Igreja Paroquial de Arcos de Valdevez / Igreja do Divino Salvador

IPA.00002167
Portugal, Viana do Castelo, Arcos de Valdevez, União das freguesias de Arcos de Valdevez (Salvador), Vila Fonche e Parada
 
Arquitectura religiosa, maneirista e barroca. Igreja Matriz de planta longitudinal de cruz latina, de nave única, com transepto pouco saliente e capela-mor, interiormente com coberturas em falsas abóbadas de berço, em caixotões, e iluminada pelos vãos axial e laterais, tendo adossado torre sineira, sacristia e casa da confraria do lado da Epístola. Fachadas rebocadas e pintadas com cunhais apilastrados coroados por fogaréus ou pináculos e terminadas em friso e cornija. Fachada principal terminada em empena de lanços, tendo inferiormente brasão, e rasgada por portal de verga recta com cornija, friso e cornija, sobrepujado por janelão rectilíneo ladeada por volutas e terminada em cornija alteada ao centro. Fachada lateral direita com porta travessa e janelão, rectilíneos. Interior com silhar de azulejos maneiristas e oitocentistas, coro-alto, de madeira, baptistério no sub-coro, do lado do Evangelho, dois púlpitos laterais, confrontantes, com guarda plena de talha policroma, acedidos por porta, capelas laterais nos braços do transepto com retábulos barrocos de talha dourada, de planta côncava e um eixo, cobertas por tectos de caixotões pintados, dois retábulos colaterais joaninos, de talha dourada, de planta côncava e um eixo, e retábulo-mor em barroco nacional, de talha dourada com planta côncava e um eixo. Igreja com duas capelas laterais criando transepto, de braços acedidos por arcos de volta perfeita sobre pilastras. Interiormente conserva na Capela do Santíssimo e na capela-mor tectos de caixotões pintados, maneiristas, assentes em entablamento de talha com querubins bastante relevados e policromos no friso, este ainda subsistente também na capela de Nossa Senhora das Dores. Os outros tectos, são já de pintura mais recente, ainda que reproduzam o esquema dos caixotões. As paredes da nave apresentam silhar de azulejos do séc. 18 / 19, reaproveitando no sub-coro restos de silhar de azulejos de tapete, maneirista, de finais do séc. 17. Possui um bom conjunto de retábulos de talha, de transição do nacional para o joanino, destacando-se no retábulo do Santíssimo o sacrário de dois andares, típico do maneirismo; no retábulo de Nossa Senhora das Dores, o corpo apresenta colunas torsas alternadas com pilastras, aas centrais entrecortadas por nichos. Destaca-se o camarim do retábulo-mor, reformado no início do séc. 19, e atribuído ao mestre bracarense Álvaro José Pereira de Faria. As teias tiveram como modelo as da capela-mor da Sé de Braga (v. PT010303520005), esquema que também se repetiu nas da Igreja Matriz de Barcelos (v. PT010302140007). A Capela do Calvário, atribuída a André Soares, segundo Eduardo Pires de Oliveira (1993), terá tido como modelo a capela integrada na Igreja de Nossa Senhora da Torre (v. PT010407250133), do mesmo arquitecto e constitui exemplo da continuidade da gramática iniciada, pelo mesmo, no conjunto do Largo de São Paulo (v. PT010303070056), em Braga, uma década antes, e, igualmente na Torre de Santiago (v. PT010303070060). O frontal do altar-mor, com relevo policromo representando a Última Ceia, é típico da Escola de Braga.
Número IPA Antigo: PT011601340018
 
Registo visualizado 758 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal de cruz latina, composta por nave única, transepto, pouco acentuado e de braços rectos, e capela-mor, mais baixa, tendo adossado à fachada lateral esquerda torre sineira quadrada, anexo e sacristia rectangular, e, à lateral direita, oratório e casa da confraria, rectangular. Volumes articulados, com coberturas diferenciadas em telhados de duas e três águas e torre sineira em domo. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por embasamento, que a N. e a E. é em aparelho irregular, terminadas em friso e cornija sobreposta por beirada simples, e cunhais apilastrados coroados por fogaréus, na fachada principal, e pináculos piramidais com bola sobre acrotérios, nas posteriores. Fachada principal terminada em empena de lanços, coroada por cruz latina de cantaria e tendo sob o friso brasão de família, esquartelado, envolvido por concheados, motivos fitomórficos e com pingente e coronel. Portal de verga recta rematado por cornija e encimada por friso e cornija, sobrepujado por janelão rectilíneo com moldura ladeada por volutas e terminada por cornija alteada ao centro. Torre sineira, ligeiramente recuada, de três registos separados por friso e cornija, no primeiro, e, por cornija, no segundo, sendo no terceiro rasgada por ventanas em arco de volta perfeita, molduradas; é rematada por friso e cornija, coroada nos cunhais por pináculos, apresentando cobertura em domo encimado por pináculo e catavento férreo; na face do lado direito da cobertura, integra-se relógio de ferro e pequeno sino. Fachada lateral esquerda com dois corpos adossados, o anexo de dois pisos, rasgado no primeiro por portal de verga recta, moldurado, entre duas janelas jacentes e, no segundo, por janela de peitoril, moldurado e com caixilharia de guilhotina; a sacristia possui janelão rectilíneo moldurado virado a O.. Fachada lateral direita com porta travessa de verga recta moldurada encimada por janelão vertical, igualmente moldurado; apresenta dois corpos adossados, o primeiro, terminado em empena de cornija coroada por cruz latina de cantaria e pináculos, tendo frontalmente oratório, com pilastras facetadas nos cunhais, coroadas por fogaréus sobre plintos, abrindo-se ao centro arco de volta perfeita, dobrado, com moldura que constitui simultaneamente o remate, coroado por cruz latina; a moldura é recortada lateralmente e inferiormente, e decorada com concheados, possuindo pano de peitoril em cantaria relevado; é ladeado por duas lanternas metálicas. O segundo corpo, correspondente à casa da confraria, possui dois panos definidos por pilastras, abrindo-se, no primeiro, portal de verga recta de moldura simples e, no segundo, percorrido por friso horizontal, janela de peitoril, rectilínea com falsos brincos rectos. Fachada posterior de três corpos, o central da capela-mor, terminada em empena, coroada por cruz latina sobre acrotério, e rasgada por fresta com moldura em capialço; o corpo esquerdo, corresponde à fachada principal da Casa da Confraria, e tem dois pisos, separados por friso, rasgando-se no primeiro dois portais de verga recta, com moldura de fecho saliente, intercalados por três janelas jacentes com moldura formando falsos brincos rectos, e, no segundo, cinco janelas de peitoril, de verga abatida, e moldura de fecho saliente e formando falsos brincos rectos; a sacristia, sensivelmente recuada, é rasgada por janela rectangular com moldura de capialço, interrompendo a cornija, gradeada. INTERIOR com paredes rebocadas e pintadas de branco, ostentando azulejos de tapete formando silhar, com vãos, alguns envolvidos por molduras de talha policroma, recortadas, encimados por sanefas também de talha policroma e dourada, terminadas em cornija de lanços decorada com elementos fitomórficos; os portais são ladeados por pia de água benta cilíndrica gomada. Nave com pavimento de madeira e cobertura em falsa abóbada de berço, pintada a imitar caixotões, com molduras envolvendo painéis com motivos geométricos, cartelas e florões, apoiada em friso e cornija de cantaria. Coro-alto de madeira com planta em U e guarda de madeira, recortada, de perfil contracurvado; na parede do lado da Epístola dispõe-se órgão positivo, em talha policroma e dourada, com três castelos, o central curvo, coroado por cartela, e, os laterais recortados. No sub-coro, no lado do Evangelho, surge o baptistério gradeado, sobrelevado, com arco abatido sobre pilastras, com vestígios de pintura mural, no intradorso, e interiormente com abóbada abatida; a parede fundeira é revestida a azulejos de tapete policromo, guarnecido com cercadura e friso, envolvendo painel decorado com cruz, formada por segmentos do friso; alberga pia baptismal, com taça circular gomada sobre coluna estriada e base; sobre a pia baptismal, surge pintura sobre madeira, de configuração semicircular, com representação do Baptismo de Cristo. Tecto do sub-coro em falsa abóbada abatida, de madeira, pintada de branco. Lateralmente surgem dois púlpitos, confrontantes, em talha policroma e dourada, a cinzento, azul e dourado, sobre bacia rectangular com perfil boleado e mísula ornada de acantos, de cantaria; possuem guarda plena, decorada com apainelados formando cartela recortada, com busto e elementos fitomórficos, e acantos nos ângulos, sendo acedidos por porta de verga recta, com moldura de talha que se prolonga por espaldar, igualmente com cartela, festão e colchete, encimada por sanefa de talha, terminada em cornija de lanços. Braços do transepto em arco de volta perfeita sobre pilastras toscanas, com teia em pau preto marchetada; o do lado do Evangelho tem capela dedicada a Nossa Senhora das Dores e a do lado da Epístola ao Santíssimo Sacramento; na primeira rasgam-se, no lado do Evangelho porta e janela e, na oposta, janela, na segunda, com estuque pintado a marmoreados fingido nas paredes, rasga-se, no lado da Epístola, porta e janela rectilínea, sendo todos os vãos encimados por sanefas simples em talha dourada. Possuem na parede testeira retábulo em talha dourada, de planta côncava e um eixo, e cobertura em falsa abóbada de berço, em caixotões, com molduras entalhadas, contendo florões nos encontros, e painéis pintados com motivos fitomórficos criando cartelas, as da capela de Nossa Senhora das Dores circulares com quatro colchetes e florão central, e as da capela do Santíssimo Sacramento, vazias; assenta sobre friso, ornado de querubins policromos, e cornija, também em talha. Arco triunfal de volta perfeita sobre pilastras toscanas, encimado por sanefão de talha dourada, terminado em cornija de lanços, decorado por cartela com imagem de Cristo redentor, elementos fitomórficos relevados, albarradas, amplos motivos fitomórficos vazados e lambrequim. O arco é ladeado por dois retábulos de talha dourada, de planta côncava e um eixo, dispostos de ângulo, o do lado do Evangelho dedicado a Nossa Senhora da Conceição, e o oposto ao Sagrado Coração de Jesus. Na capela-mor, as paredes laterais apresentam o silhar de azulejo de tapete policromo encimado por pintura mural, formando painéis de grandes dimensões, simulando revestimento têxtil, envolvidos por moldura, integrando ao centro medalhão com representação do Cordeiro Místico (Evangelho) ou do Pelicano alimentando os filhos, simbolizando a Caridade e a Redenção (Epístola), com moldura sobreposta por colchetes. A cobertura é em falsa abóbada de berço, de caixotões, pintados com motivos vegetalistas, envolvendo cartelas, e molduras entalhadas, com florões nos encontros, apoiada em cornija de talha dourada e friso dourado e decorado com querubins relevados policromos. Sobre supedâneo, com acesso por três degraus centrais, dispõe-se o retábulo-mor, de planta recta e um eixo, definido por seis colunas torsas, decoradas por pâmpanos, putos, encarnados, e aves, duas pilastras exteriores estreitas, decoradas com elementos vegetalistas, assentes em duas ordens de plintos, os superiores galbados com acantos e querubins, e os inferiores paralelepipédicos, de cantaria, almofadados e pintados com elementos vegetalistas; ao centro, abre-se tribuna em arco de volta perfeita, sobre pilastras, ambos ornados de motivos fitomórficos, florão e anjos no fecho, fechada por tela pintada com Ascensão de Cristo; sobre entablamento com friso de acantos e querubins, desenvolve-se o ático adaptado ao perfil da cobertura, de seis arquivoltas, três torsas e três rectilíneas, ornadas de motivos fitomórficos, unidas no sentido do raio; banco com apainelados de acantos enrolados e puttus, integrando, ao centro, sacrário em forma de templete, com porta decorada por cruz e querubins, ladeada por puttus e encimada por dossel em cúpula coroada por pelicano. Altar tipo urna de frontal em talha dourada, organizado em apainelados de acantos intercalados com outros contendo puttus, e sanefa de florões e acantos enrolados. Na parede do lado do Evangelho rasga-se porta de acesso à sacristia, de paredes rebocadas e pintadas de branco, tecto plano e pavimento de madeira. Na parede fundeira existe escada de um lanço, de madeira, de acesso à tribuna, com guarda de balaústres planos. Na parede testeira tem arcaz de vinte e quatro gavetas encimado por oratório, com espaldar definido por duas pilastras de fuste marcado e capitel estilizado, terminado em frontão de lanços, decorado com elementos volutados e vegetalistas, criando cartela vazada; integra nicho em arco de volta perfeita, envidraçado, albergando imaginária. O espaldar é ladeado por dois espelhos com moldura decorada por friso fitomórfico e de topos rematados por motivos vegetalistas vazados e formando grinaldas laterais. Na parede do lado da Epístola, rasga-se porta de acesso à casa da confraria.

Acessos

Salvador, Praça do Município

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 28/82, DR, 1.ª série, n.º 47 de 26 fevereiro 1982 *1

Enquadramento

Urbano, isolado, implantado sobre uma plataforma de cantaria de granito, adaptada ao declive do terreno, favorecendo de um privilegiado panorama sobre a vila, e sendo acedida por escada de um só lanço a S.; neste mesmo lado, encosta-se à casa da Confraria banco de pedra corrido. Junto à fachada N. e E. possui canteiros com árvores de pequeno e grande porte. A N. situa-se o Jardim dos Centenários, a Igreja do Espírito Santo (v. PT011601340011) e a Casa do Terreiro (v. PT011601410016), a S., num plano menos elevado, o Pelourinho de Arcos de Valdevez (v. PT011601340005) e, mais afastado, a Igreja da Lapa (v. PT011601340012), a E. o Palácio da Justiça de Arcos de Valdevez (v. PT011601340244).

Descrição Complementar

AZULEJARIA: Nave revestida a azulejo de tapete formando silhar, policromo em azul e branco, compondo padrão de motivos geométricos e guarnecido por friso decorado com motivos vegetalistas estilizados; no sub-coro, na parede fundeira, junto ao pavimento possui barra composta por fragmentos do padrão P-73, na parede da nave, do lado do Evangelho e na capela-mor, revestimento a azulejo policromo de tapete, variante dos padrões P-404 e P-405, guarnecido com barra B-5 e friso F-10, envolvendo composição central com cruz constituída por segmentos deste friso. RETÁBULOS: a capela de Nossa Senhora das Dores possui retábulo de planta côncava e um eixo definido por seis colunas torsas, decoradas por pâmpanos, puttus e aves, assentes em mísulas volutadas ornadas de acantos e puttus atlantes, e por seis pilastras com o mesmo tipo de decoração, as intermédias entrecortadas por nicho, com abóbada em quarto de esfera, e decorado com motivos vegetalistas relevados, assentes em plintos paralelepipédicos ornados de acantos e puttus; ao centro, abre-se nicho, em arco de volta perfeita sobre pilastras ambas ornadas de elementos vegetalistas, com porta envidraçada e interiormente pintada com firmamento e albergando imagem; ático adaptado ao perfil da cobertura com seis arquivoltas, alternadamente torsas e côncavas, ornadas de acantos, puttus, querubins, unidas no sentido do raio, e com brasão nacional, policromo, no fecho; sotobando com plintos paralelepipédicos, almofadados pintados com motivos fitomórficos e, ao centro, altar tipo urna, com frontal em talha dourada, decorado com apainelados de acantos e puttus, marcando sanefa; sotobanco com maquineta envidraçada, com a figura de Cristo morto. A capela do Santíssimo Sacramento, integrada no braço do transepto, do lado da Epístola, retábulo em talha dourada, de planta côncava e um eixo, definido por seis colunas torsas decoradas por pâmpanos, aves e puttus, assentes em mísulas volutadas profusamente ornadas de acantos e puttus e quatro pilastras, as exteriores mais estreitas e decoradas por acantos e aves e as intermédias também com puttus, assentes em plintos paralelepipédicos com o mesmo tipo de decoração, que se prolongam em igual número de arquivoltas no ático, a exterior formando arco festonado, com a mesma decoração e unida no sentido do raio; no fecho possui ampla cartela com cruz nodosa sustentada por anjos e envolta em acantos enrolados; ao centro dispõe-se amplo sacrário, poligonal, de dois registos, definidos por frisos e cornijas e de panos marcados por colunas torsas, enquadrando pequenas edículas com painéis pintados, rematado em estrutura de talha piramidal com dois anjos laterais e fénix central, envolvida por apainelados de acantos; sotobanco com talha policroma, com plintos pintados com elementos fitomórficos. Altar paralelepipédico, de frontal esculpido, representando em alto relevo a Última Ceia, policroma. Retábulos colaterais semelhantes, de talha dourada, de planta côncava e um eixo, definidos por duas colunas torsas, ornadas de puttus, encarnados, pâmpanos e aves, assentes em mísulas volutadas, com puttus, e de capitéis coríntios, e duas pilastras côncavas, formando apainelados decorados com motivos fitomórficos relevados, que se prolongam no ático em duas arquivoltas com a mesma decoração, unida no sentido do raio, a interior com puttus atlantes e a exterior com cartelas, sendo a do fecho maior; as pilastras possuem frontalmente mísulas com imaginária; ao centro, abre-se nicho em arco de volta perfeita, interiormente com cúpula e apainelados decorados com elementos fitomórficos relevados, albergando mísula de dois registos com imaginária; ático em frontão interrompido, sustentado por anjos atlantes, e tímpano ornado de acantos e puttos, encarnados; o lado do Evangelho, apresenta no banco painel com representação das Almas e o do lado oposto apainelado com motivos fitomórficos. Altares tipo urna com frontal em talha dourada, decorado com acantos enrolados e cartela central, com monograma AM (Evangelho) ou mitra (Epístola), e moldura ornada de acantos e puttus, encarnados.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Viana do Castelo)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ALFAIATE: Francisco Xavier Barbosa (1824). ARQUITECTO: André Soares (1765) (atr.); João Soares (Capela do Calvário). CARPINTEIRO: Félix Gomes (1805); Manuel Inácio (1805). ENGENHEIRO: Michel L’École (1683). ENTALHADOR: Álvaro José Pereira de Faria (1805). PEDREIROS: Domingos Afonso (1683); Domingos de Carvalho (1683); Felipe Afonso (1683); Jerónimo Afonso (1683); Mateus Soares (1683); Silvestre Martins (1683).

Cronologia

1372 - fundação da igreja pelo abade de Sabadim; 1515, 2 Junho - Foral de D. Manuel I, designando-a de Arcos de Val de Vez; 1541 / 1549, entre - constituição da freguesia de Salvador numa parte da região de Guilhafonxe; 1683 - escritura de obrigação para a reedificação da Igreja Matriz pelo abade Nuno dos Guimarães de Brito, os deputados da obra da matriz e os mestres pedreiros Domingos Afonso, Jerónimo Afonso e Felipe Afonso (moradores em Balugães e Barcelos) e Domingos de Carvalho (morador em Braga), os quais se comprometeram a executar a obra de acordo com os apontamentos feitos por Michel L’École; a obra, no valor de 1.150$000 rs, iniciar-se-ia pela frontaria até à capela-mor, onde fariam a tribuna como determinava a planta; 1683, 23 Fevereiro - escritura de fiança feita pelos mestres pedreiros Silvestre Martins e Mateus Soares, naturais da freguesia de São Martinho de Balugães, Viana, e assistentes em Arcos na obra da Matriz, com Manuel Martins, marchante que se encontrava preso; 1690 / 1700 - reedificação da igreja por mercê de D. Pedro II, à custa dos direitos de sal, sobre as ruínas de uma igreja mais antiga, onde permanecia instalada a freguesia do Divino Salvador, criada entre 1541 e 1549; esta possuía revestimento azulejar, talha, destacando-se o frontal do altar-mor com relevo policromo representando a Última Ceia; séc. 17, final / séc. 18, início - colocação do retábulo-mor; 1709 / 1710 - douramento do arco triunfal, do retábulo e do tecto da capela-mor a feitura do "taburno" da capela-mor, onde estavam as imagens do Senhor Morto e de Nossa Senhora das Dores, expensas da Confraria do Santíssimo Sacramento; 1754 - a Mesa do Santíssimo Sacramento encomenda um novo dossel para a tribuna do retábulo-mor, visto o antigo estar deteriorado; 1755 - a Mesa do Santíssimo Sacramento decide ampliar a tribuna para receber mais luz; 1758 - a igreja tinha cinco altares: o altar maior, do padroeiro, o da capela do Senhor, o da Capela de Santo António, o retábulo colateral da Epístola dedicado a São Brás e o do Evangelho a Nossa Senhora dos Remédios; tinha seis Irmandades: a do Senhor, a de São Brás, a de Nossa Senhora do Rosário, a de Santo António, a das Almas e a da Senhora da Conceição; o pároco da igreja era de apresentação do Visconde de Vila Nova de Cerveira e tinha de renda 300$000; 1765 - construção da capela do Calvário no lado S., atribuída a André Soares; 1767 - renovação dos templos de Arcos de Valdevez; séc. 18, 2ª metade - feitura dos retábulos de talha e pinturas; 1803 - intervenção no camarim da tribuna, por não estar decente, por decisão da Confraria do Santíssimo Sacramento e a expensas de todas as que usufruíam da capela-mor para fazer exposições do Santíssimo, durante o sagrado Lausperene, a Semana Santa e, outros dias de festa; 1805 - o provedor da comarca autoriza a intervenção no camarim da tribuna do retábulo-mor, com risco encomendado ao entalhador Álvaro José Pereira de Faria; na obra trabalharam os carpinteiros Félix Gomes e Manuel Inácio; 1806 - nas Regalias da Confraria do Santíssimo Sacramento surge a referência à campanha de douramento de 1709 / 1710; 1809, 7 Abril - durante a inspecção feita ao destacamento francês, instalado na Casa do Terreiro, levada a cabo pelo General Miller, o General José António Botelho de Sousa Vasconcelos deteve dois franceses, condenados a fuzilamento, que teve lugar na parede da igreja voltada para o Campo D. Luís; 1823 - remodelação e reparação do camarim da tribuna do retábulo-mor, por se encontrar em muito mau estado de conservação, dizendo-se até, no Livro dos Acórdãos da Confraria do Santíssimo Sacramento, estar em ruína; 1824 - conclusão do camarim da tribuna do retábulo-mor, execução de um pavilhão para a tribuna, e forro do sacrário, pelo alfaiate Francisco Xavier Barbosa; 1845 - segundo os Inquéritos Paroquiais, a freguesia do Divino Salvador tinha 246 fogos e 949 indivíduos; 1849 / 1850 - a Confraria do Santíssimo Sacramento manda pintar as escadas e colunas da capela-mor, conserto do forro do tecto da mesma e das portas da tribuna; 1898 - Exposição de Arte Antiga Ornamental, em Viana do Castelo.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada; frisos, cornijas, pilastras, molduras dos vãos, escadaria e coruchéu em cantaria de granito; grades metálicas; portas de madeira com chapa metálica; sanefas, retábulos e púlpitos em talha dourada e policroma; pintura sobre tela; teia em pau santo; vidros simples; pavimento em lajes de cantaria de granito e em soalho; cobertura em telha de aba e canudo; algerozes e cata-vento metálico.

Bibliografia

PEREIRA, Félix A., Estudos do Alto Minho, Lisboa, 1914; GOMES, José Cândido, Terras de Valdevês, Arcos, 1899; AURORA, Conde d’, Roteiro da Ribeira Lima, Porto, 1959; ALVES, Padre Francisco Manuel, Portugal, Trás-os Montes, Exposição Portuguesa de Sevilha, Lisboa, 1929; SMITH, Robert C., A Talha em Portugal, Lisboa, 1963; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Alto Minho, Lisboa, 1987; ALMEIDA, José António Ferreira de, Tesouros Artísticos de Portugal, Porto, 1988; MECO, José, Azulejaria Portuguesa, Lisboa, 1989, s.a.; OLIVEIRA, Eduardo Pires de, Estudos sobre o século XVIII em Braga, Braga, 1993; CALDAS, Eugénio de Castro, Terra de Valdevez e Montaria do Soajo, Memória Monográfica do concelho de Arcos de Valdevez, Câmara Municipal de Arcos de Valdevez; 1994; OLIVEIRA, Eduardo Pires de, Riscar em Braga no século XVIII e outros ensaios, Braga, 2001; CARDONA, Paula Cristina Machado, A actividade mecenática das confrarias nas Matrizes do Vale do Lima nos séc. XVII a XIX, vol. 3, Porto (Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Departamento de Ciências e Técnicas do Património), 2004; IDEM, A actividade artística das confrarias no vale do Lima, (pp.138-143), in Monumentos, nº 22, Março de 2005; Breve Inventário Artístico do Concelho de Arcos de Valdevez, Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, s.d., CM Arcos de Valdevez, www.cm-arcos-valdevez.pt ., 17 Maio de 2006.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

Paróquia: 1963 - colocação de telha não patinada na cobertura na Igreja Matriz, sem conhecimento da DGEMN; 1968, 16 Janeiro - a Secção Norte da Direcção dos Serviços e Monumentos Nacionais informa que a Câmara de Arcos de Valdevez enviou ofício a 29 de Maio de 1967 confirmando nova pintura da telha sem se cumprir a exigência de ser tinta matizada; 1970, 6 Maio - o arquitecto-chefe da Secção Norte da Direcção dos Serviços dos Monumentos Nacionais informa a DGEMN que o pároco, apesar de anteriormente ter assumido o compromisso de alterar a telha, não cumprira o fez; 2013, 7 novembro - publicação de Anúncio n.º 5490/2013, DR n. 216, 2ª série, relativo à reabilitação da Igreja Paroquial de Arcos de Valdevez, pela Fábrica da Igreja Paroquial de Arcos de Valdevez (Salvador), no valor de 650000.00 euros.

Observações

*1 - DOF: Igreja matriz de Arcos de Valdevez, incluindo os azulejos tipo "tapete" e os retábulos de talha.

Autor e Data

Paula Noé 1992 / Marta Ferreira 2006

Actualização

 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login