Solar dos Sousa Coutinho / Palácio Landal

IPA.00002075
Portugal, Santarém, Santarém, União de Freguesias da cidade de Santarém
 
Casa nobre de 2 pisos, inicialmente com zona de serviços no térreo, zona de habitação no piso superior. Fachada rectilínea, com rasgamento simétrico e ritmado de portas-janelas com balcões com sacadas em ferro forjado, portal axial encimado por janela idêntica; fachada lateral com janelas com balcões em ferro fundido, com elementos decorativos eclécticos, bandeiras de portas no interior em arco quebrado neo-gótico
Número IPA Antigo: PT031416210038
 
Registo visualizado 180 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial unifamiliar  Casa  Palacete  

Descrição

Planta rectangular, irregular, composta pela justaposição de 2 corpos interligados por pátio central. Este conjunto edificado, inicialmente o Solar dos Sousa Coutinho, compõe-se actualmente pelo Palácio Landal, edifícios dos Armazéns Branquinho e prédio na rua Capelo e Ivens. PALÁCIO LANDAL: planta composta por corpos rectangulares adossados, rodeando um pátio. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhado de várias águas, telhado mais elevado na parte central, cobrindo torreão prismático. Fachada principal virada a NE., de 2 pisos, delimitada por cunhais em cantaria, com embasamente e remate em friso, cornija e beiral simples; piso térreo rasgado por portal moldurado de vão rectangular, no eixo central, encimado por uma composição geométrica de cantaria, pintada de branco, que o liga à janela central do 2º piso, ladeado por frestas rectangulares e vãos de montras e portas de lojas; piso superior aberto por janelas de sacada de verga arquitravada, com balcão pouco saliente e guardas em ferro (colunelos anelados); entre a 2ª e 3ª janela do lado esquerdo, um painel em azulejo neo-barroco assinala a data de nascimento de Frei Luís de Sousa. A fachada lateral direita composta por 2 corpos de 2 pisos e diferentes alturas, com embasamento e remate em beiral duplo, rasgada por portas e janelas de vão rectangular, portas-janelas com sacada e balcão de ferro fundido no piso superior; a fachada posterior, com corpos salientes, abre para um pátio. INTERIOR: o portal dá acesso a átrio empedrado, com portas de comunicação para as divisões do piso térreo, originalmente ocupado por lojas e cocheiras e actualmente áreas de comércio, são ainda visíveis os arcos mestres que suportam os pisos superiores; um arco em asa de cesto dá acesso à escadaria, com patamares intermédios; do patamar central parte novo lance comunicando com as divisões posteriores e torreão; o patamar superior conduz às salas nobres intercomunicantes que abrem para a fachada principal. Estas salas tinham tectos em masseira pintados com cenas da história de Sansão e Dalila e da comedia dell'arte, os quais se encontram classificados (v. 1403020001). Actualmente essas salas têm tectos em masseira pintados de branco. EDIFÍCIOS DOS ARMAZÉNS BRANQUINHO: o acesso a estes edifícios é feito por um pátio através de ampla escadaria. Planta rectangular, irregular. Coberturas diferenciadas. Fachadas voltadas à travessa do Montalvo e para o pátio interior. Os edifícios fazem parte do solar setecentista , com prospecto igual ao do palácio Landal, com a mesma composição de janelas e portas e uma organização espacial semelhante: pisos nobres nos sobrados; antigas lojas no r/chão. INTERIOR: 1º piso ocupado por diversos inquilinos (cafés e restaurantes). Num dos cafés três arcos, sendo dois deles quebrados em cantaria e um de volta perfeita em tijoleira. No espaço ocupado por um dos restaurantes existe uma cisterna, actualmente entulhada. 2º piso ocupado pelos Armazéns Branquinho apresenta vasta sala que guarda um fogão de sala com decoração em volutas, e com porta de entrada para pequena capela, completamente descaracterizada. Algumas dependências apresentam tectos com elementos decorativos em estuque. PRÉDIO da Rua Capelo e Ivens: planta rectangular, de 3 pisos com coberturas diferenciadas. Fachadas rebocadas e pintadas no 1º piso e com revestimento azulejar em tons de azul no 2º e 3º pisos. Fachada principal delimitada por cunhais em cantaria, embasamento; remate em cornija e beiral, acima do qual se abre uma água furtada rematada por cornija e rasgada por janela com guarda em ferro; 1º piso aberto por fenestrações rectangulares; 2º piso com 4 janelas de moldura rectangular e 3º piso com varanda corrida que se prolonga para a fachada lateral esquerda.

Acessos

Largo Padre Francisco Nunes da Silva; Rua Serpa Pinto, n.º 121 a 129 e 179 a 185; Travessa do Montalto, n.º 1 a 11; Rua Capelo e Ivens, n. º102 a 108

Protecção

Em vias de classificação (Homologado como IM - Interesse Municipal, Despacho de 03 abril 1997, do Ministro da Cultura)

Enquadramento

Urbano, flanqueado por edifícios de 2 pisos. Integrado na malha urbana do núcleo histórico, deita a fachada principal para a R. Serpa Pinto, antiga rua Direita, e para um amplo largo empedrado, Lg. Pe. Francisco Nunes da Silva, no local onde outrora se erguia a Igreja do Salvador; o actual Palácio do Landal *2 e os edifícios outrora pertencentes ao solar dos Sousa Coutinho, ocupam um quarteirão que se estende da rua Serpa Pinto à rua Capelo e Ivens, percorrendo toda a travessa do Montalvo.

Descrição Complementar

Painel de azulejos com a inscrição: "NESTA CASA, SEGUNDO É VOZ, / NASCEU EM 1555 / D. MANUEL DE SOUSA COUTINHO / GLÓRIA DAS LETRAS PORTUGUESAS / QUE AO HUMILDAR-SE / NO HÁBITO DE DOMINICANO / MAIOR VULTO DEITOU NO / MESTRADO DA LÍNGUA, E PASSOU / SIMPLESMENTE A CHAMAR-SE / FREI LUÍS DE SOUSA."

Utilização Inicial

Residencial: casa

Utilização Actual

Política e administrativa: departamento municipal / Política e administrativa: junta de freguesia / Cultural e recreativa: associação cultuiral e recreativa / Cultural e recreativa: museu / Comercial: loja / Comercial: estabelecimento de restauração

Propriedade

Pública: municipal (Palácio Landal); Privada: Pessoa singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido

Cronologia

Séc. 15 - era propriedade da família Sousa Coutinho; 1555 - nasceu neste local Manuel de Manuel de Sousa Coutinho - Frei Luís de Sousa; Séc. 17, final / Séc. 18, inícios - data provável de reconstrução do palácio no local onde se erguia o solar quinhentista da família Sousa Coutinho; 1763 - data incisa no lintel de uma porta à esquerda do portal principal; Séc. 19 - o conjunto do Solar dos Sousa Coutinho foi dividido entre diferentes proprietários, tendo o palácio Landal sido adquirido por Julião Casimiro Ferreira, 1º Visconde do Landal; 2ª metade - reconstrução da ala do palácio virada para a Trav. de Montalvo; adaptação do edifício voltado à rua Capelo e Ivens, nº 104-108: revestimento azulejar das fachadas; 1915 - parte do edifício é alugado à Sociedade Recreativa Operária; 1949 - o palácio pertencia a Sebastiana Tropa Rigor; nesta altura Gustavo de Matos Sequeira alerta para a importância dos tectos existentes no palácio, "em forma de tumba pintados ao gosto do séc. 17"; 1950 - os tectos foram classificados de Imóvel de Interesse Público; 1951 - definida uma Zona Especial de Protecção dos tectos; 1961 - o proprietário, José Ribeiro Tropa, pretendia demolir o edifício, em adiantado estado de ruína, propondo então a venda dos dois tectos pintados, classificados, ao Estado ou a sua remoção para outro imóvel classificado da cidade; 1972 - na sequência da adpatação do palácio a Arquivo Histórico é autorizada a remoção dos tectos pintados para a Quinta de Santa Maria, em Benfica do Ribatejo, Almeirim, vendidos a José Joaquim da Silva Lico, desde que o Instituto José de Figueiredo se responsabilizasse pelos trabalhos de desmontagem, reassentamento e restauro; 1980 - compra do edifício a Maria Alice Vargas Tropa Rodrigues Duarte pela Câmara Municipal de Santarém; despacho de Abril propõe a classificação como imóvel de valor concelhio, somente ao Palácio Landal; 1991 - a Câmara Municipal de Santarém organiza o processo de classificação do conjunto edificado do solar dos Sousa Coutinho, que inclui o designado Palácio Landal; 1996, 27 Jan. - inauguração da Junta de Freguesia de Salvador, no edifício do palácio, conforme placa comemorativa que se encontra à entrada dos respectivos serviços.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Alvenaria de pedra rebocada e caiada em estruturas, cantaria em molduras de vãos, rodapé, cunhais e sanca.

Bibliografia

SEQUEIRA, Gustavo de Matos, Inventário Artístico de Portugal, vol. III, Lisboa, 1949; BEIRANTE, Maria Ângela, Santarém quinhentista, Lisboa, 1981; MENDES, Octávio da Silva Paes, Santarém Monumental-Roteiro, Santarém, 1988; SERRÃO, Vítor, Santarém, Lisboa, 1990; SARMENTO, Zeferino, História e Monumentos de Santarém, Santarém, 1993; CUSTÓDIO, Jorge, Candidatura de Santarém a Património Mundial (trabalho policopiado), Santarém, Biblioteca Municipal, 1996

Documentação Gráfica

DGEMN: DSID

Documentação Fotográfica

DGEMN: DSID

Documentação Administrativa

CMS; IPPAR: pº de classificação; DGEMN: DSID

Intervenção Realizada

1970 - Foram retirados os tectos originais, vendidos a um particular; 1990 - Adaptação de parte do interior para instalação da Junta de Freguesia do Salvador e de serviços camarários.

Observações

*1 DOF... Conjunto edificado do Solar dos Sousa Coutinhos que inclui o designado Palácio Landal. *2: a área ocupada pelo Palácio Landal confronta a S. e a O. com Henriqueta Amélia Gomes de Almeida e Ramiro Lieni Tavares. Segundo a tradição local, aqui terá nascido, em 1555, Frei Luis de Sousa, D. Manuel de Sousa Coutinho, a quem terá pertencido o palácio

Autor e Data

Isabel Mendonça 1996 / Cecília Matias 2005

Actualização

 
 
 
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