Igreja Paroquial de Abade de Neiva / Igreja de Santa Maria / Igreja de Santa Maria do Abade de Neiva

IPA.00000020
Portugal, Braga, Barcelos, Abade de Neiva
 
Igreja paroquial de planta poligonal, com portais e janela da capela-mor góticos. É um exemplo muito significativo de quanto a nossa arquitectura medieval rural ficou presa aos hábitos românicos de construir (ALMEIDA 1978 / 172). Nada indicando que o corpo da igreja, embora menos evoluído arquitectonicamente do que a capela-mor, lhe seja anterior, terão existido dois mestres diferentes. O da capela-mor, mais actualizado e conhecedor da evolução da arte de construir, e o do corpo da igreja, talvez local e de gosto arcaizante.
Número IPA Antigo: PT010302010008
 
Registo visualizado 1366 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta composta por nave longitudinal e capela-mor rectangular. Volumes escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de 2 águas. Fachada principal com portal sem tímpano, alto e esguio, de arco quebrado; tem 4 arquivoltas, apoiadas em 8 colunas de fuste liso e capitéis historiados, antropomórficos, como um tocador de viola de arco e uma bailadeira, e zoomórficos, como um par de aves bebendo do mesmo vaso. Sobre a porta principal abre-se um óculo redondo. As portas laterais são de arco quebrado, ainda mais goticizantes do que a principal. A meia altura, abrem-se pequenas frestas muito simples. Ao nível da cornija, ainda nas paredes laterais da nave, corre um sistema de modilhões de tipo românico, onde figuram caras, peixes, pipos, cabeças de animais como de touros e de porcos, séries de bolas e até um escudo pós-dionisíco, que se encontra do lado N. Já nas paredes da cabeceira, a cornija apoia-se em duplos cachorros de proa, segundo a maneira gótica. No interior, o arco triunfal é levemente quebrado, com duas colunas de fuste liso. Na testeira da capela a iluminação faz-se por janelão gótico de duas luzes com óculo quadrilobado. As paredes estão cobertas de siglas, muitas das quais alfabéticas. Ao lado da frontaria da igreja, da banda S., existe uma forte e larga torre, relativamente baixa, coroada de merlões piramidais.

Acessos

EN 103 (Barcelos - Viana), a 100 m, no Lugar da Igreja

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto nº 14 425, DG, 1ª Série, nº 228 de 15 outubro 1927

Enquadramento

Rural. Situa-se em local elevado, a meia encosta de um monte, sobranceiro à EN (Barcelos - Viana do Castelo), e rodeada pelo adro, cemitério paroquial, jardim público e habitações de pequena altura.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 14 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

1152 - a rainha D. Mafalda, mulher de D. Afonso Henriques, procurou fundar aqui um mosteiro, obra que não chegou a concluir por entretanto falecer; 1220 - a igreja era do padrodo real; 1258 - a igreja continua do padroado real; 1301 - doada por D. Dinis a Mestre Martinho, físico do Rei e Cónego da Sé de Braga; 1310 - o Arcebispo D. Martinho de Oliveira, a pedido de Mestre Martinho, institui nesta igreja uma Colegiada, composta de Reitor e três Capelães; séc. 14 princípios - datação sugerida por Almeida (1978 / II, 174) para os começos da fábrica da actual igreja, o que poderia relacionar-se com a doação do padroado e a instituição da Colegiada; 1410 - doada a D. Afonso, futuro primeiro Duque de Bragança, em cuja casa se manteve até 1833; séc. 15 - datação sugerida por Almeida (1978/II, 174) para a obra da torre; 1706 - segundo o Padre Carvalho da Costa é vigararia e cabeça do arcediagado de Neiva, rendendo 60$000; os dízimos são pagos à Diocese Braga; 1732 - foi mandada consertar a galilé então existente sobre a fachada principal; 1734 - foram mandados abrir 2 campanários na torre e erguer um coro; 1744 - foi mandado pintar o tecto e rebocar as paredes da capela-mor e da nave; 1758 - manda-se reformar as paredes do adro; 1802 - fata gravada no portão do Cemitério Paroquial; 1831 - apresenta estado de ruína; 1904 - mandam-se fazer obras de reconstrução na parede da frente, que ameaçava ruína, e remover o soalho do corpo da igreja.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em cantaria de granito, cobertura de madeira de castanho, pavimento de cantaria e madeira.

Bibliografia

ALMEIDA, C. A. Ferreira de, Arquitectura Românica Entre Douro e Minho, Porto, 1978, p. 172 - 174; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Geografia da Arquitectura Românica in História da Arte e Portugal, vol. 3, Lisboa, 1986, p. 50 - 131; COSTA, António Carvalho da (Padre), Corografia Portugueza..., Lisboa, Valentim da Costa Deslandes, 1706, tomo I; DGEMN, Igreja de Santa Maria de Abade de Neiva, Boletim nº 90, Lisboa, 1957; FONSECA, Teotónio da, O Concelho de Barcelos Aquém e Além Cávado, Barcelos, 1987, vol. I, pp. 45 - 55; IPPAR, Património Arquitectónico e Arqueológico Classificado, Inventário, vol. II, Lisboa, 1993, vol. II; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1956, Lisboa, 1957; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério nos anos de 1957 e 1958, 1º Volume, Lisboa, 1959; Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1976. .

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

DGEMN: 1943 - reparação da cobertura; 1946 - reparação cobertura, restauro da rosácea, reposição de frestas e vitrais, demolição da sacristia; 1947 - substituição de pavimentos; 1952 - remoção de 2 altares da renascença; 1955 - desmonte dos altares de talha, reconstrução da cachorrada, cintagem das paredes, construção de nova armação da cobertura; 1956 - obras de restauro; obras de conclusão do restauro da capela-mor; 1957 - prosseguimento das obras de restauro; 1958 - obras de conclusão do restauro; 1957 / 1958 - cobertura e coroamento da torre, cobertura e pavimento da sacristia; 1965 - transporte de altares existentes e sua arrecadação na Igreja da Serra do Pilar; 1972 - reparação dos estragos do último temporal; 1973 - limpeza de telhados e pintura de portas; 1982 - obras de conservação; 1985 - ampliação do cemitério da freguesia no interior da Zona de Protecção.

Observações

Autor e Data

Isabel Sereno e Paulo Dordio 1994

Actualização

 
 
 
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