Igreja Paroquial do Bonfim / Igreja do Senhor do Bonfim e da Boa Morte

IPA.00021952
Portugal, Porto, Porto, Bonfim
 
Arquitectura religiosa neoclássica. Igreja de Nave única e capela-mor mais estreita, com vários corpos mais baixos anexos aos flancos. Fachada principal composta por corpo central de dois andares e frontão triangular, ladeado por duas torres sineiras quadrangulares. Interior com tectos em abóbada suportada por arcos firmados em pilastras jónicas. Sub-coro com duas capelas e nave dividida em três tramos por pilastras jónicas, que albergam duas capelas com retábulos de cada lado. Arco cruzeiro em volta perfeita sustento por pilastras jónicas. Retábulos neoclássicos de talha policromada de branco, decorada com motivos dourados.
Número IPA Antigo: PT011312020341
 
Registo visualizado 1344 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal composta por nave única e capela-mor mais estreita, com torres sineiras, de planta quadrangular, adossadas ao frontispício. O alçado S. é percorrido por um corpo mais baixo, de dois pisos, que corresponde à secretaria, casa paroquial e outros espaços de apoio ao culto; junto do alçado N., avolumam-se vários anexos interligados, que correspondem à sacristia, instalações do Corpo Nacional de Escutas e instalações da Irmandade do Senhor do Bonfim. Volumes articulados de dominante horizontal, contrariada pela verticalidade das torres sineiras, coberturas diferenciadas em telhados de duas águas no corpo principal, uma, três e quatro nos edifícios anexos e nas torres sineiras, cúpula de perfil elíptico, de aparelho granítico, encimada por esfera em bronze onde assenta cruz latina em ferro. Fachada principal orientada a O., em cantaria de granito aparente, dividida em três panos, demarcados por pilastras. Pano central de dois registos, apresentando no primeiro uma porta e duas janelas rematadas por arcos de volta perfeita, encimadas por tabelas com inscrições, intercaladas por pilastras toscanas, e no segundo, três janelões, rematados por arco redondo, apresentado o central varandim abalaustrado, superiormente decorado por frontão triangular e os laterais por tabelas lisas, separados por pilastras jónicas, rematado superiormente por entablamento e cornija denticulada e frontão triangular com a estátua da "Fé" no vértice. O tímpano apresenta o "Cordeiro Pascal" e decoração vegetalista. Os panos laterais correspondentes às torres sineiras, apresentam quarenta e dois metros e sessenta e oito centímetros de altura, e tratamento idêntico, apresentado no primeiro registo portas com óculos sobrepostos, no segundo duas frestas esguias encimadas por relógio circular inserido em moldura; o terceiro rasgado por quatro ventanas rematadas por arco pleno com sinos, seguidas de tabelas lisas, rematado por friso e cornija saliente, sobrepujada pelo último registo, que corresponde à cobertura. Sobre a cornija apresenta nas quatro faces ao centro, balaústres ladeados por pináculos em forma de urna assentes em plintos prismáticos. Fachadas laterais rebocadas e pintadas de branco, com excepção de um edifício anexo localizado a N, que apresenta pedra à vista e azulejo, com pilastras toscanas nos cunhais, percorridas por friso e cornija de cantaria de granito, rasgadas no corpo principal por igual número de vãos moldurados a cantaria de granito. Alçado posterior em empena, enquadrado por pilastras toscanas, rasgado por quatro vãos rectangulares e óculo circular, alinhados com o vértice da empena, este rematado por cruz latina, ladeada por pináculos sobre os vértices laterais. INTERIOR com paredes rebocadas e pintadas de branco, com frisos, cornijas, molduras dos vãos, pilastras, peanhas, bases dos púlpitos, arcos estruturais e lambril em cantaria de granito aparente, cobertura em abóbada de tijolo, pintada de laranja com elementos decorativos em estuque pintado de branco, suportada por três arcos firmados apoiados em pilastras jónicas, pavimentos de madeira, mármore e alcatifa na zona central. Coro alto assente sobre arco elíptico, protegido por balaustrada de madeira, apresentado a zona central da parede fundeira órgão de tubos, de talha policromada, assente em estrutura de madeira, acedido por escada. Sub-coro com acesso protegido por guarda-vento em madeira de planta quadrangular, ladeado por duas pias de água benta com taça circular, apresentado lateralmente, do lado direito, sentido ascendente, capela baptismal, de planta concava, rematado por arco de volta perfeita, cerrada por portões de ferro, com interior preenchido por pintura mural representando o baptismo de Cristo no rio Jordão, e do lado esquerdo, capela com retábulo de Santa Rita de Cássia, de talha policroma, pintada de branco, pontuada por elementos decorativos dourados. As paredes da Nave, divididas em três panos por pilastras jónicas, apresentam de cada lado, duas capelas retabulares em arco pleno, e retábulos à face, dedicados a Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora da Assunção, Jesus Crucificado, e à Sagrada Família, quatro varandins com guardas de madeira e dois confessionários em nichos, de verga recta tal como os vãos de acessos aos varandins. Sobre a cornija rasgam-se cinco janelas de sacada protegidas por guardas de ferro. Arco triunfal de volta perfeita assente sobre entablamento e pilastras. Capela-mor mais estreita, vencida por quatro degraus de mármore, com paredes laterais simétricas, rasgadas por dois vãos de verga recta, no primeiro registo, sobrepujados por mais dois vãos iguais aos anteriores, e varandim, alinhados e confrontantes. Na parede testeira, inserido em capela rematada por arco de volta perfeita, assente sobre pilastras, com tratamento igual ao arco cruzeiro, surge retábulo mor, em talha policromada com decoração dourada, de planta convexa, um só eixo, definido por colunas de fuste canelado, com capiteis coríntios, assentes ao nível do banco em plintos paralelepipédicos, com decoração vegetalista. Sobre as colunas, assenta entablamento com vários níveis, decorado com filetes, denticulas e elementos vegetalistas, dourados. Ático rematado por frontão triangular e urnas nos vértices laterais. Nicho em arco de volta perfeita, preenchido por tela representado a Cristo Crucificado, e o Calvário onde se destacam a imagem de Santa Maria Madalena. Na parte superior do Nicho, sobre o entablamento, surgem dois anjos esculpidos, um de cada lado.

Acessos

Alameda de Cláudio Carneiro / Rua do Bonfim / Rua do Monte do Bonfim

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, isolado. Implantado no cimo de uma colina bastante elevada, em adro com acesso por escadaria fronteira. A igreja faz parte de um conjunto edificado que inclui cemitério, casa paroquial e vários anexos.

Descrição Complementar

CAPELAS RETABULARES: de estrutura semelhante, de planta concava, definidas por moldura de granito rematada em arco de volta perfeita, albergando retábulos neoclássicos. Do lado direito, sentido ascendente, a primeira capela dedicada a Santa Ria de Cássia, apresenta planta recta, um só eixo vertical, com dois nichos sobrepostos, com imagens, definido por colunas com capitel jónico, onde assenta ático recortado, com decoração vegetalista e enrolamentos, tendo ao centro resplendor; a segunda, dedicada à Sagrada Família, apresenta retábulo assente sobre degrau de mármore, de planta recta, com estrutura vertical tripartida, definida por par de colunas estriadas, douradas, com capitéis compósitos, de cada lado. Eixo central definido por nicho delimitado por moldura, com imaginária, sobre este, no banco surge em urna imagem protegida por vidro; nos eixos laterais surgem imagens sobre peanha. No ático, sobre entablamento, apresenta lateralmente dois anjos, um de cada lado; a terceira capela, dedicada ao Senhor do Bonfim, apresenta retábulo idêntico ao da Sagrada família, com excepção do sotobanco, onde o altar é substituído por urna com imagem protegida por vidro; do lado esquerdo, baptistério, de planta concava, cerrada por portão de ferro de duas folhas, apresentado todo o interior preenchida por pintura mural alusiva ao baptismo de Cristo nas águas do Rio Jordão; segue-se a capela de Nossa Senhora de Fátima e Nossa Senhora da Assunção, com retábulos idênticos ao do Senhor do Bofim. INSCRIÇÕES: Na fachada principal sobre o portal central "DOMINO IESU DICATA", sobre o portal lateral esquerdo "NON EST HIC ALIUD NISI DOMUS DEI, ET PORTA COELI", e sobre o portal lateral direito "CANTATE DOMINO CANTICUM NOVUM, QUIA MIRABILIA FECIT"; no órgão, legenda "Este órgão mandou fazer D. Antónia Augusta Pinto da Cunha, celleireira do Mosteiro, sendo D. Abbadessa a Ex.ma Sr.ª D. Genoveva Victória de Faria Gouveia no anno de 1817".

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese do Porto)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTURA: José Luís Nogueira Júnior *1, José Geral da Silva Sardinha*2, Fernando Abrunhosa de Brito (1965); ENGENHARIA: Instituto da Construção da Faculdade de Engenharia (década de 90); ORGANARIA: Frei Domingos Varela; PINTURA: Júlio Costa (tela do retábulo-mor), Resende (retrato de D. Maria Ferreira Bahia, 1889).

Cronologia

1740 - Teve início o caminho da Via-sacra no alto do Monte Godim, por iniciativa do Frei Manuel Oliveira, franciscano, onde colocaram uma simples cruz de madeira com a designação de Bonfim e Boa Morte; 1743, Setembro - exposta ao tempo e aos temporais, a cruz ia-se degradando, o que levou os moradores a solicitarem autorização para construírem no mesmo lugar uma capela; 9 de Outubro - foi autorizada a construção da capela, que se prolongou por vários anos, tendo sido terminada por Maria Pinta que custeou todas as despesas e colocou no interior uma imagem do Senhor do Bonfim e Santa Maria Madalena, que já não existe; 1760, 25 de Março - foi criada a Confraria do Senhor do Bonfim e da Boa Morte; 1761- foram aprovados os primeiros estatutos por provisão episcopal; 1773, 5 de Maio - tendo-se extraviado os primeiros estatutos da Confraria, foram estes reformados, recebendo aprovação episcopal pelo Provisor do Bispado de Penafiel; 1774 - iniciou-se a construção de uma nova capela, dado o estado de degradação e exiguidade da existente; 1791, 25 de Março - foi a capela concluída e solenemente benzida pelo Cónego José Joaquim Ribeiro de Faria, por mandato do Bispo do Porto D. Frei João Rafael Mendonça; 1798 - chegaram a Portugal as relíquias de Santa Clara, doadas ao ex-donato beneditino José Teixeira Barreto, que na altura se encontrava a estudar pintura em Roma, que foram depositadas na Igreja do Terço; 1803, Setembro - realizou-se solenemente a trasladação das referidas relíquias para a capela do Bonfim; 1805 / 1813 - construção da escadaria de acesso à capela; 1874, 7 de Setembro - foi benzida e colocada a primeira pedra da igreja actual, em solene celebração presidida pelo Bispo do Porto, Cardeal D. Américo Ferreira dos Santos Silva; 1882, 20 de Agosto - a capela-mor e parte da nave, foi benzida a aberta ao culto; 1887, 25 de Março - foi benzida pelo Bispo do Porto, a nave completa com os seus altares e imagens; 1894, 19 de Agosto - só ficou concluída, juntamente com a fachada, uma torre, a S.; 1899 - foi comprado o órgão de tubos que se encontra no coro alto, sendo proveniente da Igreja do antigo Convento de S. Bento da Ave Maria, datado de 1817; 1902 - inicia-se a construção da segunda torre, a N.; 1912 - pedido de autorização à Câmara Municipal do Porto, para reconstrução do muro de Suporte; 1915 - pedido de autorização para alterar muros e colocar grades; 1924 - pedido de licença para a Irmandade remover a Capela da Alameda de Cláudio Carneiro; 1962 / 1965 - foi reformulado o interior da igreja de harmonia litúrgica introduzida pelo Concílio Vaticano Segundo; 1990 (década) - a igreja apresentava grande instabilidade estrutural, que ameaçava ruína; 2001 - foi criada a Comissão da Fábrica da Igreja Paroquial do Senhor do Bonfim e da Boa Morte.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes

Materiais

Elementos estruturais e escadaria em cantaria de granito; portas de madeira; caixilharias das janelas de madeira com vidros coloridos e vidro simples; retábulos de madeira policromada e dourada; tectos em estuque; pavimentos em mármore, madeira e alcatifa; coberturas em telha.

Bibliografia

BRANDÃO, Domingos de Pinho, Órgãos da Sé do Porto e actividade de organeiros que nesta cidade viveram, Porto, 1985; QUARESMA, Maria Clementina de Carvalho, Inventário Artístico de Portugal, Cidade do Porto, Vol. XIII, Lisboa, 1995; SILVA, Isabel (Coord.), Dicionário Enciclopédico de Freguesias, Vol. I.

Documentação Gráfica

CMP-AH

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA

Documentação Administrativa

CMP-AH

Intervenção Realizada

1915, 27 de Dezembro - Reconstrução do muro de vedação; 1965 - Todo o espaço da capela-mor foi destinado ao presbitério; foram retirados altares secundários, algumas talhas sobre os altares laterais e o arco cruzeiro, deixando as cantarias à vista; foram retiradas algumas imagens secundárias e recolocadas as de maior valor artístico e devoção dos fiéis; 1990 (década) - foram reformuladas as fundações da Igreja, consolidados os alicerces, estabilizados o coro, as torres e as abóbadas da nave principal e da capela-mor.

Observações

*1 - Autor do projecto e obra que deu início à construção da igreja. *2 - Autor da fachada principal.

Autor e Data

Patrícia Costa 2004 / Ana Filipe 2009

Actualização

 
 
 
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