Igreja Paroquial de Barcos / Igreja de Nossa Senhora da Assunção

IPA.00002480
Portugal, Viseu, Tabuaço, União das freguesias de Barcos e Santa Leocádia
 
Igreja paroquial de fundação medieval, como o atesta o perfil dos portais axial e laterais, estes em arco apontado, denotando uma construção em época de transição do românico para o gótico, com decoração vegetalista típica do românico e optando por timpanos cegos e sem qualquer elemento decorativo. O carácter medieval é, ainda, demonstrado pelo remate em cachorrada na nave, pelos arcosólios em arco apontado no interior da nave e pelas inúmeras siglas de canteiros e pedreiros que surgem nos silhares. A capela-mor sofreu remodelações no período maneirista, visíveis nas frestas em capialço. É de planta retangular, composta por nave, de estrutura medieval, capela-mor mais baixa e estreita, maneirista, e sacristia adossada à fachada lateral esquerda, com coberturas interiores diferenciadas, de madeira em masseira na nave e em falsa abóbada de berço de madeira com caixotões pintados na capela-mor, escassamente iluminada por frestas e janelas em capialço, estas na capela-mor. Fachada principal em empena, com vãos rasgados em eixo, composto por portal escavado, em arco de volta perfeita assente em impostas salientes, de três arquivoltas, ornadas por motivos vegetalistas, e por fresta, também de volta perfeita. Fachadas rematadas por friso e cornija na capela-mor e em cachorrada e cornija, na nave, atestando a sua maior antiguidade e épocas diferentes de construção, as laterais rasgadas por portas travessas em arco apontado, com impostas salientes e arquivoltas decoradas por motivos geométricos e vegetalistas. Sobre a fachada lateral esquerda, ergue-se sineira com três ventanas, a superior de menores dimensões, rematada por cornija e pináculos. Interior com coro-alto, dois arcosólios em arco apontado, que albergariam túmulos particulares, púlpito quadrangular e com acesso por porta de verga recta no lado do Evangelho. Destacam-se as coberturas pintadas com temática hagiográfica na capela-mor e na sacristia, tendo sido os da nave apeados, os retábulos colaterais, de estrutura incaracterística, mas demonstrando um primitivo tratamento maneirista, com remate em tabela com aletas, remodelados para os adaptar à estrutura de talha que envolveu o arco triunfal, do estilo barroco nacional. O retábulo-mor, do estilo barroco nacional, possui o banco primitivo, em granito e o intradorso do arco triunfal ostenta pinturas murais de carácter decorativo, sendo possível verificar na Casa da Tribuna as pinturas murais que marcavam a parede testeira. Conserva cachorros com decoração românica no interior da sacristia, na parede que confina com a capela-mor. O púlpito e respectivo baldaquino são maneiristas, de madeira com marchetados de bron
Número IPA Antigo: PT011819030001
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal, composta por nave, capela-mor mais estreita e sacristia adossada à fachada lateral esquerda, de volumes articulados e disposição horizontalista das massas, com coberturas diferenciadas em telhados de uma, na sacristia, e duas águas, na nave e capela-mor. Fachadas em cantaria de granito aparente, em aparelho isódomo, percorridas por embasamento saliente, marcadas por várias mísulas em cantaria no corpo da nave, com pináculos sobre os cunhais e rematadas em cornija na capela-mor, em friso e cornija na sacristia e em cachorrada e cornija na nave. Fachada principal voltada a SO., em empena com cruz latina, de hastes cilíndricas, no vértice, rasgada por portal em arco de volta perfeita, assente em impostas ornadas por motivos vegetalistas, e formando três arquivoltas assentes em duas colunas de fuste liso e capitéis decorados com figuras satíricas, que envolvem tímpano cego; as arquivoltas apresentam decoração vegetalista e a exterior ostenta meias-esferas. Sobre o portal, surge uma fresta em arco de volta perfeita. Fachada lateral esquerda, virada a NO., rasgada por duas frestas e portal em arco apontado, parcialmente oculto pela parede da sacristia, assente em impostas salientes, com duas arquivoltas, a exterior decorada por denticulado formado por elementos fitomórficos, e a interior decorada com meias esferas, emoldurando tímpano cego. Sobre o remate, no lado esquerdo, sineira composta por duas ventanas encimadas por uma terceira de menores dimensões, todas em arco de volta perfeita e assentes em impostas salientes, sendo rematada por cornija e cruz simples ladeada por pináculos piramidais. O corpo da sacristia é rasgado, na face SO., por janela rectilínea protegida por grades metálicas. Fachada lateral direita, virada a SE., rasgada por porta travessa semelhante à do lado oposto e fresta no corpo da nave, surgindo, no da capela-mor, duas janelas rectilíneas, em capialço. Fachada posterior rematada em frontão triangular com cruz no vértice, tendo, no lado direito e em plano ligeiramente recuado, a sacristia, a meia-empena, rasgada por janela rectilínea protegida por grades metálicas. INTERIOR em cantaria aparente, de aparelho isódomo, com cobertura de madeira em masseira, com tirantes metálicos, e pavimento em lajeado de granito. Coro-alto de madeira, com gaurda do mesmo material, sustentando por mísulas de granito e com acesso por escada de dois lanços no lado da Epístola; no lado oposto, a ladear o portal axial, pia de água benta quadrangular e perfil convexo, suportado por pilar. Confrontantes, surgem dois arcosólios em arco apontado, percorrido por toro e filete convexo, preenchido por pequeno altar de madeira. As portas travessas estão ladeadas por pias de água benta semelhantes à anterior. No lado do Evangelho, púlpito quadrado, com bacia e mísula de granito e guarda em madeira torneada, decorada com aplicações em bronze, ao qual se acede por porta de verga recta, através do anexo da sacristia; é encimado por baldaquino de madeira, também com aplicações em bronze. Arco triunfal de volta perfeita assente em pilastras toscanas, com intradorso ostentanto pinturas murais, com motivos vegetalistas, cartelas concheadas, pássaros e pequenos putti, e a data "1726", estando ladeado por dois retábulos colaterais em talha dourada e policroma, dedicados ao Sagrado Coração de Jesus (Evangelho) e a Nossa Senhora das Dores (Epístola), os quais se prolongam em apainelados de talha, revestindo o arco triunfal. Elevada por dois degraus, a capela-mor, com as paredes revstidas por azulejos de padrão fitomórfico monocromo, azul sobre fundo branco, formando silhar, com rodapés em azulejo de pedra torta, da mesma tonalidade; cobertura em falsa abóbada de berço abatido com 28 caixotões com pinturas representando cenas da vida de Cristo e da Virgem, com molduras profusamente lavradas unidas por florões e assente em friso e cornija de talha dourada decorado com motivos fitomórficos e querubins e com mísulas equidistantes; no caixotão central, representando a "Assunção da Virgem, surge a inscrição: "Anno de 1728". Sobre supedâneo de dois degraus, o retábulo-mor, em talha dourada, de planta côncava e um eixo definido por seis colunas torsas, ornadas por pâmpanos e assentes em plintos paralelepipédicos decorados por florão, que se prolongam em três arquivoltas torsas, unidas no sentido do raio; ao centro, tribuna em arco de volta perfeita e moldura rendilhada, com cobertura em caixotões pintados com motivos hagiográficos e contendo trono profusamente ornado, na base do qual surge, embutido o sacrário, flanqueado por par de colunas torsas cobertas por motivos florais em espira e porta ornada por cruz envolvida por rosas e pássaros, sendo ladeado por apainelados; sotobanco decorado por painéis lavrados com motivos fitomórficos, constituído nos extremos por modilhões de granito com volutas e folhas de acanto, com altar ornado por moldura em talha dourada, à frente do qual surge a mesa de altar, paralelepipédica, com painéis de madeira delimitados por molduras douradas fitomórficas e centrados por florões de talha dourada. No lado da Epístola, porta de verga recta, com moldura delimitada por filetes e pintada com motivos vegetais, de uma folha em madeira de castanho, com oito almofadas quadrangulares, pintada com motivos fitomórficos, comunica com a sacristia. Esta tem cobertura em falsa abóbada de berço abatido com 30 caixotões pintados com motivos hagiográficos, assentes sobre friso e mísulas equidistantes, por baixo das quais, na parede que confina com a capela-mor, surgem mísulas de cantaria. No lado esquerdo, porta de acesso à tribuna, onde se conservam pinturas murais representando Nossa Senhora, São Pedro e São João, envoltos por motivos arquitectónicos e fitomórficos. Possui arcaz em madeira de castanho, com oratório de talha policroma, uma janela com conversadeiras e lavabo em cantaria com espaldar flanqueado por pilastras toscanas, que enquadram o reservatório com nicho concheafo e duas bicas em forma de carranca, rematadas por friso, cornija, cruz latina e pináculos; tem taça rectangular simples. No lado oposto, armário embutido no muro com portadas pintadas com motivos fitomórficos, rasgando-se, à esquerda, porta de acesso ao anexo, incaracterístico, que compõe a sala da confraria, de onde se acede ao púlpito.

Acessos

De Tabuaço para EN 226-2; em Barcos, a 250 m no Largo da Colegiada

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 8 175, DG, 1.ª série, n.º 110 de 02 junho 1922 / ZEP, Portaria n.º 225/2011, DR, 2.ª série, n.º 12 de 18 janeiro 2011

Enquadramento

Urbano, em terreno ligeiramente inclinado, isolado, destacado, separado por via pública e, do lado SE., por zona ajardinada, sendo envolvido pela Antiga Casa da Câmara e Cadeia de Barcos (v. PT011819030200) e pelo antigo Forno Comunitário (v. PT011819030199) ambos a SO., pelos antigos Paços do Concelho de Barcos (v. PT011819030082), pelo Fontanário do Largo do Adro (v. PT011819030194), adossado a N., e pelo Cruzeiro dos Centenários de Barcos (v. PT011819030083) a NE.. Acesso à fachada principal por dois degraus semicirculares. Adossada à fachada principal, cruzeiro composto por plinto paralelepipédico e cruz latina; à fachada lateral direira, adossa-se nicho da Via Sacra e, ao corpo da capela-mor, cruzeiro semelhante ao anterior.

Descrição Complementar

Os retábulos colaterais são semelhantes, de talha dourada, planta recta e um eixo definido por quatro colunas torsas ornadas por pâmpanos, assentes em plintos paralelepipédicos, decorados por florão; ao centro, apainelado rectilíneo com mísula sustentando imaginária, rematando em cornija e pequena tabela rectangular vertical, flanqueada por quarteirões; altares em forma de urna. A talha prolonga-se por duas arquivoltas torsas, unidas no sentido do raio, constituindo sete painéis, seis ornados por acantos dispostos simetricamente e o central com a representação de um Calvário em relevo. Os espelhos dos degraus do supedâneo da capela-mor são revestidos por azulejos de tipo padrão, com florões dentro de losangos. Na Sala da Confraria, está arrecadada a pia baptismal, monolítica, em forma de taça. Lápide sepulcral, com campo epigráfico preenchido, nos dois terços superiores, por motivo heráldico (Escudo peninsular posto à valona, de Cunha, nove cunhas, postas três, três e três; encimado por elmo voltado à dextra, com grade e virol, de onde parte longo paquife, bastante recortado, e timbre de Cunhas, com um grifo sainte, tudo sem representação de esmaltes) e por inscrição no terço inferior: "S(EPULTUR)A DE B(E)R(NAR)DO | OZORIO DA | CVNHA E SE- | VS DESEN- | DENTES". Na soleira da porta travessa S., lápide sepulcral reaproveitada e oculta por uma das jambas do portal com inscrição quase delida. O oratório da sacristia é de taha policroma, formando falsos marmoreados vermelhos e azuis, com apontamentos dourados e o fundo pintado com motivos florais; é de planta recta e um eixo definido por pilastras toscanas ornadas com motivos fitomórficos, sustentando cornija contracurvada, fragmentos de cornija, concheados e um par de anjos de vulto.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 12 (conjectural) / 13 / 14 / 17 / 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ENSAMBLADOR: Manuel de Sousa (atr., 1701). MESTRE de OBRAS: José Cardoso Rebelo (1793), Francisco Pinho Loureiro (1954-55), Afonso Ferreira de Oliveira (1978).

Cronologia

Séc. 12 / 13 - provável edificação do templo, transferindo-se para ele a colegiada de Barcos com a invocação de Santa Maria do Saboroso ou Nossa Senhora do Sabroso; séc. 13, finais -D. Pedro Pires de Távora, abade do Sabroso, terá mandado pintar os frescos da capela-mor, e uma capela com a invocação de São Pedro perto da Igreja da Senhora do Sabroso; sécs. 13 / 14 - passagem directa do título da paróquia do Sabroso para Barcos; séc. 14 - provável elevação da nave com a colocação da actual cornija e mísulas; segundo Virgílio Correia, os frescos do pano fundeiro da capela-mor terão sido pintados neste período; 1350, depois - provável transferência, segundo Almeida Fernandes, da sede paroquial para a Igreja de Barcos; séc. 16 - provável alteamento do corpo da capela-mor, com adição de oito fiadas de silhares às dez primitivas; abertura de duas frestas nas paredes S. e E., actualmente entaipadas; feitura de novo retábulo-mor *1; séc. 16, 2.º quartel - aparece referida no Censual da Sé de Lamego, como paróquia e sede de colegiada, apresentada pelo Conde de Marialva, sujeita a confirmação do Bispo, ao qual se pagava 4 marcos, 9360 réis, pagando-se de visitação 500 réis, enquanto que cada raçoeiro, apresentado pelo abade de Barcos, pagava de confirmação ao Bispo de Lamego meio marco, 1170 réis; 1537 - no Livro das Avaliações, é referido que não tinha abade, encontrando-se arrendade; séc. 16, meados - passa a reitoria da apresentação dos cónegos da Sé de Tânger; 1555 - início do registo, dos baptismos, casamentos e óbitos; 1566, 5 Fevereiro - Padre António Rodrigues Rebelo foi apresentado como reitor por D. António, filho do infante D. Luís, confirmado pelo bispo; 1568, 7 Agosto - Pio V solicitou informações ao Bispo sobre a notícia de que um vigário de Toledo tinha processado o Padre António Rodrigues Rebelo, sob alegação de crime de simonia; 1588, 13 Setembro - a devassa tirada sobre o reitor de Barcos, Pe. António Rodrigues Rebelo, continuava sem solução; séc. 17 - com a extinção do cabido de Tânger, Barcos passa a reitoria da apresentação real; notícia das porções que a Igreja tinha em cada uma das paróquias anexas *2; séc. 17, inícios - é doada por Filipe II a Domingos Barbosa; desde esta data terá funcionado um relógio na igreja; 1630, cerca - abadia está vaga e o arcediago Tomé de Gouveia de Altero procede ao arrendamento de benefícios, cedendo a renda de um ano de Goujoim por 111$000, 2 carneiros, 2 alqueires de castanha pilada e outros 2 de feijões brancos, e a renda de Adorigo, anexa a Barcos, a João Cabral, de Tabuaço, por 130$000; 1630, 30 Janeiro - visitador, Dr. Manuel da Fonseca Coelho ordena que o rendeiro dos frutos da igreja mande colocar um retábulo com tribuna que ostente um painel com o orago; 1632 - imagem de Santo António, retirada da antiga ermida, junto à Quinta de Santo António, estava exposta na matriz, sendo ordenada a sua reposição no lugar primitivo; 1637 - o título do orago surge com a invocação de Santa Maria de Barcos; 1637, Abril - visitador manda acrescentar 10 alqueires de centeio e 10 almudes de vinho ao rendimento do sacristão, que recebia anualmente 20 alqueires de centeio, 10 de trigo, 10 almudes de vinho e 6.300 réis em dinheiro, devido ao muito trabalho que lhe dava a igreja, por ser colegiada; 1638, 7 Agosto - bispo D. Miguel de Portugal mandou adquirir, à conta do dinheiro que sobrava das obrigações, diversos objectos necessários ao culto; o Bispo dispensou, ainda, o cumprimento de alguns capítulos das Visitações anteriores, com vista a poderem socorrer e atender melhor ao sustento dos Cónegos de Ceuta e Tânger, para onde tinha passado o padroado, e que se haviam queixado do pouco rendimento de suas prebendas; 1641, 15 Junho - Visitador Licenciado Francisco Rebelo do Amaral, ordena a conservação, aumento e restauro dos bancos da igreja; 1642 - Inventário elaborado pelo Sacristão, refere a existência de Galhetas, com respectivo prato; 1643 - O administrador da fábrica recebe ordem para mandar fazer um cálice de prata doirada, com o peso de 10 mil reis; 19 Março - Falecimento do Padre António Rodrigues Manso, que deixou diversas disposições testamentárias *3; 1646 - o título do orago surge com a invocação de Nossa Senhora da Assunção; 1647, 18 Novembro - Visitador Licenciado Pedro da Fonseca de Carvalho ordena o concerto do forro do corpo da igreja, por ameçar ruína; 1648 - a ordem para se mandar fazer um cálice de prata doirada ainda estava por executar; aquisição do vaso para comunhão, que pesava 3 marcos; 7 Novembro - visitador manda retirar o monumento do arcossólio do lado esquerdo da nave, para o confessionário; 1651, 2 Março - Visitador Dr. António dos Santos manda fazer um frontal, de damasco branco com ramagem e flores em lhama de ouro; 1654, 14 Novembro - Visitador volta a ordenar o concerto do tecto do corpo da igreja, junto aos frisos; 1657, 15 Junho - Visitador Domingos do Amaral ordena a feitura de um cálice em prata; 1661, 4 Fevereiro - Visitador Pedro da Fonseca de Carvalho ordena a feitura do turíbulo e da naveta em prata; 1664, 15 Junho - Visitador dá ordem para mandar subir o piso da sacristia ao nível do piso da capela-mor, devendo-se edificar, também, uma nova porta para a sacristia; 1664, 15 Junho - Visitador manda consertar a cruz processional; séc. 17, 3.º quartel - D. Afonso VI doa a igreja de Barcos a Serafim de Barros; 1680, Março - instituídos na igreja de Barcos mais de 60 óbitos com cerca de 25 missas anuais perpétuas *4; 1683 - ordena-se a fundição das galhetas e de outros vasos antigos para se fazerem outros; 29 Outubro - Visitador Francisco Cardoso de Moxica manda concertar as vidraças das janelas da capela-mor, mandando, também, pôr-lhes "um abanador de tafetá "; 1684 - a igreja tinha 4 cálices de prata, dois deles dourados, 4 castiçais, vaso, turíbulo, caldeirinha para as brasas, galhetas com prato, tudo de prata; 1685, 2 Março - visitador Dr. Manuel Lourenço de Azevedo ordena a feitura de "umas cortinas de Bertingil" para o retábulo-mor; 1690, 30 Janeiro - cónego Manuel da Fonseca Coelho deixa ordenado ao rendeiro que, com base nos frutos da igreja, mande fazer um retábulo com tribuna e um painel do orago de Nossa Senhora, com a menor despesa que parecesse ao abade, outro tanto devendo fazer os mordomos de Nossa Senhora e de São Sebastião; manda reformar a Custódia; 1692 - bispo D António de Vasconcelos manda colocar as sacras e ordenou ao rendeiro que subisse de 20 para 40 mil réis por ano o contributo para o retábulo; 1697, Fevereiro - ordem para se dourarem os altares de São Sebastião e Santo António; faltando resíduos nas respectivas confrarias, autorizava-se a tirar uma parte das confrarias do Senhor e da Senhora; 1698, 6 Novembro - a tribuna devia achar-se já em fase de acabamento, pois devido ao facto de a talha ter tapado 2 frestas, o visitador mandou alargar outra para dar luz à capela-mor *5; séc. 18 - com a extinção do cabido de Ceuta e Tânger, a Colegiada de Barcos faz novamente seus os dízimos das suas anexas; 1.ª metade - no arrolamento paroquial, com referência à respectiva renda beneficial, acha-se referida a abadia de Barcos, com 250$000; os frutos da igreja que se traduziam em 650$000, 2 benefícios, com 180$000 e 120$000, outros dois beneficiados com 50$000 cada um e 4 economias de 20$000 cada; feitura da lápide sepulcral de Bernardo Osório da Cunha e seus descendentes; edificação do altar em honra da Sagrada Família, no interior do arcossólio do lado direito da nave; 1701 - aquisição de uma cruz de prata, paramentos de damasco e lã; 1702, 28 Janeiro - visitador Dr. João de Moura de Andrade insiste na ordem de se mandar abrir uma fresta larga na capela-mor para sua iluminação; mandou fazer uns pequenos cofres, em forma de baú, cobertos por veludo carmesim, para guarda do Santíssimo dentro do Sacrário; com o fim de resguardar a entrada do Púlpito, recentemente concluído, provavelmente pelo ensamblador Manuel de Sousa, ordenou que se fizesse um acrescentamento à sacristia, que passou a ser a chamada casa da fábrica; 1702, Abril - sendo dada por concluída a obra de talha do altar-mor, o visitador ordena que se mande fazer nova imagem de Nossa Senhora e de se retirar a antiga para a sacristia; 1706 - Inventário refere as Galhetas sem o prato; 1706, 29 Janeiro - Visitador dá ordem para que se levante mais o arco trinfal; 1707, 4 Dezembro - Visitador Frei Antão de Faria manda envidraçar o janelão da capela-mor; 1708 - Carvalho da Costa alude ao facto de existirem na igreja quatro beneficiados, que rezam em coro, bem como um coadjutor e um sacristão, apresentado pelo Reitor; 1724, 19 Junho - Visitador manda dourar e pintar o tecto apainelado da capela-mor; 1726 - Conclusão da pintura do novo arco triunfal; 1728 - conclusão da pintura dos painéis do tecto de caixotões da capela-mor; 1733, 27 Maio - Visitador Dr. Pedro da Rocha Guerreiro manda levantar o piso em granito da capela-mor, para ficar acima do plano do corporal da igreja, cujo desnível é vencido por três degraus, mandando também azulejar a capela-mor; 1735, 27 Junho - Visitador Dr. Inácio Garcez Ferreira manda fazer a credência da sacristia; ordenou a feitura de uma haste de prata para a cruz processional; e referiu que as paredes da sacristia deveriam ser alargadas para lhe darem maiores dimensões; 1744, 31 Maio - D. Frei Feliciano de Nossa Senhora determina que se faça nova sacristia, bem forrada e composta de todo o necessário, no prazo de um ano; mais ordenou que fossem feitos dois pluviais; 1744, 1 Junho - Ordem para se segurar, compor e dourar, dentro de 6 meses, a tribuna da capela-mor e abrir nesta outra fresta como a que já estava feita; 1748, 14 Outubro - Dr. José de Basto e Cunha determina o ladrilhamento do pavimento da Igreja; 1752, 16 Maio - Dr. José Caetano Soares da Silveira determina o reparo do coro, enquanto não fosse feita uma torre que o acomodasse *6; 1755 - Dr. Inácio Ferreira prefere que as paredes da capela-mor sejam estucadas, devendo apenas ser colocados azulejos nos terços inferiores; 1756 - composição dos frisos do apainelado do tecto do templo e da sacristia, sendo procurador da igreja, Bernardino Pinto; 1757, 14 Julho - Visitador Manuel Pereira da Silva manda colocar molduras nos painéis das paredes da capela-mor; 1758 - nas Memórias Paroquiais, redigidas pelo Reitor, Padre José Rodrigues Pereira, diz-se que a igreja era colegiada servida por 4 beneficiados apresentados pelo reitor, tendo um 250 mil réis de rendimento, dois 100 cada e o último 50, sendo que da residência e assistência ao coro cobravam mais 40 mil réis por ano, e que davam aos raçoeiros, serventuários ou ecónomos por os substituírem habitualmente no serviço; 1760 - Visitador manda acrescentar à côngrua 10 alqueires de centeio, 6 de trigo e 6 almudes de vinho no mosto; 1762, 19 Abril - D. José ordena que o rendimento da igreja destinado aos cónegos de Tânger, na altura em depósito, se removesse para o cofre da Companhia do Alto Douro, reservando-se 200$000 em poder do tesoureiro-mor para ocorrer às despesas necessárias do benefício; 1764, Julho - reconstrução da capela-mor; 1767 - obras nas paredes e telhado da igreja, indo-se buscar 30$000 à confraria da Senhora para não onerar a população; 18 Junho - ordem do visitador Dr. Manuel de Paiva Crasto para que se transferisse a pia baptismal para o lugar do "mausoleo antigo", mandando-se fazer umas grades para a sua guarda; 1772, 27 Maio - D. Manuel de Vasconcelos Pereira manda fazer a pixide; 1776, 27 Maio - D. Manuel de Vasconcelos Pereira lastima que o coro se encontre ainda em deplorável estado *7, ordenando o seu reparo, por conta dos Beneficiados; recomendou, ainda, o douramento da talha do arco triunfal; 1783 - o padroado da matriz e seus dízimos e das suas anexas são unidos ao convento das carmelitas do Coração de Jesus de Lisboa; 1784 - despesa de 2$000 com a cadeira do órgão; 1784, 17 Maio - Visitador Dr. Serafim José da Silva Rocha manda caiar a igreja por dentro, e pintar o tecto da nave, e insiste na remoção da Pia Baptismal; 1792, Maio - ordena-se a execução de nova imagem da padroeira; 1793, 12 Janeiro - José Cardoso Rebelo, da vila de Tabuaço, arremata, em Lamego, a obra de carpintaria, pedraria e pintura da igreja paroquial da vila de Barcos, no valor 249 mil réis, e que deveria ser executada no prazo de um ano *80; séc. 18, finais - Barcos passa a simples vigararia colada e, mais tarde, a simples curato; séc. 18, finais - D. Joaquim de Azevedo refere que a igreja era colegiada, dotada de 4 altares laterais, 2 deles dedicados à Senhora do Rosário e a São Sebastião, e nela servindo 4 beneficiados que rezavam no coro, um com 600$000 e os outros com mais de 100$000 cada, e que não residindo, davam aos ecónomos nomeados pelo prelado, cada ano, 50 alqueires de pão e 8$000 em dinheiro; o sacristão auferia 11 almudes de vinho, 22 alqueires de centeio e 6$000 em dinheiro, com obrigação de dar vinho e hóstias para missas; 1828, 1 Novembro - Visitador Dr. Geminiano Vaz Henriques d'Almeida, determina que se preguem novamente a cornija e florões do tecto da igreja, devido ao perigo de caírem em cima das pessoas; 1848, 16 Junho - lei de extinção das colegiadas, recolher os seus arquivos, comutar os legados pios a que estavam obrigadas e regular a aplicação do remanescente dos seus rendimentos; séc. 19, 2.ª metade - feitura de novo coro-alto; 1862 - a Estatística Paroquial deste ano refere Barcos como curato amovível da apresentação do Mosteiro das Carmelitas do Coração de Jesus, de Lisboa; 1870 - substituição do tecto da nave por forro liso, destruindo-se todos os painéis; 1884 - O Senhor dos Passos passa a ser venerado em altar montado no Arcossólio do lado esquerdo da nave; o arco que envolve o Arcossólio é mutilado no seu gume para caber a imagem do Senhor dos Passos; 1948, 10 Setembro - carta do pároco de Barcos, informando que os caixotões da sacristia estão em perigo de derrocada, devido ao desaprumo de uma parede e ao apodrecimento dos vigamentos de madeira que armam o telhado; 1969 - os temporais danificaram as coberturas da igreja; 1986 - deslocação da Divisão de Pintura Mural do Instituto José de Figueiredo para avaliar as condições das pinturas murais, revelando-se impossível o seu restauro sem a remoção do retábulo-mor; 2007, 02 janeiro - proposta da DRNorte de fixação da Zona Especial de Proteção; 2007, 11 julho - parecer favorável pelo Conselho Consultivo do IGESPAR à proposta da DRPorto; 2009, 03 setembro - Despacho de homologação da Zona Especial de Proteção pelo Ministro da Cultura.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante.

Materiais

Estrutura em cantaria de granito; modinaturas, colunas, cachorros, modilhões, pavimentos, cruzes, pináculos, cornijas, bacia do púlpito, pias de água benta, pia baptismal e mísulas em cantaria de granito; coberturas, retábulos, guarda do púlpito, coro-alto, mobiliário e caixilharias de madeira; coberturas exteriores de telha portuguesa; grades em ferro fundido e forjado; púlpito com marchetados de bronze; janelas com vidro simples.

Bibliografia

COSTA, Padre António Carvalho da, Corografia portugueza e descripçam topografica, tomo II, Lisboa, 1708; LEAL, Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de Pinho, Portugal Antigo e Moderno - Diccionario, vols. I, VIII e IX, Lisboa, 1875 - 1881; AZEVEDO, D. Joaquim de, História Eclesiástica da Cidade e Bispado de Lamego, Typ. do Jornal do Porto, Porto, 1878; FREITAS, Luíz de, Taboaço - Notas & Lendas, Famalicão, 1916; CORREIA, Vergilio, A pintura a fresco em Portugal nos sécs. XV e XVI, 1921; Correia, Vergilio, Monumentos e Escultores, s.l., s.d., pp. 82-84; CORREIA, Vergilio, Artistas de Lamego, Coimbra, 1923, pp. 63-64,; VILELLA, Padre Ismael, A Collegiada de Barcos, 2.ª ed., Porto, 1999; COLLAÇO, João Maria Tello de Magalhães, Cadastro da População do Reino (1527) - Actas das Comarcas Damtre Tejo e Odiana e da Beira, Lisboa, 1929; COSTA, Americo, Barcos, in Diccionario Chorographico de Portugal Continental e Insular, vol. 3, Vila do Conde, 1932, p. 217; Vasconcelos, José Leite de, Livro da Fundação do Mosteiro de Salzedas por Fr. Baltasar dos Reis, Lisboa, 1934 pp. 108-109; Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vols. 4, 26, 30 e 38, Lisboa / Rio de Janeiro, s/d; VERBO - Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, vol. 3, Lisboa, s.d; ALMEIDA, Fortunato de, História da Igreja em Portugal, vol. IV, Porto / Lisboa, s.d; AZEVEDO, Correia, Brasões e casas brasonadas do Douro, Lamego, 1974, p. 317; COSTA, M. Gonçalves da, Lutas Liberais e Miguelistas em Lamego, Lamego, 1975; COSTA, M. Gonçalves da, História do Bispado e Cidade de Lamego, vols. 1 a 6, Lamego, 1977-1992; Guia de Portugal, Lamego, Bragança e Miranda, vol. V, n.° II, Lisboa, 1988; MONTEIRO, J. Gonçalves, Tabuaço - Esboços para uma monografia, Tabuaço, 1991; MARIZ, José (Coord. Técnica), Inventário Colectivo dos Registos Paroquiais - Centro e Sul, vol. 1, Lisboa, Dezembro de 1993; CORREIA, Alberto, Tabuaço - Roteiro Turístico, Tabuaço, 1997; FERNANDES, A. de Almeida, Censual da Sé de Lamego (Século XVI) - Leitura, transcrição e notas, Arouca, 1999, pp. 13-14 e 68; PERPÉTUO, João Miguel A., SANTOS, Filipe João C., CARVALHO, Pedro Sobral de, GOMES, Luís Filipe C., SERRA, Artur Alpande, Tabuaço - Um Passado Presente, Tabuaço, 1999; FERREIRA, Natália Fauvrelle, BARROS, Susana Pacheco, Douro - Rotas Medievais, Lamego, 2000; RODRIGUES, Ana Maria S. A., Colegiadas, in Dicionário de História Religiosa de Portugal, vol. I, Lisboa, 2000, pp. 402; CD Portugal Século XXI - Distrito de Viseu, CD 2, Matosinhos, 2001; ALVES, Alexandre, Artistas e Artífices nas Dioceses de Lamego e Viseu, vol. III, Viseu, 2001, pp. 12-13; BARROS, Amândio Jorge Morais, Forais de Tabuaço, Tabuaço, 2002; FERNANDES, A. de Almeida, Barcos, in Tabuaço - Toponímia, Tabuaço, 2002; LEÃO, Duarte Nunes de, Descrição do Reino de Portugal, 3.ª ed., Lisboa, 2002; SOUSA, Júlio Rocha e, Tabuaço e o Rio Douro, Tabuaço, 2003; ALMEIDA, Gustavo de, Igreja Matriz de Barcos, in Correio de Tabuaço, Tabuaço, 15 Março 2004; MONTEIRO, Fernando, Percursos no Douro - Tabuaço - Roteiro Natural, Tabuaço, Abril de 2004; GIL, Júlio, As Mais Belas Vilas e Aldeias de Portugal, Paço de Arcos, 2005, pp. 70-71.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID; CMT

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID; CMT

Documentação Administrativa

ADViseu: Lamego (m.° 1, n.° 4, ff. 55v-66v.), Notas de Lamego (n.° 598/98, fls. 51-57 v.); BN: Censual da Mitra (Fundo Geral 10601, fl. 69 v - 79); DGA/TT: Cabido da Sé de Lamego (2.ª Remessa, 23, f. 5-160, 4.ª Remessa, 16, f. 12; 293), Chancelaria de Filipe II (Liv. 6, f. 61), Chancelaria de Afonso VI (Liv. 22, f. 94v), Corpo Diplomático (Liv. 11, pp. 612-614, Gavetas 9-5-18, Gavetas 9-7-35), Doações de D. Afonso III (Liv. II, fl. 34, v.), Diccionario Geographico (vol. 6, n.º 36, fl. 295-296); Paço Episcopal de Lamego: Instituisoens de Capelas - do Distrito da Serra (fl. 299 v-304 v, 82 v, 486 v-489); CELMG: Livros I e II das Visitações de Barcos, Liv. do Invent.° das alfaias (fls. 43 e 43 v.), Livro dos obitos e missas do choro de Barcos (fl. 21); CMT: Divisão de obras

Intervenção Realizada

Séc. 17 - obras de remodelação; JFB: 1948 - escoramento dos caixotões da sacristia; DGEMN: 1954 - obra de intervenção na sacristia, pelo mestre Francisco Pinto Loureiro, constando no: escoramento da cobertura e armação do telhado da sacristia; apeamento e reconstrução das paredes em perigo; apeamento da cobertura; construção da armação do telhado em madeira de carvalho; colocação de telha nova; reconstrução dos caixotões; 1955 - obras na capela-mor, com escoramento da cobertura, execução de frechais em cimento armado e reconstrução da estrutura em madeira de carvalho; colocação de telha; recolocação de telha; construção de 3 portas em madeira de castanho; fornecimento e assentamento de três vitrais na nave da igreja; pintura da caixilharia da capela-mor e sacristia; a obra foi feita por Francisco Pinto Loureiro; 1969 - reparação da cobertura da capela-mor, com substituição de telhas e dos madeiramentos danificados; pintura dos madeiramentos; obra de Francisco Pinto Loureiro; Proprietário: 1970 - instalação eléctrica do imóvel, sendo colocado, na fachada E. um postalete; DGEMN: 1978 - demolição da cobertura e desmontagem do telhado, consolidação do tecto, execução de cintas em betão armado, assentamento de telha, execução do beiral à portuguesa, revisão da cobertura da nave, picagem de rebocos interiores; a obra esteve a cargo de Afonso Ferreira de Oliveira; 1991 / 1992 - desmontagem da cobertura da nave, execução de lintel em betão armado, execução de estrutura em madeira, formando masseira, colocação de telha, execução do acesso à sineira, do tipo alçapão; 1993 - demolição do coro-alto de madeira, incluindo a escada em cantaria; picagem dos rebocos da nave, capela-mor e sacristia e limpeza das cantarias; refechamento das juntas; substituição da porta principal da igreja e respectiva pintura; pintura das portas já existentes; execução de caixilhos em madeira exótica; fornecimento e assentamento de vitrais; reparação do pavimento da nave, com levantamento dos estrados de madeira e cantarias, para abertura de caixa, sendo tratadas as cantarias e recolocadas, sobre brita solta; assentamento de tijoleira; instalação eléctrica; 1998 - reconstrução da escada de madeira de acesso aos sinos, colocação de pavimento nos pisos da torre, em madeira nos dois inferiores e em tijoleira no superior; execução dos respectivos tectos de madeira; instalação eléctrica; refechamento das juntas no interior; aplicação de vidros; reparação da cobertura da sacristia, incluindo impermeabilização e isolamento térmico com placas de polioretano; reconstrução do coro, em estrutura metálica.

Observações

*1 - este ocultou os frescos apresentando Nossa Senhora "com o menino Jesus ao collo", tendo à sua direita São João Evangelista, "com o livro do Apocalypse em que descança o Cordeiro", e à esquerda o Apóstolo São Pedro, "que ostenta a chave, symbolo da sua primazia". *2 - Sabroso: 8$000, 22 alqueires de pão, trigo, 2 alqueires de cera, sabão e incenso; Adorigo: 7$000, 22 alqueires de trigo, 20 de centeio, 22 almudes de vinho, 12 arratéis de cêra, 1,5 arratel de incenso e 2 de sabão; Santo Adrião: 7$000, 27 alqueires de trigo, 22 de centeio, 22 almudes de vinho, 1,5 arratel de incenso, 2 de sabão; Chavães: 6$600, 20 alqueires de pão, 22 de trigo, 22 almudes de vinho; Goujoim: 13$000, 2 arratéis de cera, 2 de sabão, 1,5 de incenso, 22 almudes de vinho, 22 alqueires de trigo e 20 de centeio; Balsa: 22 alqueires de trigo e 2S400 (VILELLA, 1924). *3 - a celebração de 3 ofícios de 9 lições com 20 padres, cada um dos quais recebeu 3 alqueires de trigo e outros 3 de vinho com a obrigação de o encomendarem durante um ano, sendo que com toda a sua fazenda situada no couto de Semide, herdade dos pais, instituiu um vínculo, capela e morgado em que empossou o sobrinho, beneficiado Manuel Rodrigues Manso, com a condição de ele e sucessores lhe dizerem 2 missas semanais perpétuas. *4 - 11 delas foram instituídas pelo Padre Domingos Domingues, instituidor da capela de Manuel da Cunha; o Padre Julião da Cunha comprometera-se a celebrar 6 pela fazenda encapelada que comprara a herdeiros, estabelecendo, por seu turno, novo vínculo onerado por 20 missas, às quais obrigou seu irmão Dinis da Cunha e seus sucessores; a cargo dos Cunhas achava-se outro óbito de 15 missas por alma de Miguel Fernandes, agregado ao de São Sebastião e administrado, em 1644, por Pascoal da Cunha e depois por Luís Botelho de Sequeira, herdeiros das propriedades vinculadas; o Padre Gonçalo Cabral também deixou um óbito de 20 missas. *5 - "Necessita a Capella Mór d'esta Igreja de hua fresta com proporção para que dê suficiente lux a toda ella, que supposto havia duas ficárão encubertas com o retabulo por rezão da tribuna que foi causa d'este impedimento, pello que mando se abra a dita fresta que tenha tres palmos de largura e ao menos seis de alto fóra os rasgos a qual mandarão fazer os mordomos da Conf.ª do S.or com seus varões de ferro atravessados e com sua vidraça e rede e isto por esta vez somente visto que a tribuna foi a causa de que as frestas antigas ficassem impedidas e a obra da tribuna não pertenser á fabrica…" (Liv. I Visit. fls. 105, v.; VILELLA, 1924). *6 - "Como o Côro se acha ameaçando ruina e se não póde evitar a muita agoa que lhe chove e na Pia Baptismal mando que elle se repare de todo o necessario enquanto se não dá outra providencia de fazer-se hüa torre em que tambem se accomode o d.° Coro e querendo o povo fazella lhe concedo liç.ª para isso" (Liv. II Visit., fls. 52, v.; VILELLA, 1924). *7 - no final do séc. 18, a ordem terá sido cumprida, uma vez que, segundo tradição oral, quando em 1870 foram retirados os painéis do tecto da nave, alguns deles embateram no coro destruindo-o, coro esse que era rico em obra de talha, adornado com anjos empunhando trombetas, e que acabou por ser substituído por outro coro, destruído em 1992 e substituído por outro com estrutura de metal.

Autor e Data

Madeira Portugal 1992 / João Carvalho 1997 / Gustavo Almeida 2004

Actualização

Rogério Iglésias 2000
 
 
 
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