Estação Ferroviária de Valença

IPA.00021875
Portugal, Viana do Castelo, Valença, União das freguesias de Valença, Cristelo Covo e Arão
 
Arquitectura de transportes, revivalista neoclássica. Grande estação ferroviária terminal e de fronteira, formando a junção da linha do Minho com a de Vigo a Orense. Compõe-se do edifício de passageiros, vias-férreas e algumas construções de apoio técnico, como instalações sanitárias, cocheira de carruagens, armazém, depósitos e ponte giratória. O edifício de passageiros apresenta planta rectangular, composto por cinco corpos, regularmente dispostos, o central de dois pisos com mansarda e os intermédios e os dos extremos de um, os últimos igualmente com mansarda. Fachadas rebocadas e pintadas, com embasamento de cantaria, cunhais em cantaria fendida, terminadas em friso, cornija e platibanda plena, e rasgadas regularmente por vãos em arco de volta perfeita, com molduras côncavas e fecho em ponta de diamante, e caixilharia integrando bandeira. Fachada principal de cinco panos, possuindo no central, rematado por relógio, ao nível do piso térreo, portais e, no segundo, janelas rectilíneas com frontão semicircular; os panos intermédios são mais recuados e possuem alpendre frontal, protegido por guarda, e os dos extremos têm portal entre duas janelas de peitoril de verga curva, abrindo-se na mansarda trapeira sobre a platibanda. Fachadas laterais com esquema igual ao deste pano extremo e fachada posterior rasgada por portais num ritmo apertado, encimado por alpendre de duas águas, sobre colunelos metálicos. No piso térreo dispõe-se, ao centro, a antiga zona de expedição de bilhetes, tendo de um lado salas de espera para os passageiros, de várias classes. Instalações sanitárias de planta rectangular e fachadas rebocadas e pintadas, com embasamento, cunhais de cantaria e terço superior em grelhado de cimento, possuindo vãos de acesso de verga recta, moldurados. A cocheira de carruagens, de duas naves, e o outro edifício apresentam planta rectangular simples e fachadas rebocadas e pintadas, rasgadas por vãos abatidos, a primeira encimada por um segundo piso, com janelas bíforas, destinado a dormitórios para o pessoal da estação.
Número IPA Antigo: PT011608150120
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Transportes  Apeadeiro / Estação  Estação ferroviária  

Descrição

A estação inclui o edifício de passageiros e algumas construções de apoio técnico, como as instalações sanitárias, o cais coberto e a cocheira de carruagens. EDIFÍCIO DE PASSAGEIROS de planta rectangular irregular, composta por cinco corpos dispostos paralela e regularmente à linha, o central quadrangular, de dois pisos e mansarda, um intermédio rectangular, mais recuado, e os dos extremos, também quadrangulares com mansarda, ambos de um só piso, tendo adossado na fachada principal e posterior alpendres rectangulares. Volumes articulados com coberturas escalonadas em telhados de quatro águas nos corpos com mansarda, de duas águas nos corpos intermédios, em chapas metálicas de uma água nos alpendres da frontaria e de duas águas no alpendre posterior, que integra shed. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, ou revestida a azulejos monocromos brancos, na fachada posterior, percorridas por embasamento de cantaria, cunhais em cantaria fendida e terminadas em friso, o superior do corpo central ritmado por argolas de ferro, e cornija, os dos corpos intermédios e extremos encimado por platibanda plena de cantaria; são ainda rasgadas regularmente por vãos em arco de volta perfeita, moldurados, com caixilharia integrando bandeira. Fachada principal virada a E., de cinco panos; o central apresenta os pisos separados por friso e cornija, esta encimada por duplo friso ao nível do segundo piso, e com a cornija do remate inferiormente decorada por bosantes e, no intervalo, falsas mísulas; a mansarda, decorada em escama de peixe, com limites brancos, e terminada em beirada simples, possui frontalmente tabela quadrangular, integrando relógio circular, ladeado de aletas, e terminada em frontão semicircular com ampla chave fitomórfica. No piso térreo abrem-se três portais, com moldura côncava e chave em ponta de diamante e no segundo três janelas, com peitoril avançado sobre duas mísulas, centrando almofadas relevadas rectangulares, e dupla moldura, almofadada, a interior com chave rectangular e a exterior sobreposta por falsas mísulas suportando frontão semicircular; à janela central é fixada mastro da bandeira. Nas fachadas laterais abrem-se na mansarda duas trapeiras, em arco de volta perfeita, com guarda em ferro, ladeada de aletas e encimada por frontão triangular; na lateral esquerda, ergue-se chaminé rectangular. Os panos intermédios são rasgados por seis portais de volta perfeita, com chave em ponta de diamante, integrando vão abatido, moldurado, apresentando a bandeira entrecortada por alpendre corrido de ferro, sustentado por colunelos de ferro, de ângulos decoradas com elementos vegetalistas, fechado por guarda em ferro, decorada com motivos estilizados; para o alpendre abre ainda um portal semelhante a partir de cada um dos corpos extremos e do central, mais avançados. Nos panos extremos rasga-se portal ladeado por duas janelas altas, de molduras côncavas e fecho em ponta de diamante, as janelas com peitoril sobre falsas mísulas. Na mansarda, sobre a platibanda, abre-se trapeira igual às do corpo central. Fachadas laterais dos corpos extremos com esquema igual aos dos panos extremos, sendo o portal encimado por friso de azulejos, azuis e brancos, com a inscrição VALENÇA. Fachada posterior com falsas pilastras definido três panos, rasgados, num ritmo apertado, por portais em arco de moldura simples; o central é encimado por friso de azulejos com a inscrição VALENÇA. O alpendre corrido assenta sobre a cornija do remate e colunelos de ferro, de ângulos decorados com elementos vegetalistas, suportando friso de cruzes em haspa que, nos topos, cria falso tímpano protegido por envidraçado. INTERIOR com paredes rebocadas e pintadas de branco, embasamento de cantaria, pavimento cerâmico e portas em arco de volta perfeita com bandeira. O vestíbulo, bastante amplo, possui o tecto seccionado em dois, a primeira parte em estuque, decorado com vários frisos, um denticulado e outro de elementos ovalados intercalados e, ao centro, com cinco florões inseridos em molduras circulares. A actual sala de espera, protegida por estrutura de madeira envidraçada, apresenta silhar de azulejos policromos, pavimento cerâmico de padrão e tecto de madeira. Junto à fachada lateral direita, ergue-se o corpo das INSTALAÇÕES SANITÁRIAS, de planta rectangular, simples, e cobertura em telhado de quatro águas. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com embasamento e cunhais de cantaria até ao terço superior, a partir do qual existe, a toda a volta, grelhado de cimento, ritmado por pilares, pintados de branco; virado a N. abrem-se dois portais e a S. um outro, todos de verga recta, moldurados. Junto à fachada lateral esquerda existe corpo semelhante, mas em vez do grelhado de cimento possui caixilharia pintada de verde com vidros martelados; em cada um dos topos abre-se portal de verga recta, moldurado. A S. ergue-se a COCHEIRA DE CARRUAGENS, de planta rectangular simples, com cobertura em tesoura, em telhados de quatro águas, rematados por pináculos cerâmicos. Fachadas de dois pisos, rebocadas e pintadas de branco, com cunhais de cantaria e terminadas em friso e beirada simples. Fachada principal virada a O. rasgada no piso térreo por quatro amplos portais de verga abatida, moldurada e, no segundo, por igual número de janelas de peitoril, bíforas, com igual tipo de verga. Fachadas laterais rasgadas no piso térreo por quatro bíforas rectangulares, jacentes, e no segundo por duas janelas bíforas, de verga abatida. INTERIOR com piso térreo em mau estado, de duas naves separadas por três arcos de volta perfeita, sobre pilares quadrados. Em frente, ergue-se um outro corpo rectangular, de época posterior, de um só piso, com cobertura em telhados de duas águas. Fachada principal com faixa em alvenaria de pedra sem reboco, rasgada por duas portas, intercaladas por duas janelas de peitoril e duas jacentes, todas sem moldura; as centrais são encimadas pela inscrição pintada SERVIÇO DE MANUTENÇÃO. Do outro lado das linhas, ergue-se o CAIS DE CARVÃO, de planta rectangular, e cobertura em telhado de duas águas, integrando água-furtada de telhado corrido, tendo adossado posteriormente um outro corpo rectangular com cobertura em quatro águas. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com cunhais de cantaria e terminadas em beirada com aba corrida. A N. abrem-se dois amplos portais de verga recta, sem moldura, encimados pela inscrição pintada MATERIAL DO SÉCULO XIX; a E. abrem-se seis vãos, de verga abatida, moldurados, com vidros martelados; na água-furtada abrem-se pequenos vãos rectangulares. No seu enfiamento, mais para N., ergue-se depósito de água, circular, metálico, sobre estrutura em ferro, e a base de um outro mais antigo, rebocado, com vãos em arco de volta perfeita. Junto a este existe ponte giratória sobre plataforma circular, de cantaria, nas imediações da qual surge cais.

Acessos

Largo da Estação. WGS84: 42º01'28.68''N., 8º38'23.27''O. (2009)

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, isolado, no exterior da fortificação (v. PT011608150003), possuindo frontalmente largo com rotunda, arelvada, de onde parte avenida de ligação à antiga estrada para Viana; a rotunda é flanqueada pelos edifícios de antigos hotéis, o Hotel Valenciano e o Hotel Rio Minho. O edifício de passageiros e a estação são delimitados por gradeamento sobre murete, possuindo a N. portão flanqueado por dois pilares, em silharia fendida, coroados por bola. À fachada posterior do edifício de passageiros, encostam-se vários bancos, metálicos. Em frente à cocheira de carruagens e ao edifício de manutenção, desenvolve-se o jardim da estação, com canteiros de buxos recortados e alguns arbustos ou palmeiras. A O. das linhas, os depósitos de água e a ponte giratória encontram-se envolvidos por vegetação.

Descrição Complementar

A estação tem 3 plataformas, a frontal à estação coberta juntamente com a primeira linha e a segunda plataforma. Na antiga cocheira de locomotivas encontra-se exposto um comboio do séc. 19, construído em 1886, com uma carruagem de 1ª classe posterior; uma locomotiva CP 23, de 1875, com um salão SF. nº 1 construído em 1888, em França, e destinado a 5 passageiros; um Salão Sf 5004, construído em 1885 e que albergava 9 lugares sentados, uma carruagem, um furgão e um quadriciclo a pedal.

Utilização Inicial

Transportes: estação ferroviária

Utilização Actual

Transportes: estação ferroviária / Cultural e recreativa: museu

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Nuno Duborjal (2002). CARPINTEIRO: António Rodrigues da Fonseca (1882-1887). ENGENHEIRO: Augusto Luciano Simões de Carvalho (1882), EMPREITEIRO: António da Conceição Silva (1916), Luís Monteiro Viana (1883). EMPRESA: Companhia Aliança do Porto (fundição de Massarelos) (1883). EMPRESAS FORNECEDORAS DE ELECTRICIDADE: Empresa Hidroeléctrica do Coura, Lda. (1922), Sociedade Electricista de Tuy (1904). MESTRE-DE-OBRAS: João Martins Cavalheiro (1926). PEDREIRO: Gabriel Beitia (1882), João Martins Cavalheiro (1926) Manuel Maria Rodrigues (1926).

Cronologia

1857 - o conde de Réus propõe a construção de uma linha que ligasse a cidade do Porto a Vigo; 1864 - Governo apresenta à Câmara dos Deputados uma proposta de lei para a sua concretização; 1867, 2 Julho - Carta de Lei de D. Luís informa que as Cortes Gerais decretaram que o Governo estava autorizado a construir e explorar, por conta do Estado, duas linhas férreas, a partir da cidade do Porto, uma para Braga e Viana do Castelo até à fronteira da Galiza, e outra pelo Vale do Sousa e proximidades de Penafiel até ao Pinhão; estipulou-se que as estações deveriam ser de grande simplicidade, construindo-se apenas o que era indispensável para resguardar as pessoas e mercadorias; o Governo foi autorizado a despender até 30.000$000 / km na construção das duas linhas, onde ficava incluído as expropriações, material fixo e circulante, oficinas, estações, obras acessórias e dependências; 1872, 14 Junho - decreto manda proceder à construção do Caminho de ferro do Porto à Galiza por Braga e Viana do Castelo, Linha do Minho, e os estudos do Vale de Sousa por Penafiel até ao Pinhão, Linha do Douro, por conta do Estado, as quais decorreram demoradamente; 1872, 2 Julho - decreto manda iniciar os trabalhos; 1873, 31 Maio - Decreto aprova a emissão de obrigações para construção do Caminho de Ferro do Minho e Douro na importância de 2.034.000$000; 1875, 12 Agosto - inauguração dos trabalhos de construção do caminho de ferro em Valença, no sítio do Vale das Flores, com a presença do Ministro e Secretário de Estado dos Negócios das Obras Públicas, Comércio e Indústria, António Cardoso Avelino; 1878, 14 Fevereiro - Portaria do Ministro Lourenço de Carvalho, que, por não se ter seguido os regulamentos existentes para as estradas ordinárias, encarrega João Crisóstomo de Abreu e Sousa, de inspeccionar os caminhos-de-ferro do Minho e Douro e Sul e Sueste; 15 Julho - o Director da Construção dos Caminhos-de-Ferro informa que se devia utilizar as terraplanagens feitas até próximo da Estrada Real nº. 23 e sobre ela assentar os carris; a abertura à circulação pública, que brevemente devia ter lugar até S. Pedro da Torre, seja extensiva até ao ponto indicado; devia-se ainda aproveitar o melhor possível a disposição do terreno lateral para nele colocar a estação, linhas de resguardo e plataforma rotativa, tudo provisoriamente, de modo que desta estação se passe facilmente para a Estrada Real nº 23; 1879, 26 Junho - o Presidente da Câmara, José Narciso Soares, vendo o grande movimento existente na estação provisória, com rendimento diário médio de 150$00 a 200$000 (só de passageiros e bagagens), a falta de capacidade do barracão ali construído para a arrumação de bagagens, serviço dos empregados, fiscais e passageiros, e tendo conhecimento que no caminho-de-ferro do Douro existe um chalet de ferro para serviço da estação provisória da Régua, na altura inútil, solicita-o para servir de estação provisória de Valença, ficando a actual barraca para as mercadorias; 28 Julho - representação do Município expondo a necessidade de uma estação provisória para passageiros e mercadorias mais próximo da povoação; o Governador Civil roga ao Director dos Caminhos-de-Ferro o atendimento deste pedido; 16 Agosto - portaria autoriza a construção da linha de resguardo da estação provisória; 8 Setembro - Presidente da Câmara pede a construção de um barracão para mercadorias na estação provisória de Valença, em Segadães; Outubro - conclusão da linha de resguardo da estação provisória, podendo ser imediatamente utilizada pelos comboios da exploração; 1880, 15 Maio - início da construção do edifício principal da estação; 1882, 15 Março - data do projecto da estação, elaborado pelo Engenheiro Director da Construção do 18º e 19º lanços do Caminho-de-Ferro, e orçado em 94.487$745 *1; foi autorizado apenas a quantia de 83.330$315, porque 11.157$430 foram dispendidas em obras no 19º lanço; 12 Maio - portaria aprova o projecto geral da estação; o prazo para a construção era de 6 meses a contar do seu início; 3 Junho - posta em praça a obra da tarefa nº 4 dos edifícios (obra de pedreiro), passeios e aquedutos da estação; apresentaram proposta José Joaquim da Cunha (47.895$00), Francisco Parente (17.580$00) e Gabriel Beitia (14.680$00); 22 Junho - portaria adjudica a tarefa nº 4 a Gabriel Beitia, com prazo de execução de 12 meses; 15 Julho - termo de adjudicação ou contrato da tarefa nº 4, perante o engenheiro director da construção Augusto Luciano Simões de Carvalho: escavações para alicerces e obras de pedreiro; compreendia: edifício de passageiros, pavilhão das latrinas e lanternaria, passeios junto ao edifício de passageiros e na entre via, escavação para alicerces e muros em 310 m de extensão total, cocheira de carruagens, cocheira de locomotivas, aqueduto tipo nº 1, colector em 341 de extensão, aqueduto nº 2 em 183 m; 6 Agosto - aberta a exploração do penúltimo troço da via férrea do Minho, compreendida entre Segadães e Valença; Novembro - adjudicação do fornecimento de madeira pitch-pine para a estação a Magalhães & Filhos (tarefa nº. 12), por 4.080$000; 7 Dezembro - publicação da tarefa nº. 13, com base de licitação de 2.160$000, e depósito provisório de 72$000; 30 Dezembro - abertura das propostas: de António Bento Veiga (1.850$00), Manuel Gomes da Silva (1.989$500) e de António Rodrigues da Fonseca (1.800$00); é adjudicado a António Rodrigues da Fonseca, por ser a proposta mais barata e porque fora o carpinteiro da Estação de Viana do Castelo, considerada uma das mais perfeitas do Minho; 1883, 9 Fevereiro - celebração do contrato da tarefa nº. 13 das obras dos 18º e 19º lanços da linha do Minho - obra de carpinteiro (fornecimento de preços e mão-de-obra) das cocheiras das carruagens e locomotivas; a mão-de-obra abrangia todos os vigamentos, da cobertura e soalhos, guarda-pós, tabiques, tectos, janelas, persianas, rodapés, guarnições, duas escadas, uma em cada cocheira, assento e revestimento da canalização vertical das latrinas; todos os tectos da cocheira, excepto a grande nave, seriam estreados; as latrinas ficavam na fachada posterior da cocheira de carruagens, sobre varandas; Fevereiro - Luís Monteiro Viana, arrematante da obra do edifício da Câmara solicita concessão do transporte dos materiais em pequena velocidade até à estação; informa-se que, apesar de achar-se aberta à exploração pública a estação de Valença, desde Agosto do ano findo, o serviço é apenas à grande velocidade; o maior impedimento para a colocar ao serviço de pequena velocidade era o romper da trincheira a seguir às últimas agulhas, o que se pensava resolver até Março; 14 Março - ofício do engenheiro director da obra Augusto Luciano S. de Carvalho informando que, a partir de 15 de Abril, eram removidos os obstáculos que impediam a abertura definitiva de Valença ao serviço de pequena velocidade, podendo então atender-se ao requerimento de Luís Martins Viana; 19 Julho - as obras estavam adiantas, havendo urgência na construção dos alpendres; era de aceitar a proposta da companhia Aliança (3$800 m2); 3 Setembro - prorrogação do prazo para conclusão dos trabalhos da tarefa nº 4 a Gabriel Beitia, até 31 Outubro; Gabriel Beitia procedeu à exploração das pedreiras nas proximidades da estação de Montedor para obter pedra de cantaria de grão fino; as grandes quantidades de pedra que sobraram foram aplicadas no cais de mercadorias descoberto nos alicerces, caixa da placa girante e nas vedações do pátio da estação; 22 Outubro - termo do contrato da tarefa nº 22, para construção do alpendre principal; substituição da cobertura da lanterna em folha de ferro zincado (conforme o projecto inicial), por vidro fosco; 1 Novembro - contrato da tarefa nº 22 - construção dos alpendres metálicas da estação, pela Companhia Aliança do Porto (fundição de Massarelos), por 3:572$000 e num prazo de 3 meses *2; 24 Novembro - aprovação do contrato pela Junta Consultiva das Obras Públicas e Minas; 1884, 22 Maio - Gabriel Beitia pede pagamento de trabalhos suplementares; 28 Junho - contrato adicional da tarefa nº. 13, por 1:880$795, devido ao aumento de 80$795 de trabalhos a mais; os trabalhos suplementares resultaram da redução do comprimento das cozinhas de 2 das habitações das sobrelojas da cocheira de carruagens, para obtenção de mais um compartimento em cada uma dessas habitações; 19 Julho - o Engº. Director Augusto Luciano S. de Carvalho solicita autorização para contratar definitivamente a meação da nascente do Outeiro, por 850$000 *3; 29 Julho - compra de meação da nascente do Outeirinho; 4 Setembro - quitação da tarefa nº 4 das obras dos 18 e 19º lanços da linha, mas que foi prematura e indevidamente passada pelo arrematante; o director da obra solicitava ao rei que fosse relegada esta irregularidade, a qual ele tratava de sanar retendo pela tarefa nº 16 (terraplanagem, obras d'arte e acessórios do 19º lanço e avenida do tabuleiro inferior da ponte internacional); a obra orçou de 14:680$000 a 17:124$900 e os trabalhos a mais custaram 2:446$900; 2 Dezembro - quitação da tarefa nº. 13 das obras dos 18º e 19º lanços da linha do Minho - obra de carpinteiro (fornecimento de preços e mão-de-obra) das cocheiras e carruagens e de locomotivas; 8 Dezembro - abertura dos edifícios definitivos da estação, cessando o serviço provisório de passageiros no cais de mercadorias; 12 Dezembro - inauguração da estação de caminho de ferro de Valença; 1885 - modificação na canalização das alas da estação; vedação ou resguardo do caminho da Boa Vista, na parte desviado pela abertura da linha do Minho, pedido pela Câmara e feito com peões de pedra; o caminho era marginal da estação, do lado oposto ao edifício de passageiros, entre o ponto em que este caminho foi cortado pela trincheira da mesma estação e a passagem superior da Estrada Real nº. 23, numa extensão de 215 m; 1 Setembro - solicita-se a entrega da avenida da estação; 3 Outubro - para a vedação da Boa Vista, havia 2 hipóteses de vedação, uma com varandim de ferro, tipo já adaptado no caminho-de-ferro do Minho, e orçado em 294$600, e outra com peões de pedra, muito usados em algumas estradas do distrito, e orçado em 258$000; 1886, 11 Dezembro - autorização para pagar 197$060 de obras suplementares no alpendre da estação; 1887 - adjudicação a António Rodrigues da Fonseca para a construção de um barracão e uma barraca na estação; Câmara requer a concessão ou a possibilidade de aproveitar as sobras de água ou aproveitar a canalização pertencente à Administração, para posteriormente canalizar convenientemente as águas cedidas, para as proximidades do Jardim Público, onde pretendia construir um marco fontanário; 1888, 25 Setembro - auto de entrega das avenidas da estação e da ponte internacional à Direcção das Obras Públicas de Viana; 1895 - início da construção da linha-férrea entre Valença e Monção; 1902, 13 Novembro - Maria das Flores Esperança, desejando estabelecer no recinto da estação um quiosque para venda de tabaco e outros artigos, sabendo já ter perdido por outrem, concessão idêntica, e não comportando o recinto outro, solicita ao rei ser posto a concurso o pretendido; 17 Novembro - João José de Sousa, arrendatário do restaurante da estação de Valença, pede para lhe ser permitido estabelecer 1 quiosque no átrio da estação, para troca de moeda, oferecendo a renda de 50$000 anuais; o Director dos Caminhos-de-Ferro do Estado, Direcção Minho e Douro, João Guauberto Povoas, responde ser mais vantajoso para o público o quiosque ser colocado no pátio, mas que a concessão deve ser feita mediante prévia hasta pública, com base de licitação de 50$000; 2 Dezembro - João José de Sousa pede para não ser permitido estabelecer o quiosque no pátio; 1904, 5 Outubro - contrato entre Direcção dos Caminhos-de-Ferro do Minho e Douro e a Sociedade Electricista de Tuy para a iluminação eléctrica da estação; 1910, 23 Novembro - anúncio público para arrendamento do restaurante; 14 Dezembro - adjudicação do aluguer do restaurante a Fidel Tuñas Maian, por 507$700 anuais; 1912 - licença a António Lourenço da Cunha para vedar uma servidão em frente à estação; 22 Maio - pedido da Vacuum Oil Company para assentar na estação o depósito de petróleo, pagando 1$000 por m2 de terreno que ocupar e sob a condição de ser removido, sem direito a qualquer indemnização e no prazo máximo de 8 dias, se tal fosse solicitado pela Direcção dos Caminhos-de-Ferro; o prazo de execução da obra seria até 31 Agosto; 24 Maio - despacho concedendo licença; 1913 - a estação era iluminada pela SDAD Electricista de Tuy; rendia em despachos de mercadorias e venda de bilhetes 6:744$615; 1914, Junho - decide-se arranjar a avenida e largo da Estação; 1914, 10 Julho - venda de um talude a requerimento de António de Nascimento Monteiro, proprietário do hotel, que se obrigou a substituí-lo por um muro; 1915 - a rampa ao longo da linha da Ponte Seca à estação estava a desmoronar-se, tendo já 15 m desmoronados; Dezembro - o toque dos comboios deixou de ser feito por badaladas e passou a ser por apito; 1916, 29 Junho - despacho autoriza a construção de uma plataforma de pedra e betonilha entre a 2ª e 3ª linhas da estação; para a obra de capeado de cantaria, já havia pedra cortada entre as estações de Friestas e Lapela; adjudicação do fornecimento dessa pedra a António da Conceição Silva, por 92$26; 1918 - solicita-se anulação de venda do talude solicitado por António de Nascimento Monteiro por pertencer à mãe D. Maria das Dores Esperança; 1922 - fornecimento de electricidade pela Empresa Hidroeléctrica do Coura, Lda.; 1924, Setembro - cedência do talude em frente do cais de pequena velocidade a D. Genaeve Esperança Maciel e António Cândido Monteiro, proprietários do Hotel Valenciano, por 1.800$00; 1924 / 1925, Abril - concessão e exploração do restaurante da estação a Maria de Jesus Gaspar; 1926, Outubro - autoriza-se o Juízo de Execuções Fiscais do Concelho de Valença a proceder à penhora no mobiliário existente no restaurante, devido à adjudicatária não ter pago o relaxe da contribuição industrial; 1 Novembro - a agência Vacuum Oil Company, tendo em Monção um tanque reservatório para petróleo, cuja verificação desejava fazer, solicita à Direcção dos Caminhos-de-Ferro o fornecimento de 40.000 litros de água em Valença; 16 Novembro - deferimento do pedido; 1927, 30 Março - anúncio do concurso para exploração do restaurante da estação; 7 Abril - concurso público para adjudicação da exploração do restaurante; foi adjudicado a Alípio Pinheiro de Macedo, por 3.200$00 anuais; 1928 - Relatório sobre as Linhas do Minho & Douro e Sul & Sueste propondo para a estação: a instalação de um reservatório de água, de 60 m3, (orçado em 30 contos), com a respectiva canalização e acessórios; devido ao intenso serviço de passageiros e efectivo do pessoal das estações e oficinas, construir um pavilhão destinado ao serviço de inspecções, consultas e pequenos tratamentos médicos; executar, no prazo de um ano, a ampliação das plataformas (125 contos), sinalização (80 contos), feitura de vedação (20 contos), báscula, guindaste e charriot (140 contos) e outros trabalhos diversos e imprevistos; a renovação da linha do Minho podia ser feita com material de 40 Kg, excepto no troço de Valença a Monção, onde se podia empregar material de 36 Kg. (troço de 16,4 Km); 1935, Maio - autorização para o concessionário do restaurante da estação negociar em câmbios; 1945, 10 Março - o MOPC autoriza a redução do horário dos comboios durante dois meses nas Linhas do Minho, Douro e Sul a partir de 17 de Março, devido à escassez de combustível; 1990, 1 Janeiro - supressão da circulação ferroviária do troço que partia para Monção; encerramento da linha de caminho de ferro entre Valença e Monção.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada ou revestida a azulejos monocromos; cunhais, frisos, cornijas, platibandas, molduras dos vãos e outros elementos em cantaria de granito; portas e caixilharia de madeira; vidros simples ou martelados; silhar ou frisos de azulejos; grades de ferro; colunelos e estruturas dos alpendres em ferro; algerozes metálicos; pavimentos cerâmicos, lisos e de padrão; estruturas divisórias em madeira envidraçada; cobertura dos alpendres em chapas metálicas e as dos edifícios em telha.

Bibliografia

Monografia das Estações e esboço Corográfico da Zona atravessada pelos caminhos de Ferro do Minho e Douro, Lisboa, 1926; Relatório e Programa dos Trabalhos a Executar nas linhas do Minho & Douro e Sul & Sueste para as colocar em boas condições de exploração, Lisboa, 1930; NEVES, Manuel, Augusto Pinto, Valença. Das origens aos nossos dias, Valença, 1997; ROCHA, J. Marques, Valença, Porto, 1991; NEVES, Manuel, Augusto Pinto, Valença. Das origens aos nossos dias, Valença, 1997;www.cm-valenca.pt, 12/11/2002; NEVES, Augusto Pinto, Valença entre a História e o Sonho, Valença, 2003; Ecopista "Rio Minho" recupera antiga linha de caminho-de-ferro, Dica da Semana, 4 Novembro 2004.

Documentação Gráfica

Arquivo Histórico dos Transportes Terrestres: Fundo dos Caminhos-de-Ferro do Estado, Secção Construção, Cx. 132-133 (antigas cx. 1914-1915)

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Arquivo Histórico dos Transportes Terrestres: Fundo dos Caminhos de Ferro do Estado, Secção Construção, 132-133 (antigas cx. 1914-1915)

Intervenção Realizada

1918 - reparação da instalação eléctrica pela Sdad Electricista de Tuy; 1919 - reparação de duas placas giratórias da estação de Valença; calcetamento do pátio em frente da estação; 1926, 26 Junho - despacho da Administração Geral aprova orçamento de 22.750$00 da obra dos muros de vedação; 9 Julho - memória descritiva do projecto, que era constituído por muro de suporte com 91 m e na parte restante por um muro de alvenaria com 195 m, rematando numa vedação em pasta na parte constituída por uma trincheira de pequena altura; as obras orçavam em 11.010$00 e a parte vedada com pasta, na extensão de 205 m, em 5.740$00; para execução de mão-de-obra de pedreiro no muro de suporte e vedação houve apenas o proponente João Martins Cavalheiro, com uma empreitada de 5.664$48; 18 Setembro - aprovação das condições de arrematação para fornecimento de 205 m de pasta de granito; era mestre-de-obras João Martins Cavalheiro; 15 Outubro - abertura de propostas para o fornecimento de 205 m lineares de pasta de granito para o muro, estando presentes Manuel Maria Rodrigues, pedreiro, e Augusto Vaz de Brito, o 1º orçamento de 49$90 por braça linear e o 2º por 50$00; 1936, Março - conclusão das obras de pavimentação da Avª da Estação; 1940, Junho - conclusão das obras no Lg. da Estação; 2004 - limpeza, recuperação e regularização da plataforma da antiga linha do caminho-de-ferro entre Valença e Monção, com aplicação de um novo pavimento a toda a extensão da via, recuperação e conservação de várias pontes e passadiços; remodelação da antiga casa da Vigia da linha, na Ponta Seca, em Valença para receber o Centro de Interpretação da Ecopista e construção de um novo edifício junto ao apeadeiro de Cortes, em Monção, com as mesmas funções.

Observações

*1 - A estação tinha de extensão, entre as agulhas externas, 417 m na linha geral, da qual se bifurcam para a direita duas linhas, sendo uma de resguardo e outra de estacionamento de material, na qual se inseria a linha de serviço da cocheira de locomotivas, cais de carvão, ponte giratória de 12 m e reservatório, dependências de serviço da tracção; o edifício de passageiros consta de um andar térreo, com corpo central de dois pisos, sobre o qual, tal como nos extremos, há águas furtadas; no corpo térreo fica o vestíbulo, gabinete do chefe de estação e casas para telégrafo, despacho de bagagem, chefes de serviço, bilheteira e câmbio de moeda, na ala esquerda tem as salas de 1ª e 2ª classe, reunidas, e a de 3ª, restaurante, café, cozinha, copa e dispensa; na ala direita tem sala de bagagens, comunicando, por um lado, com a sala de despacho à partida, e, pelo outro, com corredor de saída para as bagagens à chegada, junto a esta sala tem uma arrecadação para bagagens e uma casa para revista reservada de passageiros; no corpo extremo direito ficaria alojado o serviço de alfândega, compreendendo uma sala para repartição e um gabinete para o director e casas para o cofre, dormitório e posto de guardas e serventes; os dois alpendres metálicos da frontaria permitem o abrigo do sol e chuva e acesso às salas de espera e bagagem e do vestíbulo; de cada lado do edifício tem dois pequenos corpos, um para latrinas e outro para lanternaria. Próximo fica a cocheira de carruagens, podendo conter 8 veículos, encimado por um piso para alojamento do pessoal de tracção. Os cais de mercadoria ficam à esquerda, sendo um descoberto e outro coberto, compreendendo compartimentos para escritórios, da alfândega do tráfego e de mercadorias reservadas. A ponte giratória tem 12 m comprimento, um reservatório de 40 m, uma balança para pesar vagões da força de 20 toneladas e um cais de carvão, para o serviço de tracção. O orçamento da sua construção compreendia: 469$980 de expropriações, 579$610 de terraplanagens, 28.110$585 do edifício de passageiros, 6.535$450 da lanterna e lanternaria, 849$915 do cais descoberto, 5.645$650 do cais coberto, 7.673$000 da cocheira de carruagens, 6.757$045 da cocheira de locomotivas, 2 047$620 do reservatório, 1.215$890 do cais de carvão, 7.527$960 de canalização, 9.521$790 da via, 7.685$785 da mudanças da via, 686$455 da balança de 20 toneladas, 1.026$850 de vedações, 2.836$030 de objectos e obras diversas, 2.494$530 da avenida e 2.823$600 da administração. *2 - A empresa Aliança do Porto (fundição de Massarelos), representada por Joaquim Carvalho d' Assunção (gerente da Companhia), obrigava-se a não adoptar, nos tipos definidos dos ferros, dimensões inferiores às dos ferros da asna semelhante e de igual abertura do alpendre da estação de Viana, e, para a viga longitudinal, que liga os capitéis das colunas e serve de apoio às asnas intermédias, às da viga semelhante e igual vão do alpendre da Estação de Nine. Tinha ainda a responsabilidade de construir os algerozes e canos para despejos das águas fluviais até desembocarem no interior das colunas ou nos tubos descendentes já fixados às paredes do edifício. *3 - Até ali todos os esforços para obter água suficiente dentro do recinto da estação, tinham sido inúteis, quer no poço com mais de 10 m de profundidade, quer nas galerias abertas ao seu nível inferior. A nascente do Outeiro, poderia fornecer 100 litros por minuto ou por dia 144 m3, dos quais 72 ficariam a correr para a estação. Era para abastecimento das casas dos empregados e reservatório. A escritura de compra e venda de meação foi feita a 19 de Novembro, a José Joaquim de Carvalho e mulher Francisca Rosa Afonso, Agostinho José Afonso e mulher Rosa Teresa de Carvalho e António Joaquim de Carvalho, solteiro, por 850$000. A autorização real para a meação data de 20 de Novembro. *4 - A linha do Minho, construída em via larga, tem 1.668 m, tendo entre a estação de São Bento, no Porto, e a de Valença, a extensão total de 149,2 Km. *5 - Em 1926 o tráfego mais importante da estação era sobretudo de cerais e farinha, que vinham de Salamanca para as estações da Galiza e algum peixe em sentido contrário; a estação expedia anualmente cerca de 500 toneladas em g.v. e 1.800 em p.v., toros e peixe fresco, sobretudo no Inverno, destinados ao Porto, Viana e Badajoz e recebia 330 toneladas em g.v. e 4.200 em p.v. de materiais de construção e géneros de praça das estações próximas; em trânsito expedia em g.v. 11 toneladas e em p.v. 4.500; o movimento anual de passageiros era, aproximadamente, de 55.000.

Autor e Data

Paula Noé 2009

Actualização

 
 
 
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