Igreja e Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Alcácer do Sal

IPA.00002111
Portugal, Setúbal, Alcácer do Sal, União das freguesias de Alcácer do Sal (Santa Maria do Castelo e Santiago) e Santa Susana
 
Arquitetura religiosa, nanuelina, maneirista e tardo-barroca. Igreja e hospital de misericórdia de construção quinhentista, reformados no séc. 17 e na segunda metade do séc. 18. Igreja de estrutura maneirista, composta por nave e presbitério, interiormente com iluminação axial e bilateral e cobertura em falsa abóbada de berço. A fachada principal termina em empena e é rasgada por eixo de vãos, o portal, talvez ainda do séc. 16, mas de modinatura maneirista, com verga reta entre pilastras sustentando entablamento com brasão entre aletas e pináculos, o janelão do séc. 18, de verga tripartida, e o vão e óculo superior, ainda mais tardios, talvez da segunda metade do 18 ou já do 19, com cornija contracurva entre aletas e concheados. A fachada lateral esquerda é sobreposta por sineira e na oposta rasga-se porta travessa manuelina com moldura formando arco canopial, fresta de capialço e janela retilínea do séc. 18 / 19. No interior, as paredes da nave são parcialmente revestidas com azulejos de padrão policromo, da segunda metade do séc. 17, que, segundo Santos Simões poderão ser provenientes do Mosteiro de Ara Coeli (v. IPA.00029976), encimados por apainelados de estuques oitocentistas, que se prolongam pela cobertura. Possui coro-alto, sobre colunas toscanas, e, no lado do Evangelho, púlpito sobre bacia circular, ambos maneiristas mas com guarda em talha tardo-barroca, e a teia de pau-santo e balaústres de mármore que delimita o presbitério é também maneirista. Os retábulos colaterais, o revestimento da capela da parede testeira e nicho que a encima e o retábulo-mor foram executados na segunda metade do séc. 18, em talha pintada e dourada tardo-barroca, de grande unidade decorativa, tendo os primeiros planta reta e o retábulo-mor planta côncava. O sacrário em talha dourada deve ter pertencido a um retábulo-mor mais antigo, entretanto substituído. O edifício do hospital, desenvolvido à esquerda e com planta retangular irregular, criando pátio, tem fachadas de dois pisos, separados por friso, o primeiro conservando arcos de volta perfeita ou abatido, em tijolo, que também se abriam para o exterior, como era comum nos hospitais da época. A fachada principal tem portal descentrado maneirista, de verga reta encimado por friso e cornija, e o segundo piso tripartido por frisos verticais, de feitura tardia, rasgado por janelas de sacada, sobrepostas por cornijas setecentistas. No interior, destaca-se sala do segundo piso com pintura do brasão nacional no teto, barroco.
Número IPA Antigo: PT041501010013
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Edifício de Confraria / Irmandade  Edifício, igreja e hospital  Misericórdia

Descrição

Complexo formado pela igreja e hospital da Misericórdia, desenvolvido à esquerda, formado por vários corpos, volumetricamente articulados, com coberturas em telhados de duas águas, rematadas em beirada simples, criando pátio quadrangular junto à igreja. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, a principal virada a S.. IGREJA de planta retangular com nave e presbitério, exteriormente de volume simples. Fachada principal com cunhal direito em cantaria, e terminada em empena, com friso e cornija de argamassa, coroada por cruz latina em ferro sobre acrotério e por grandes urnas nos cunhais, horizontalizados. É rasgada por eixo de vãos, formado por portal, de verga reta, entre pilastras almofadadas, sobre plintos, também almofadados, coroados por urnas relevadas, e sustentando entablamento, com coroa de espinhos no friso, sobreposto por aletas inscritas, enquadrando escudo inserido em cartela; superiormente abre-se janela de verga tripartida, com moldura côncava, vão mais estreito, de arco abatido sobre pilastras, de argamassa, entre aletas e rematado em cornija contracurva, e óculo trilobado, flanqueado de concheados. Na fachada lateral esquerda dispõe-se, sobre a cobertura, sineira, em arco de volta perfeita, rematada em cornija reta sobreposta por espaldar recortado entre quatro pináculos. Na fachada lateral direita, abre-se porta travessa, de verga reta e moldura formando arco canopial, encimado por fresta de capialço entaipado, e janela retilínea moldurada. No INTERIOR a nave apresenta pavimento cerâmico, com coxia em cantaria, integrando lápide sepulcral, nas paredes alto silhar de azulejos policromos, formando padrão, encimado por apainelados de estuque, pintado de azul, com molduras a branco e, nas paredes laterais, com cartelas ovais contendo símbolos eucarísticos e os bustos dos Evangelistas, relevados. A decoração em estuque estende-se pela cobertura, em falsa abóbada de berço, sobre friso e cornija de cantaria, possuindo amplas cartelas recortadas, ornadas com colchetes, motivos vegetalistas e com a representação das Virtudes. Coro-alto em madeira de perfil contracurvo, sobre duas mísulas laterais e duas colunas toscanas, com guarda em balaustrada de talha dourada, decorada com elementos vegetalistas, assente em cornija sobreposta, ao centro, pelas armas de Portugal. O coro é acedido por porta de arco abatido a partir do lado do Evangelho. No sub-coro tem guarda-vento entalhado, delimitado por pilastras coroadas por fogaréus, e com remate recortado; do lado da Epístola, ladeia o portal pia de água benta, gomeada. Lateralmente surgem duas portas confrontantes, de verga reta, a do lado do Evangelho de comunicação com o hospital, e com inscrição. Segue-se, neste mesmo lado, púlpito de bacia curva, rematando em botão, com guarda em balaustrada, dourada, sendo acedido por porta de verga reta. Presbitério encimado por teia em pau-santo, com dois balaústres de mármores, acedido por quatro degraus centrais. Lateralmente abrem-se duas portas de verga reta e moldura simples, a do lado do Evangelho de acesso às dependências. Retábulos colaterais em talha pintada a bege e dourado, de planta reta e um eixo. Na parede testeira abre-se capela, em arco de volta perfeita, sobre pilastras, revestido a talha pintada de bege e com motivos vegetalistas a dourado, tendo no fecho as armas de Portugal. Alberga retábulo de talha pintada de bege, com motivos dourados, de planta côncava e um eixo, definido por quatro colunas coríntias, de terço inferior marcado, que se prolongam pelo remate da estrutura em três arquivoltas, a exterior larga, formando apainelados com florões, tendo ao centro o Delta Luminoso, a intermédia lisa e a interior com denticulado e motivos vegetalistas. Ao centro abre-se tribuna, em arco de volta perfeita, fechada por tela com representação da Visitação. Sotobanco com motivos vegetalistas em apainelado. Altar paralelepipédico de madeira, e sacrário facetado, em talha dourada, com colunas torsas nos ângulos, decorado com acantos. Sobre a capela abre-se nicho, em arco abatido sobre quarteirões, ladeados de concheados, albergando no interior imagem do Crucificado. HOSPITAL de planta retangular irregular, composto por vários corpos articulados. Fachada principal de dois pisos, separados por friso, pintado de ocre, rematada em friso e cornija de argamassa e de três panos delimitados por frisos verticais ao nível no piso superior, pintados de ocre, que rematam inferiormente em motivos enrolados. No piso térreo abrem-se duas portas intercaladas por três janelas de peitoril, retilíneas, com molduras de cantaria e gradeadas, sendo o portal próximo da igreja encimado por friso e cornija reta. No segundo piso rasgam-se três janelas de sacada, em arco abatido, com moldura terminada em cornija, encimada por cornija curva, pintada de ocre, e com guarda em ferro. O INTERIOR desenvolve-se em três pisos, o térreo com dez divisões, o segundo com quinze o terceiro com três, com pavimentos em soalho, tetos em esteira de madeira ou de estuque, interligados por escadas de madeira ou de cantaria. No piso térreo, o vestíbulo, descentrado, possui na parede frontal arco abatido, a partir do qual se desenvolve escada para o piso superior; as várias dependências têm comunicação por amplos arcos de volta perfeita ou abatido, de tijolo. No segundo piso existe ampla sala, com cobertura em falsa abóbada de berço, e uma outra com teto de madeira, pintado com o brasão de Portugal. O pátio interior, para onde dão as fachadas dos vários corpos, rasgados por vãos essencialmente de verga reta, apresenta parte de silhar de azulejos de padrão policromo (P-605), e uma escada de ferro e madeira, de dois lances, de acesso ao coro-alto, por porta de verga abatida; no pavimento existe friso de cantaria com embrechados.

Acessos

Rua Rui Salema; Rua do Hospital Velho; Rua do Hospital; Travessa do Hospital Velho (Travessa da Misericórdia)

Protecção

Em vias de classificação (Homologado como IM - Interesse Municipal, Despacho de 15 abril 1991) (igreja)

Enquadramento

Urbano, disposto de gaveto no Núcleo urbano da cidade de Alcácer do Sal (v. IPA.00027702), adaptado ao declive do terreno, tendo adossado à fachada lateral esquerda do hospital o Edifício da Farmácia da Misericórdia (v. IPA.00007389) e à fachada posterior vários corpos articulados, que com outras construções formam pátio em L, vedado por alto muro e com portão em ferro. O portal da igreja e o do hospital são acedidos por escada comum de seis degraus. Na mesma rua, ergue-se a O. o Solar dos Salemas (v. IPA.00003421).

Descrição Complementar

As aletas sobre o portal axial da igreja têm a inscrição "BTI. MIES. QM. IPSI." e "MIAZ. Q, SEQVET". Retábulos colaterais de estrutura semelhante, de talha pintada de beje e dourado, de planta reta e um eixo definido por duas colunas de fuste estriado e terço inferior marcado, e capitéis coríntios, sustentando entablamento com friso ornado de folhas de acanto e denticulado, sobre o qual se desenvolve o remate em espaldar recortado, definido por aletas e cornija, coroada por pináculos, decorado com festão e tondo com Coração Inflamado (Evangelho) ou Cravos (Epístola). Ao centro abre-se nicho, de perfil curvo, com porta envidraçada. Sotobanco ornado de motivos fitomórficos. Altar tipo urna com cartela central.

Utilização Inicial

Religiosa: edifício de confraria / irmandade

Utilização Actual

Religiosa: igreja de confraria / irmandade / Funerária: capela mortuária

Propriedade

Privada: Misericórdia

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: Pedro da Cunha Paredes (2000). PINTOR: Flamengo (1895).

Cronologia

1530 - fundação da Santa Casa da Misericórdia de Alcácer do Sal, sob a invocação de Nossa Senhora da Misericórdia, por D. Rui Salema, Comendador e Fidalgo da Casa Real de D. Manuel I e criado do Infante D. Luís; 1547 - construção do hospital, essencialmente com esmolas, sendo Provedor João Nunes; séc. 17, 2ª metade - época provável da colocação dos azulejos do silhar da nave e da escada do pátio; séc. 18 - provável reforma da fachada principal da igreja, com abertura dos vãos superiores e execução da talha dos retábulos, nicho, guarda do coro-alto e do púlpito; 1895 - feitura dos estuques e da pintura da abóbada por Flamengo, pintor setubalense; estuques; 1957 - inauguração do novo Hospital da Misericórdia, no Olival do Coronel, fazendo-se acordo com Emília Vila Boim Jacob para albergar no antigo hospital, a título precário, 22 idosos do então Asilo José Godinho Jacob, custeados pelos usufrutuários da Herdade dos Cachopos, também doada à Santa Casa da Misericórdia de Alcácer do Sal; 1969 - sismo provoca estragos na igreja; 2000 - levantamento arquitetónico para as obras de restauro pelo arquiteto Pedro da Cunha Paredes.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria de pedra e tijolo rebocada e pintada; cunhal direito da igreja, molduras dos vãos, presbitério, colunas e outros elementos em cantaria calcária; guardas em ferro; bacia do púlpito e pia de água benta em mármore; silhar de azulejos policromos; decoração em estuque pintado e relevado; guarda do coro-alto, do púlpito e retábulos de talha pintada e dourada; guarda-vento em talha; teia de pau-santo; balaústres de mármore rosa; pavimento cerâmico, de cantaria e de madeira; tetos de madeira, um deles pintado, e de estuque; cobertura de telha.

Bibliografia

CORREIA, Virgílio - "Alcácer do Sal (esboço de uma monografia)". In Obras. Coimbra: 1974, vol. IV; PEREIRA, Esteves, RODRIGUES, Guilherme, Diccionário. Lisboa: 1904, vol. I; Santa Casa da Misericórdia de Alcácer do Sal, Fundada em 1530. Alcácer do Sal: 1998; SIMÕES, J. M. dos Santos - Azulejaria em Portugal no século XVII. 2.ª ed.. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1997, tomo 1.

Documentação Gráfica

Santa Casa da Misericórdia de Alcácer do Sal: Arquivo Central

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN:DSID, DGEMN:DRML, SIPA; Santa Casa da Misericórdia de Alcácer do Sal: Arquivo Central

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN:DSID, DGEMN:DRML; Santa Casa da Misericórdia de Alcácer do Sal (documentação a partir do séc. 16)

Intervenção Realizada

DGEMN: 1969 - trabalhos de conservação dos danos causados pelo sismo; PROPRIETÁRIO: 1998 / 1999 - trabalhos de beneficiação do exterior (pintura) e impermeabilização das coberturas; 2000 - obras gerais de recuperação e adaptação do edifício do hospital; DGEMN / PROPRIETÁRIO: 2001 - obras de recuperação / conservação no interior: estuques, azulejaria e pintura.

Observações

Autor e Data

Paula Noé 2014

Actualização

 
 
 
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