Igreja Paroquial de São Tiago / Igreja do Sagrado Coração de Jesus

IPA.00020624
Portugal, Castelo Branco, Covilhã, União das freguesias de Covilhã e Canhoso
 
Igreja construída na segunda metade do séc. 19, pela Companhia de Jesus, reformada na primeira metade do séc. 20, para adaptação a tribunal, e em meados da centúria, após ter sofrido um incêndio, sendo elevada a paroquial em 1969. A igreja oitocentista, construída sobre um templo medieval, dedicado a São Tiago, invocação pela qual também é conhecida, apresentava a frontaria em empena recortada, rasgada axialmente por portal e janela, em arco, encimada por nicho com imagem do orago. Em 1924, aquando da adaptação a Tribunal, a frontaria foi seccionada em dois registos, rematada em platibanda plena interrompida ao centro por espaldar contracurvo e rasgada por três portais, em arco de volta perfeita, o central maior, encimados por janelas retilíneas com frontões, a central de sacada com guarda balaustrada, sobre pilares, e as laterais de varandim, igualmente com guarda balaustrada. A fachada foi ainda decorada com heráldica nacional e municipal e a figura da Justiça. Conservava no interior coro-alto sobre colunas, integrando pias de água-benta, duas capelas laterais, e decoração em estuque relevado. Após um incêndio no templo, a Companhia de Jesus pede, em 1948, um estudo de reconstrução da igreja, ao arquiteto João Antunes mas, sob a influência da família Megre, de Águas, Penamacor, onde o arquiteto Nuno Teotónio Pereira havia projetado uma nova igreja paroquial, acaba por contratar a direção das obras a esse último. O seu projeto de reconstrução, condicionado pela necessidade de conservar a estrutura espacial da igreja e a torre, tendo-se substituído apenas a sacristia, devido à antiga ser em taipa, acaba por incidir essencialmente no arranjo da frontaria e na decoração interior. Para Teotónio a fachada não tinha características religiosas, nas formas, disposição dos vãos, e "dissimulações e excrescências", considerando as três portas "pouco cómodas e mesquinhas", "as janelas de sacada ao nível do coro, com balcão, além de não proporcionarem uma iluminação adequada, são características de um edifício público ou de uma habitação", e o remate, "além de constituir uma simulação construtiva de filiação barroca, não tem sequer a elegância das construções autênticas neste estilo" (PT NTP-TXT00134). Como tal, o seu projeto não poderia ser "uma simples depuração da frontaria", mas havia que remodelá-la completamente. Assim, projetou uma fachada em empena, com capeamento de cantaria, traduzindo a forma da cobertura, simplificou as pilastras dos cunhais e criou uma entrada ampla, que facilitasse a circulação e "resultasse convidativa e atraente", com um endonártex de linhas retilíneas, encimado por um baixo-relevo, e um conjunto de três vãos longilíneos, individualizados, para dar ao interior a luz adequada. O projeto, considerado pouco condizente com as linhas clássicas da torre sineira e não se integrando com arquiteturas afins, foi indeferido por duas vezes, levando a que a igreja tivesse sido reaberta ao culto a 10 de fevereiro de 1952 mas, só no final do ano seguinte, se conseguiria concluir a fachada, com a abertura dos três vãos. O grupo escultórico, executado pelo escultor Joaquim Correia, tem temática sugerida pelo Pe. António Fazenda e alusiva ao orago, figurando no grupo central a consagração da Covilhã ao Sagrado Coração de Jesus, e nos laterais martírios de jesuítas covilhanenses. O interior resultou pouco iluminado, apesar das capelas laterais serem encimadas por meias lunetas com grelhagem envidraçada, a que não ajudou a colocação de um lambril de madeira e a cobertura em fibras de madeira. Caracteriza-se pela depuração decorativa, possuindo coberturas curvas, coro-alto parcialmente sobre as paredes do endonártex, arco triunfal de volta perfeita, ladeado por dois altares colaterais, postos de ângulo, e púlpito de madeira, de bacia circular, encimada por guarda-voz, disposto no presbitério, junto à pilastra do Evangelho. Na capela-mor, o projeto estabeleceu o altar encimado por "baldaquino-reflector", filtrando a luz da janela da parede testeira, mas esse acabou por dar um resultado "sombriamente opaco", levando ao fecho do vão e à pintura do Sagrado Coração de Jesus, por Jaime Martins Barata, em 1957.
Número IPA Antigo: PT020503200068
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta retangular composta por nave e capela-mor, mais estreita e baixa, com torre sineira quadrangular e sacristia adossadas à fachada lateral direita, esta implantada no ângulo formado pela capela-mor e a torre sineira, e anexos na fachada oposta. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na igreja e em terraço na sacristia e anexos. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por alto soco de cantaria, circunscritas por cunhais apilastrados e rematadas em friso e cornija. A fachada principal surge virada a sudoeste, em empena, com cruz latina de cantaria no vértice, rasgada por amplo vão retilíneo, subdividido por dois pilares, formando um endonártex, fechado por porta envidraçada e portões em ferro, onde três portas acedem ao interior, e, superiormente, por três vãos estreitos e longilíneos, em arco de volta perfeita, moldurados a cantaria. Sobre o endonártex, dispõem-se três grupos escultóricos, em baixo relevo. Na fachada lateral direita, eleva-se a torre sineira, com cunhais apilastrados, firmados por fogaréus, dividida em três registos por friso e cornija, tendo, nos primeiro e segundo da face sudeste, um vão em arco abatido, e no superior, em cada uma das faces, as ventanas, em arco de volta perfeita, com fecho saliente, assente em pilastras almofadadas, prolongando-se a moldura em avental; a torre, com acesso exterior a sudoeste, por vão em arco, remata em balaustrada e possui cobertura em coruchéu bolboso. A fachada posterior da capela-mor termina em empena, coroada por cruz, de cantaria. Na sacristia, com o terraço da cobertura protegido por guarda em ferro, rasga-se porta de verga reta, encimada por janela jacente, e cinco vãos amplos laterais. INTERIOR rebocado e pintado de branco, com pavimento em tacos de madeira, a nave percorrida por lambril de madeira e com cobertura curva, de cinco panos, apainelados, assente em cornija de cantaria. Coro-alto de planta côncava, parcialmente assente nas paredes do endonártex, com guarda em ripado de madeira, acedido pelo lado da Epístola, através de vão retilíneo com porta em ferro, tipo lagarta, e, no lado do Evangelho, por porta de verga reta a partir da residência. No sub-coro, o portal central é ladeado por pias de água benta cilíndricas. No topo da nave existem capelas laterais, de verga reta e igualmente com lambril de madeira, inserida num vão em arco, de volta perfeita, formando bandeira com grelha envidraçada; as capelas são dedicadas ao Senhor dos Aflitos (Evangelho) e a São João de Brito (Epístola). O presbitério, elevado por um degrau, precede o arco triunfal, de volta perfeita, assente em impostas salientes, que prolongam a cornija da nave, sendo envolvido por inscrição e ladeado por dois altares, em cantaria de granito, dispostos de ângulo, com imaginária. Junto ao arco triunfal dispõe-se o púlpito, de bacia circular, com guarda vazada de madeira. Capela-mor elevada por dois degraus, com soco de cantaria, pavimento em tacos de madeira, revestidos a alcatifa vermelha, e cobertura em falsa abóbada de berço, de madeira, assente em cornija de cantaria. De ambos os lados, rasgam-se portas de verga reta de ligação às dependências anexas e, no lado do Evangelho, vão superior com três lumes retilíneos. Na parede testeira, surge a representação, em pinturas murais, de uma enorme imagem do Sagrado Coração de Jesus, envolvido por mandorla. Sobre o supedâneo de dois degraus de cantaria, dispõe-se o altar-mor.

Acessos

São Pedro, Rua de São Tiago; Rua Miguel Bombarda. WGS84 (graus décimais) lat.: 40,280071; long.: -7,503165

Protecção

Incluído na Zona de Proteção das Muralhas da Cidade da Covilhã (v. PT020503170010)

Enquadramento

Urbano, adossado, a meia encosta. Ergue-se adaptado ao declive do terreno, numa zona de grande pendor, com a fachada sudeste e a nordeste sobre embasamento proeminente. A fachada principal, abre para um estreito largo, rodeado por edifícios residenciais, adossando-se à lateral esquerda e prolongando-se perpendicularmente o edifício residencial da Companhia de Jesus, com frontaria de quatro pisos. Na fachada lateral direita, o portal da torre é precedido por escada, com guarda em ferro. Na proximidade erguem-se o Edifício da Caixa Geral de Depósitos (v. IPA.00011117), a Igreja da Misericórdia (v. IPA.00002507) e a Câmara Municipal da Covilhã (v. IPA.00011115).

Descrição Complementar

Os grupos escultóricos sobre o endonártex da fachada principal representam, ao centro, o Sagrado Coração de Jesus, de pé, o Pe. Nicolau Rodrigues, ao seu lado, a apresentar a cidade da Covilhã, representada por figura ajoelhada que oferece um escudo com as armas da cidade. À esquerda surge representado o martírio do Beato Francisco Álvares, que fora lançado à água com os seus companheiros, no mar das Caraíbas, a 15 de julho de 1570, e, à direita, o sacrifício do jesuíta covilhanense António de Sousa, que sofrera o tormento das covas, em Nagasáqui, no Japão, a 26 de outubro de 1633. Na nave dispõem-se, sobre o lambril de madeira, as 14 Estações da Via Sacra, formado por pequenos painéis quadrilobados, pintados. Sobre o arco triunfal existe a inscrição: "CORAÇÃO DE JESUS ARDENTE DE AMOR POR NÓS".

Utilização Inicial

Religiosa: igreja

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese da Guarda - Arciprestado da Covilhã)

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: Nuno Teotónio Pereira (1952). ENGENHEIRO: G. de Medeiros (1949). ENGENHEIRO ELETROTÉCNICO: Ernesto Borges (1949). ESCULTORES: Barata Feio (1956), Euclides Vaz (1955-1956), Graziela Albino (1954), Joaquim Correia (1950-1951). FIRMAS: Cristais de Alcobaça Ld.ª (1955), Matos Soares & Irmão, Ld.ª (1953, 1957), Wright & Companhia, Ld.ª (1949), Viseu Industrial, Ld.ª (1951). FUNDIDOR: Fundição de Arte José de Castro Guedes (1955). MESTRE DE OBRAS: Benjamim Bernardo Lobo (1950). PINTOR: Jaime Martins Barata (1954, 1955, 1957).

Cronologia

1320, 23 maio - bula do Papa João XXII concedendo a D. Dinis, por três anos, para subsídio de guerra contra os mouros, a décima de todas as rendas eclesiásticas do reino, sendo a Igreja de São Tiago e a sua capela taxadas em 35 libras; integra o termo da Covilhã e o bispado da Guarda; 1871 - a pedido dos Padres Grainhas, a Companhia de Jesus estabelece-se na Covilhã, com uma Residência no Largo de Santa Maria; posteriormente, o Padre jesuíta Nicolau Rodrigues compra a igreja medieval de São Tiago; 1873, 09 novembro - por iniciativa do Pe. Nicolau Rodrigues, a cidade da Covilhã consagra-se solenemente ao Sagrado Coração de Jesus; 1875 - início da construção de uma nova igreja sobre a de São Tiago, dedicada ao Sagrado Coração de Jesus, com coberturas abobadadas, tetos e altares da autoria de Francisco Borges Grainha; adossado, inicia-se também a construção do edifício da Residência da Companhia de Jesus; 1877, 25 dezembro - a igreja abre ao culto; 1888 - conclusão da construção da torre sineira; 1889 - montagem do mecanismo do relógio na torre; 1910 - após a implantação da República, os Jesuítas são expulsos e a igreja é utilizada como celeiro e armazém municipal e, mais tarde, como tribunal da comarca; 1924 - reforma da igreja para adaptação às novas funções; 1942, novembro - grande incêndio destrói a igreja; pouco depois, a Companhia de Jesus compra as ruínas da igreja e procura proceder à sua reconstrução; 1948 - estudo de reconstrução da igreja, do arquiteto João Antunes; 29 abril - carta do arquiteto Nuno Teotónio Pereira aceitando a direção das obras da igreja (PT NTP-TXT 00129); 05 julho - Pe. João Bernardo conta para as obras com 350 contos cedidos pela Câmara (PT NTP-TXT 00129); 19 julho - arquiteto envia estudo do restauro da igreja (PT NTP-TXT 00129); 22 julho - Pe. Bernardo informa que os elementos enviados "causaram em todos a melhor impressão" *1, e que, segundo o Pe. Visitador, a planta tem de ir a Roma para aprovação (PT NTP-TXT 00129); apenas sugere que a escada para o coro fique no lado da torre e não da Residência, porque, não tendo esta capela doméstica, a comunidade terá de reservar uma parte do coro para si e o acesso a ele terá de ser por esse lado; 13 setembro - projeto da cobertura e do teto, e de alguns arranjos interiores, com o respetivo caderno de encargos e programa de concurso (PT NTP-TXT00133 e PT NTP-TXT 00129); 20 setembro - arquiteto informa o Pe. António Fazenda *2 que a fibra de madeira prensada isolante, de 8 mm de espessura, descrita no caderno de encargos, é de 28$00/m2 e fornecida pela firma Benigno Delgado & Filhos, Ld.ª, com sede no Porto e sucursal em Lisboa (PT NTP-TXT 00129); outubro - carta do Dr. Crespo de Carvalho a sugerir algum enriquecimento da frontaria *3; novembro - data do anteprojeto de Nuno Teotónio Pereira (PT NTP-TXT00132) e início de subscrição para as obras (PT NTP-TXT 00129); 10 novembro - adjudicação da primeira empreitada das obras (PT NTP-TXT 00129); 18 novembro - arquiteto envia anteprojeto da reconstrução, constituindo "(...) um desenvolvimento do estudo apresentado há meses: as linhas gerais são as mesmas" (PT NTP-TXT 00129); 16 dezembro - o Pe. Fazenda e Teotónio Pereira, recebidos pelo Ministro das Obras Públicas, solicitam apoio financeiro para as obras da igreja; 1949, 05 janeiro - o Pe. Fazenda informa que o engenheiro da Câmara "(...) discorda do átrio aberto, vedado apenas por uma grade. (...) Opina também que a frontaria (...) devia estar mais em consonância com a torre e com a maneira de ser (não quero dizer estilo, que o não há) dos edifícios circundantes (...)" *4; o arco triunfal já está limpo, as paredes quase todas descascadas e o muro sobre a cornija está em reconstrução (PT NTP-TXT 00129); 28 janeiro - o padre informa terem recebido a sacristia *5; 09 fevereiro - os pedreiros estão a acabar a cornija (PT NTP-TXT 00129); 16 fevereiro - para o aquecimento da igreja, o arquiteto sugere "a calefacção radiante, com a instalação nas paredes ou no tecto de aparelhos eléctricos de irradiação calorífica", processo muito recente que, por não haver casa especializada no país, o leva a pedir informações e preços para Inglaterra (PT NTP-TXT 00129); 05 março - envio de desenho de alterações ao projeto da cobertura (PT NTP-TXT 00129); 10 março - sugestão do Pe. Fazenda para os relevos da frontaria *6; maio - colocação do telhado da igreja (PT NTP-TXT 00129); 03 maio - engenheiro Ernesto Borges informa as condições em que se propõe realizar o projeto da instalação elétrica, orçado em cerca de 20.000$00 mais 1.100$00 dos seus honorários (PT NTP-TXT00135); 22 maio - projeto de reconstrução - 2.ª parte *7 (PT NTP-TXT00134); 11 junho - o padre diz ter pouco dinheiro para a obra, pois a Comissão só recolhera, até ao momento, cinquenta e poucos contos e já se haviam gasto 170 (PT NTP-TXT 00129); 17 junho - procede-se à demolição da sacristia; os canteiros aparelham a cantaria para as janelas na Capinha; julho - projeto de instalação elétrica da igreja, do engenheiro Ernesto Borges e executado pela firma Wright & Companhia, Ld.ª, Lisboa (PT NTP-TXT00135); 16 julho - arquiteto envia dois exemplares do projeto de conjunto das obras da igreja; sugere a cobertura da sala de reuniões em terraço (PT NTP-TXT 00129); 02 agosto - o padre informa ter-se alinhado os alicerces na parte norte com a face posterior da capela-mor e ter estranhado a subida de preço do projeto da instalação elétrica; quanto aos confessionários, ficarão como projetados, quatro na capela do Senhor dos Aflitos, e dois na de São João de Brito (PT NTP-TXT 00129); 04 agosto - arquiteto pede para se fecharem com panos de tijolo as portas da capela-mor para a sacristia e sala de reuniões, devendo os vãos ser aproveitados para armários (PT NTP-TXT 00129); 16 setembro - o padre envia ao arquiteto urbanista João António Aguiar e chefe da Repartição Técnica Municipal o projeto para a frontaria da igreja (PT NTP-TXT 00129); 14 outubro - Câmara notifica que o pedido de licença para remodelação da frontaria da igreja fora indeferido *8; 23 outubro - o Pe. Fazenda informa o arquiteto da reprovação da Câmara e diz "(...) Estou em que mais vale conservar o disparate de 1924 (a actual fachada) de que sujeitar-nos a ingerências de estados soberanos (...)" (PT NTP-TXT 00129); novembro - resolve-se instalar na igreja aquecimento elétrico por meio de cabos colocados nos sulcos abertos na massa de cimento (PT NTP-TXT 00129); 20 dezembro - Teotónio envia o projeto definitivo da igreja e pede para inscrever na Câmara o engenheiro G. de Medeiros, assim como fizera com ele (PT NTP-TXT 00129); 1950 - comparticipação do Ministro das Obras Públicas em 120.000$00 o ano corrente e 150.000$00 em 1951 (PT NTP-TXT 00129); 25 janeiro - arquiteto informa que o projeto da instalação elétrica está a ser completado, tendo-se introduzido algumas alterações para reduzir os custos da instalação (PT NTP-TXT 00129); 03 fevereiro - o diretor dos Serviços de Urbanização do Distrito de Castelo Branco, o engenheiro Alfredo Rezende, vai ver a igreja, por ordem de Lisboa, e pede fotografias da fachada antiga e da atual com a torre (PT NTP-TXT 00129); 27 fevereiro - estão concluídas todas as paredes da sala de reuniões, assentando-se então as vigas para a capela de São João de Brito (PT NTP-TXT 00129); 17 março - Benjamim Bernardo Lobo pede os detalhes dos caixilhos dos janelões da sala de reuniões, dos degraus em pedra da teia e capela-mor, o detalhe da cantaria das portas da capela-mor para os anexos e sala de reuniões e do púlpito (PT NTP-TXT 00129); estão feitos os telhados e o teto da igreja e a placa da capela de São João de Brito (PT NTP-TXT 00129); 30 março - padre informa que a capela lateral do Evangelho não pode ser tão profunda como no projeto, por ter-se encontrado rocha viva, e nela assentar a silharia do pavilhão das escolas e que irá falar com o Ministro das Obras Públicas no dia 3 de abril para ver se ele aprova o projeto (PT NTP-TXT 00129); 11 maio - Pe. escreve ao Ministro das Obras Públicas (PT NTP-TXT 00129); 12 maio - visita as obras o Diretor dos Serviços de Urbanização de Castelo Branco com o seu adjunto e um fiscal (PT NTP-TXT 00129); 26 maio - padre agradece os desenhos dos lambris e das janelas dos anexos norte (PT NTP-TXT 00129); 21 junho - carta confidencial do Pe. Fazenda ao arquiteto dizendo que "A Câmara reprovou outra vez a frontaria e desta vez por unanimidade". (...) Nós, para evitar desgostos e melindres, oficiámos á Câmara que estando a frontaria aprovada superiormente, desejávamos construí-la. Se a Câmara esclarecia o assunto. O Presidente da Câmara foi falar com o Sr. Ministro. Parece que a Vereação, digo, a Câmara toda estava disposta a demitir-se (...)" (PT NTP-TXT 00129); 29 junho - após a Câmara ter reprovado definitivamente o projeto de reconstrução da Igreja relativo à frontaria, Teotónio escreve à Comissão de Obras a perguntar se julgam vantajoso que continue com a direção das obras, obtendo resposta positiva (PT NTP-TXT 00129); 11 julho - o arquiteto recusa-se a apresentar novo projeto sem ter documento comprovativo a reprovar o anterior; sugere a figura do Crucificado para a parede testeira da capela-mor e nas capelas laterais os lambris deviam ser colocados apenas nas paredes dos lados, deixando a do fundo lisa (PT NTP-TXT 00129); 14 julho - para o padre a pintura de um crucifixo "não diz nem significa nada", desejando antes "a incumbência dada à Compª de Jesus de propagar devoção ao SSmº Coração de N. Senhor. Figuração na pintura N. Senhor ostentando o seu S. Coração, Nª Senhora, S. Francisco mde Vales, o Beato Claudio de Colombiere e Santa Margarida Maria" (PT NTP-TXT 00129); 19 julho - está quase acabado o trabalho de pedraria na igreja, pouco mais faltando que os lambris da capela-mor; o padre Fazenda acha o teto da nave mais elegante e belo que o da capela-mor, inclinando-se a conservá-lo, dando apenas uma mão de tinta aos interstícios das placas para maior realce, pedindo parecer ao arquiteto PT NTP-TXT 00129); 25 julho - Teotónio concorda deixar o teto da nave como está (PT NTP-TXT 00129); 05 agosto - arquiteto diz ter acabado o desenho da frontaria *9; 07 setembro - padre informa terem decidido que o Crucifixo ficaria em cima do sacrário, tal como o trono para a exposição do Santíssimo (PT NTP-TXT 00129); 16 outubro - padre escreve ter recebido o 4.º estudo da frontaria e dá indicações para o sacrário (PT NTP-TXT 00129); 04 novembro - padre diz terem começado as demolições e pede indicações para a instalação de um alto-falante dentro da igreja e de outros na torre, modo de solução de microfone e fios condutores (PT NTP-TXT 00129); no mesmo dia, Teotónio pede indicações para o tema das esculturas e indica que a melhor cor para o granito dos altares é o amarelo claro do tipo da Capinha e, quanto ao sacrário, o cofre será encaixado no intervalo entre os dois ramos da banqueta (PT NTP-TXT 00129); 09 novembro - envio de desenho sobre a colocação dos alto-falantes, do engenheiro Borges (PT NTP-TXT 00129); 20 novembro - Pe. Fazenda escreve que "A aprovação da frontaria foi verdadeira. (...) estive com o secretário da Câmara, o qual me disse que podíamos começar a obra (PT NTP-TXT 00129); informa terem desistido do sistema de aquecimento, por causa dos ingleses não darem preços certos nem prazo de entrega e outros processos serem de êxito duvidoso e muito dispendiosos; queixa-se do preço dos modelos das esculturas; 03 dezembro - padre reporta que os confessionários estão muito estreitos na zona do acesso aos fiéis e precisam de porta; 03 dezembro - Teotónio transmite que o Ministério das Obras Públicas precisa aprovar a alteração devido à desistência do aquecimento e que o escultor baixará o preço das esculturas para 20 contos (PT NTP-TXT 00129); data de algumas alterações ao projeto, nomeadamente da frontaria; 1951, 16 janeiro - Comissão das Obras escreve ao Ministério das Obras Públicas sobre as alterações introduzidas no projeto (PT NTP-TXT00135); 18 janeiro - arquiteto envia desenhos das janelas da frontaria, pias, do betão armado do coro, que teve de ser modificado, do monograma do altar, guarda do púlpito e o projeto de alteração que entregara no M.O.P. (PT NTP-TXT 00129); 17 fevereiro - arquiteto envia desenhos da pala do púlpito, escada do coro e cantarias superiores da frontaria (PT NTP-TXT 00129); 07 março - arquiteto envia desenhos dos altares e das portas, docel e "chapéu" do púlpito (PT NTP-TXT 00129); 04 abril - padre informa estarem a assentar os altares, executados pela firma Viseu Industrial, Ld.ª *10 (PT NTP-TXT 00129); abril - conclusão do gesso das esculturas (PT NTP-TXT 00129); 04 maio - envio do desenho das portas de ferro do endonártex (PT NTP-TXT 00129); 26 julho - Teotónio dá esclarecimentos sobre a eletricidade, define que a porta da escada do coro seria de lagarto e envia desenhos da grade da escada da torre (PT NTP-TXT 00129); 02 setembro - padre informa que o foco para tapar a vidraça do baldaquino-reflector deu um resultado "sombriamente opaco", não deixando filtrar a luz, sugerindo tirar-se o baldaquino e empedrar a janela (PT NTP-TXT 00129); 1952, 10 fevereiro - reabertura da igreja ao culto com bênção do altar-mor pelo bispo D. Domingos da Silva Gonçalves (PT NTP-TXT 00129); 22 fevereiro - pede-se apoio ao arquiteto para a Via Sacra, dado os antigos quadros (quadrilobados) não condizerem com a igreja (PT NTP-TXT 00129); 05 maio - Pe. Fazenda envia cheque de 3.156$00 para liquidação das contas do arquiteto que, juntando aos 3.500$00 enviados anteriormente pelo Pe. J. Moreira da Cunha, totalizava 6.656$00; à data já havia pago 1.111.961$90 das obras da igreja, devendo 93.040$00 (PT NTP-TXT 00129); 1953, 07 maio - o Pe. Moreira da Cunha, substituto do Pe. Fazenda, acusa receção dos desenhos dos bancos da igreja e solicita desenho e medidas para o sacrário e baldaquino (PT NTP-TXT 00129); 22 setembro - já se havia inaugurado os novos bancos da igreja, executados pela firma Matos Soares & Irmão, Ld.ª (PT NTP-TXT 00129); 23 outubro - informa-se o arquiteto que o projeto da fachada fora aprovado, faltando apenas a comunicação oficial, pelo que urge as explicações consideradas convenientes, para fazer a obra (PT NTP-TXT 00129); 1954 - Pe. Simão escreve que "acho consignado entre as memórias dos meus antecessores que o Sr. Escultor Joaquim Correia se tinha comprometido a vir retocar os grupos escultóricos da fachada da Igreja, e que por isso estava incluído no contrato do trabalho de que ele já foi renumerado" (PT NTP-TXT 00129); 12 fevereiro - Pe. António da Silva diz estar à espera do projeto ou orçamento do sacrário, banqueta e lampadário para a Igreja, que faria uma artista conhecida dele (PT NTP-TXT 00129); 18 setembro - Pe. Simões informa não aceitar o trabalho da porta do sacrário, da escultora Graziela Albino, aludindo falta de unidade na composição, conforme o pintor António Lino e outros notaram; se a escultora não quisesse fazer novo trabalho, talvez o arquiteto ou Martins Barata, encarregue da pintura mural do altar, pudesse fazer o desenho da porta do sacrário; aceita o crucifixo e demais elementos, podendo mandá-los executar; a oficina Bernardino Inácio, de Golpilhares, Gaia, dera o orçamento de 900$00 para o trabalho de fundição da porta do sacrário, de 1.100$00 para o Crucifixo e de 1.800$00 para os 6 castiçais, faltando ainda a caixa do sacrário e lampadário; os honorários de Graziela Albino orçam 7.000$00 (PT NTP-TXT 00129); 09 novembro - padre informa o arquiteto poder encomendar o novo desenho da porta do sacrário a Maria Graziela, concordando com o orçamento de 3 contos (PT NTP-TXT 00129); 1955, 17 março - Pe. Simões informa ter encomendado duas estátuas a Euclides Vaz e gostar do desenho do arcaz, mas pede para que seja encimado por uma peça com divisões para colocação de barretes e sanguíneos em uso (PT NTP-TXT 00129); 18 abril - Cristais de Alcobaça Ld.ª informa aceitar a proposta de execução de "taças de cristal para castiçais de acordo com o desenho" (PT NTP-TXT 00129); 30 abril - Pe. Simões recebe novo desenho do arcaz (PT NTP-TXT 00129); 09 julho - arquiteto escreve à Fundição de Arte José de Castro Guedes, de Gaia, sobre as peças de bronze feitas para a igreja e pede correção da porta do sacrário (PT NTP-TXT 00129); 1956 - a Companhia de Jesus volta a viver na residência adossada à igreja, após algumas obras de restauro e conservação; modificações nos altares laterais (PT NTP-TXT 00129); 1956, 19 janeiro - envio de 557$60 para pagamento de despesas do arquiteto, informando-se também que o Mestre Martins Barata vai pintar uma Via Sacra na parede por não se gostar dos medalhões colocados a título provisório (PT NTP-TXT 00129); 09 fevereiro - Teotónio solicita os gessos do crucifixo e porta do sacrário para figurar numa exposição (PT NTP-TXT 00129); 24 dezembro - padre diz ter visto a estátua do Coração de Maria, de Euclides Vaz, pronta no seu atelier em Lisboa e que deve estar a chegar a estátua de Santo Inácio, de Barata Feio, para o altar lateral (PT NTP-TXT 00129); 1957, 16 março - Pe. Simões acusa receção dos desenhos dos bancos da missa solene, que serão executados pela firma Matos Soares, credências serpentinas e do baldaquino (PT NTP-TXT 00129); 23 novembro - padre informa que o mestre Jaime Martins Barata estivera a ultimar os preparativos da pintura do painel de fundo da igreja e ele gostara do projeto; contudo, com o início da obra "(...) levanta-se o problema da iluminação do altar e do mesmo painel", pedindo assim indicações sobre a melhor solução do problema; diz ainda que "O povo começa a gostar muito dela [igreja]. A simplicidade das suas linhas vai entrando. Ainda bem" (PT NTP-TXT 00129); 1958, 23 fevereiro - Teotónio sugere uma Via Sacra "realista e bela, talvez em cerâmica policromada, em relevo" mas, como isso não podia ser feita de momento, considera que o mais apropriado serão umas cruzes simples, de braços iguais, em madeira escura, talvez igual à do lambril (PT NTP-TXT 00129); 1959, 12 maio - Pe. Manuel Simões autoriza que o crucifixo do altar-mor da igreja possa figurar na exposição de Arte Sacra, no Porto (PT NTP-TXT 00129); 1967, 24 agosto - Pe. João Cabral escreve a Teotónio Pereira informando que a Igreja da Covilhã precisa de algum "retoque", nomeadamente voltar o altar-mor para o povo, substituição da Via Sacra colocada provisoriamente, formada por medalhões espanhóis de barro pintado, com indicação do número da estação (1 a 14), alteração do sistema de iluminação da nave e resolução da humidade (PT NTP-TXT 00129); 03 novembro - projeto de atualização litúrgica da igreja: memória descritiva, do arquiteto Nuno Teotónio Pereira *11 (PT NTP-TXT00136); 1968, 11 março - arquiteto recebe 4.000$00 do Pe. João Cabral para pagamento de despesas relativo ao estudo da atualização litúrgica da igreja (PT NTP-TXT 00129); 1969 - a igreja é elevada a Paroquial, da Paróquia de São Pedro, que fica sob a responsabilidade da Companhia de Jesus.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes e paredes autónomas.

Materiais

Estrutura em betão ou alvenaria, rebocada; soco, pilastras, friso, cornijas, molduras dos vãos, cruzes, fogaréus, grupos escultóricos do exterior e arco triunfal em cantaria de granito; altares laterais em cantaria de granito; pinturas murais na parede testeira da capela-mor; lambris, guarda do púlpito e do coro, em madeira de castanho; portões do endonártex em ferro forjado; caixilharia das janelas em madeira e as da frontaria em ferro perfilado; janelas com vidro ou vidro catedral, na frontaria; portas de madeira; pavimento da igreja em tacos de madeira e o do endonártex e supedâneo em cantaria de granito; teto em fibra de madeira; algerozes metálicos; coberturas exteriores em telha lusa.

Bibliografia

SILVA, José Aires - História da Covilhã. s.l.: 1970; FERNANDES, Adelino Pais - Concelho da Covilhã e Memórias Paroquiais de 1758. Covilhã: 2000; Comunidade Paroquial de São Pedro Covilhã (https://pontosj.pt/paroquiasaopedro-covilha/), [consultado em 16 agosto 2018].

Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN:DSID, Arquivo pessoal de Nuno Teotónio Pereira (PT NTP-TXT00129 - PT NTP-TXT00131); CMCovilhã; Província Portuguesa da Companhia de Jesus

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID, Arquivo de Nuno Teotónio Pereira (PT NTP-TXT00130)

Documentação Administrativa

DGPC: Arquivo de Nuno Teotónio Pereira; CMCovilhã; Província Portuguesa da Companhia de Jesus

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 1948, abril - início das obras de restauro da igreja (PT NTP-TXT 00129); 1952, fevereiro - reparação do telhado da igreja devido aos danos provocados por temporal, no valor de 8 contos; 1967 / 1968 - trabalhos de conservação, entre os quais o completamento do lambril das capelas laterais, adaptação da instalação elétrica e arranjo das sancas de iluminação ao longo da nave, pintura das paredes e do teto, abertura de nichos para alojamento de altifalantes; com o novo arranjo de adaptação litúrgica, procede-se ao desmonte dos altares laterais, colaterais e da pedra superior do altar-mor, apeamento do "docel-reflector do ambão" e da balaustrada do transepto (PT NTP-TXT00136); 2000 - pintura do interior e exterior.

Observações

*1 - Segundo o Pe. João Bernardo, o Sr. Dr. Crespo e o Sr. José Alçada, da Comissão de reconstrução da igreja, "ficaram mesmo entusiasmados. Como este estilo moderno é ainda inteiramente desconhecido nesta região é natural que a princípio a maior parte do vulgo há-de estranhar e talvez até censurar, mas pouco a pouco irão vendo e compreendendo a razão de tudo e acabarão por gostar. (...). Quanto aos esbocetes poucas observações temos a fazer. O sistema de iluminação tanto natural como artificial pareceu-me muito interessante. Receio no entanto que a igreja fique demasiado escura. É preciso atender a que em qualquer parte do templo se possa ler comodamente, sem cansar a vista (...) gostei imenso a ideia do reflector sobre o altar-mor. Não vejo bem como poderá servir ao mesmo tempo de baldaquino, mas se isso for realizável duma maneira feliz, seria uma coisa deveras original e curiosa. Nosso Senhor o ajude a acabar de amadurecer essa ideia. A capela lateral do lado do Evangelho poderá com algum trabalho, aprofundar-se um pouco mais, mas não creio que se possa chegar a 1,m60, como vem na memória (...)" (PT NTP-TXT 00129). *2 - Sensivelmente por esta altura, o Pe. João Bernardo foi transferido para a Residência da Póvoa de Varzim, sendo então substituído pelo Pe. António Fazenda, que passa a tomar a dianteira no restauro da igreja. Ainda assim, o Pe. Bernardo escreve ao arquiteto, a 23 de outubro, a informar que apenas dois empreiteiros haviam apresentado orçamento para as obras, um no valor de 140 contos e o outro no de 210, achando este muito careiro, mas o outro barato demais, havendo um certo receio na adjudicação" (PT NTP-TXT 00129). Numa outra carta a Teotónio Pereira, datada de 1 de dezembro, o Pe. Bernardo manifesta a sua satisfação por ele ir cuidar do restauro da igreja e diz que "Considera providência divina ter sabido dele em Águas (...)" (PT NTP-TXT 00129). *3 - O Dr. Crespo de Carvalho escreve a Teotónio Pereira dizendo que "O arranjo da fachada tem beleza e tem equilíbrio arquitectónico, ao mesmo tempo que reveste um aspecto sóbriamente moderno sem que faça mau contraste junto da torre. Mas parece que a mesma fachada é um tanto pobre quanto à decoração, pelo que se propõem as seguintes ideias à consideração do Sr. Arquitecto: 1) o janelão superior talvez devesse ser provido de vitrais; 2) o alto relevo que embeleza a sobre-padieira da porta principal talvez devesse ser acompanhado lateralmente por quaisquer motivos decorativos que lhe sirvam de acessório. E como, por outro lado, o côro precisa de luz directa (porque o janelão fica demasiado acima para iluminar), talvez fosse exequível e adaptável abrir uma fresta de cada lado do alto relevo com forma apropriada e revestir as duas frestas de uma rêxa em ferro forjado (...)" (PT NTP-TXT00134). *4 - Numa carta de 16 de fevereiro ao Pe. Fazenda, Teotónio Pereira alude às críticas feitas ao projeto, dizendo: "Por mim, acredito nas possibilidades do Presidente, e, portanto, na sua expressão livre e autêntica, e sinto-me incapaz de imitar seja o que for do Passado, que admiro ferverosamente. Quanto a estabelecer compromissos, sou de opinião que a arte não os admite. De resto, a fachada apresentada em ante-projecto não me parece ostensiva na sua expressão, mas antes discreta; (digo isto para mão se pensar que pode incluir-se no que se chama "arrojamento moderno" (...) (PT NTP-TXT 00129). *5 - Segundo a carta do Pe. Fazenda, a sacristia media aproximadamente 10x20m, era em taipa e "(...) não tendo até hoje recebido nenhuma reparação, precisa de ser demolida e reconstruída com solidez (...)" (PT NTP-TXT 00129). *6 - "(...) Em 9 de Novº de 1873, por diligência e zêlo do Pe. Nicolau Rodrigues, Superior ao tempo desta Residência, a cidade da Covilhã consagrou-se solenemente ao Sagrado Coração de Jesus. Talvez o relevo possa ter êste motivo: consagração da Covilhã ao Sagrado Coração de Jesus. Acaso poderia figurar-se o Sagrado Coração de Jesus de pé ou sentado num trono, a Covilhã (figura que a simbolizam) aos pés do S. Coração de Jesus oferecendo-lhe um escudo com as armas da cidade (ou qualquer coisa que significasse a entrega da cidade ao S. Coração) e o Pe. Nicolau (existem fotografias dele) apresentando ao S. Coração de Jesus a cidade na figura representativa dela. É uma sugestão que Vª Exª aproveitará se gostar. Lembro que em 1943 (se não erro) a Covilhã se consagrou ao Imaculado Coração de Maria. Fês a consagração o Presidente da Câmara, e promoveu-a êste criado de Vª Exª. Rogo muito a Vª Exª que na escultura não favoreça a arte moderna. Queremos arte, mas inspirada e humana. Simbolismos exagerados, não (...)" (PT NTP-TXT 00129). Três meses depois, a 26 de junho, o Pe. Fazenda escreve ao arquiteto dizendo que, relativamente ao baixo-relevo, "quero examiná-lo com todo o vagar em todos os seus pormenores. O rabisco do projecto não diz nada do que êle será (...). Eu por amor da pressa sujeitar-me-hei a muita coisa, mas ali por cima da portada quero arte humana, arte verdadeira, arte, em suma. Exageros modernos, simbolismos rígidos e pouco decifráveis não os quero ali. Quero figuras expressivas, humanas, bem acabadas e perfeitas. (...)" (PT NTP-TXT 00129). *7 - Na Memória Descritiva do projeto, 2.ª fase das obras, fazem-se as seguintes considerações: "(...) No ante-projecto apareceram já perfeitamente definidos os princípios que conduziram à solução apresentada, e que, longamente meditados, não sofreram alteração: "A frontaria, no seu estado actual, não tem caracter ou espírito religioso - pelas próprias formas, pela disposição dos vãos, e pelas dissimulações e excrescências que contem. As três portas existentes são pouco cómodas e mesquinhas. As janelas de sacada ao nível do coro, com balcão, além de não proporcionarem uma iluminação adequada, são características de um edifício público ou de uma habitação. O tímpano superior que remata a fachada, além de constituir uma simulação construtiva de filiação barroca, não tem sequer a elegância das construções autênticas neste estilo. Por estas razões se conclui que uma simples depuração da frontaria, pela eliminação dos elementos apostos, não basta para obter uma fachada de igreja. Será preciso remodela-la completamente. Assim, procurou-se obter uma entrada ampla que facilitasse a circulação e que resultasse convidativa e atraente. Os vãos existentes serão emparedados e rasgar-se-á um amplo janelão na parte superior, para dar ao interior a luz adequada. As pilastras existentes serão simplificadas e a empena de bico, com capeamento de cantaria, traduzirá com sinceridade a forma da cobertura. Um baixo-relevo será colocado sobre o portal. (…) O arranjo definitivo da frontaria, não difere, assim, do apresentado anteriormente em ante-projecto. Apenas se estudaram com maior cuidado as proporções, o lugar dos vários elementos no conjunto, e se concretizou melhor o baixo-relevo da entrada, que ganhou desenvolvimento. No conjunto de vãos aberto na parte superior para iluminação da nave, cada elemento está agora mais individualizado, de modo a que o todo não constitua um janelão único, mas um grupo de pequenos rasgamentos. O grupo escultórico é constituído por uma figura central, de grande porte, representando o Coração de Jesus, e por grupos laterais de figuras mais pequenas, que representam cenas relacionadas com o culto do Coração de Jesus, incluindo a consagração da cidade da Covilhã, patrocinada pelo Padre Nicolau Rodrigues. Embora constituindo um conjunto interligado, as várias figuras e grupos ficarão embebidas na fachada de uma maneira livre, e um pouco espalhados, com pedaços de parede branca entremeados, isto para evitar uma impressão excessivamente pesada. O baixo-relevo dará, assim, a indispensável animação à fachada. A disposição dada à entrada obedece ao objectivo de proporcionar, por um lado, uma zona abrigada junto às portas, servindo ao mesmo tempo de guarda-vento, e por outro, um átrio que estabelecesse uma transição entre a rua e o templo, o que corresponde a uma necessidade de ordem psicológica. Com esse recinto vedado apenas por uma grade (alta e de transposição difícil), a igreja conservará, mesmo enquanto fechada, um aspecto mais atraente. Uma grelha com vidro, nas paredes laterais, iluminará as zonas baixas sob o coro (...)". *8 - A Câmara delibera indeferir o pedido de licença da remodelação da frontaria essencialmente por quatro motivos: o parecer do arquiteto João António de Aguiar referir-se apenas à fachada, sem fazer referência ao conjunto; o projeto apresentado se encontrar incompleto, sem portanto ser possível efetuar uma apreciação do mesmo conjunto; devido aos elementos apresentados até ao momento, "entender que o volume de construção existente impõe que a fachada principal a reconstruir, se integre numa arquitetura afim; e que a solução apresentada, por si só não impõe decisivamente por forma a justificar a adoção de arquitetura totalmente diferente. Assim, devia ser apresentado o projeto completo, elaborado de forma a satisfazer os princípios expostos (...)" (PT NTP-TXT 00129). *9 - Na carta ao Pe. Fazenda, Teotónio diz que o desenho da frontaria fora feito de acordo com as indicações do arquiteto Aguiar. "Eu não gosto nada, mas parece-me que poderá ser aprovado pela Câmara e pelo Ministério (...) veja-o V. R. e, se entender, meta-o na Câmara". Em resposta, o Pe. Fazenda, a 10 de agosto, diz que "A nova frontaria não me aquenta nem me arrefenta. Aquêles santos esmagados por tão alterosas frestas; (...) aquela ilusão de três naves ... etc ... Mas precisamos de andar. Estamos parados há mais de 2 anos! Portanto já meti o projecto à Câmara... Oxalá ela aprove" (PT NTP-TXT 00129). No dia 20, o padre diz que o projeto só não agradara a duas pessoas mas, de modo geral, foi do agrado de todos. Na Câmara foi bem recebido tendo-o enviado, no dia 12, para Lisboa, ao arquiteto Aguiar, para receber o seu parecer. Em setembro, o Pe. Fazenda escreve uma outra carta, confidencial, aludindo ter estado com o engenheiro da Câmara e ficado a saber que o engenheiro Aguiar estivera na Covilhã, que se queixara de Teotónio não ter feito nada do que ele queria. Já o arquiteto da Câmara "lamentava uma ... enormíssima ... falta ...A da Tôrre. Tem a obcessão da tôrre e do barroco". (...) Eu para terminar esta comédia toda, vou-me inclinando a não tocar na frontaria ... O que está é uma delícia de arte condizente com o ambiente e com a tôrre (...)" (PT NTP-TXT 00129). *10 - Segundo o Pe. Fazenda, os altares "que infelizmente não ficaram de bloco, mas só de prancha, ou seja, de placa gorda. O altar-mor dá bom aspecto. Sem a mesa parece pequeno. Com ela talvez fique bem. Os do canto teem um ar pesadão. É de necessidade quebrar aquêle bojo do frontal com qualquer monograma, mesmo que seja de bronze, tanto mais que estes altares, para serem consagrados, teem que levar no meio do frontispício uma cruz aberta na pedra. As banquetas paradas a meio caminho também não dizem bem. É necessário evitar o inconveniente da projecção do sacrário contra a parede branca, com duas frestas, cada uma de seu lado do cofre (...)" (PT NTP-TXT 00129). O padre também não gosta da cancela do coro. *11 - No projeto de atualização litúrgica da igreja, "procurou-se uma solução, dentro dos condicionalismo existente, que exprimisse claramente a plena participação do povo na celebração eucarística. Para tanto, a colocação do altar na zona correspondente ao transepto parece a solução indicada, proporcionando uma disposição envolvente das bancadas dos fiéis, que passarão a ocupar as capelas laterais. (...) a zona central da celebração compreenderá, além do altar, o banco da presidência - que aproveitará o actual púlpito (sem o docel-reflector). (...) quanto ao altar, será construído com a pedra superior do actual altar-mor, apoiada numa estrutura metálica guarnecida com os tampos dos altares laterais, segundo desenhos a fornecer. Para maior realce e largueza do banco da presidência, será ampliado o sopedâneo do altar existente. Uma das bancadas laterais será aproveitada para o côro, que ficará em posição mais favorável para a função de diálogo com o corpo principal da assembleia dos fiéis. A actual capela-mor, em cujo altar se conservará o sacrário - será ocupada por bancadas em face-a-face, posição com nítidos inconvenientes, mas que permitirá tanto a participação na liturgia como a oração junto do Santíssimo. Também aqui poderá instalar-se o côro, sobretudo se fôr numeroso o grupo de fiéis que o compõem. O acesso a este durante as celebrações terá de ser feito através do salão adjacente (...). O Santíssimo será mantido no altar existente, conservando-se o sacrário, mas modificando-se aquele, reduzindo-se o volume e a altura, pois o tampo será aproveitado para o novo altar da celebração (...). Quanto à Via Sacra, propõe-se a utilização de pequenas cruzes de pau-santo com 30x30cm, de um modelo exclusivo da Casa Sampedro, da autoria do Arquitecto Nuno Portas. Em princípio, seriam distribuídas ao longo de toda a nave e das capelas laterais e integradas na parte superior do lambril de madeira, para evitar um realce excessivo (...). A instalação da pia baptismal, no caso de a igreja passar a ser paroquial, como tudo indica, representa um problema extremamente difícil (...). Em face da escassez de espaço na zona de entrada, só se vêm duas soluções convenientes: a localização do baptistério numa das capelas laterais, de preferencia a da direita, onde ficaria com toda a dignidade, mas sacrificando um sector importante das bancadas dos fiéis; ou na própria zona central da celebração, puxado também à direita, junto do degrau existente (...)" (PT NTP-TXT00136).

Autor e Data

Paula Noé 2018

Actualização

 
 
 
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