Igreja Paroquial de Meca / Igreja de Santa Quitéria / Santuário de Santa Quitéria de Meca

IPA.00002275
Portugal, Lisboa, Alenquer, Meca
 
Arquitetura religiosa, setecentista. Igreja paroquial reconstruída no final do séc. 18, com harmonia arquitetónica e decorativa, de planta poligonal composta por nave, antecedida por nártex, transepto pouco saliente e capela-mor mais estreita, com sacristia e casa da confraria, adossados à fachada posterior, possuindo duas torres sineiras. Segue um esquema planimétrico semelhante ao da Igreja de Santo António de Lisboa (v. IPA.00003143) e tendo afinidades com o da Basílica da Estrela (v. IPA.00010613), edifícios do arquiteto régio Mateus Vicente de Oliveira, pelo que se deduz que a sua intervenção no imóvel, a partir do momento em que a rainha D. Maria I passa a proteger o novo templo, não terá sido meramente de acompanhamento, mas terá tido influência direta na sua traça. Aliás os elementos de inspiração borromínica, praticamente uma assinatura do mestre, estão claramente presentes, especialmente no remate da fachada principal, com frontão contracurvo. A estrutura planimétrica revela que se trata de um templo com grande afluência de peregrinos, com a criação de corredores laterais e um pequeno corredor por detrás da tribuna, permitindo a visualização da imagem do orago e a rápida circulação dos fiéis, sem afetar o culto no interior. As pessoas régias e nobres que o visitavam tinham entrada própria, a partir de uma porta rasgada na fachada lateral direita que ligava diretamente às escadarias e aos corredores das tribunas, no segundo piso. A fachada principal é do tipo harmónico, flanqueada por duas falsas torres sineiras, que abrem inferiormente em nártex profundo com acesso por amplos vãos de volta perfeita e sobre o qual se ergue o coro-alto. As fachadas laterais são semelhantes, mas com as várias dependências marcadas exteriormente por diferenças volumétricas e rasgadas por vãos retilíneos, com molduras recortadas. O interior obedece à simplicidade decorativa imposta pelo recurso sistemático à cantaria que imperou no final do séc. 18, sobretudo nos imóveis (re)construídos no pós-terramoto. É marcado por capelas laterais à face na nave e braços do transepto, estas de linguagem mais classicizante com remates em frontões, que contrastam com os espaldares recortados dos exemplares existentes na nave. Tem coberturas em abóbadas de lunetas, revestidas a telas pintadas com episódios da vida do orago, que centram o cruzeiro, onde surge a representação dos Evangelistas. As pinturas têm semelhanças com outros templos de Lisboa, revelando a coexistência de uma tendência decorativa rococó e neoclássica que marcou os anos finais de Setecentos e o início do séc. 19, bem como a predominância da escola de Pedro Alexandrino de Carvalho, que se terá envolvido diretamente na pintura das telas dos retábulos do braço do transepto. A capela-mor revela os regulamentos impostos pela construção pombalina, com grande profusão de vãos e um caráter palaciano no recurso a um segundo registo de janelas, que constituem tribunas.
Número IPA Antigo: PT031101070014
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Capela / Ermida  

Descrição

Planta poligonal regular composta por templo em cruz latina, com a nave antecedida por nártex, de onde evoluem falsas torres sineiras, e por vários anexos adossados, de volumes articulados e escalonados com coberturas diferenciadas em telhados cerâmicos com telha de aba e canudo, de duas (nave, nártex, braços do transepto, capela-mor e anexos), quatro (cruzeiro do transepto) e cinco (corpo posterior) águas, rematadas em beiradas simples; as torres têm coberturas em coruchéus bolbosos com esferas e cruzes metálicas nos vértices. Fachadas com paredes em alvenaria de pedra rebocada e pintada de branco, exceto a principal em cantaria de calcário, com socos do mesmo material, flanqueadas por cunhais de cantaria e rematadas em cornijas. Fachada principal virada a S., em cantaria de calcário, composta por corpo central e duas falsas torres, definidos por seis pilastras de ordem colossal e com capitéis coríntios. O corpo central remata em frontão contracurvo, de perfil borromínico, vazado por óculo cego e encimado por cruz latina ladeado por fogaréus. Na base, três arcos de volta perfeita assentes em pilastras e com os seguintes almofadados, o central mais largo e encimado pelo escudo de Portugal; possui, ainda, dois arcos laterais. Todos eles estão encimados por janelões de varandim em cantaria, de perfis recortados e molduras salientes, com fecho saliente e ornado por estrias, encimados por cornija angular, o central ladeado por palmas e com as pilastras laterais ornadas por folhagem. As torres possuem dois registos separados por cornijas recortadas, os inferiores com os mostradores dos relógios e os superiores com ventanas de volta perfeita e remates em frisos cornijas e fogaréus. O nártex tem coberturas em abóbadas de aresta, rebocadas e pintadas de branco, dando acesso ao portal axial de moldura recortada e encimado por frontão semicircular. Os vãos das fachadas laterais são retilíneos com as molduras recortadas. A fachada lateral esquerda rasgada por um eixo de duas janelas na zona do coro-alto, surgindo duas no corpo da nave e duas no da capela-mor; o transepto, saliente, remata em frontão triangular sem retorno e vazado por óculo circular, possuindo, nas faces laterais, um eixo de duas janelas. Sobre a estrutura, é visível o corpo do cruzeiro, cego e encimado por pequenos pináculos. O corpo adossado à nave evolui em dois pisos, onde funcionava o batistério, a capela mortuária e dependências paroquiais, dividido em dois panos, o do lado direito com ampla porta e remate em ática de perfil curvo. No pano do lado esquerdo, duas portas e uma janela no primeiro piso, a que correspondem três janelas de peitoril no segundo; no extremo direito, pequena fresta. Os corpos adossados à capela-mor, correspondentes a corredores de circulação e ao corpo posterior, este saliente, evoluem em dois pisos, rasgados por janelas de peitoril, semelhantes às anteriores. Fachada lateral direita rasgada, no pano correspondente ao coro-alto por porta e um eixo de duas janelas, tendo a nave, transepto e capela-mor semelhantes aos da fachada oposta. À nave, adossa-se corpo de um piso, correspondente a zona de arrumos, com duas janelas retilíneas. Os corpos adossados à capela-mor e ao corpo posterior, este saliente, evoluem em dois pisos, rasgados por janelas de peitoril, semelhantes às anteriores, surgindo no adossado à capela-mor porta de verga reta. Fachada posterior com remate de perfil tipo mansarda, evoluindo em dois pisos, o primeiro com cinco janelas, duas entaipadas, a do lado direito rasgada por óculo circular; no segundo piso, cinco janelas de peitoril, as dos extremos de menores dimensões. INTERIOR em cantaria de calcário, com o corpo da nave dividido em três tramos por pilastras colossais com capitéis da ordem jónica, ornados por festões; tem cobertura em abóbada de lunetas, com forro de madeira, revestido a telas pintadas com elementos decorativos e figurativos; pavimento em cantaria. Coro-alto sobre pilastras e tribuna de madeira assente em modilhões, com guarda de balaústres de madeira pintada a imitar pedra, com acessos por portas laterais a partir das torres sineiras, acedidas por portas no sub-coro encimadas por áticas e cornijas angulares. Possui órgão de tubos com caixa de madeira pintada. O portal axial encontra-se protegido por guarda-vento de madeira e vidro. Confrontantes, as capelas laterais, rasgadas por arcos de volta perfeita, à face, dedicadas a São Sebastião e a São Miguel Arcanjo (Evangelho) e a São Bernardo e a Santa Marinha (Epístola). Ainda confrontantes, os púlpitos quadrangulares, em cantaria e com mísulas do mesmo material, formando um caule de flor, tendo guardas plenas e acessos por portas de verga reta a partir do transepto, encimadas por guarda-vozes em cantaria, rematados por pináculos. A nave e o cruzeiro são percorridos por teia de madeira com acrotérios de pedra, encimados por lampadários. Os braços do transepto possuem, nos topos, capelas retabulares dedicadas ao Santíssimo Sacramento (Evangelho) e a São João Baptista (Epístola). Junto a este, um órgão elétrico e a pia batismal em cantaria, composta por coluna galbada e taça hemisférica. O cruzeiro tem cobertura pintada a representar os quatro Evangelistas. Capela-mor marcada por pilastras semelhantes às da nave, que ritmam eixos, onde se rasgam duas portas e uma janela com consola, que ligam aos corredores laterais, e se encontram encimadas por duas janelas que abrem para as salas do piso superior, formando as antigas tribunas; cobertura em abóbada de lunetas, com telas pintadas. Na parede testeira o retábulo-mor em cantaria de calcário, de planta reta e um eixo definido por duas colunas de fuste liso e negro, capitéis coríntios e assentes em altos plintos paralelepipédicos, de faces almofadadas. Ao centro, tribuna de volta perfeita com moldura saliente e contendo trono expositivo com a imagem do orago, ostentando pintura decorativa, com quadraturas e apainelados. A estrutura remata em entablamento e frontão semicircular contendo querubim. Está ladeado por dois painéis pintados com molduras de cantaria, representando a "Aparição de Santa Quitéria" e a "Entrada da Imagem na Nova Igreja", sob os quais surgem as portas de circulação pela tribuna, rematadas por áticas angulares. A ladear a capela-mor, dois amplos espaços de circulação, contendo pias de água benta em cantaria de calcário, que ligam à sacristia e a escadas de cantaria, de acesso às tribunas e à Sala da Confraria.

Acessos

Largo de Santa Quitéria de Meca; Rua das Flores; Rua Luís de Camões

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 37 366, 1.ª série, DG n.º 70 de 05 abril 1949

Enquadramento

Urbano, a meia encosta, isolado, com acesso por uma ladeira íngreme, que desemboca num largo que funciona como recinto das festas. No centro do largo *1, pavimentado a alcatrão, surge o cruzeiro, em cantaria de calcário, composto por alta plataforma circular, com acesso por quatro grupos de degraus, formando maciços laterais, alguns ostentando gatos de ferro, envolvida por estreito passeio de calçada, originando uma rotunda. Sobre a plataforma, surge plinto galbado, encimado por cruz metálica. No lado esquerdo, situa-se o recinto de festas, protegido por armação metálica, onde surgem mesas para piqueniques e um coreto em alvenaria pintada de bege e verde, de planta octogonal e com cobertura sustentada por colunas cilíndricas. De cada lado do templo, corre uma via pública, à esquerda a Rua das Flores e, no lado oposto, a Rua Luís de Camões. A fachada lateral direita é prolongada por muro rasgado por portão, que cerca um terreno, que se inclui na propriedade da paróquia. Nas imediações, surge um chafariz construído em 1809, construído com as esmolas dos romeiros e confrades de Santa Quitéria. Fronteira ao templo, uma quinta, a denominada Quinta de Meca, particular, que, até ao séc. 19, pertenceu à família Castro do Rio Faria e Meneses.

Descrição Complementar

Na fachada principal, a ladear o portal, uma lápide com inscrição: "BASÍLICA DE SANTA QUITÉRIA / MECA / TERMINADA 1799 IGREJA MATRIZ / 1847 MON(umento) I(nteresse) P(úblico) 1949 / A IMAGEM DE S(an)TA QUITÉRIA / APARECEU NA QUINTA DE S(ão) BRAZ / EM 1238 / 750 ANOS DEPOIS, S(an)TA QUITÉRIA, ESTEVE EM CADA LUGAR DA / PAROQUIA, DURANTE UMA SEMANA, COM ACTIVIDADES PASTORIAS, / EM QUE PARTICIPARAM TODO O POVO CRISTÃO, O BISPO D. JOSE / POLICARPO, AS IRMÃS FRANSCICANAS M.M. / E O PAROCO P(adre) DR. INACIO F. BELO / 1989". A COBERTURA DO TEMPLO está decorada por pintura sobre tela presa à abóbada de madeira, organizando-se em três secções na nave, uma delas apenas com fragmentos, uma sobre cada braço do transepto e duas na capela-mor. Possui painéis recortados com molduras douradas, representando cenas da Vida de Santa Quitéria, representando "Santa Quitéria e o Anjo Gabriel", "Santa Quitéria no Monte Pombeiro", "Santa Quitéria na Corte de Luciano", "Conversão das Sentinelas do Cárcere" e o "Martírio de Santa Quitéria". Estão envolvidos por elementos arquitetónicos em "grisaille", imitando a pedra, pontuados por rosetões dourados, possuindo, nas lunetas, cartelas ladeadas por anjos, contendo atributos da Mártir. O Cruzeiro também está pintado, formando quatro painéis a representar os Evangelistas, em glória, rodeados por anjos e pelos respetivos atributos. O ÓRGÃO DE TUBOS é do tipo positivo, com caixa de talha pintada e dourada, retilínea e composta por um castelo e dois nichos laterais, ambos com gelosias vazadas por acantos, já muito deteriorados. Os eixos estão divididos por pilastras dóricas, encimadas por urnas, o central mais elevado com cornija em cortina e remate em pequena cartela vazada, contendo as iniciais "XP". Tem consola em janela, ladeada pelos botões dos registos, oito de cada lado, os da mão esquerda correspondentes aos Fagote, Clarão, Vintedozena, Dozena, Décima nona, Quinzena, Flautado de 6 tapado, Flautado de 6 aberto e Flautado de 12 tapado; à mão direita correspondem Clarim, Corneta, Dozena e 19ª, Quinzena, Oitava real, Flau(tim?), Flauta em 12, Flautado de 12 aberto. Os RETÁBULOS LATERAIS são semelhantes, em cantaria de calcário, cada um deles de planta reta e um eixo definido por duas colunas de alvenaria de pedra pintadas imitando brecha negra, de fustes lisos e capitéis coríntios, assentes em plintos paralelepipédicos, de faces almofadadas. Ao centro, painéis de volta perfeita com moldura saliente e contendo mísula com imaginária, tendo, na base, apainelado com marmoreados. A estrutura remata em fragmentos de frontão que centram espaldar curvo, contendo painel emoldurado e ladeado por acantos, com atributos dos respetivos oragos (São Sebastião com as setas e duas palmas, São Miguel com a espada e a cruz, São Bernardo com a pena, livro e bordão e Santa Marinha com o livro e cruz). OS RETÁBULOS DOS BRAÇOS DO TRANSEPTO são semelhantes, em cantaria, de planta reta e um eixo definido por duas colunas de fuste liso e negro, capitéis coríntios e assentes em altos plintos paralelepipédicos, de faces almofadadas. Ao centro, tribuna de volta perfeita com moldura saliente, contendo painéis pintados com pintura figurativa. A estrutura remata em entablamento e frontão semicircular contendo querubim. Altares paralelepipédicos, o do Evangelho encimado por sacrário em forma de templete, de talha dourada, contendo colunas que sustentam cobertura em cúpula e cobertura em domo, tendo a porta ornada por ostensório. O painel do lado do Evangelho possui uma tela assinada a representar a "Última Ceia", surgindo, no lado oposto, a "Pregação de São João Baptista". SACRISTIA tem as paredes divididas em apainelados recortados, pintados e envolvidos por molduras de cantaria e seccionados por pilastras ornadas por folhagem; o teto com sanca curva e plano está pintado em quadratura, na zona da sanca, formando uma colunata com guardas balaustradas, assentes em consolas, que centram uma alegoria à glorificação das alfaias litúrgicas, sustentadas por anjos. Tem pavimento em cantaria e na parede fronteira à entrada, uma estrutura retabular inserida em nicho de volta perfeita com pilastras toscanas, contendo painel pintado com moldura de talha dourada e representando Nossa Senhora da Conceição. Altar em forma de urna com marmoreados rosa e azul, com cartela recortada central. Está ladeada por duas consolas laterais, em cantaria. Nas paredes laterais, dois arcazes de madeira.

Utilização Inicial

Religiosa: capela / Religiosa: santuário

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial / Religiosa: santuário

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Lisboa)

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: Mateus Vicente de Oliveira (1778-1785). ELETRICISTA: António de Jesus da Silva (1991). EMPREITEIROS: Anselmo Costa (1977); Lourenço, Simões & Reis, Lda. (1984-1986); Virgílio dos Santos (1962, 1966). FUNDIDOR: Manuel António da Silva & Filhos (1882). ORGANEIRO: António Xavier Machado e Cerveira (1816). PINTORES: Abel Moura (1961); José António Narciso (1791); Pedro Alexandrino de Carvalho (1789). TOPÓGRAFO: Mário Pires de Sá (1960).

Cronologia

1238 - segundo a lenda, a imagem de Santa Quitéria terá aparecido num espinheiro, na Quinta de São Brás e recolhida pelo pároco da Igreja da Várzea; a imagem desaparecia da Igreja, surgindo na Quinta de São Brás, pelo que a população local resolve construir uma pequena capela, que terá estado na origem do desenvolvimento da povoação; 1497 - a povoação é composta por 11 fogos; 1527 - a povoação regista a existência de 34 fogos; 1660 - Meca é uma igreja anexa à de Santa Maria da Várzea, em Alenquer; 1677 - primeiro registo de batismo; 1700 -1715 - instituição da Confraria de Santa Quitéria; 1712 - segundo Carvalho da Costa, a igreja é um curato anexo à Igreja de Santa Maria da Várzea, com 12 vizinhos e a igreja está num monte, denominado cabeço de Pancas (COSTA, p. 78); 1727 - primeiros registos de casamento e de óbito; 1755, 01 novembro - o terramoto destrói a igreja; 1757 - o Visitador Bernardo Correia da Silva refere a existência de uma barraca de madeira, para onde se mudara o Santíssimo, sugerindo à Confraria de Santa Quitéria a construção de uma nova igreja, devido à precariedade do culto; 1758 - nas Memórias Paroquiais é referido que a paróquia pertence ao termo de Alenquer, tendo 106 fogos e a igreja é dedicada a Santa Quitéria; o pároco é vigário colado, apresentando pelos fregueses, com 100$000 de côngrua; pedido de autorização ao rei D. José para a construção do novo templo; 1769 - data de pintura em tela de Santa Quitéria; 1778 - perante o atraso nas obras, devido a uma má gestão dos mesários da Confraria, a rainha D. Maria I assume a proteção da construção do novo templo, que passa a ser designado como Real Igreja e Basílica de Santa Quitéria de Meca e a Confraria recebe o título de Real Casa de Santa Quitéria, e consagra a Igreja à Basílica de São João de Latrão, em Roma; a obra *2 reinicia-se, conforme projeto e orientação do arquiteto Mateus Vicente de Oliveira; 1785, março - falecimento do arquiteto Mateus Vicente de Oliveira, alegadamente pela queda de um andaime nas obras de Meca; 1789, 24 setembro - Pedro Alexandrino de Carvalho recebe o pagamento pela pintura da "Última Ceia" para a Capela do Santíssimo e de "Nossa Senhora da Conceição" para a sacristia; provável pintura do teto do cruzeiro, atribuível a Pedro Alexandrino de Carvalho; 1790, dezembro - nova queixa da Confraria relativa à má gestão dos fundos para a obra; 1791, julho - José António Narciso recebe o pagamento pela pintura do teto da nave, sendo possível que tenha também pintado a sacristia; 1799 - data de conclusão da igreja; 1817 - data na caixa do Círio da freguesia dos Olivais; 1816 - feitura do órgão de tubos por António Xavier Machado e Cerveira, o seu n.º 82; 1842 - é anexada a Meca a antiga freguesia de Espiçandeira, com o orago São Sebastião, cuja criação remontaria a cerca de 1550; 1847 - a igreja é elevada a Igreja Matriz; 1882 - feitura dos sinos por Manuel António da Silva & Filhos, de Lisboa; 1911 - a povoação tem 66 habitantes, distribuídos por 17 casas; 1969, fevereiro - o sismo provoca danos nas coberturas; 1981 - demolição do antigo coreto e construção de um novo, em betão; 1988 - a imagem de Santa Quitéria visita, durante uma semana, cada lugar da Paróquia em atividade pastoral, em que participou D. José Policarpo.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Paredes exteriores rebocadas (com argamassa de cal e areia) e pintadas de branco; paredes interiores rebocadas e estucadas com efeito marmoreado; elementos estruturais, cunhais, pilastras, molduras de vãos, embasamentos, frisos, cornijas, colunas, arcos, abóbadas, frontão, pias de água benta e batismal, supedâneos, lajes de pavimento, estrutura de escadas, cisterna, goteiras e outros elementos em pedra calcária; abóbadas em alvenaria de tijolo; retábulos e colunas em brecha polida; colunas em alvenaria de pedra imitando brecha; cadeiral da nave, estrutura do altar-mor, teias, piano, mobiliário, pavimentos, tetos, sancas, estrutura da cobertura, portas e caixilharia em madeira; teto, órgão e cadeira em talha pintada; painéis com telas pintadas; altar-mor com talha dourada; pavimento dos corredores e anexos em ladrilho; revestimento de pavimentos em alcatifa; pára-raios, antenas, vedações de altares, corrimão e fixação, ligadores entre pedras, ferragens de portas e janelas em ferro; folhas de portas reforçadas com chapa; chapas de remate na cobertura, caleiras e tubos de queda em zinco; canalização de água em chumbo; cablagens elétricas em cobre; sinos em bronze; relógio exterior em metal; janelas em vidro simples; coberturas exteriores em telhas cerâmicas.

Bibliografia

ALMEIDA, José António Ferreira de (org.) - Tesouros Artísticos de Portugal 1913-1981. Lisboa: Selecções do Reader´s Digest, 1988; AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de - Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa. Lisboa: Junta Distrital, 1963; CÂNCIO, Francisco - Ribatejo Histórico e Monumental. S.l.: s.n., 1938; COSTA, Padre António Carvalho da - Corografia portuguesa... Lisboa: Officina Real Deslandesiana, 1712, vol. III; HENRIQUES, Guilherme João Carlos - Alenquer e seu Concelho. Lisboa: Typographia Universal, 1873; MARQUES, Luís - Tradições religiosas entre o Tejo e o Sado - os círios do Santuário da Atalaia. Lisboa: Assírio e Alvim, 2004; MARTINS, José Eduardo - O Concelho de Alenquer, Subsídios para um Roteiro de Arte e Etnografia. Alenquer: Câmara Municipal, 1989, vol. 1; QUEIROZ, Mónica Ribas Marques Ribeiro de - O Arquitecto Mateus Vicente de Oliveira (1706-1785) uma Práxis original na arquitetura portuguesa setecentista. Lisboa: s.n., 2013. Texto policopiado. Dissertação de Doutoramento apresentada à Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa; REIS, Vítor Manuel Guerra dos - O Rapto do Observador: invenção, representação e percepção do espaço celestial na pintura de tectos em Portugal no século XVIII. Lisboa: s.n., 2006. Texto policopiado. Dissertação de Doutoramento apresentada à Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, 2 vols; VALENÇA, Manuel - A Arte Organística em Portugal. Braga: Editorial Franciscana, 1990-95, vol. 2; «Vária» in Monumentos. Lisboa: Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, 2000 e 2002, n.º 12, n.º 13, n.º 16; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/74187 [consultado em 8 agosto 2016].

Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN/DSID, DGEMN/DSID/Carta de Risco, DGEMN/DRMLisboa

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN/DSID, DGEMN/DSID/Carta de Risco, DGEMN/DRMLisboa, SIPA

Documentação Administrativa

DGPC: PT DGEMN:DSARH-010/012-0014, PT DGEMN:DSARH-010/249-0089, PT DGEMN:DSID-001/011-1196/3, DGEMN/DSID/Carta de Risco, DGEMN/DSMN; DGLAB/TT: Memórias Paroquiais, vol. 42, n.º 178, fl. 88

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 1945 - reparação dos telhados; DGEMN: 1960 - levantamento topográfico adjudicado a Mário Pires de Sá; 1961 - restauro das telas da igreja por Abel Moura; obras de conservação na estrutura dos telhados, caixilharias, colocação de vidros; colocação de um pináculo no vértice da torre; remoção das casas anexas junto à fachada lateral que desabaram; colocação de nova cantaria em cornijas e cimalhas; obras adjudicadas por Virgílio dos Santos; 1962 - reparação do telhado do cruzeiro por Virgílio dos Santos; 1966 - reparação do telhado, com substituição das telhas partidas; reparação das portas e caixilhos; colocação de pedras derrubadas pelas intempéries; fornecimento de madeira para os tetos; obras adjudicadas a Virgílio dos Santos; 1977 - remoção das telhas, a substituir por telhas do tipo "lusa", substituição do ripado do vigamento na igreja e sacristia; construção de algerozes de zinco; reforço com cintas de betão armado nas cantarias cujas juntas estão deficientes; arranjo do troço da cobertura no lado N. do anexo; obras adjudicadas a Anselmo Costa; 1982 - envio da tela da Sala da Confraria para restauro *3; 1984 - substituição das estruturas dos telhados do corpo anexo por lajes aligeiradas de betão, com criação de cintas de betão; demolição de pavimento e tetos e reconstrução das mesmas em lajes aligeiradas; limpeza das torres e dos restantes telhados; obras adjudicadas a Lourenço, Simões & Reis, Lda.; elevação das paredes para sustentar a estrutura do telhado pela firma Lourenço, Simões & Reis, Lda.; 1985 - substituição de rebocos na zona com a nova cobertura; reposição do pavimento em tijoleira e cobertura no anexo da igreja; execução de estuque em tetos; construção de sancas em madeira e estuque; obras adjudicadas a Lourenço, Simões & Reis, Lda.; 1986 - reparação de caixilharias e portas, de rebocos interiores e execução de tetos em madeira e em placas de estafe; levantamento e substituição de cantaria no anexo; substituição do pavimento do coro e salas anexas, com colocação de tijoleira; fornecimento de caixilharias e porta de madeira para o anexo da igreja; demolição dos degraus nos enxalços das janelas nas salas anexas ao corredor do segundo piso e revestimento a tijoleira; limpeza de cantarias no corpo da igreja; obras adjudicadas a Lourenço, Simões & Reis, Lda.; 1989 - restauro da tela do teto da sacristia pelo Instituto José de Figueiredo; 1991 - Reparação da instalação elétrica da torre sineira; instalação de um para-raios; obras adjudicadas a António de Jesus da Silva; 1994 - levantamento do telhado no anexo lateral esquerdo com a reposição de betonilha, ripado e reassentamento de telha; reparação de pestanas de zinco; limpeza dos restantes telhados e isolamento e pintura de tetos e paredes; 1999 / 2000 - beneficiações das coberturas; instalação elétrica; 2000 / 2001 - beneficiação geral das coberturas, conservação e restauro das cantarias da fachada principal; revisão da instalação elétrica; consolidação da cruz das torres sineiras e dos fogaréus; consolidação dos elementos decorativos em pedra; beneficiação da instalação elétrica na sacristia e anexos.

Observações

*1 - A devoção a Santa Quitéria, protetora contra a raiva, é bastante antiga, e durante a sua romaria no dia 22 de maio, os romeiros costumavam ir em carroças e galeras de bois enfeitadas de buxo e flores, dando algumas voltas ao cruzeiro; depois da procissão benzia-se o gado e o pão que depois se dava aos animais que ficavam nas quintas, para que a Santa os livrasse da raiva. Hoje restam apenas as tradicionais voltas ao cruzeiro e a bênção do gado. *2 - A maioria da pedra utilizada na construção da igreja teve origem na vizinha Pedreira da Santa. A pedra denominada "brecha negra" usada em algumas colunas teve origem, segundo Guilherme João Carlos Henriques, numa pedreira que existiu em Monte Redondo, e que foi usada também no retábulo da Capela de Santo António, na Quinta da Abrigada. *3 - as telas, com a dimensão total de 11,20x7,40m, foram enviadas ao antigo Instituto José de Figueiredo em 1982; o Instituto Português de Conservação e Restauro que ficou com as atribuições daquele, remeteu as telas para o atelier Junqueira 220 em 11/10/2001.

Autor e Data

Paula Figueiredo 2014 (no âmbito da parceria IHRU / Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja)

Actualização

 
 
 
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