Igreja Paroquial da Golegã / Igreja de Nossa Senhora da Conceição

IPA.00002226
Portugal, Santarém, Golegã, Golegã
 
Igreja paroquial de fundação medieval, com estrutura gótica mendicante, marcada por três naves escalonadas, com esta divisão espacial visível nas fachadas exteriores, a qual permite a introdução de clerestório e a iluminação direta dos espaços internos, sendo as coberturas das naves com madeira e a cabeceira com abóbada polinervada. Sofreu obras no período manuelino, que introduziu na fachada principal, rematada em empena, um portal profusamente decorado, flanqueado por colunas torsas e formado por conjunto de arcos policêntricos com decoração vegetalista, inscritos em alfiz, com decoração típica desta época, composta cogulhos, cruzes da Ordem de Cristo e os símbolos régios - as esferas armilares e escudo real. Nas filacteras, surge inscrição composta por letra gótica minúscula de forma ser em capital quadrada e não em carolino-góticas, como é usual. Também as portas travessas são manuelinas, altura em que se rasgaram as janelas das naves laterais, descentradas, devido à existência dos contrafortes, actualmente sem qualquer função estrutural, o que indiciam ser da fábrica primitiva. Ainda deste período, datam os azulejos hispano-árabes, reaproveitados nos altares colaterais. No período barroco, foram introduzidos retábulos de talha pintada, removidos na intervenção revivalista levada a cabo no templo, na primeira metade do séc. 20. Os azulejos da capela-mor são colocados durante esta intervenção, provenientes do Convento da Graça de Santarém (v. IPA.00006540). Interior com cinco tramos definidos por pilares compostos por feixes de colunas. No lado do Evangelho, batistério elevado e protegido por teia de madeira; no mesmo lado, púlpito adossado ao pilar.
Número IPA Antigo: PT031412020001
 
Registo visualizado 752 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta retangular composta por corpo de três naves, capela-mor, tendo adossados a sacristia, a norte, anexo e torre sineira no lado sul, de volumes articulados e escalonados com coberturas em telhados de uma (naves colaterais), duas (nave central) e três águas, sendo em coruchéu prismático, percorrido por frisos salientes assentes em esferas, na torre sineira. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por socos salientes, bastante baixos, e com cunhais em perpianho irregular, nas naves colaterais e torre sineira, sendo as demais marcadas pelos contrafortes de esbarro exteriores, os da nave bastante baixos, sendo, os da capela-mor e da fachada principal, mais altos e rematados por pináculos decorados com pequenos cogulhos. Fachada principal virada a ocidente, com dois panos correspondentes à nave central e colateral norte, tendo, no lado direito, a torre sineira. Na nave central, remata em empena aguda, com cruz no vértice, dividida em três registos por frisos salientes, interrompidos pelo portal, ladeado por colunas torsas, formado por conjunto de arcos policêntricos com decoração vegetalista, inscritos em alfiz decorado com cogulhos, cruzes da Ordem de Cristo, cartelas, um nicho com pequena escultura da Virgem, e vazado por dois óculos e encimado por friso largo de cornucópias, sobre o qual se abre pequena rosácea de moldura dupla centrada por duas esferas armilares e sob escudo real. No lado esquerdo, a nave colateral, rematada em meia-empena e cega, surgindo, no lado oposto, a torre sineira, saliente e provida de embasamento em ressalto, dividida em dois registos, por cornija decorada com meias-esferas sobre cachorrada. No registo inferior, surgem penas janelas quadrangulares, que iluminam a escada de acesso e, no segundo, rasgam-se as ventanas, de volta perfeita e moldura chanfrada, coroadas por cornija em cordão com gárgulas cantonais de canhão. Fachada lateral esquerda com a nave seccionada em três panos, os laterais com janelas em arco levemente apontado e o central com porta travessa, em arco polilobado com decoração de rosetas e pares de volutas, com intradorso de segmentos unidos e inferiormente rematados por feixes de romãs, e extradorso centrado por canopo, finalizando com flor-de-lis insculpida, assente em pés-direitos facetados decorados com esferas e pequenas volutas terminais encimados por capitéis muito deteriorados, com vestígios de decoração floral, e sobre bases facetadas com meias-esferas. Sobre este corpo, é visível a nave central, com duas janelas de perfis apontados. O corpo da cabeceira tem adossada a sacristia, vazada por janelas retilíneas, uma na face norte e outra na oriental. A fachada lateral direita é semelhante no corpo da nave, tendo na capela-mor, ampla janela em arco pleno de dois lumes divididos em cruz, de moldura estriada e bandeira de rendilhados lobulados, tendo, no anexo, porta de verga reta e pequena fresta em capialço na fachada virada a oriente. Fachada posterior rematada em empena reta, cega. INTERIOR com as três naves escalonadas, divididas em cinco tramos por arcos formeiros, de perfis apontados, assentes em pilares constituídos por feixes de quatro meias-colunas, as laterais de menor secção do que as longitudinais, rematados por capitéis facetados decorados com meias esferas e sobre bases, de primeiro registo quadrangular com pequenas volutas nos vértices e segundo registo facetado, estrelado, com anéis embebidos e meias esferas, sendo visíveis algumas marcas de pedreiro, apoiando-se, nos extremos, nas paredes em mísulas com decoração de troncos enrolados e rosetas. Têm coberturas de madeira e pavimento em lajeado com uma tampa de sepultura epigrafada ao centro do terceiro tramo. A nave central tem, no lado do Evangelho, junto ao portal axial, uma lápide epigrafada e adossado ao último pilar do mesmo lado, o púlpito em cantaria de calcário, assente em coluna decorada com caneluras e base com modilhões vegetalistas, anel e cogulhos, de onde evolui a bacia, sextavada, decorada por grotescos, símbolos da Paixão de Cristo e pequenas cartelas com inscrições marianas. Na nave colateral do Evangelho, o batistério, assente em plataforma protegida por teia de madeira balaustrada, no centro da qual surge a pia batismal, de base facetada decorada com grotescos em baixo relevo e taça circular com elementos geométricos insculpidos. No lado oposto, a escada de acesso à torre, em cantaria e com guarda esculpida por troncos podados entrançados, de ligação a uma porta em arco levemente apontado. Junto à escada, ergue-se uma pia de água benta em cantaria de calcário, sobre coluna de base quadrangular. As portas travessas estão ladeadas por pequenas pias de água benta de taças gomadas, embutidas no muro; a do lado do Evangelho, encontra-se protegida por guarda-vento em vidro. Elevado por dois degraus, o arco triunfal, de perfil apontado, com pequeno canopo no fecho, rematado por mísula vegetalista, e extradorso parcialmente guarnecido por cogulhos. A arquivolta exterior é decorada por módulos de folhagem e bagas seguros por cordões e por rosetas, enquanto o intradorso ostenta dois toros torsos, assentes em bases facetadas com anéis e plintos com vértices esculpidos por pequenas volutas e uma figura de animal (cão?) deitado, à direita, e uma flor, à esquerda; os pés-direitos são compostos por colunas embebidas rematados por capitéis individualizadas esculpidos com elementos vegetalistas, um tronco de videira com cachos de uvas, à esquerda, e caule de aboboreira florido à direita, sendo os de maiores dimensão decorados por caule e flores de aboboreira (Evangelho) e cachos de uvas (Epístola). Está ladeado por dois altares sobre plataformas de degraus com mesas de altar revestidas por azulejos hispano-árabes, de aresta, e parede de fundo com silhar de azulejos enxaquetados verdes e brancos, encimados por mísulas em ponta de lápis com imaginária. Capela-mor de dois tramos divididos por colunas embebidas nas paredes, totalmente revestida por azulejos de figura avulsa, padrão e painéis figurativos, azuis e brancos, com cobertura em abóbada polinervada estrelada com fechos decorados com bocetes vegetalistas (flores, heras e bagas), um cordão formando estrela e um Sol central; pavimento em lajeado, integrando duas tampas de sepultura epigrafadas. Nas paredes laterais, rasgam-se duas portas em arco policêntrico deprimido de moldura facetada com duas flores no intradorso e um nicho de pedra, em arco canopial com cogulhos sobre mísula de troncos entrançados, do lado do Evangelho e outro em arco rebaixado emoldurado por pequenas esferas na parede oposta. Sobre supedâneo de três degraus, surge a mesa de altar, revestida por azulejos hispano-árabes de aresta. Na sacristia, um lavabo de pedra e um painel de azulejos azuis e brancos.

Acessos

Golegã, Largo da Imaculada Conceição. WGS84: lat.: 39,401663; long.: -8,486621

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136, de 23-06-1910 / ZEP / Zona "non aedificandi", Portaria, DG, 2.ª série, n.º 153 de 04 julho 1946

Enquadramento

Urbano, isolado, implantada em largo plano, circundada por adro fechado por muro em alvenaria rebocada e pintada de branco, parcialmente arborizado a norte, elevado relativamente à via pública que o circunda, com acesso por escadas de cantaria nas faces frontal e laterais e por rampa na posterior. O largo encontra-se envolvido por casario baixo, pelo edifício moderno da Caixa Geral de Depósitos e pelo Mercado Municipal (v. IPA.00026680), a oriente, tendo, no lado oposto, a Câmara Municipal da Golegã (v. IPA.00026679) e o Pelourinho (v. IPA.00002019).

Descrição Complementar

PORTAL AXIAL enquadrado pelos contrafortes, cuja secção, a partir da base, passa sucessivamente de retangular a triangular e desta a quadrangular, superiormente decorados com grilhagens de troncos entrelaçados em alto-relevo e rematados por pináculos guarnecidos de pequenos cogulhos. Ladeiam o pórtico duas colunas torsas que sugerem três toros ou troncos de árvores enlaçados e cingidos no cimo por uma coroa, a partir da qual se forma um pináculo com os mesmos toros mas de espessura progressivamente menor, rematados por esferas. O portal é composto por um conjunto de três arcos concêntricos em forma de trilóbulo de fecho deprimido; as bases em que assentam são muito altas e de grande secção, apresentando um jogo complexo de formas encaixadas, com intersecção de elementos côncavos, convexos e anéis, possuindo ambas uma inscrição gravada numa filactera que é desenrolada por um anjo sobre o qual surge uma figura híbrida, semelhante a um dragão, envolta em folhagem e abocanhando um caule serpenteante ascendente, podado sustendo grandes folhas recortadas e algumas flores de aboboreira, que preenche o pé-direito e a arquivolta, centrada por máscara de homem barbado. Nas filacteras, surge inscrição evocativa da construção do templo gravada com tipo de letra gótica minúscula de forma com iniciais capitulares carolino-góticas: "Memória de {de} quem" (19cmx34cm) e "A mim fabricou" (20,5cmx34cm). O intradorso é esculpido nos pés-direitos com feixes de três toros que espaçadamente se enroscam, providos de capitéis vegetalistas (videira, à esquerda, e folhas de acanto a ladear máscara, à direita) e o arco é inferiormente orlado por rendilhado com pequenas flores estilizadas e os segmentos unidos por meio de florões de cogulhos que circundam uma corola, cingidos por anéis vegetalistas; o arco exterior da arquivolta é de toro liso com capitel de folhagem, à esquerda, e máscara idêntica à do fecho, à direita, tendo a chave esculpida em mísula, sendo que do arco arrancam três segmentos de cada lado, rematados por florões de cogulhos e bagas formando um cairelado centrado por pentágono curvo onde se encaixa nicho decorado com chamas e com imagem de Nossa Senhora com o Menino; o arco que forma a moldura periférica é de secção quadrangular com dois cogulhos; o espaço correspondente ao alfiz, emoldurado por rosetas, possui um preenchimento algo desordenado com vários elementos: dois óculos decorados com meias esferas ladeiam o nicho, acompanhando a forma curva do pentágono, de cujos segmentos superiores se elevam dois troncos podados entrelaçados onde assentam duas cruzes da Ordem de Cristo ladeadas por cartelas ou filacteras semi-enroladas, em alto-relevo, e por cogulhos; o friso que remata o alfiz é uma composição linear de cornucópias floridas unidas por cordões, interrompido ao centro por um toro liso no prolongamento do vértice do pentágono, cujo remate em florão ultrapassa o mesmo friso e se sobrepõe à moldura exterior da rosácea que o encima, decorada com fiadas de contas enastradas e internamente em quadrilóbulo, ladeada por duas esferas armilares guarnecidas por fitas e encimada por um escudo real, com elmo com paquife e dragão alado por timbre, que pende sobre a moldura. NO PAVIMENTO DA NAVE, inscrição funerária gravada num fragmento de uma tampa de sepultura muito deteriorada, por se encontrar a meio da nave central, não permite leitura integral, com as dimensões de 88cmx73,5cm, com letra gótica minúscula de forma, onde apenas se lê "Sepultura de a [...]". Surge, ainda, uma inscrição gravada numa laje em campo epigráfico delimitado por moldura simples filetada, com texto encabeçado por duas volutas, organizado em dois registos separados por sinal de fim de texto, com inscrição erodida no topo superior esquerdo; vestígios de betume negro nos sulcos de algumas letras, do tipo capital quadrada. A lápide tem 21,8cmx85cm e o campo epigráfico 196,5cmx64,5cm, com a inscrição: RECORDEMO-NOS / DAS ALMAS DO / PURGATORIO, ESPECIALMEN / TE DA DO PADRE DOMINGOS SIMÕ / ES, VIGÁRIO DA / VARA, QUE FOI / NESTA VILLA / DA GOLLEGÃ / REEDIFICADA / EM MDCCCLIII." LÁPIDE NO LADO DO EVANGELHO, com inscrição estipulando o número de missas perpétuas que deveriam ser rezadas regularmente, gravada numa lápide enquadrada por uma moldura filetada simples, com as dimensões totais de 34,5cmx58cm, tendo o campo epigráfico: 32x56, com letra capital quadrada: "NESTA IGR(ej)A DEIXOV ESTEVÂO VASA / LLO ENCARGO DE TRINTA MISSAS / PERPETVAS SOBRE O CAZAL DO VASSA / LO E OVTROS BE(s)S VAGOV PERA A CO / ROA NO ANNO DE 1457 E SE FES / ESTA MEMORIA CO(m) O TOMBO Q(ue) SE / LANSOV NA TORE DO TOMBO O ANO DE 1624 SENDO ADMINISTRADOR / PELA COROA DO(m) J(oã)O DE CASTEL BRANCO". O PÚLPITO ostenta nas cartelas de casa uma das suas faces palavras de uma inscrição laudatória retirada do "Cântico dos Cânticos, capítulo IV, versículo VII, gravadas em letra gótica minúscula de forma: "tota polcra es amjca maco(sic)", quando completa deveria ser: "tota pullcra es, amica mea, et macula non es in tea". No PAVIMENTO DA CAPELA-MOR, inscrição funerária gravada numa tampa de sepultura sem moldura nem decoração, com 256cmx128,5cm, com letra gótica minúscula de forma com iniciais em capital quadrada: "Aq(u)i jaz A muito Virtuosa s(e)nho(r)a Filipa Caldeira Molher Do [...] / fernão Lourenço Do conselho D'el rei Dom / ManueL e Mai de dona Maria q(ue) foi CA / sada CO(m) Dom A(fons)o Di Taide faleceo No / Mes d(e) Maio da era d(e) 1530 ANOS. " A CAPELA-MOR encontra-se revestida a azulejos, a azul e branco, dispostos, nos primeiros tramos faces laterais, em quatro registos, formando painéis de de figura avulsa, enquadrados por barras de enrolamentos vegetalistas, no primeiro, figurativo nos segundos e terceiros, estes representando os Quatro Evangelistas, São Mateus e São João no lado do Evangelho, separados por janela fingida, e São Marcos e São Lucas, no lado oposto; no segundo registo, duas grandes composições, representando o "Lava-Pés" (Evangelho) e "Última Ceia" (epístola. No quarto registo, azulejo de padrão azul e branco. A PAREDE TESTEIRA apresenta a "Estigmatização de Santa Rita", composição central inserida em enquadramento simulando motivos ornamentais arquitetónicos, ornados de figuras infantis atlantes e festões de flores, constituindo uma readaptação de parte de um painel proveniente da igreja do Convento da Graça em Santarém (v. IPA.00006540). A parte superior, correspondente à área delimitada pelo último arco da abóbada, é revestida de azulejo de padrão.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DGPC, Decreto-Lei n.º 115/2012, DR, 1.ª série, n.º 102 de 25 maio 2012

Época Construção

Séc. 16 / 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

EMPREITEIROS: Anselmo Costa (1965, 1974, 1982); António Domingos Esteves (1940-1942); Artur Rodrigues Maia (1930-1931); Auxiliar de Alimentação Portuguesa, Lda. (1964, 1966); João Laerte (1972); Raul Marques da Graça (1943, 1948, 1953); Rui Jorge Neta Moreira (1981).

Cronologia

Séc. 14 - instituição de capela por Estêvão Vassalo, que deixou um casal e vários bens, que garantissem 30 missas perpétuas; 1457 - a Capela de Estêvão Vassalo passa para a administração da Coroa; 1501, 15 maio - carta de D. Manuel I dando licença a Fernão Lourenço, do Conselho d'El-Rei, tesoureiro e feitor da Guiné, que nas suas casas da Golegã pudesse fazer um mosteiro da Ordem de São Jerónimo, o que não foi materializado mas revela o grande interesse real por esta vila, beneficiando das estadas da corte em Almeirim e mesmo da visita pessoal do rei, o que determinou a campanha de obras manuelina da igreja matriz, anteriormente à qual existia uma pequena igreja paroquial em estilo gótico, sendo a nova obra parcialmente custeada pela Coroa e o restante pelos moradores; 1515 - é prior ausente João Fernandes, proto-notário da Santa Sé, sendo a liturgia assegurada pelo cura Pedro Luís Borralho; 1530, maio - falecimento de Filipa Caldeira, mulher de Fernão Lourenço, que jaz sepultada na capela-mor da igreja; 1574 - a igreja pertence ao padroado real e integra a Diocese de Lisboa; séc. 18 - construção de um anexo no lado sul da abside, entaipando e mutilando parte da janela; acrescentamento de um piso na torre sineira com nova cobertura exterior em domo, colocação de altares laterais com retábulos de madeira e de um coro-alto ocupando o 1º tramo, revestimento capela-mor com azulejos, substituição do púlpito manuelino (destruído e as pedras reaproveitadas na construção das paredes do anexo S.) por outro de balcão cilíndrico com balaústres de madeira, ornatos florais e pintura marmoreada, elevação do pavimento interior e desaterro do adro; 1758, 20 abril - nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo pároco, Jacinto José Coelho, vem referida a paróquia, constituindo a Comenda de Santa Maria da Golegã, com a igreja situada no meio da povoação; tem o altar-mor, onde está Nossa Senhora da Conceição e o Santíssimo, sendo os colaterais dedicados a Nossa Senhora do Rosário e de São Sebastião; nas naves, surge o altar das Almas e do Espírito Santo, todos com irmandades; o pároco é vigário, apresentado por concurso pelo Patriarca de Lisboa, tendo de renda mais de 320$000; a vila pouco padecera com o terramoto; séc. 19 - obras na torre sineira, com ampliação da mesma, para introdução do relógio; séc. 19 - séc. 20 - fotografias da autoria de Carlos Relvas, gravuras e aguarelas da época revelam a existência de uma janela quadrangular no pano esquerdo da fachada principal e um pequeno adro gradeado com escadório; 1934, 24 novembro - ajardinamento do exterior do monumento, pela Câmara Municipal da Golegã; 1936 - feitura de um orçamento pelo mestre Francisco Rosalino para a reparação do telhado e caiação das paredes da igreja; 1938 - 1945 - restauro da igreja; 1947, 26 setembro - para terminar o restauro do imóvel, falta terminar a escada da torre sineira, a colocação de um cabeção no sino e a colocação de uma balaustrada no batistério; 1948, agosto - feitura da teia balaustrada para o batistério, em mogno, por Raul Marques da Graça; 1949 - terminam as obras de restauro do templo; 1954 - o pároco coloca confessionário no templo, que são considerados pouco consoantes com o mobiliário existente no edifício; 1955 - substituição do relógio da torre; 1959 - colocação de 50 bancos no interior do templo; 1957, 30 novembro - lançamento do concurso pela DGEMN para aquisição de bancos e genuflexórios em madeira de andiroba para o templo; adaptação dos confessionários existentes e colocação de um reposteiro; 1992, 01 junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126; 2009, 24 agosto - o imóvel é afeto à Direção Regional da Cultura de Lisboa e Vale do Tejo, Portaria n.º 829/2009, DR, 2.ª série, n.º 163.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria mista e cantaria de calcário; portal, contrafortes, pavimentos, arco triunfal, abóbada, pia de água benta, pia batismal, escadas, mísulas em cantaria de calcário; coberturas, mobiliário, teia do batistério, guarda das escadas em madeira; painéis de azulejo; cobertura exterior em telha.

Bibliografia

«A Igreja Matriz da Golegã» in Boletim da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais. Lisboa: Direção-Geral dos Edifício e Monumentos Nacionais, 1943, nº 32; ALMEIDA, Alberto Pereira de - Portugal Monumental, Porto: Tipografia do Anuário Comercial, 1933; ATANÁZIO, Manuel Cardoso Mendes - A Arte do Manuelino. Lisboa: Editorial Presença, 1984; BARBOSA, Vilhena - «Vila da Golegã» in Arquivo Pitoresco. Lisboa: Castro Irmão e C.ª Lda, 1867, tomo X, vol. VI; CÂNCIO, Francisco - Ribatejo Monumental, s.l.: Livraria Manuel Ferreira, 1939, vol. III; CHICÓ, Mário Tavares - A Arquitectura Gótica em Portugal. Lisboa: Livros Horizonte, 1954; CORREIA, Vergílio - A Arquitectura em Portugal no Século XVI. Coimbra: Biblos, 1929; COSTA, Américo - Diccionário Corográfico de Portugal Continental e Insular. Vila do Porto: Livraria Civilização, 1938, vol. VI, pp. 1248-1251; DIAS, Pedro - História da Arte em Portugal - O Manuelino. Lisboa: Publicações Alfa, 1986, vol. 5; HAUPT, Albrecht - A Arquitectura do Renascimento em Portugal. Lisboa: Editorial Presença, 1985; LOPES, Jorge - « O restauro das cantarias exteriores da Igreja Matriz da Golegã» in Revista Património Estudos. Lisboa: IPPAR, 2001, n.º 3, pp. 192-197. MENDES, José Carlos - «Golegã: restauro da Igreja Matriz» in Revista Património Estudos. Lisboa: IPPAR, 2001, n.º 3, pp. 189-191; O Ocidente. Lisboa: 1885, vol. VIII, n.º 219, p. 19; Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1952. Lisboa: Ministério das Obras Públicas, 1953; SEGURADO, Jorge - A Igreja Matriz da Golegã, Percursos do Manuelino. Lisboa: 1983-1984; SEQUEIRA, Gustavo de Matos - Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Santarém. Lisboa: Academia Nacional das Belas-Artes, 1949, vol. 3; SERRÃO, Joaquim Veríssimo - Livro das Igrejas e Capelas do Padroado dos Reis de Portugal - 1574. Paris: Fundação Calouste Gulbenkian Centro Cultural Português, 1971; SILVA, Jorge Henrique Pais da - Páginas de História da Arte. Lisboa: Editorial Estampa, 1993, 2.ª ed., vol. I; SILVA, José Custódio Vieira da - O Tardo-Gótico em Portugal, A Arquitectura no Alentejo. Lisboa: Livros Horizonte, 1989.

Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN/DSID, SIPA

Documentação Administrativa

DGPC: PT DGEMN:DSARH-010/109-0001, PT DGEMN:DSARH-010/109-0002, PT DGEMN:DSARH-010/109-0004, PT DGEMN:DSARH-010/109-0009/02, PT DGEMN:DSARH-010/109-0026, PT DGEMN:DSID-001/014-2001; DGLAB/TT, Chancelaria de D. Manuel, L. 17, fl. 36v., DGLAB/TT: Memórias Paroquiais, vol. 17, n.º 61, fls. 325 - 332

Intervenção Realizada

DGEMN: 1930 - limpeza dos estuques das paredes e abóbodas, pintura das paredes e tratamento das madeiras do teto; obra realizada por Artur Rodrigues Maia; 1930 / 1931 - conserto dos telhados, reparação dos soalhos da nave, limpeza das cantarias, pintura das portas e caixilhos, do altar-mor e dos quatro altares da nave, da cobertura da capela-mor, grades dos mesmos e recuperação dos azulejos; obra de Artur Rodrigues Maia; 1938 / 1939 - apeamento e reconstrução completa da armação do telhado, em madeira, com colocação de frechais de betão armado e tirantes de ferro; colocação de telhas; picagem de rebocos e substituição por rebocos hidráulicos; obra realizada por António Domingos Esteves; 1940 / 1941 / 1942 - o mesmo foi o responsável pelo lajeamento das naves, em cantaria, desentaipar e reconstruir uma janela primitiva da capela-mor; picagem de rebocos interiores e substituição por rebocos hidráulicos; arranjo da capela-mor, com o apeamento da parede testeira, do retábulo da mesma, e reconstrução do novo muro e levantamento do pavimento; reconstituição e arranjo da escada primitiva de acesso à torre, incluindo guarda de cantaria, consolidação e substituição de degraus e feitura de porta de acesso; construção de cornija; tratamento das juntas das colunas; arranjo da sacristia; reconstrução do púlpito manuelino com as pedras encontradas aquando da demolição do referido anexo; 1943 - arranjo da torre sineira e respetiva cobertura, com o apeamento do segundo registo de ventanas; assentamento de painéis de azulejo; construção do coruchéu da torre por Raul Marques da Graça, construtor civil de Tomar, o qual se responsabilizou pela feitura dos muros do adro em alvenaria rebocada; 1944 / 1945 - o mesmo executa duas mísulas de cantaria e assenta os painéis de azulejo na capela-mor; 1948 - construção da escada interior da torre sineira em betão armado e revestimento da mesma em tijolo, conclusão do cabeção dos sinos; picagem e reboco das paredes interiores da torre; as obras são feitas por Raul Marques da Graça; 1949 - arranjo e regularização do adro; 1953 - limpeza e arranjo dos telhados; substituição das madeiras de uma porta e da tampa do batistério; reparação do muro do adro; obras por Raul Marques da Graça; PROPRIETÁRIO: 1962 - caiação das paredes; DGEMN: 1964 - nova instalação elétrica e do sistema de som, pela empresa Auxiliar de Alimentação Portuguesa, Lda.; 1965 - reparação dos telhados, tratamento das portas e caixilharias e caiação exterior, obras adjudicadas a Anselmo Costa; 1966 - substituição dos candeeiros de iluminação pela empresa Auxiliar de Alimentação Portuguesa, Lda; 1972 - reparação dos telhados, levantando a cobertura e fazendo a revisão do madeiramento, por João Laerte; 1974 - revisão de rebocos e caiação das paredes exteriores, reparação das portas exteriores e dos vitrais, por Anselmo Costa; 1981 - reparação da instalação elétrica, por Rui Jorge Neta Moreira; 1982 - limpeza dos telhados e pintura das portas e janelas, por Anselmo Costa; IPPAR: 2002 - revisão das coberturas, com limpeza, reparação da estrutura, substituição de telhas e revisão dos forros; reparação de rebocos degradados; revisão das carpintarias e serralharias; recuperação dos vitrais; limpeza, consolidação, e refechamento de juntas em cantarias; reparações dos sinos e dos cabeções; montagem de redes anti-pombo na torre sineira; colocação de pavimento em lajeado na área envolvente; limpeza das cantarias do portal.

Observações

Autor e Data

Lina Oliveira, Ana Paula Correia e Filipa Avellar 2005

Actualização

Paula Figueiredo 2016 (no âmbito da parceria DGPC / Diocese de Santarém)
 
 
 
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