Vila Portela / Chalet da Portela / Quinta Charters d'Azevedo / Quinta da Portela

IPA.00024033
Portugal, Leiria, Leiria, União das freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes
 
Construída para residência do casal Charters de Azevedo, a Villa Portela passou a funcionar como casa de vilegiatura, quando da mudança dos proprietários para Lisboa. Apresentou desde o início o compromisso entre a casa de veraneio. a moradia burguesa e a quinta agrícola, que se destinava somente a fornecer a casa de produtos frescos para seu uso diário. A propriedade possuía cavalariças, cocheira, celeiro, poço, lago, estufa de flores, residências para empregados e outros equipamentos de apoio. Destaca-se a área alpendurada com pavimento suspenso para arrecadações, capoeiras, dois poços de água, um lago para retenção da água da chuva e uma estufa, assim como a excelente qualidade dos estuques do chalet. Foi uma das primeiras casas em Leiria com casa de banho equipada com águas quentes e frias. Este edifício segue uma tipologia arquitectónica de tipo "chalet suíço", amplo e elegante, rodeado por jardim e parque. Integrado numa quinta, onde nenhuma das entradas permitia ver-se directamente a casa, incutindo-lhe um espírito intimista e aparatoso. Fachada principal com escada de pedra com guarda de balaústres de ferro forjado e pilaretes de ferro fundido com remate em pinha.
Número IPA Antigo: PT021009120154
 
Registo visualizado 72 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial unifamiliar  Casa  Casa abastada  

Descrição

Edifício de planta rectangular composta por volumes articulados e disposição verticalista das massas, de três pisos, sendo o último em águas-furtadas; coberturas diferenciadas em telhados de 2 águas, mais inclinados nas fachadas laterais, com remate em cornija e beiral bastante saliente, decorados por lambrequim em madeira, que igualmente decora as cumeeiras. As fachadas são rebocadas e pintadas de cor-de-rosa, circunscritas por frisos e embasamentos. Os vãos possuem caixilharia pintada de branco e vermelho escuro. A fachada principal, voltada a N., desenvolve-se em quatro panos, com dois corpos salientes, um destacado em cinco faces e rematado em varanda com balaustrada; os vãos são de verga recta, uns com guarda outros com varandim em ferro forjado. O acesso à porta principal é feito por degraus ladeados por corrimão de gradeamento. As fachadas laterais e posterior seguem o mesmo programa, com vários panos e paredes em ressalto, destacando-se uma varanda do piso nobre, em cantaria trabalhada e vazada. Na fachada N. uma bow-window de 5 panos, rematado por terraço protegido por balaustrada, para onde abre a sacada das águas-furtadas. Fachada S. com corpo torreado, avançado, de planta quadrangularINTERIOR composto por salas, quartos e corredores com pavimentos em madeira (tábua corrida); janelas, portas, portadas, silhares, rodapés e arcos pintados de verde, beije, castanho ou cor-de-rosa; escadas envernizadas com corrimão ondulante em ferro forjado trabalhado e rematado a madeira. A cobertura das escadas é em estuque decorado com uma sucessão de octógonos relevados; num dos lanços encontra-se um relógio de pé. Sala de jantar cujo tecto apresenta uma estrutura decorativa em madeira pintada de verde, formando elementos geométricos; paredes pintadas de rosa velho e janelas, portas, portadas, silhares, rodapés e arcos pintados de verde; mobília completa, tapetes e apliques. Portas de corredor em madeira, decoradas com vidros pintados formando elementos geometrizantes. Cozinha com pavimento em madeira e tanque de lavagens em mármore, de bordos arredondados, assente numa estrutura de madeira; paredes revestidas por silhar de azulejos azuis e brancos, com motivos florais, que também revestem a chaminé (defronte desta o chão é revestido por ladrilhos cerâmicos policromos decorados com florões). Escritório com tecto decorado em alfarge, cor-de-rosa, destacando-se secretária de ferragens, torneados e pregarias, cadeiras de vários estilos e estante. Outro escritório com estrutura decorativa de tecto em estuque e madeira pintada de rosa, de formas geometrizantes. Sala dividida por arco abatido com pedra de fecho em motivo vegetalista, tendo ambos os espaços tectos finamente trabalhados e relevados em estuque, com medalhões, rosáceas e laçarias, ao estilo D. Maria; lustre dourado. Sala de estar com mobília de madeira e estofada, com espaldares em medalhão. Alguns quartos apresentam tecto em mansarda (tal como o sótão). Quarto com tecto de estuque, com friso decorado por uma sucessão de florões inseridos em formas onduladas; mobília completa em madeira nobre. Quarto com tecto profusamente decorado com motivos florais relevados, nomeadamente rosas; mobília completa. Biblioteca com tecto em estuque decorado com florões inseridos em quadrados nos cantos; está equipada com estantes, secretária, cadeiras e grande espelho dourado. Quarto de duas camas com tecto em estuque decorado por friso de motivo floral. Sala de jantar com mobília vazada, em balaustrada. Quarto de duas camas com mobília em estilo Directório. Quarto dividido por arco abatido.

Acessos

Largo da República; Rua João Cabral; Rua Sá de Miranda; Rua Dr. José Jardim. WGS84: 39º44'28.31'' N.; 8º 48' 32.59'' O.

Protecção

Categoria: MIM - Monumento de Interesse Municipal, Aviso n.º 13055/2019, DR, 2.ª série, n.º 156 de 16 agosto 2019

Enquadramento

Urbano, a meia-encosta, isolado. Implanta-se em espaço delimitado por muro que marca os limites da quinta, rodeado por frondosa vegetação. Abre-se para o exterior por portão em ferro entre dois grandes pilares de cantaria. Fronteiro fica-lhe a Câmara Municipal (v. PT021009120043) e do lado direito o Edifício do Tribunal de Leiria (v. PT021009120088). No interior do parque existe uma estrutura com colunas em tijolo de burro e telhado em telha, de quatro águas, que protegem um lavabo e um tanque ao centro; o telhado assenta numa armação de madeira. Pequena casinha com janelas de madeira e telhado em telha; eira em betão com círculos escavados. Pombal com paredes de tijolo e cobertura em telha, tendo portas e janelão (três em arco apontado e uma porta larga em arco de volta inteira). Espalhadas pelo parque encontram-se outras dependências para arrumos.

Descrição Complementar

Fachadas rebocadas e pintadas de cor-de-rosa, circunscritas por cantarias (cornijas, embasamentos). AZULEJO: silhar de azulejos azuis e brancos, com motivos florais (também revestem a chaminé); CERÂMICA: peças decorativas e utilitárias em cerâmica; ESTUQUE: tecto decorado no género alfarge, pintado e relevado, cor-de-rosa; tecto finamente decorado com elementos geométricos, florais, laçarias e medalhões relevados, ao estilo D. Maria; tecto finamente decorado com motivos florais relevados; tecto decorado com uma sucessão de octógonos relevados; tecto com friso decorado por uma sucessão de florões inseridos em formas onduladas; tecto profusamente decorado com motivos florais relevados, nomeadamente rosas; MARCENARIA: portas e janelas exteriores pintadas de branco e vermelho escuro; pavimentos em madeira (tábua corrida); pavimentos e escadas envernizados; janelas, portas, portadas, silhares, rodapés e arcos pintados de verde, beije, castanho ou cor-de-rosa; estrutura decorativa de tecto em estuque pintado e madeira pintada de verde, castanho ou rosa; MÁRMORE: tanque de lavagens da cozinha, de bordos arredondados e disposto sobre estrutura de madeira; METAL: corrimão da escadaria interior em ferro forjado trabalhado; varandas e guardas em ferro forjado trabalhado e rendilhado; apliques, candeeiros, lustres, estatueta e torneira em bronze; MOBILIÁRIO: bengaleiro, mesas, cadeiras, louceiros, aparadores, arcas, estantes, secretárias, cómodas, roupeiros, camas, mesas-de-cabeceira, lavatórios, "psichés", espelhos; cadeira de baloiço Thonet; relógio de pé; secretária com torneados e ferragens; cadeirão de braços decorado com pregaria; cadeirões de madeira estofados; sofás; camas, máquina de costura e cadeiras de ferro; VIDRO: portas de corredor com vidros pintados de azul, verde, amarelo e branco. Na quinta encontram-se diversas dependências, algumas delas em mau estado, entre as quais se destacam: um pequeno LAVADOURO, em cimento, coberto por um telheiro de quatro águas que assenta sobre pilares em tijolo; POMBAL construído em tijolo, com cobertura em telha, sendo composto por três corpos, o central mais estreito e elevado. No corpo do lado esquerdo abre-se um arco de volta inteira e no do lado direito uma porta estreita em madeira. O corpo central, de dois pisos, tem duas portas e um janelão em arco apontado.

Utilização Inicial

Residencial: casa

Utilização Actual

Residencial: casa

Propriedade

Privada: pessoa colectiva

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

PROJETISTA: Eng.º Roberto Charters Henriques d' Azevedo (1885-1896)

Cronologia

1894, 7 março - aquisição do terreno a Amélia Charters Henriques de Azevedo, por seu irmão Engenheiro Roberto Charters Henriques de Azevedo, para a instalação de uma residência;(...) a compra foi efectuada por 500$000 e incluía uma courela que era prazo do Cabido da Sé de Leiria com foro de dois alqueires de trigo e uma galinha: esta Pequena Parcela de terreno partia de sul com estrada para a Barreira (...) (in: PORTELA, 2008:216); 1895 - conclusão da construção, segundo um artigo publicado no Correio de Leiria de 3 de Outubro, referindo: "(...) a obra se acha bastante adeantada (...) quasi concluida exteriormente (...)"; 1889 - Roberto Charters d'Azevedo casou com Virgínia da Costa Guerra; 1902 - a Villa Portela é composta por: uma casa de habitação de 2 pisos avaliada em 7 contos de réis; uma casa de habitação para criados e outros cómodos no valor de 1 conto de réis; uma casa de arrecadação na importância de 200 mil réis; uma plantação de 12 mil pés de vinha no valor de 600 mil réis; uma plantação de árvores de fruto, capoeiras, dois depósitos de água e poços com água nativa, no valor de u conto de réis; 13 maio - o prédio urbano encontra-se averbado com o nº 16967; 1917 - cedência de uma parcela de terreno junto à EN 63 (actual Machado dos Santos) à Câmara Municipal, por troca de um outro terreno do lado nascente; 1919 - a Villa Portela é constituída por "casas de habitação, casa para criados e outras acomodações, uma alpenduradacom pavimento superior para arrecadações, capoeiras, dois poços de água nativa, uma estufa; uma casa isoladadestinada a caseirosda parte rústica, vinha e pomares" (in: PORTELA, 2008:219); foi feita a electrificação da propriedade; séc. 20, anos 50 - foi expropriada, pela CML, cerca de 3500 m2 de mata, para a ampliação da Praça da República o que resultou na destruição da alameda de palmeiras e na eliminação da entrada pela Rua Machado dos Santos; 2017, março - aquisição do edifício pela Câmara; 2018, 17 agosto - publicação do Aviso de abertura do procedimento de classificação do edifício, em Aviso n.º 11563/2018, DR, 2.ª série, n.º 158.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria, rebocada e pintada; madeiras não resinadas; cantaria (cornijas, balaustrada, degraus exteriores, varanda, embasamentos); mármore (tanque de lavagens da cozinha); tijolo de burro (colunas de estrutura de jardim); estuque pintado e relevado (tectos); ferro forjado (varandins exteriores, gradeamento de janela inferior na escadaria interior, corrimão da escadaria interior e exterior; portões); ferro fundido (coluna cilíndrica assente no último degrau da escadaria interior); ladrilho cerâmico (pavimento defronte da chaminé da cozinha); azulejo tradicional (silhar da cozinha); madeira (portas, portadas, pavimentos, rodapés, tectos e estrutura decorativa de tectos, arcos, cornijas, lambris, colunas, degraus, parte superior de corrimão, mobiliário, bancos de jardim, remate da parte exterior central do telhado e a forrar a extremidade interna da parte saliente do mesmo); vidro simples (janelas, portas), temperado (janela de wc) e pintado (portas de corredor); cobertura interior pintada e exterior em telha).

Bibliografia

Correio de Leiria, "CHALET", 3 de Outubro de 1895; PORTELA, Ana Margarida, QUEIROZ, Francisco, D'AZEVEDO, Ricardo Charters, Villa Portela, Os Charters d'Azevedo em Leiria e as suas ligações Familiares (séc. XIX), Leiria, 2008. http://chartri.webbuilder02.hostbasket.com/page72626.htm (consulta efectuada em 23/01/2006).

Documentação Gráfica

CMLeiria: Arquivo Histórico Municipal (Processo n.º 26 (mapa arq.), 1884-1889)

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

CMLeiria: Arquivo Histórico Municipal (Processo nº 5, 1884; Procº nº 26, 1884-1889)

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 1919 - instalação eléctrica; 1970 - transformação da fossa asséptica em casa de banho.

Observações

Também conhecida como "Quinta Charters", foi mandada construir pelo Eng.º Roberto Charters Henriques d' Azevedo. O Lg. da República ou Pç. da República foi criado ao alargar-se a estrada para a Barreira e integrar parte do parque da Vila Portela.*1 - De acordo com informação e proposta da Câmara. Roberto Charters Henriques d' Azevedo, engenheiro de Obras públicas, nasceu em Leiria a 23/11/1859 e faleceu em Lisboa a 24/12/1942; era o filho mais novo do 1.º Visconde de São Sebastião e não herdou nenhuma casa, tendo construído uma em parte dos terrenos da Vila Portela adquirida a sua irmã Amélia. Até Abril de 1893 dirigiu a Secção de Hidráulica de Leiria. Nos seus tempos livres dedicou-se à fotografia. O actual proprietário da Vila, Eng.º Roberto Manuel Coutinho de Oliveira Charters d'Azevedo, é seu neto. Existia um segundo poço que se encontrava na parte que foi expropriada pela Câmara, nos anos 50, para fazer a Pç. da República. Foi expropriada cerca de 3500 m2 de mata, tendo sido destruída a alameda de palmeiras e eliminada a entrada pela Rua Machado dos Santos, passando a entrada principal a ser efectuada pela Pç. da República. Quando foi proclamada a República, o Eng.º Roberto Charters Henriques d' Azevedo iluminou a sua casa com pequenas almotolias a azeite. Segundo descrição predial de 20/03/1919: "(...) a propriedade era totalmente murada, localizada numa colina defronte da Câmara Municipal, integrando um parque arborizado (c. 16.071m2), habitações, casa para criados e outras acomodações, uma alpendurada com pavimento suspenso para arrecadações, capoeiras, dois poços de água, um lago para retenção da água da chuva e uma estufa. Hall, cozinha, copa, casa de jantar (estuque a imitar madeira; percorrido por silhar em estuque e rodapé em madeira; almofadas dos pés direitos e alisados das janelas em madeira) , sala nobre, escritório e sala de fumo, escritório."

Autor e Data

Ana Lemos (CMLeiria) 2007 / Cecília Matias 2008

Actualização

 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login