Forte de Santiago

IPA.00002379
Portugal, Ilha da Madeira (Madeira), Funchal, Funchal (Santa Maria Maior)
 
Fortaleza construída no início do séc. 17 e ampliada no 18, dentro das mesmas concepções, conservando até hoje o risco global. Apresenta planta em estrela irregular, com três baterias escalonadas viradas ao mar, com guaritas cilíndricas de cobertura semiesférica e pequenas paradas interiores, dentro do modelo ibérico exportado para os quatro continentes. Apesar das várias ampliações, conserva os núcleos iniciais e um corredor interior entre as duas obras.
Número IPA Antigo: PT062203040019
 
Registo visualizado 575 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Fortaleza    

Descrição

Planta em estrela irregular, com mais um baluarte quadrangular a correr sobre a antiga muralha da cidade para O., um corpo no sentido N. / S. ("Casas do Comando") e um outro de apoio a N. (antigas casernas), definindo 2 paradas. Massa de volumes horizontais articulados, pintados a ocre, com coberturas de terraços lajeados na fortaleza e com telhados de 1, 2 e 4 águas a telha "marselha" e de meia cana com beirais duplos de telha de meia cana nos edifícios anexos. Largo portão de ferro fechado à cidade, incluído em portal de arco de volta inteira em cantaria cinzenta enquadrado por 2 pilastras e 2 panos com janelas e pilastras com molduras relevadas na muralha exterior da parada; interiormente apoia-se para N. numa construção térrea, antiga casa da guarda e hoje recepção do Museu e numa muralha, e para S. no baluarte / torreão, definindo uma parada, para a qual dá o antigo edifício do comando do quartel com 2 pisos, tendo 5 janelões de iluminação no piso térreo do corpo S. bastante altos, com volantes envidraçados e no superior 5 janelas com molduras de cantaria e varanda à face em ferro forjado bem elaborado, salvo o central, com varanda de sacada. Muro N. com bancos de alvenaria adossados, decorados com faixa relevada; piso tradicional de calhau rolado miúdo; acesso à parada N. por túnel com abertura de arco de cantaria colorida do Cabo Girão em volta perfeita; portão de acesso à fortaleza na antiga muralha da cidade, virado a N. e encimado por inscrição, dando acesso à bateria baixa O. onde se situa a primitiva entrada da fortaleza e o antigo edifício de alojamento de oficiais e sargentos, encostado à antiga cortina da cidade e com 3 pisos, 3 janelas de guilhotina e portadas de madeira fasquiada por piso, tendo no térreo 2 portas e 2 janelas, tudo com molduras de cantaria. Acesso à fortaleza por conjunto de portões datados de 1614, com abóbadas de berço em cantaria vermelha de Cabo Girão, dando acesso à bateria baixa E. frente ao mar e à bateria média, nascendo junto à cisterna, através de 2 lanços de escadaria de pedra; pisos de calhau rolado miúdo e, pontualmente, em laje de cantaria. Bloco central da fortaleza com o piso térreo ocupado centralmente pela pequena antiga capela, ocupando a altura dos 2 pisos, com 2 compartimentos laterais com portas e acesso à mesma por janelões interiores com molduras de cantaria; andar superior definido por compartimentos com abóbadas assentes em cordão, hoje tudo pintado, correndo no sentido N. / S. e com largos janelões virados ao mar com molduras de cantaria com lintéis em cantaria rija e impostas boleadas em cantaria colorida de Cabo Girão; mais uma porta para E. de acesso à esplanada alta e outra para O. com arco em volta perfeita avançado, assente em impostas de alvenaria, de acesso a pequeno átrio no alto das escadas. Os 3 níveis de esplanadas são dotados de canhoeiras largas, revestidas totalmente a cantaria, incluindo o merlão, na média e superior, enquanto nas baterias baixas, quase ao nível do mar, apresentam muros e canhoeiras mais largas, com cavaletes por detrás dos merlões e revestimento de cantaria somente na base da canhoeira e a ligar-se ao cordão e nos cunhais dos flancos; todas as baterias apresentam largos cunhais de cantaria aparelhada e todas as faces cordão saliente igualmente em cantaria; extremos da bateria alta, das baixas e do baluarte avançado à cidade ocupados por guaritas cilíndricas de alvenaria, assentes em mísulas tronco-cónicas de cantaria aparelhada, com cordão superior saliente e cobertas por abóbada esférica de alvenaria assente em cordão de cantaria e encimadas por espigão em cantaria; frestas e porta com molduras de cantaria a articularem-se por 2 grandes asas. O baluarte avançado à cidade possui 3 compartimentos com importantes grades de ferro. As esplanadas das baterias média, alta e do baluarte avançado são em laje de cantaria. Corredor interior liga a parada N. aos compartimentos da capela.

Acessos

Funchal (Santa Maria Maior), Rua do Portão

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 32 973, DG, 1.ª série, n.º 175 de 18 agosto 1943 / ZEP, Portaria, DG, 1.ª série, n.º 262 de 07 abril 1964

Enquadramento

Urbano, destacado sobre a orla marítima e isolado da cidade por muralha em todo o perímetro, já com alguns elementos dissonantes e com comandamento sobre a parada N..

Descrição Complementar

Conjunto de portões muito interessante. O portão N. apresenta arco de volta perfeita incluído em parede totalmente revestida a cantaria, com cornija sobre a qual assenta novo arco, cego e demarcando pano de alvenaria com a inscrição "Esta fortaleza foi novamente acrescentada sendo governador e capitão general desta Ilha José Correia de Sá e para a mesma fortaleza mandou vir de Londres cinquenta peças de artilharia com todos os seus reparos no ano de 1767" e, superiormente, o espaço onde existiram as armas nacionais, apeadas em 1910, tudo ainda encimado por nova cornija sobre a qual assenta oratório de cantaria colorida encimado por frontão triangular. O alçado do portão serve de protecção ao caminho da guarda para o baluarte avançado que, para o lado do mar, apresenta amplo óculo oval de cantaria. O conjunto interior de portões apresenta portão exterior incluído em parede totalmente revestida a cantaria aparelhada e rusticada, com cornija superior interrompida, onde se articulava um brasão nacional; o portão médio, de 1614, servia de apoio à ponte levadiça, mantendo ainda o ressalto onde a mesma encaixava e os orifícios das correntes que o recolhiam; o portão interior é vazado interiormente, tendo albergado grade vertical, muito provavelmente em madeira reforçada a ferro.

Utilização Inicial

Militar: fortaleza

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: Regional

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Mestre das obras reais Jerónimo Jorge (1611 / 1618); mestre das obras reais Bartolomeu João (1618 / 1658); mestre pedreiro Brás Fernandes (1642); engenheiro Francisco Tossi Columbina (atr. 1767); António Pedro de Azevedo (1860 / 1866).

Cronologia

1523, 6 Março - resposta de D. João III a um pedido da Câmara do Funchal para se fortificarem os arrifes de Santa Catarina e do Corpo Santo; 1611 - reactivação das obras nos muros do Cabo do Calhau e início das fundações; 1612 - pedido de nomeação do capitão Domingos Rodrigues para a nova fortaleza, sinal de se encontrar quase pronta; 1614 - data do primitivo portão da fortaleza; 1620 - residência do capitão Paulo Pereira da Silva; 1623 - final da primitiva construção; 1642, Novembro - construção de uma guarita e da "casa dos artilheiros"; 1767 - reconstrução de Santiago sob ordens do governador José Correia de Sá (e engenheiro Francisco Tossi Columbina ?); 1801, Julho a Agosto - ocupação das forças inglesas; 1803 / 1804 - alojamento no forte dos desalojados do aluvião de 9 de Outubro; c. 1820 - construção da "casa do comandante" fora de muralhas e construção da parada N.; 1824, Setembro - projecto de construção de um molhe em Santiago pelo brigadeiro Francisco António Raposo e tenente coronel Paulo Dias de Almeida; 1828 - utilização da fortaleza como prisão dos constitucionais; 1840 - utilização como quartel de instrução de artilharia de 2ª linha; 1863 - ampliação da "casa do comando" e construção da parada O. e da "casa da guarda"; 1877, Maio - reorganização das forças de artilharia com comando em Santiago; 1901, 24 Jun. - recepção oferecida ao rei D. Carlos com montagem de uma enorme tenda na bateria média na então Companhia nº 3 de Artilharia de Guarnição; 1911 - criação do Grupo de Artilharia de Montanha com sede em Santiago; 1922 - criação do Grupo de Defesa Móvel com sede em Santiago; 1930 - construção das instalações de oficiais e sargentos na bateria baixa O., frente ao mar e de um coberto sobre o caminho da guarda; 1940, 26 setembro - publicação de Decreto nº 30 762, no DG, 1.ª série, n.º 225, determinando a classificação do Forte de Santiago como Imóvel de Interesse Público; 01 novembro - publicação do Decreto nº 30 838, DG, 1.ª série, n.º 254, suspendendo o decreto n.º 30 762, de 26 de setembro do mesmo ano, relativamente à classificação de imóveis de propriedade particular; 1945 - criação do Grupo de Artilharia contra Aeronaves com sede em Santiago; 1947 - saída do comando contra aeronaves para São Martinho; 1970 - criação do Grupo de artilharia de Guarnição nº 2 com sede em São Martinho e com uma secção de salvas em Santiago; 1970 - desactivação da bateria de salvas permanente do GAG 2; 1974 - instalação da Liga dos Combatentes; 1975 - instalação do Esquadrão de Lanceiros do Funchal; 1992, Maio - saída da forças do Esquadrão de Lanceiros do Funchal para São Martinho (Comando-Chefe) e entrega do forte ao Governo Regional da Madeira; 17 Julho - assinatura do protocolo de entrega, perante o 1º Ministro, assinado pelo Ministro da Defesa e Presidente do Governo Regional da Madeira; instalação do Museu de Arte Contemporânea na fortaleza; 2015, 08 outubro - transferência do Museu de Arte Contemporânea da Madeira da fortaleza de Santiago para a Casa das Mudas, na Calheta.

Dados Técnicos

sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Cantaria mole e rígida regional aparente, alvenaria de cantaria regional rebocada, madeira (carvalho, pinho de Riga e outras), amarrações mistas de tirantes de madeira e de ferro, vidro, e telha de meio canudo e "marselha".

Bibliografia

SILVA, P. Fernando Augusto da, MENESES, Carlos Azevedo de, Elucidário Madeirense, Funchal, 1940 - 1945; CARITA, Rui, Paulo Dias de Almeida e a Descrição da ilha da Madeira de 1817, Funchal, 1982; idem, Fortaleza de São Tiago, Visita Guiada nº 3, Cineforum, Junho de 1983; idem, Um ataque de corsários ao Funchal, projecto História ao Vivo, Lisboa, 1987; idem, A Visita dos Reis de Portugal em 1901, catálogo de exposição, Teatro Municipal do Funchal, Julho de 1987; A Fortaleza de São Tiago, catálogo de exposição, Funchal, 1992 (organização e textos de Rui Carita, José Manuel de Sainz-Trueva e Nelson Veríssimo); CARITA, Rui, História da Madeira, 2, 3 e 4º vols., Funchal, 1991, 1992 e 1996; idem, Arquitectura Militar da Madeira, séculos XV a XVII, tese de doutoramento, 1993, Lisboa / Funchal, 1998; idem e TRUEVA, José Manuel de Sainz, Itinerário Cultural do Funchal, Funchal, 1998.

Documentação Gráfica

1654 - "Fortaleza de São Tiago Na Ilha da Madeira", aguarela in "Descripção..." de Bartolomeu João, original na colecção Zino, Funchal; 1772 - in panorâmica do Funchal de Thomas Hearne, Museu da Cidade do Funchal; 1804 - in "Planta da cidade do Funchal" do brigadeiro Reinaldo Oudinot; 1805 - Planta e "Perfil de Santhiago" de Paulo Dias de Almeida, GEAEM, Lisboa (nº. 1317, 2 / 22 / 109); 1808 - "Plan of Fortications of Funchal in the Island of Madeira" do Lieutenent G. B. Lawrence RN, 24 de Dezembro de 1808, colecção particular Peter Cossart e AHM de Lisboa; 1808 - "Fort S. Yago" aguarela do Lieut. G.B. Lawrence, colecção particular de Peter Cossart, Funchal; 1817 - "Fortaleza de S. Thiago", pormenor da "Descrição" de Paulo Dias de Almeida, BN Lisboa; 1827 - "Planta da baía do Funchal em que se representam o projecto de hum molhe no porto da Pontinha e um cais nas baixas de Santiago e a nova bateria" de Paulo Dias de Almeida, GEAEM, Lisboa (nº. 1.304, 2 / 22A / 109); 1842 - in "Funchal from the East", litografia de Andrew Picken, do álbum "Madeira ilustred"; 1848 - "Funchal from the East" e "Fort St. Tiago, Funchal", desenhos de lady Susan H. Vernon Harcourt, litografados pela própria e editados por Thomas McLean, Londres, 1851; 1850 - "Fort de St. Yago", litografia colorida de Frank Dillon in "Sketches in The Island of Madeira"; 1855 - in "Planta das fortificações da Ilha da Madeira em 1855" do capitão António Pedro de Azevedo, GEAEM, Lisboa; 1860 - in "Reconhecimento militar da Ilha da Madeira", ibidem; 1863 - "Planta da Fortaleza de São Thiago em 1863" de António Pedro de Azevedo, col. part., Funchal; 1901 - álbum de fotografias da visita régia na CMF (cópias no Museu Vicentes, Funchal); 1904 - "Projecto de alinhamento do campo de D. Carlos", João Severo Cunha, sargento de Engenharia, col. part., Funchal; 1935 - "Croquis da planta de conjunto da Fortaleza de São Tiago no Funchal", col. part., Funchal

Documentação Fotográfica

Museu Vicentes Photographos, Funchal; álbum da visita régia, CMF; DRAC; DGEMN:DSID

Documentação Administrativa

ARM, GC e CMF; GEAEM (Arma de Engenharia), Lisboa; ZMM (Arquivo Morto); GR (DRAC), Funchal; DGEMN:DSID

Intervenção Realizada

DGEMN: 1953 - Remodelação dos balneários para os soldados na bateria dos artilheiros; 1954 - obras para libertação na bateria de artilharia; 1955 - conservação na mesma; 1958 - conservação na bateria de artilharia; 1959 - consolidação das muralhas da bateria da costa; 1960 - consolidação de muralhas, rebocos e caiações na bateria de artilharia; 1978 - caiações das fachadas exteriores; DSFOE: 1986 - impermeabilização das esplanadas; DRAC: 1992 - trabalhos de adaptação da fortaleza a Museu de Arte Moderna.

Observações

De salientar, por exemplo, a construção do portão interior do séc. 18, que manteve, protegendo interiormente, os anteriores datados de 1614, para ponte levadiça e grade vertical.

Autor e Data

Rui Carita 1998

Actualização

 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login