Solar de Vilar de Ossos / Casa Grande de Vilar de Ossos / Palacete da Família Pinto de Morais Bacelar

IPA.00022012
Portugal, Bragança, Vinhais, Vilar de Ossos
 
Arquitectura residencial, seiscentista. Casa nobre de planta composta, com ala perpendicular na parte posterior, articulada com corpo secundário, rectangular, desenvolvido quase perpendicularmente ao corpo principal, ao qual se une por passadiço aéreo e por pano de parede, com alpendre pelo interior, alinhada pela sua frontaria, definindo o conjunto uma planta em U, que delimita um pátio posterior. A fachada do corpo principal apresenta carácter sóbrio e severo, ritmada por seis janelas de sacada no piso superior e com portal axial e duas janelas de parapeito no piso térreo, decorrente dos valores maneiristas. Imediatamente a N. do corpo secundário, de feição iminentemente vernácula, jardim diferenciado em três patamares, de sabor barroco, fechado pela cerca da propriedade.
Número IPA Antigo: PT010412320026
 
Registo visualizado 116 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre  Casa nobre  

Descrição

Planta composta por vários corpos irregulares, com corpo principal ladeado por duas alas perpendiculares na parte posterior, a do lado S., articulada com corpo secundário, esguio e de planta rectangular, desenvolvido no sentido E.-O., unido ao corpo principal por passadiço aéreo e por pano de parede, com alpendre pelo interior, alinhada pela sua frontaria, definindo o conjunto uma planta em U que delimita um pátio. Volumes articulados e coberturas diferenciadas: quatro águas nos corpos principal e secundário, no passadiço de ligação à igreja e na água-furtada levantada na água anterior da cobertura do corpo principal, três águas nas trapeiras da água posterior deste mesmo corpo, duas águas na ala que o prolonga, mesmo no volume sobrelevado que apresenta, e também no telheiro e passadiço que unem os dois corpos, e uma água na varanda e topo O. da ala. As paredes exteriores apresentam-se todas rebocadas e pintadas a branco, percorridas por faixa pintada a cinzento e remate com beiral de madeira, excepto na fachada principal, com embasamento em cantaria de xisto, flanqueada por cunhais apilastrados, firmados por pináculos, e rematadas em friso e cornija. CORPO PRINCIPAL de dois pisos, com mansarda virada para a fachada principal, com remate em cornija de betão e duas janelas rectilíneas, de guilhotina, orientada, rasgada, no primeiro piso, por portal de verga recta com moldura simples, flanqueado por duas janelas rectangulares, também com molduras simples e gradeadas; é ritmada, superiormente, por seis janelas de sacada, em cantaria, suportada por três mísulas do mesmo material, com guarda de ferro forjado, também com moldura de cantaria; no centro, pedra de armas, partido com as armas das famílias Bacelar, Pinto e Morais. Esta fachada é prolongada para N. por parede de alvenaria rebocada, rasgada por porta carral de acesso ao pátio e por janelo, à qual se adossa chafariz com largo tanque, que, por sua vez, é continuado pelo muro que envolve toda a propriedade. A fachada lateral esquerda, virada a S., mostra janelas gradeadas dispostas irregularmente, contando-se quatro em cada registo; é cortada pelo passadiço de ligação à igreja fachada N., composto por arco de volta perfeita com alguns silhares das aduleas visíveis. Fachada lateral direita, virada a N., rasgada por janela gradeada e porta no piso inferior, e duas janelas, também gradeadas no superior, todas rectilíneas e com moldura de cantaria; é interrompido por passadiço de ligação ao corpo secundário, o qual tem fachadas simétricas com duas janelas de peitoril, uma delas com varandim de madeira. Fachada posterior rasgada por dois portais de verga recta, flanqueando pequeno janelo gradeado, todos com moldura de cantaria, sobre os quais surgem três janelas de peitoril, também gradeadas; sobre o telhado, duas trapeiras. O CORPO SUL é constituído, na fachada N., virada para o pátio, por dois panos, definidos pelo escalonamento do corpo, o do lado esquerdo mais baixo, com portal de verga recta, tendo moldura de cantaria com os ângulos em cunha, sobrepujado por duas janelas rectilíneas e gradeadas; o do lado direito possui ampla varanda sobre embasamento de alvenaria que ocupa toda a estrutura do primeiro piso, com acesso por escadas em ambos os lados, com pilares de madeira pintada de verde, para onde abrem duas janelas gradeadas e duas portas. Sobre a cobertura desenvolve-se ampla chaminé. A fachada O., de dois pisos, tem duas portas de verga recta no inferior e quatro janelas rectilíneas e gradeadas no superior; no lado direito, corpo adossado de um piso e cego, que marca parte da fachada S., surgindo, na fachada E., janelas rectilíneas no segundo piso. O CORPO NORTE, de dois pisos, encontra-se, na fachada S., virada para o pátio, seccionada pelo passadiço, surgindo, no lado direito, um telheiro com portal aberto, a que se sucede um pano de parede rasgado por porta de verga recta e ampla janela rectangular, com portadas de três folhas; no lado oposto, composto por vários panos, surge um telheiro aberto, suportado por dois pilares de alvenaria de xisto aparente, a que se sucede escada e varanda, com pilares de madeira suportando a cobertura, sobre porta de verga recta; segue-se um vasto pano de parede com portal central no nível térreo, sobrepujado por três janelas, seguindo-se uma segunda varanda, sustentada por dois pilares sobre altos plintos de granito, que se abre sobre duas portas, também de verga recta. No extremo direito, surge uma janela gradeada encimada por gárgula de cantaria de granito. Na fachada oposta, rasgam-se dois vãos de acesso ao jardim. No INTERIOR do corpo principal, organização espacial em função de escada axial de acesso ao andar nobre; no piso térreo, biblioteca e lojas e, no superior, compartimentada em função do quotidiano familiar e do protocolar, marcado por três salas que abrem para as sacadas *2. O JARDIM desenvolve-se em três patamares estruturados por muros de suporte de alvenaria de xisto e com sebes de buxo, apresentando o superior composições geométricas de canteiros delimitados por banquetas de buxo. A partir da ala que prolonga o corpo principal, e por trás do adro da igreja, desenvolve-se um núcleo de construções ligadas à actividade doméstica, artesanal e agrícola, incluindo residência para caseiro.

Acessos

Bairro do Outeiro, no Largo Fernão Pinto Bacelar

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Rural, num outeiro, isolado, ladeado, a S., pela Igreja Paroquial (v. PT010412320027), à qual está ligado por passadiço, e por um conjunto de dependências de trabalho, que se desenvolvem por trás do adro; tem acesso a partir de um terreiro, actualmente denominado Largo Fernão Pinto Bacelar. Integra-se numa vasta propriedade cercada que se estende para O., tendo a N. um jardim *1. O portal encontra-se em cota superior à via pública, com acesso por dois degraus, ao longo de toda a fachada, surgindo cinco pequeno degraus no lado esquerdo.

Descrição Complementar

No dintel do portal de acesso ao pátio, em ressalto, cartela quadrilobada contendo cruz, a qual se associa a inscrição "ANNO D 1703". No dintel do portão que, a partir do terreiro, dá acesso ao núcleo de edifícios ligados a actividades domésticas, artesanais e agrícolas, está gravada a inscrição "L. VAR. P. C. / 1845".

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Residencial: casa

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 (conjectural) / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1699 - data da fundação da Igreja Paroquial, construída no local da capela do solar, dedicada a Nossa Senhora da Assunção, em terreno doado pela família, recebendo em troca privilégio concedido por Breve da Santa Sé de assistir aos actos litúrgicos a partir de uma tribuna, onde anteriormente se implantava a capela de Nossa Senhora da Assunção, pertencente ao solar, tendo ainda ficado os doadores com reserva de duas sepulturas na capela-mor e com a fábrica do altar de Nossa Senhora da Assunção; 1703 - data gravada no dintel do portão de acesso ao pátio, a qual poderá corresponder à realização de obras importantes, nomeadamente à construção do corpo secundário e do jardim, e à construção ou reformulação da ala adossada ao corpo principal; 1740 - nasce Manuel Pinto de Morais Bacelar, 1.º visconde de Montalegre e 5.º senhor do morgadio de Nossa Senhora da Assunção de Vilar de Ossos, bisneto de Fernando Pinto Bacelar, capitão de cavalaria na Guerra da Aclamação, e de D. Maria Madalena Morais Sarmento, filha de Gonçalo de Morais Sarmento, instituidor do morgadio de Nossa Senhora da Assunção de Vilar de Ossos; 1785 - nasce D. Inês Maria Cândida Pinto Bacelar, 2.ª viscondessa de Montalegre e 6.ª senhora do morgadio de Nossa Senhora da Assunção de Vilar de Ossos; 1814 - nasce Francisco Pinto Vaz Guedes Bacelar Sarmento Pimentel, 3.º visconde de Montalegre e 7.º senhor do morgadio de Nossa Senhora da Assunção de Vilar de Ossos; 1816 - nasce Manuel Pinto Vaz Guedes Bacelar Sarmento de Morais, 4.º visconde de Montalegre e 8.º senhor do morgadio de Nossa Senhora da Assunção de Vilar de Ossos; 1837 - nasce Luis Vaz Guedes Pereira Pinto Bacelar Teles de Menezes Sarmento de Morais Pimentel, 5.º visconde de Montalegre e 9.º senhor do morgadio de Nossa Senhora da Assunção de Vilar de Ossos; 1845 - data gravada no dintel do portão de acesso ao núcleo de edifícios mais directamente ligados à actividade agrícola, localizado a O. e S. da igreja paroquial.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Paredes exteriores de alvenaria de xisto rebocada e caiada de branco; cornija, cunhais e guarnição dos vãos de cantaria de granito; estruturas do telhado e varandas, beirais, janelas e portas de madeira; coberturas exteriores em telha de barro de aba e canal, de meia-cana e marselha; gradeamentos de ferro forjado.

Bibliografia

AFONSO, Francisco José, Tricentenário da Igreja de Vilar de Ossos, Vinhais Património, n.º 2, Vinhais, 1999 (2000); ALVES, Francisco Manuel - Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança, vol. 6, Porto, 1928; DIONÍSIO, Santana, De Chaves a Vinhais (67 km. E., por estr.), Guia de Portugal, vol. V, tomo II, Lisboa, 1995.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

*1 - o passadiço que liga o solar e a igreja serve para acesso da família proprietária da casa à tribuna da capela-mor da igreja paroquial, a partir da qual pode assistir aos ofícios litúrgicos. *2 - não foi autorizada a visita ao interior do imóvel, resultando de informações prestadas por um dos proprietários as considerações a ele relativas.

Autor e Data

Armando Redentor e Miguel Rodrigues 2001

Actualização

 
 
 
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