Casa de José Alves de Freitas
| IPA.00020933 |
| Portugal, Braga, Fafe, Fafe |
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| Casa oitocentista. Casa urbana inserida no contexto da chamada "Casa de Brasileiro", de planta quadrangular, com três pisos. Fachada principal virada à rua, amplamente rasgada por vãos em arco pleno, com três panos delimitados por pilastras, portal ladeado por janelões gradeados correspondentes ao vestíbulo, portas nos extremos e remate em platibanda com balaustrada, urnas e estatuária em barro. Fachada posterior desprovida de decoração, virada a pequeno jardim murado. Interior com vestíbulo de distribuição para a escadaria central, lojas e escritórios. Escadaria em madeira com clarabóia com vidros pintados, enquadrada por tecto com decoração de estuque. Segundo piso com salões, sala de jantar e cozinha, terceiro piso com quartos, e águas-furtadas com quartos de criados e arrumos. Tectos de estuque trabalhado, por vezes pintado, paredes pintadas e revestidas a papel, lambris e portas de madeira com acabamento de escaiola, pavimentos em soalho e parquet. |
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| Número IPA Antigo: PT010307090031 |
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| Registo visualizado 458 vezes desde 27 Julho de 2011 |
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Edifício e estrutura Edifício Residencial unifamiliar Casa
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Descrição
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| Planta quadrangular, massa simples de dominante vertical. Cobertura em telhado de quatro águas, com trapeira virada à fachada principal, clarabóia circular com coruchéu de vidro e larga chaminé virada à fachada lateral S.. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com três registos. Fachada principal a E., virada à rua, com embasamento, frisos a dividir os registos e três panos enquadrados por pilastras. Remate em larga cornija encimada por platibanda, vazada por óculo circular, lateralmente, com balaustrada ao centro. É encimada nos extremos por urnas e a delimitar a balaustrada duas estátuas alegóricas em barro. A fachada é amplamente rasgada por vãos em arco pleno, emoldurados por pilastras, com demarcação no fecho. Pano central com três vãos, em cada registo, e laterais com um vão. No primeiro registo abre-se porta, no eixo, flanqueada por dois janelões de contorno ovalado, com gradeamento em gelosia, e duas portas laterais. Os vãos do pano central apresentam moldura recortada. No segundo registo as janelas são de sacada, as dos panos dos extremos à face e as do pano central com sacada contínua, assente em modilhões. Último registo com janelas com gradeamento no parapeito. No primeiro registo as portas receberam pintura a castanho e nos outros registos os caixilhos são em madeira pintada de bege. Fachada posterior a O., desprovida de decoração, com remate em beiral. Primeiro registo com galeria rasgada por três arcos plenos, segundo com cinco vãos, com sacada corrida, sendo o central porta de acesso abrigada por pequeno alpendre de betão. A sacada prolonga-se para a fachada lateral S. na qual se abre porta. No terceiro registo rasgam-se cinco janelas. Todas as janelas da fachada são de guilhotina. No INTERIOR, a porta principal dá acesso a vestíbulo de recepção para o qual abrem-se quatro portas, uma em cada uma das paredes laterais, dando acesso a dois compartimentos onde funcionaram escritórios *1, e duas fronteiras, conduzindo uma às restantes dependências deste piso térreo, cinco lojas destinadas fundamentalmente a tulhas, arrumos e um sanitário *2 e outra à escadaria que leva aos pisos superiores. As paredes do vestíbulo receberam pintura a amarelo, os vãos, de arco pleno e ombreiras apilastradas, são em granito, o tecto é em estuque ornamental, com data inscrita de "1886" e o monograma "JAF", o pavimento em grés com padrão geométrico em tons de castanho e amarelo. Escadaria de madeira, com balaustrada, de quatro lanços opostos, em torno da qual se organiza o espaço nos dois pisos superiores. Sobre a escadaria, iluminando-a, abre-se a clarabóia com lanternim em vidro policromo e ornada a estuque trabalhado com decoração de grinaldas, besantes, cartelas com motivos fitomórficos, e enquadrada por consolas ornamentais. No primeiro piso situam-se, abrindo para a fachada principal, salão e escritório. O pavimento é parquet, alternando o tom escuro e o claro, as paredes revestidas a papel imitando tecido adamascado, e os tectos são em estuque ornamental, integrando festões e motivos geométricos e fitomórficos estilizados. Para a fachada oposta abre galeria coberta, de remodelação posterior, que antecede a sala de jantar ornada com tecto em estuque pintado em tons de castanho a imitar madeira, com motivos de caça e naturezas-mortas. Num dos extremos da galeria, uma pequena copa, e no outro, um sanitário. A cozinha, de dimensões modestas, desenvolve-se para S. da sala, apresentando grande chaminé. As paredes têm silhar de azulejos industriais brancos, mantém alguns azulejos de origem. O último piso é ocupado por quartos, três virados à rua e os restantes desenvolvendo-se em torno da escada. Nos extremos da galeria, também existente no último piso, situam-se sanitário, de um lado, e sala de banho, do outro. Na generalidade das divisões do primeiro e segundo piso as portas são em madeira com acabamento de escaiola, em tons de castanho, bem como os lambris, e os espelhos e puxadores, de secção circular, decorados com aplicações de marfim. As paredes em torno da escadaria central receberam também acabamento a escaiola imitando mármore. O sótão alberga três quartos, pequenos espaço de arrumos e antigo depósito de água, em lousa. |
Acessos
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| Rua Monsenhor Vieira de Castro, n.º 26 |
Protecção
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Enquadramento
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| Urbano, destacado em altura, adossado lateralmente a N. à antiga Casa de José António Martins Guimarães (v. PT010307090034), e a S. a casa renovada. Fronteiro encontra-se a Casa de Álvaro Monteiro Viera de Castro (v. PT010307090035). Na proximidade, a E. as casas de António Joaquim da Silva, António Joaquim Novais Coutinho e Fortunato José de Oliveira (v. PT010307090038, PT010307090039, PT010307090040 e PT010307090044), a N. a Casa de Joaquim Mendes da Costa Franco e a Casa Martins da Avenida (v. PT010307090041 e PT010307090055) e a S. as casas de José Luís Mendes de Oliveira e Castro e José Florêncio Soares e o Cine-Teatro de Fafe (v. PT0103007090011, PT010307090030 e PT010307090009). Junto à fachada posterior, a O, desenvolve-se o antigo jardim da casa, fechado por muro de alvenaria de granito. |
Descrição Complementar
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| O jardim alberga um conjunto de anexos: a casa da barrela, fumeiro e doçaria, e pequenos currais. Também um poço e um tanque, de reduzidas dimensões, para a demolha do bacalhau. Flanqueando a casa, pelo lado S, situa-se a fossa de origem. Pequeno portão no lado N. guarda comunicação com a Casa de José António Martins Guimarães, construída alguns anos antes, e cujos proprietários eram familiares directos. |
Utilização Inicial
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| Residencial: casa |
Utilização Actual
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| Residencial: casa residencial e comercial |
Propriedade
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| Privada: pessoa singular |
Afectação
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| Sem afectação |
Época Construção
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| Séc. 19 |
Arquitecto / Construtor / Autor
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| Desconhecido. |
Cronologia
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| 1885 - Data existente na fachada principal, alusiva à construção da casa, a mando de José Alves de Freitas, nascido em 1850, natural de Vale do Bouro, em Celorico de Basto, filho de Victorino António de Freitas e de Rosa Maria de Freitas, e casado com Adélia Martins Monteiro, filha de José António Martins Guimarães e de Maria das Dores Monteiro Viera de Castro; foi emigrante no Brasil, no Pará, onde se dedicou ao negócio da borracha *3; a casa foi construída no terreno do quintal da casa do sogro; 1886 - data existente no tecto do vestíbulo principal, alusiva à construção do mesmo; 1900 - aquisição na Exposição Internacional de Paris da mobília da sala de jantar, bem como a do quarto do ângulo NE. do 2º piso; 1918, 25 Julho - morre José Alves de Freitas; 31 Julho - morre Adélia Martins Monteiro; 1994, 27 Setembro - proposto como Imóvel de Interesse Local pelo PDM de Fafe, DR 224/94, 1ª Série B, de 27 de Setembro. |
Dados Técnicos
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| Paredes autoportantes |
Materiais
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| Estrutura de alvenaria, embasamento, pilastras, molduras dos vãos, cornija e platibanda de remate da fachada principal e urnas, em granito; estátuas da fachada principal em barro; sacadas e alpendres da fachada posterior em betão; portas, janelas da fachada principal, pavimentos, escadaria, em madeira; clarabóia em vidro policromo; tectos em estuque decorado e pintado; vestíbulo com pavimento em grés; cozinha e casas de banho com azulejos industriais; janelas da fachada posterior em alumínio; guardas das sacadas em ferro forjado; cobertura em telha marselha. |
Bibliografia
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| MONTEIRO, MIGUEL, Fafe dos Brasileiros (1860-1930), Perspectiva histórica e patrimonial, Fafe, 1991, p. 172-175. |
Documentação Gráfica
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Documentação Fotográfica
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| IHRU: DGEMN/DSID |
Documentação Administrativa
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Intervenção Realizada
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| Proprietário: 1960, anterior a - Pintura a bege das caixilharias de madeira cuja cor original era azul claro; 1960, década - remodelação da fachada posterior com substituição das madeiras dos vãos que, viradas a oeste, não perduraram, e com inclusão de galerias cobertas no segundo e terceiro registos; 2003 - obras no telhado, com substituição de telhas e de apenas algumas ripas de madeira; pintura de todas as caixilharias e portadas de madeira. |
Observações
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| *1 - estes dois espaços estão hoje alugados funcionando como estabelecimentos comerciais; *2 - segundo informação do proprietário, o espaço deste sanitário era usado como receptor de desperdícios dos sanitários dos pisos superiores; *3 - José Alves de Freitas foi um importante capitalista, proprietário do vapor também com o seu nome, vereador da câmara, mesário e provedor do Hospital de Fafe (v. PT010307090024). |
Autor e Data
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| Alexandra Lima e Paulo Dordio 2003 |
Actualização
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