Piscinas de Marés de Leça da Palmeira

IPA.00020880
Portugal, Porto, Matosinhos, União das freguesias de Matosinhos e Leça da Palmeira
 
Piscina de água salgada, construída na década de 1960, em linguagem modernista, que se destaca pela integração harmoniosa na paisagem marítima, sem deixar de se afirmar a artificialidade da obra, assumindo frontalmente o carácter artificial, que o rigor das formas geométricas e do betão à vista salientam. Construída sobre as rochas e estruturada ao longo do muro da praia de forma linear, sem criar ruturas volumétricas, a piscina é abastecida pela maré-alta e convida à contemplação da paisagem marítima.
Número IPA Antigo: PT011308050053
 
Registo visualizado 4049 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Cultural e recreativo  Piscina  Piscina de maré  

Descrição

Planta retangular, irregular, construída sobre as rochas e estruturada ao longo do muro de delimitação da praia, de forma linear. O acesso é feito por um percurso disciplinado pela presença dos muros de "betão bruto", ao longo do qual algumas transgressões da ortogonalidade e linearidade dominantes induzem o olhar para pontos focais da paisagem. Sob o muro desenvolvem-se as várias estruturas de apoio.

Acessos

Leça da Palmeira, Avenida da Liberdade

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto nº 16/2011, DR, 1ª série, n.º 101, de 25 maio 2011 / ZEP, Portaria nº 608/2012, DR, 2ª série, nº 206, de 24 outubro 2012 *1

Enquadramento

Marítimo, sobre as rochas, desenvolve-se de forma linear, paralela à Avenida da Liberdade a ao mar, enquadrando-se harmoniosamente na paisagem.

Descrição Complementar

"Um ano depois [da cooperativa do Lordelo em 1960] elabora o projeto para a piscina de Leça. Como diz Pedro Vieira de Almeida, " a criação de uma piscina construída exigia uma caracterização do ambiente, que a fixasse como imagem mas ao mesmo tempo exigia que embora pudesse ser afirmado o volume construído este não pudesse formar uma barreira que impedisse o contacto da estrada com o mar". Com um volume desenvolvido linearmente, adossado à parede que vence o desnível entre a plataforma da referida estrada e a praia, consegue-se "esta simultânea afirmação e negação"; inscrita naquela plataforma uma longa rampa de acesso anuncia a estrada. O edifício estrutura-se em percursos paralelos de sentido inverso; a zona de vestiários funciona como charneira destes movimentos determinantes. A partir da entrada o contato visual com o mar perde-se gradualmente, à medida que se desce a rampa; apenas será retomado quando desempenhadas as diferentes operações necessárias - aquisição de bilhetes, troca de roupa, seu depósito, passagem pelo lava-pés - o utente é transportado já para junto dos rochedos da praia. Espaços com diferente carácter marcam uma sequência de pausas neste trajeto. A rampa vai ganhando largura até junto da bilheteira, ainda a descoberto; um complexo jogo de corredores muito caracterizado pelo baixo pé-direito, pela luz muito condicionada e pelo emprego de uma forte estrutura de madeira tratada com aparente dureza, constitui a zona dos vestiários; retomar-se-á de novo o ar livre num espaço fortemente iluminado que define extensa passagem entre muros de betão a impedir ainda a visão do mar; o fim deste percurso assinala-se por um lava-pés, cuja cobertura condiciona de novo a luz. Determina-se assim uma última pausa antes de se contactar a praia. O tratamento epidérmico e, mais ainda, a organização plástica do espaço proposto, sem recurso a qualquer efeito que não tenha estreita correspondência com os materiais empregues e com as funções a que se destina, obedecem aos critérios de "verdade objectividade e justa expressão do material e dos processos construtivos" que integram o suporte teórico da corrente "brutalista" (FERNANDEZ: 137-138).

Utilização Inicial

Cultural e recreativa: piscina

Utilização Actual

Cultural e recreativa: piscina

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: Álvaro Siza Vieira (1961-1966).

Cronologia

1961 - Data do projeto inicial, da autoria do arquiteto Álvaro Siza Vieira, que previa a construção de um bar no limite sul da piscina, mas que acabou por não ser realizado; 1966 - conclusão da construção da piscina, com projeto do arquiteto Álvaro Siza Vieira, no local onde existia um viveiro de lagostas; 2004 - a piscina encontra-se bastante destruída e votada ao abandono; 2004, 05 fevereiro - despacho de abertura do processo de instrução relativo à classificação da piscina; 2017 - a Câmara Municipal de Matosinhos anuncia a vontade de reabilitar a piscina; 2019, 15 janeiro - o Município aprova em reunião camarária a realização de obras de recuperação da piscina, com o valor base de 943 mil euros, mais IVA, prevendo-se a sua conclusão no prazo de 11 meses; abril - a Câmara aprova a adjudicação das obras de requalificação da piscina, à Sociedade Edilages, S.A., pelo valor de 928.874 euros, a que acresce o IVA, as quais irão contemplar a requalificação dos edifícios, muros, espaços públicos pertencentes à piscina; 2019 - 2021 - a obra de restauro da responsabilidade de Siza Vieira, acompanhada pela FAUP, constitui a reabilitação dos tanques, áreas de balneários e pavimentos. A obra foi financiada pelo programa Keeping It Modern da Getty Foundation. Em 2020, a proposta da equipa da Universidade do Porto foi contemplada com uma bolsa de cem mil euros para apoiar a investigação sobre o restauro e conservação do betão e o desenvolvimento de um plano de gestão de conservação para o complexo (exposição Nenhum Sítio é Deserto, FAUP, Gulbenkian, Casa da Arquitetura, 2023).

Dados Técnicos

Estrutura autónoma.

Materiais

Estrutura de betão.

Bibliografia

ALVES, Virgínia - «IPPAR rende-se ás obras de Siza». In Jornal de Noticias. Porto: 09 fevereiro 2004, p. 23; Porto 1901 - 2001. Guia de Arquitectura Moderna. Porto: 2001.; Arquitetura Moderna Portuguesa 1920-1970, IPPAR, 2004, pp.276-277; FERNANDEZ, Sérgio, Percurso Arquitetura Portuguesa 1930-1974, FAUP, 1988 [1985].

Documentação Gráfica

CMMatosinhos

Documentação Fotográfica

DGPC: SIPA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

*1 - A Zona Especial de Proteção é conjunta à Piscina e à Casa de Chá da Boa Nova (v. IPA.00020302). Segundo o arquiteto Alves Costa, esta obra é uma tentativa de integração no sítio, criando um mundo artificial dentro do mundo natural, como se o artificial fosse parte do natural.

Autor e Data

Patrícia Costa 2004 / Ana Filipe 2011

Actualização

 
 
 
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