Edifício, Igreja e Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Alenquer / Teatro Ana Pereira

IPA.00002276
Portugal, Lisboa, Alenquer, União das freguesias de Alenquer (Santo Estêvão e Triana)
 
Igreja da Misericórdia de construção e decoração predominantemente maneirista, de planta transversal e eixo interno longitudinal, de uma só nave. O seu exterior é sóbrio, com fachada principal terminada em friso e cornija de estuque, rasgada por vãos e portal de verga recta sobre pilastras toscanas que suportam friso e espaldar de cantaria formando frontão de lances, com tímpano côncavo sobreposto por brasão nacional, com coroa, e terminado por cruz sobre acrotério. Junto à cabeceira, ergue-se pequena sineira de alvenaria rebocada. No interior verifica-se a existência de azulejos de duas épocas distintas: azulejos maneiristas enxaquetados no silhar da nave e na escada do corpo adossado de ligação ao hospital e barrocos, de composição figurativa, no frontal do presbitério, onde são representadas cenas alusivas ao programa das Misericórdias; actualmente está apenas visível o do lado do Evangelho, com a Visitação. O coro-alto, de madeira, assenta sobre duas colunas toscanas de mármore que integram a meio pias de água benta circulares. A estrutura arquitectónica da cabeceira segue o esquema maneirista de Alberti, com três arcos, imitando um arco de triunfo romano. Os primitivos retábulos laterais foram desmembrados, sendo os actuais, ladeados por torso de louro e com mísula central, neoclássicos; o retábulo-mor é barroco, de estilo nacional. A tela que encima a estrutura do retábulo, com figuração da Mater Omnium é atribuída a Josefa da Óbidos. A tribuna com cadeiral dos Mesários, de linhas rectas muito simples e com espaço para a cadeira do Provedor, deverá ser neoclássico. A pintura da cobertura da nave é de transição do rococó para o neoclássico. O púlpito, no lado do Evangelho, com jogos de cores em mármore, como aliás se verifica nas outras estruturas do interior, tem uma estrutura pesada. Através da nave e corpo anexo, a igreja possui ligação ao hospital, o qual foi profundamente transformado no final do séc. 19 com a construção do teatro e consequente reaproveitamento de alguns espaços já existentes, como a antiga enfermaria transformada em foyer, e construção de outros totalmente novos, mudando-se completamente a organização do espaço existente, assim como dos pisos, principalmente na zona do palco e plateia. A sua decoração é revivalista.
Número IPA Antigo: PT031101110018
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Edifício de Confraria / Irmandade  Edifício, igreja e hospital  Misericórdia

Descrição

Planta em "L" irregular, composta por quatro corpos retangulares, a igreja, anexo e outross dois corpos adossados a poente, orientados a sudeste - nordeste, correspondentes às dependências do antigo hospital adaptado posteriormente a teatro. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na igreja e de quatro no antigo hospital. IGREJA de planta transversal de nave única, interiormente de eixo longitudinal, tendo adossado paralelamente à fachada posterior corpo retangular de ligação entre a igreja e hospital integrando a sacristia. Fachadas rebocadas e pintadas de branco com embasamento em azul. Fachada principal virada a sudeste com pilastras nos cunhais e remate em cornija de massa sobreposta por beiral. É rasgada por portal de verga reta sobre pilastras toscanas, encimado por friso e espaldar de cantaria formando frontão de lances, com tímpano côncavo sobreposto por brasão nacional, com coroa, e terminado por cruz sobre acrotério; enquadram-no, para a direita, duas janelas retangulares, de moldura simples, gradeados, e, para a esquerda e num nível mais baixo, janela de sacada, de verga reta e guarda de ferro. Fachada lateral direita terminada em empena tendo adossado pequeno corpo mais baixo correspondente à capela-mor, encimado frontalmente por sineira, de alvenaria, de vão em arco de volta perfeita, com sino, terminada em cornija e empena sobrepujada por cruz. INTERIOR: com paredes rebocadas e pintadas de branco percorridas por alto silhar de azulejos enxaquetados, verdes e brancos. Coro-alto de madeira, com zona central de perfil curvo avançando para a nave e com balaustrada também de madeira, assente em colunas toscanas de mármore, sobre plinto e integrando a meio pias de água-benta circulares. No sub-coro rasga-se ao centro porta de verga reta de moldura simples e no alto da nave, no seu alinhamento, tribuna rectangular também com moldura mas pintada de branco, de ligação ao antigo hospital. No lado do Evangelho, abre-se, frente ao portal principal, porta de verga reta encimada por lápide de mármore inscrita (inscrição nº 1). A meio da nave, púlpito de mármore rosa e branco, de base retangular inferiormente com várias molduras sobrepostas, com guarda de balaustres quadrangulares e acedido por porta de verga reta, moldurada a mármore rosa, encimado por friso e cornija moldurada. Ladeiam-no duas pinturas sobre tábua retangulares, tendo por fundo gradeamento como os das janelas do lado oposto, com vasos de flores sobre acrotério de volutas e com acantos enrolados. No lado da Epístola, dispõe-se a tribuna, assente diretamente no pavimento, com cadeiral de madeira, de frontal formado por cinco panos com almofadas quadrangulares encimadas por outras retangulares, e espaldar delimitando doze lugares por almofada rectangular vertical e um dézimo terceiro mais largo, com espaço para a cadeira do Provedor, terminando em cornija; é acedida através do presbitério. Este, possui o frontal revestido a azulejos azuis e brancos, semi-encobertos pela escada central, formada por seis degraus e abrindo em leque, e pela tribuna; os dos extremos, têm composição figurativa inserida em cartela, surgindo na do lado do Evangelho a Visitação, e os centrais têm apenas cartela envolta em arrolamentos de acantos; os painéis de azulejos são separados por frisos de mármore e o frontal é rematado por cornija do mesmo material encimado por balaustrada achatada de madeira. De cada lado do presbitério abre-se porta de verga recta de moldura em mármore, a do lado do Evangelho de acesso à sacristia e corpo de ligação, a da Epístola actualmente entaipada. Cabeceira com estrutura arquitetónica em mármore branco, de três arcadas, de arco de volta perfeita, as laterais com fecho e seguintes salientes e em mármore rosa, encimadas por entablamento, e a central mais alta, separados por pilastras com capitéis estriados, sobre o qual evolui frontão semicircular na zona do arco central ladeado por aletas volutadas, com dois pequenos medalhões de bronze na zona dos seguintes e bosante no tímpano. Capelas pouco profundas, com retábulos de madeira pintada de verde, os colaterais de estrutura semelhante, de planta recta e um eixo, com friso dourado, ladeado por torso de louro e mísula central; o do lado da Epístola conserva ainda vestígios de pintura no fundo. Ambos possuem banqueta. Capela-mor com retábulo de talha dourada de planta recta e um eixo, com colunas torsas com pâmpanos, sobre mísulas, suportando três arquivoltas unidas no sentido do raio; tribuna côncava metálica; sotobanco decorado com dois apainelados de acantos e querubim central, enquadrando sacrário em forma de tabernáculo, com colunas torsas nos cunhais e cartela central enrolada. Altar paralelepipédico sem ornatos. Sobre a cabeceira desenvolve-se grande tela com representação da Mater Omnium. Pavimento de lajes calcárias, integrando algumas lápides sepulcrais inscritas, nomeadamente uma na capela-mor também brasonada (inscrição nº 2), e cobertura em falsa abóbada de berço de madeira, pintada com albarradas interligadas por grinaldas de flores, cartelas nos ângulos com emblemas, lateralmente duas outras, maiores, com inscrições latinas (inscrição nº 3), e ao centro escudo com as armas nacionais, coroadas, seguras por dois anjos; assenta em cornija moldurada, também de madeira. Na sacristia, subsiste lavabo em calcário de espaldar rectangular vertical, delimitado inferiormente por volutas estilizadas, com bica carranca encimada por reservatório em concha, cordão meio enrolado e cruz, e com bacia rectangular de moldura bojuda moldurada; confessionário de madeira. Interliga-se ao anexo, com cobertura em falsa abóbada de berço assente em cornija e seccionada em três tramos por arcos ressalvados assentes em mísulas, possuindo ainda acesso pela porta da nave rasgada frente ao portal principal, tendo silhar de azulejos enxaquetados ao longo da escadaria; lateralmente, tem ao centro porta, de moldura recta, de acesso ao pátio, actualmente entaipada, e no topo da escada porta de acesso ao antigo hospital, também entaipada, e uma outra para o coro-alto, ladeada por pia de água-benta em mármore rosa, tipo concha. Aqui são depositadas várias peças esculpidas provenientes de outros imóveis e uma pia baptismal, de mármore, circular com cartela datada. ANTIGO HOSPITAL / TEATRO: Fachada principal a sudeste. no alinhamento da da igreja, rematada em cornija de massa sobrepujada por beiral, com três pisos, delimitados por pilastras, e rasgada por vãos de diferentes dimensões, tendo no primeiro portas de verga recta e nos superiores janelas, na maioria de sacada. Fachada posterior de um piso, com corpo da extremidade oeste. recuado com acesso ao interior através de porta de verga reta ladeada por janelas. O outro corpo do antigo hospital, adossado à igreja é ladeado por dois pátios, um deles, a este, murado com acesso por portão. INTERIOR: No primeiro piso, salas independentes dispondo de comunicação atualmente apenas para o exterior e pequeno vestíbulo com escadaria de cantaria com silhar de azulejos modernos, de padrão, e guarda de madeira e ferro, de acesso ao foyer; este possui silhar de azulejos com o mesmo motivo, revestindo também os pilares quadrangulares, de ângulos forrados a madeira, que suportam arcos abatidos, pavimento cerâmico e cobertura em falsa abóbada de berço abatida, e comunica diretamente com a plateia e com o piso superior através de escadaria. A sala de espetáculos possui cena contraposta com galeria em ferradura. A plateia apresenta pendente com lugar para 97 espetadores, sendo utilizadas cadeiras amovíveis. A galeria é suportada por 2 colunas de ferro *2 com lugar para 43 espectadores. Boca de cena decorada com pinturas alusivas à comédia e ao drama e relevos de estuque entre pilastras; é precedida por pequeno fosso de orquestra com acesso a subpalco, utilizado como armazém. O palco, com pendente, é circundado por varandas de madeira utilizadas para serviços de apoio ao espetáculo, com ligação ao exterior. Junto ao palco situa-se uma porta, que se encontra obstruída, e que ligaria aos antigos camarins, hoje instalações sanitárias e sala de jogos, e que teria acesso direto para os artistas ao exterior. No piso superior amplo salão que comunica com o exterior, com a galeria e pequena sala outrora usada como cabina de projecção.

Acessos

Rua Renato Leitão Lourenço nº 27 - 31, Praça Camões, Rua Detrás da Misericórdia, Travessa do Club. WGS84 (graus decimais): lat.: 39,055428; long.: -9,010443

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 8/83, DR, 1.ª série, n.º 19 de 24 janeiro 1983 *1

Enquadramento

Urbano. Situa-se na chamada Vila Alta de Alenquer em terreno de acentuado declive, inserido na malha urbana, à beira da estrada. Na proximidade, ergue-se o edifício dos Paços de Concelho de Alenquer (v. PT031101110049). Fachada lateral direita vedada por muro e portão de acesso a casa particular e a posterior igualmente vedada por muro. A fachada lateral esquerda possui dois arcos junto à cobertura que se ligam a edifício de habitação contíguo, existindo de permeio passagem pública com escadaria entre os 2 edifícios.

Descrição Complementar

INSCRIÇÕES: 1 - Inscrição comemorativa da construção da igreja gravada em lápide de calcário; com moldura truncada inferiormente;Tipo de Letra: capital quadrada; Leitura: "AIRES FERREIRA E DONA CATARINA DE GÓIS SUA MULHER MANDARAM FAZER ESTA IGREJA PARA SUA SEPULTURA QUE TÊM NA CAPELA MOR COM UMA MISSA QUOTIDIANA PARA A QUAL É FÁBRICA DA DITA IGREJA. DEIXARAM A ESTA CASA DA MISERICÓRDIA 86 MIL REIS DE JURO. ANNO 1595"; 2 - Inscrição funerária gravada em tampa de sepultura encimada por pedra de armas em relevo: escudo redondo esquartelado, no 1 e 4 quatro faixas (Ferreiras) no 2 e 3 seis cadernas de crescentes (Góis); com moldura rectangular; Tipo de Letra: capital quadrada; Leitura: "SEPULTURA DE AIRES FERREIRA, FIDALGO DA CASA D'EL REI NOSSO E VEDOR QUE FOI DA FAZENDA DO CARDEAL DOM HENRIQUE, E DE SUA MULHER DONA CATARINA DE GÓIS. OS QUAIS DEIXARAM SUA FAZENDA A ESTA SANTA CASA COM OBRIGAÇÃO DE UMA MISSA QUOTIDIANA. FALECEU EM 28 DE JANEIRO DE 1591". 3 - Inscrições nas cartelas da cobertura da nave: "EGO FECI IN CAELIS UT ORIRETUR LUMEN INDEFICIENS, ET SICUT NEBULA TEXI OMNEM TERRAM. ECL. 24:6"; "EGO QUASI TEREBINTHUS EXTENDI RAMOS MEOS, ET RAMI MEI HONORIS ET GRATIAE. ECL. 24:22".

Utilização Inicial

Religiosa: edifício de confraria / irmandade

Utilização Actual

Cultural e recreativa: teatro / Cultural e recreativa: associação cultural e recreativa / Devoluto

Propriedade

Privada: Misericórdia

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: José Juvêncio da Silva (1891). PINTORA: Josefa da Óbidos (séc. 17). PINTOR de AZULEJOS: Policarpo de Oliveira Bernardes (atr., séc. 18); Manuel J. Gonçalves Viana e Luís de Azambuja (decoração do teatro).

Cronologia

1527 - D. João III institui a casa e confraria da Misericórdia de Alenquer, tendo sido 1º provedor Fernão Velez, fidalgo da Casa Real; 1561 - data inscrita na cartela da pia-batismal, proveniente da primitiva Igreja de Santa Maria da Várzea (v. PT031101110029); 1591, 28 Janeiro - falecimento de Aires Ferreira, fidalgo da Casa d'el Rei e vedor da Fazenda do Cardeal D. Henrique, que, com sua mulher D. Catarina de Góis, deixou a sua fazenda à Misericórdia com a obrigação de uma missa quotidinana e ali se encontram sepultados; 1595 - data da lápide comemorativa da construção da igreja por Aires Ferreira e sua esposa; 1655 - construção de um hospital apenas com lotação para seis doentes; séc. 17 - pintura de uma "Mater Omnium por Josefa de Óbidos; 1707 - ampliação do hospital, ficando com capacidade para 50 doentes em três enfermarias, uma para homens, outra para mulheres e uma outra para os frades do Convento da Carnota e da Merceana; 1709 - o hospital ampliado é instituído pelo Dr. João Moniz da Silva, inquisidor do Concelho Geral do Santo Ofício; 1712 - a Casa da Misericórdia tinha 7 capelães; séc. 18, 1ª metade - colocação dos azulejos no frontal do presbitério, sendo atribuídos a Policarpo de Oliveira Bernardes; 1730 - reedificação da igreja; 1745 - a Santa Casa tinha de rendimento pouco mais de um conto de reis; 1755, 01 novembro - a igreja e o hospital sofrem danos com o terramoto, sendo ainda nesse ano restaurados, sofrendo algumas transformações; 1863 - o hospital da Misericórdia é transferido para o Convento de São Francisco (v. PT031101110026); séc. 19, meados - o edifício do hospital passou a servir de aula para ambos os sexos e, mais tarde, de aula das primeiras letras; posteriormente ali funcionou o Tribunal Judicial; 1888 - demolição de uma depêndência da igreja junto à capela-mor, do lado voltado para a Praça Camões, que talvez funcionasse como sacristia, devido à abertura da rua; 1891, 12 abril - é formada a Sociedade Dramática de Alenquer, estabelecendo-se no antigo hospital com o intuito de construir um teatro; 1891, 15 maio - início da cobrança de quotas aos sócios para a construção do teatro; 1891, 16 julho - arrematou-se a construção do teatro, com uma base de licitação de 579$500 réis e depósito provisório e definitivo de 28$975 réis, pelas 12 horas da manhã, à porta da tipografia e Papelaria H. Campeão & Cª, em Alenquer; 08 novembro - os trabalhos de construção do teatro encontram-se bastante adiantados, orientados por José Juvêncio da Silva, que executou o projeto, esperando-se a sua conclusão para breve; para a galeria são encomendadas quatro colunas e uma grade a uma fábrica de Lisboa; 22 novembro - a construção do teatro suscita alguma polémica, alegando-se que estava a ser construído na casa onde dormiam os pobres (a chamada Casa dos Pobres), pondo em causa os seus incentivadores e a Mesa da Misericórdia, proprietária do edifício; o edifício servia de instalação ao Club Alenquerense e também de habitação; 27 dezembro - estão quase concluidos os trabalhos de carpinteiro e pedreiro, começando em breve os trabalhos de decoração do teatro; 1892, abril - conclusão das obras do teatro; 1895, 21 abril - inauguração do teatro, então chamadado Teatro da Sociedade Dramática de Alenquer, apresentando a partir de então espectáculos, na sua maioria amadores, bailes *3 e récitas de caridade, sendo a sua frequência restrita aos membros da pequena elite de Alenquer; 1902, 06 setembro - montagem de um kosmograph por Victor Baillac; 1903, fevereiro - início de obras de melhoramento das salas do Club Alenquerense; 1904, fevereiro - são pedidos auxílios para melhoramentos no teatro; anúncio para a aquisição de cadeiras para o teatro *4; 1904, junho - termina a colocação de cadeiras na plateia construídas nas oficinas da Fábrica da Companhia de Laníficios de Alenquer; 1909 - terramoto causa danos no teatro e igreja; 1912, fevereiro - intenção de realizar obras de melhoramento no teatro, incluindo uma nova entrada pelo Largo da Misericórdia e o alargamento do salão de espera, sendo para tal encarregada uma comissão presidida pelo Dr. Agostinho Viegas de angariar donativos; março - as obras ainda estão em curso, prevendo-se a colocação de estuque no tecto do salão; o palco sofreu obras e construiu-se um novo gabinete para a cena; 21 abril - Comemoração do 17º aniversário da inauguração do teatro, realizando-se uma grande festa de homenagem à actriz alenquerense Ana Elisa Pereira (1845 - 1921), passando este a chamar-se "Teatro Ana Pereira"; 1913, fevereiro - as obras de melhoramento ainda estão em curso; 1915, 31 janeiro - realização da primeira secção animatográfica no teatro; 1941 - exposição de Arte Sacra na Igreja, organizada pela Câmara Municipal de Alenquer; 1946 - cedência do edifício do teatro à Comissão Pró-Alenquer; 1958 - após a extinção da Comissão Pró-Alenquer, o teatro passa a ser gerido pela Liga dos Amigos de Alenquer; 1975 - a igreja encontrava-se em muito mau estado de conservação; 1975 - 1979 - obras no teatro implicando alterações estruturais e decorativas; 1980 - o teatro reabre ao público, apenas com utilização esporádica; 1994, janeiro - apresentação de projecto de conservação e restauro do teatro, elaborado pelo Arq. Miguel Beleza Seixas e Sousa, à Comissão das Comunidades Europeias; 2002, julho - em cooperação com a Câmara Municipal de Alenquer, beneficiando do POC (Programa Operacional de Cultura), a Santa Casa da Misericórdia de Alenquer promove o restauro da cobertura do teatro.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Estrutura de calcário rebocado e pintado, pilastras dos cunhais e molduras dos vãos em calcário, portal principal, colunas do coro, púlpito, estrutura retabular da cabeceira, friso e cornija do frontal do presbitério, lavabo e pia de água-benta em mármore, betão armado, grades de ferro, coro-alto, tribuna e cadeiral dos Mesários, cobertura da nave em madeira, silhar de azulejos, cobertura exterior de telha; decoração de estuque no teatro.

Bibliografia

COSTA, P. António Carvalho da - Corografia Portugueza... 1.ª ed. de 1712. Braga, 1869, 2.ª ed., tomo 3; HENRIQUES, Guilherme João Carlos - Alenquer e seu Concelho. Lisboa, 1873; GOODOLPHIM, Costa - As Misericórdias. Lisboa, 1897; COUTINHO, Jaime Pereira - Jornal Damião de Goís. Alenquer, 1886-1925; VIDAL, Francisco - Jornal O Alenquerense, Alenquer, 1888-1890; VASCONCELOS, António Augusto Pereira Teixeira de - Jornal O Alenquerense. Alenquer, 1902; AZEVEDO, Carlos de; FERRÃO, Julieta; GUSMÃO, Adriano de - Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa. Lisboa, 1963; VENÂNCIO, Luís Manuel Rucha - Alenquer - concelho multissecular e monumental. Alenquer, Maio de 1983; MECO, José - Azulejaria Portuguesa. Lisboa, 1989; MELO, António de Oliveira; GUAPO, António Rodrigues; MARTINS, José Eduardo - O Concelho de Alenquer. Subsídio para um Roteiro de Arte e Etnografia. Alenquer, 1989, vol. 1; MORENO, Patricia - "Igreja de Alenquer merece ser recuperada". Correio da Manhã, Lisboa 20 maio 1989; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/74867 [consultado em 08 agosto 2016].

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

SIPA: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

SIPA: DGEMN/DSID; CMA: Arquivo GTL, GAT

Intervenção Realizada

SCMA: 1975 / 1979 - diversas obras no teatro; 1989 - obras na estrutura do telhado, sendo substituída por betão armado; 2002 - substituição geral da cobertura do teatro.

Observações

*1- DOF: Igreja da Misericórdia de Alenquer, incluindo o seu recheio, nomeadamente a pia baptismal, os azulejos, a talha dourada, as pinturas do tecto e do altar-mor e as lápides e esculturas antigas ainda existentes. *2 - inicialmente seria suportada por 4 colunas, estando uma delas na escadaria de acesso ao foyer e a outra guardada no subpalco. *3 - os bailes seriam dados no salão situado no 1º piso, dadas as suas dimensões e comunicação directa para a rua; o salão também deveria ser usado para outros fins, como por exemplo, a pintura de cenários, e entrada para o palco dos mesmos, assim como outros adereços de maiores dimensões. *4 - o teatro não dispunha de cadeiras até então e os assistentes traziam as suas cadeiras de casa no dia do espectáculo.

Autor e Data

Paula Noé 1992 / 2003

Actualização

Mónica Figueiredo, Patrícia Costa, Joaquim Gonçalves e Filipa Avelar 2002
 
 
 
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