Igreja da Lapa

IPA.00002193
Portugal, Viana do Castelo, Arcos de Valdevez, União das freguesias de Arcos de Valdevez (Salvador), Vila Fonche e Parada
 
Arquitectura religiosa, barroca e rococó. Igreja de planta longitudinal composta por exonártex, nave, ambas elípticas, e capela-mor rectangular, com torre sineira quadrangular adossada à fachada posterior da última, interiormente coberta por falsa abóbada de berço ou cúpula e amplamente iluminada pelos vãos laterais e axial. Fachadas rebocadas e pintadas, de panos curvos ou rectos, com pilastras nos cunhais, coroadas por urnas ou pináculos, acentuando a verticalidade do imóvel, e terminadas em friso e cornija sobreposta por beirada. Fachada principal com exonártex terminado em empena contracurvada e rasgado por portal de verga abatida, encimado por espaldar recortado e alteado ao centro, encimado por janelão ovalado, ambos com molduras recortadas e interligadas. As fachadas laterais do exonártex e da nave apresentam os panos curvos rasgados por vãos de verga ligeiramente abatida e molduras com pequeno recorte ou avental segundo um esquema simétrico, embora na lateral direita se abra porta travessa com o mesmo tipo de moldura, bem como na capela-mor, de panos rectos, e na torre sineira, esta com três registos marcados por cornijas. Interior com molduras e arcos pintados a marmoreados fingidos e dourado, com coro-alto no exonártex, sobre arco deprimido, com guarda de talha vasada, policroma e dourada, nave octogonal marcada por pilastras colossais formando três panos, os centrais com duas capelas laterais em arco abatido contendo retábulos de talha rococó, de planta recta e um eixo, com decoração fitomórfica e concheados do estilo auricular, ladeados por eixo de vãos composto por portal, janela e óculo, com molduras recortadas, e paredes decoradas com pormenores de estuque ou de pintura mural a marmoreados fingidos. A capela-mor alberga retábulo rococó, de planta côncava e um eixo, com as mesmas características dos laterais. Excelente exemplar da arquitectura barroca portuguesa apresentando soluções interessantes ao nível da articulação dos vários corpos, de diferentes alturas, e do ritmo ondulante das suas fachadas, sobretudo da nave e exonártex, mas também como exemplo da arquitectura religiosa bracarense devido à opção de colocar a torre sineira adossada à capela-mor. O emprego de pilastras sobrepujadas por ânforas, a empena contracurvada, sublinhada por fragmentos de frontão, acompanhando a altura da nave, o portal e o janelão interligados e formando eixo convergente para o remate, sublinhado pela cruz de cantaria, salienta a verticalidade e monumentalidade da fachada principal, cuja plasticidade permite atribuir esta obra a André Soares. Estes aspectos, segundo Eduardo Pires de Oliveira (1993), permitem relacionar a igreja com outros imóveis da região, nomeadamente, com a Casa da Câmara de Braga (v. PT010303520123), com o Arco do Souto ou Porta Nova (v. PT010303520012), com o Santuário de Santa Maria Madalena ou da Falperra (v. PT010303280222), com o conjunto de imóveis do Largo de São Paulo (v. PT010303070056), com o Palácio do Raio (v. PT010303420027) e, com o Chafariz da Capela da Unção, cujo motivo decorativo do espaldar, provavelmente, deriva do frontão da Igreja do Bom Jesus de Matosinhos (v. PT011308060015). O conjunto de talha, geralmente atribuída a Fr. José de Santo António Vilaça, segundo Robert Smith, evidencia a influência germânica, do estilo designado por Ohrmuschelstil ou Style Auricaulaire, associado à obra de Gilles de Meissonier (1725-1730), e baseia-se nas gravuras de Pier e de Engelbrecht. Robert Smith considerou o retábulo-mor o exemplo mais original da talha do séc. 18, principalmente por se tratar do primeiro caso em que a base das colunas foi abolida, desde 1600, apesar deste esquema compositivo também surgir em Lamego. A abolição das colunas realça os perfis que rodeiam o altar e o nicho, formando ao mesmo tempo o remate. Destaca-se ainda o facto das mesas de altar parecerem parte essencial dos retábulos, graças às molduras que os enquadram. Alguns pormenores da decoração do espaldar do portal principal é reproduzido interiormente nos portais.
Número IPA Antigo: PT011601340012
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja  

Descrição

Planta longitudinal composta, de nave única elíptica, acedida por exonártex, igualmente elíptico, e capela-mor rectangular, com torre sineira quadrada adossada à fachada lateral direita da capela-mor. Massa de dominante vertical, volumes articulados, apresentando coberturas em telhados de três e seis águas diferenciadas, destacando-se a da nave, coroada por pináculo, e torre sineira, em coruchéu. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com embasamento escalonado de cantaria no exónartex e em aparelho irregular no resto do imóvel, cunhais apilastrados, coroados por urnas ou, na torre sineira, por pináculos piramidais, e terminadas em friso e cornija sobreposta por beirada simples. Fachada principal com exonártex terminado em empena contracurvada, superiormente decorada com fragmentos de frontão e coroada por cruz latina de cantaria sobre largo plinto, escalonado, tendo os capitéis das pilastras dos cunhais decorados com elemento recortado; é rasgada por portal de verga abatida, de fecho relevado, e moldura côncava e recortada, com pingentes laterais, encimada por espaldar recortado por linhas curvas e volutadas, rematado em dupla cornija, alteada ao centro onde forma ângulo; sobre o portal, abre-se janelão ovalado, de moldura recortada, terminada em cornija contracurvada, de fecho saliente, encimado por cartela recortada acentuando o remate da fachada. As fachadas laterais, de panos curvos, são rasgadas, no exonártex, por dois janelões sobrepostos, de verga abatida. Fachadas laterais da nave rasgadas nos topos por dois amplos janelões de verga abatida e moldura recortada inferiormente, terminada em cornija, intercalados por duas janelas sobrepostas, a superior cega, com moldura superior recortada e formando falso avental; na lateral direita, sob o primeiro janelão, abre-se portal de verga abatida, com moldura recortada, formando pingentes, e terminada em cornija abatida com elemento alteado ao centro. Na capela-mor, rasgam-se, na fachada lateral esquerda, duas janelas, de topos sensivelmente abatidos, moldurados, a da esquerda cega, e na oposta, apenas uma janela de topos abatidos, moldurada. Torre sineira, de três registos separados por friso e cornija, dos quais, o primeiro acompanha a altura da capela-mor, e o terceiro é rematada por cornija recta alteada ao centro, formando arcos canopiais, possuindo cobertura em coruchéu campaniforme de cantaria, encimado por catavento férreo; os dois primeiros registos são rasgados por janelas de verga abatida, molduradas, o segundo tem lateralmente cartela circular de cantaria, e, o terceiro, em cada uma das faces, tem ventanas em arco de volta perfeita, encimado por cartela, albergando, sino. Fachada posterior da capela-mor rasgada por duas janelas sobrepostas, a inferior rectilínea e de moldura superiormente recortada e formando avental. INTERIOR: de paredes rebocadas e pintadas de branco, excepto o coro-alto, que é pintado de rosa, pavimento em cantaria, formando axadrezado em azul e vermelho e molduras dos vãos, pilastras e arcos pintadas a marmoreado fingido a azul e com frisos dourados. No exonártex, com arco de volta perfeita sobre pilastras toscanas, inscreve-se o coro-alto, sobre arco deprimido, assente em pilastras e com chave saliente, acedido por portais de verga abatida, com moldura rematada em cornija, rasgados de ambos os lados; possui guarda de talha vazada, com elemento concheado ao centro, e órgão, do lado da Epístola; é coberto por abóbada de berço, rebocada e pintada de branco, com florão de estuque central, apoiada em cornija de cantaria. No sub-coro, o portal é protegido por guarda-vento, de madeira envidraçada, apresentando as paredes laterais rasgadas por janelões. Nave octogonal marcada por pilastras colossais, que suportam duplo friso e cornija, sobre a qual assenta tambor, baixo, igualmente facetado e com vãos ovais moldurados nos topos, sustentando a cobertura em cúpula, revestida a estuque azul e branco, dividida em apainelados por frisos fitomórficos e rectilíneos, quatro deles de forma trapezoidal com florão de acantos, envolvendo medalhão elíptico central, com representação de Nossa Senhora da Lapa, policroma, sobre glória de anjos. Nas paredes laterais da nave, rasgam-se amplos arcos de volta perfeita sobre pilastras toscanas e de intradorso com florões em almofadas, onde se inserem arcos abatidos, formando ângulo, envolvidos por moldura recortada, rematada por dupla cornija, ostentando retábulos de planta recta e um eixo, encimados por vão entrecortado, de moldura recortada inferiormente, enquadrado por decoração em estuque, sendo a do lado do Evangelho dedicada a São Gregório Magno, e, a do lado da Epístola, a São Fabiano. Nas capelas inserem-se ainda lateralmente confessionários em talha. Entre o coro e as capelas, surge eixo de vãos sobrepostos, constituído por portal com moldura superior e lateralmente recortada encimada por espaldar rectilíneo igualmente recortado, janelão de verga recta, de moldura recortada lateralmente, rematada em cornija alteada ao centro, com guarda plena de talha, sobreposta por concheados, amplo colchete central e motivos fitomórficos recortados, em talha dourada, e óculo envolvido por ornamentação fitomórfica em estuque branco. Junto às capelas no sentido da capela-mor surgem dois oratórios, em talha dourada e policroma, dedicados, o do lado do Evangelho, a Nossa Senhora de Fátima, e, o do lado da Epístola, a Nossa Senhora da Conceição. Arco triunfal de volta perfeita, conservando vestígios de pintura de marmoreado fingido a azul e frisos dourados. A capela-mor ostenta as paredes decoradas com pintura mural, formando apainelados em tons de rosa, rematadas por cornija, igualmente policroma, e rasgadas por duas portas, de moldura rematada em cornija, encimadas por janelas de verga recta, com moldura recortada superiormente. É coberta por abóbada de berço com pintura a grisaille figurando motivos fitomórficos. Na parede testeira, sobre o supedâneo, surge retábulo-mor, de planta côncava e um eixo, definido por colunas de fuste liso, profusamente decorado com elementos fitomórficos dourados, sobre grandes plintos galbados, ostentando ornamentação fitomórfica e concheados a dourado; ao centro, abre-se tribuna em arco, com moldura de fecho saliente e sobreposta por colchetes e flores, albergando trono expositivo de quatro degraus, de perfil côncavo e convexo, recortado, ornados com cornijas e concheados, coroado por resplendor com baldaquino, ostentando, no segundo, pequena imagem do orago; ático adaptado ao perfil da cobertura e composto por arco trilobado, coroado por grande cartela, igualmente recortada constituída por elementos fitomórficos; banco com cartela recortada e decorada por concheados e motivos fitomórficos. Altar tipo urna, com frontal decorada por apainelados sobrepostos, concheados e motivos vegetalistas, encimado por sacrário tipo templete, com cruz na porta.

Acessos

Salvador, Largo da Lapa. VWGS84 (graus decimais): lat.: 41,845995; long.: -8,419037

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 129/77, DR, 1.ª série, n.º 226 de 29 setembro 1977

Enquadramento

Urbano, isolado, implantado num terreno com declive acentuado, na malha urbana da vila, na bifurcação de estradas e frente a um largo com circulação automóvel. Portal principal acedido por escada de cantaria de granito, composta por seis degraus. Na proximidade encontra-se a Igreja Matriz de Arcos de Valdevez (v. PT011601340018) e o Pelourinho de Arcos de Valdevez (v. PT011601340005).

Descrição Complementar

Os oratórios ladeando as capelas apresentam estrutura semelhante, ainda que com remates e elementos decorativos distintos; têm base de planta rectangular, com as faces ornadas com cartelas decoradas por elementos fitomórficos, assentes em plintos ornados de acantos, sobre a qual se apoia base de suporte da imagem no caso do oratório do lado do Evangelho. O espaldar do oratório do lado do Evangelho é flanqueado por pilastras coríntias, de fuste decorado com segmentos dourados, ladeadas por espirais douradas, coroadas por pinhas e elemento fitomórfico recortado, tendo ao centro baldaquino coroado por acanto recortado dourado. O do lado da Epístola forma maquineta envidraçada, rematada em cornija contracurvada, decorado por filetes dourados e sobrepujado por festão dourado e lateralmente encimado por urnas; é coroado por coruchéu encimado por elementos vegetalistas recortados dourados. No interior deste oratório, existe uma cartela rectangular delimitada por friso a azul escuro, com fundo branco, com a seguinte inscrição: "INSTITVIÇAO DO JVIS DE FORA DESTA VILLA DOS ARCOS FRANCISCO JOZE DE AZEVEDO LEMOS, ANNO DE 1833". Retábulos laterais pintados a marmoreados fingidos a azul e rosa, com apontamentos dourados, de planta recta e um eixo, adaptado ao perfil do arco onde se inserem; ao centro, abre-se nicho de perfil recortado, com moldura exteriormente recortada e prolongada pelo ático, sobreposta por colchete, e elementos fitomórficos, interiormente pintado a imitar brocado e albergando imagem sobre mísula; envolvem o nicho falsas pilastras côncavas que se prolongam e enquadram o ático, sobreposta por concheados e elementos fitomórficos e assente em falsos plintos galbados, com a mesma gramática decorativa, coroados por mísulas suportando imaginária; banco com apainelado, sobreposto por cartela e concheados. Altar tipo urna com frontal ornados de cartelas, concheados e motivos vegetalistas. No lado da Epístola atril, de cantaria policroma azul e rosa, decorado com peças em talha dourada e policroma.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja

Utilização Actual

Religiosa: igreja

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Viana do Castelo)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: André Soares (atr.). ENTALHADORES: André Soares *1 (atr.); Frei José de Santo António Vilaça (atr.) (séc. 18) *2; Jacinto da Silva (1769); Luís Manuel da Silva. ESCULTOR: André António da Cunha (1769; 1771). PINTOR: Luís Pinheiro de Azevedo Lobo (1775).

Cronologia

Séc. 16 - Constituição da freguesia de Salvador; 1758, cerca - Fr. Ângelo de Sequeira veio para a vila e trouxe a imagem da Senhora da Lapa, para a capela de São Brás *3; 1758, 30 Junho - erecção da 1ª Confraria, sendo 1º Presidente Alexandre António de Brito Brandão; como esta se tornou pequena resolveu-se construir uma outra igreja *4; séc. 18, 2ª metade - feitura dos retábulos da Igreja; 1758, 9 Julho - provisão favorecendo o Padre Ângelo Sequeira e devotos para erigir uma confraria em Arcos de Valdevez; 1760, 20 Janeiro - provisão de confirmação dos Estatutos da Confraria de Nossa Senhora da Lapa; 1761 - feitura dos retábulos das capelas colaterais e outras talhas; 1763, 1 Novembro - benção de um altar para dizer missa; 11 Novembro - provisão de licença a favor dos irmãos da confraria de Nossa Senhora da Lapa, para que se pudesse dizer missa num dos altares colaterais e colocar a imagem da Virgem Mãe; os irmãos tinham feito e acabado o cerco principal da capela nova dedicada à mesma Senhora; 1764, 19 Fevereiro - benção da capela; conclusão da capela-mor e corpo da mesma capela, dos altares colaterais e de todas as tribunas; aquisição de todos os ornatos necessários para o sacrário; 1767 - visita de um representante do arcebispo de Braga; a capela-mor estava concluída; renovação dos templos de Arcos de Valdevez, sobretudo desta igreja; 1768, 21 Março - autorização para colocar confessionários, na forma das pastorais, feitos de madeira; 1769, 8 Março - contrato de execução do retábulo-mor assinado por Lourenço José Coelho, em nome de Luís Manuel da Silva e de seu pai Jacinto da Silva, e por André António da Cunha (morador em Chãos de Baixo), mestre a que caberia definir o risco e execução do dito retábulo, pelo valor de 500$000 rs; 13 Março - contrato com o escultor bracarense André António da Cunha, para a execução do retábulo, tribuna e camarim do altar-mor, tendo este dado como prazo de entrega o mês de Setembro de 1770; se não cumprisse seriam abatidos 50$000 rs ao valor acordado, cujo pagamento seria parcelar: no primeiro receberia 150$000 rs, os três seguintes seriam pagos quando o próprio entendesse ser oportuno, ficando para o último pagamento 100$000 rs, pagos depois do trabalho ser apreciado por outros dois mestres; 1770, 22 Dezembro - André António da Cunha, Jacinto da Silva e Luís Manuel da Silva, assinaram uma procuração para a escritura do contrato dos retábulos para as duas capelas colaterais, incluindo a grade do coro, recebendo o primeiro 268$000 rs, que deveriam ser pagos pelos outros dois; execução do retábulo da capela-mor; 1771 - feitura do retábulo da nave; 1 Fevereiro - contrato com André António da Cunha, para execução de dois retábulos para as duas capelas colaterais, até ao mês de Junho de 1772, e as grades do coro de madeira, até ao mês de Maio no valor de 270$000 rs, em parcelas, a primeira após assinatura da escritura, no valor de 100$000 rs, a segunda quando o mestre pedisse e a terceira quando a obra estivesse concluída e fosse revista; neste orçamento não se incluíam os ferros e a madeira, pagos pela confraria; 1774, 6 Setembro - escritura, no tabelião Joaquim Inácio Coelho, no valor de 350$000 rs, para pintar e dourar a capela de Nossa Senhora da Lapa, atribuída ao pintor, de Vila Nova de Famalicão, Luís Pinheiro de Azevedo Lobo; 1775, 6 Abril - contrato com o pintor Luís Pinheiro, de Vila Nova de Famalicão, a fim de que este procedesse à pintura e douramento da capela de Nossa Senhora da Lapa e, outra obra, para a qual não foi elaborada escritura, pelo valor de 40$000 rs, pagos pela Confraria, incluindo quatro portadas da capela que o pintor pintou; 25 Novembro - contrato com Luís Pinheiro de Azevedo Lobo, para dourar os altares colaterais, as grades do coro e mais quatro grades do corpo da capela, devendo, ainda, ser pintados o caixão da sacristia, duas portas e a cornija da mesma para parecerem de madeira e, igualmente as quatro portas da capela e da capela-mor, o arco de pedra da capela-mor que, devia ser de mármore azul e faixas de ouro, pelo valor de 308$800 rs, dos quais 28$800 rs seriam pagos de imediato pela confraria, além de 140$000 rs que, o tesoureiro, José Teodoro da Costa Pereira, lhe pagou, restando outros 140$000 rs que seriam pagos após a conclusão e revisão das obras; 1833 - o juiz de fora de Arcos de Valdevez, Francisco José de Azevedo Lemos instituiu a confraria de Nossa Senhora da Conceição; 1845 - segundo os Inquéritos Paroquiais, a freguesia do Divino Salvador tinha 246 fogos e 949 indivíduos; 1897, 31 Maio - I Exposição individual, organizada pelo professor de desenho, José Júlio Moreira, sobre o então falecido Manuel Joaquim Silva, escultor de Cristos; 1973, 25 Outubro - o Centro Cultural Teixeira de Queiroz apoiava a classificação da igreja; 5 Novembro - a DGEMN organizou o processo de classificação; 15 Novembro - o processo de classificação foi sujeito a apreciação do Ministério das Obras Públicas; 23 Novembro - Memória Descritiva para acompanhamento do processo de classificação, tendo como fundameno a conferência que Robert C. Smith proferiu durante o Congresso, realizado em Braga, em 1966, sobre o Arquitecto André Soares; 25 Novembro - o Prof. Dr. Flávio Gonçalves, membro do Departamento de Obras Públicas, emitiu um parecer sobre a Igreja, afirmando tratar-se de um exemplo do barroco português, que, do ponto de vista da segurança apresentava muitas debilidades e insuficiências, pois possuía fendas visíveis no seu interior; 1974, 21 Maio - envio do processo de classificação e zona de protecção para apreciação do arquitecto da Direcção dos Serviços dos Monumentos Nacionais, pela DGEMN, Secção Norte; 27 Maio - o Director-Geral da DGEMN remete o processo de classificação e zona de protecção para a Direcção-Geral dos Assuntos Culturais; 10 Outubro - despacho determinando a classificação da Igreja da Lapa como Imóvel de Interesse Público, abrangendo os seus três retábulos e respectivas grades; 2006, 9 Outubro - a Câmara Municipal de Arcos de Valdevez assinou um protocolo com a Fábrica da Igreja Paroquial de Arcos de Valdevez para colaborar na recuperação da igreja, orçada em 221 000€, financiados pelo eixo 2 do Programa Operacional Norte (149 000€) em parceria com a Fábrica da Igreja Paroquial de Arcos de Valdevez e com a Câmara Municipal (60 000€).

Dados Técnicos

Paredes autoportantes e mista.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada; cornijas, frisos, pilastras, molduras dos vãos, pináculos, urnas, ânforas, cruzes, embasamento e pavimento em cantaria de granito; talha dourada e policroma; trabalhos de estuque; pintura mural; cobertura revestida com telha de canudo.

Bibliografia

GOMES, José Cândido, Terras de Valdevês, Arcos, 1899; SMITH, Robert C., A Talha de Portugal, Lisboa, 1963; idem, André Soares. Arquitecto do Minho, s.l., 1973; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Alto Minho, Lisboa, 1987; ALMEIDA, José António Ferreira de, Tesouros Artísticos de Portugal, Porto, 1988; CALDAS, Eugénio de Castro, Terra de Valdevez e Montaria do Soajo, Memória Monográfica do concelho de Arcos de Valdevez, Câmara Municipal de Arcos de Valdevez; 1994; OLIVEIRA, Eduardo Pires de, Estudos sobre o século XVIII em Braga, Braga, 1993; OLIVEIRA, Eduardo Pires, Arte Religiosa e Artistas em Braga e sua região (1870-1920), Braga, 1999; OLIVEIRA, Eduardo Pires, Os Alvores do Rococó em Guimarães e outros estudos sobre o barroco e o rococó minhotos, Braga, 2003; www.cm-arcos-valdevez.pt , 17 Maio 2006; Câmara apoia a recuperação da Igreja da Lapa, in Notícias dos Arcos, 12 de Outubro de 2006; Breve Inventário Artístico do Concelho de Arcos de Valdevez, Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, s.d..

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DREMN

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

Observações

*1 - O arquitecto André Soares da Silva também desenhou estruturas retabulares, como no caso da Igreja de Santa Maria Madalena ou Santuário da Falperra (v. PT010303280222), em Braga, executado em 1763, cujo projecto de arquitectura também é da sua autoria. As características deste retábulo permitem relacioná-lo com outros exemplos integrados em Tibães e Bustelo (v. PT011311030019), quer do ponto de vista cronológico, quer estilístico. Neste sentido, pode dizer-se que datam os três conjuntos do período compreendido entre 1760 e 1765 e, provavelmente poderão ter sido riscados pelo mesmo artista. Todavia, a possível atribuição, a André Soares, da responsabilidade de Robert Smith, não pôde ser verificada, dado que a questão das autorias, no contexto específico da região do Alto Minho, nem sempre ser muito clara. *2 - A talha desta igreja é, geralmente, atribuída a Fr. José de Santo António Vilaça frade entalhador do Mosteiro de Tibães (v. PT010303250015), discípulo de André Soares. Segundo Robert Smith, os retábulos de Nossa Senhora da Lapa foram executados durante a segunda metade do séc. 18, mais propriamente depois da década de sessenta, apresentando características similares ao retábulo da capela dos Malheiros Reimões de Viana do Castelo, sobretudo, no que diz respeito, às superfícies pintadas fingindo pedra de cores claras, ao gosto do rococó, mas também, devido à relação entre o altar e o nicho superior. Porém, na perspectiva do mesmo autor, cada um destes conjuntos está relacionado com outros centros urbanos, ou seja, com Porto e Viseu, respectivamente. A Lapa, onde as colunas foram eliminadas proporcionando o realce da beleza fluida dos perfis que rodeiam o altar e nicho, formando ao mesmo tempo o remate, pode relacionar-se com o Porto tendo em conta o desenvolvimento decorativo dos festões de parras de uva, localizados no perfil da tribuna e repetidos na zona inferior, em conjunto com compridos ornamentos convexos, patentes nas gravuras de Pier e Engelbrecht. Em contrapartida, o facto de no retábulo da capela dos Malheiros Reimões surgirem colunas direitas ornamentadas por tarjas e fitas, ao gosto rococó, conduziu Smith a relacioná-lo com a tendência que vigorava em Viseu, mais concretamente nos retábulos de Santo António e dos Terceiros de São Francisco, na mesma época, por sua vez baseada nas gravuras decorativas de Johann Bauer e Martinus Engelbrecht. *3 - O culto de Nossa Senhora da Lapa surgiu em Portugal nos finais do séc. 15, contudo foi durante o séc. 18 que atingiu maior repercussão no país, sobretudo devido à acção de um padre missionário, oriundo do Brasil, de nome Ângelo Sequeira. Este padre pregou em várias regiões do país, tendo começado pelo Alentejo, e depois na região do Entre-Douro e Minho, chegou ao Porto no final de 1754, em 1757 esteve na cidade de Braga e, mais tarde, canalizou a sua acção para o Minho e Trás-os-Montes. A sua pregação era constituída por dois momentos, primeiro seleccionava um local ou um edifício, central e que se destacasse do todo, para colocar uma estampa de Nossa Senhora da Lapa, depois iniciava a sua pregação. Assim, progressivamente foi devolvendo a fé e, também, incutindo a devoção pela Nossa Senhora da Lapa, às populações por onde passou. Ao ponto de conseguir instituir este culto, e fazer surgir oratórios, altares, capelas e, inclusivamente, igrejas dedicados à Senhora da Lapa, embora não se tivesse a certeza de que estivesse autorizado para tal, nem esse era o seu propósito, em alguns casos esteve envolvido na criação dos mesmos. Porém, a aceitação da sua pregação foi enorme, e onde quer que fosse possível prestar culto à Senhora da Lapa, as receitas da Igreja aumentavam consideravelmente. Fenómeno reconhecido pela hierarquia da Igreja e que bastou para que, em Braga, fosse concedido a essa comunidade autonomia em relação ao pároco local, ficando a Igreja com uma jurisdição sobre a mesma, cujos parâmetros se assemelhavam à que detinha sobre os santuários. A partir de então a criação de altares, capelas e igrejas invocando a Senhora da Lapa, foi proliferando por toda aquela região, bem como o culto foi tocando devotos dos mais diversos quadrantes sociais. *4 - A Igreja de Nossa Senhora da Lapa foi edificada sobre uma Capela dedicada a São Brás, demolida aquando da obra para a nova igreja, sendo que a área urbana em que estava integrada seria, na época, muito importante no movimento de romarias na região, implicando melhoramentos ao nível das infra-estruturas, que de certo modo determinaram a construção dessa malha urbana. Para a sua formação contribuiu em grande medida a construção de uma ponte sobre o rio Vez, num período indeterminado, mas que, segundo Félix Alves Pereira, se julga anterior ao séc. 14, cuja função seria facilitar o acesso quer à Feira do Ladário, quer facilitar a circulação da Galiza para a Feira de Ponte de Lima. Por conseguinte, o aglomerado populacional de Valeta / Baleta, pertencente à freguesia de Vila Fonche, situado nas margens do rio Vez, foi progressivamente aumentando os seus limites e construindo a estrutura urbana em que, na actualidade, se integra a Igreja de Nossa Senhora da Lapa. Daí que se estendesse desde a Igreja do Espírito Santo, até à estrada de Monção, incluindo o actual Jardim dos Centenários, primitivamente campo da feira, bem como o Largo onde foi edificada esta Igreja, que inicialmente era designado por Largo de São Brás, topónimo relacionado com a existência de uma capela dedicada a esse santo. A qual estava, na época, integrada na rota da espiritualidade das populações, sendo por isso objecto de romarias bastante importantes *5 - Dof.: ... retábulos e grades.

Autor e Data

Paula Noé 1992 / Marta Ferreira 2006

Actualização

 
 
 
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