 1899; Igreja da Misericórdia, Notícias da Covilhã, Covilhã, 1 Agosto 1943; A Igreja da Misericórdia, Notícias da Covilhã, 4 Julho 1943, pg. 4; Igreja da Misericórdia. A sua reabertura, Missa, solene da Paixão. Procissão dos Passos e Enterro do Senhor. Aniversário, Notícias da Covilhã, 23 Março 1947, pg. 4; SILVA, José Aires da, História da Covilhã, 1870 - 1970 Centenário da cidade, Covilhã, 1970; DIONÍSIO, Sant'Ana, Guia de Portugal, Lisboa, 1984; CARVALHO, António Crespo Simões de, Estatuária setecentista da Igreja da Misericórdia da Covilhã, Jornal do Fundão, 17 Janeiro 1992; SIMÕES, J. M. dos Santos, Corpus da Azulejaria Portuguesa. Azulejaria em Portugal no século, tomo I, Lisboa, 2ª ed., Fundação Calouste Gulbenkian, 1997; SIMÕES, Maurício, Santa Casa da Misericórdia da Covilhã - cibos para a sua história, Covilhã, 1999; FERNANDES, Adelino Pais, Concelho da Covilhã e Memórias Paroquiais de 1758, Covilhã, 2000; PAIVA, José Pedro (coord.), Portugaliae Monumenta Misericordiarum. Fazer a História das Misericórdias, vol. 1, Lisboa, 2002; TOJAL, Alexandre Arménio, PINTO, Paulo Campos, Bandeiras das Misericórdias, Lisboa, 2002; SERRÃO, Vítor, CARMO, Maria do, SILVA, Ricardo J. Nunes da, As pinturas do Salão dos Continentes na Casa das Morgadas e a arte na Covilhã no início do século XVIII, in Monumentos, nº 29, Lisboa, Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, 2009, pp. 76-87; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/75000 [consultado em 14 outubro 2016].

Documentação Gráfica

Santa Casa da Misericórdia da Covilhã; IHRU: SIPA

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMC/DM, IHRU: SIPA

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSARH (DGEMN:DSARH-010/084-011); Santa Casa da Misericórdia da Covilhã (SCMC/6F/015/Liv.0025, Mç. 5/AI. fólio 129, Liv.0034, Liv.0035, Liv.0037, fl. 237, Liv.0042, fl. 199 Liv.0044, fl. 160v.-162v, Liv.0045, fl. 163 v., Liv.0049, fl. 143v., Liv.0050, fl. 133, Liv.0053, fl. 90v., Liv.0054, fl. 105, Liv.0055, fl. 103v.-105, Liv.0056, fl. 143v.-145, Liv.0058, Liv.0059, fl. 125v. e 126; Liv.0059, Mç. 13/AI.2, fls. 41, Liv.0063, Liv.0066, fl. 88-93v., Liv.0073, fl. 71, Liv.0074, fl. 120v.-133, Liv.0076, fl. 18, 83v.-88, Liv.0077, Liv.0078, Liv.0080, fl. 73-79v., Liv.0081, fl. 95, Liv.0084, fl. 110-112v., Liv.095, Mç. 21/AI.3, fólio 71, Liv.096, Mç. 21/AI.3, fólio 74, Liv. 0099, Mç.22/AI4, fólios 79 e 83v, Liv. 100, Mç.22/AI4, fólios 76 e 76v, Liv.101, Mç.22/AI.4, fólios 75 a 78, 102, Mç.22/AI.4, fólios 75 a 75v, Liv.103, Mç.22/AI.4, fólio 50, Liv.104, Mç.22/AI.4, fólios 61, Liv.105, Mç.23/AI.4, fólios 99, Liv.106, Mç.23/AI.4, fólios 59 e 59v, Liv.107, Mç.23/AI.4, fólios 53, SCMC/OA-MA/002/Liv.001, Mç. 111/Avii.3, fólio 27)

Intervenção Realizada

1729 / 1730 - reforma de um Cristo no oratório da casa do despacho (43$600); 1826 / 1827 - obras na parede da igreja (18$330); 1859 - reedificação da parede da capela-mor, pelo pedreiro Manuel António (180$000); 1958 - arranjo do espaço ajardinado junto à fachada lateral esquerda e posterior da sacristia.

Observações

*1 - Em 1618, a 17 de Maio, fez-se a primeira reforma do Compromisso. Em 1678, constatando o Provedor Jorge Furtado de Mendonça Cabral, ou Visconde de Barbacena, que o Compromisso não tinha aprovação real, convocou toda a Irmandade para o reformar e adaptá-lo às novas necessidades; a Mesa reúne-se a 27 Novembro e reforma o Compromisso e decide solicitar aprovação real. A 15 de Maio de 1680, um alvará do príncipe regente D. Pedro aprova a reforma do Compromisso. No séc. 19, a 8 de Maio de 1898, decide-se em sessão da Mesa a reforma do Compromisso, o qual foi aprovado por alvará de 21 de Dezembro do mesmo ano. *2 - O pintor Manuel Pereira de Brito era obrigado a dourar "o teto de ouro sobido sem levar tinta de esmalte ou ruby algum senam tudo puro ouro como aparelho", por "detras do trono" devia "fazer hum borquatel de ouro sobre emcarnado, e asim mais estofara de ouro anjos que estam na tribuna e a sim mais fara de jaspe sobre oleo a pedraria em que esta a tribuna.., e o pintara de ouro o tecto da capella com boas tintas e dourara todos os frisos e estrelas e bollas" . *3 - Esta relíquia tinha a forma de cruz, tendo a haste com o Calvário 10 polegadas e a travessa 6; era composta sobre papelão de ossos de Santos Mártires e no meio tinha forma de uma coroa de espinhos dourada, e na ponta do braça direito um dente de São Celestino, no da esquerda outro de São Valentim e no pé outro de São Vicente. O Calvário onde se segurava a cruz era guarnecido de diferentes ossos de santos: São Prospero, São Blandino, São Maximino, Santo Auto, Santa Carina, Santa Exuperaria, São Aurelio, Santo Amador, Santa Vitória, São Blando, São Nereu, São Lucido, Canta Clemência, todos mártires. A Mesa mandou colocar a cruz numa custódia de prata para ter maior decência e ornato para servir na procissão dos Passos e no culto divino. *4 - A documentação nem sempre permite distinguir claramente se a pedra foi comprada a ou, simplesmente, transportada, pelos seguintes mestres ou carreteiros: António da Cruz, António Dias, António Esteves de aldeia, António Fernandes, António Francisco, António Francisco de Estevam, António Luís, António Pinheiro, António Rodrigues, António Rodrigues Nataneu, António Rodrigues Pinheiro, António Rodrigues Tanganho, Domingos da Cruz, Domingos Lopes, de Boiobra, Francisco da Cruz, Francisco Melchior, Francisco Rodrigues Rizeiro (?), Gaspar Miguel da aldeia de Carvalho, Gregório Duarte, João da Cunha, João Rodrigues Jacinto, José Alves, José Domingues, de Boidobra, José de Aguimar, José Martins, José Morais, José Rodrigues, José Rodrigues de Agrumar, José Vicente, Manuel Carvalho, Manuel da Costa, Manuel de Almeida Vasco, Manuel de Azevedo, Manuel de Oliveira, Manuel Delgado, de Boidobra, Manuel Dias, Manuel Dias de Moreira, Manuel Francisco, Manuel Gomes o moço, Manuel Gomes o velho, Manuel José Carvalho, Manuel Martins, Manuel Nunes, de Boiobra, Manuel Rodrigues Carvalho, Manuel Torto Redondo, Mário Duarte, Sebastião Duarte, Sebastião Francisco e Sebastião José. Claramente como carreteiros trabalharam, durante o ano económico de 1752 / 1753: António Esteves, João da Cunha, João Duarte, José Rodrigues, Manuel Rodrigues (1752 / 1753), Manuel Rodrigues.., Manuel Rodrigues Nau. *5 - A igreja tinha três altares: o principal, de Nossa Senhora da Misericórdia e oratório do Senhor dos Passos, o do lado do Evangelho, de dedicado ao Santíssimo, com sacrário para guardar a relíquia oferecida pelo bispo da Guarda, e o da Epístola dedicado ao Espírito Santo; este tinha Irmandade com o mesmo nome, composta com 9 membros e com Bandeira ainda nova, sendo o seu valor superior a 400$000. Segundo Artur de Moura Quintela, nas paredes da igreja existiam 44 lápides comemorativas de alguns benfeitores que legaram à Misericórdia o total de 66:988$745; a primeira tinha a data de 1670 inscrita e a última a de 1897. O hospital era pequeno, tendo capacidade apenas para 30 doentes; a farmácia, que se localizava no Lg. do Pelourinho, por legado de José Maria da Graça e Silva, passou para a posse da Misericórdia. Entre 1898 / 1899, a receita da farmácia era de 2:100$095 e a despesa de 1:534$465; o fornecimento de medicamentos para o hospital e as receitas aviadas para os pobres ascenderam a 846$290. *6 - Neste projecto é referido o mau estado em que se encontrava a igreja: a fachada principal apresentava pendor "e bojo salientes", com fendas próximas dos cunhais, uma das paredes da capela-mor estava fendida em várias direcções e com sinais de esmagamento das alvenarias; a cobertura da nave era em abóbada de berço abatida, com forro de esteira e tinha tábuas despregadas; o projecto previa as seguintes demolições: cobertura da nave e capela-mor, as galerias de madeira com alpendres apoiados em colunas de madeira e granito e as duas escadas, viradas ao Lg. de São Pedro (uma de madeira e outra de alvenaria com degraus de pedra), cobertura da torre e sineira que a encimava, as dependências e o muro da vedação, toda a fachada lateral direita, virada à R. da Misericórdia, todas as da capela-mor, sendo cuidadosamente desmontadas e numeradas as pedras das pilastras, cornija, guarnecimento de janelas e portal, para serem repostas, e demolição dos degraus do portal principal; no interior demolir-se-ia o pavimento de madeira da nave, a teia que a separava da capela-mor, o "púlpito de madeira", a "peanha de madeira que suporta parte da tribuna"; o projecto previa a abertura de um nicho para a imagem do Senhor dos Passos, na parede de nave e em comunicação com a secretaria, e outro no sub-coro para servir de baptistério; aprofundar, ao nível da tribuna, os dois arcos do centro e o da esquerda, rasgar o vão geminado virado ao Lg. de São Pedro, para melhorar a iluminação interior e aprofundar a tribuna; fecho da porta que da galeria exterior dava acesso à tribuna; colocar um silhar de azulejos na nave; estipulava serem de ferro as grades do púlpito e do baptistério; o projecto sofreu algumas alterações, nomeadamente na simplificação das zonas de apoio, pois inicialmente previa, no piso térreo a construção da sacristia, da secretaria e do arquivo e, no segundo, da sala de reuniões da Irmandade, um gabinete e uma pequena arrecadação, ambos com ângulos facetados; acabou por se construir apenas um corpo rectangular com sacristia no piso térreo e sala do despacho no superior; junto à fachada lateral direita da capela-mor construiu-se uma pequena arrecadação rectangular; a torre no projecto era mais elevada e um pouco diferente do que se viria a construir e o portal lateral esquerdo previa na tabela um escudo ladeado pela data inscrita; *7 - Segundo a acta da Mesa Administrativa, datada de 15 de Dezembro de 1939, a igreja ameaçava ruína, devido ao mau estado em que se encontrava; a igreja era constituída pelo coro apoiado em mísulas, e capela-mor com decoração em talha dourada; as paredes interiores eram rebocadas e caiadas, existindo algumas lápides cravadas nas paredes com nomes e datas, algumas bastante antigas, mencionando a oferta de dinheiro; a empena da fachada posterior está fendida em vários sentidos e aparentava desfazer-se; o tecto de madeira estava podre e com tábuas despregadas do vigamento; a fachada lateral direita apresenta grande desvio da prumada. Francisco Roiz Pintasilgo prontificou-se a reconstruir a igreja, rodeando-se de artistas para isso; por exemplo, os elementos do antigo retábulo foram reagrupadas e conduzidas para a Casa França & Filhos, do Porto, onde foi reconstruído ou refeito. O capelão, Pe. Manuel Roiz da Mouta, gastou o seu tempo livre para encorajar os operários nos seus trabalhos. *8 - Com a demolição da igreja, pretensão que se chegou a apresentar ao bispo da Guarda, pretendia-se utilizar o espaço no projectado alargamento da Rua Visconde da Coriscada, abrangido pelo plano de urbanização do Centro Cívico da cidade. Como não se encontrou no centro da cidade local central onde fosse construída a nova igreja, a Misericórdia desistiu do direito de propriedade mediante compensação monetária a fixar-se e a entrega da igreja de São Silvestre, pertencente à freguesia de Santa Maria. Apesar do cabido da Sé e do clero da Covilhã ter concordado, este acordo e demolição nunca chegou a concretizar-se, até devido à falta de concordância com toda a Mesa. Apesar disso, após o 25 de Abril de 1974, volta-se a pôr a hipótese de demolição da igreja, mas a Associação de Defesa do Património local e os protestos da população impedem, sobretudo com a sensibilização e movimentações para a sua classificação.

Autor e Data

Margarida Conceição 1994 / Paula Noé 2009

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