Convento de Nossa Senhora de Mosteiró

IPA.00002271
Portugal, Viana do Castelo, Valença, Cerdal
 
Arquitectura religiosa, maneirista, barroca e neoclássica. Convento franciscano capucho, de construção medieval pelos observantes, de que não subsistem vestígios, tendo sido remodelado ao longo dos séculos 17 e 18, alterando significativamente a sua estrutura, a última tentando-o adequar às normas da Província da Conceição. É de planta rectangular irregular, composto por igreja de planta longitudinal e convento desenvolvido no lado esquerdo. A igreja é de estrutura chã, de planta longitudinal, antecedida por galilé, e capela-mor mais estreita, com coberturas diferenciadas em falsas abóbadas de berço de madeira, assentes em cornijas, iluminada por janelas rectilíneas rasgadas na fachada lateral direita, e pelos vãos da fachada principal. Esta remata em frontão triangular sem retorno, marcada pelo vão da galilé, em silharia almofadada, o janelão do coro-alto e óculo circular, todos com molduras de cantaria; na galilé, as portas de verga recta do portal axial, portaria e Capela do Senhor dos Passos. Interior com amplo coro-alto, de madeira, assente em mísulas recortadas, formando pingente, No lado do Evangelho, o púlpito quadrangular assente em talha dourada de estilo joanino, com acesso por porta de verga recta, surgindo, ainda, confessionários embutidos no muro; no lado oposto, estrutura retabular de talha joanina e capela profunda, de dois tramos e cobertura em abóbada. Arco triunfal de volta perfeita, encimado por sanefão de talha neoclássica, que substituiu o antigo Calvário, semelhante ao existente na Igreja do Convento de Santo António de Ponte de Lima; encontra-se ladeado por retábulos colaterais de talha dourada do estilo tardo-barroco, pintados de branco, azul e dourado, com remates em espaldar recortado e vazado. Capela-mor com retábulo de talha dourada, do estilo barroco joanino, de planta convexa e três eixos, profusamente ornado por elementos vegetalistas, "putti" e concheados, possuindo sacrário embutido com as armas seráficas. O convento desenvolve-se em torno de claustro quadrangular, com o piso inferior marcado por sete vãos em arcos deprimidos, assentes em pilares e colunas toscanas, com o pisdo superior com o mesmo número de vãos, arquitravados e assentes em colunas toscanas. No lado do Evangelho, o acesso à Via Sacra, sacristia e casa do lavabo, tendo, na ala oposta à igreja, o refeitório, cozinha e despensa, surgindo, virado à fachada posterior, a Casa do Capítulo. No piso superior, subsistem doze celas com corredores centrais, iluminados por janelas regrais, e vestígios da antiga livraria dos frades, sobre a sacristia. Da Via Sacra partem as Escadas das Matinas, de acesso ao corredor do coro-alto. A cerca é de grandes dimensões, murado a alvenaria, com acesso por porta carral na fachada principal, marcada por duas azenhas, uma capela-fonte, e dependências para os moços. Foi o primeiro convento dos franciscanos Observantes em Portugal, construído no séc. 14, de que não subsistem quaisquer vestígios, pois sofreu várias intervenções sucessivas. Desconhece-se, também, o aspecto que assumiu após a intervenção quinhentista, que se terá tornado no esquema preferencial da Província Capucha de Santo António, servindo de modelo de inspiração aos desaparecidos Conventos de São Francisco de Moncorvo (v. PT) e São Francisco de Vila Real (v. PT), os quais ostentavam nave única e uma capela-mor bastante profunda. O edifício actual resulta da adaptação ao esquema dos Conventos da Província da Conceição, nas suas linhas mais simples, com fachada de remate simples, onde apenas se destaca, sobre o óculo, um querubim e um pequeno pináculo em forma de pinha, bem como um nicho fingido, pintado sobre o portal axial. No interior, distinguem-se o retábulo lateral, o púlpito e o retábulo-mor, provenientes do Convento de Santa Clara de Valença, e constituindo os melhores espécimes de toda a Província da Conceição, de talha joanina. Os retábulos colaterais utilizam um tipo de linguagem tardo-barroca, em que elementos barrocos, rococós e neoclássicos se interligam. As grades da igreja fogem ao esquema mais comum, executadas em metal e com confessionários laterais de remates contracurvos, revelando uma feitura tardia, no início do séc. 19. No convento, quase todo arruinado, ainda é possível encontrar vestígios da estrutura do antigo dormitório, os elementos decorativos sobre as vergas das portas da livraria, refeitório e Casa do Capítulo, este com as armas seráficas, bem como da chaminé da cozinha. O facto de se encontrar num ermo e de possuir uma mata bastante frondosa, valeu-lhe os maiores elogios por parte de quase todos os cronistas, que a viam como um deserto, semelhante aos desertos carmelitas, comparável ao do Buçaco; esta perspectiva é particularmente acentuada pelo cronista da Província da Conceição, que escreve "Famigerado he em todo o orbe o deserto do Bussaco em Portugal, e bem se póde dizer, que não he neste Reino primeiro sem segundo, porque o tem mui semelhante neste de Mosteiró, não só pela solidão, pois está apartado dos póvos o que basta para não embaraçare os seus moradores nos exercicios da contemplação, e santa oração, mas tambem pelo dilatado do seu bosque, que não fora inferior ao de Bussaco, se se unisse com a cerca do Convento o que lhe fica de fóra." (JOSÉ, vol. I, 1760). Da cerca, atravessada por uma linha de água, resta o muro, a casa dos moços, uma das duas azenhas e uma capela-fonte.
Número IPA Antigo: PT011608030013
 
Registo visualizado 369 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Convento masculino  Ordem de São Francisco - Franciscanos Capuchos (Real Província da Conceição)

Descrição

Convento constituído por igreja, zona regral situada no lado esquerdo, e enorme cerca, que se desenvolve no lado esquerdo e fachada posterior. IGREJA de planta longitudinal composta por nave, capela lateral profunda e campanário, adossados ao lado direito, e capela-mor mais estreita e baixa, tendo coberturas diferenciadas em telhados de uma (varanda alpendrada) e duas águas. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, flanqueadas por cunhais de cantaria, os da fachada principal com silhares almofadados, sobrepujados por pináculos piramidais, e rematadas em beirada simples, excepto na principal, que ostenta friso e cornija. Fachada principal, virada a NO., rematada em frontão triangular sem retorno, interrompido inferiormente por óculo circular, ornado por querubim, cornija e pináculo de pinha, sob o qual surge o janelão do coro-alto, rectangular e com moldura simples em cantaria de granito. Inferiormente, é rasgada por arco abatido, de acesso à galilé, com moldura em silharia almofadada, com interior, com pavimento em lajeado de granito e cobertura em abóbada de aresta, rebocada e pintada de branco; possui o portal axial do templo, de verga recta e moldura simples, encimado por falso nicho pintado a cinza, ladeado pelas portas de verga recta e moldura simples, correspondentes à Capela do Senhor dos Passos, com o interior marcado por soco de alvenaria de granito, que sustentava a imagem, e à portaria, com folha de madeira almofadada, ornada por cruz latina, integrando o ralo, ladeada por florão de cantaria. No lado esquerdo da fachada, campanário de dois registos definidos por friso e cornija, o inferior com duas janelas rectilíneas, a primeira parcialmente entaipada e encimada por vão em arco abatido, protegido por grades; no registo superior, surge sineira em arco de volta perfeita com sino dedicado a São José, rematado em friso, cornija e pináculos de bola. Fachada lateral esquerda, virada a N., adossada à zona conventual. Fachada lateral direita, virada a S., marcada por uma varanda alpendrada, que terá surgido para dar acesso ao coro-alto, com cobertura de uma água assente em cinco colunas toscanas, que assentam em alto muro de alvenaria de granito aparente, rasgado por uma janela e por uma porta na face SE.; para a varanda, abre porta de verga recta. À nave, adossa-se capela, bastante saliente, com remate posterior em empena cega, rematada em cornija e cruz latina no vértice, e rasgada, nas faces laterais, por janelas rectilíneas. A nave e capela-mor apresentam quatro janelas rectilíneas, em capiaço e com moldura em cantaria. Fachada posterior parcialmente adossada ao corpo conventual, sendo visível o remate em empena com cruz latina sobre plinto paralelepipédico no vértice. INTERIOR rebocado e pintado de branco, com coberturas em falsas abóbadas de berço de madeira, assentes em friso e cornija de granito, com vestígios de policromia, e pavimento em lajeado de granito, formando várias sepulturas. O presbitério, elevado por um degrau, tem pavimento de madeira e encontra-se dividido por grades metálicas douradas, formando um padrão de enrolamentos, possuindo nos lados dois confessionários de perfil recortado, que emolduram o ralo pintado de verde. As janelas estão encimadas por sanefas de talha policroma, ornadas por flores-de-lis, rocalhas, flores, acantos e, no óculo, um enorme festão de drapeado. O coro-alto assenta sobre arco abatido e mísulas recortadas, rematando em pingente, ostentando vestígios de pinturas murais de marmoreados fingidos, com guarda de madeira formada por elementos vazados, rasgado por portas confrontantes, de verga recta, permitindo o acesso. Tem pavimento em soalho e vestígios do cadeiral em madeira de castanho, de braços volutados e assentos movíveis. No lado do Evangelho, possui três confessionários, um deles no sub-coro, com vãos rectilíneos e molduras simples em cantaria, que mantêm os seus ralos, e o púlpito *1 quadrangular, totalmente em talha dourada, com guarda plena, de perfil côncavo, decorada por putti, cartelas e ferronerie, assente em mísula do mesmo material, formada por três atlantes meninos, com acesso por porta de verga recta, protegida por baldaquino de talha dourada, com lambrequins, encimados por putti que sustentam cartelas e uma alegoria à Igreja, na forma de figura feminina, alada, sustentando um cálice. No lado da Epístola, uma estrutura retabular, sem culto e de orago desconhecido, surgindo, na zona do presbitério, uma capela profunda, com dois tramos e coberturas em abóbada de berço no primeiro e em falsa abóbada de madeira no segundo, ambas sobre cornija de cantaria, e pavimentos de madeira encerada *2. No lado oposto, um arco de volta perfeita fazia a ligação com o claustro, actualmente desactivado. Arco triunfal de volta perfeita, apresentando vestígios de policromia, encimado por sanefão *3 ornado por festões de drapeados na zona inferior, albarradas laterais e, no óculo, as armas seráficas, tudo envolvido por acantos e folhas de louro. Encontra-se ladeado por dois retábulos colaterais de talha policroma, branca, azul e dourado, actualmente desactivados, dispostas em ângulo, e primitivamente dedicadas a Nossa Senhora de Mosteiró (Evangelho) e Santo António (Epístola). Sobre supedâneo de cantaria surge o retábulo-mor de talha dourada, com planta convexa e três eixos definidos por duas colunas torsas e duas meias colunas, fingindo embeber-se na estrutura murária, percorridas por espira fitomórfica e por anjos de vulto, com o terço inferior decorado por cartelas, querubins e festões, assentes em consolas em forma de concha, sustentadas por anjos atlantes. Ao centro, tribuna semicircular, contendo um trono expositivo de três degraus, na base do qual surge o sacrário embutido, com a porta ornada pelas armas seráficas, surgindo, nos eixos laterais, dois nichos e mísulas *4, protegidos por baldaquinos, na base dos quais surgem as portas de acesso à tribuna. O conjunto remata em fragmentos de cornija e de frontões, com sanefa de lambrequins ao centro, povoados por uma profusão de putti e figuras de atlantes. Altar paralelepipédico, com frontal em talha, tendo a marcação dos sebastos e sanefa e profusa decoração de acantos. CONVENTO de planta rectangular irregular, formando um ângulo obtuso relativamente à igreja e com uma das alas, a NE., a prolongar-se, desenvolvendo-se em torno de um claustro rectangular, evoluindo em dois pisos, com coberturas diferenciadas em telhados de uma e duas águas. Fachadas em alvenaria de granito aparente ou rebocadas e pintadas de branco, com os vãos emoldurados a cantaria de granito, com cunhais em cantaria e remates em friso, cornija e beirada simples. A ala NO., correspondente à fachada principal, tem, no primeiro piso, vãos rectangulares correspondentes a uma porta entaipada e janelas de peitoril, encimadas por sete janelas de arco abatido e pequenos frisos, seis de peitoril, com molduras em cantaria que se prolongam inferiormente formando brincos, e uma de sacada, com bacia de cantaria e guardas vazadas metálicas, correspondentes às antigas celas e à janela regral; os vãos possuem duas folhas e algumas delas de guilhotina. A ala NE., correspondente à fachada lateral esquerda, é marcada, em ambos os pisos, por vãos rectilíneos e, no primeiro, dois de volta perfeita, um deles formando uma passagem para o espaço que se situa na zona posterior da igreja, algumas portas e, maioritariamente, janelas de peitoril, existindo, no piso superior e rasgadas irregularmente, várias janelas de peitoril correspondentes às celas e algumas de sacada, com bacia em cantaria e guarda metálica. A ala SE., correspondente à fachada posterior possui quatro janelas de peitoril e duas frestas no piso inferior, surgindo, no superior, janelas de peitoril e uma fresta. INTERIOR com claustro composto por sete vãos em cada ala, formados, inferiormente, por arcos deprimidos sustentados por colunas toscanas, e, superiormente, por vãos arquitravados, com colunas toscanas e guarda plena em cantaria. A quadra acha-se repleta de vegetação espontânea, onde se distingue uma árvore de grande porte, sufocada por planta trepadeira, com três alas arruinadas e uma delas, a que confina com a igreja, em relativo bom estado, com pavimentos em lajeado de granito, marcados por sepulturas, e coberturas em madeira. Esta ala é marcada pelos vãos dos confessionários, a porta que acedia à igreja e um nicho de volta perfeita e fundo concheado, que integra um ossário com tampa e vestígios de pintura, tendo, na face frontal, almofadada, uma inscrição. Nesta ala, situa-se a portaria, com tecto de madeira e marcada por várias cantareiras; desta, parte-se para o corredor dos confessionários *5, que desembocam na Via Sacra, onde se erguem as Escadas das Matinas, em cantaria, as quais ligam ao corredor do coro-alto e à dependência sobre a portaria, que acede à sineira. Junto à Via Sacra, situa-se a sacristia, actualmente sem qualquer recheio artístico *6 e com tecto em placa de betão e pavimento em lajeado de granito, onde se verifica a existência de um armário embutido na parede, o qual servia para arrecadar os amitos. No lado oposta, a casa do lavabo, com um espécime em cantaria de granito, com taça rectilínea e espaldar marcado por duas bicas em forma de carranca e vestígios de policromia, rematando em cornija. Na ala SE., a Casa do Capítulo *7, com o acesso marcado pelas armas seráficas, tendo o interior arruinado. Na ala NE., sucedem-se o refeitório, a cozinha, despensa e, prolongando a ala, uma adega e casa de arrumos. O primeiro tem o acesso ornado por cruz pintada, ladeado por albarradas e encimando uma inscrição; a cozinha mantém a enorme chaminé de cantaria, com forno embutido. No segundo piso, a ala NO., apesar de muito arruinada, mantém vestígios do corredor do dormitório, iluminado por duas janelas regrais, com celas em cada um dos lados, num total de doze; no lado oposto, distingue-se a antiga livraria, com porta de verga recta, decorada por elementos florais e inscrição. CERCA bastante ampla, rodeada por muros de alvenaria insonsa, contendo vários eucaliptos, pinheiros e vestígios da antiga fonte de Santo António, com fachada rematada em cornija e frontão triangular, rasgada por vão em arco de volta perfeita, tendo no interior, um nicho de reduzidas dimensões, também de volta perfeita, onde surgiria o orago, já nada restando do tanque. Junto ao convento, uma azenha em alvenaria de granito e, junto ao dormitório, uma porta carral que acede às antigas casas dos moços, também em alvenaria de granito.

Acessos

Estrada de Gondim. VWGS84: 41º58'38.70''N., 8º35'29.08''O.

Protecção

Em vias de classificação (Homologado como IIP - Imóvel de Interesse Público, Despacho de 1983 do Secretária de Estado da Cultura)

Enquadramento

Rural, isolado, situado a meia-encosta, em plataforma artificial, com implantação harmónica. Surge junto à estrada, com terreiro fronteiro, onde se ergue cruzeiro e coreto, resultantes das obras realizadas pela Confraria de Nossa Senhora de Mosteiró, em 1980, a qual foi a responsável pela colocação de uma guarda junto ao cruzeiro, evitando que os mais incautos caíssem na ravina que se sucede à via pública.. O templo é antecedido por escadaria, que leva a um terreiro murado, formando rampa. O adro acha-se vedado por alto muro e com dependências conventuais desenvolvidas a N..

Descrição Complementar

No interior da nave, no sub-coro, no lado da Epístola, uma lápide de granito polido com a inscrição avivada a negro "NESTE CONVENTO INICIOU OS SEUS ESTUDOS O ERUDITO FREI JOAQUIM DE SANTA ROSA DE VITERBO NASCIDO EM GRADIZ, AGUIAR DA BEIRA, A 13 DE MAIO DE 1744, E FALECIDO NO CONVENTO DO SENHOR SANTO CRISTO DA FRAGA, FERREIRA DE AVES, SÁTÃO, A 13 DE FEVEREIRO DE 1822. HOMENAGEM DA CONFRARIA DE NOSSA SENHORA DE MOSTEIRÓ 2 DE SETEMBRO DE 2001". A estrutura retabular no lado da Epístola acha-se em estado arruinado e sem qualquer imagem; é de planta côncava e três eixos definidos por quatro pilastras de diferentes dimensões e dois quarteirões, com nicho central, na base do qual surge um sacrário embutido, rematado em cornija e em alta tabela vertical, encimada por cornija bastante saliente, de perfil curvo; nos eixos laterais, duas mísulas encimadas por baldaquinos, tendo altar paralelepipédico, ornado por acantos. Os retábulos colaterais são de talha pintada de branco, azul e dourado, de planta recta com um eixo definido por duas colunas de fuste liso e o terço inferior estriado, rematadas por urnas, possuindo nicho de perfil semicircular, protegido por porta envidraçada, na base do qual surge sacrário embutido, envolvido por moldura contracurva e rematado por cornija e acantos; são rematados por espaldar curvo, com falso fecho saliente e remate em cornija e possuem altar em forma de urna decorado com cartela central. O ossário do claustro ostenta a seguinte inscrição: "OS OSSOS DO SANTO PADRE FREI IOAO DE BASTOS FORAM AQVI TRASLADADOS NA HERA DE 1578". Na porta do refeitório, surge pintada uma cruz latina, sobre o Monte Golgotá, esgrafitado, e uma inscrição latina na verga: "QVI NON MANDVCAT... MANDVCATEM NON IVDICET.. ROM CAP XIV".

Utilização Inicial

Religiosa: convento masculino

Utilização Actual

Religiosa: igreja / Devoluto

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Igreja) / pessoa singular (Convento)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Frei Sebastião de Guimarães (1557). CARPINTEIRO: José António (1824-1825); Mestre Manuel (1826). ENTALHADOR: Frei Jorge dos Reis (séc. 17, atr.); Manuel José Rodrigues (1823-1824); Marceliano de Araújo (séc. 18, atr.). PEDREIRO: Mestre Manuel (1824-1825). PINTOR: António Vieira (séc. 17, atr.).

Cronologia

713 - extinção de uma antiga casa conventual, por ser inóspito, segundo Frei Agostinho de Santa Maria; 924-950 - Mumadona Dias terá entregue a casa à ordem de São Bento, que também a viria a abandonar; séc. 14 - um incêndio atinge o convento, onde existia uma ermida dedicada a Santa Maria, com um ermitão, João Marinho; 1392 - fundação de um oratório primitivo por frades observantes galegos, no sítio da Grova, integrando uma casa, uma igreja e uma ampla cerca, existindo uma zona de mata fora da área murada (cerca de fora); foi sagrado a Nossa Senhora da Natividade; séc. 15 - doação da capela do Capítulo, dedicada à Virgem, a Gil Velho e à mulher Constância de Abreu, que se fizeram sepultar no local, deixando $800 anuais para missas; 1453, 14 Setembro - D. Afonso IV cede privilégios a dois homens que servissem a comunidade; 1464 - a Casa de Vila Real torna-se a padroeira do Convento, obrigando-se à doação de 12$000 anuais; recebiam, ainda, um carneiro pelo Natal, 15 alqueires de azeite, 10 almudes de vinagre, 5 alqueires de castanhas piladas, um ceirão de figos, 80 varas de burel para os hábitos, 40 varas de peças brancas para as túnicas, 1 cruzado anual para o babeiro e outro para quem lavasse a roupa e limpasse a casa; 1465, 13 Dezembro - confirmação dos privilégios dos servidores do convento; 1476, 23 Julho - confirmação dos privilégios dos servidores do convento; 1482, 24 Julho - confirmação dos privilégios dos servidores do convento; séc. 16 - são sepultados na capela-mor Leonel de Abreu de Lima, Senhor de Regalados, e o filho, Lopo Gomes de Abreu; encomenda da imagem do orago, em madeira, efectuada por ordem de frei Afonso de Orense, na Flandres *8; 1502, 16 Novembro - confirmação dos privilégios dos servidores do convento; 1517, 4 Maio - confirmação dos privilégios dos servidores do convento; 1523 - a casa assume a hierarquia de Convento, tendo como primeiro guardião Filipe Gago; 1557, 26 Fevereiro - perante o estado de ruína do imóvel, a Província de Santo António decide reformá-lo, por iniciativa do provincial, Frei Diogo de Ancede; seguia o projecto de Frei Sebastião de Guimarães, tendo sido paga por Leonel de Abreu, Senhor de Regalados; 1575 - falecimento do Padre Frei João de Basto *9; 1585 - o padre Gonçalo Dantas, abade de Fontoura lega ao mosteiro em testamento 200$000 de pão de trigo, duas galinhas, uma cabaça de vinha, um carneiro que custasse 300$000 e um leitão do mesmo preço; 1593 - o Provincial Frei António de São João pede que a Cerca de Fora fosse coutada ao Marquês de Vila Real, alegando a necessidade de pobreza seráfica, tirando a comunidade a lenha necessária para manter o Convento e o da Ínsua; 11 Junho - o Marquês de Vila Real toma posse do seu couto; 1594 - a mata foi coutada, por pedido do guardião, ao marquês de Vila Real, padroeiro do convento; séc. 17 - execução do primitivo retábulo-mor, pago por Lopo Gomes de Abreu, senhor de Regalados, padroeiro da capela-mor, atribuível a Frei Jorge dos Reis; pinturas do retábulo-mor, atribuíveis a António Vieira; duplicação de celas, de 12 para 24; plantação de vários pinheiros na mata; 1601 - execução da Fonte de Nossa Senhora da Conceição, ornada por embrechados, por ordem de Frei Gerardo de São Matias; 1647 - extinção da Casa de Vila Real, tendo os seus bens passado para a Corte; 18 Julho - D. João IV assume os compromissos da casa de Vila Real; o monarca doa 26 cântaros de azeite; 1652 - instala-se na casa um curso de Teologia Moral e de Artes; 1700 - José Soares Pereira e Pedro de Sousa Pereira são advertidos para pagarem as obrigações da capela do Capítulo; séc. 18 - fundação da capela lateral, dedicada a Nossa Senhora das Dores, por frei João de Santiago, tendo Irmandade; execução das coberturas da nave e capela-mor, rebocadas, e pintadas; 1705, 24 Abril - nascimento da Real Província da Conceição, por Breve de Clemente XI *10; 1726, 10 Janeiro - D. Francisco, na qualidade de titular da Casa do Infantado assume o padroado do Convento; 1729 - a Província da Conceição decide reformar a arquitectura do imóvel, começando pela zona conventual, ampliando os dormitórios, que ficaram com 24 celas; 1741 - feitura da imagem de Santo António por um frade do convento, com cerca de cinco a seis palmos, tendo um livro com o Menino na mão esquerda e um coração inflamado na oposta, além de "(...) huma Cruz, cuberta de fina tartaruga, com seus remates de prata, que lhe deo hum seu devoto" (JOSÉ, 1760); esta imagem transitaria para a capela do claustro com a mesma invocação; 1743, 2 Setembro - António de Sousa e Castro e José Soares Pereira desistem do padroado da capela do Capítulo; 1745 - as obras de 1729 abalaram a estrutura do imóvel, que teve de ser construído de raiz, mas que começou com vários erros, que obrigaram à paragem da obra por 7 anos; séc. 18, 2.ª metade - feitura do órgão por Frei António do Carmo; transferência da imagem de Santo António da igreja para o claustro e execução de uma nova escultura; 1751 - o guardião Frei Manuel de Jesus Maria ordenou a conclusão das obras; 1752 - execução do púlpito e dos retábulos colaterais e mor joaninos, que substituíram estruturas anteriores, maneiristas, por ordem de Frei José das Neves; transferência da imagem da Virgem da Casa do Capítulo para o portal axial do templo; 8 Setembro - estava concluída a reconstrução do convento e igreja; 1760 - descrição do convento e respectiva cerca, na Crónica da Província *11; 1784 - extinção do mosteiro de clarissas de Bom Jesus de Valença, tendo sido transferidos para Mosteiró, o retábulo lateral, o mor, o púlpito e molduras de talha, actualmente na capela-mor, todos atribuíveis a Marceliano de Araújo; 1787 - o colégio de Teologia e Artes foi desactivado por falta de meios financeiros; séc. 19 - execução das grades em ferro para o corpo da igreja, que substituíram as primitivas, de madeira; 1823 - execução de nova imagem do orago por Manuel José Rodrigues ou por um dos seus discípulos, tendo o entalhador executado uma nova imagem de Santo António *12; 1823-1824 - feitura das sanefas e sanefão por Manuel José Rodrigues; 1824-1825 - execução do lajeado da capela-mor pelo carpinteiro José António de Gandra e o pedreiro Mestre Manuel, num total de 72$140; 1824-1828 - reforma total da enfermaria, com feitura de novos telhados, forros, pavimentos e caixilharias, que importou em 40$945; 1825 - feitura do sino do relógio que importou em 31$610; 1834 - o órgão funcionava, sendo organista Frei António de Maria Santíssima; extinção das Ordens Religiosas e abandono do templo, com o consequente inventário *13; a zona conventual foi vendida em hasta pública a D. Miguel Pereira de Forjaz, sendo a cerca e horta adquiridos por António José Garcia de Bade por 12$000 e os bens móveis ao lavrador Inácio José da Silva de Gandra, por 28$800; 1866 - o convento estava na posse dos herdeiros do comprador; 1865 - aquisição do órgão *14 pelo organeiro Luís Lopes; 1884 - o convento foi vendido a Manuel Pereira de Azevedo Gama, permanecendo na posse da família; 22 Julho - doação da igreja à Confraria de Nossa Senhora de Mosteiró; 28 Agosto - aprovação dos estatutos da Confraria; 1941, Agosto - conclusão do caminho da igreja ao convento de Mosteiró, por 43.921$00; 1946, Novembro - conclusão dos trabalhos de levantamento do projecto para a construção do segundo lanço do caminho municipal da Igreja a Mosteiró, por Godim, pela Junta de Freguesia; 1980 - reforma do adro e aquisição de imaginária para a procissão; transporte da imagem do Senhor dos Passos da Paróquia do Cerdal para a capela lateral da igreja do Convento; séc. 20, década de 90 - projecto de adaptação da zona conventual a turismo de habitação, que a morte de Dálio Gama impediu de prosseguir; queda de quase toda a zona conventual, que se acha arruinada; restauro da igreja pela Confraria de Nossa Senhora de Mosteiró.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura de cantaria e alvenaria de granito, parcialmente rebocada e pintada; elementos estruturais, modinaturas, sineira, pilastras, colunas, urna, lavabo, cunhais, frisos, cornijas, pia de água benta, pavimentos, lareira em cantaria de granito; cobertura da sacristia em betão; retábulos, coberturas, caixilharia, portas, pavimentos e forros de madeira; grades da igreja em ferro; janelas com vidros simples e grades metálicas; cobertura exterior em telha.

Bibliografia

MARIA, Frei Agostinho de Santa, Santuario Mariano..., vols. IV e V, Lisboa, Officina da Antonio Pedrozo Galram, 1712-1716; CONCEIÇÃO, Frei Apolinario, Claustro Franciscano, Lisboa, Officina de Antonio Isidoro da Fonseca, MDCCXL (1740); DEOS, Frei Martinho do Amor de, Escola de Penitencia, caminho de perfeição estrada segura para a vida Eterna Chronica da Santa Provincia de Santo António, Lisboa, António Pedrozo Galram, MDCCXL (1740); JOSÉ, Frei Pedro de Jesus Maria, Chronica da Santa, e Real Provincia da Immaculada Conceição de Portugal da mais estreita e regular Observancia do Serafim Chagado S. Francisco, 2.ª ed., 2 vols., Lisboa, Officina de Miguel Manescal da Costa, MDCCLX (1760); VIEIRA, José Augusto, O Minho Pittoresco, Lisboa, 1886; NOGUEIRA, Ibérico, Santa Maria de Mosteiró - Cerdal, in Arquivo do Alto Minho, 4.º vol., tomo I, Vila de Punhe, 1951, pp. 55-59; SMITH, Robert C., A Talha em Portugal, Lisboa, 1963; SMITH, Robert C., Marceliano de Araújo, Porto, Nelita Editora, 1970; OLIVEIRA, A. Lopes de, Valença do Minho, Póvoa de Varzim, Editora Poveira, Lda., 1978; COSTA, Avelino de Jesus da, A Comarca Eclesiástica de Valença do Minho, Ponte de Lima, 1981; NEVES, Manuel Augusto A. Pinto, Valença na História e na lenda, Braga, 1990; ROCHA, J. Marques, Valença, Porto, 1991; AAVV, Convento de Mosteiró. VI Centenário. 1392-1992, Valença, Escola de Bade, 1992; SILVA, Bento Pinto da, Valença em notícia, 2 vols., Valença, Edição do Autor, 1995; ARAÚJO, António de Sousa (Frei), Antoninhos da Conceição - dicionário de capuchos franciscanos, Braga, Editorial Franciscana, 1996; NEVES, Manuel, Augusto Pinto, Valença. Das origens aos nossos dias, Valença, Edição do Rotary Club de Valença, 1997; Estatutos da Confraria de Nossa Senhora de Mosteiró, Valença, Paróquia do Cerdal, 1999; GOMES, Paulo Varela, The Carmelit Desert at Buçaco: a brief map of the Holy City of Jerusalem, in Actas do Colóquio Struggle for Synthesis, A obra de Arte Total nos Séculos XVII e XVIII, vol. I, Lisboa, Ministério da Cultura / IPPAR, 1999, pp. 493-506 AAVV, Dicionário de História Religiosa de Portugal, 4 vols., Lisboa, Círculo de Leitores, 2001; NEVES, Manuel Augusto Pinto, Valença entre a história e sonho, Valença, Edição do Rotary Clube de Valença, 2003; OLIVEIRA, Eduardo Pires, Revisitar Marceliano de Araújo, in Misericórdia de Braga, n.º 2, Braga, Santa Casa da Misericórdia de Braga, 2006, pp. 115-140; FIGUEIREDO, Ana Paula Valente, Os Conventos Franciscanos da Real Província da Conceição - análise histórica, tipológica, artística e iconográfica, [tese de doutoramento], 3 vols., Lisboa, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2008.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DREMN

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

DGARQ/TT: AHMF, Conventos extintos, Convento de Santa Maria de Mosteiró, cx. 2258; ADB: Monástico-conventuais, OFM, Convento de Santa Maria de Mosteiró, Livro do Recibo e Despesa, 1815-1834, F13; BPMP: Crónica da Provincia da Conceição, 1737, FA - 69

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 1817 / 1818 - restauro do Menino do orago em Viana do Castelo, por 7$820; 1818 - arranjo dos foles do órgão por 1$175; 1820 / 1821 / 1822 - douramento das grades, órgão, confessionários e altar do claustro, importando em 94$020, contemplando a mão-de-obra do pintor, compra de tintas, ouro e cola; 1822 - pintura dos caixilhos do refeitório por 5$680; 1824 - conserto das escadas regrais por 3$700; obra no dormitório, por 12$800; reforma dos olhos das esculturas da igreja; 1825 - arranjo da porta da Escada das Matinas por 2$400; arranjo do Moinho Alveiro por 22$500; 1826 - obra nas celas que davam para a varanda no claustro, com colocação de caixilharias, pelo carpinteiro Mestre Manuel, por $600; arranjo de uma cela; 1827 - colocação de grades nas janelas da hospedaria; obra das caixilharias das janelas da rouparia; arranjo do sino por $400; 1829 - colocação de uma nova porta no refeitório por 8$760; 1832 / 1833 - afinação do órgão, por 10$440; 1980 - arranjo das coberturas da igreja e de uma ala do claustro.

Observações

*1 - o púlpito foi substituído pelo proveniente do Mosteiro de Santa Clara de Valença, suprimido em 1748, altura em que a comunidade se fundiu com a do Mosteiro de Nossa Senhora dos Remédios, em Braga. *2 - esta correspondia à antiga Capela de Nossa Senhora das Dores que tinha um retábulo com a imagem do orago, com 4 a 5 palmos de altura e com as mãos postas junto ao peito, onde surge cravada uma espada; na base do retábulo, a imagem de Cristo morto. *3 - existiria, antes da colocação do sanefão, no séc. 19, um Calvário, sendo possível que a imagem de Cristo corresponda à que subsiste na capela-mor da Igreja de São Martinho de Paredes de Coura (v. PT011605160029). *4 - o primitivo retábulo-mor era de talha dourada e policroma, maneirista, rematando em tabela, onde surgia a pintura do Milagre da Porciúncula, flanqueada por duas tábuas pintadas formando uma Anunciação; nos nichos existiam as imagens de Santo António e São Bernardino, ambas desaparecidas, que flanqueavam a de Nossa Senhora da Conceição, que subsiste numa das capelas laterais da Igreja Paroquial do Cerdal, tendo afinidades com a sua homóloga do Convento de Nossa Senhora da Conceição de Melgaço (v. PT011603180044); na mesma igreja, surgem, também provenientes de Mosteiró, os anjos tocheiros da capela-mor, de pequenas dimensões e sustentados por fénices, executados no séc. 18, uma Nossa Senhora da Soledade, um São Joaquim seiscentista e um São Sebastião subsistindo, ainda, provenientes de outros locais uma Virgem com o Menino, de execução recente e um Menino de roca; num nicho da Igreja Paroquial do Cerdal surge um Ecce Homo que poderá ser proveniente do Convento de Mosteiró. *5 - neste corredor existia uma Capela, dedicada a Santo António e referida na Crónica do séc. 18, de que não subsistem vestígios. *6 - nesta, existia um arcaz de madeira de angelim, com espaldar de talha dourada, com o oratório ladeado por seis quadros, dois deles formando as ilhargas, com pinturas religiosas; no inventário de 1834, é referido que se guardava neste espaço as seguintes alfaias litúrgicas: uma custódia de prata dourada, quatro cálices, um deles de prata lavrada, com patena e colher, dois vasos de prata e uma âmbula para os Santos Óleos, a chave de prata do sacrário, além de várias coroas e resplendores de prata, pertencentes à imaginária, um turíbulo e uma naveta de latão, seis tocheiros, três de estanho e três de ferro, dois vasos de estanho para a comunhão, duas canecas, três pares de galhetas em estanho, uma bacia e um gomil em estanho. *7 - o altar da Casa do Capítulo era dedicado à Virgem, surgindo, uma imagem de madeira da Virgem Maria com o Menino nos braços, com cerca de dois palmos, entretanto desaparecida. *8 - a imagem estava "(...) assentada como Rainha Celestial em seu throno, e nesta fórma tem trez palmos grandes de altura, fabricada de escultura em madeira, e estofada com perfeição. Na mão direita tem ao Menino Jesus, o qual está lançando a benção com a mão direita, e na esquerda tem huma esfera, ou pequeno globo redondo, figura do mundo, cujo governo depende todo da sua Divina omnipotencia. E na mão esquerda da Senhora se acha tambem semelhante esfera" (JOSÉ, 1760); da imagem não resta qualquer vestígio. *9 - este encontrava-se junto ao altar de Nossa Senhora de Mosteiró, aí colocado em 6 de Janeiro de 1578, altura em que lhe fizeram a urna (CARDOSO, pp. 54-55), mandada pintar e dourar pelo guardião frei António da Visitação, em 1592; a sepultura, muito procurada por devotos, foi protegida por uma grade de ferro, em 1616, e, na obra de meados do século XVIII, foi transferida para o local onde se encontra, no claustro (JOSÉ, vol. I, 1760, pp. 345-348), para evitar as frequentes devassas do túmulo por parte dos fiéis. *10 - fazem parte da Província os seguintes Conventos: Santa Maria de Mosteiró, Santa Maria da Ínsua (v. PT011602120133), São Francisco de Viana (v. PT011609310047), Santo António de Ponte de Lima (v. PT011607350252), Santo António de Viana (v. PT011609310048), Santo António de Caminha (v. PT011602070044) São Bento de Arcos de Valdevez (v. PT011601340059), São Bento e Nossa Senhora da Glória de Monção (v. PT011604170011), Nossa Senhora da Conceição de Melgaço (v. PT011603180044), Santo António do Porto (v. PT011312120035), São Francisco de Lamego (v. PT011805010074), São Francisco de Orgens (v. PT021823190031), São Francisco de Moncorvo (v. PT010409160053), São Francisco de Vila Real (v. PT011714240091), Santo António de Serém (v. PT020101120131), Santo António de Viseu (v. PT021823240358), Santo António de Viana, Santo António de Vila Cova de Alva (v. PT020601180012), Santo António de Pinhel (v. PT020910170012), São José de São Pedro do Sul (v. PT021816140005), Convento do Senhor da Fraga (v. PT021817040031), Colégio de Santo António de Coimbra (v. PT020603020036 e PT020603020163) e o desaparecido Hospício de Lisboa. *11 - a cerca tinha várias nascentes, sendo atravessada por uma linha de água, com capacidade suficiente para fazer mover duas azenhas e compreendia uma mata, duas hortas grandes e férteis, um pomar, dois panascos e um tojal; a mata era povoada por carvalhos e sobreiros organizados em alamedas, cujas copas formavam túneis, possuindo várias colmeias de abelhas, de onde a comunidade extraía o mel; disseminadas pelo espaço, surgiam três ermidas, uma dedicada a Nossa Senhora da Conceição, situada nas imediações do Convento, tendo, no interior, retábulo de talha dourada e a imagem do orago; ainda na zona do bosque, a Ermida de Santo António e, junto à horta, a dedicada a São Domingos. as fontes seriam parte integrante da condução da água até à sacristia e cozinha, surgindo, pelo menos, a referência a dois exemplares: uma delas dedicada a Nossa Senhora da Conceição, tendo possuído uma fonte de embrechados, com um dragão de sete cabeças, que lançava água, danificada pela queda de um tronco de castanheiro (JOSÉ, vol. I, 1760, p. 338); a segunda era a de Santo António. existiam duas azenhas, beneficiando do facto de ser atravessada por uma linha de água, uma delas denominada como Moinho Alveiro. *12 - a imagem oitocentista de Nossa Senhora de Mosteiró encontra-se ao culto na Igreja Paroquial do Cerdal (v. PT011608030055); a imagem de Santo António encontra-se arrecadada no mesmo edifício. *13 - no Inventário de 1834, consta a existência de três exemplares de lâmpadas de metal, que iluminavam as capelas do templo; o refeitório era iluminada por dois candeeiros de latão, revelando que seria de uma certa grandeza, possuindo duas balanças de ferro; na adega, além dos tonéis, existia uma caixa que permitia arrecadar vinte e oito alqueires de cereal. *14 - o órgão pode estar desmantelado ou em Santa Maria do Bouro, sendo semelhante a um que subsiste no Convento de Santo António de Ponte de Lima.

Autor e Data

Paula Noé 1992 / Paula Figueiredo 2009

Actualização

 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login