Forte de São João Baptista

IPA.00002380
Portugal, Ilha da Madeira (Madeira), Funchal, Funchal (São Pedro)
 
Arquitectura militar, maneirista. Forte maneirista com planta em estrela com 4 baluartes pentagonais, praticamente regular.
Número IPA Antigo: PT062203080017
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Forte    

Descrição

Planta em estrela de 4 baluartes pentagonais. Massa de volumes horizontais articulados, com os baluartes a N. com comandamento e edifícios intermédios definindo uma parada baixa lajeada junto às baterias, calcetada e ajardinada, uma média revestida a tijoleira e uma alta, tipo caminho da guarda a unir as duas baterias altas, com piso em cimento; coberturas de terraços lajeados e edifícios com telhados de 4 águas a telha de meia cana com beirais simples e duplos de telha de meia cana. O recinto da fortaleza apresenta portão de alvenaria pintado a branco encimado por frontão com as armas reais em cantaria do Porto Santo, ladeado por pináculos de cantaria, arco de volta perfeita com chave relevada assente em pilastras com capitéis e bases relevadas em cantaria, encimado por cartela em alvenaria. Panos com alambar em cantaria semiaparelhada e largos cunhais em aparelhada, percorridos por cordão sobre faixa de alvenaria pintada a branco, com merlões e canhoneiras revestidas a cantaria aparelhada nos 4 baluartes e panos de ligação cegos; 4 guaritas integradas nos cunhais avançados dos baluartes e na linha das canhoneiras, cobertas com telhado de 3 águas, portas com molduras de cantaria e com as janelas exteriores fortemente gradeadas. Rampa calçada com calhau britado e com muros laterais de protecção precede portão de entrada, com acesso por ponte fixa em alvenaria, encimado por nicho com arco de volta perfeita encimado por cornija de balanço em cantaria colorida de Cabo Girão; entrada directa para a antiga casa da guarda abobadada em cantaria e acesso em cotovelo à bateria baixa por rampa aberta protegida por muros de alvenaria pintada rematados a cantaria vermelha; larga esplanada lajeada e pavimentada com calhau britado grosso, parcialmente ajardinada para N. e delimitada por pano contínuo de edifícios. O conjunto edificado para N. / O. apresenta 2 corpos: um de 3 casernas abobadadas, com 3 portas encimadas por janelão com portas de grade de ferro; outro constituído por edifício de 2 pisos, com portas e janelas de alvenaria e cobertura dupla de telhados de 4 águas; ligação às esplanadas superiores por arco de volta perfeita aberto na linha das fachadas; esplanada média a O. sobre as antigas casernas sobrelevada e lajeada a cerâmica; edifício da messe para E. com 2 pisos e cobertura de 4 águas, entrada a N. com alpendre e para a E. para o piso superior, com balcão, janelas de guilhotina e tapa-sóis de madeira fasquiada pintados a verde escuro; cisterna coberta no centro da parada; edifício de alojamentos para O. com 2 pisos e anexo alpendrado para NE, com cobertura de 4 águas, janelas de guilhotina e tapa-sóis de madeira fasquiada pintados a verde escuro. Pequenas baterias superiores unidas por caminho da guarda e com acesso por E..

Acessos

Funchal (São Pedro), Calçada do Pico

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 32 973, DG, 1.ª série, n.º 175 de 18 agosto 1943

Enquadramento

Urbano, destacado e alcantilado sobre outeiro, isolado por muralha em todo o perímetro.

Descrição Complementar

O portão da fortaleza é em cantaria rija insular com arco de volta perfeita, cornija e lintel relevados e filete decorativo intermédio, impostas relevadas e contrafortes laterais. Da antiga ponte levadiça, restam os orifícios das correntes nos contrafortes e uma parte de uma delas. Para além da pequena cartela muito degradada em cantaria do Porto Santo no portão exterior de entrada datada de 1802, existe data gravada na cisterna murada da parada baixa, 1639 e, ao lado, uma lápide em cantaria cinzenta insular com a seguinte legenda: "O G.or LVIS DE MIRANDA HEMRIQVES PINTO / FEZ O TERÇO DO BALVARTE S. PAULO E QVA / SI TODA A CORTINA Q. PEGA AO BALVARTE / S. JOÃO E A SISTERNA CO SEVS BOCAES / E CORPO DA GVARDA ROTOS NA ROCHA E O / REBELIM DA PORTA E AS 4 CAZAS DOS ALMA / ZEIS DA P.ra PRAÇA ROTAS NA ROCHA E O ESPI / GA DOS OVTROS ALMAZEIS E TERRAPLENO / DESTA PRAÇA". O marco astronómico na bateria superior E. encontra-se datado de 1938.

Utilização Inicial

Militar: forte

Utilização Actual

Militar: quartel / Comercial: messe

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Auto de cessão à Região Autónoma da Madeira

Época Construção

Séc. 17 / 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Mestre das obras reais Mateus Fernandes III (1595, atr.); Jerónimo Jorge (1602 / 1618); Bartolomeu João (1618 - 1658).

Cronologia

1572 - ordem de construção de uma fortaleza para remate da muralha poente da cidade; 1582 - 1º planta da fortaleza a fazer no Pico, provavelmente, por Mateus Fernandes III; 1583, Novembro a Dezembro - diligências de D. Agostinho de Herrera, conde de Lançarote, em Madrid, para a construção da fortaleza; 1602 - deslocação do sargento-mor do Funchal, Roque Borges de Sousa a Valladolid e entrega da maqueta da fortaleza a construir no Funchal; é construída em taipa de pau-a-pique sob orientação de Jerónimo Jorge; 1605 / 1606 - guarnição da fortaleza com soldados do presídio castelhano comandados pelo tenente Alonso de Segura; 1611 - nomeação do tenente João Peres para o comando da fortaleza; 1618 - trabalhos vários nos caboucos dos futuros panos de pedra e cal, sendo apontador o capitão António de Salamanca Polanco; 1635 - informação na "Insulana" de Manuel Tomás em como Bartolomeu João dirigia a construção da fortaleza; 1639 - data da cisterna; 1641 - data da lápide evocativa em como se tinham terminado o terço do baluarte de São Paulo, a cortina que fecha o baluarte de São João, a cisterna com seus bocais, o revelim da porta e as 4 casas de armazéns rotos na rocha; 1655, 4 Dez. - nomeação de D. João IV para o tenente Benedito Catalão dado o servir há mais de dez anos; 1668 - sedição no Funchal contra o governador em que participa o comandante do Pico, tenente João Vieira Pita, tendo o governador sido preso na fortaleza; 1699 - 1º provimento de artilharia no condestável Manuel Pinto de Sousa; 1730, 5 Outubro - guarnição da capela de São João, sendo condestável da fortaleza Luís Gonçalves; 1758, 12 Junho - carta do governador, o bispo D. Gaspar, pedindo para se tirar o paiol de dentro da fortaleza; 1770 - prisão do morgado João José Bettencourt de Freitas na fortaleza; 1802 - execução do portão de entrada da cerca; 1828 - saída do paiol para as novas instalações; 1901, 22 Junho - última salva efectuada na fortaleza (visita régia); 1929 - instalação da Marinha e construção da estação rádio-naval; 1940, 26 setembro - publicação de Decreto nº 30 762, no DG, 1.ª série, n.º 225, determinando a classificação do Forte de São João Baptista como Imóvel de Interesse Público; 01 novembro - publicação do Decreto nº 30 838, DG, 1.ª série, n.º 254, suspendendo o decreto n.º 30 762, de 26 de setembro do mesmo ano, relativamente à classificação de imóveis de propriedade particular; 2014, 04 julho - publicação da Resolução do Conselho de Ministros n.º 44/2014, DR, 1.ª série, n.º 127, relativo à desafetação do domínio público militar e integração no domínio privado do Estado, afeto ao Ministério da Defesa Nacional, do imóvel designado por Fortaleza do Pico de São João; autoriza ainda a cessão a título definitivo do imóvel à Região Autónoma da Madeira, mediante a compensação consubstanciada na transferência da propriedade da embarcação "Blaus VII" para o Ministério da Defesa Nacional - Marinha, mantendo-se, nos termos ajustados em protocolo já celebrado entre as partes, a cedência do direito de uso das instalações do designado "Edifício Funchal 2000", na Av. Calouste Gulbenkian, no Funchal, pelo Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça, I.P..

Dados Técnicos

Paredes autoportantes, com muralhas de aparelho "vittatum", e estrutura mista.

Materiais

Cantaria regional aparente, alvenaria de cantaria regional rebocada, madeira, amarrações mistas de tirantes de madeira e de ferro, vidro e telha de meia cana.

Bibliografia

CARITA, Rui - Paulo Dias de Almeida e a Descrição da ilha da Madeira de 1817. Funchal: 1982; CARITA, Rui - O regimento de fortificação de D. Sebastião.... Funchal: 1984; CARITA, Rui - História da Madeira. Funchal: 1991, 1992 e 1996, vol. 2, 3, 4 vol.; CARITA, Rui - Arquitectura Militar da Madeira, séculos XV a XVII. Dissertação de doutoramento. Lisboa / Funchal: 1993 / 1998; CARITA, Rui, TRUEVA, José Manuel de Sainz - Itinerário Cultural do Funchal. Funchal: 1998; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério nos anos de 1957 e 1958. Lisboa: 1959, 2 vol.; SARMENTO, Alberto Artur - A Fortaleza do Pico in Fasquias e Ripas da Madeira. Funchal: 1940, pp. 97 - 106.

Documentação Gráfica

1654 - "Fortaleza de São do Pico", aguarela de Bartolomeu João in "Descripção..."; 1772 - Panorâmica do Funchal de Thomas Hearne, Museu da Cidade do Funchal; 1804 - "Planta da Cidade do Funchal" do brigadeiro Reinaldo Oudinot; 1805 - "Fortaleza do Pico", planta alçado e corte (incompleta) de Paulo Dias de Almeida, GEAEM, Lisboa (classificada na ilha do Pico, Açores); 1808 - "Plan of Fortifications of Funchal in the Island of Madeira" do "Lieutenent G. B. Lawrence, RN, Decr. 24th 1808", colecção particular Peter Cossart, Funchal e AHM de Lisboa; 1808 - "Fort of Pick", aguarela do tenente G. B. Lawrence, RN, colecção particular Peter Cossart, Funchal; 1812, 2 Abr. - "The Peak Castle from the Bay of Funchal", gravura aguarelada, original de W. Westall, esculp. por John Pye e Cadell & Davies, Londres, Museu da Quinta das Cruzes e colecção da Casa-Museu Dr. Frederico de Freitas (existe reimpressão litográfica efectuada pela Casa-Museu); 1817 - "Fortaleza do Pico", planta, alçado e corte in "Descrição" de Paulo Dias de Almeida; 1827 - "The Peak Fort" litografia colorida de original do reverendo James Bulwer, colecção da Casa-Museu Dr. Frederico de Freitas; 1841 - "Reconhecimento militar da Ilha da Madeira" de António Pedro de Azevedo, GEAEM; 1842, 12 Fev. - "The Peak Fort, Funchal / Madeira" aguarela de E. G. Smith, Museu da Quinta das Cruzes; 1843 - "The Peak Fort Funchal, Madeira, tacken from English Stranger's Burial ground / with the tomb of Christopher Wood Esq. in fore ground / March 1843" aguarela de E. G. Smith, Museu da Quinta das Cruzes; 1848 - "On the Ribeira St. João" e "Fruit Market", desenhos aguarelados de lady Susan H. Vernon Harcourt, litografados pela própria e editados por Thomas McLean, Londres, 1851, colecção da casa-museu Dr. Freferico de Freitas, Funchal; 1855 - "Planta das fortificações da Ilha da Madeira em 1855" de António Pedro de Azevedo, GEAEM; 1856 - "Portuguese Cemetery, Funchal" desenho original de Frank Dillon litografado e editado in "Scketches in the Island of Madeira", Londres, 1856, colecção particular, Funchal; 1860 - "Reconhecimento militar da Ilha da Madeira" de António Pedro de Azevedo, GEAEM; 1866 - "Planta / do Castelo / de / S. João Baptista / do Funchal / em / 1866" de António Pedro de Azevedo, colecção particular, Funchal; IHRU: DGEMN/DSARH

Documentação Fotográfica

Museu Vicentes Photographos, Comando Militar, Comando Naval da Madeira, DRAC, Funchal

Documentação Administrativa

AGS, Guerra Antiga, Valladolid; AN/TT, APRFF, Lisboa; ARM, GC, Funchal; AHU, Madeira e Porto Santo, Lisboa; GEAEM (Arma de Engenharia), Lisboa; ZMM (Arquivo Morto, Funchal); Comando Naval do Funchal; IHRU: DGEMN/DSID; Conservatória do Registo Predial do Funchal, n.º 1277, fls. 153v, lv F-3; Matriz Predial Urbana, art.º n.º 1049, livro B-16v, fls. 52v

Intervenção Realizada

1940 / 1950 - construção das instalações das Transmissões, com sacrifício da antiga capela; Comissão Administrativa das Novas Instalações para a Marinha: 1957 /1958 - Continuação do apetrechamento da estação; 1964 - conservação das muralhas; 1965 - reparação e consolidação das muralhas, demolição de abarracamentos e sanitários improvisados; 1989 / 1990 - conservação e pintura dos elementos da parada baixa.

Observações

A procura turística de miradouros tem levado muitos turistas a demandarem a Fortaleza para usufruírem da sua magnífica vista. Pressões várias têm levado o Comando Naval da Madeira a ponderar na possibilidade de dotar a Fortaleza de uma pequena exposição iconográfica e documental, à semelhança do efectuado na fortaleza de São Lourenço, em 1994, tendo a CMF comparticipado com o restauro e reabilitação de uma das antigas casernas abobadadas (Out. 1998), aguardando-se a montagem da exposição.

Autor e Data

Rui Carita 1998

Actualização

 
 
 
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