Escola Primária Grandella / Escola Primária Bernardino Machado / Escola Primária da Foz do Arelho

IPA.00023475
Portugal, Leiria, Caldas da Rainha, Foz do Arelho
 
Escola primária, projetada e construída na primeira década do séc. 20, por iniciativa do comerciante e industrial Francisco de Almeida Grandella, insere-se num grupo de dezoito escolas mandadas erguer por este benemérito em locais onde detinha interesses económicos, procurando, assim, dotar os seus trabalhadores de escolas laicas, gratuitas e com boas condições pedagógicas e higiénicas. Apresentam características afins com as expostas no capítulo 4 das "Instruções sobre a fundação de escolas de adultos, creação de novas cadeiras de francez e de inglez, construção de casas para escolas primárias...", publicadas pelo Governo em 1866 (DL 23 jul. 1866, n.º 163), como forma de tornar viável o legado do conde de Ferreira. De entre estas destacam-se: a sua localização em local aprazível e de fácil acesso, reservando alguma distância dos demais edifícios, numa área de terreno murada nunca inferior a 600-900 m2; a escola deve conter uma ou mais salas de aula (consoante o número de alunos), com uma superfície de 50 a 115 m2 e um pé-direito do 4 metros, a sua iluminação natural será efetuada pela existência de janelas, situadas maioritariamente do lado esquerdo dos alunos; contígua à sala de aula ficará uma outra, mais pequena, destinada a apresentações públicas, recepção e biblioteca escolar; é ainda contemplada a existência de um ou dois vestíbulos, consoante a escola seja para um ou para os dois sexos. A orientação das escolas segundo este primeiro regulamento de construções escolares, deveria ser a SO. (considerada a ideal para Portugal), o que poderia ser alterado de acordo com as condicionantes de cada caso. A ventilação e o aquecimento são igualmente regulamentados, assim como é exigida a existência de espaço para a realização de jogos ao ar livre. É na fachada principal que reside a sua particularidade, a entrada principal é precedida pela existência de escadas e de um alpendre (a toda a largura da fachada, ou apenas na entrada), com colunas, encimadas por frontão triangular, normalmente decorado com símbolos maçónicos. No caso da escola primária da Foz do Arelho, o frontão triangular está assente em quatro colunas e tem igualmente inscrita a data da sua fundação (em capitais romanas) a baixo da estrela de cinco pontas.
Número IPA Antigo: PT031006060048
 
Registo visualizado 390 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Educativo  Escola  Escola primária  Tipo República

Descrição

Planta irregular composta por um volume inicial correspondente à zona da portaria e salas de aula contíguas; por um segundo volume de crescimento coevo correspondente à fachada S. (lateral esquerda) e posteriores volumes de construção recente. A planta actual revela bastantes adulterações à espacialidade e volumetria dos interiores e desenvolve-se em: três salas, um corredor de passagem com ligação a uma quarta sala, desta para cozinha e instalações sanitárias interiores; e ainda um saguão, telheiro e ligação exterior (coberta) a instalações sanitárias realizadas em obras recentes. A estrutura revela alguns elementos base modulares na construção das suas fachadas, mas perdeu já todas as referências na distribuição dos interiores.O telhado do corpo principal é de quatro águas, prolongando-se por mais uma na fachada posterior. A fachada principal desenvolve-se a partir de um acesso composto por sete degraus. A porta principal do edifício encontra-se ao centro, ladeada por quatro vãos de janela de peitoril (duas para cada lado). O pórtico e as primeiras duas janelas encontram-se protegidos por um corpo saliente apoiado em quatro colunas jónicas em pedra e sobrepujado por um frontão triangular. Este é decorado em massa, com uma sanca simples em três registos de secção quadrangular (resultantes das obras de 1981); o tímpano do frontão é subdividido por frisos que definem, ao centro, um circulo e no qual se inscreve uma estrela pentagonal. A fachada apresenta uma guarda que esconde o beiral e um sistema de caleira para drenagem de águas. As restantes fachadas apresentam cimalha e beiral simples em telha lusa. Os vãos são guarnecidos com cantarias rectas simples em pedra calcária. A porta principal é de duas folhas com bandeira envidraçada. Os vãos das janelas apresentam vidraças de duas folhas e bandeira envidraçada, sendo a sua aplicaçãpo, tal como a porta, datável das obras de 1981. Os embasamento é ressaltado e pintado com a cor creme, contrastando com a tinta branca da superfície lisa das paredes. Ao estremo direito da fachada encontra-se um mastro metálico para colocação de bandeira. INTERIOR completamente reformulado, tendo sido mantidas apenas as paredes divisórias. A sala localizada na confluência da fachada principal E. com a lateral S., é Cada sala de aula é iluminada por cinco janelas de peitoril (duas dando para a fachada principal e três para a fachada lateral), comunicando por portas com as restantes divisões.

Acessos

Rua Francisco Almeida Grandela, n.º 41; Avenida Engenheiro Paiva de Sousa

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, na estrada de ligação do centro da localidade de Foz do Arelho com a zona de praia. Encontra-se na base de uma depressão geológica ainda bastante arborizada e envolvida por habitações unifamiliares, com logradouros desafogados e ajardinados, sendo parte das habitações construídas no início e durante a primeira metade do séc. 20. O edifício é fronteiro à linha de leito da Lagoa de Óbidos. À direita da escola encontra-se o chalé de Joaquim Frutuoso, construída em 1912, sendo um edifício também ele notável no contexto local.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Educativa: escola primária

Utilização Actual

Educativa: escola básica

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Ministério da Educação e Ciência

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

CONSTRUTOR: João Pedro Santos

Cronologia

1853, 23 junho - nasce, em Aveiras de Cima, na freguesia de Nossa Senhora da Purificação, Francisco de Almeida Grandella (1853-1934), filho do médico Francisco Maria de Almeida Grandella e de D. Mathilde Dorothea; 1863 - Francisco Grandella parte para Lisboa onde inicia a sua atividade como empregado de comércio; 1866, 24 de março - morre, no Porto, Joaquim Ferreira dos Santos (1782-1866), o primeiro conde de Ferreira, comerciante e filantropo que havia feito fortuna no Brasil e em África; reconhecendo a necessidade da instrução primária e a precariedade das instalações em que esta funcionava, o conde de Ferreira deixa no seu testamento um legado destinado à edificação de 120 escolas em todo o país, as quais deveriam obedecer a um programa construtivo próprio; 1866, 23 julho - é publicado no Diário de Lisboa o primeiro programa para a construção de escolas primárias públicas em Portugal, as "Instruções sobre a fundação de escolas de adultos, creação de novas cadeiras de francez e de inglez, construção de casas para escolas primárias...", como forma de tornar viável o legado do conde de Ferreira; 1879 - Francisco Grandella abre o seu primeiro estabelecimento comercial em Lisboa, a que se sucedem, dois anos mais tarde, os Armazéns Grandella, no Chiado, dando assim início a uma carreira de sucesso como comerciante e industrial; filiado no Partido Repúblicano, Grandella cedo abraçou causas sociais, procurando dotar os seus empregados e operários de melhores condições de vida, custeou a construção de villas operárias e de escolas nas povoações onde detinha interesses económicos; a laicização do ensino era um tema caro aos republicanos, tendo assim sido um forte insentivo para a construção de escolas com boas condições pedagógicas e de salubridade a espenças particulares; 1909 - Francisco de Almeida Grandella faz construir uma escola primária na Foz do Arelho, estância de veraneio que costumava frequentar e onde, de resto, erguera uma vivenda apalaçada, que seria a sua última morada; a escola, mobilada, pronta a funcionar seria doada à autarquia para integrar a rede de escolas públicas; 2005, abril - conclusão das obras de recuperação do imóvel; 2009 - por altura das comemorações do centenário da sua fundação, a escola, que se encontra em funcionamento, integrava já o Agrupamento de Escolas Santo Onofrem; 2014 - atualmente mantém-se em atividade sendo parte integrante do Agrupamento de Escolas Raul Proença, juntamente com a escola sede, a secundária Raul Proença, a Básica dos 2.º e 3.º Ciclos de Santo Onofre e as básicas do 1.º ciclo do Nadadouro, do Bairro dos Arneiros, de Santo Onofre, do parque e do Bairro da Ponte.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura de cantaria e alvenaria rebocada e pintada; embasamento, pilastras e molduras dos vãos em cantaria; portas e caixilharia de madeira; pavimentos em mosaico; vidros simples; telhado coberto por telha cerâmica.

Bibliografia

BEJA, Filomena; SERRA, Júlia; MACHÁS, Estella; SALDANHA, Isabel - Muitos Anos de Escolas. Edifícios para o Ensino Infantil e Primário até 1941. Lisboa: DGEE, 1985, 1.ª parte, vol. 1; www.cm-caldas da rainha.pt [acedido em dezembro 2014]

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, SIPA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 2004 / 2005 - obras de recuperação.

Observações

Autor e Data

Sérgio Gorjão 2004

Actualização

Paula Tereno 2014
 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login