Paço de Siqueiros

IPA.00002166
Portugal, Viana do Castelo, Ponte de Lima, Gondufe
 
Arquitectura residencial, barroca. Solar barroco do tipo casa-torre, de grande simplicidade de linhas. A solução planimétrica da torre ao centro da ala residêncial é a menos empregue. É especialmente que vemos maior ritmo, conseguido pelas aletas do cunhal, merlões piramidais e colocação de pedra de armas. A fachada poente do solar e as casas dos caseiros conservam a aparência baixa, irregular e mais modesta. Segundo Francisco de Vasconcelos (1982), as paredes mestras do interior foram em tempos idos paredes exteriores, tal como algumas portas, notando-se ainda pedras que serviram anteriormente noutros locais.
Número IPA Antigo: PT011607280026
 
Registo visualizado 268 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre  Casa nobre  Tipo torre

Descrição

Planta rectangular profunda, composta por ala residencial e torre quadrangular central sensivelmente avançada. Volumes escalonados com cobertura diferenciada em telhado de 4 águas, sendo mais baixa na fachada posterior. Frontespício com cunhais de cantaria na ala residencial e aletas na torre; ala residencial de 2 pisos, rasgados regularmente no 1º por janela rectangular e porta, e no 2º por 3 janelas de guilhotina. A entrada principal, ao nível do 2º piso da ala residencial, faz-se directamente para a torre, mais alta, com porta simples encimada por 2 janelas, também de guilhotina, enquadrando pedra de armas; precedida por escada de 2 lanços, em cujo vão se abriu portão largo. Sobre a cornija gárgulas de canhão e o coroamento é feito por merlões piramidais. Sobre o muro do pátio, enconsta-se ao cunhal esquerdo outra pedra de armas.

Acessos

Gondufe, Rua da Igreja

Protecção

Categoria: IM - Interesse Municipal, Decreto nº 129/77, DR, 1.ª série, n.º 226 de 29 setembro 1977

Enquadramento

Rural, isolado, implantação harmónica. Caminho entre pinheiros transversal à EN. e depois de percurso com latada, o Paço de Sequeiros ergue-se ao fundo de um pátio fechado, tendo no lado direito pequeno tanque encimado por nicho com imagem de Santo António. Virado a nascente, com soberba vista sobre o vale do Lima, é envolvido por terrenos de cultivo.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Residencial: casa

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Época Construção

Séc. 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 12 - Como prémio pelos serviços prestados, D. Afonso Henriques dá ao seu Alferes-mor, D. Egas Fajes, a terra de Sequeiros; 1305, cerca - o 5º Senhor da torre de Sequeiros, D. João Rodrigues, morre em Algeciras; c. 1330 - João Lourenço Redondo, casado com sua prima D. Guiomar Gonçalves, 7ª Senhora da propriedade, constroi junto à torre vasto palácio e manda esculpir o seu brasão na torre, que reedifica; 1386 - ali vivia Gonçalo Anes de Sequeiros, filho legitimado por D. João I em 1427 e, segundo Francisco de Vasconcelos, foi ele e sua esposa quem fundou a "casa forte de Sequeiros"; seu descendente, Gonçalo de Sequeiros teve 2 filhos: João de Sequeiros que, em 1460 ou 1470 vendeu a quinta ao galego Rui Fernandes de Luna e fugiu para a galiza por ter morto pessoa importante, e Martim de Sequeiros, cuja neta Ana casou com o Senhor da quinta, a qual assim regressou à geração de Sequeiros; 1552, 11 Dez. - por seu testamento, Diogo de Sequeiros e Abreu (14º Senhor) ordena que em sua casa sucedesse sempre o filho mais velho, quer fosse varão ou fêmea, disposição que favoreceu sua filha e que causou desavenças com os irmãos; 1613 / 1772 - a quinta esteve dividida em casas e campos pertencentes a vários donos: a casa de Gaspar Vaz, a de Damião Vaz, a de Angela Ferraz e a de Jerónimo Ferraz; 1660 - durante as Guerras da Restauração, foi saqueado e incendiado pelos soldados do Conde do Prado por julgarem que na torre se tinha acolhido Diogo de Caldas Barbosa, parente próximo dos senhores do solar e que militava no exército espanhol, como capitão do forte São Luis Gonzaga; séc. 17, meados - a torre estava muito arruinada, achando-se então reduzida a "muita pedra e pouco aposento"; 1702 - caiu uma das suas paredes, danificando a casa anexa; 1721 - extinguindo-se a descendência de Damião Vaz, os seus bens (com torre de Sequeiros) foram herdados pelos sucessores de Jerónimo Ferraz; 1737 - herdaram também a casa que tinha pertencido a Angela Ferraz; 1772 - João António de Sousa Rebelo de Castro e Melo compra a parte das casas e quinta que pertencera a Gaspar Vaz, assim concluindo a reunificação da quinta; foi o último Senhor do Solar, e ficou famoso na região pelas caçadas aos lobos que organizava; 1789 - depois do casamento, a sua filha Helena Josefa de Sousa Pereira de Castro e Melo, reconstruiu toda a actual parte nascente do Solar, onde mandou colocar pedra de armas; 1845 / 1855 - data do oratório da casa; 1915 - Francisco de Vasconcelos Sousa Castro e Melo construiu o canto NO. da casa, fechou o terreiro com muros de nascente a S., refez soalhos, restaurou os tectos de masseira e fez novas escadas de acesso ao 2º andar da torre; 1955 por sua morte, os bens estiveram indivisos por 17 anos.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada; pilastras, frisos, cornijas, molduras dos vãos e outros elementos em cantaria de granito; portas e caixilharia de madeira; cobertura de telha.

Bibliografia

AZEVEDO, Carlos de, Solares Portugueses, Lisboa, 1969; GUERRA, Luís de Figueiredo, Torres Solarengas do Alto Minho, sep. de O Instituto, vol. 72, nº4, Coimbra, 1925; SILVA, António Lambert Pereira da, Nobres Casas de Portugal, vol. 2, Porto, s.d.; VASCONCELOS, Francisco de, O Couto de Gondufe. Apontamentos para a sua História in Arquivo de Ponte de Lima, vol. 3, Braga, 1982, p. 157 - 196; idem, Paço de Sequeiros: Uma casa que completa 600 anos in Arquivo de Ponte de Lima, vol. 5, Braga, 1984, p. 71 - 95; VASCONCELOS, Francisco de, três lapsos de um Investigador sobre o Paço de Sequeiros in Estudos Regionais nº 15, Viana do Castelo, 1994, p. 159 - 168.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

O brasão da torre tem o campo esquartelado pelas armas dos Sousas (do Prado), Vasconcelos, Sequeiros e Castro, com Coronel de nobreza, e foi ali colocado em 1789. O encostado ao cunhal da casa data de c. 1861 e veio da casa de Santa Ana (hoje demolida) em Azurara, Vila do Conde.

Autor e Data

Paula Noé 1992

Actualização

 
 
 
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