Fortaleza da Póvoa de Varzim / Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição / Castelo da Póvoa

IPA.00000217
Portugal, Porto, Póvoa de Varzim, União das freguesias da Póvoa de Varzim, Beiriz e Argivai
 
Arquitectura militar, setecentista. Fortificação costeira, de planta poligonal, com quatro baluartes, cortinas inclinadas e robustas, com guaritas pentagonais nos vértices voltados a terra. Portal principal em arco de volta perfeita, com as armas dos Souzas na aduela de fecho, encimada por espaldar com escudo nacional, coroado, rematado por sineira, em arco de volta perfeita. CAPELA com fachada principal enquadrada por cunhais apilastrados, coroados por pináculos paralelepipédicos, rasgada por porta de verga recta, encimada por friso e cornija saliente, sobrepujada por rosácea emoldurada. Sobre o vértice da empena, apresenta cruz latina de hastes em forma de trevo, sobre plinto curvo, com enrolamentos.
Número IPA Antigo: PT011313100004
 
Registo visualizado 869 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Fortaleza    

Descrição

FORTALEZA de planta poligonal, com quatro baluartes, o da Conceição e são Francisco voltados para o mar, e o de São José e São Filipe voltados para terra. Apresenta cortinas inclinadas e robustas, em aparelho de granito, irregular, rematadas por friso arredondado, e parapeito recto. Nos ângulos das cortinas voltadas a terra apresenta guaritas facetas, pentagonais, rasgadas por pequenas aberturas rectangulares, rematadas por cornija e cobertura em cúpula, boleada no topo, assentes sobre mísulas de secção triangular, de toros escalonados, facetados. Pano principal voltado para a cidade, com cortina central rasgada por portal em arco de volta perfeita sobre impostas, constituído por aduelas regulares, de juntas fendidas, surgindo na aduela de fecho do arco, pedra de armas dos "Souzas". O portal é rematado por friso e cornija saliente, e encimado por espaldar curvo, enquadrado por pináculos paralelepipédicos, encimados por bolas, tendo ao centro escudo nacional coroado, ladeado por volutas, sobre cartela rectangular, ornada com elementos geométricos e enrolamentos, e torre sineira em arco de volta perfeita, rematada por cruz com braços em forma de trevo. No interior da fortaleza, edifícios de dois registos com CAPELA integrada, destacada do pano murário, com fachada enquadrada por pilastras encimadas por pináculos, rematada em empena com cruz sobre plinto no vértice. No eixo portal de verga recta encimado por cornija, e sobre este rosácea emoldurada. No interior, destaca-se retábulo rematado superiormente pelo brasão e coroa real ladeado por anjos com palmas, sustentado por colunas pintadas fingindo marmoreados, com fustes estriados, com folhagens no terço inferior; ao centro tribuna com trono suportando imaginária.

Acessos

Rua da Ribeira, Rua Tenente Veiga Leal, Rua da Caverneira e Largo Vasques Calafate

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 43 073, DG, 1.ª série, n.º 162 de 14 julho 1960 / ZEP / Zona "non aedificandi", DR, 2.ª série, n.º 3, de 05 janeiro 1982

Enquadramento

Urbano, isolado, marítimo, em posição dominante, junto ao Porto de abrigo da Póvoa de Varzim.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: fortaleza

Utilização Actual

Cultural e recreativa: edifício multiusos

Propriedade

Pública: Estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ENGENHEIRO: Sebastião de Souza.

Cronologia

Séc. 16 - Existia um forte designado "Forte do Torrão", construído a expensas da câmara com a finalidade de defender a população de actos de pirataria; séc. 17 (ultimo quartel) - perante a necessidade de assegurar uma melhor defesa do porto, dos possíveis desembarques das tropas espanholas, João de Almeida Rêgo, expôs a El-Rei D. Pedro II a necessidade de construção de uma nova fortaleza; 1701 - lançamento da primeira pedra, com projecto do sargento-mor engenheiro Sebastião de Souza, possivelmente no mesmo local onde existia a antiga fortaleza; 1703 - encontrava-se construída apenas a sapata; 1704 - as obras pararam por falta de verba, ficando ao abandono; 1738 - só nesta data D. João V mandou prosseguir as obras, encontrando-se as executadas já degradadas; as obras que haviam sido executadas foram-se degradando; 1740, 22 de Outubro - inauguração; 1743 - construção da Capela de Nossa Senhora da Conceição do Castelo, no interior da fortaleza; 1811, 15 de Junho - em acta da câmara fica registada a necessidade de procurar alguém de confiança, para zelar pela fortaleza; 1816 - é ocupada pela 1ª Companhia de Reformados e Inválidos, ex-combatentes das lutas liberais; 1850 - estava ao abandono e degradada, à mercê da comunidade piscatória do bairro sul que ali ia construindo arrumos e habitações, com o consentimento das autoridades locais; 1853 - são demolidas as construções clandestinas e o seu terrapleno usado para corridas de touros, espectáculos de cavalos e acrobatas; a fortificação entra em decadência; 1857 - a Câmara Municipal sugeriu que se transformasse num mercado e subdelegação da Alfândega; 1859 - sugeriu novamente que fosse ocupada pela estação fiscal da delegação da Alfândega e escola primária; 1868 - novo relatório informa, que tal como outras fortalezas do reino, esta quase não tinha artilharia, sendo considerada há muitos anos com tão limitada importância, que já se haviam construído casas na sua esplanada; 1893 - é feita uma remodelação a toda a zona envolvente da fortaleza; 1896 - a fortaleza é ocupada pela Guarda-fiscal *1; 1999, 31 dezembro - protocolo de cedência da fortaleza pelo Ministério das Finanças da Administração Interna ao Município de Póvoa do Varzim; 2014, 08 setembro - abertura do procedimento concursal para reabilitação da Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, com preço base de 1230000.00 euros, em Anúncio n.º 5004/2014, DR n.º 172, 2.ª série; 2022, 10 fevereiro - publicação do Projeto de decisão relativo à alteração da zona non aedificandi incluída na zona especial de proteção da Fortaleza da Póvoa do Varzim, em Anúncio n.º 19/2022, DR, 2.ª série, n.º 29.

Dados Técnicos

Estrutura mista.

Materiais

Estrutura em cantaria de granito; portas e caixilharias de madeira; pavimento de granito; coberturas em telha.

Bibliografia

LEAL, Augusto Soares A. B. de Pinho, Portugal Antigo e Moderno, Lisboa, 1876, vol. VII, pag. 624-627; DIONÍSIO, Santana, Guia de Portugal, vol. 4, Tomo I, Coimbra, 1985; LOPES, Flávio (coordenador), Património Arquitectónico e Arqueológico, (IPPAR), Lisboa, 1993; http://www.cm-pvarzim.pt/povoa-cultural/arquivo-municipal-pv/difusao-da-informacao/extensao-cultural/paginas-de-historia-com-estorias, 14 de Abril de 2011.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DREMN; AMPV/POM 10(16) - Projecto de Obra Municipal

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA, DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DREMN; CMPV/0018, fl. 114 vº, CMPV/0018, fl. 174, CMPV/POM 10 (13)

Intervenção Realizada

DGEMN: 1979 - Limpeza, arranque de vegetação e tratamento dos paramentos incluindo consolidações várias;1980 / 1982 - trabalhos de consolidação; 1985 - beneficiação da muralha.

Observações

*1 - Existe um projecto da Câmara Municipal, da autoria do arquitecto Rui Bianchi, para a instalação de bares e restaurantes no interior da fortaleza, assim que a construção do novo quartel para instalação da GNR esteja concluído. Todos os anos, no dia 8 de Dezembro, a fortaleza abre as portas à comunidade para a procissão da Nossa Senhora da Conceição que ocorre no seu interior.

Autor e Data

Isabel Sereno / Miguel Leão 1994 / Ana Filipe 2011

Actualização

 
 
 
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