Igreja Paroquial de Carragosa / Igreja de Nossa Senhora da Assunção
| IPA.00002421 |
| Portugal, Bragança, Bragança, Carragosa |
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| Arquitectura religiosa, barroca. Igreja paroquial de planta longitudinal composta de nave única e capela-mor indiferenciadas, interiormente com iluminação axial e bilateral e tectos de madeira. Fachadas rebocadas e pintadas, à excepção da principal, que termina em empena truncada por dupla sineira e é rasgada por portal de verga recta entre pilastras e encimado por frontão interrompido. Fachadas laterais rasgadas por janelas, a lateral direita com porta travessa de verga recta, e a posterior terminada em empena. Interior com coro-alto, confessionários embutidos, púlpito no lado do Evangelho, duas capelas laterais, confrontantes, e retábulo-mor de talha policroma, tardo-barroca. |
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| Número IPA Antigo: PT010402060044 |
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| Registo visualizado 344 vezes desde 27 Julho de 2011 |
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Edifício e estrutura Edifício Religioso Templo Igreja paroquial
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Descrição
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| Planta longitudinal composta de nave única e capela-mor, indiferenciados, rectangulares, e sacristia, rectangular, adossada à fachada lateral esquerda. Volumes escalonados com coberturas diferenciadas com telhados de duas águas, rematadas em beirada simples. Fachadas terminadas em friso e cornija, com pilastras toscanas nos cunhais sobrepujadas por fogaréus. Fachada principal virada a O., em cantaria aparente, terminada em empena truncada por dupla sineira, com vãos em arco de volta perfeita, sobre pilares, albergando sino rematada por cornija coroada por cruz latina sobre acrotério ladeada por pináculos. Acede-se às sineiras por escada de cantaria adossada à esquerda. É rasgada por portal de verga recta, sobre pilastras, encimado por frontão de volutas interrompido por cruz latina, ladeada por pináculos tipo pêra sobre acrotérios; encima-o janela rectangular moldurada, tendo no topo e na base motivo triangular. Fachadas laterais e posterior rebocadas e pintadas de branco, a da capela-mor percorrida por embasamento; a lateral esquerda tem a nave cega e a capela-mor rasgada por janela rectangular e a lateral direita é rasgada, na nave, por porta travessa de verga recta com moldura terminada em pequena cornija e duas janelas de capialço e, a capela-mor, por uma janela igual à oposta; esta é ladeada por mísula. Fachada posterior com capela-mor cega e terminada em empena, coroada por cruz latina sobre acrotério, e a da sacristia rasgada por janela rectangular; esta é ladeada por gárgula que expele a água do lavabo da sacristia. INTERIOR com as paredes rebocadas e caiadas, a nave ritmada por duas pilastras toscanas que se prolongam em arcos torais de volta perfeita, com pavimento em mosaico e tecto em madeira, em falsa abóbada de berço, assente em friso e cornija. Coro-alto sobre trave de madeira, com guarda em balaústres torneados, com acesso por escada de madeira adossada do lado da Epístola. No sub-coro tem baptistério em arco de volta perfeita sobre pilastras albergando pia baptismal. Lateralmente abrem-se três confessionários embutidos, de verga recta, um no lado do Evangelho e dois no da Epístola, estes sob as janelas e cerrados por portas de madeira, gradeadas no terço superior; no lado do Evangelho surge mísula pétrea sustentando a bacia do antigo púlpito, actualmente inexistente, com a respectiva porta de acesso, entaipada, e no da Epístola porta travessa ladeada por pia de água benta gomada. No topo da nave tem duas capelas laterais, confrontantes, com arco de volta perfeita sobre pilastras, com mesa de altar. Arco triunfal de volta perfeita, moldurado, assente em pilastras toscanas almofadadas. Capela-mor com pavimento lajeado e soalhado e tecto de madeira, em falsa abóbada de berço, sobre cornija, tendo no lado do Evangelho porta de verga recta de acesso à sacristia. Sobre supedâneo, dispõe-se o retábulo-mor em talha policroma, a marmoreados fingidos, de planta recta e três eixos, definidos por quatro colunas decoradas no terço inferior por elementos fitomórficos, sobre plintos paralelepipédicos, ornados de albarradas e laçarias, e de capitéis coríntios; ao centro abre-se tribuna, em arco de volta perfeita, pintado com flores, e sobre pilastras dóricas, interiormente decorado com motivos vegetalistas tipo padrão e albergando trono expositivo, de cinco degraus rectangulares ornadas de festões; nos eixos laterais, formando apainelados com motivos florais, sobrepõem-se mísulas sustentando imaginária, encimada por acantos relevados; ático em forma de tímpano semicircular, interrompido ao centro por duas pilastras, decoradas por urnas e elementos fitomórficos, rematadas por cornija, a qual sublinha o eixo central; ao centro do tímpano tem resplendor entre festões. CRUZEIRO composto por soco quadrangular constituído por três degraus, plinto paralelepipédico, em forma de urna, decorado com motivo flordelisado e cornija saliente, com orifício para encaixe do fuste. Este é monolítico, quadrangular, moldurado, com chanfro, preso por "gatos" de ferro a um capitel em forma de gomo, sustentando uma cruz latina de secção quadrangular. O capitel possui gancho de ferro para sustentação de candeia de iluminação. A cruz apresenta na face frontal a representação escultórica do Senhor na Cruz, de pés sobrepostos, com orla radiante, e sobrepujado por cartela. |
Acessos
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| EN 308, Rua da Senhora da Assunção |
Protecção
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| Inexistente |
Enquadramento
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| Urbano, isolado, integração harmónica, num adro murado com acesso por portal definido por pilastras sobrepujadas por pináculos, cerrado por portão de ferro, em posição confrontante com o arruamento principal da povoação. No adro, ergue-se lateralmente um cruzeiro e adro existe tampa sepulcral pétrea do mausoléu da família Pires. |
Descrição Complementar
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| Escada de acesso à sineira de dois lanços, formando L, estando o segundo assente sobre arco de volta perfeita sobre pilastras, com guarda plena de cantaria, arranques volutados e ângulos com plintos coroados por pináculos. |
Utilização Inicial
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| Religiosa: igreja paroquial |
Utilização Actual
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| Religiosa: igreja paroquial |
Propriedade
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| Privada: Igreja Católica (Diocese de Bragança - Miranda) |
Afectação
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| Sem afectação |
Época Construção
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| Séc. 18 / 20 |
Arquitecto / Construtor / Autor
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| Desconhecido. |
Cronologia
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| 1258 - nas inquirições de D. Afonso III, ao se tratar da paróquia de São Vicente da vila de Bragança, menciona-se que o mosteiro de Moreilola era titular de alguns foros em Carregosa e em Soutelo; referem também que a "villa de Carregosa est forria domini regis"; na freguesia de Santa Maria de Carragosa existiam três casais da igreja, honrados, os quais não pagavam foro nem ao rei nem ao concelho de Bragança; os abusos cometidos pelo antigo mosteiro leonês estendiam-se aos cinco casais que administrava na freguesia de Santa Maria de Rio Frio e na aldeia de Soutelo; como antes de serem honrados "eram foreiros de Bragança e peitavam al rei vooz e coima" determinou-se a obrigatoriedade dos monges mostrarem o título dos privilégios para justificarem a isenção relativa à jurisdição régia, delegada no "andador" de Bragança; No reinado de D. Afonso III, o comendador de Santa Maria de Carragosa, D. Velasco, explicitava que esta "villa" pagava foro ao monarca salvo a "octava" que, por força do costume, pertencia à igreja de Santa Marinha de Rio Frio; as rendas da igreja seriam dizimadas e repartidas pelo arcebispo de Braga, pelo concelho de Bragança e pelos clérigos a quem competia o serviço religioso; D. Velasco afirmaria que duas partes da "vila" e igreja de Santa Marinha pagavam foro ao rei; as duas terças restantes pertenciam à igreja, e também recebia rendas em aldeias como Edrosa, Castrelos, Maixedo e Oleiros; 1320 - a igreja de Santa Maria de Carregosa seria taxada em 15 libras; 1557 - D. Sebastião decidiu trocar uma concessão papal sobre as terças eclesiásticas pela quantia de 150.000 cruzados; em consequência avalia-se os rendimentos das igrejas da diocese de Miranda do Douro, atribuindo-se à reitoria de Carragosa um rendimento líquido de 44$000; 1567 - data do primeiro registo de baptismos documentado; 1571- data do primeiro registo de casamentos documentado; 1580 - data do primeiro registo de óbitos documentado; 1653 - data do primeiro registo de Visitações; 1643, Outono - durante as Guerras das Aclamações, o governador da Puebla de Sanábria respondeu aos saques dos portugueses, dirigindo as tropas para Bragança; das casas da Mitra, em Bragança, que qualificavam de opulentas como o "palácio grande de algum príncipe", fizeram uma espécie de quartel-general, dali partindo vários ataques, um dos quais foi à povoação de Carragosa, ataque comandado pelo alferes Juan Guerrero e que a reduziu a cinzas; 1653 - data do primeiro registo de Visitações; 1706 - segundo o Padre Carvalho da Costa, a paróquia é uma reitoria do padroado da Casa de Bragança; a povoação tem 60 vizinhos; 1718 - arrolamento dos bens da "comenda de Santa Marinha de Rio Frio de Carragoza e suas anexa" de que era comendador Frei Manuel António de Sousa; inventariaram-se os bens e ornamentos que pertenciam à comenda; a a igreja é descrita como tendo "Huma capella maior de cantaria e forrada por sima ao antigo com uma fresta para a parte do Sul e huma porta para a parte do Norte que serve para a sanchristia com tres degraus de cantaria para o altar maior; Hum retaboloão antego dourado com o sacrario onde esta o Santissimo e huma imagem de Nossa senhora da Ascemsão padroeira desta comenda e por sima seo goarda po com penturas e duas credencias hua de cada parte do altar pintadas e tem duas coretinas"; possuía as seguintes imagens: "Huma peanha onde esta a Vergem Nossa senhora da Concessam com o Menino Juse nos brassos e uma imagem de Santa Marinha posta de costas da peanha na parede tudo munto antiguo e hum Sam Bras de bulto muto antiguo com dois paineis na mesma peanha pintados em pau com as imagens de Sam Domingos e Santa Catarina"; a "capela-mor pella parte do Norte tem de compredo de Nacsente a Poente nove aras e de largo de Norte a Sul pella parte do Nascente sinco varas tem duas frestas"; nesta altura a igreja já não era a a mesma que a antiga, pois quando se mediu uma terra de Manuel Rodrigues, para pagar o dízimo, refere-se que se localizava nas imediações da "Igreja Velha"; posteriormente, a igreja de Carregoza passou a ter a invocação de Nossa Senhora da Assunção e tornar-se-ia uma reitoria da apresentação da Casa de Bragança; 1755, 1 Novembro - não padeceu ruína no terramoto; 1758, 23 Maio - segundo o cura Miguel Rodrigues nas Memórias Paroquiais, a freguesia era da Casa de Bragança, apresentada pelo rei, e pertencia ao bispado e comarca de Miranda do Douro, termo da cidade de Bragança; tinha 40 vizinhos e 178 pessoas; situava-se num monte e a paróquia estava dentro do lugar; era a cabeça da reitoria tendo anexas a de Donai, Soutelo e Montezinho e Purtelo; a igreja, com orago de Nossa Senhora da Assunção, tinha duas naves e três altares, o altar-mor com a imagem de Nossa Senhora da Assunção e Santo Estêvão, do lado direito e Santa Engrácia do esquerdo, e os dois altares colaterais, um com a imagem da Senhora do Rosário e outro com a de Santa Bárbara; o pároco era cura por assistir em Donai, o reitor por quem era apresentado; tinha de renda 32 de pão, 11 almudes de vinho e 6$500; tinha juiz espadano sujeito à câmara de Bragança e servia-se do correio dessa cidade; 1936 - data de um dos sinos; séc. 20 - remoção dos altares laterais e outros elementos decorativos; 1976 - data de um dos sinos. |
Dados Técnicos
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| Sistema estrutural de paredes portantes. |
Materiais
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| Estrutura em cantaria, com paramentos rebocados e pintados ou aparentes; molduras dos vãos, cunhais, pilastras, frisos, cornijas, fogaréus, pináculos, sineira e outros em cantaria de granito; retábulos em talha; coro-alto em madeira; pavimentos em lajes graníticas, soalhado e em mosaico; portas de madeira; janelas gradeadas e envidraçadas; cobertura de telha; cruzeiro em cantaria. |
Bibliografia
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| CAPELA, José Viriato, BORRALHEIRO, Rogério, MATOS, Henrique, As Freguesias do Distrito de Bragança nas Memórias Paroquiais de 1758. Memórias, História e Património, Braga, 2007; COSTA, António Carvalho da (Padre), Corografia Portugueza..., Lisboa, Valentim da Costa Deslandes, 1706, tomo I; FERNANDES, Armando, RODRIGUES, Luís Alexandre, Monografia das Freguesias do Concelho de Bragança, Bragança, Câmara Municipal de Bragança, 2004. |
Documentação Gráfica
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| IHRU: DGEMN/DSID |
Documentação Fotográfica
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| IHRU: DGEMN/DSID, SIPA |
Documentação Administrativa
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Intervenção Realizada
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| PROPRIETÁRIO: 1970, inícios da década - obras de conservação geral,durante as quais se removeram os retábulos laterais. |
Observações
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| *1 - A mesa do altar corresponde ao frontal de altar que foi cortado e individualizado para esse efeito. |
Autor e Data
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| Paulo Amaral 1998 |
Actualização
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| Paula Noé 2010 |
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