Edifício da Assembleia Provincial do Ceará / Museu do Ceará

IPA.00021710
Brasil, Ceará, Ceará, Fortaleza
 
Arquitetura política e administrativa, neoclássica. Edifício da Assembléia Provincial construído na segunda metade do séc. 19, com projeto do engenheiro Adolpho Herbster, que elabora as plantas a partir dos alicerces já prontos da primeira fase da construção. Possui planta retangular e fachadas evoluindo em dois pisos, em cantaria calcário, rebocada e pintada a imitar aparelho rústico, separados por duplo friso e cornija, com cunhais apilastrados e remates em entablamento e platibanda plena. Fachada principal simétrica, com o eixo central avançado e rematado em frontão triangular, rasgado, no primeiro piso, por portal em arco sobre pilastras, flanqueado por duas colunas que sustentam arquitrave e cornija, onde assenta a sacada do segundo piso, para onde abrem três janelas também em arco. Nos panos laterais rasgam-se cinco eixos de vãos em arco, correspondendo a janelas de peitoril no primeiro piso e de varandim com guarda vazada em ferro no segundo.
Número IPA Antigo: BR920700580032
 
Registo visualizado 112 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Político e administrativo regional e local  Assembleia regional    

Descrição

Planta rectangular simples, de volume único e disposição horizontalista, com cobertura homogénea em telhado de quatro águas. Fachadas em cantaria calcário, rebocada e pintada de cor creme, a imitar aparelho rústico, de dois pisos separados por duplo friso e cornija, percorridas por embasamento em cimentos encrespado, pintado de cinza, flanqueadas por cunhais em forma de duas ordens de pilatras toscanas e remates em entablamento, encimado por platibanda plena com bordo em ressalto. A fachada principal, virada a S., é simétrica, tendo o eixo central em pequeno ressalto, rasgado, no piso inferior, por portal em arco de volta perfeita assente em pilastras toscanas e com pedra de fecho saliente, flanqueado por duas colunas toscanas que sustentam arquitrave lisa, friso de métopas e triglifos e cornija, onde repousa a sacada em cantaria vazada em balaústres do segundo piso, para onde abrem três janelas em arco de volta perfeita, com o fecho decorado por motivo fitomórfico; o eixo central remata em frontão triangular, apresentando, nas faces superiores, friso de acantos, tendo, no centro, uma estrela de cinco pontas, representando os Estados Unidos do Brasil, como consta em inscrição pintada. Em cada uma das alas laterais, rasgam-se cinco janelas de peitoril no primeiro piso e cinco de varandim com guarda vazada em ferro forjado, no segundo, estas com o fecho decorado por elemento fitomórfico. Os vãos são de duas folhas em caixilhos de madeira e vidro simples, apresentando bandeira. As fachadas laterais são semelhantes, simétricas, com eixo central em pequeno ressalto, rasgado, no piso inferior, por portal em arco de volta perfeita, o da fachada lateral esquerda com acesso por escadas de seis degraus em leque, vencendo o desnível do terreno; este possui porta de duas folhas em madeira pintada de creme e bandeira, sendo ladeado por quatro janelas de peitoril, duas de cada lado, com o mesmo perfil; a estes vãos, correspondem, no piso superior, cinco janelas de varandim em arco de volta perfeita com o fecho decorado por motivo vegetalista e tendo guarda vazada em ferro forjado. Fachada posterior simétrica, a partir de um eixo que forma um pequeno ressalto, rasgada, no piso inferior, por portal em arco de volta perfeita, com porta de duas folhas de madeira e bandeira vazada em ferro forjado, ladeado por oito janelas de peitoril com o mesmo perfil, a que correspondem, no piso superior, nove janelas de varandim em ferro forjado com motivos geométricos. INTERIOR com vestíbulo quadrangular, que acede a pequena escadaria e a corredor estreito que liga às várias dependências no piso inferior, compostas por salas de esxposição e instalações sanitárias à direita e salas administrativas e de apoio à esquerda. Deste corredor evoluem as escadas de madeira de acesso ao andar nobre, com um lanço único o qual, num primeiro patamar, bifurca em dois lanços divergentes; o espaço é iluminado por três amplas janelas da fachada posterior e possuem três portas frontais e duas laterais, estas directamente abertas para duas amplas salas e as frontais ligam a corredor que, por seu turno, acede ao salão nobre, através de três portas; nas ilhargas do espaço da escada, duas janelas de varandim com guarda vazada em ferro forjado, semelhantes às exteriores. Todos os vãos internos são rectilíneos com molduras de madeira e portas de duas folhas do mesmo material e bandeiras. Escada com guarda de madeira exótica torneada. Pavimentos em madeira e tectos do mesmo material. Paredes rebocadas e pintadas de branco, no corredor inferior, percorrida por azulejo de padrão monócromo azul sobre fundo branco, formando silhar.

Acessos

Fachada principal - Rua de São Paulo; Praça General Tibúrcio (Praça dos Leões) - Fachada lateral esquerda

Protecção

Tombamento Federal - IPHAN, 1973

Enquadramento

Urbano, isolado, ocupando um quarteirão, rodeado por vias públicas nas suas quatro faces, pavimentadas a alcatrão e com passeios. A fachada principal abre para pequeno largo arborizado e a lateral esquerda para um largo mais amplo, de dois patamares, que se vencem por escadaria ornada com leões, que dá para a Praça General Tibúrcio. Nesta, implanta-se a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e nas proximidades o Palácio da Luz (atual Academia Cearense de Letras).

Descrição Complementar

O Museu está organizado em vários núcleos temáticos sobre a história do Ceará: 1) Memorial Frei Tito de Alencar, onde se apresenta alguns objetos pessoais do frade dominicano, Tito de Alencar Lima, natural do Ceará, e que foi vítima do regime militar brasileiro, entre 1960 e 1980. 2) Fortaleza: com imagens que documentam a constituição da cidade, desde os tempos de ''vila do Forte'' até se tornar uma metrópole. 3) Povos indígenas: com exposição de objetos relativos à cultura indígena, recolhidos em diferentes lugares do Brasil, nomeadamente o Ceará (peças provenientes em grande parte da coleção de Tomaz Pompeu Sobrinho). 4) Artes da escrita: sala dedicada à produção escrita de vários intelectuais cearenses, muitos deles filiados a determinados movimentos ou agremiações literárias e de ciências que se estabeleceram no Ceará, como a Padaria Espiritual, a Academia Cearense de Letras, Instituto Histórico, Centro Literário, etc. 5) Religiosidade popular: com peças do universo religioso de dois homens que aturam no Cariri, região sul do Ceará, o Padre Cícero Romão Batista, que fundou a cidade de Juazeiro do Norte, e o Beato José Lourenço, que organizou a comunidade de Caldeirão. 6) Escravidão e abolição negra: sala dedicada à escravidão negra e ao abolicionismo no Ceará. 7) Arqueologia Cearense: apresenta objetos líticos pré-históricos (de pedra polida e lascada) e cerâmicas tupi-guarani diversificadas, documentando o modo de vida das populações que habitavam o território do Ceará antes e após a colonização européia. 8) Símbolos e emblemas do poder: objetos tornados símbolos dos poderes públicos ou dos poderes privados na sociedade. 9) Placas e Plantas de Fortaleza: expõe placas e plantas como dispositivos de orientação indispensáveis ao homem urbano, na sua movimentação diária pela metrópole. 10) Caldeirão 80 anos: expõe objetos e imagens da vida e da destruição do Caldeirão, comunidade de camponeses, criada em 1926 pelo Beato José Lourenço, sob a orientação do Padre Cícero, e destruída em 1936, quando a polícia expulsou todas as famílias que ali habitavam.

Utilização Inicial

Política e administrativa: assembleia regional

Utilização Actual

Cultural e recreativa: museu

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ENGENHEIROS: Adolfo Herbster (1856-1871); José Antonio Seifert (1856-1865). EMPREITEIRO: Joaquim da Fonseca Soares e Silva (1856).

Cronologia

1855 - o presidente da Província, Joaquim Vilela de Castro toma a iniciativa de mandar construir um edifício para servir de sede à Assembleia Provincial; 1856 - o presidente do Conselho da Intendência Municipal, Vicente Pires da Mota, manda fazer a planta do edifício para a futra Assembleia Provincial do Ceará, e encarrega o presidente da Câmara Municipal, António Rodrigues Ferreira, de adquirir as casas denominadas "quartos da Agostinha", movimentado ponto de venda de alguns géneros alimentícios, para instalação da futura sede da Assembléia Provincial; 25 outubro - início da obra a cargo do empreiteiro Joaquim da Fonseca Soares e Silva; 1857 - 1863 - paralização da obra; posteriormente, o projeto e a execução da obra são encomendados ao engenheiro Adolpho Herbster (04/05/1826 - 12/11/1893), o qual elabora as plantas a partir dos alicerces já prontos da primeira fase da construção; 1871, 03 março - conclusão da construção do edifício; 04 julho - inauguração do edifício, com a presença de políticos ilustres, como o deputado Gonçalo Baptista Vieira, Barão de Aquiraz, e o presidente da Província; o imóvel passa a denominar-se Palacete Senador Alencar, em homenagem ao famoso político do Império, pai do romancista José de Alencar; 1871 - 1990, cerca - além de aqui funcionar a Assembléia Legislativa, alberga também o Liceu do Ceará, a Faculdade de Direito, o Tribunal Regional Eleitoral, o Instituto do Ceará, a Biblioteca Pública, o Fórum, os Correios, o Quartel General do 2º Distrito Militar e a Academia Cearense de Letras; 1951 - instalação do Arquivo Público no piso térreo do Palacete Senador Alencar; 1990, 26 março - mudança do Museu Histórico e Antropológico do Ceará para o Palacete Senador Alencar, alterando-se a designação para para Museu do Ceará *1; 1991 - 1993 - a administração do museu fica a cargo da Coordenação de Patrimônio da Secretaria de Cultura do Estado, sem uma direção efetiva e estando a maior parte do tempo fechado; 1993 - inventariação do espólio do museu, contabilizando 6.029 peças; 1998, 25 março - reinauguração do edifício após as obras de recuperação e adaptação a museu do Ceará, aquando da comemoração dos 144 anos da abolição da escravatura no Ceará; 2000 - assume a direção do museu Francisco Régis Lopes, o qual posteriormente procede à reestruturação da sua concepção museológica, aumentando o acervo para cerca de 15 mil peças; 2001 - criada a sala Paulo Freire, onde se realizam palestras, cursos e seminários; 2002 - abertura do Memorial Frei Tito, em homenagem ao religioso que viveu durante o regime militar instaurado no país em 1964.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Bibliografia

HOLANDA, Cristina Rodrigues - Museus Histórico do Ceará: a memória dos objetos na construção da história (1932-1942). Fortaleza: SECULT, 2005; Museu do Ceará, (http://www.centrodefortaleza.com.br/Paginas/prog/museu_ceara.php), [consultado em 08-09-2014]; Museu do Ceará: acervo com mais de sete mil peças (http://www.praiaceara.com.br/museu-do-ceara/), [consultado em 08-09-2014]; Ana Carolina Rodruigues da Silva, Espaço para um Museu Nômade: Discursos no Museu do Ceará (http://www.ce.anpuh.org/embornal2/Ana_Carolina.pdf), [consultado em 08-09-2014].

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

EM ESTUDO. *1 - O espólio do Museu do Ceará teve como ponto de partida a coleção de objetos e fragmentos da natureza, organizados, em 1873, pelo médico Joaquim Antonio Alves. Entre 1875 e 1885, essa coleção compôs o Museu Provincial que funcionou como uma das dependências do Gabinete Cearense de Leitura. A partir de 1894, Francisco Dias da Rocha formou uma coleção para o Museu Rocha que funcionou até 1950. Em 1922, marcando a comemoração dos cem anos da Independência do Brasil, dá-se a criação do Museu Histórico Nacional, ocupando duas salas do Forte de Santiago, Casa do Trem e edifício do Arsenal de Guerra. A 3 de fevereiro de 1932, o decreto nº 479, do então governador Roberto Carlos Vasco Carneiro de Mendonça, cria o Museu Histórico do Ceará, como uma das dependências do Arquivo Público do Estado, ficando sediado no edifício da Rua 24 de Maio, nº 238. O seu fundador e primeiro diretor foi Eusébio de Sousa. Dois anos depois, em 1934, o museu foi transferido para a Av. Alberto Nepomuceno, nº 332, próximo da Praça da Sé. Em 1940 possuía 1.300 peças. Em 1951, através da lei 1.105 de 23 de outubro, estabelece-se um convênio com o prazo de 20 anos, entre o Governo do Estado e o Instituto do Ceará, no qual o governador Raul Barbosa entregava a administração, a conservação e a guarda dos bens do Museu Histórico do Estado do Ceará ao Instituto do Ceará, o qual ficaria instalado no mesmo edifício do Museu, na Avenida Alberto Nepomuceno, nº 332. Com a anexação do Museu Histórico ao Instituto do Ceará, Raimundo Girão procurou organizar o acervo e adquirir as restantes coleções do antigo Museu Rocha. Em 1955, o museu muda a sua denominação para Museu Histórico e Antropológico do Ceará, devido à incorporação de novas peças no acervo, como as coleções indígenas do antigo Museu do Instituto e do Museu Rocha. Em 1956, a Lei nº 3.260 de 7 agosto, firma novo acordo entre o Governo do Estado e o Instituto do Ceará, para a obtenção de um local para o Museu e o Instituto, visto ter-se decidido construir o Tribunal no local onde se erguia o edifício do museu. O museu é pois transferido para o edifício da Av. Visconde de Cauípe, nº. 2431, no bairro Benfica, (atual Av. da Universidade). Em 1960, com o desmembramento da administração do Instituto do Ceará, o Museu foi transferido para a antiga casa do senador Fausto Cabral, na Av. Barão de Studart, nº 410. Na sessão do Instituto do Ceará, de 27 de outubro de 1966, foi aprovada a proposta do Reitor Martins Filho, da Universidade Federal do Ceará de permuta dos prédios da Av. da Universidade, para funcionamento da Faculdade de Economia, e da Praça do Carmo, na Rua Barão do Rio Branco, nº 1594, que seria desapropriado pela Universidade. No ano seguinte, o Museu saiu da tutela do Instituto Histórico e foi vinculado à Secretaria de Cultura do Estado do Ceará (SECULT), e, aceite a permuta, procede-se à transferência do museu, que passa a a ocupar o térreo do prédio e o Instituto o andar superior. Em 1971, o museu volta a ser deslocado, então para a Avenida Barão de Studart, n.º 410.

Autor e Data

Paula Figueiredo 2004

Actualização

 
 
 
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