Casa de António Joaquim Novais Coutinho

IPA.00020941
Portugal, Braga, Fafe, Fafe
 
Casa unifamiliar oitocentista, inserida no contexto da chamada "Casa de Brasileiro", de planta trapezoidal, com corpo rectangular adossado à fachada posterior, com três pisos e volumetria vertical. Fachadas viradas à rua revestidas com azulejos industrial relevado, com padrão policromo com as cores da bandeira do Brasil, rasgada amplamente por vãos, nos registos superiores, a maioria em sacada, com bandeiras decoradas e no último registo, sacada contínua a percorrer a fachada principal e laterais. Remate em platibanda decorada, com urnas nos extremos. Interior organizado em torno da escadaria central, de madeira, iluminada por clarabóia ornada com estuque decorado e coruchéu de vidro policromo. Piso térreo com vestíbulo de distribuição para espaços usados com espaços comerciais, segundo piso com salas e salão e último piso com quartos, destinado inicialmente a uma pensão.
Número IPA Antigo: PT010307090038
 
Registo visualizado 554 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial unifamiliar  Casa    

Descrição

Planta composta por corpo principal trapezoidal, prolongado parcialmente na fachada posterior por outro, rectangular e estreito. Coberturas diferenciadas em telhados de duas, três e quatro águas e parcialmente em terraço no corpo estreito. Sobre o telhado, na vertente E., ergue-se clarabóia coberta por coruchéu de vidro policromo. Virada à fachada principal encontra-se trapeira. Fachadas de três registos no corpo principal e dois no corpo estreito. Remates em cornija, nas fachadas principal e laterais encimadas por platibanda vazada, com urnas nos extremos e elevada no eixo da fachada principal por meia rosácea. Fachada principal virada ao largo, a O., revestida a azulejos industriais de padrão fitomórfico, relevado, policromo a amarelo, creme, verde e azul, combinados em xadrez de ritmo diagonal, possuindo um deles a data de "1882" e o monograma do construtor, com embasamento e enquadrada por cunhais apilastrados em granito. É rasgada por vãos de verga recta, correspondendo a quatro portas, no primeiro registo, a do extremo esquerdo convertida em janela, no segundo a quatro janelas de sacada, com remate em cornija e no último registo a outras quatro janelas, com sacada única que se prolonga para as fachadas laterais, encimadas por ornato granítico com acantos e volutas. As sacadas são em ferro forjado ornamental com pintura prateada. Madeiras das portas e pintados a branco. As bandeiras das janelas formam arco pleno, com acanto central. Fachada lateral N. revestida com azulejo igual ao da fachada principal, rasgada por quatro portas no primeiro registo, duas actualmente usadas como janela, ostentando, no segundo, duas janelas de sacada ao centro flanqueadas por uma janela de peito de cada um dos lados e, no terceiro registo, por quatro janelas que se abrem para a sacada que atravessa as três fachadas. Fachada lateral S. dividida em três panos. No do extremo esquerdo é rebocado e pintado a amarelo no primeiro registo, e revestido a azulejo igual ao das outras fachadas nos registos superiores. Apresenta porta no eixo do primeiro registo, janela de peito no eixo do segundo que é encimada por janela de sacada no último registo abrindo para a sacada que percorre as fachadas. O pano central, rebocado e pintado a amarelo, apresenta porta e janela no primeiro registo, duas janelas no segundo e uma janela no eixo do terceiro. O pano do extremo direito, correspondendo ao corpo estreito, apresenta dois registos encimados por corpo recuado. É em aparelho granítico com as juntas pintadas a branco, e possui porta e janela jacente no primeiro registo, janela no segundo, e uma janela no corpo recuado, sobre o telhado. Fachada posterior rebocada e pintada de amarelo e em aparelho granítico com as juntas pintadas, no extremo direito. Corpo estreito com porta no primeiro registo e janela abrindo de sacada no segundo. No INTERIOR, o corpo principal é, ao nível do primeiro piso, actualmente ocupado por espaços comerciais aos quais se acede pelas portas rasgadas nas fachadas O., N. e S.. O acesso à escadaria interior, em madeira, de seis lanços, iluminada pela clarabóia, em torno da qual se organiza a planta do edifício, faz-se por uma das portas que se abrem na fachada principal, à esquerda do eixo. A clarabóia, com estuque pintado a branco e profusamente decorada, ornada com festões, animais fantásticos, motivos geométricos, mascarões e ornatos vegetalistas destacados do plano de fundo. A luz é coada por vidros policromos. Acede-se a um vestíbulo comprido e estreito, com duas portas laterais e um vão central, que conduz às escadas, com ombreiras e verga em granito, de arco abatido, porta em madeira lavrada e bandeira em vidro policromo. As madeiras dos vãos são pintadas a castanho. O tecto é em estuque decorado e pintado a branco. O piso intermédio é ocupado pelo Club Fafense, possui grande salão aberto para a fachada principal. Um arco abatido marca uma separação simbólica criando um espaço diferenciado no ângulo NO.. As paredes receberam pintura a azul claro, os tectos, em estuque ornamental com motivos vegetalistas estilizados, a castanho claro, cor que se repete nas madeiras dos vãos. Em ambos os lados da escadaria central, para N. e para S., situa-se uma sala, uma delas destinada ao bilhar, com paredes pintadas a bege e tecto em estuque branco, tendo o corpo estreito do edifício sido ocupado pelo bar e pelo vão das escadas que estabelecem a ligação com a porta que se rasga no primeiro da fachada N.. Um pequeno avançamento para E. deu lugar aos actuais sanitários. O último piso, actualmente ocupado por uma escola de línguas e correspondendo à antiga Pensão Peninsular, dispõe de um anteparo de madeira em redor do vão da escada, com porta em madeira. Seis portas abrem para a galeria que envolve o vão da escada. Mantêm-se as madeiras dos vãos interiores, pintadas a castanho. Os vãos exteriores mantêm apenas as madeiras das bandeiras. São pintados a branco e as portadas a castanho. Paredes e tectos, com pintura a branco, sofreram alterações resultantes da adaptação a escola. O pavimento, em madeira, foi também alterado no interior das salas. Para E., e ocupando o corpo estreito do edifício, situam-se os sanitários com remodelação recente mas na mesma localização dos anteriores sanitários da pensão.

Acessos

Largo 25 de Abril, n.º 5; Rua de António Saldanha

Protecção

Enquadramento

Urbano, implantação em gaveto, com as fachadas N., O. e S. abrindo directamente para a rua, adossado parcialmente, a E., na fachada posterior a prédio de construção recente de quatro pisos. Fronteiro encontra-se o Largo 25 de Abril, em quota mais baixa, com ajardinamento central. Na proximidade a NE. as casas de Fortunato José de Oliveira (v. PT010307090039 e PT010307090040), a N., do outro lado do largo, a Casa de Joaquim Mendes da Costa Franco e a Casa Martins da Avenida (v. PT010307090041 e PT010307090055), e a SO. a Casa de António Joaquim da Silva, Álvaro Monteiro Vieira de Castro, José António Martins Guimarães e José Alves de Freitas (v. PT010307090044, PT010307090035, PT010307090034 e PT010307090031).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: casa

Utilização Actual

Educativa: escola / Cultural e recreativa: associação cultural e recreativa / Comercial: loja

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1882 - Data inscrita num azulejo da fachada principal comemorando a construção da casa por António Joaquim Novais Coutinho, nascido em 1836, avô das actuais proprietárias, emigrado no Brasil, filho de João Novais Coutinho e Maria Antunes, naturais de Estorãos, Fafe, e casado com Elisa Novais Coutinho; a casa construída sobre uma pré-existente é inicialmente apenas utilizada como habitação de férias e pensão; permanecendo os proprietários no Brasil, acabaram por arrendá-la integralmente; 1888 - falecimento de António Joaquim Novais Coutinho; a casa é herdada por uma filha casada com Álvaro Cortez Pedruço, escrivão da Repartição de Finanças de Fafe; o casal não deixa descendentes e a casa é vendida ao Dr. Manuel Leite Marinho, emigrante no Brasil; 1901 - aprovação dos estatutos do Club Fafense; 1903 - arrendamento de parte do edifício ao Club Fafense; séc. 20, década de 90 - o último piso foi ocupado por Escola de Formação;1994 - proposto como Imóvel de Interesse Local pelo PDM de Fafe, DR 224/94, 1ª Série B, de 27 de Setembro.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Estrutura, embasamento, cunhais, molduras dos vãos, platibanda, elementos decorativos e sacadas, em granito; portas, janelas, pavimentos e escadaria, em madeira; coruchéu da clarabóia em vidro policromo; fachadas principal e laterais com azulejos industrial; tectos em estuque trabalhado; guardas das sacadas em ferro forjado; cobertura em telha de aba e canudo.

Bibliografia

MONTEIRO, MIGUEL, Fafe dos Brasileiros (1860-1930), Perspectiva histórica e patrimonial, Fafe, 1991, 204-205.

Documentação Gráfica

CMF: Departamento de Planeamento Municipal, Planta do Clube Fafense, escala 1/100

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Proprietário: 1950, cerca de - Reparação do telhado; obras diversas de recuperação; séc. 20, década de 90 - remodelação dos espaços comerciais e último piso.

Observações

Autor e Data

Alexandra Lima e Paulo Dordio 2003

Actualização

 
 
 
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