Estação Ferroviária de Bragança / Estação Rodoviária de Bragança

IPA.00023046
Portugal, Bragança, Bragança, União das freguesias de Sé, Santa Maria e Meixedo
 
Arquitectura de transportes, do séc. 20. Estação ferroviária terminal, da Linha do Tua, com o edifício de passageiros de planta rectangular, composto por três corpos, regularmente dispostos, o central de dois pisos e os laterais de um. Fachadas rebocadas e pintadas, terminadas em friso e cornija, excepto no corpo central que apresenta ainda platibanda plena na frontaria, e rasgadas regularmente por janelas de peitoril ou portais em arco de volta perfeita ou de verga abatida, possuindo na fachada que se virava ao cais de embarque pala metálica apoiada em estrutura metálica e colunelos de ferro.
Número IPA Antigo: PT010402450275
 
Registo visualizado 366 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Transportes  Apeadeiro / Estação  Estação ferroviária  

Descrição

EDIFÍCIO DE PASSAGEIROS de planta rectangular composta por três corpos, dispostos paralela e regularmente à linha, o central de dois pisos e os laterais de apenas um. Volumes escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de quatro águas no corpo central e de dois nos laterais. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com embasamento de cantaria e rematadas, nos corpos laterais, em friso decorado por denticulado e cornija e, no corpo central, em friso de azulejos fitomórficos inserido no de cantaria e disposto apenas lateralmente, rematado em mísulas, cornija denticulada e platibanda plena de cantaria. As fachadas são rasgadas regularmente por vãos longilíneos em arco de volta perfeita, moldurados, interligados por friso horizontal disposto ao nível dos capitéis, o do corpo central denticulado, e que corta as fachadas. Fachada principal virada a E., com o corpo central avançado, e platibanda alteada e recortada ao centro, onde forma espaldar curvo rematado por cornija e integrando relógio de sol circular. É rasgado por dois portais geminados, com o arco decorado por falsas aduelas e fecho saliente sobre pilastras de almofadas relevadas, ladeado por duas janelas de peitoril, com o arco almofadado e chave relevada; sobre o portal surge cartela recortada com o monograma CN sustentando mastro de bandeira. No segundo piso abre-se uma trífora, com os vãos em arco mas a moldura rectilínea e, no lume central, alteado, em empena, terminada em cornija e com chave relevada, ladeada por duas janelas de sacada, sobre duas mísulas, com a estrutura em cantaria e guarda em ferro ornada de elementos volutados. Nos corpos laterais rasgam-se duas portas intercaladas por duas janelas de peitoril e ao centro por uma bífora sobre pilar. Fachadas laterais terminadas em empena com friso denticulado e cornija, muito alteada ao centro e formando falsas mísulas lateralmente; são rasgadas, na lateral esquerda, por janela de peitoril em arco, e, na lateral direita, por porta de verga abatida, moldurada, possuindo ao nível do capitel friso que se prologa por toda a fachada, encimada pela inscrição em azulejos bícromos azuis e brancos BRAGANÇA; no corpo central rasga-se, no piso térreo portal com chave relevada e, no segundo piso, pequeno vão em arco com peitoril de cantaria; ao nível da cobertura surgem duas lucarnas de cada lado. Fachada posterior virada à linha férrea, com o corpo central terminado ao centro em empena, onde se rasga janela em arco de volta perfeita com peitoril de cantaria, e lateralmente em friso de cantaria integrando um outro de azulejos fitomórficos; é rasgada no primeiro piso, por quatro portais de verga abatida interligados por friso disposto ao nível dos capitéis e, no segundo, por quatro janelas de igual modinatura; nos corpos laterais abrem-se cinco portais de verga abatida, igualmente interligadas por friso; todos os portais do piso térreo têm as jambas com chanfro. Ao longo de todo o piso térreo corre pala metálica avançada, levemente inclinada, assente em estrutura de ferro com os ângulos decoradas e por colunelos de ferro.

Acessos

Rua da Estação, Avenida João da Cruz. VWGS84 (graus decimais): lat.: 41,809450; long.: -6,760346

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, isolado, no exterior do centro histórico. O edifício de passageiros encontra-se envolvido por lajes de cantaria, possuindo junto à fachada posterior troços das antigas linhas de caminho de ferro, onde assentam bancos de espera com rodas. A partir da fachada principal do edifício de passageiros, desenvolve-se sensivelmente para S. avenida, com placas centrais arelvadas e ajardinadas, terminada na Praça do Professor Cavaleiro de Ferreira, onde se ergue o Tribunal de Comarca de Bragança (v. PT010402450084), o Palácio de Corporações / Tribunal do Trabalho (v. PT010402450413) e a Casa dos Magistrados (v. PT010402450412), e a partir daí estabelece a ligação à Avenida Almirante Reis e à Rua 5 de Outubro.

Descrição Complementar

Na fachada principal existe no corpo lateral esquerdo uma lápide de cantaria com a inscrição AVENIDA JOÃO DA CRUZ HOMENAGEM AO ARROJADO EMPREITEIRO DA CONSTRUÇÃO DA LINHA FERREA DE MIRANDELA A BRAGANÇA MCMXXIX; integra à esquerda medalhão em bronze com a inscrição JÃO DA CRUZ 1929. No corpo central existe uma outra lápide, em bronze, com a inscrição, em sete regras: ESTAÇÃO RODOVIÁRIA DE BRAGANÇA INAUGURADA POR SUA EXCELÊNCIA O SECRETÁRIO DE ESTADO DOS TRANSPORTES ENG. FRANCISCO MANUEL RODRIGUES DE SEABRA FERREIRA SENDO PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL O ENG. ANTÓNIO JORGE NUNES 24 DE JANEIRO DE 2004.

Utilização Inicial

Transportes: estação ferroviária

Utilização Actual

Transportes: estação rodoviária / Cultural e recreativa: museu

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ENGENHEIRO: João da Cruz (séc. 20).

Cronologia

1878 - apresentação de dois projectos para a construção de uma linha de caminho de ferro pelo vale do Tua, um pelo Engenheiro João Dias com a linha traçada na margem direita do rio, e outro pelo engenheiro António Pinheiro com traçado na margem esquerda; 1882, 22 Junho - a Câmara Municipal Mirandela apresenta à Câmara dos Pares o pedido de aprovação do projecto de lei para a subvenção de 135 contos de réis para cobrir a garantia de juro de 5% para a empresa que construísse a via; tiveram o apoio de várias personalidades do Comércio do Porto, de que se destaca Clemente Meneres, considerado um dos pais da Linha do Tua; 1883, 11 Janeiro - a Câmara de Mirandela, juntamente com a Associação Comercial do Porto, apela a D. Luís I a aprovação do projecto de construção da Linha do Tua; 26 Abril - Carta de Lei lançando o concurso para a construção da via férrea do Vale do Tua, tendo ganho o concurso o mesmo grupo responsável pela construção da Linha do Dão, sendo a figura de maior destaque o Conde da Foz; Dezembro - trespasse do contrato à Companhia Nacional; 1884, 26 Maio - decreto governamental adjudicando a obra à CN; 30 Junho -assinatura do contrato definitivo pela CN; 16 Outubro - início da construção da via, em Mirandela; passado pouco tempo, o engenheiro desistiu, por não revelar firmeza na liderança da força de trabalho conflituosa e dirigir a obra, que revelava ser um enorme desafio; é substituído pelo açoreano Dinis da Mota; 1887, 27 Outubro - inauguração oficial da Linha do Tua, entre o Tua e Mirandela, com a locomotiva Trás-os-Montes, tripulada pelo engenheiro Dinis da Mota, tendo comparecido às cerimónias na estação de Mirandela D. Luís I e o Príncipe Real; 1899 - reorganização dos Caminhos de Ferro em Portugal e criação do Fundo Especial dos Caminhos de Ferro, que possibilitou um relembrar do reatamento das obras para Bragança; 1901 - uma firma inglesa mostra interesse em construir o troço Mirandela - Bragança e um ramal de ligação às minas de Vimioso, mas o processo não avança e cai no esquecimento; 1902, 22 Março - contrato provisório de construção com João da Cruz designado "arrojado empreiteiro do caminho-de-ferro Mirandela-Bragança"; 1903, 20 Julho - depois de João da Cruz, pela dimensão da obra, ter trespassado o contrato de construção à CN, e depois de uma reunião promovida pela Câmara Municipal de Bragança, onde figurou o patrono da Linha do Tua, o Conselheiro Abílio Beça, a CN relança a construção final da via para Bragança; João da Cruz foi o engenheiro-chefe e empreiteiro da obra, mas viria a falir com este esforço; 1905, 2 Agosto - o comboio chega a Romeu; 1905, 1 Dezembro - o comboio chega a Bragança, mas as obras acabam para serem reatadas, de modo a prosseguir a Linha do Tua até à Puebla de Sanábria, em Espanha; 1906, 1 Fevereiro - chegada do primeiro comboio a Bragança; 1949 - a linha do Tua passa a ser explorada pela CP, na sequência de um processo de unificação da exploração da rede ferroviária nacional; 1992 - encerramento do troço entre Mirandela e Bragança ao tráfego ferroviário; 1996, 12 Julho - a estação passa para a alçada da Câmara Municipal; 1998 - transferência dos autocarros de transportes públicos para a estação ferroviária; 2004, 24 Janeiro - inauguração do edifício da estação depois da sua adaptação a estação rodoviária, com a presença do então Secretário de Estado dos Transportes, Francisco Manuel Rodrigues de Seabra Ferreira.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes autónomas.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada de branco; embasamento, frisos, cornijas, molduras dos vãos, sacadas, mísulas e outros elementos em cantaria de granito; pala em ferro; caixilharia e portas em perfil de aço; vidros simples; cobertura de talha.

Bibliografia

Bragança Boletim Municipal Especial, nº 22, Bragança, Fevereiro 2009; http://www.ocomboio.net/pages/linha_do_tua.htm>, 12 Setembro 2011.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Câmara Municipal de Bragança: 1998 - transferência dos autocarros de transportes públicos para a estação ferroviária; 2002 / 2003 - obras de recuperação do edifício de passageiros da estação e requalificação urbanística.

Observações

EM ESTUDO

Autor e Data

Paula Noé 2011

Actualização

 
 
 
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