Torre de Atalaia

IPA.00002126
Portugal, Bragança, Vimioso, Vimioso
 
Atalaia de transição, de planta circular e paramentos com escarpa exterior em talude, construída numa região fronteiriça e possivelmente integrada no sistema defensivo de Vimioso. É de difícil definição cronológica e integração tipológica, não só devido à ausência de referências documentais anteriores ao séc. 19, como também devido à ruína que sofreu e ao facto de não estar íntegra, mas com o remate incompleto e algo artificial e recente, em parapeito simples. O tipo de aparelho empregue parece apontar, no entanto, para a sua execução já na época moderna, integrando-se nas fortificações de transição devido à pendente dos paramentos. Ao contrário do que alguns autores chegaram a afirmar não possui fosso ou vestígios de o ter tido.
Número IPA Antigo: PT010411140004
 
Registo visualizado 211 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Atalaia    

Descrição

Planta centralizada, circular, regular e simples, sem cobertura. Paramentos com escarpa exterior em talude, formado por fiadas horizontais de alvenaria de pedra miúda, bastante irregular, intercalada com placas de xisto, predominantemente aparente, mas com algumas zonas revestidas a argamassa. A estrutura, com cerca de 6 m de altura, integra, especialmente a NO., algumas condutas para drenagem das águas e termina em parapeito simples. Sobre o afloramento rochoso dispõe-se a NE. escada de acesso, em ferro, de dois lanços e dois patamares, com guarda também em ferro, surgindo o último patamar sobre o parapeito, e possuindo dois degraus já no interior da torre, assentes em estrutura de cantaria. No topo, apresenta pavimento em terra, com vegetação rasteira de onde sobressaem três afloramentos rochosos, tendo, descentrado, orifício quadrangular profundo, com paramentos em cimento e cantaria.

Acessos

Bairro da Atalaia. VWGS84 (graus decimais) lat.: 41,587290; long.: -6,522931

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 40 361, DG, 1.ª série, n.º 228 de 20 outubro 1955

Enquadramento

Peri-urbano, isolado, no exterior da vila e a NE. da mesma, num cabeço com cerca de 755 m de altitude. Implanta-se sobre amplo afloramento rochoso, consistindo num filão de prismas de quartzo branco *1, com orientação N. - S., adaptado à sua morfologia e ao declive do terreno. Do topo desfruta-se amplo panorama sobre a região circundante e a vila de Vimioso. Nas imediações, implanta-se, a S., o denominado Bairro da Atalaia, de habitação social, de promoção camarária, e a Escola Primária da Atalaia, sendo a torre enquadrado por campos de cultivo.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: atalaia

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Época moderna (conjectural)

Arquitecto / Construtor / Autor

EMPREITEIRO: Oliveira, Pereira e Valente, Ldª. (1982). FIRMA: Protecnil - Sociedade Técnica de Construções Ldª (2006).

Cronologia

1186 - D. Sancho I troca uma herdade em Ledra pela vila do Vimioso, no território do Castelo de Algoso, que era parte da fronteira de Trás-os-Montes; 1509 - Duarte d'Armas desenha o Castelo de Vimioso, a vila e uma forca num outeiro próximo, mas nenhuma torre nas cercanias da mesma; 1516, 05 março - concessão de foral por D. Manuel I; 1758, 17 abril - o pároco Baltasar Choa não faz qualquer referência à existência de uma atalaia ou torre nas Memórias Paroquiais da freguesia, aludindo apenas, em termos de arquitetura militar, a um castelo muito antigo, arruinado porque o "demuliu e queimou o inimigo nas guerras passadas"; 1762 - destruição do castelo de Vimioso pelo Conde de Sarraia, general espanhol, durante a invasão a Portugal; séc. 18 - época provável da construção da atalaia; 1804, 29 outubro - decide-se em sessão de Câmara "que se pusessem trincheiras de pedra e barro em todas as entradas e saídas para esta vila que estão feitas de pedra e barro de sete quartas batidas que todas as pessoas devem concorrer que se nomeiem inspectores para cuidarem na obra" (cit. in ALVES, Francisco Manuel, AMADO, Adrião Martins, p. 214); 1890, cerca - Pinho Leal refere a existência de uma atalaia a E. de Vimioso, de que resta uma torre muito sólida com alguns metros de altura que, segundo ele, deveria ser anterior à nossa monarquia e talvez de ocupação árabe e goda, vendo-se ainda em volta dela restos "d'um grande fosso, o qual tudo leva a crer que houve ali um castro romano" (p. 1469); séc. 20, 1ª metade - Francisco Manuel Alves, conhecido como Abade de Baçal, refere os "restos de uma torre e de um fosso", junto à qual se realizava o mercado de gado (vol. 10, p. 303), considerando a torre da atalaia uma "construção roqueira que se integrava no sistema defensivo medieval desta vila" (vol. 9, p. 756); 1946, 30 setembro - visita do Abade de Baçal e de Adrião Martins Amado à atalaia, os quais referem que de "nenhum jeito lhe vi de castro, nem de cerâmica, nem tradição de moradas aí encontradas, nem muros, nem fossos ou outros quaisquer indícios indicativos de circuito fortificado pelo teor dos castros" (p. 212) *2; pelo lado S. a torre tem uns 12 metros de altura e por nascente"guarneciam-lhe a entrada grandes rochedos que, ligados por muro, lhe garantiam fácil defesa provisória em caso de apuro" (p. 213); no lado mais fraco notam-se covas espaçadas de umas às outras que sugerem fossos defensivos da atalaia, como restam noutras atalaias, por exemplo, nas que circuitavam Bragança" (p. 213); 1951 - existe marco geodésico sobre a atalaia.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria de pedra miúda bastante irregular, intercalada com placas de xisto, argamassa; cimento; escada e respetivas guardas em ferro.

Bibliografia

ALVES, Francisco Manuel (Abade de Baçal) - Bragança. Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança. 2ª ed.. Bragança: Câmara Municipal de Bragança / Instituto Português de Museus - Museu Abade de Baçal, 2000, vol. 9, pg 756 e vol. 10, pg. 303; ALVES, Francisco Manuel, AMADO, Adrião Martins - Vimioso Notas Monográficas. Coimbra: Junta Distrital de Bragança. 1968; CAPELA, José Viriato, BORRALHEIRO, Rogério, MATOS, Henrique - As Freguesias do Distrito de Bragança nas Memórias Paroquiais de 1758. Memórias, História e Património. Braga: 2007; LEAL, Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho, FERREIRA, Pedro Augusto - Portugal Antigo e Moderno. Lisboa: Livraria Editora de Tavares Cardoso & Irmão, 1890, vol. 12; Vimioso. Boletim Municipal. Vimioso: Município de Vimioso, novembro 2004, nº 1; Vimioso. Boletim Municipal. Vimioso: Município de Vimioso, junho 2006, nº 4. Vimioso. Boletim Municipal. Vimioso: Município de Vimioso, agosto 2007, nº 5; Torre da Atalaia, Carlos Luís M. C. da Cruz (http://fortalezas.org/?ct=fortaleza&id_fortaleza=1219), [consultado em 20-09-2013]; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/74107 [consultado em 11 janeiro 2017].

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN: DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN: DSID, SIPA

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN: DSID

Intervenção Realizada

DGEMN: 1980 - o imóvel está em estado de absoluto abandono, notando-se o evidente estado de ruína, necessitando de diversos trabalhos de consolidação, arranque de vegetação e arborização daninha, causadora, em parte, do seu estado precário; para o efeito, pensa-se ser necessário despender-se uma verba de 200 contos; 1982, 17 fevereiro - memória descritiva dos trabalhos de beneficiação considerados indispensáveis: consolidação da fundação, aproveitamento da alvenaria de pedra existente, fornecimento de alvenaria em falta, consolidação das superfícies envolventes; elevação do coroamento da muralha derrocada à altura a indicar pela fiscalização; regularização do pavimento interior, com colocação de drenagem, colocação de brita bem batida, camada de "tout venaut", com pequena percentagem de cimento; acabamento de todas as juntas de modo idêntico ao dos paramentos antigos existentes; limpeza geral de vegetação no piso interior e na envolvente, com melhoria dos acessos aos coroamentos; posteriormente a obra é adjudicada a Oliveira, Pereira e Valente, Ldª; CMVimioso: 2004 - realojamento de cerca de 15 famílias que vivem na zona da Atalaia e da Escola em casas pré-fabricadas, em habitações sociais a construir no novo loteamento de São Vicente; 2006 - requalificação urbana da zona envolvente da atalaia, pelo Gabinete Técnico Municipal (GTM); tal implicou uma intervenção arqueológica com vista a salvaguardar eventuais vestígios, ainda que esta não se tenha mostrado frutífera; a limpeza e consolidação de alguns elementos da muralha e do terreno envolvente, nomeadamente a recuperação de algumas espécies arbóreas e arbustivas existentes, remoção da estrutura elétrica aérea (postes e cabos) passando-a a subterrânea; execução de novo sistema elétrico de projetores para realização de iluminação cénica da muralha; execução de estrutura metálica de acesso ao topo da atalaia; construção e reorganização de acessos; 22 dezembro - apresentação na Câmara Municipal do auto de receção provisória da obra de recuperação da zona da Atalaia, adjudicada à firma Protecnil - Sociedade Técnica de Construções Ldª.

Observações

*1 - O quartzo branco do afloramento rochoso, sobre o qual se construiu parcialmente a atalaia, costuma estar associado a fenómenos hidrotermais, estando, neste caso específico, provavelmente, associado a umas "pedras quentes" de cuja existência há testemunhos locais. *2 - Contudo, os autores referem que "embora pudesse ter servido de castelo roqueiro medievo" (pp. 212, 213).

Autor e Data

Paula Noé 2013

Actualização

 
 
 
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