Pelourinho de Barcelos

IPA.00000221
Portugal, Braga, Barcelos, União das freguesias de Barcelos, Vila Boa e Vila Frescainha (São Martinho e São Pedro)
 
Arquitectura político-administrativa e judicial, quinhentista. Pelourinho de gaiola hexagonal, com soco também hexagonal, de três degraus e coluna de fuste liso, com secção hexagonal, capitel prismático desenvolvendo-se para o remate, em gaiola. Possui elementos decorativos manuelinos, como o anel torso do capitel e os cogulhos dos colunelos da gaiola. O pelourinho mantém, ainda, os ferros de sujeição. Destaca-se o remate, ornado por cogulhos e vários elementos fitomórficos no coruchéu.
Número IPA Antigo: PT010302140009
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Estrutura  Judicial  Pelourinho  Jurisdição senhorial  Tipo gaiola

Descrição

Estrutura em cantaria de granito, composta por soco hexagonal, de quatro degraus, base quadrangular, com ligeiro rebordo superiormente, onde assenta coluna de fuste liso, com secção hexagonal, rematado por fino anel torso. Possui presos à coluna ferros de sujeição, com cadeado. Capitel prismático desenvolvendo-se para o remate, em gaiola decorada com pequenos arcos de volta perfeita, entre seis colunelos coroados por cogulhos. Peça terminal constituída por pirâmide decorada com motivos fitomórficos.

Acessos

Barcelos, Rua Dr. Miguel Fonseca. WGS84 (graus decimais) lat.: 41,528188, long.: -8,622545

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 23 122, DG, 1ª Série, nº 231 de 11 outubro 1933 / ZEP, Portaria DG, 2ª, nº 8 de 11 janeiro 1954

Enquadramento

Urbano, isolado, em pleno centro histórico de Barcelos, ribeirinho, em plano elevado, na margem N. do rio Cávado, implantado em largo ajardinado, com canteiros geométricos de buxo, pontuados por flores, de acentuado declive. O largo confina a E., com as ruínas do Paço dos Duques de Bragança (v. PT010302140002), e junto a estas a Ponte de Barcelos (v. PT010302140004) e a Azenha da Ponte (v. PT010302140134), a N., com Solar dos Pinheiros (v. PT010302140003) e a NE. com Igreja Matriz de Barcelos (v. PT010302140007). Na proximidade, a N., encontra-se a Câmara Municipal de Barcelos (v. PT010302140112), a Fonte da Rua Visconde de São Januário (v. PT010302140135), as casas de D. Nuno Álvares Pereira, dos Carmonas e do Alferes Barcelense (v. PT010302140127, PT010302140128 e PT010302140129) e o Chafariz do Largo do Apoio (v. PT010302140076). A NO., na Rua dos Duques de Bragança encontra-se o Posto de Turismo de Barcelos e a Casa dos Arriscados Mendanhas (v. PT010302140133).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Judicial: pelourinho

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Autarquia local, Artº 3º, Dec. nº 23 122, 11 Outubro 1933

Época Construção

Séc. 16 (conjectural)

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1156 / 1169 - Barcelos recebe foral dado por D. Afonso Henriques; 1208 - D. Sancho I, confirma o foral dado pelo seu pai; 1218 - confirmação do foral por D. Afonso II; 1220 - nas inquirições de D. Afonso II, a vila é freguesia do julgado de Neiva, orago Santa Maria; 1256 - D. Afonso III confirma o foral dado pelo seu trisavô; 1258 - nas inquirições de D. Afonso III a vila ainda é freguesia do julgado de Neiva, mas com o isento de couto; 1298, 8 Maio - D. Dinis nomea D. João Afonso de Menezes, 4º Senhor de Albuquerque, como 1º Conde de Barcelos, doando-lhe em título a povoação, passando a vila de régia a condal; 1314, 1 Maio - carta de D. Dinis doando a vila ao 3º Conde de Barcelos, D. Pedro Afonso, seu filho bastardo; a carta determina que por morte de D. Pedro Afonso, a vila regressa à posse da Coroa; 1372, 5 Fevereiro - por carta passada em Coimbra é dado ao 4º Conde donatário de Barcelos, D. João Afonso Telo de Menezes, o julgado de Penafiel de Bastuço e o couto de Boigeão, ampliando assim o concelho de Barcelos; 1385, 6 Junho - confirmação de D. João I dos previlégios dados ao concelho; Outubro - nova carta de D. João I confirmando os previlégios; 12 Outubro - concessão do título a D. Nuno Álvares Pereira, pelo rei D. João I; séc. 15 - D. Nuno dá a povoação ao genro, passando à Casa de Bragança; 1417, 12 Julho - nova carta de D. João I confirmando os previlégios; 1433, 25 Dezembro - confirmação de D. Duarte dos previlégios dados ao concelho; 1440, 13 Maio - confirmação do regente D. Pedro dos previlégios; 1483, 21 Junho - D. Fernando, 10º Conde de Barcelos e 3º Duque de Bragança é degolado em Évora por conspirações contra D. João II, sendo-lhe retirado o condado de Barcelos; 1496 - o rei D. Manuel restitui a vila de Barcelos a D. Jaime, 11º Conde de Barcelos e 4º Duque de Bragança; D. Jaime manda colocar marcos em todas as suas terras do condado de Barcelos; séc. 16 - concessão do título de Duque de Barcelos a D. João de Bragança, filho primogénito de D. Teodósio; 1515, 7 Agosto - D. Manuel concede novo foral; provável construção do pelourinho no antigo Largo do Picota, actual Largo do Município; 1630 - o pelourinho é deslocado para o Largo da Porta Nova, junto à Torre do mesmo nome, transformada em cadeia (v. PT010302140006); no seu local é construído um chafariz (v. PT010302140075), que actualmente se encontra no Campo de São José; 1706 - a povoação tem 500 vizinhos; a câmara senta-se no banco 14 em Cortes; é cabeça de Comarca, governada por ouvidor com 300$000, juiz de fora, com 200$000, 3 vereadores, procurador e tesoureiro; a Câmara é do capitão-mor da vila, com 3 escrivães da correição, um meirinho, um inquiridor, distribuidor, contador, porteiro, caminheiro da correição; escrivão, 10 tabeliães, 5 inquiridores do Geral, distribuidor, escrivão da almotaçaria, contador geral, relojoeiro, alcaides pequenos, porteiro das execuções e outro da câmara; tem 2 juizes dos órfãos, 2 porteiros e 2 escrivães das sizas, nomeados pelo rei; tem um almoxarife e um juiz dos direitos reais, com o respectivo escrivão; tem de renda para a Casa de Bragança 25.000 cruzados; 1865 - o pelourinho é apeado e desmontado pela Câmara Municipal de Barcelos, devido às obras de regularização do Largo da Porta Nova e da Rua Faria Barbosa; as peças dispersam-se, sendo a base aproveitada como material de obras, o fuste aplicado como poste de cadeeiro público e a gaiola encaixada numa parede; 1905 - a pedido do investigador barcelense Dr. António Miguel da Costa e Almeida Ferraz, então administrador do concelho, a Câmara Municipal de Barcelos manda reconstruir o pelourinho e colocá-lo no local onde hoje se encontra *1.

Dados Técnicos

Sistema estrutural autónomo.

Materiais

Estrutura e elementos decorativos em granito; ferros de sujeição em ferro forjado.

Bibliografia

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Cidades e Vilas de Portugal - Barcelos, Lisboa, 1990; Guia de Portugal, Entre Douro e Minho, vol. IV, tomo II, 3ª edição, 1996; CHAVES, Luís, Os Pelourinhos Portugueses, Gaia, 1922; Congresso Histórico e Cultural, Barcelos terra condal: congresso: actas, Barcelos, 1998; COSTA, António Carvalho da (Padre), Corografia Portugueza…, vol. I, Lisboa, Valentim da Costa Deslandes, 1706; FERREIRA, Maria da Conceição Falcão, Barcelos Terra de Condes, Barcelos, 1982; FONSECA, Teotónio da, O Concelho de Barcelos Aquém e Além Cávado, vol. I, Barcelos, 1987; MALAFAIA, E. B. de Ataíde, Pelourinhos Portugueses - tentâmen de inventário geral, Lisboa, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1997; SOUCASAUX, A., MANCELOS, J., BARCELOS, resenha histórica-pitoresca-artística, Barcelos, 1927; SOUSA, Júlio Rocha e, Pelourinhos do Distrito de Braga, Viseu, 2000; TRIGUEIROS, António Júlio Limpo, FREITAS, Eugénio de Andrea da Cunha e, LACERDA, Maria da Conceição Cardoso Pereira de, Barcelos histórico, monumental e artístico, Braga, 1998.

Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN:DREMN

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DREMN, DGEMN:DSID

Documentação Administrativa

DGARQ/TT: Memórias Paroquiais (vol. 6, n.º 33, fl. 211-278)

Intervenção Realizada

CMB: 1905 - execução de um novo soco.

Observações

*1 - O soco original foi utilizado como material de obras da cidade; os ferros de sujeição foram encontrados na Torre da Porta Nova, por altura da sua reconstrução.

Autor e Data

Isabel Sereno / João Santos 1994 / Joaquim Gonçalves 2005

Actualização

 
 
 
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