Estação Ferroviária de Elvas

IPA.00023859
Portugal, Portalegre, Elvas, Caia, São Pedro e Alcáçova
 
Arquitectura civil de equipamento, novecentista. Estação ferroviária que integra a Linha do Leste, semelhante às estações de primeira classe desta linha e das linhas do N.. Edifício de passageiros, de uma estação ferroviária, na qual se conjugam elementos ditos da Casa Portuguesa (como a utilização da pedra, beirado dos telhados, jardim e painéis de azulejo de figuração tradicionalista, com vistas e monumentos da região, com cercaduras neo-barroca), com a tecnologia do ferro na cobertura do embarque. Os azulejos são semelhantes aos de Fronteira e de Cabeço de Vide, executados em 1730. Relógio semelhante aos de Chança, Crato e Ponte de Sor, feitos em 1902.
Número IPA Antigo: PT041207010086
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Transportes  Apeadeiro / Estação  Estação ferroviária  

Descrição

EDIFÍCIO DE PASSAGEIROS - Planta composta por bilheteira, gabinete do chefe de estação, gabinete do guarda fiscal, sala do telefone, sala da contabilidade, sala de espera, quatro salas da alfândega e repartição da guarda fiscal *1. Volumes articulados, massas dispostas na horizontal com cobertura em telhado de duas águas nos corpos laterais e quatro águas no corpo central. Fachada principal a. S. De cinco panos divididos por pilastras pintadas de cinzento; embasamento de granito, revestimento de azulejos castanhos até meio e remate em cornija pintada de cinzento e beirado; pano central de dois registos separados por friso de pedra: no piso térreo abrem-se três portas em verga redonda com moldura pintada de cinzento, e no registo superior janela central com verga em arco apontado e duas quadrangulares, cada uma destas sobrepujada por pequena janela, todas com moldura pintada de cinzento e peitoril de granito; panos laterais simétricos entre si, apresentando os mais próximos do pano central duas janelas com moldura cinzenta e uma porta ao centro com moldura idêntica; nos panos extremos abrem-se três janelas e duas portas semelhantes às dos outros panos. Fachada lateral E. Cega com embasamento de granito, cunhais pintados de cinzento, remate em empena triangular com óculo ao centro. Fachada lateral O. idêntica com janela entaipada. Fachada N. de pano único, com embasamento de granito, cunhais pintados de cinzento; remate em cornija de onde arranca cobertura de metal da plataforma, sustentada por colunas de ferro pintadas de azul; ao centro corpo mais elevado com cunhais pintados, três janelas sobrepujadas por três postigos e remate com cornija e beirado do telhado; ao centro rasgam-se três portas de verga curva e de cada lado oito de verga recta, todas com moldura pintada de cinzento; o espaço entre as portas é ocupado por painéis de azulejos azuis e brancos figurados, representando temáticas locais, com cercadura amarela e roxa de motivos concheados e flores. Corpo destacado sobre a esquerda com embasamento de granito, cunhais pintados de cinzento, porta de verga recta e remate com cornija e beirado do telhado. INTERIOR: Sala da bilheteira de planta rectangular com cobertura plana e pavimento de cimento pintado; parede fronteira com silhar de madeira, janelas envidraçadas da bilheteira e porta para escadas de acesso ao primeiro piso; parede da esquerda com vão em arco de acesso à zona administrativa, parede da direita com passagem para corredor que conduz ao cais de embarque. Ala esquerda a partir da bilheteira com contabilidade e administração; zona central com gabinete do chefe da estação, sala de espera e telefone; ala da direita ocupada pela alfândega e corpo separado pela guarda fiscal. 20 painéis de azulejo. Depósito de água com cerca de 100m3. Actual fonte, no local do primitivo depósito de água. No edifício da Guarda Fiscal, funcionou a Delegação Aduaneira.

Acessos

Na saída N. da cidade, seguindo Estrada para Campo Maior. WGS84 (graus decimais) lat.: 38,895410; long.: -7,142284

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Peri-urbano, isolado, implantado a uma altitude de 232m, a SE. da Ribeira do Ceto e a 1,5Km de Elvas. Fachada principal voltada para largo empedrado que dá para estrada. Pequeno jardim murado sobre a esquerda envolvendo a fachada lateral, na extremidade do qual se encontra edifício isolado com instalações sanitárias. Fachada posterior voltada para linhas férreas, plataformas de embarque e armazéns.

Descrição Complementar

Sobre o painel que ocupa o centro existe relógio metálico redondo apoiado sobre mísula em forma de voluta, pintado de azul, com mostrador branco e caracteres romanos a preto. EPIGRAFIA: na fachada principal sob a janela central do registo superior inscrição a letras azuis sobre azulejo: "ELVAS". Na fachada lateral direita a azul sobre azulejos brancos: "ELVAS / PORTUGAL". Na fachada posterior, na parte superior da cercadura dos painéis de azulejo, da esquerda para a direita: "PORTA DE SÃO VICENTE", "MONTADA REGIONAL", "ARCOS CRUZADOS DO AQUEDUTO", "EGREJA DO SO JESUS DA PIEDADE", "UMA FEIRA", "AQUEDUTO DA AMOREIRA", "LARGO DA MISERICÓRDIA", "TRECHO DAS MURALHAS E FOSSO ", "A COLINA E O FORTE DA GRAÇA", "PORTA DA 1A MURALHA", "PORTA DE OLIVENÇA", "PONTE DO RIO CAIA", "JARDIM MUNICIPAL", "TRECHO DO XÉVORA", "LANÇANDO O TRIGO AO VENTO", "CONDUÇÃO DE PASTO PARA A EIRA", "ASPECTO PANORÂMICO DE CAMPO MAIOR", "GADO PASTANDO", "CAMPO MAIOR UM TRECHO DO RIO XÉVORA" e "CAMPO MAIOR PORTA DA VILA".

Utilização Inicial

Transportes: estação ferroviária

Utilização Actual

Transportes: estação ferroviária

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

REFER (Dec.-lei nº 104/97 de 29/04)

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

EMPREITEIRO: D. José de Salamanca (1862-1863). ENGENHEIROS: F. Calderon (1873); PINTORES DE AZULEJOS: Fábrica Constância, Leopoldo Battistini (1933).

Cronologia

Séc. 19 - pedido de ligação ferroviária entre Évora e Elvas, passando por Estremoz e Vila Viçosa; 1859, 30 Julho - o Governo estabeleceu com D. José de Salamanca, um contrato provisório para a construção e exploração do caminho-de-ferro de Lisboa a Badajoz e ao Porto; 1860, 5 Maio - a legislação tornou o contrato definitivo, criando-se a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses; 20 Dezembro - contrato adicional introduzindo algumas alterações; 22 Dezembro - o Governo aprovou os estatutos da Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses; 1861, Janeiro - 1864, Junho - construção da Linha do Leste, que se iniciava em Lisboa, no Cais dos Soldados e terminava em Badajoz, com 275,599Km, dividida em 5 secções: a primeira de Lisboa a Santarém, inaugurada a 01 Julho 1861; a segunda de Santarém a Abrantes, inaugurada a 07 Novembro 1862, a terceira de Abrantes ao Crato, inaugurada a 06 Março 1863, a quarta de Crato a Elvas, inaugurada a 04 Julho de 1863 e a quinta de Elvas à fronteira, inaugurada a 24 Setembro 1863; 1862, Novembro - projecto do edifício de passageiros; 1863, 29 Agosto - inauguração e abertura à exploração do troço entre o Crato e Elvas; 24 Setembro - inauguração e abertura à exploração do troço entre Elvas e a fronteira; 1872-1882 - constituía a maior rede de passageiros em Portugal; 1869 - existia o seguinte pessoal na Estação de Elvas, o chefe da estação, o fiel de primeira, o fiel de segunda, o escriturário, 2 telegrafistas, um factor, um capataz, 2 agulheiros, 5 carregadores e um bombeiro; 1873, Novembro - projecto de alterações nas vias e construção de novos cais, reservatório e habitações para o pessoal, conforme desenho assinado por F. Calderon, engenheiro da via e obras; 1 Dezembro - projecto do aumento do caudal de água, com a exploração da Ribeira do Cêto; construção de um novo reservatório de água; colocação de azulejos nas instalações sanitárias; 1874, 24 Março - autorização para a execução das obras projectadas em 1873; um desenho mostra a existência de um quarto para o Inspector Barcassas; 1 Abril - início do acrescento do edifício de passageiros, ficando em cada ala com cinco panos, para instalação do pessoal na ala O. e da alfândega no lado oposto; 1875 - construção da Casa do Fogueiro, a c. de 1Km da estação; 1881 - a construção do Ramal de Cáceres vem fazer decair a importância da Linha do Leste e o ponto estratégico que era Elvas, na ligação entre Lisboa e Madrid; 1883 - existia o seguinte pessoal na Estação de Elvas, o chefe da estação, o fiel de primeira, um telegrafista, dois factores, um capataz, 2 agulheiros e 6 carregadores; 1886 - existência de um quarto para o representante da Companhia Espanhola; a cocheira tinha um quarto para limpeza de candeeiros e armazenamento de azeite; o dormitório que era de madeira sofreu um violento incêndio; construção de um acesso asfaltado ao cais coberto; 1888 - renovação geral da estação, com construção da marquise, dormitório nas traseiras da cocheira e de um cais coberto; 1889 - a estação de Elvas tinha que garantir um máquina piloto em caso de avarias registadas entre Assumar e Badajoz; 1892 - modificação das linhas de acesso às cocheiras e corte parcial do cais descoberto de mercadorias; 1897 - na cocheira, existia um quarto para maquinistas; construção de um segundo dormitório no Olival da Companhia; 1897-1898 - ampliação da casa da Delegação Aduaneira; 1895 - existia o seguinte pessoal na Estação de Elvas, o chefe da estação, o fiel de primeira, um telegrafista, três factores, 2 agulheiros, 6 carregadores, um guarda de dia e um guarda de noite; 1899 - existiam cómodos para um agente aduaneiro, um inspector, um fiscal do Governo e um fiscal de Via e Obras; a guarita encontrava-se em mau estado, tendo sido demolida; 1902 - colocação do relógio na Estação; 1903, 5 Outubro - projecto para a construção da casa da bomba do poço; 1904, Maio - projecto de construção do guindaste; 1906, Dezembro - colocação de um indicador de nível de água eléctrico no depósito; 1907 - ampliação da Casa do Fogueiro; 1908 - construção de uma plataforma para passageiros; séc. 20, anos 30 - construção da nova estação; 1930 - projecto de depósito, casa da bomba e uma habitação *2, situados a cerca de 300m; 1932-1934 - construção de um cais de mercadorias, instalações sanitárias, cocheiras, residência do agulheiro, largo da estação; colocação de azulejo no interior; 1933 - realização dos painéis de azulejo por Leopoldo Battistini (1865-1936), na Fábrica Constância, em Lisboa, para as fachadas do edifício de passageiros, comparticipados em metade pela autarquia; colocação de um cofre na estação; 1934 - calcetamento do largo da estação; 1937 - construção da lampistaria; 1948 - construção do reservatório de betão armado, com capacidade para 100m3 de água.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Alvenaria rebocada, granito no embasamento, azulejos nas paredes, cimento e tinta no pavimento; ferro na cobertura da zona de embarque e telhas na cobertura; madeira e vidro na bilheteira.

Bibliografia

ABRAGÃO, Federico de Quadros, Caminhos de ferro portugueses: esboço da sua história, 1º vol., s.l., Companhia de Caminhos de Ferro Portugueses, 1956; GOMES, Gilberto e GORDALINA, Rosário, Odore di Carbone. Breves apontamentos relativos à Estação Ferroviária de Elvas, Revista Monumentos, nº 28, Lisboa, IHRU, 2008, pp. 138 - 147.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN / DSID; IMT: DGTT; REFER: Direcção de Património

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN / DSID; CP: Núcleo de Documentação

Documentação Administrativa

IMT: DGTT; REFER: Direcção de Património

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 1872 - substituição das coberturas nos vários edifícios, com colocação de telha; 1908 - remoção do reboco primitivo e colocação de um liso, com rodapé de azulejos; 1932 / 1933 / 1934 - substituição de forros de tectos e de pavimentos; 1934 - reparações de portas, pinturas, rebocos e caiações na casa do aguelheiro;

Observações

*1 - era composta por vestíbulo, bilheteiras, escritório do chefe da estação, telégrafo, sala de bagagens, salas de espera de primeira, segunda e terceiras classes, bufete, cozinhas e habitações. No centro, a casa do chefe da estação e no segundo piso o do restante pessoal. Tinha marquise, latrinas, dois dormitórios, cocheiras, 2 cais cobertos com telha, guarita, cancelas, poço, duas tomadas de água, gabarit de carga, disco de sinais, placas rotativas, báscula. *2 - a residência era destinada a três famílias e seguia o modelo delineado e aprovado em 3 Junho 1927.

Autor e Data

Helena Mantas e Marta Gama 2002 / Rosário Gordalina 2008

Actualização

Rosário Gordalina 2008
 
 
 
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