Fortaleza de São Miguel

IPA.00024783
Angola, Luanda, Luanda, Luanda
 
Arquitetura militar, seiscentista e setecentista. Fortaleza conciliando o traçado abaluartado e tenalhado, de planta poligonal irregular, composta na frente principal por dois meios baluartes e nas restantes por cinco tenalhas, desiguais, com algumas cortinas retilíneas ou re-entrantes, de escarpa exterior em talude, rebocada e pintada, rematada em cordão e parapeito de merlões e canhoneiras, interiormente percorrida por adarve, acedido por rampas. Sobre os ângulos flanqueados dispõem-se guaritas cilíndricas, sobre mísula e com cobertura em domo. As frentes tenalhadas são circundadas por bateria baixa para tiro a barbete. Foi a primeira fortificação a ser construída em Luanda, ainda no séc. 16, em taipa e adobe, mas o seu traçado atual data do séc. 17 e das reformadas operadas do séc. 18, sobretudo pelo governador D. Francisco de Sousa Coutinho (1764-1772), que mandou construir uma bateria a cavaleiro na frente principal, armazéns acasamatados e uma cisterna abobadada. O acesso ao interior faz-se por porta fortificada, em arco de volta perfeita, sobre pilastras, e encimado por espaldar de cantaria com brasão de Portugal, existindo um outro no paramento da bateria a cavaleiro e na cortina N.. A porta era coberta exteriormente por pequeno revelim, pouco avançado. Na dependência acasamatada, destacam-se os azulejos revivalistas, representando cenas da história de Angola, mapas antigos e paisagens, inspirados em desenhos e gravuras antigas de diversos autores e em fotografias, reproduzidas integral ou parcialmente, conforme o espaço a pintar e as dimensões das gravuras. A fortaleza de São Miguel foi a única fortificação africana onde se fundiram canhões para a sua defesa e, atualmente, constitui um dos ex-libris da capital angolana.
Número IPA Antigo: AO911103000004
 
Registo visualizado 4111 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Fortaleza    

Descrição

Planta poligonal irregular composta por dois meios baluartes dispostos a S., com bateria alta a cavaleiro, e cinco tenalhas, desiguais e dispostas irregularmente, em algumas zonas unidas por cortinas retilíneas ou re-entrantes, com a escarpa exterior em talude, rebocada e pintada de ocre, rematada por cordão e parapeito de merlões e canhoneiras. Sobre alguns ângulos flanqueados dispõem-se guaritas cilíndricas, sobre mísula, desenvolvida sob o cordão, com cobertura em domo assente em cornija, em toro, e rasgadas por pequenas frestas de tiro quadrangulares. A frente principal vira-se a S., rasgando-se ao centro da cortina entre os meios baluartes porta fortificada, em arco de volta perfeita, de chave relevada, sobre pilastras, enquadrado por cantaria, rematada por cornija e sobreposta por espaldar retangular de cantaria, até ao cordão, onde surgem as armas de Portugal e lápide. Recuado, surge a bateria a cavaleiro, sensivelmente com o mesmo traçado da frente abaluartada, com paramentos em talude e rematados em parapeito de merlões e canhoneiras, a S., onde existe brasão com as armas de Portugal, e liso nas restantes frentes. As três frentes tenalhadas são circundadas por bateria baixa, definida pela coroa do monte, para atirar a barbete. Na cortina N. existe exteriormente brasão com as armas de Portugal, ladeadas por panóplias militares e sob dossel a abrir em boca de cena. INTERIOR: a porta fortificada tem trânsito coberto por falsa abóbada de berço, lateralmente com portas de verga reta, terminando, virado à praça, em arco de volta perfeita sobre pilastras, encimado por brasão nacional. Esta face virada a N. é rasgada, de cada lado do trânsito, por vãos de arco abatido, moldurados, as janelas gradeadas, desenvolvendo-se nas faces dos topos rampas de acesso aos baluartes e à bateria. No interior da obra a cavaleiro as salas são acasamatadas, com pavimento cerâmico, coberturas em falsas abóbadas de berço e paredes com painéis de azulejos azuis e brancos historiados, formando silhar. A escarpa interior é circundada por adarve, protegido com canteiros de flores, com acesso por rampas; sob o adarve da frente E., existem casamatas acedidas por vãos retilíneos. Quase ao centro da praça, ergue-se edifício quadrangular, com pátio central, e cobertura em telhado de quatro águas e plana sobre o pátio. Tem fachadas de um piso, com cunhais em cantaria fendida, coroados por pináculos, e rasgadas por vãos de arco abatido, moldurados. No extremo N., erguem-se dois corpos retangulares paralelos, de volumes articulados e coberturas em telhados de duas águas. A fortaleza tem ainda outras edificações, nomeadamente a antiga capela, dedicada a São Miguel, paiol sob o reparo NO., acedido por escada e interiormente abobadado.

Acessos

Morro de São Paulo ou Morro da Fortaleza; Calçada de São Miguel; Rua 17 de setembro; Rua D. Francisco do Sover; Calçada dos Enforcados

Protecção

Classificado como Monumento Nacional, Estado Português, Portaria n.º 2837 de 08 setembro 1938 / Decreto Provincial, Boletim Oficial n.º 48 de 02 dezembro 1938

Enquadramento

Urbano, isolado, em posição sobranceira no antigo monte de São Paulo, atualmente denominado de Morro da Fortaleza, e na proximidade da Ilha de Luanda. Junto à face principal possui ampla praça, onde se expõem viaturas militares de várias origens utilizadas nos conflitos entre as forças dos partidos políticos angolanos MPLA, FNLA e UNITA, da República da África do Sul, peças de artilharia, muitas delas portuguesas, e dois aviões "T-6" da Força Aérea Portuguesa. O acesso à fortaleza, precedido de rampa, é ladeado, à direita, por estátua da Rainha Nzinga ou Ana de Sousa, soberana dos reinos de Ndongo e Matamba, que no séc. 17 lutou contra os portugueses. No cimo do morro da fortaleza ergue-se ainda uma bandeira de Angola de grandes dimensões, com 18 metros de comprimento e 12 de largura. Da fortaleza desfruta-se ampla vista sobre a cidade e a ilha de Luanda.

Descrição Complementar

No trânsito da fortaleza existem várias lápides, inscritas: "REPÚBLICA DE ANGOLA / ESTE MUSEU FOI REINAUGURADO À 4 DE ABRIL DE 2013, POR SUA EXCIA. / O PRESIDENTE DA REPÚBLICA E COMANDANTE-EM-CHEFE DAS / FORÇAS ARMADAS ANGOLANAS / ENGENHEIRO / JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS"; "SALVAGUARDAR QUE O MUSEU É DAS / FAA E DEVERÁ BENEFICIAR A / HISTÓRIA DE ANGOLA E DAS FA. / 05 - 05 - 1998 / JOÃO BAPTISTA DE MATOS / GENERAL DE EXÉRCITO"; "PARA QUE OS OFICIAIS, SARGENTOS E / SOLDADOS DAS FAPLA, AS GERAÇÕES / VINDOURAS POSSAM INSTRUIR-SE / SOBRE O ALTO PATRIOTISMO E CORAGEM, / OS SACRIFÍCIOS QUE AO LONGO DOS / SÉCULOS O NOSSO POVO OFERECEU / PARA PODER SER LIVRE, FOI CRIADO / ESTE MUSEU. / LUANDA 31 DE JULHO DE 1978 / IKO CARREIRA / COMANDANTE". Na dependência acasamatada da bateria a cavaleiro surgem painéis de azulejos, azuis e brancos, formando silhar, com representações figurativas alusivas à fauna, flora e história de Angola. Os painéis maiores representam ao centro reproduções de frontispícios do manuscrito da "História Geral das Guerras Angolanas", de António de Oliveira de Cadornega, e extratos de cartas de Angola e África do séc. 17. Os painéis representam: receção do governador João Correia de Sousa à rainha Jinga no palácio do governador de Luanda; painel seccionado em três, representando as quedas de água do Duque de Bragança no Lucala (esquerda), Pedras de ielala no rio Zaire (direita) e frontispício da obra de Cadornega (F1) ao centro; vista da cidade de São Paulo de Luanda no séc. 18, inspirado numa gravura da obra de Dapper; receção do rei do Congo D. Garcia II aos Capuchinhos em 1645, inspirado na gravura da obra P. Labat; batismo do primeiro rei cristão do Manicongo Nzinga a Nkuwa, que recebeu o nome de João em honra de D. João II, em abril de 1491, inspirado na gravura de Filippo Pigafetta; painel tripartido com receção dos portugueses por D. Álvaro rei do Congo, mas a cena de fundo da gravura subjacente, da obra de Dapper, é relativa à receção dos holandeses (esquerda), a receção dos portugueses na corte do rei do Congo em 1491, inspirada na obra de F. Pigafetta (direita), e a combinação de dois frontispícios do livro de António Cadornega (F3 e F6), ao centro; Igreja de Nossa Senhora do Carmo; vista de são Paulo de Luanda em 1856, inspirada em gravura publicada na Illustração Luso-Brasileira, vol. 1, n.º 22; painel tripartido com enterro da rainha Jinga, na Matamba, em 1663, inspirada na gravura da obra de P. Labat (esquerda), vista da igreja e fortaleza de Muxima (direita) e frontispício central com mapa africano (F4); os exploradores Hermenegildo e Roberto Ivens nas margens do rio Cueio em 1884, reprodução da gravura de Heitor & Lallemant; aldeia indígena inspirada numa gravura do livro "De Angola à Contra-Costa"; painel tripartido com Diogo Cão e o levantamento de um padrão na costa de África, inspirado em aguarela de Roque Gameiro; vários painéis com indígenas, homens ou mulheres, um deles representando o feiticeiro de Benquela, inspirado em gravura do livro de Capelo e Ivens; aldeias indígenas; painel tripartido com representação da Santíssima Trindade, inspirada na estrutura e em alguns elementos do Frontispício do livro de Girolamo Merolla de Sorrento (esquerda), vista da fábrica de fundição de ferro de Nova Oeiras nas margens do Luinha (direita) e frontispício do livro de Cadornega ao centro; Ermida de Nossa Senhora da Nazaré em Luanda; Igreja de Nossa Senhora do Cabo de Luanda; painel tripartido por um frontispício do livro de Cadornega, representação dos poços da Maianga do rei de Luanda (esquerda) e vista de São Salvador do Congo em 1686, inspirada numa das gravuras do Congo da obra de Dapper (direita); representação do costume indígena do juramento da bebida chamado "Bulungo", inspirado numa gravura do manuscrito da História Geral das Guerras de Angola, de António de Oliveira Cadornega; representação do costume indígena do juramento do fogo chamado "Quilumbo", inspirado numa gravura do manuscrito da História Geral das Guerras de Angola, de António de Oliveira Cadornega; painel tripartido com representação da chegada das naus portuguesas a África, inspirada em aguarela de Rogue Gameiro; batismo da rainha Jinga em 1622, na Igreja Matriz de Luanda. Na praça da fortaleza expõem-se várias estátuas representando personagens ilustres da história de Portugal e de Angola, aqui concentradas após a Independência do país: Diogo Cão, o primeiro navegador português a pisar solo angolano, no final do séc. 15; Paulo Dias de Novaes, fundador de Luanda, em 1576; Salvador Correia de Sá e Benevides, que reconquistou Luanda aos holandeses, em 1648, e foi governador entre 1648-1651; Pedro Alexandrino da Cunha, governador de Angola entre 1845-1848; o busto de Henrique de Carvalho, explorador da Muatiânvua em Lunda, em 1884; D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal (1128-1185); Vasco de Gama, navegador português, que descobriu o caminho marítimo para a Índia, em 1498; e Luís Vaz de Camões, poeta português *1; O acervo do museu é constituído por viaturas que intervieram na história de Angola, como: uma Renault 6, utilizado por Agostinho Neto, o primeiro Presidente de Angola, quando se encontrava no Congo Brazzaville; uma GAZ 66, usada pelo atual Presidente de Angola durante a luta de libertação nacional; uma UAZ 469, usada pela presidência da república em cerimónias protocolares; uma BTR 152, que transportou os restos mortais do primeiro presidente de Angola, do aeroporto para o Palácio do Povo. Veículos de origem sul-africana, capturados em combate pelas FAPLA, um Buffel e um Kasper (?). Um Panhard AML 90 (ou Elan 90?), usado pelo Exército de Libertação Nacional de Angola, capturado pelas FAPLA, em 1975; um BRDM 2 utilizado pelas FAPLA na batalha do Ebo a 23 de novembro de 1975. Armamento coletivo capturado ao ELNA (lança-foguetes múltiplo e bitubo 30mm) pelas FAPLA na batalha de Kifandongo, em 1975; um sistema Mount Trailer Multiple cal.50 Machine Gun M55 (metralhadora quádrupla 12,7mm), de possível origem portuguesa; peças de 11,4 cm m/46 de origem portuguesa; 4 obuses 8,8cm CM M/43; um obus K 15cm m/1941 de origem portuguesa; um carro "boer", a viatura mais antiga exposta. O museu possui ainda uma rica coleção de peças de artilharia, de vários calibres e épocas, a maioria de origem portuguesa; troços de antigos padrões de origem portuguesa; e no interior das várias dependências fotografias, documentos, armas, uniformes e quadros, que mostram cenas da luta pela independência do país, destacando-se um busto de Agostinho Neto.

Utilização Inicial

Militar: fortaleza

Utilização Actual

Cultural e recreativa: museu

Propriedade

Pública: Estado angolano

Afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ENGENHEIRO: Pedro Pelique (1650).

Cronologia

1574, 12 abril - Provisão real galardoando quem construísse "hum castelo" em Luanda; 23 outubro - Paulo Dias de Novais parte de Lisboa; 1575, 11 fevereiro - desembarque de Paulo Dias de Novais na Ilha de Luanda, como governador, mandando construir de imediato uma fortaleza para proteção da baía; é construída segundo o sistema abaluartado, em forma de uma estrela com quatro pontas; 1576, 25 janeiro - 15 dezembro - passagem de Paulo Dias de Novais para Morro de São Paulo; 1589, 09 maio - data da morte de Paulo Dias de Novais; 1599 - 1600 - aparece na Costa de Angola quatro barcos corsários; 1616, 09 julho - Memorial afirma que Luanda não tem fortaleza ou fortificação; 1623 - aparecimento de corsários holandeses na região, sendo batidos pelos navios portugueses; 1624, outubro - entrada de corsários holandeses no porto de Luanda; 07 dezembro - holandeses abandonam a Ilha de Luanda; 1624 - 1629 - Manuscrito de Fernão de Sousa menciona "fiz outro bo Môrro de Sam-Paulo"; 1625 - o rei D. Filipe III manda constituir uma comissão para estudar a fortificação da cidade (Santos, 1967, p. 15); 1626, 28 dezembro - envio para Lisboa do relatório elaborado pela comissão, onde delibera a construção de fortificações na cidade em ordem de importância; 1627 - elevação da cidade de São Paulo de Luanda à categoria de capital administrativa da região de Angola; 1629, 29 fevereiro - relatório do sindicante António Bezerra Fajardo solicitando a construção de um forte no morro de São Paulo; 1634 - construção de fortificação no morro de São Paulo, em taipa e adobe; 1636 / 1638 (?) - obras ou reforma da fortaleza, em barro, taipa e adobes; 1639 - envio de um técnico militar para estudar a fortificação de Luanda; 1641, 24 agosto - holandeses atacam e ocupam a fortificação; 1641 - 1648, 15 agosto - durante a ocupação holandesa, passa a designar-se de Forte Aardenburgh; 1648, 15 agosto - desembarque do governador Salvador Correia de Sá e Benevides em Luanda conquistando, ainda durante o mês, o forte de São Paulo, que passa a designar-se de São Miguel, Santo da sua devoção; 1650 - apresentação ao Conselho Ultramarino dos planos de fortificação de Luanda, a pedido do governador Salvador Correia de Sá, encarregando o engenheiro francês Pedro Pelique, que veio consigo do Rio de Janeiro, para proceder à traça das fortificações que lhe parecessem necessárias (Santos, 1967, p. 22); 1669 - 1676 - reconstrução da fortaleza em alvenaria, durante o governo de Francisco de Távora, deixando concluídos um baluarte e duas cortinas; 1685 (?) - conclusão de um segundo baluarte, em taipa e de outras obras; 1697 - 1701 - construção da casa da pólvora no interior da fortaleza, durante a governação de César Meneses (Santos, 1967, p. 27); 1726, 10 janeiro - ofício ao Rei informa que a fortaleza está arruinada a inútil; 1728, 27 fevereiro - ofício ao Rei informa que as fortalezas de Luanda já estão reparadas; 1737 - construção, a cantaria de um segundo baluarte; 1738 - 1748 - construção de "hum lanço de cortina" e das obras exteriores; 1753 - 1758 - construção de "huma praça baixa"; 1755 - elaboração de códice com a planta de todas as fortalezas de Luanda, pelo Sargento-mor Magalhães e Bragança; 1760 - 1770 - transferência dos armazéns da "Casa da Pólvora" e adaptação do edifício a prisão; 1766 - 1772 - construção da cisterna, conhecida como cova da onça; 1768 - construção de uma bateria a "cavaleiro"; 25 novembro - envia-se ao Rei planta da fortaleza; 1770 (?) - adaptação da "bataria-baixa" a fundição de canhões; 1771 - procede-se à fundição de canhões no forte; 1795 (?) - terraplanagem da esplanada; 1799, dezembro - envio para Lisboa de uma planta da fortificação; 1817, 02 fevereiro - ofício ao Rei informando que a cisterna da fortificação secara, facto de que não havia memória; 1822 - durante um motim militar, os soldados do Regimento de Linha vão à fortificação libertar o seu comandante; 1823 - rebelião do Batalhão Expedicionário aquartelado na fortaleza; 1836, 30 agosto - soldados desenfreados entram na fortaleza e assassinam o respetivo comandante; 1834 - movimento constitucional da "Atochada"; 1843, março - queda de um raio sobre o cavalheiro, danifica a abóbada; 1876, 15 setembro - data da portaria criando o Depósito de Degredados de Angola, que se estabelece na fortaleza; 1881 - só nesta data começa a funcionar o Depósito e depois da construção de um edifício de dois pisos; 1930 / 1938 - extinção do Depósito de Degredados e abandono da fortificação; 1938 - Governo Português ali instala o Museu de Angola pelo, criado pela portaria n.º 6; colocação de painéis de azulejos na casamata com cenas da história de Angola e exemplares da sua fauna e flora; 08 setembro - classificada como Monumento Nacional, por Portaria n.º 2837 do então Ministro das Colónias, Francisco José Vieira Machado; 1939, 30 julho - descerra-se uma lápide alusiva à visita Presidencial; 1948, 25 agosto - festas comemorativas de Restauração de Angola e descerramento de lápide na fortaleza; 1961 - remoção total do acervo do museu, voltando a fortaleza a assumir funções militares, com a instalação do Comando das Forças Militares Portuguesas; instalação do Destacamento Avançado de Combate do Batalhão de Caçadores Paraquedistas de Tancos; 1964, até - ali permanece a 1.ª Companhia de Caçadores Paraquedistas do Batalhão de Caçadores Paraquedistas n.º 21; 1964, 02 maio - homenagem do município às Forças Armadas, com o descerramento de uma lápide; 1975, 10 novembro - realiza-se na fortaleza a última cerimónia do arrear da bandeira Portuguesa em Angola, perante três ramos das Forças Armadas Portuguesas; 1975 - 1978 - funciona como Estado-Maior General das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA); 1978, 31 julho - inauguração do Museu Central das Forças Armadas na fortaleza; 1995 - considerada como um dos principais patrimónios edificados da capital e do país; 1996 - incluído na Lista Indicativa a Património Mundial da UNESCO; 2001 - 2005 (?) - a fortificação volta a ter utilização militar parcial, sendo integrada no sistema de defesa área de pontos sensíveis da capital angolana; 2013, 04 abril - reinauguração do Museu Nacional de História Militar na fortaleza, pelo Presidente da República e Comandante-em-chefe das Formas Armadas Angolanas, o Engenheiro José Eduardo dos Santos; na mesma data, inaugura-se a "Bandeira-Monumento" de Angola, dedicada "aos heróis da Pátria e a todos os que contribuíram para a independência nacional, a paz e o progresso de Angola".

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura de alvenaria de pedra, rebocada e caiada de bege; portal, molduras dos vãos , pináculos e brasões em cantaria; portas de madeira; silhar de azulejos azuis e brancos; pavimento cerâmico, os exteriores em lajes e alvenaria de pedra; edifícios com coberturas de telha.

Bibliografia

BOXER, C. R. - Salvador de Sá and the Struggle for Brazil and Angola, 1602-1686. 1952; MATTOSO, José - Património de origem portuguesa no mundo. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2010, vol. 2, pp. 445-446; SANTOS, Nuno - A Fortaleza de São Miguel. Luanda: Instituto de Investigação Científica de Angola, 1967; XAVIER, Francisco - Três fortalezas de Luanda em 1846. Museu de Angola. 1954; Miguel Machado - "Museu Nacional de História Militar Angola" (http://www.operacional.pt/museu-nacional-de-historia-militar-angola/), [consultado em 17-04-2014]; João Moreira, Memória de Angola. O Restauro dos azulejos da fortaleza de São Miguel em Luanda, (https://sites.google.com/site/azulejosdafortalezadeluanda/), [consultado em 17-04-2014]; Fortaleza de São Miguel de Luanda, (http://pt.wikipedia.org/wiki/Fortaleza_de_São_Miguel_de_Luanda), [consultado em 17-04-2014].

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IRHU: SIPA

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSARH

Intervenção Realizada

1861 - obras de melhoramento da estrada de acesso e reparação do revelim; 1861 - 1881 - realização de algumas obras de adaptação da fortaleza para funcionar como Depósito de Degredados de Angola; 1882 - grandes obras de adaptação da fortaleza a Depósito de Degredados, com destruição de muitas das suas características; 1938 - obras de adaptação para instalação do Museu de Angola; 1995 - várias intervenções pontuais no exterior do imóvel; 2010 / 2013 - reparação geral de paramentos interiores e exteriores da fortaleza e das suas dependências, incluindo o restauro de painéis de azulejo, reorganização do acervo museológico, beneficiação de acessos e estacionamentos exteriores.

Observações

*1 - As estátuas foram retiradas, após a independência de Angola, dos seguintes locais onde até ali se implantavam: a de Diogo Cão, do centro do antigo Largo Diogo Cão junto ao Edifício do Porto de Luanda (v. IPA.00030481), ao Palácio do Vidro (v. IPA.00032118) e ao Hotel Presidente (v. IPA.00032113); a de Paulo Dias de Novais, do centro do Largo fronteiro à Igreja de Nossa Senhora do Cabo (v. IPA.00034162) na Ilha de Luanda; a de Salvador Correia de Sá, da praça em frente à Igreja de Jesus (v. IPA.00034163) e junto ao então Palácio do Governo de Luanda (v. IPA.00030475); a de Pedro Alexandrino da Cunha, do centro da praça entre o Edifício dos CTT (v. IPA.00032103) e o Edifício da Livraria Lello (v. IPA.00032116), em Luanda (antigo Largo Pedro Alexandrino da Cunha); o busto de Henrique de Carvalho, da praça junto à Sé de Saurimo (v. IPA.00032603) e ao Palácio do Governo de Saurimo (v. IPA.00032599), onde atualmente figura um busto do Presidente Agostinho Neto (Saurimo corresponde à antiga cidade de Henrique de Carvalho, na Lunda Sul); a de D. Afonso Henriques, do antigo Largo D. Afonso Henriques, junto ao antigo Teatro Nacional "Chá de Caxinde" (v. IPA.00034694), hoje Avenida do 1º Congresso do MPLA, em Luanda; a de Vasco da Gama, do centro do pequeno largo (antigo Largo Vasco da Gama) situado junto à Marginal de Luanda (Avenida 4 de Fevereiro), imediatamente a N. do edifício do Banco de Angola (v. IPA.00031512), e onde hoje se localiza a Embaixada da Alemanha; e a de Luís Vaz de Camões, de uma placa central na confluência entre as Ruas da Missão e de Nossa Senhora da Muxima, em Luanda, junto ao local onde hoje se ergue o Hotel Epic-Sana.

Autor e Data

João Almeida (Contribuinte externo) e Paula Noé 2014

Actualização

 
 
 
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