Termas do Peso

IPA.00002203
Portugal, Viana do Castelo, Melgaço, Paderne
 
Arquitetura de saúde, revivalista e Arte Nova. O balneário tem a estrutura interna organizada com divisão por sexos, apresentando assim duas alas, balneários e salas de duche para homens e para mulheres, etc.
Número IPA Antigo: PT011603110023
 
Registo visualizado 212 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Conjunto arquitetónico  Edifício e estrutura  Saúde  Termas    

Descrição

O Parque Termal do Peso, arborizado com árvores de grande porte, e várias placas ajardinadas, é atravessado por uma alameda central e vários caminhos, de terra batida. Possui também um ribeiro, que corre de S. para N., transposto por passadiço alinhado com a entrada do pavilhão da fonte principal, quedas de água e um lago. As várias edificações do parque são: o pavilhão da fonte principal, o balneário, a fonte nova e a fábrica de engarrafamento. O PAVILHÃO DA FONTE PRINCIPAL apresenta planta quadrangular, com corpo central avançado em cada uma das fachadas, e ângulos curvos, com coberturas articuladas em telhados de várias águas, integrando claraboia retangular central. As fachadas são em cantaria aparente, com pilastras definindo panos sucessivos, sustentando o entablamento do remate, com friso almofadado, sobreposto por aba corrida de madeira. Em cada um dos panos abre-se amplo, vão em arco abatido, com chave saliente, interligados por friso ao nível da cornija do arco, com porta de ferro envidraçada, pintada de verde, decorada com motivos geométricos e integrando vidros simples e policromos. Fachada principal virada a O.. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de azul, percorridas por embasamento de cantaria e panos definidos por pilastras, aos quis se fixam as estruturas em ferro para sustentação da cobertura, forrada a fasquiado de madeira, pintado de azul. É acedido pelos portais a E., N. e O., por meio de amplas escadas de cantaria, com guarda em ferro, possuindo pavimento cerâmico preto e branco, bastante rebaixado. Ao centro do edifício, possui a primitiva "buvette" termal, de planta octogonal, numa cota ainda mais rebaixada, com pavimento igual e protegido por guarda em ferro, pintada de verde, e acrotérios facetados nos ângulos; o repuxo está protegido por campânula cilíndrica. À volta do edifício desenvolve-se ala sobrelevada, acedida pelo patamar intermédio das escadas, com pavimento cerâmico preto e branco e guarda em ferro, pintada de verde, decorada por motivos volutados estilizados, integrando nos ângulos candeeiros, sobre altas colunas, com globo de iluminação envolvido por vários braços estilizados. Ao nível da cota mais baixa do interior, corre caleira contendo escoadouros nos cantos. O sistema de abertura das janelas é feito por um varão de ferro vertical central, movido inferiormente por alavanca, o qual permite abrir em simultâneo os seis painéis rotativos centrais. Ao nível dos tirantes horizontais da cobertura, no sentido N. - S., atravessa o pavilhão e entra na oficina a linha de engarrafamento, cujo mecanismo compreende uma resistente calha de ferro com rolamentos onde fica suspenso uma espécie de grade de grande capacidade, atualmente em exposição no edifício.

Acessos

Paderne, EN 202

Protecção

Categoria: MIP - Monumento de Interesse Público / ZEP, Portaria n.º 276/2013, DR, 2.ª série, n.º 91, de 13 maio 2013 *1

Enquadramento

Urbano, isolado, delimitado por muros encimados por gradeamento, sendo atravessado pela ribeira da Folia. Implanta-se à esquerda da EN-202, na direção poente-nascente. Na proximidade do parque ergue-se a Pensão do Peso e, no seu interior, a NO., a Ponte da Folia (v. IPA.00015249).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Saúde: termas

Utilização Actual

Saúde: termas

Propriedade

Privada: pessoa coletiva

Afectação

Época Construção

Séc. 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO PAISAGISTA: Jacinto de Matos (1924). ENGENHEIRO: Couto dos Santos (1909).

Cronologia

1884, 08 junho - compra do terreno a António Júlio Esteves e sua mulher por António Augusto de Sousa e Castro; 14 agosto - registo na Câmara de Melgaço do pedido de aproveitamento das águas do Peso para fins medicinais por Félix Tomás de Barros Araújo, Bento Maria Barbosa, António Augusto de Sousa e Castro e Victorino Augusto dos Santos Lima; no requerimento aludem a umas "águas alcalino gasosas" encontradas na corga ou regato público, no sítio denominado das Caldas, na freguesia do Prado; 21 agosto - pedido de registo; 28 agosto - renovação do registo e requerido o registo de outra nascente de "águas alcalino-gasosas" que brota no regato do Peso; 13 outubro - constituição de sociedade para pesquisa e exploração das águas formada por Bento Maria Barbosa, Félix Tomás de Barros de Araújo, António Augusto de Sousa e Castro, Victorino Augusto dos Santos Lima, Abílio Augusto de Sousa, José Francisco de Almeida Fragoso, Aurélia Saavedra e Silva, Dr. António Joaquim Durães, Manuel Bento da Rocha Júnior e Dr. António Pereira de Sousa; análise das águas no Porto, que as declaram alcalino-gasosas; 1885 - as águas são engarrafadas numa barraca de madeira; 1889, julho - após a morte de António Augusto de Sousa e Castro, seu pai e herdeiro, António Cândido de Sousa e Castro Moraes Sarmento, proprietário do terreno das Caldas, requer e obtém do Ministério das Obras Públicas patente de invenção, por quinze anos, da aplicação terapêutica das águas das freguesias de Prado e Paderne; 1891, 17 agosto - sentindo-se lesados, os outros sócios põem ação de anulação do privilégio no Juízo de Melgaço; 1893, julho - transação resolve o conflito entre os sócios; 1894, 1 maio - constituição da Empresa Santos, Sobral & C.ª, com um capital de 20 contos, à qual é transmitida a concessão legal pelo primitivo concessionário António Cândido de Sousa e Castro Morais Sarmento; 1895 - já existe no local um hotel construído por António Guerreiro Ranhada, regressado do Brasil e que encontra no Peso a cura para o seu mal do fígado; o hotel é construído num terreno, comprado por 40$000, onde existia uma pedreira, com lotação apra 80 hóspedes, e com um parque desenhado pelo filho José Ranhada; 1897 - 1898, entre - inscrevem-se nas termas 731 aquistas; 1898, 3 junho - alvará do Ministério das Obras Públicas ratifica a concessão atribuída a Santos, Sobral & C., ficando a empresa na posse de todos os direitos de exploração vitalícia das nascentes; 24 setembro - diploma publicado no Diário do Governo fixa os preços dos tratamentos termais *2; 1899, 14 setembro - aprovação do projeto de pesquisa de novas captações de água pela empresa a Empresa Santos, Sobral & C.ª, devido ao maior afluxo de pessoas às termas do Peso e consequente aumento do consumo de água mineral; surge conflito com a Viscondessa do Peso, proprietária dos terrenos adjacentes e onde a empresa pretendia efetuar os trabalhos de pesquisa; tendo recusado a proposta de entrar como sócia da empresa, a Viscondessa resolve também explorar a nascente de água mineral da sua propriedade; 1901 - construção do "Novo Hotel Quinta do Peso", sendo um dos primeiros hóspedes o conselheiro Manuel Francisco Vargas, Ministro das Obras Públicas, e esposa; 1904, 05 março - Viscondessa do Peso solicita licença de exploração da nascente de água mineral da sua propriedade; 1904, 11 novembro - portaria entrega à Empresa Santos, Sobral & C.ª um perímetro reservado de 15 hectares para a exploração das águas, só então tornando possível o início da sua expansão; 1906, agosto - concluídas as captações definitivas; 1907 - o caudal disponível aumenta de 2.482 litros/dia (1904) para mais de 8.000 litros/dia; a empresa decide realizar a construção de um pavilhão para a nascente principal substituindo a 'buvette' existente; 1909 - início da construção do edifício da buvette principal, com projeto do engenheiro Couto dos Santos e tendo custado 43 contos; análise das águas pelo professor Charles Lepierre e Dr. António Cruz Magalhães; 1912, 19 fevereiro - José Figueiroa Granja, de Vigo, adquire a José Joaquim Esteves o "Novo Hotel da Quinta do Peso", constituindo-se para a sua exploração a sociedade "Figueiroa & Ribas", onde participava um outro galego, Don Francisco Ribas; 1913, 23 agosto - inauguração do animatógrafo "Salão de Melgaço", no Peso, explorado por Cícero Cândido Solheiro; 1917, 10 março - publicação do "Regulamento do estabelecimento hidrológico das Águas Minerais de Melgaço", no Jornal de Melgaço *3; 21 julho - artigo de Gregório Fernandes no Jornal de Melgaço refere a estrada de acesso às termas empoeirada e sem arborização; considera o edifício da "buvette" como um "pesado pavilhão ainda por concluir" e "à sua volta não se podia passar pois o espaço é acanhadíssimo e a higiene pouco recomendável"; falta ainda um balneário; agosto - a gerência apresenta na Repartição de Minas plano de melhoramentos das Termas, da autoria do engenheiro Couto dos Santos, o qual incluía a ampliação do Hotel da Quinta do Peso para alojar até 350 hóspedes, a construção de um casino, um ginásio e um lago com função hidrostática, servido de barracas de natação; 8 setembro - entrada no Ministério do Interior de uma queixa da Delegação de Saúde de Viana do Castelo, que afirma que o engarrafamento das águas é feito sem prévia esterilização e perfeita lavagem das garrafas; 1918 - reacende-se a disputa pela exploração das águas de Melgaço, surgindo como concorrentes a Empresa Santos, Sobral & C.ª, que havia adotado, à revelia dos seus estatutos de 1894, a denominação de "Empreza das Águas Minerais ou Minero-Medicinais de Melgaço", e a "Empreza das Águas Minerais de Melgaço", cujos sócios são Luís Manuel Solheiro, Lício de Miranda Solheiro e Bento Fernandes Pinto; nega-se à empresa Santos, Sobral & C.ª o registo da denominação adotada e à outra empresa decreta-se um embargo às obras de captação que efetuava no campo da Viscondessa do Peso; uma comissão acaba por concluir que "mesmo provada a independência das nascentes, elas nunca deviam ser concedidas a mais de uma empresa, sob pena de nunca os conflitos cessarem pelo que era proposto um acordo entre as partes" (Lopes, 1949: 103); 1919 - acordo entre as empresas com constituição da "Companhia das Águas de Melgaço", com o capital de 300 contos; início da construção do balneário termal, numa primeira fase apenas com uma das alas, de modo a funcionar imediatamente, com 10 banheiras em ferro esmaltado e uma sala de duches, tendo duas caldeiras de vapor para aquecer as águas dos banhos; 1920, outubro - decide-se pedir licença para explorar uma segunda nascente, a do Prado, devido ao aumento da frequência das termas pelos aquistas; dezembro - apresentação do projeto de exploração da nascente do Prado *4; 1921, julho - descrição das águas de Melgaço como sendo: "Hypotermal-Hypomineralisasda - Gazocarbónica-Bicarbonatada - Mixta-Cálcica-Sodica - Magnésica-Ferrea - Lithinica-Manganésica. Utilíssima nas doenças gerais (diabetes, arthritismo, etc.), doenças do aparelho digestivo (dispepsias, úlceras de estômago cicatrizadas, enterites, etc.) e do sistema nervoso (neurastenia, histeria, etc)"; 1924 - conclusão das obras do balneário; início do delineamento do Parque das Termas, traçado pelo arquiteto paisagista Jacinto de Matos, com árvores de grande porte (plátanos, faias, cedros, tílias, e outras); 1927, 21 janeiro - arrematação de melhoramentos da estrada entre Monção e Melgaço, defendendo-se ainda o prolongamento do caminho-de-ferro entre Monção e Melgaço, na extensão de cerca de 22 quilómetros, como complemento da Linha do Minho e em via larga; 1929 - o Dr. Silvério Gomes da Costa substitui o Dr. António José Duro; nomeada uma 'Comissão de Iniciativa" para introduzir melhoramentos na estância termal; o Conselho de Administração delibera requerer a expropriação de parte dos terrenos pertencentes à Viscondessa do Peso para proceder aos melhoramentos pretendidos; 01 julho - 31 outubro - iluminação do Peso com seis candeeiros 'Petromax' de 500 velas cada; 1930, 23 março - notícia da atribuição da medalha de ouro da Exposição de Sevilha, às águas de Melgaço; maio - continuação da arborização do parque, com plantação de árvores de sombra, de fruta e flores; 08 junho - notícia da abertura do balneário, sob a direção do Dr. Athias Ark, e informação dos preços ali praticados *5; agosto - artigo no Notícias de Melgaço refere uma das avenidas do parque na direção E. - O. conduzir a uma nova nascente de águas minerais, descoberta recentemente, coberta por pavilhão de madeira; 1931, 17 maio - inauguração da luz elétrica no Peso; o emprego da eletricidade possibilita fazer-se no balneário aplicações de diatermia, para o que se adquire um aparelho; ampliação da secção de banhos carbogasosos; 03 junho - pedido de autorização de obras de ampliação do Hotel da Quinta do Peso, pelo proprietário José Figueiroa Granja ao Administrador da Câmara Municipal; inauguração do campo de ténis; 1932 - aquistas queixam-se dos aumentos de preços nos serviços das termas; o professor Ch. Lepierre repete a análise das águas, pela primeira vez extensiva à nascente nova, e, com a colaboração do professor Herculano de Carvalho, à pesquisa da radioatividade, verificando-se que a água da nascente nova está mais alcalina e mineralizada; 1934 - criada a empresa "Vidago, Melgaço e Pedras Salgadas", que absorve a totalidade do capital da Companhia Portuguesa das Águas Salus; nova análise das águas, pelo professor Herculano de Carvalho, referindo no relatório elaborado a existência de variações da alcalinidade em ambas as nascentes, embora em magnésia, sílica e anidrido carbónico se verifique enriquecimento; 1935 - a direção clínica começa a empregar sistematicamente as curvas glicémicas como meio de investigação dos efeitos das águas na diabetes; 1939 - as Termas do Peso passam a ser visitadas por pessoas de todo o país; 1950, início da década - sente-se a necessidade de erigir um edifício específico para albergar a água que brotava da nascente do Prado, substituindo a construção em madeira; 1953 - construção e inauguração da fonte nova; 1998 - a Empresa Vidago, Melgaço e Pedras Salgadas juntamente com a Câmara de Melgaço apresentam candidatura ao PITER - Projeto Integrado Turístico Estruturante de Base Regional, para as regiões do Parque Nacional da Peneda-Gerês, com componente pública e privada, a empresa comprometendo-se a proceder à recuperação do balneário termal e das fontes Nova e Principal; 2000 - Câmara aprova o projeto de remodelação e ampliação do balneário termal; 2002, 20 dezembro - pedido de parecer da Câmara de Melgaço sobre a classificação como Interesse Municipal do Balneário Termal, Fonte Principal e Fonte Nova do Parque Termal do Peso; 2004, 09 março - proposta da DRPorto para abertura do processo de classificação do Parque Termal do Peso; 12 outubro - despacho de abertura do processo de classificação da Vice-Presidente do IPPAR; 2005, junho - data até à qual se prorrogou o programa PITER; 2012, 31 maio - proposta da DRCNorte para a classificação do parque como Monumento de Interesse Público e fixação da respetiva Zona Especial de Proteção; 22 outubro - parecer favorável da SPAA do Conselho Nacional de Cultura; 07 novembro - publicação do projeto de decisão de classificar o parque como Monumento de Interesse Público e fixação da respetiva Zona Especial de Proteção, em DR, 2.ª série, n.º 215 de 07 novembro 2012, anúncio n.º 13661/2012.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada ou em cantaria de granito aparente; estruturas, grades e guardas em ferro; pavimentos em cantaria ou cerâmico; vidros simples ou policromos; cobertura de telha.

Bibliografia

Jornal Melgacense. Melgaço: 1926, n.º 28, 5 setembro, 1927, n.º 48, 31 janeiro, n.º 60, 8 maio, n.º 87, 13 novembro; LEITE, Antero e FERRAZ, Susana - "O Edifício da Fonte Principal das Termas do Peso (Melgaço)". In Boletim Cultural de Melgaço. Melgaço: Câmara Municipal de Melgaço, 2007, pp. 109-136; LOPES, Edmundo Correia - Melgaço. Estância Termal. Porto: Vidago, Melgaço & Pedras Salgadas, 1949; Melgaço. Revista Municipal. Melgaço: Câmara Municipal de Melgaço, abril 2004, nº 32; Melgaço. Revista Municipal. Melgaço: Câmara Municipal de Melgaço, abril 2005, nº 35; "Melgaço e as suas águas". In Jornal de Melgaço. Melgaço: n.º 1173, 1 setembro 1917; Notícias de Melgaço. Melgaço: n.º 17, 10 julho 1921, n.º 48, 10 julho 1922, n.º 17, 16 junho 1929, n.º 9, 21 abril 1929, n.º 54, 23 março 1930, n.º 59, 4 maio 1930, n.º 68, 13 julho 1930, n.º 72, 10 agosto 1930, n.º 109, 17 maio 1931, n.º 163, 4 setembro 1932, n.º 165, 18 setembro 1932; ORTIGÃO, Ramalho - Banhos de Caldas e Águas Minerais. Sintra: Colares Editora, s.d.; "Regulamento do estabelecimento hidrológico das Águas Minerais de Melgaço". In Jornal de Melgaço. Melgaço: n.º 1150, 10 de março de 1917; SILVA, M. Antunes da - Pesquisa e Captação de Água Mineral em Melgaço. Prospecção, Pesquisa e Captação de Águas Minerais Naturais. Recursos Geotérmicos e Águas de Nascente, IGM. () [consultado em 20-12-2013].

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

1930 - remodelação da secção das senhoras do balneário, instalação de um laboratório de análises, ampliado com uma farmácia; 2003 - reforma da linha de engarrafamento de água; 2005 - decorrem trabalhos de recuperação da fonte principal das termas.

Observações

EM ESTUDO. *1 - DOF: Parque Termal do Peso. *2 - Segundo o diploma publicado no Diário do Governo de 24 de setembro de 1898, o aquista por 1$500 tinha direito ao uso das águas na copa, a levar 330 gs. para cada refeição ao preço de $020, a duas consultas, uma no início e outra no final do tratamento para conhecer o regime a seguir, e uma análise de urinas. Fora disto, a consulta no gabinete era de $500, e a 1$000 no hotel e análises a 1$500. *3 - O Regulamento do estabelecimento hidrológico das Águas Minerais de Melgaço estipulava que o pessoal técnico ficaria subordinado a um Diretor Clínico, composto de um médico legalmente habilitado para o exercício clínico em Portugal e do pessoal para fazer os engarrafamentos e fornecer, junto às nascentes, a água para beber. Não era permitido ao aquista fazer uso das águas sem prévia consulta do diretor clínico, exceto se apresentasse prescrição escrita do seu médico assistente, a qual seria homologada pelo diretor clínico. Também só era permitida a entrada no pavilhão da nascente mediante a apresentação do cartão de admissão. Aos doentes com doenças contagiosas ou "asquerosas" era imposto o isolamento em lugar apropriado, devendo todos os seus objetos serem apartados e desinfetados quantas fossem necessárias. *4 - A captação desta nascente não correu bem, porque como não foi escolhido um ponto de emergência adequado e as águas brotavam através das camadas argilosas e ferruginosas mais altas, provocava a libertação de gás e a perda de água. Assim os trabalhos prolongaram-se até 1921, tendo sido feita a adução da nova água ao pavilhão da fonte principal, por uma tubagem de grés implantada numa galeria, preparada para visitas técnicas. *5 - Segundo artigo no Notícias de Melgaço, os preços no estabelecimento eram os seguintes: inscrição médica 50$00, de uso das águas 50$00, de duches seclalisos 5$00, de banho de imersão em água mineral 6$00, de irrigações vaginais no banho 7$00, de banho bolha de ar em água comum 7$00, de massagem geral 20$00, de banho parcial 15$00, de banho de imersão em água comum 4$50, de banho bolha de ar em água mineral 8$50, de banho gaso-carbónico 12$00, de actinoterapia 15$00, de duche ar quente 10$00, de lençol e toalha 2$00, de balança $50. Os novos preços permitiram obter, durante o mês de junho de 1930, um rendimento do balneário de 10:991$60 e proveniente, principalmente, de 72 inscrições médicas; 76 inscrições de água no hotel; 76 inscrições de águas; 23 banhos de imersão em água comum; 48 banhos em água mineral; 48 banhos gaso-carbónico e 57 duches.

Autor e Data

Paula Noé 2013

Actualização

 
 
 
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