Fortaleza de Muxima

IPA.00020043
Angola, Luanda, Quiçama, Quiçama
 
Arquitetura militar, seiscentista. Forte de planta poligonal irregular, composta por três baluartes e cortinas retilíneas, com paramentos em talude, rematados em parapeito simples ou de merlões e canhoneiras, com guaritas cilíndricas em alguns ângulos, interiormente percorrido por adarve, acedido por rampas ou degraus. O portal rasga-se num ângulo da cortina e tem arco abatido, encimado por lápide alusiva à construção. Algumas cortinas são reforçadas por contrafortes de esbarro, de provável feitura posterior.
Número IPA Antigo: AO910108000001
 
Registo visualizado 557 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Forte    

Descrição

Planta poligonal irregular composta por três baluartes e cortinas retilíneas. Escarpa exterior com paramentos em talude, rebocados e pintados de branco, terminados em parapeito de merlões e canhoneiras ou simples, sendo reforçados por vários contrafortes de esbarro e possuindo em alguns ângulos guaritas cilíndricas, com cobertura em domo, sobre cornija, e rasgadas por frestas de tiro retangulares. No topo da rampa de acesso, possui portal em arco abatido, com porta gradeada, inserido em cortina terminada em empena com lápide inscrita. No INTERIOR, com cortinas percorridas, em quase toda a extensão, por adarve, acedido por rampas ou escadas de pedra, erguem-se duas casas, que serviam de corpo da guarda e de paiol. Têm planta retangular simples e cobertura em telhado de quatro águas, rematadas em beirada simples. As fachadas são rebocadas e pontadas de branco, a principal rasgada por vãos retilíneos.

Acessos

Muxima

Protecção

Classificado, Estado Português, Portaria n.º 2, Boletim Oficial n.º 1 de 12 janeiro 1924

Enquadramento

Fluvial, isolado no alto de um monte na margem esquerda do rio Cuanza, com acesso por caminho íngreme calcetado, com guardas em alvenaria caiada de branco, sendo o portal precedido por vários degraus. Do interior usufrui-se uma deslumbrante vista sobre a paisagem envolvente e no sopé do monte, ergue-se a Igreja de Nossa Senhora da Conceição (v. IPA.00020044).

Descrição Complementar

A lápide sobre o portal tem a inscrição "O CAPITÃO - FRANCISCO / DE NAVAES A FES - 1655". Junto a algumas canhoneiras dispõem-se, no pavimento, bocas de fogo.

Utilização Inicial

Militar: forte

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: Estado angolano

Afectação

Época Construção

Séc. 17

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1581 - instalação de um pequeno posto militar junto ao rio Cuanza pelo governador de Angola, Paulo Dias de Novais; 1599 - data provável da fundação do presídio por Baltazar Rebelo de Aragão sendo governador João Furtado de Mendonça (1594-1602); Baltazar de Aragão envia memorial ao rei D. Filipe II, afirmando ter fundado a fortaleza à sua custa; nesta época, o presídio serve como ativo entreposto de mercadorias e de escravos que aguardavam transporte para o continente Americano; 1609 - transferência do presídio para outro local por ordem do governador Manuel Pereira Forjaz; 1641 - devido aos ataques de corsários holandeses, os presídios do rio Cuanza tornam-se uma linha de resistência dos colonos portugueses; 1646 - Muxima é atacada pelos holandeses refugiando-se a população na fortaleza; 1647 - queda da fortaleza para os holandeses; 1648 - reconquista da fortaleza por tropas vindas de Massangano; 1655 - data inscrita na pedra de armas da fortaleza, sendo então o seu capitão Francisco de Novais; re-edificação da fortificação; séc. 19, meados - até esta data, o presídio e a sua guarnição são governados por um capitão-mor; 1846 - relatório do alferes Sampaio, oficial às ordens do governador de Angola, Pedro Alexandrino da Cunha, diz "a fortaleza é um lindo ponto de vista para todos os lados e dele se vê perfeitamente a lagoa da Quisua"; Lopes de Lima escreve que a fortaleza de Muxima é de pedra e cal e é "presidiada com uma companhia de 130 praças de primeira linha"; a povoação tem cerca de 500 casas, sendo duas ou três de pedra e as demais palhoças; Muxima vive essencialmente do seu porto fluvial que serve de escala às embarcações que de Calumbo navegam Cuanza acima até Massangano, Dondo e Cambambe; 1924, 12 janeiro - classificação da fortaleza, ao que parece, como Monumento Nacional, ainda que a categoria não seja referida na lista dos Monumentos & Sítios Registados de Angola; 1941 - 1948, entre - durante a Segunda Guerra Mundial, aqui ficam aquarteladas tropas portuguesas; 1956 - Muxima é classificada como Imóvel de Interesse Público; 1961 - ainda conserva bocas de fogo, uma delas com as armas francesas; 1996 - a fortaleza é incluída no Corredor do Cuanza (Luanda-Cuanza Norte), da Lista Indicativa com bens a classificar como Património Mundial, pela UNESCO; 2008 - a fortaleza encontra-se em ruínas e precário estado de conservação.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria caiada de branco; cobertura das casas do interior em telha.

Bibliografia

BATALHA, Fernando - Povoações Históricas de Angola. Lisboa: Livros Horizonte, 2008, pp. 29-48; BATALHA, Fernando - Muxima. Luanda, Angola: Direcção dos Serviços de Obras e Transportes - Monumentos Nacionais: s.d.; GABRIEL, Manuel Nunes - Padrões da Fé. As Igrejas antigas de Angola. Braga: Arquidiocese de Luanda, 1981; Monumentos & Sítios Registados em Angola, (http://www.mincultura.gv.ao/monumentos_reg_angola_bengo.htm), [consultado em 18-12-2013]; Fortaleza Muxima, KwanZA Sul, Angola (http://www.hpip.org/Default/pt/Homepage/Obra?a=2048), [consultado em 18-12-2013].

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 2010 - obras de beneficiação da fortificação.

Observações

*1 - A fortaleza de Muxima apoiou as forças portuguesas nas chamadas Guerras Kwata-Kwata, ou seja, nos conflitos inter-tribais envolvendo as tribos empregadas pelos Europeus para capturar outras tribos, sujeitando-as à escravidão.

Autor e Data

Joaquim Gonçalves 2003

Actualização

João Almeida (Contribuinte externo) 2014
 
 
 
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