Núcleo urbano da cidade de Colónia / Bairro histórico da Colónia do Sacramento

IPA.00024434
Uruguai, Colônia, Colónia Sacramento, Colónia Sacramento
 
Núcleo urbano sede administrativa. Cidade situada em estuário na fronteira do rio da Prata. Vila moderna e praça de guerra de fundação régia portuguesa.
Número IPA Antigo: UY920402000001
 
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Registo

 
Conjunto urbano  Aglomerado urbano  Cidade  Cidade moderna  Cidade fortificada  Régia (D. Pedro II)

Descrição

Acessos

Avenida Franklin D. Roosevelt

Protecção

Património Mundial - UNESCO, 1995

Enquadramento

Urbano, situado em margem fluvial. Localiza-se no extremo O. da península de San Gabriel junto à confluência dos rios Uruguai e da Prata. A cidade de Colónia é sede administrativa da província do mesmo nome e dista 170km da capital, Montevideu.

Descrição Complementar

Da antiga praça conserva parte da muralha, o fosso, a ponte levadiça e os bastiões de San Miguel, San Antonio, del Carmen, de San Pedro e de Santa Rita, defendidos por poderosos canhões. O traçado da cidade é de origem portuguesa e contrasta com o clássico plano em forma de tabuleiro de xadrez legislado pelas Leis das Índias, comum a todas as cidades de origem espanhola. Porta de Campo, ou "Porta da Cidadela" localizada frente à atual Praça 1811. Casa do Governador, conjunto de muros e arcos de pedra associados a pavimentos que se encontram localizados na esquina da rua do Comércio com a rua das Missões dos Tapes, na vizinhança do Museu Municipal. Basílica do Santíssimo Sacramento, a igreja considerada a mais antiga do país, sofreu sucessivas destruições parciais por acidentes ou lutas armadas. Rua dos Suspiros, tramo mais emblemático de todo o âmago histórico de Colonia del Sacramento. Antigamente chamada rua Ansina e mais tarde Montevidéu-pequena (1927), trata-se de uma calçada bem estreita, pavimentada com toscas pedras de cantaria. As construções que a integram modestamente sem trair sua individualidade são típicas e populares da primeira metade do século 18, algumas com tetos de vigas de madeira, canas sustentadas com tentos, lama e cobertas de telhas. Além da finalidade bélica, o estabelecimento da colónia atendia aos interesses do setor mercantil da burguesia portuguesa, interessada em recuperar o acesso ao contrabando no rio da Prata. A supressão do monopólio português de fornecimento de escravos africanos em 1640, cortara a possibilidade de envio, para a América Espanhola, de produtos brasileiros como o açúcar, o tabaco, o algodão, além de manufaturas europeias, em troca da prata peruana. Adicionalmente, havia interesse em diminuir a concorrência aos couros brasileiros no Rio de Janeiro, além de estabelecer um marco fronteiriço que servisse de meta para alcançar por terra o rio da Prata. Nesse contexto, era importante encontrar uma solução para a crise económica portuguesa da segunda metade do século 17 (ante ao declínio do preço do açúcar no mercado, a pressão dos interesses comerciais da burguesia inglesa para garantir acesso ao mercado de produtos ingleses e a perda das colónias do Oriente), pelo acesso às regiões mineiras hispano-americanas por Buenos Aires - pretensão impedida pelo monopólio espanhol. Dessa forma, a Colónia transformou-se em um dinâmico centro de contrabando anglo-português. A fundação da Colonia e a abertura de mercado consumidor de gado, couro e carne salgada nas Minas Gerais, e gado muar posteriormente, determinaria o desenvolvimento da pecuária na Capitania do Rio Grande de São Pedro.

Utilização Inicial

Não aplicável

Utilização Actual

Não aplicável

Propriedade

Não aplicável

Afectação

Não aplicável

Época Construção

Séc. 17

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

1668 - após a assinatura do tratado de paz luso-espanhol, foi decidido a fundação de uma praça-forte na margem oriental do Rio da Prata, a que se denominou Colónia do Santíssimo Sacramento; Portugal, não desistira de estender seus domínios até a foz do rio da Prata e o rei ordenou (1678) a fundação da que se denominou Colónia do Santíssimo Sacramento, naquela região para sustentar e afirmar seus direitos sobre a localidade; 1679, fins - A Coroa Portuguesa determinou ao governador e capitão-mor da capitania do Rio de janeiro, D. Manuel Lobo, fundação de uma praça-forte na margem oriental esquerda do Rio da Prata; Inicialmente era uma fortificação simples, com planta no formato de um polígono quadrangular; 1680, 22 janeiro - início do estabelecimento, pelas forças portuguesas; 2 Fevereiro - levantamento da igreja primitiva, estrutura modesta feita de barro e palha; 7 Agosto - o Governador de Buenos Aires, José de Garro, atacou a colónia, conquistando a fortaleza e fazendo o governador prisioneiro, episódio conhecido como Noite Trágica; 1681, 7 maio - Colónia foi devolvida a Portugal pelo Tratado Provissional de Lisboa, pelo qual a Coroa Portuguesa se comprometia a efetuar apenas reparos nas fortificações feitas de terra e se erguessem abrigos para o pessoal; 1683, 23 janeiro - depois de complicadas e prolongadas negociações com a coroa espanhola, Portugal conseguiu que a Colónia lhe fosse devolvida sem recurso a força militar (Carita, 1996, p. 87); uma esquadra portuguesa tomou posse da Fortaleza de São Gabriel, tendo os portugueses se mantido na Nova Colónia do Sacramento até 1705; 1690 / 1698 - durante a governação de D. Francisco Naper a colónia conheceu um alguma prosperidade, visível no aumento da população, com a chegada de muitas famílias, ainda que muitas delas por obrigação e em cumprimento de penas (Carita, 1996, p. 88); 1699 - construção da igreja matriz em pedra e cal, por ordem do Governador Sebastian de Veiga Cabral; 1703 / 1704 - Diogo da Silveira Veloso, engenheiro, recebeu ordens do rei para construir uma igreja na colónia, mas que nunca foram cumpridas; as muralhas da colónia teriam sido engrossadas durante este período (Faria, 1996, 89); 1705 - um poderoso ataque à praça por forças espanholas sob o comando de Afonso Valdez, fez com que as forças portuguesas se vissem obrigadas a abandonar o território e partir para o Brasil; 1715, 6 fevereiro - assinatura do tratado de Utrecht a coroa espanhola teve que devolver a Colónia de novo a Portugal, dentro da chamada política do tiro de canhão, que significava que o território da Colónia não deveria passar do alcance de um tiro de canhão disparado dos muros da fortaleza; 1716 - novo governador da Colónia toma posse; são enviadas forças militares vindas do Brasil e cerca de 60 famílias transmontanas para povoarem o território (Faria, 1996, 89); 1735, 3 Outubro - a colónia sofreu um pesado cerco por forças espanholas sob o comando de D. Miguel de Salcedo, durante 22 meses que foram cruciais para o desabar da estrutura económica e financeira da praça; as quintas e casas foram saqueadas e as ligações comerciais com os territórios envolventes ficaram seriamente comprometidas (Faria, 1996, 90); 1745 - Puerta de Campo, ou "Puerta de la Ciudadela" localizada frente à actual Praça 1811, inaugurada pelo ano 1745, período em que governava o português António Pedro de Vasconcellos (1722 e 1749), quem impulsionou a construção de toda a cidade; Rua de los Suspiros, tramo mais emblemático de todo o âmago histórico de Colonia del Sacramento. Antigamente chamada rua Ansina e mais tarde Montevidéu-pequena no ano 1927, trata-se de uma calçada bem estreita, pavimentada com toscas pedras de cantaria. As construções que se integram modestamente sem trair sua individualidade são as típicas e populares da primeira metade do século 18, algumas com tetos de vigas de madeira, canas sustentadas com tentos, lama e cobertas de telhas; 1750, 13 Janeiro - o Tratado de Madrid assinado entre Portugal e Espanha estipulava a permuta da Colónia do Sacramento pelos Sete Povos das Missões do Uruguai, troca essa que nunca foi efectivada (Faria, 1996, 91); 1761, 12 fevereiro - celebrado o Tratado de El Pardo que anula as disposições do Tratado de Madrid, devido às dificuldades das demarcações e à resistência suscitada pela Guerra Guaranítica (1753-1756). Na época o núcleo urbano já estava defendido por uma muralha de traçado poligonal irregular, abaluartada, constituída pelos: Baluarte do Carmo, Baluarte de São João, Baluarte da Bandeira, Baluarte de São Miguel, cobrindo o lado de terra, onde se rasgava o portão de armas da praça. A coberto desta linha defensiva, erguiam-se os Quartéis, as Casas de Pólvora e os Corpos da Guarda. Pelo lado do rio, uma linha de canhoneiras (Bateria de São Pedro de Alcântara e a Bateria de Santa Luzia); 1762, 30 outubro - colónia foi de novo conquistada pelas forças espanholas sob o comando de D. Pedro de Cevallos; 1763 - a assinatura do Tratado de Paris devolveu, de novo, a praça a Portugal; 1777, 30 maio - nova invasão espanhola por D. Pedro de Cevallos, arrasou as fortificações da colónia. O Tratado de Santo Ildefonso, assinado neste mesmo ano entre as coroas portuguesa e espanhola, para a fixação das fronteiras entre as duas potências no continente sul-americano, restabeleceu as linhas gerais do Tratado de Madrid: a Colónia do Sacramento, o território das Missões e parte do atual Rio grande do Sul eram cedidos à Espanha, que devolvia a ilha de Santa Catarina a Portugal confirmou a perda da colónia, apesar de ter restituído tudo o resto; 1801 - o Tratado de Badajoz, assinado entre Portugal e Espanha no contexto das Guerras Napoleónicas acordou a paz entre os dois países na Europa, mas não ratificou o Tratado de Santo Ildefonso; 1811 / 1816 - depois de ter sido conquistada pelos ingleses, a colónia voltou a ser ocupada pelos portugueses durante as invasões da Banda Cisplatina; 1817, a partir - A Colónia do Sacramento voltou à posse de Portugal, quando D. João VI incorporou toda a região do atual Uruguai aos domínios do Brasil; 1822 - a Colónia integrou os domínios do Império do Brasil, na independência deste; 1828, 27 Agosto - estabelecimento da Convenção Preliminar de Paz entre o Império do Brasil e as Províncias Unidas do Rio da Prata, ratificado pelo Brasil em 30 de Agosto e pela Argentina a 29 de Setembro, e que chegou a Montevidéu a 4 de Outubro; por este diploma, a República Oriental do Uruguai tornava-se independente, momento em que o último comandante, brigadeiro Manuel Jorge Rodrigues abandonou a praça; 1745 - Puerta de Campo, ou "Puerta de la Ciudadela" localizada frente à atual Praça 1811, inaugurada pelo ano 1745, período em que governava o português António Pedro de Vasconcellos (1722 e 1749), quem impulsionou a construção de toda a cidade; 1995 - inscrito na lista de Património Mundial da UNESCO com o critério IV, revelando-se um exemplo excecional de um tipo de construção ou de conjunto arquitetónico ou tecnológico ou de paisagem ilustrando um ou vários períodos significativos da história humana.

Dados Técnicos

Não aplicável

Materiais

Não aplicável

Bibliografia

ALMEIDA, Luís Ferrand, A Colónia do Sacramento na época da sucessão de Espanha, Coimbra, Faculdade de Letras/Instituto de Estudos Históricos, 1973; CARITA, Rui, A Colónia do Sacramento no Uruguai: os engenheiros militares na construção da expansão dos séculos XVII e XVIII, in Oceanos n.º 28, Out.-Dez. 1996, pp. 81-94; MATTOSO, José (dir.), América do Sul, Património de origem portuguesa no mundo, arquitectura e urbanismo, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2010, p. 260 - 264; ROHDEN, Luiz Fernando, "Formaç~ão da Rede Urbana do Sul do Brasil nos séculos XVII e XVIII", Oceanos, Lisboa, 41, 2000, pp. 120-134

Documentação Gráfica

Gabinete de Estudos Arqueológicos e Engenharia Militar: 46093-38-52; 46281A-10A-53; 46271A-10A-53; 27261A-10A-53; Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro

Documentação Fotográfica

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

EM ESTUDO

Autor e Data

Sofia Diniz 2006 / Rita Vale 2011

Actualização

Manuel Freitas (Contribuinte externo) 2011
 
 
 
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