Igreja Paroquial de Lavandeira / Igreja de Santa Eufémia / Igreja de São Salvador

IPA.00002113
Portugal, Bragança, Carrazeda de Ansiães, União das freguesias de Lavandeira, Beira Grande e Selores
 
Arquitectura religiosa, maneirista e barroca. Igreja paroquial de planta longitudinal composta por nave antecedida por alpendre fechado, capela-mor mais estreita e baixa e torre campanário adossada ao lado direito. Fachada principal em empena, rasgada por portal de verga recta rematado em friso e cornija e ladeado por janelas. Fachadas circunscritas por cunhais apilastrados, firmados por pináculos, as laterais rasgadas por portas travessas e janelas em capialço. Interior com coro-alto, púlpito no lado do Evangelho, coberturas de madeira em caixotões pintados com cenas hagiográficas e retábulos de talha dourada do estilo nacional. Igreja precedida por alpendre com estrutura maneirista, ostentando colunas toscanas galbadas, estilo que se faz sentir na frontaria, com vãos rectilíneos, enquadrados por pilastras duplas que sustentam entablamento e cornija saliente, esquema que se repete nas portas travessas; contudo, a fachada sofreu obras no período barroco, como é perceptível na mísula decorada por concheados, existente no frontão interrompido. Sobre o portal N., surge um querubim e duas folhas de acanto e, sobre o posto, um escudo português evidenciando uma colocação posterior. No interior, distinguem-se as coberturas com decoração em caixotões, formando, na capela-mor, uma Árvore de Jessé, as pinturas murias a azul e branco que revestem as paredes, formando um lambrim decorativo e com cenas bíblicas. As escadas de acesso aos coro-alto e púlpito possuem, na zona posterior, painéis de madeira com elementos decorativos.
Número IPA Antigo: PT010403070011
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal irregular, composta pela nave rectangular, antecedida por alpendre, capela-mor também rectangular, mais baixa e estreita, torre-campanário e sacristia adossados ao lado direito. Volumes articulados, de disposição horizontal, com coberturas diferenciadas, em telhados de duas águas, que se prolonga a uma sobre a sacristia e de três no alpendre. Fachadas em granito aparente, com cunhais apilastrados coroados por pináculos piramidais com bola e remates em friso e cornija. Fachada principal voltada a O., marcada por alpendre sustentado por doze colunas toscanas, galbadas, em granito e assentes num muro, com 1,38 m. de altura, que circunscreve o espaço quadrangular e é amparado internamente por poiais em toda a sua extensão, com três acessos centrais, protegidos por portas gradeadas. O interior do alpendre possui forro em madeira e a frontaria apresenta portal de verga recta, assente em duplas pilastras toscanas, sustentando entablamento, com duas flores lavradas no eixo das pilastras exteriores, as quais suportam frontão interrompido com dois pináculos laterais e, no centro, nicho moldurado em granito, tendo, na sua base, a legenda "S. / EVFEM / IA". O portal é ladeado por duas janelas rectangulares, gradeadas, rematadas por cornija, friso com fresta de arejamento e cornija saliente. À direita da fachada, torre-campanário com dois registos demarcados pelo friso saliente, o primeiro cego e o segundo rasgado por duas sineiras em arco de volta perfeita e, ao centro, um relógio; remata em cruz latina e dois pináculos boleados. Fachada N. com portal sensivelmente a meio do volume da nave, com acesso por pequeno degrau a acusar o desnível do terreno e com características semelhantes ao da fachada principal; no tímpano, dois acantos encimados por querubim; surge, ainda, uma janela em capialço e moldurada. O volume da cabeceira é rasgado por janela rectangular, igualmente moldurada. Fachada S. com a sacristia rasgada por janela jacente rectangular, gradeada e moldurada, tendo, na face O. porta de verga recta, igualmente moldurada. No volume da igreja, portal lateral idêntico aos anteriores, bastante alteado e com acesso por degraus, de dupla pilastra e entablamento, sobre o qual surge o escudo português. O acesso ao campanário é processado por porta moldurada, rasgada no primeiro registo do lado E. e, superiormente, estrutura de betão e ferro; no primeiro registo do lado S., uma janela de sacada com parapeito em ferro, assente em modilhões ondulantes e a moldura do vão é saliente, interrompendo o friso do remate. Fachada posterior cega no volume da capela-mor, ostentando, no da sacristia, vestígios de um vão de volta perfeita, actualmente entaipado. INTERIOR com pavimento em madeira e cobertura em falsa abóbada de berço abatido, igulamente de madeira, assente em cornija entalhada com consolas equidistantes e caixotões pintados com motivos hagiográficos: Evangelistas e cenas da vida de Cristo e da Virgem. Paredes totalmente revestidas com pinturas murais a azul e branco, também com cenas bíblicas e lambril de acantos, enrolamentos. A ladear os portais, pias de água-benta concheadas. Coro-alto de madeira formando arco em asa de cesto, com guarda balaustrada e acesso por escadas no lado da Epístola, tendo no corpo posterior painel de madeira com pinturas de acantos decorativos. No lado do Evangelho, arco de volta perfeita com a imagem de roca do Senhor dos Passos e púlpito quadrangular, assente em mísula, com vestígios de douramento e guarda plena de madeira, com marmoreados fingidos com reserva central de concheados; escadas de acesso em madeira com guarda balaustrada, tendo, no corpo posterior, apainelado de madeira com pinturas decorativas. No lado da Epístola, retábulo de talha dourada. Arco triunfal de volta perfeita assente em pilastras pintadas, ladeado por retábulos de talha dourada e policromada, dedicados aos Sagrados Coração de Jesus e de Maria, os quais se prolongam em arquivoltas, envolvendo o arco triunfal. Capela-mor também com pinturas murais a azul e branco e cobertura em falsa abóbada de berço de caixotões pintados, representando uma Árvore de Jessé. Retábulo-mor de talha dourada, de planta recta e três eixos divididos por colunas torsas com pâmpanos, formando tribuna central, em arco de volta perfeita e trono, e dois painéis com mísulas lateralmente. As colunas prolongam-se em arquivoltas formando o ático. Sacristia com tecto de caixotões pintados e arcaz encimado por vão pleno pintado com motivos concheados.

Acessos

Largo de Santa Eufémia

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 45/93, DR, 1.ª série-B, n.º 280 de 30 novembro 1993

Enquadramento

Urbano, a meia-encosta, o imóvel situa-se num amplo largo, de pendor inclinado, que tem habitações de um e dois pisos em granito e com reboco. O adro está circunscrito por muro baixo que arranca da fachada E., na cabeceira, e termina ao nível da fahcada N. do alpendre. Várias árvores de grande porte rodeiam o imóvel.

Descrição Complementar

Retábulo do lado do Evangelho, de planta recta e um eixo circunscrito por colunas de fuste liso, composto por nicho de volta perfeita e espaldar projectado com decoração de rendilhados e pequenas pilastras laterais. Altar em forma de urna. Retábulos colaterais são semelhantes, de planta recta e um eixo com colunas torsas decoradas com pâmpanos, com mísula central envolta por friso a formar volta perfeita, encimado por friso e cornija. As colunas prolongam-se, embora de forma deficiente, sobre o arco triunfal, unidas no sentido do raio, formando painéis decorados com acantos. No tecto da capela-mor, treze caixotões representando: Jessé com inscrição - "ARVORA DOS.DOZE / TRIBOS DECENDENTES / REIS.DEJA CCE" -, Salomão, Osias, Acaz, Roboão, David, Ezequias, Joatão, Jorão, Josafat, Asa e Abias. A rematar, a Virgem com o Menino.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Bragança - Miranda)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 17 - construção do imóvel; séc. 17 / 18 - execução da cobertura da nave e estruturas retabulares; séc. 18 - decoração dos vãos exteriores; 1734, 6 Abril - transfere-se para o imóvel a paróquia, sob a invocação de São Salvador; séc. 19 - provável constituição da Irmandade de Santa Eufémia; 1987, 12 Fevereiro - despacho de classificação do imóvel, como IIP; as coberturas interiores encontravam-se em péssimo estado de conservação; 1988, 19 Fevereiro - o proprietário solicita apoios financeiros para o restauro das coberturas; 1989, 20 Fevereiro - num ofício da DGEMN, é referida a necessidade de intervir nas instalações eléctrica e sonora; verificou-se ser necessário rever o remate da torre-campanário, para a instalação dos pesos do relógio.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Granito na estrutura, campanário, molduras, cruzes, pináculos, base do púlpito; madeira nas portas, coro-alto, retábulos, imaginária, coberturas; telha de aba e canudo; betão no campanário; ferro na guarda do campanário; vidro simples.

Bibliografia

AGUILAR, José, Carrazeda de Ansiães e seu termo. Esboço e subsídios para uma monografia, Carrazeda de Sansiães, 1980; Bragança, Julho-Setembro de 1992, pp. 221-240; CORDEIRO, Olga Telo - Um milhão e meio de euros para recuperar património do Vale do Tua. Jornal Nordeste. 03 fevereiro 2015; Dicionário enciclopédico das freguesias, vol. 3, Matosinhos, 1997, pp. 64-65; PEREIRA, Henrique Manuel S., A Árvore de Jessé. Um exemplar da Igreja da Lavandeira, Brigantia, vol. XII, n.º 3; RODRIGUES, Helder, A festa de Santa Eufémia de Lavandeira. No contexto socio-económico e cultural de Carrazeda de Ansiães: passado e presente, Braga, 2002; SOUSA, Fernando de e PEREIRA, Gaspar Martins, Alto Douro, Lisboa, 1988; TAVARES, Virgílio, Conheça a nossa terra. Carrazeda de Ansiães, s.l., 1999; Câmara Municipal de Ansiães, www.cm.cansiaes.espigueiro.pt, 2001.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

Séc. 20 - arranjo da torre-campanário; década de 50 - colocação do soalho na nave sobre o piso primitivo, constituído por lajes sepulcrais; década de 60 - renovação do revestimento da cobertura, com colocação de telha cerâmica do tipo duplo; retoque da pintura da nave por técnicos da escola de Braga; 1964 - colocação da porta gradeada no alpendre; 2015 - previstas obras de recuperação da igreja, no âmbito das medidas compensatórias do Aproveitamento Hidroelétrico de Foz do Tua (AHFT), numa parceria da Direção Regional de Cultura do Norte e da Agência de Desenvolvimento Regional da Vale do Tua (ADRVT), com o financiamento da EDP.

Observações

Autor e Data

Ernesto Jana 1994 / Paula Noé 1996 / Marisa Costa 2001

Actualização

 
 
 
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