Bairro Operário de Portimão

IPA.00020475
Portugal, Faro, Portimão, Portimão
 
Setor urbano. Área com unidade morfológica contemporânea de traçado organicista. Habitação económica de promoção pública estatal (DGEMN). Bairro de Casas Económicas, de média dimensão, destinado aos operários da fábricas conserveiras de Portimão, composto por casas geminadas unifamiliares térreas da classe A (tipo 1, 2 e 3), com logradouro no tardoz. Os tipos 1 e 2 das unidades habitacionais do projecto inicial configuram um curioso exemplo de habitação evolutiva, provavelmente assente na perspetiva de autoconstrução futura. Cada uma destas unidades é concebida e implantada de modo a permitir a ampliação à medida do crescimento do agregado familiar, a realizar segundo projeto preestabelecido, acautelando e evitando a aleatoriedade de prováveis adições necessárias e assegurando a manutenção da unidade do conjunto.
Número IPA Antigo: PT050811030039
 
Registo visualizado 252 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Conjunto urbano  Setor urbano  Unidade morfológica  Contemporânea / Habitação económica  Casas Económicas  Promoção pública estatal (DGEMN)

Descrição

Acessos

Rua General Humberto Delgado; Rua Doutor Manuel Rebelo Andrade; Rua dos Operários Conserveiros

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Descrição Complementar

As casas do bairro de Portimão, usufruídas em especial pelos operários soldadores, distribuem-se por três tipos no interior da classe A: o tipo 1, com prestação mensal de 40$00, destinado a casais sem filhos, constituído por uma célula habitacional mínima com uma área de 41,44 m2 (sala comum, cozinha, instalações sanitárias e um quarto), ampliável até três quartos (67,25 m2); o tipo 2, com prestação 55$00, destinado casais com filhos de um só sexo em dois quartos (53,01 m2), também ampliável até três quartos (65,33 m2); o tipo 3, com a prestação mensal de 65$00, contempla três quartos para o alojamento de casais com filhos de sexo diferente, com uma área de 78,50 m2, agrupadas em conjuntos de quatro unidades justapostas cujos centros são ocupados pelos pátios privativos das casas (cada conjunto 314 m2) (RODRIGUES 1997, pp. 247-249). Da classe A, tipo 2, seriam construídas 32 casas em oito conjuntos, ocupando a faixa N. do bairro delimitada, pelas hoje designadas ruas dos Operários Conserveiros, Engenheiro Duarte Pacheco, Doutor Manuel Rebelo Andrade e General Humberto Delgado.

Utilização Inicial

Não aplicável

Utilização Actual

Não aplicável

Propriedade

Afectação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido

Cronologia

1934, janeiro - uma comissão composta pelos grandes industriais conserveiros de Portimão, encabeçada por Caetano Feu Marchena, reúne com o ministro das Obras Públicas, Duarte Pacheco, para transmitir a importância da conclusão do bairro operário então já iniciado em terrenos a S. do núcleo urbano; a construção das 24 casas já iniciadas fora interrompida pela "crise de trabalho" que atingia aquele importante núcleo piscatório e conserveiro (RODRIGUES 1997, p. 245); 1934, 4 outubro - a obra de "Construção de casas económicas" em Portimão, a cargo da Secção de Construção de Casas Económicas da DGEMN, é ilustrada por registo fotográfico, efectuado na fase de construção das fundações e paredes (em alvenaria de pedra). A envolvente é, então, vincadamente rural, e as imagens retratam o nascimento de um aglomerado em contexto escassamente construído (DGEMN.DESA Fotos 134638 a 134646); 1936, 7 Julho - inauguração do denominado Bairro Salazar, na presença do ministro Duarte Pacheco e outros membros do governo. A obra, destinada aos operários da indústria conserveira, teve a comparticipação do Consórcio Português de Conservas de Peixe (CPCP, designação alternativa para a União dos Industriais e Exportadores de Conservas de Peixe, criada pelo Decreto-Lei n.º 24.947 de 10 Janeiro 1935, sucessora do Consórcio Português de Conservas de Sardinha, CPCS, criado pelo Decreto-Lei n.º 21.622 de 27 Agosto 1932, e antecessora do Instituto Português de Conservas de Peixe, IPCP, criado pelo Decreto-Lei n.º 26.777 de 10 Julho 1936) e do Fundo de Desemprego. A cerimónia motivou o encerramento das fábricas de conservas de Portimão de modo a que os operários "comparecessem à recepção dos membros do governo e para se incorporarem no cortejo que do Largo do Município se dirigiu para o novel bairro. Matava-se a fome nesse dia! Aliás, o jornal O Algarve relatava que fora distribuído nas fábricas de conservas, um 'bodo' a 2.360 operários, oferecido pelo Consórcio. Para comemorar tão grande acontecimento o Grémio [Consórcio] solicitava, ainda, que na ocasião da chegada dos ministros e no momento da inauguração, todas as fábricas apitassem, dois e três minutos, respectivamente. Quando da inauguração estabeleceu-se o costume de oferecer uma casa em cada bairro ao operário com melhores serviços, mais velho na idade e antigo na profissão e, como não podia deixar de ser, o mais 'disciplinado'" (RODRIGUES 1997, pp. 245 e 250). As casas do bairro de Portimão, usufruídas em especial pelos operários soldadores, distribuem-se por três tipos no interior de uma única classe (A): o tipo n.º 1 (prestação mensal 40$00) é concebido para casais sem filhos, constituindo uma célula habitacional mínima (sala comum, cozinha, instalações sanitárias e um quarto, 41,44 m2) ampliável até três quartos (67,25 m2); o tipo n.º 2 (prestação 55$00) destina-se a casais com filhos de um só sexo em dois quartos (53,01 m2), também ampliável até três quartos (65,33 m2); finalmente, o tipo n.º 3 (prestação 65$00) contempla três quartos para o alojamento de casais com filhos de sexo diferente, em células de 78,50 m2 agrupadas em conjuntos de quatro unidades justapostas cujos centros são ocupados pelos pátios privativos das casas (cada conjunto 314 m2) (RODRIGUES 1997, pp. 247-249). Do tipo n.º 3 seriam construídas 32 casas em oito conjuntos, ocupando a faixa N. do bairro delimitada pelas hoje designadas ruas dos Operários Conserveiros, Engenheiro Duarte Pacheco, Doutor Manuel Rebelo Andrade e General Humberto Delgado; 1940 - o "Bairro Operário de Portimão" é apresentado pela imprensa como um "grande obra social realizada pelo Instituto Português de Conservas de Peixe", a par do seu congénere de Olhão. A construção dos dois agrupamentos havia sido promovida pela instituição no âmbito das suas atribuições na assistência social aos trabalhadores da indústria conserveira (O Século. Número Extraordinário Comemorativo do Duplo Centenário da Fundação e Restauração de Portugal, 1940, p. 325); 1981, Abril - o Sector de Estudos das Necessidades de Alojamento do Gabinete de Estudos e Planeamento do Fundo de Fomento da Habitação (FFH) defende o imperativo da construção imediata de 1150 fogos para fazer face às necessidades de alojamento no concelho de Portimão (Relatório n.º 9/GE/81)

Dados Técnicos

Materiais

Bibliografia

A Habitação em Portugal. Le Logement au Portugal. Housing in Portugal. Lisboa: Ministério das Obras Públicas, Centro de Estudos de Urbanização e Habitação Engenheiro Duarte Pacheco, 1963; BAPTISTA, Luís Vicente - Cidade e Habitação Social. O Estado Novo e o Programa das Casas Económicas. Oeiras: Celta, 1999; Mais Melhoramentos, Mais Trabalho, 1928-1953, Vinte e Cinco de Valorização Regional. Lisboa: Ministério da Obras Públicas, Comissariado do Desemprego, 1953, vol. II; Ministério das Obras Públicas. Melhoramentos inaugurados oficialmente em 1952 para comemorar as datas de 27 de abril e 28 de maio. Lisboa: Bertrand Irmãos Lda., s.d.; Quinze Anos de Obras Públicas, 1932-1947, Exposição e Congressos de Engenharia e de Arquitectura. Lisboa, 1949, 2.º volume, pp. 148-153; O Século. Número Extraordinário Comemorativo do Duplo Centenário da Fundação e Restauração de Portugal, Lisboa, O Século, 1940; Relatório n.º 9/GE/81. Necessidades de Alojamento no Concelho de Portimão. Lisboa: Fundo de Fomento da Habitação, Gabinete de Estudos e Projeto, 1981; RODRIGUES, Joaquim Manuel Vieira. A Indústria de Conservas de Peixe no Algarve (1865-1945). Lisboa, 1997 [policopiado]; TRINDADE, Cachulo da - Casas Económicas. Casas de Renda Económica, Casas de Renda Limitada e Casas para Famílias Pobres. Legislação Anotada. Coimbra: Coimbra Editora Limitada, 1951.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DESA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

EM ESTUDO

Autor e Data

Ricardo Agarez 2007

Actualização

Anouk Costa 2014
 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login