Mercado 1.º de Maio / Mercado Municipal do Barreiro

IPA.00023549
Portugal, Setúbal, Barreiro, União das freguesias de Barreiro e Lavradio
 
Arquitectura civil, moderna, novecentista, revivalista. Mercado construído em eclectismo, com a traça modernista da técnica do ferro, decorativismo revivalista em neoárabe. Numa época de uso da técnica do ferro, apresenta um vasto espaço coberto por telhado assente em esqueleto metálico, armação estrutural deixada à vista, constituída por arcos de metal segmentados, assentes nos panos murários. Do Modernismo apresenta a expressão plástica tendencialmente geometrizante, num volume seco articulado em linguagem funcionalista operante, com inserção paisagística em escala apropriada, com platibandas e frisos horizontalizantes que contrastam com frisos verticalizantes, decorativos, onde ressaltam ténues motivos "art déco". Do revivalismo árabe ressaltam os arcos trilobados e em ferradura que decoram os vãos de janelas e portas.
Número IPA Antigo: PT031504010068
 
Registo visualizado 550 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Comercial  Mercado    

Descrição

Planta longitudinal, simples, regular, com coincidência exterior / interior; de volume paralelepipédico, articulado por panos murários, com disposição em horizontalidade; a cobertura exterior é em telhado duplo de quatro águas com clarabóias. A fachada principal está orientada a SO. As fachadas desenvolvem-se e articulam-se esteticamente de modo semelhante duas a duas, desenvolvendo-se em simetria bilateral, estão divididas em cinco panos delimitados por molduras em ressalto, ornamentadas com motivos geométricos relevados; o pano central da facha principal e o que lhe fica paralelo apresentam um corpo levemente avançado com três panos dividido por frisos verticais, onde se rasga o portão ladeado, na fachada principal, por duas janelas horizontais, abertas no nível inferior do pano e, na que se lhe opõe, por duas janelas de arco trilobado; nas outras fachadas, os vãos dos portões abrem-se a meio dos panos centrais, em corpos levemente avançados; nos panos laterais rasga-se um número elevado de portas e janelas que marcam um ritmo que se repete de igual modo em cada uma das quatro fachadas; os vãos de modinatura rasa, são, com excepção das já referenciadas janelas de arco trilobado, em arco de ferradura assente em pilastras com capitel; os panos murários estão divididos, na vertical, por um friso continuado, ao nível das linhas dos capitéis; o remate é em platibanda com frontões angulados altos sobre os portões e baixos a marcar cada um dos vãos dos topos das fachadas. INTERIOR: o espaço organiza-se de modo diversificado, ao mesmo nível do exterior; a toda a volta do perímetro da planta, abre-se grande número de espaços ocupados por lojas de venda diversificada, escritórios e outros, com portadas de acesso pelo interior do mercado; todo o espaço central livre é ocupado por filas de bancas de venda de diversos produtos, assentes em soleiras, que se organizam em malha ortogonal com dois corredores deixados livres que se cruzam, ligando os quatro portões de acesso. Os alçados são lisos ou cobertos por azulejos até à altura das impostas dos arcos das portadas. Os vãos são de arcos de volta perfeita e de ferradura, moldurados com aparelho de tijolo avivados a vermelho, compõem-se de bandeiras de iluminação e portadas de duas folhas em madeira com soleira nas portas; a cobertura interior é em placas sintéticas com algumas aberturas de entrada de luz zenital, tudo assente em estruturas de vigamentos de ferro constituídas por um conjunto de asnas inglesas; o pavimento é de ladrilhos pequenos onde ressaltam estreitas condutas e ralos em ferraria para encaminhamento e escoamento de águas proveniente de lavagens.

Acessos

R. Alfredo da Silva a SE., R. Eça de Queiroz a NE., R. Dr. Câmara Pestana a NO., Pq. Catarina Eufémia 1* a SO.

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, situado num ponto central da vila, implantado em ligeiro outeiro, tendo fronteiro a SO. parque ajardinado (60x40 m), onde se ergue, perto do topo oposto deste, o Instituto dos Ferroviários do Sul e Sueste do Barreiro (v. PT031504010040) e o Antigo Tribunal Judicial da Comarca do Barreiro (v. PT031504010060), isolado, enfrentando a NO. a construção recente do mercado do peixe, seu anexo, de escasso valor arquitectónico; está separado das rodovias que o delimitam por passeios empedrados com "calçada à portuguesa".

Descrição Complementar

Nada a assinalar

Utilização Inicial

Comercial: mercado

Utilização Actual

Comercial: mercado

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Joaquim Pedro Ferreira Júnior (desenhador e condutor das obras)

Cronologia

1915, Dezembro - Contracção de um empréstimo à Caixa Geral de Depósitos por parte da Câmara Municipal do Barreiro da quantia de 30 mil escudos para diversas obras municipais, entre elas a construção de um Mercado que concentrasse num edifício o comércio que, desde o início do século, se exercia em deficientes condições de higiene e salubridade na Praça de Santa Cruz, onde, com essa finalidade, montavam-se bancas à volta da placa central; devido às dificuldades que se faziam sentir, devido à guerra mundial; o concurso para a construção do mercado fica deserto, aparecendo depois a Associação da Classe dos Operários da Construção Civil do Barreiro a propor a arrematação do valor da mão de obra, ficando os materiais e o seu transporte à responsabilidade da Câmara; 1916, 30 de Julho - início da construção do mercado com o lançamento simbólico da primeira pedra, durante a presidência da Câmara de José Joaquim Almeida Ferreira; dá-se a cerimónia inaugural com lavra de um auto em triplicado: o original foi encerrado num cofre metálico revestido de madeira e colocado na parede da fachada do lado S., juntamente com 4 moedas em circulação da República Portuguesa (de 1 escudo, de 50, 20 e 10 centavos), o duplicado foi enviado ao Arquivo Nacional e, o triplicado, foi guardado no arquivo municipal; o mercado é construído sem cobertura por falta da verba de 8 mil 772 escudos, valor então pedido para a sua execução; 1917, 16 de Outubro - conclusão da construção do mercado, com abertura de um poço com reservatório, canalizações e esgotos, sendo aprovado o respectivo Regulamento; entrada em funcionamento do mercado; 1933 - assentamento no edifício de uma cobertura metálica que ficou pelo valor de 210 mil escudos.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante

Materiais

Alvenaria: mista de pedra / tijolo e cal; pedra: calcária, mármore branco; cerâmica: tijolo furado, tijolo prensado, tijolo burro, ladrilho cerâmico, azulejo industrial; vidro: simples, fosco, aramado; metal: ferro fundido, ferro forjado, aço, zinco; madeira; produto sintético: chapas sintéticas para cobertura.

Bibliografia

PAIS, Armando da Silva, O Barreiro Antigo e Moderno, as outras Terras do Concelho, Barreiro, 1963; IDEM, O Barreiro Contemporâneo, a Grande e Progressiva Vila Industrial, Barreiro, 1966

Documentação Gráfica

DGEMN: DSID; C.M.B.

Documentação Fotográfica

DGEMN: DSID

Documentação Administrativa

C.M.B

Intervenção Realizada

Nada a assinalar

Observações

1* Antigo Parque Municipal Dr. Oliveira Salazar

Autor e Data

Albertina Belo 2005

Actualização

 
 
 
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